Osny Mattanó Júnior
LONDRINA
SURTO PSICÓTICO
(1988-1992)
2015
Estas
são minhas primeiras poesias realizadas a partir do meu 1º ano do 2º Grau no Colégio
Maxi de Londrina no Brasil a partir de 1988.
Parte delas venceram o Concurso sendo as
mais lidas porém jamais foram publicadas pelo Colégio Maxi que nunca manifestou
seus motivos por tal decisão. Também estão aqui poesias nunca antes publicadas
ou expostas em Concursos feitas na mesma época, do meu 2º Grau no Colégio Maxi.
Osny Mattanó Júnior
Londrina, 21 de junho de 2015.
NOJEIRA (1988)
Bosta fedida-fedida
Voe alto Maria-fedida
Lombrigas
Perfeito-perfeito
Berne
Delícia quentinho, fresquinho
Besouros, patas e asas
Crocante, crocante.
GAGÁ DOIDO FILHO MORRE (SET/88)
Eu
tava no meu quarto dando esmola prá passarinho
Quando
um passarinho, me bico à cabeça
A cabeça
saiu voando co passarinho
A cabeça
viro o passarinho
A cabeça
tava com fome
Fome
de home
Home
de comida
Comida
de home
Quando
a fome de home não era fome de passarinho
Passarinho
que viro cabeça
O passarinho
tava com fome
Fome
de piu
Piu
de bicho
Bicho
de piu
O passarinho
quis vôa com o corpo de home e o corpo de passarinho
O corpo
quis ainda com o corpo de passarinho e o corpo de home
Mas
a cabeça, voando pedra de estilingue
Estilingue
de moleque pedra atira
Moleque
de padra atira de estilingue, cabeça acerta
Tonta
cabeça, cai chão
Moleque
de pedra estilingue, cabeça vê
Vê,
mas pega não
Medo,
estilingue de pedra moleque
Embora
vai
Enquanto
o passarinho que vôa com o corpo de home e o corpo de passarinho
Enquanto
o corpo anda com o corpo de passarinho e o corpo de home
Rua
vai
Moleque
de pedra estilingue, que cabeça voava acerto, vê o passarinho que vôa com o
corpo de home e o corpo de passarinho, o corpo que anda com o corpo de
passarinho e o corpo de home
Embora
vai, medo, mijo calça
Barraco
pai fala, ele também mãe
Leva
pai mãe, prá vê
Não
num vê nada
Doido
filho ficando
É,
é, doido filho ficando
Hospício,
é, hospício vai filho
Não
filho hospício não doido, não doido
Doido
filho, é
Força
de camisa, leva filho ao retardatório
Não
filho doido, não
Filho
doido, amigo faz cachorro home
Cachorro
home, amigo de violino
Violino,
músico da Banda de Rock Real Portuguesa Família
Velho
doido filho fica
Gagá
doido filho morre.
GENTE
RETARDADA (05/10/88)
Viva,
viva
Viva
ao máximo
Sua
vida.
Não
viva para os outros
Viva
para você.
Aproveite,
aproveite
Aproveite
ao máximo
Sua
vida.
Se
aproveite dos outros
Não
deixe que se aproveitem de você.
Mundo
besta
Pra
que leis
Pra
que governante
Pra
que dinheiro
Pra
que miséria
Pra
que roubar
Pra
que passaporte.
O
homem se esquece que o mundo é dele.
EU (07/10/88)
Eu,
sou o sexo
Que
gera um novo ser
Imprestável
como os demais
Da
dor evaginome.
Eu,
sou a criança
Que
causa aborrecimento aos pais
Como
as demais, apanho
Dessa
dor surge a raiva familiar.
Eu,
sou o adulto
Que
trabalho para sobreviver
Desse
trabalho surge o cansaço.
Eu,
sou o velho
Que
não fala nada com nada
E vai
dar despesas no cemitério!
O
QUE É ISTO? (07/10/88)
Vida
nada mais é
Do
que uma piração do amoníaco e do carbono
É um
sonho concreto
Uma
energia e matéria
Que
não tem nada a ver no espaço.
