quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

AS 1001 NOITES - ALI BABACA E OS 40 LADRÕES. (2016) OSNY MATTANÓ JÚNIOR.

OSNY MATTANÓ JÚNIOR


AS 1001 NOITES - ALI BABACA E OS 40 LADRÕES.



03/02/2016




As 1001 noites -  Ali Babaca e os 40 ladrões



CAP. 1

Numa cidade do Brasil  viviam os irmãos Mattanó e Ali
Babaca. Os irmãos Mattanó eram um dos mercadores mais ricos da cidade, mas Ali Babaca vivia na miséria e tinha de xerocar cópias numa Universidade para ajudar a sustentar a família.
Um dia Ali Babaca estava xerocando cópias quando viu se aproximar uma nuvem de poeira. "— Que será isso?" — pensou. Percebeu que se tratava de homens a cavalo que vinham em sua direção e, temendo que fossem bandidos, subiu numa árvore, junto a um grande departamento na Universidade, e se escondeu em meio à folhagem.
Do alto podia ver tudo sem ser visto. Então chegaram àquele lugar quarenta homens muito fortes e bem armados, com caras de poucos amigos. Ali concluiu que eram quarenta ladrões. Os homens desapearam dos cavalos e puseram no chão sacos pesados que continham ouro e prata. O mais forte dos ladrões, que era o chefe, aproximou-se da árvore e disse:
— Pega fogo ou apodrece,
Arregaça-te!
Assim que essas palavras foram pronunciadas, pegou fogo e apodreceu  e abriu uma porta no chão. Todos passaram por ela, e a porta se fechou novamente. Depois de muito tempo, a passagem voltou a se abrir, e por ela saíram os quarenta ladrões. Quando todos estavam fora, o chefe disse:
— Fecha-te,
Cala-te!
Os bandidos colocaram os sacos em suas montarias e voltaram pelo mesmo caminho pelo qual tinham vindo. Ali os seguiu com os olhos até desaparecerem. Quando se viu em segurança, desceu da árvore, dirigiu-se à porta e disse:
— Pega fogo e apodrece,
Arregaça-te!
A porta se abriu e Ali Babaca ficou sem palavras diante do que seus olhos viram: uma grande caverna cheia dos tecidos mais
finos, tapetes belíssimos e uma enorme quantidade de moedas de ouro e prata dentro de sacos. Ali entrou com os três
burros que costumava levar quando ia cortar lenha, e a porta imediatamente se fechou atrás dele. O rapaz carregou os
animais com sacos de moedas de ouro e, depois disso, pronunciou as palavras mágicas que abriam e fechavam a porta da caverna e foi em direção à cidade.
Quando viu o ouro, sua mulher pensou que o marido tinha se
tornado um ladrão, mas ele contou tudo o que acontecera,
recomendando-lhe que mantivesse segredo absoluto a respeito daquela história. Quando Ali falou em esconder as moedas
num buraco, a mulher, então, disse:
— Boa idéia, mas antes quero contar quantas medidas de ouro temos. Vou pedir um medidor ao vizinho, enquanto você
cava o buraco.
O vizinho era, justamente, Mattanó, amigo de Ali Babaca, que não estava em casa. Ela, então, pediu à mulher dele o medidor
emprestado: uma espécie de concha grande, com a qual se calculavam as medidas de açúcar e outros mantimentos. Cheia
de desconfiança, a cunhada pensou:
— Que coisa mais estranha! Para que querem um medidor? O que é que a mulher de Ali Babaca está querendo contar
naquela casa tão miserável?
Para descobrir o que era, decidiu untar com sebo o medidor; talvez um pouco daquilo ficasse grudado sem que ninguém
percebesse...
Enquanto Ali cavava, sua mulher calculou as medidas de ouro; depois, foi devolver o medidor à vizinha sem perceber que
uma das moedas ficara presa ao sebo. A vizinha viu a moeda, ficou espantada, ardeu de inveja e, quando o marido chegou
a casa, disse-lhe:
— Você pensa que é rico, Mattanó, mas Ali Babaca é muito mais: até calcula quantas medidas de ouro tem!
Mattanó também foi tomado pela inveja e nem pôde dormir aquela noite. No dia seguinte, foi até a casa do irmão disposto
a esclarecer aquilo tudo. Lá, até ameaçou denunciar Ali à justiça, se ele não lhe contasse tudo. Ali Babaca, então, acabou
por contar o que lhe acontecera; depois, pediu segredo ao amigo, prometendo-lhe, em recompensa, uma parte do tesouro.


