OSNY MATTANÓ JÚNIOR
O CONTO DE FADAS DO BRASILEIRINHO
25/01/2015
CAP. 1
Era
uma vez uma família com um jovem menino pobre que morava na favela da sua
cidade no Brasil, ele era o brasileirinho, que sonhava em ser alguém, em ser um herói em seu país, em ser um
professor, médico, cientista ou jogador
de futebol, mas ele era pobre e só sabia jogar futebol, não havia Escola perto
da sua casa e seus pais eram pobres, carentes, necessitados, passavam fome e
tinham dividas, só restava a bola e o campinho para o nosso brasileirinho e os
seus sonhos.
Conforme
foi vivendo apareceram oportunidades e numa dessas foi numa Escolinha de
Futebol do maior ídolo do seu país onde ele mesmo o encorajou oferecendo-lhe
até mesmo uma bolsa para estudar na Escola e avançar pessoalmente e
socialmente, nosso brasileirinho não se segurou e fez o que já sabia de cor, pé
na bola no gramado.
Tudo
de presente para o nosso brasileirinho, televisão e rádio, arquibancada, todas
as fronteiras no primeiro jogo de futebol... fogos de artifício... e muitos
gols... foi demais entre os meros mortais disse o brasileirinho para os seus
amigos no vestiário e foi para a solidão.
Havia
muito por ser vivido e se aprender, a solidão e o prazer, o dinheiro e o poder,
a cidadania e a loucura, a ganância e o desprezo, a sorte e o azar – onde
estava o meu lugar? Se perguntava conforme ia amadurecendo o brasileirinho!
CAP. 2
Em
seu caminho solitário o nosso brasileirinho enfrentou seu monstros que o
assustavam desde muito menininho com seus pais, de onde veio, de suas relações
mais simples e mais marcantes, construtivas e fundamentais, monstros feitos dos
sonhos, dos pensamentos, dos afetos, medos e incertezas, da agressividade e do
ódio, do amor e do destino, do que foi preparado pelo meio social para ele,
para que ele internaliza-se e interiroriza-se e reproduzi-se essas relações
destinadas a ele como que num convite da vida, da solidão, dos monstros, porque
você não me convida agora disse ele para a solidão que o perseguia com seus
monstros assustadores?
No
começo teve que lutar com seus primeiros pensamentos, afetos e sonhos, coisas
que o atormentavam castigando-o
por não fazerem significado, sentido e nem conceito completos, eram incompletos,
inacabados, incompreensíveis de tanto querer e desejar mas não ter como
possuir, surgiram monstros circulares, quadrados, negros, brandos, escuros, que
se mexiam, que refletiam, que emitiam sons, que eram sugados, grandes e
pequenos, monstros que ficavam entre uma pequena distância, entre o inferno e o
paraíso, pois ninguém de fato estava olhando-o.
CAP. 3
Depois teve que
lutar com seu novo amor, com o que se desfazia, seu monstro que ele aprendia a
abandonar e a controlar a cada momento que chagava como necessidade fisiológica
fecal, isto lhe ocorria todos os dias, seus monstros eram abandonados no
expelir de seus processos fisiológicos que despertavam processos psicológicos e
comportamentais, tudo começava com um
descontrole monstruoso onde seus monstros não tinham qualquer controle até
começarem os processos fisiológicos e orgânicos capazes de despertar o controle
de seus processos psíquicos e comportamentais, gerando controle desses
monstros... o nosso brasileirinho declarava e escutava isto tudo a todo
momento e acompanhava a análise e interpretação
da Psicóloga que o atendia já à algum tempo na Escolinha de Futebol, ele estava
se desenvolvendo e amadurecendo psicologicamente para se tornar um grande atleta
e um grande homem – sua Fadinha era a sua Psicóloga e este era o seu Conto de
Fadas.
CAP. 4
Então o nosso
brasileirinho em seu Conto de Fadas começou a reviver suas experiências da sua
fase do poder onde naturalmente decidir-se-ia como seguidor de seu pai
desistindo de sua experiência materna a ponto de possuir a chave da prisão,
pois agora o que escolheriam o acompanharia até o fim de sua vida orientando
seu poder e sua direção. Sua Fadinha iluminava seu caminho orientando-o com
amor e discernimento, as coisas invisíveis se tornavam visíveis e as coisas
visíveis já eram entendidas com facilidade e sabedoria, sua Fadinha o relaxava
e ele ficava cada vez mais introspectivo e consciente, como era amorosa essa
relação e cheia de poder, a Fadinha estava treinando-o para lidar com o poder
na vida de atleta! Seus monstros nessa época eram o medo, o ódio, a ansiedade e
a angústia, capazes de leva-lo a uma direção destrutiva, hostil e ruinosa
através do seu poder que o destruiria e não o faria crescer e se desenvolver
pessoalmente e socialmente, nem mesmo na carreira de atleta.
CAP. 5
Agora passando pelo período de atividades cognitivas onde
repousam as sexuais em favor das acadêmicas e escolares, foi contando o
brasileirinho, descobriu a alfabetização, as ciências e as artes, depois a
religião e os esportes, deslumbrando-se completamente até mesmo com as
dificuldades na aprendizagem que tinham que ser superadas por ele todos os dias,
pois aprender é difícil, envolve desequilíbrio cognitivo, e isso gasta muita
energia da criança que tem que se empenhar, seus Monstros eram o medo de se
separar de sua mãe e de ir para a Escola, ao qual ele odiava em virtude disso.
Só gostava mesmo era de jogar o futebol com os meninos na Escola, o resto
odiava - a carreira de atleta não seria
uma carreira brilhante sem antes passar pela Escola e ele sabia disto, pois sua
Fadinha o alertava disto constantemente, por causa disto continuava a estudar
na Escola.
CAP. 6
Já na puberdade
o brasileirinho se viu num novo mundo de relações onde vivia cercado de suas
próprias cercas de amigos para se afastar do mundo que era justamente seus
pais, seus amigos o levavam para onde queria, para longe, para a rebeldia, foi
aí então que a Fadinha apareceu e lhe ajudou e encantou sua mente com seu poder
de sedução mostrando-lhe que para ser um grande atleta ele jamais poderia se
tornar um homem rebelde e distante, sem rumo nem direção, que jamais deveria se
afastar do mundo e dos problemas do mundo, que teria responsabilidades e
funções sociais exemplares, que seus Monstros seriam justamente a falta de
bom-senso e a irresponsabilidade, a imoralidade e a injustiça, ele deveria
seguir um caminho justo e exemplar para não se prejudicar e não prejudicar a
sociedade inteira.
CAP. FINAL
Agora preparado
para a vida adulta e para o Futebol Profissional o nosso brasileirinho vestiu
pela primeira vez a camisa do seu time profissional e encarou o prazer, o
dinheiro, o poder, a cidadania, a loucura, a ganância, o desprezo, a
sorte e o azar, já havia encarado a solidão e agora todos estes Monstros de uma
só vez!
Ele descobriu
que cada um desses Monstros é como uma serpente a perseguir um vagalume, o
vagalume não provocou a serpente e nem faz parte da cadeia alimentar da
serpente, mas ela o persegue, pois não o suporta ver brilhar. Não devemos
invejar o brilho de pessoa alguma seja qual for a pessoa e qual for a sua
profissão... e assim foi um grande atleta o nosso brasileirinho, e todos
viveram felizes para sempre!
Londrina, 30 de janeiro de 2016.
Osny Mattanó Júnior
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