O universo
É uma
fonte de energia inesgotável
Surgiu
do nada
O nada,
surgiu do sei lá.
As
teorias são uma baboseira
Tudo
asneira
Estado
Estável, Evolucionária, Átomo Primitivo
Ninguém
vai descobrir
Não
tem jeito.
OTÁRIO!
(07/10/88)
Você
que se julga o maior, entre os mortais
É o
primeiro a cair em decadência
Pois
o mundo é assim, quanto mais se têm
Mais
terá para se perder, e perde mesmo.
Aquele
que sempre te ajudou
É o
primeiro a negar favores
E ele
sim, te arruinará
Lhe
cobrará tudo, e um pouco mais.
Sua
companheira
E aquela
boca que te beija
É a mesma que te acusa.
As
pernas macias e irresistíveis
São
aquelas que te enlouquecem
É a
mesma que te chuta prá fora de casa!
NEM
MESMO UM VERME (08/10/88)
Agora
tu vês, como gostavam de você
O adoravam,
você era muito querido
Ao
redor do seu miserável caixão
Apenas
paredes, teto e chão.
Já
no túmulo, quente e abafado
Tenho
certeza, que minha estada na terra
Não
podia ter sido pior, nem mesmo
O padre,
veio me extremungar.
Caixão,
caixão, sorumbático caixão
Que
não há sequer, um verme
Pra
me aliviar a dor de existir.
Minha
carcaça, aqui abandonada
Esquecida,
jogada de lado
Nem
mesmo um verme!
BUSQUE
O MEDIDOR DE NÍVEL-MENTAL (12 e 16/01/89)
Sua
mente já não é a mesma
Precisa
de uma revisão
Busque
o medidor de nível-mental
Talvez
seja a solução
Troque
a válvula
Fale
com o Paulo
Ele
resolve
Troque
sua mente
Por
uma caixa cheia de pedras
Se
o tíner derreter o copo
Não
fale da lata
Não
pegue o holerite
Não
há parafuso
E esconda
as mangas
E apanhe
sua caneta.
PSICOLOGIA
DE UM LOUCO (1989)
Por
ser feliz, dizem que sou louco
Pobres
criaturas, por elas fico feliz
Pois
sei que elas não encontram a felicidade
Para
elas, a felicidade, é o mal da humanidade.
A
felicidade não se encontra nos outros
A
felicidade está em você
Se
você é feliz com alguém, é por pouco tempo
Já
em você a felicidade é eterna...
Se
você procura a felicidade em alguém
Você
estará perdido
Pois
essa felicidade pode se transformar em tristeza.
Mas
se você procura a felicidade em você
Você
não se decepcionará
Pois
a felicidade é estar feliz consigo mesmo!
EU SONHEI COM VOCÊ (1989)
Eu
estava no meu quarto sem ter o que fazer
Quando
de repente me deu aquele sono.
Eu
sonhei com você (3x).
Por
alguns segundos pude tê-la em minha vida
Foram
os segundos mais importantes que vivi.
Eu
só liguei prá te dizer que te amo (3x).
Garota
vê se você me entende e esquece tudo
Deixa
o que já foi prá lá pra vivermos o futuro.
Volta
pra mim (3x).
Foram
os segundos mais importantes da minha vida.
Eu
só liguei pra te dizer que te amo (2x).
EU
PEÇO PERDÃO (1989)
Eu
peço perdão pela nossa história Eu peço perdão pela
dívida externa
Eu
peço perdão pela nossa memória Eu peço perdão pela baderna
Eu
peço perdão pelos nossos políticos Eu
peço perdão por ser brasileiro
Eu
peço perdão pelas obras em vão. Eu
peço perdão por não ser estrangeiro.
Eu
peço perdão, eu peço perdão. Eu
peço perdão, eu peço perdão.
Os
historiadores pedem perdão O
governo pede perdão
Os
políticos pedem perdão. A
população pede perdão.
Eu
peço perdão se o incomodei
Eu
peço perdão pelos servidores Eu
peço perdão pela verdade
Eu
peço perdão pelos professores Eu
peço perdão, eu peço perdão.