CAP. 2



Mattanó concordou e se despediu do irmão. Mas na manhã seguinte, bem cedo, dirigiu-se à caverna sozinho, com dez
burros, disposto a voltar carregado de ouro. Ao chegar à porta no chão, disse:
— Pega fogo, apodrece-te!
Arregaça-te!
A porta se abriu, Mattanó entrou e ela se fechou de novo atrás dele. Que surpresa e contentamento sentiu quando a sua
frente pôde ver tesouros que ele nem em sonho poderia imaginar! Apoderou-se de tudo o que podia levar, carregando os
burros, e, quando foi sair, disse:
— Pega fogo,
Levanta-te!
Mas a porta continuou fechada. Foi então que ele se deu conta de que esquecera qual era a fórmula mágica para abrir a
passagem. Apavorado, tentou outras frases, mas nada, não conseguia acertar! Por volta de meio-dia, os ladrões retornaram
à porta. Pronunciaram as palavras mágicas e entraram.
Ao verem Mattanó, ficaram furiosos e imediatamente o mataram.
Depois, interrogaram-se surpresos: como aquele homem conseguira entrar? Como descobrira o segredo? Para que ninguém ousasse sequer se aproximar da porta novamente, cortaram o corpo de Mattanó em quatro partes e o deixaram pendurado lá dentro. Depois, foram embora.
A esposa de Mattanó ficou muito preocupada quando viu cair a noite sem que seu marido regressasse.
Foi à casa do cunhado e expressou seus temores. Ali, suspeitando de que algo grave acontecera, foi para a porta. Quase desmaiou quando viu o corpo do irmão cortado em pedaços. Recolheu-os em dois pacotes e voltou para a cidade com a intenção de sepultá-los.
Os quarenta ladrões ficaram espantados ao retornar à caverna e não avistarem o corpo de Mattanó. O chefe disse ao bando:
— Estamos perdidos! Precisamos dar um jeito nisso, ou perderemos todas as nossas riquezas. O corpo desaparecido mostra que duas pessoas conseguiram descobrir nosso segredo: liquidamos uma delas, agora precisamos acabar com a outra.
Um dos ladrões se dispôs a ir à cidade, encarregando-se
da missão de descobrir quem era a pessoa que sabia do segredo. Se falhasse, seria morto por seus colegas, que, despedindo-se
dele, elogiaram muito sua bravura.


CAP. 3



Havia um sapateiro na cidade, muito trabalhador e querido, chamado Babagora. Ali Babaca o encarregara de costurar o
corpo do irmão Mattanó para o enterrar com decência. Por uma infeliz coincidência, foi justamente esse homem que o
ladrão primeiramente viu ao chegar à cidade de manhãzinha, pois a loja do sapateiro era a única aberta àquela hora. O
ladrão o cumprimentou e disse:
— O senhor começa seu trabalho muito cedo! Na sua idade, não sei como consegue enxergar para costurar esses sapatos!
— Apesar de velho, meus olhos são muito bons. Há pouco tempo costurei um morto num lugar que tinha menos luz que
nesta minha loja — respondeu Babagora.
Contente com aquela informação, o ladrão colocou duas moedas de ouro na mão do sapateiro, rogando-lhe
que dissesse onde ficava a casa em que ele costurara o morto. Depois de olhar para aquelas moedas brilhantes, Babagora acabou por concordar e levou o ladrão até a frente da casa de Mattanó, que agora pertencia a Ali Babaca. O ladrão pegou um pedaço de giz e fez uma cruz na porta. Depois, foi-se
em direção à floresta.
A esposa de Mattanó tinha uma criada de rara beleza e esperteza, Tesoura. A moça, ao sair da casa, notou o sinal e
desconfiou de alguma tramóia:
— Que será isso? Que coisa mais estranha! Certamente querem prejudicar meu patrão!
Pegou, então, um pedaço de giz e marcou com o mesmo sinal três portas à direita e mais três à esquerda.
Os ladrões foram até à cidade e pararam diante de uma das portas que tinham a marca de giz feita por Tesoura. O ladrão
que tinha estado ali no dia anterior disse:
— É esta!
O chefe, porém, notou que havia outras seis casas cujas portas traziam o mesmo sinal e perguntou-lhe
qual era, de fato, a porta que ele tinha marcado. Confuso, o homem não soube o que responder. Voltaram todos para a floresta, e o ladrão que falhara em sua missão foi executado pelos colegas.
Aquilo já era uma afronta! Um dos ladrões se dispôs espontaneamente a retornar à cidade e descobrir onde morava o
homem que descobrira o segredo da caverna. Chegou, como o primeiro, ao raiar do dia, e topou com Babagora. A história se repetiu: o sapateiro acabou por conduzir o ladrão até a casa de Ali Babaca. Para não se confundir como o primeiro, o ladrão marcou a casa com um sinal vermelho e voltou para junto dos seus. Como da outra vez, Tesoura notou o sinal e marcou várias outras portas das proximidades com marca semelhante.
Quando o bando rumou para a cidade, viu-se diante da mesma confusão da outra vez, e o segundo bandido encarregado
daquela missão foi executado.


CAP. 4

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