domingo, 24 de janeiro de 2016

O CONTO DE FADAS DO BRASILEIRINHO (2016) OSNY MATTANÓ JÚNIOR.

OSNY MATTANÓ JÚNIOR






O CONTO DE FADAS DO BRASILEIRINHO












25/01/2015





CAP. 1

         Era uma vez uma família com um jovem menino pobre que morava na favela da sua cidade no Brasil, ele era o brasileirinho, que sonhava em ser alguém,  em ser um herói em seu país, em ser um professor,  médico, cientista ou jogador de futebol, mas ele era pobre e só sabia jogar futebol, não havia Escola perto da sua casa e seus pais eram pobres, carentes, necessitados, passavam fome e tinham dividas, só restava a bola e o campinho para o nosso brasileirinho e os seus sonhos.
         Conforme foi vivendo apareceram oportunidades e numa dessas foi numa Escolinha de Futebol do maior ídolo do seu país onde ele mesmo o encorajou oferecendo-lhe até mesmo uma bolsa para estudar na Escola e avançar pessoalmente e socialmente, nosso brasileirinho não se segurou e fez o que já sabia de cor, pé na bola no gramado.
         Tudo de presente para o nosso brasileirinho, televisão e rádio, arquibancada, todas as fronteiras no primeiro  jogo  de futebol... fogos de artifício... e muitos gols... foi demais entre os meros mortais disse o brasileirinho para os seus amigos no vestiário e foi para a solidão.
         Havia muito por ser vivido e se aprender, a solidão e o prazer, o dinheiro e o poder, a cidadania e a loucura, a ganância e o desprezo, a sorte e o azar – onde estava o meu lugar? Se perguntava conforme ia amadurecendo o brasileirinho!
CAP. 2
         Em seu caminho solitário o nosso brasileirinho enfrentou seu monstros que o assustavam desde muito menininho com seus pais, de onde veio, de suas relações mais simples e mais marcantes, construtivas e fundamentais, monstros feitos dos sonhos, dos pensamentos, dos afetos, medos e incertezas, da agressividade e do ódio, do amor e do destino, do que foi preparado pelo meio social para ele, para que ele internaliza-se e interiroriza-se e reproduzi-se essas relações destinadas a ele como que num convite da vida, da solidão, dos monstros, porque você não me convida agora disse ele para a solidão que o perseguia com seus monstros assustadores?
         No começo teve que lutar com seus primeiros pensamentos, afetos e sonhos, coisas que o atormentavam                                                                     castigando-o por não fazerem significado, sentido e nem conceito completos, eram incompletos, inacabados, incompreensíveis de tanto querer e desejar mas não ter como possuir, surgiram monstros circulares, quadrados, negros, brandos, escuros, que se mexiam, que refletiam, que emitiam sons, que eram sugados, grandes e pequenos, monstros que ficavam entre uma pequena distância, entre o inferno e o paraíso, pois ninguém de fato estava olhando-o.
CAP. 3
         Depois teve que lutar com seu novo amor, com o que se desfazia, seu monstro que ele aprendia a abandonar e a controlar a cada momento que chagava como necessidade fisiológica fecal, isto lhe ocorria todos os dias, seus monstros eram abandonados no expelir de seus processos fisiológicos que despertavam processos psicológicos e comportamentais, tudo começava com  um descontrole monstruoso onde seus monstros não tinham qualquer controle até começarem os processos fisiológicos e orgânicos capazes de despertar o controle de seus processos psíquicos e comportamentais, gerando controle desses monstros... o nosso brasileirinho declarava e escutava isto tudo a todo momento   e acompanhava a análise e interpretação da Psicóloga que o atendia já à algum tempo na Escolinha de Futebol, ele estava se desenvolvendo e amadurecendo psicologicamente para se tornar um grande atleta e um grande homem – sua Fadinha era a sua Psicóloga e este era o seu Conto de Fadas.
CAP. 4
         Então o nosso brasileirinho em seu Conto de Fadas começou a reviver suas experiências da sua fase do poder onde naturalmente decidir-se-ia como seguidor de seu pai desistindo de sua experiência materna a ponto de possuir a chave da prisão, pois agora o que escolheriam o acompanharia até o fim de sua vida orientando seu poder e sua direção. Sua Fadinha iluminava seu caminho orientando-o com amor e discernimento, as coisas invisíveis se tornavam visíveis e as coisas visíveis já eram entendidas com facilidade e sabedoria, sua Fadinha o relaxava e ele ficava cada vez mais introspectivo e consciente, como era amorosa essa relação e cheia de poder, a Fadinha estava treinando-o para lidar com o poder na vida de atleta! Seus monstros nessa época eram o medo, o ódio, a ansiedade e a angústia, capazes de leva-lo a uma direção destrutiva, hostil e ruinosa através do seu poder que o destruiria e não o faria crescer e se desenvolver pessoalmente e socialmente, nem mesmo na carreira de atleta.

CAP. 5
Agora passando pelo período de atividades cognitivas onde repousam as sexuais em favor das acadêmicas e escolares, foi contando o brasileirinho, descobriu a alfabetização, as ciências e as artes, depois a religião e os esportes, deslumbrando-se completamente até mesmo com as dificuldades na aprendizagem que tinham que ser superadas por ele todos os dias, pois aprender é difícil, envolve desequilíbrio cognitivo, e isso gasta muita energia da criança que tem que se empenhar, seus Monstros eram o medo de se separar de sua mãe e de ir para a Escola, ao qual ele odiava em virtude disso. Só gostava mesmo era de jogar o futebol com os meninos na Escola, o resto odiava -  a carreira de atleta não seria uma carreira brilhante sem antes passar pela Escola e ele sabia disto, pois sua Fadinha o alertava disto constantemente, por causa disto continuava a estudar na Escola.
CAP. 6
         Já na puberdade o brasileirinho se viu num novo mundo de relações onde vivia cercado de suas próprias cercas de amigos para se afastar do mundo que era justamente seus pais, seus amigos o levavam para onde queria, para longe, para a rebeldia, foi aí então que a Fadinha apareceu e lhe ajudou e encantou sua mente com seu poder de sedução mostrando-lhe que para ser um grande atleta ele jamais poderia se tornar um homem rebelde e distante, sem rumo nem direção, que jamais deveria se afastar do mundo e dos problemas do mundo, que teria responsabilidades e funções sociais exemplares, que seus Monstros seriam justamente a falta de bom-senso e a irresponsabilidade, a imoralidade e a injustiça, ele deveria seguir um caminho justo e exemplar para não se prejudicar e não prejudicar a sociedade inteira.
CAP. FINAL
         Agora preparado para a vida adulta e para o Futebol Profissional o nosso brasileirinho vestiu pela primeira vez a camisa do seu time profissional e encarou o prazer, o dinheiro, o poder, a cidadania, a loucura, a ganância, o desprezo, a sorte e o azar, já havia encarado a solidão e agora todos estes Monstros de uma só vez!
         Ele descobriu que cada um desses Monstros é como uma serpente a perseguir um vagalume, o vagalume não provocou a serpente e nem faz parte da cadeia alimentar da serpente, mas ela o persegue,  pois  não o suporta ver brilhar. Não devemos invejar o brilho de pessoa alguma seja qual for a pessoa e qual for a sua profissão... e assim foi um grande atleta o nosso brasileirinho, e todos viveram felizes para sempre!



Londrina, 30 de janeiro de 2016.
Osny Mattanó Júnior


Nenhum comentário:

Postar um comentário