Eu
peço perdão pelos agiotas
Eu
peço perdão pelos maconheiros.
Eu
peço perdão, eu peço perdão.
Os
trabalhadores pedem perdão
Os
viciados pedem perdão.
Eu
peço perdão pela dívida externa
Eu
peço perdão pela baderna
Eu
peço perdão por ser brasileiro
A
FESTA DOS VERMES-URUBUS (1989)
Quando
as pedras rolarem do morro e nos soterrarem
A
chuva e a terra barrenta morro abaixo
Vamos
ficar para ver o que acontece
Ficaremos
de pé, para comemorarmos
E
quando passar, homenagearemos
Os
corpos na lama
Pedras
nas casas
E
as almas festejando a noite triste.
A
festa dos vermes-urubus (4x).
E
NOVAS CANÇÕES VAMOS CANTAR (1990)
Não
se vá
Fique
um pouco mais
Se
os dias perduram mais
As
noites se vão
Vamos
velejar em alto-mar
Se
o veleiro se for
Quem
sabe nossas vidas em outro lugar.
O
Paraíso é o suficiente
Somos
alguém
O
Sol já se pôs
O
inverno vem vindo
E
novas canções vamos cantar.
As
folhas secas se vão e o Sol vem vindo aí.
Quem
sabe nossas almas em outro lugar
No
Paraíso chegamos para ficar.
O
CORPO (1990)
Sem
corpo não há governo
Não
há propriedade
E
não há escravidão.
O
corpo de nada nos serve.
Sem
corpo não há ganância
Não
há fome
E
não há sofrimento.
O
corpo de nada nos serve.
Se
há guerra de nada nos serve a dor
Se
há guerra de nada nos serve a vida
Se
não há vida, por quem chorar?
Sem
corpo não há droga
Não
há vítima
E
não há solidão.
O
ANTIGO E O NOVO (1990)
Quem
ama a arte vive em harmonia
E
o homem se liberta do antigo modo de viver.
Quem
ama uma mulher vive em harmonia
E
o homem se liberta do antigo modo de viver.
E
o velho homem se liberta de todos os males.
Quem
ama o futebol vive em harmonia
E
o homem se liberta do antigo modo de viver.
E
o velho homem se liberta do antigo modo de viver.
O
antigo e o novo perduram
O
antigo e o novo se tornam novos todos os dias.
O
antigo e o novo, o novo e o antigo (2x).
À
DORMA (1990)
À
dorma da solidão
Vejo
o que se foi.
Ao
enaltecer a escuridão
O
rubro olhar
O
canino
O
receio
A
libertação
O
horror
O
grito
A
dor
E
veja o que se foi.
Te
beijo com um beijo da minha outra boca
Te
olho com os olhos da face da próxima história
E
te encontro agora (3x).
O
corpo é feito de carne, o corpo é feito de carne, de ossos e de amor
E
te encontro agora.
O
AMOR É COMO UMA FLOR (1992)
Quem
ama tem resposta para tudo
E
todos sabem verdadeiramente
O
amor é como uma flor
Desabrocha
para o seu amor.
A
qualquer momento pode florescer
Você
é uma pessoa muito especial
O
amor é como uma flor
Desabrocha
para o seu amor.
Penso
em você
E
sou mais do que teu amigo.
Você
me faz feliz
E
eu gosto de você.
Vamos
dar uma volta
E
eu só penso em você.
CAROL
(1992)
Já
faz muito tempo que venho ensaiando
Só
para te encontrar
Carol,
há muito venho te esperando
Só
para te encontrar
Eu
sou fruto do amor de Deus
E
você também.
O
mundo está pobre em amor
Carol,
Carol, Carol
Carol,
eu sou um feixe de nervos
Carol
quero te encontrar
Estou
quase no fim da estrada
E
você também.
Se
querer bem é tão bom
Se
querer bem é I love you
Se
querer bem é paixão, Carol, I Love you.
20
LEÕES (1992)
Duas
décadas
A
capela dos olhos rasgantes
Um
manso carneiro
Outros
sempre Leões.
