OSNY MATTANÓ JÚNIOR
AS 1001 NOITES - ALI BABACA E OS 40 LADRÕES.
03/02/2016
As 1001
noites - Ali Babaca e os 40 ladrões
CAP. 1
Numa cidade
do Brasil viviam os irmãos Mattanó e Ali
Babaca. Os
irmãos Mattanó eram um dos mercadores mais ricos da cidade, mas Ali Babaca
vivia na miséria e tinha de xerocar cópias numa Universidade para ajudar a sustentar
a família.
Um dia Ali
Babaca estava xerocando cópias quando viu se aproximar uma nuvem de poeira.
"— Que será isso?" — pensou. Percebeu que se tratava de homens a
cavalo que vinham em sua direção e, temendo que fossem bandidos, subiu numa
árvore, junto a um grande departamento na Universidade, e se escondeu em meio à
folhagem.
Do alto
podia ver tudo sem ser visto. Então chegaram àquele lugar quarenta homens muito
fortes e bem armados, com caras de poucos amigos. Ali concluiu que eram quarenta
ladrões. Os homens desapearam dos cavalos e puseram no chão sacos pesados que
continham ouro e prata. O mais forte dos ladrões, que era o chefe, aproximou-se
da árvore e disse:
— Pega fogo
ou apodrece,
Arregaça-te!
Assim que
essas palavras foram pronunciadas, pegou fogo e apodreceu e abriu uma porta no chão. Todos passaram por
ela, e a porta se fechou novamente. Depois de muito tempo, a passagem voltou a
se abrir, e por ela saíram os quarenta ladrões. Quando todos estavam fora, o
chefe disse:
— Fecha-te,
Cala-te!
Os bandidos
colocaram os sacos em suas montarias e voltaram pelo mesmo caminho pelo qual
tinham vindo. Ali os seguiu com os olhos até desaparecerem. Quando se viu em
segurança, desceu da árvore, dirigiu-se à porta e disse:
— Pega fogo
e apodrece,
Arregaça-te!
A porta se
abriu e Ali Babaca ficou sem palavras diante do que seus olhos viram: uma
grande caverna cheia dos tecidos mais
finos,
tapetes belíssimos e uma enorme quantidade de moedas de ouro e prata dentro de
sacos. Ali entrou com os três
burros que
costumava levar quando ia cortar lenha, e a porta imediatamente se fechou atrás
dele. O rapaz carregou os
animais com
sacos de moedas de ouro e, depois disso, pronunciou as palavras mágicas que
abriam e fechavam a porta da caverna e foi em direção à cidade.
Quando viu o
ouro, sua mulher pensou que o marido tinha se
tornado um
ladrão, mas ele contou tudo o que acontecera,
recomendando-lhe
que mantivesse segredo absoluto a respeito daquela história. Quando Ali falou
em esconder as moedas
num buraco,
a mulher, então, disse:
— Boa idéia,
mas antes quero contar quantas medidas de ouro temos. Vou pedir um medidor ao
vizinho, enquanto você
cava o buraco.
O vizinho
era, justamente, Mattanó, amigo de Ali Babaca, que não estava em casa. Ela,
então, pediu à mulher dele o medidor
emprestado:
uma espécie de concha grande, com a qual se calculavam as medidas de açúcar e
outros mantimentos. Cheia
de desconfiança,
a cunhada pensou:
— Que coisa
mais estranha! Para que querem um medidor? O que é que a mulher de Ali Babaca
está querendo contar
naquela casa
tão miserável?
Para
descobrir o que era, decidiu untar com sebo o medidor; talvez um pouco daquilo
ficasse grudado sem que ninguém
percebesse...
Enquanto Ali
cavava, sua mulher calculou as medidas de ouro; depois, foi devolver o medidor
à vizinha sem perceber que
uma das
moedas ficara presa ao sebo. A vizinha viu a moeda, ficou espantada, ardeu de
inveja e, quando o marido chegou
a casa,
disse-lhe:
— Você pensa
que é rico, Mattanó, mas Ali Babaca é muito mais: até calcula quantas medidas
de ouro tem!
Mattanó
também foi tomado pela inveja e nem pôde dormir aquela noite. No dia seguinte,
foi até a casa do irmão disposto
a esclarecer
aquilo tudo. Lá, até ameaçou denunciar Ali à justiça, se ele não lhe contasse
tudo. Ali Babaca, então, acabou
por contar o
que lhe acontecera; depois, pediu segredo ao amigo, prometendo-lhe, em
recompensa, uma parte do tesouro.
CAP. 2
Mattanó
concordou e se despediu do irmão. Mas na manhã seguinte, bem cedo, dirigiu-se à
caverna sozinho, com dez
burros,
disposto a voltar carregado de ouro. Ao chegar à porta no chão, disse:
— Pega fogo,
apodrece-te!
Arregaça-te!