Sempre
é ter 20 anos
Sempre
é viver eternamente.
As
crisálidas refletem a luz como a um espelho
Um
anjo
Outros
sempre Leões.
Sempre
é ter 20 anos
Sempre
é viver eternamente.
Amor,
andemos com amor e com respeito
Assim
teremos honra.
Sempre
é viver eternamente
Sempre
eternamente sob a luz do Sol.
EU
E MINHA CASA (1992)
Há
muito tempo que não saio de casa
Eu
só fico em casa.
Há
muito tempo que eu não saio de carro
Eu
só fico em casa.
Quando
me lembro de você
Me
lembro de tudo que se foi entre nós.
Já
fiquei muito tempo dentro de casa
Eu
só ficava em casa.
Agora
todo o meu tempo é fora de casa
Eu
só ficava em casa.
Está
na hora de acordar e seguir
Não
me canso de pensar
E
todo o tempo perdido de quê nos serve?
Me
lembro de tudo que se foi entre nós!
TE
CONTO HISTÓRIAS (1990)
Na
chuva ou na estrada
Com
Sol ou tempestade
Não
me esqueço de você.
Te
conto histórias
Te
conto a Bíblia
Que
linda história
Colhemos
o que semeamos.
Sempre
atentos
No
escuro da noite
Ou no claro do dia
No
silêncio ou na palavra
E
vivendo em perfeita tolerância e harmonia.
A
FESTA DOS VERMES-URUBUS PT.2 (1988)
Dias
escuros, vermes-urubus
Nuvens
de gelatina e estrelas coloridas.
Morcegos
encandecentes voam
Dentaduras
sem dentes.
A
Festa dos Vermes-urubus.
Relógios
parados, dias desperdiçados
Tempo
perdido, dias da semana.
A
Festa dos Vermes-urubus.
Borboletas
amarelas e azuis
Um
Sol de luz.
A
Festa dos Vermes-urubus.
ATAQUE
(1988)
Estratégias
sem mapas, bússolas e horários
Qual
o último a viver? Não se sabe!
Medo,
horror, tensão e horas difíceis
Um
ataque inesperado e preocupante
Qual
o último a viver? Não se sabe!
Sangue,
dor e sofrimento
Sangue,
dor e horror
Sangue,
dor e sofrimento
Balas,
granadas e torpedos
Sangue,
dor e ferimento em toda a parte
Sangue,
dor e sofrimento.
BELEZA
E FEALDADE (1988)
Sou
incapaz de definir a beleza
Sou
incapaz de contemplá-la
Mas
não de querer tê-la em uma amiga.
Sou
incapaz de definir a fealdade
Mas
não de desejá-la em uma colega.
Por
outra atitude concordo que viver sem beleza e sem feiúra não é possível.
Eu
sou apenas um homem, only man.
PARTIMOS
EM BUSCA DE AMOR (1988)
Partimos
em busca de amor
E
a dor que machuca o meu peito
Acontece
pois é difícil de te esquecer.
Considero
que nascemos e morremos
E
que depois da morte continuamos vivos
E
a dor que machuca o meu peito
Acontece
pois é difícil de te esquecer.
Divina
flor, divino amor
Teus
lábios precisam de um beijo de amor.
Teus
lábios me sufocam de amor
Meus
olhos encontraram em você somente você
E
a dor que machuca o meu peito
Acontece
pois é difícil de te esquecer.
6
DE SETEMBRO (1988)
Hoje
é 6 de setembro
Você
vai chegar
O
que teremos para o jantar?
Espero
por você desde o anterior anoitecer
Até
então... que o dia venha com você neste belo amanhecer
Que
o dia venha com você neste amanhecer
Que
o dia venha e eu tenha a você!
Depois
eu ligo só pra te dizer ¨que te amo¨.
UMA
NOVA GERAÇÃO (1990)
Ordens
são ordens
Obediência
é obediência
Respeitosamente
sou eu e agora é você
Não
pertenço a alguém
Respeitosamente
Objetos
nos alegram
Alegria
é alegria
Respeitosamente
estamos à sós, eu e você
E
agora vamos virar a mesa
Somos
uma nova geração
Respeito
é bom
E
nós também o queremos
Seus
amores não tem frutos feitos do original.
Nós
pensamos o que conseguimos pensar
Porque
vocês não quiseram pensar!
MEU
BRASIL (1990)
Adiante
vejo muitas terras, meu Brasil
Muita
mata, muito ouro
Pouco
índio, muito branco
De
cadeias e prisões
Muita
terra e muita plantação, meu Brasil
Muita
fome, muita doença
Seu
Governo te traiu
Seu
salário, sua miséria
Meu
Tupã foi expulso, meu Brasil
As
florestas são queimadas
O
meu sul virou deserto
A
Amazônia vai desaparecer
O
pantanal vai mal, meu Brasil
Meu
país, minha nação, minha terra, minha devoção
Que
país, que emoção, sou brasileiro de coração
E
vivo assim porque sou brasileiro.
NÃO
DEIXE TUDO PRA DEPOIS (1989)
Não
deixe tudo pra depois
Se
tu podes fazer agora
Não
deixe tudo pra depois
Senão
tu podes perder a hora.
Não
deixe tudo desse jeito
Não
seja como os carangueijos
Dê
um pulinho pra trás e dois pra frente
E
siga sempre em frente...
Reflita
mais
E
pense menos
E
deixe de lado teus sentimentos.
EU
TE PRECISO (1989)
Chamo,
chamo, chamo você
Espero,
espero, espero por você querida
Mas
você não vem prá mim.
Eu
te amo tanto, tanto, tanto.
Eu
te amo tanto, tanto, tanto.
Chamo,
chamo, chamo você
Espero,
espero, espero por você querida
Mas
você não vem prá mim.
Eu
te preciso e você de mim.
LÁGRIMAS,
RANCOR E AMOR (1988)
Sempre
fiquei só
Por
tanto tempo pensei em ti
Não
guardo lágrimas nem rancor
A
única recordação é o amor.
As
tardes da sábado
As
noites de sábado
E
as manhãs de sábado nunca foram iguais com você
Hoje
ficou triste
Nem
sempre estou de pé.
Ruim
saber que não há amor
Infelizmente
fiquei doente e meio inconseqüente.
OS
PISOS SE MOVEM (1988)
Os
pisos se movem
Desaparecem
do chão
Começo
a flutuar
Com
estrelas eu vou.
Sonhos
e desejos
Mulheres
e crianças
Eu
e você estamos bem
Com
estrelas eu vou pois sou do bem e tenho um bom coração
Somos
frutos do destino pois temos um coração que Deus nos deu
Plantamos,
cultivamos e colhemos
Problemas
existem e existem para serem resolvidos
O
mal já acabou e tudo vai acabar bem
Plantamos,
cultivamos e colhemos a paz de um bom
coração.
PRETO
(1988)
Navios
portugueses, África, negros
Correm,
não entendem, brancos, os caçam, como animais
Matam
e prendem, quantos podiam, navios negreiros
Os
traziam para o Brasil, todos amontoados, nos porões
Desembarque,
leilões, no porto de desembarque
Nas
roças e minas, trabalho forçado
Descanço,
após 9h e 10h da noite
Comida,
feijão, partes desprezadas do porco
Frutas,
por volta da 1h da tarde
Café
e rapadura, no frio cachaça
Havia
escravos selecionados, para procriarem
Muitas
negras, não queriam que seus filhos fossem escravos
E
assim, enfiavam uma colher de pau com banha, na vagina
Tentando
raspar o embrião
Muitas
mulheres ficavam infeccionadas e morriam
Proprietários
estupravam escravas
PRETO Pt.2 (1988)
Leis,
Ventre
Livre ou Visconde do Rio Branco
O
filho do escravo
Teria
que ficar com suas mãe, um certo tempo
Alimentação
e despesas, pagas pelo patrão
Assim
o filho do escravo para ser livre
Antes
teria que pagar com o trabalho.