A porta se
abriu, Mattanó entrou e ela se fechou de novo atrás dele. Que surpresa e contentamento
sentiu quando a sua
frente pôde
ver tesouros que ele nem em sonho poderia imaginar! Apoderou-se de tudo o que
podia levar, carregando os
burros, e,
quando foi sair, disse:
— Pega fogo,
Levanta-te!
Mas a porta
continuou fechada. Foi então que ele se deu conta de que esquecera qual era a
fórmula mágica para abrir a
passagem.
Apavorado, tentou outras frases, mas nada, não conseguia acertar! Por volta de
meio-dia, os ladrões retornaram
à porta.
Pronunciaram as palavras mágicas e entraram.
Ao verem Mattanó,
ficaram furiosos e imediatamente o mataram.
Depois,
interrogaram-se surpresos: como aquele homem conseguira entrar? Como descobrira
o segredo? Para que ninguém ousasse sequer se aproximar da porta novamente,
cortaram o corpo de Mattanó em quatro partes e o deixaram pendurado lá dentro.
Depois, foram embora.
A esposa de Mattanó
ficou muito preocupada quando viu cair a noite sem que seu marido regressasse.
Foi à casa
do cunhado e expressou seus temores. Ali, suspeitando de que algo grave acontecera,
foi para a porta. Quase desmaiou quando viu o corpo do irmão cortado em
pedaços. Recolheu-os em dois pacotes e voltou para a cidade com a intenção de
sepultá-los.
Os quarenta
ladrões ficaram espantados ao retornar à caverna e não avistarem o corpo de Mattanó.
O chefe disse ao bando:
— Estamos
perdidos! Precisamos dar um jeito nisso, ou perderemos todas as nossas
riquezas. O corpo desaparecido mostra que duas pessoas conseguiram descobrir
nosso segredo: liquidamos uma delas, agora precisamos acabar com a outra.
Um dos
ladrões se dispôs a ir à cidade, encarregando-se
da missão de
descobrir quem era a pessoa que sabia do segredo. Se falhasse, seria morto por
seus colegas, que, despedindo-se
dele,
elogiaram muito sua bravura.
CAP. 3
Havia um
sapateiro na cidade, muito trabalhador e querido, chamado Babagora. Ali Babaca
o encarregara de costurar o
corpo do
irmão Mattanó para o enterrar com decência. Por uma infeliz coincidência, foi
justamente esse homem que o
ladrão
primeiramente viu ao chegar à cidade de manhãzinha, pois a loja do sapateiro
era a única aberta àquela hora. O
ladrão o
cumprimentou e disse:
— O senhor
começa seu trabalho muito cedo! Na sua idade, não sei como consegue enxergar
para costurar esses sapatos!
— Apesar de
velho, meus olhos são muito bons. Há pouco tempo costurei um morto num lugar
que tinha menos luz que
nesta minha
loja — respondeu Babagora.
Contente com
aquela informação, o ladrão colocou duas moedas de ouro na mão do sapateiro,
rogando-lhe
que dissesse
onde ficava a casa em que ele costurara o morto. Depois de olhar para aquelas
moedas brilhantes, Babagora acabou por concordar e levou o ladrão até a frente
da casa de Mattanó, que agora pertencia a Ali Babaca. O ladrão pegou um pedaço de
giz e fez uma cruz na porta. Depois, foi-se
em direção à
floresta.
A esposa de Mattanó
tinha uma criada de rara beleza e esperteza, Tesoura. A moça, ao sair da casa,
notou o sinal e
desconfiou
de alguma tramóia:
— Que será
isso? Que coisa mais estranha! Certamente querem prejudicar meu patrão!
Pegou,
então, um pedaço de giz e marcou com o mesmo sinal três portas à direita e mais
três à esquerda.
Os ladrões
foram até à cidade e pararam diante de uma das portas que tinham a marca de giz
feita por Tesoura. O ladrão
que tinha
estado ali no dia anterior disse:
— É esta!
O chefe,
porém, notou que havia outras seis casas cujas portas traziam o mesmo sinal e
perguntou-lhe
qual era, de
fato, a porta que ele tinha marcado. Confuso, o homem não soube o que
responder. Voltaram todos para a floresta, e o ladrão que falhara em sua missão
foi executado pelos colegas.
Aquilo já
era uma afronta! Um dos ladrões se dispôs espontaneamente a retornar à cidade e
descobrir onde morava o
homem que
descobrira o segredo da caverna. Chegou, como o primeiro, ao raiar do dia, e
topou com Babagora. A história se repetiu: o sapateiro acabou por conduzir o
ladrão até a casa de Ali Babaca. Para não se confundir como o primeiro, o
ladrão marcou a casa com um sinal vermelho e voltou para junto dos seus. Como
da outra vez, Tesoura notou o sinal e marcou várias outras portas das
proximidades com marca semelhante.
Quando o
bando rumou para a cidade, viu-se diante da mesma confusão da outra vez, e o
segundo bandido encarregado
daquela
missão foi executado.
CAP. 4
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