Leis
dos Sexagenários ou Saraiva-Cotegipe
Puta
sacanagem
O
escravo só seria livre após os 60 anos
Nunca
um escravo teria 60 anos.
Lei
Áurea
Libertou
cerca de um décimo da população negra
Mas
discriminação continua com piadas e com a exclusão social...
Fila
para esperar
Fila
para entrar
Fila
para passar na roleta
Filas
três.
Bus
cheio
Lotado
Cheio
estou eu
Maloqueiros
a passar a mão
Roubos
e furtos
Todo
dia
Gestantes
esmagadas, coitadas
Bancos
cheios
Vômito
no chão
Motorista,
passa do ponto de descida
Desce
no outro, anda mais.
DIVERSÃO
NO PARQUE (1988)
Para
ir no Parque tem fila
Para
ir no Parque tem que ter dinheiro
Para
ir no Parque tem que ter entrada
Para
ir no Parque tem que te dinheiro
Tenho
que ter dinheiro para me divertir no Parque.
Tem
a menina que quer um beijo
E
tem o filhão que quer um souvinir.
Que
legal o carrinho tromba-tromba
Que
dez o tobogã
E
que maneiro a metamorfose
Tenho
que ter dinheiro para me divertir no Parque.
E
aquela montanha russa que bacana
Que
bacana aquela montanha russa.
OUTRORA
(OUT/1992)
Há
muito tempo que não vejo
Ficam
velhas as crianças
Há
muito tempo que não vejo
Ficam
velhas as lembranças.
De
repente, mas que de repente
Os
sonhos ficam tão distante
Ficam
velhas as imagens
Ficam
velhos os encantos.
Quando
me lembro de outrora,
Me
lembro dos tempos de outrora.
Nada
há a mais no tempo
Ficam
velhas as pessoas
Sonhos
dos dias velados
Lembranças
fora da lembrança.
De
repente, mais que de repente
Sinto
o cheiro das crianças
Passam
flores mais perfeitas
Há
ninguém no pensamento.
ABRI MEU CORAÇÃO (1992)
Abri
meu coração e essa garota me disse não
Como
posso saber se essa garota me ama ou não
Como
posso saber se essa garota vai me querer.
Não
poder ser..., uma garota como você
Não...
alguém... eu e você.
Abri
meu coração e essa garota me disse não
Eu
não acreditei quando você me disse não.
A
SIMPLES PRESENÇA É MUITO SATISFATÓRIA (1992)
Quantos
você já viu sozinho
Quantos
você já viu inseguro
A
simples presença é muito
A
simples presença é satisfatória.
Quantos
você já viu sem ninguém
Quantos
você já viu a procura de alguém
A
simples presença é muito
A
simples presença é satisfatória.
Quantos
você já viu chorar.
Quantos
você já deixou de amar.
Você
já viu quanta gente angustiada
Você
já viu quanta gente amedrontada
A
simples presença é muito
A
simples presença é satisfatória.
Quantos
você já viu partir.
Por
você já deixaram de existir.
Ao
contrário do que você pensa
Foi
você quem deixou de amar.
Muito
ao contrário do que você pensa
Sua
atitude pode salvar.
SEMPRE
PURA (1992)
Sua
pele cor de neve
Cor
do leite, cor da cal
Suave,
clara, meiga, pura.
Seu
olhar marrom terra
Pura
alva, pura terra
Corda
lua, branca escura.
Seu
olhar castanho
Sua
boca escondida
Sua
pele suave
Sempre
pura.
Seu
ar, Graça do ar
Sopro
dos Santos, Espírito Santo
Santo
Espírito brando de Deus.
DEUS
DE AMOR (1992)
Meu
ser é Teu, e Tu é meu
E eu
sou Teu,
Pois
em Ti estou Deus de Amor.
Meu
Coração é Teu, e o Teu é meu
E eu
sou Teu,
Pois
em Ti estou Deus de Amor.
Meu
corpo é Teu, e Tu és meu, e vive em mim
Pois
Te ofertastes por mim,
Meu
Deus de Amor.
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