domingo, 21 de junho de 2015

LONDRINA SURTO PSICÓTICO (1988-1992) Osny Mattanó Júnior.

Osny Mattanó Júnior









LONDRINA
SURTO PSICÓTICO
(1988-1992)

















2015





LONDRINA SURTO PSICÓTICO (1988-1992).




Osny Mattanó Júnior
Cambé/Pr/Brasil (12/07/2015)



       Estas são minhas primeiras poesias realizadas  a partir do meu 1º ano do 2º Grau no Colégio Maxi de Londrina no Brasil  a partir de 1988. Parte delas  venceram o Concurso sendo as mais lidas porém jamais foram publicadas pelo Colégio Maxi que nunca manifestou seus motivos por tal decisão. Também estão aqui poesias nunca antes publicadas ou expostas em Concursos feitas na mesma época, do meu 2º Grau no Colégio Maxi.

Osny Mattanó Júnior
Londrina, 21 de junho de 2015.






NOJEIRA (1988)

Bosta fedida-fedida
Voe alto Maria-fedida
Lombrigas
Perfeito-perfeito
Berne
Delícia quentinho, fresquinho
Besouros, patas e asas
Crocante, crocante.















GAGÁ DOIDO FILHO MORRE (SET/88)


Eu tava no meu quarto dando esmola prá passarinho
Quando um passarinho, me bico à cabeça
A cabeça saiu voando co passarinho
A cabeça viro o passarinho
A cabeça tava com fome
Fome de home
Home de comida
Comida de home
Quando a fome de home não era fome de passarinho
Passarinho que viro cabeça
O passarinho tava com fome
Fome de piu
Piu de bicho
Bicho de piu
O passarinho quis vôa com o corpo de home e o corpo de passarinho
O corpo quis ainda com o corpo de passarinho e o corpo de home
Mas a cabeça, voando pedra de estilingue
Estilingue de moleque pedra atira
Moleque de padra atira de estilingue, cabeça acerta
Tonta cabeça, cai chão
Moleque de pedra estilingue, cabeça vê
Vê, mas pega não
Medo, estilingue de pedra moleque
Embora vai
Enquanto o passarinho que vôa com o corpo de home e o corpo de passarinho
Enquanto o corpo anda com o corpo de passarinho e o corpo de home
Rua vai
Moleque de pedra estilingue, que cabeça voava acerto, vê o passarinho que vôa com o corpo de home e o corpo de passarinho, o corpo que anda com o corpo de passarinho e o corpo de home
Embora vai, medo, mijo calça
Barraco pai fala, ele também mãe
Leva pai mãe, prá vê
Não num vê nada
Doido filho ficando
É, é, doido filho ficando
Hospício, é, hospício vai filho
Não filho hospício não doido, não doido
Doido filho, é
Força de camisa, leva filho ao retardatório
Não filho doido, não
Filho doido, amigo faz cachorro home
Cachorro home, amigo de violino
Violino, músico da Banda de Rock Real Portuguesa Família
Velho doido filho fica
Gagá doido filho morre.






GENTE RETARDADA (05/10/88)

Viva, viva
Viva ao máximo
Sua vida.
Não viva para os outros
Viva para você.
Aproveite, aproveite
Aproveite ao máximo
Sua vida.
Se aproveite dos outros
Não deixe que se aproveitem de você.
Mundo besta
Pra que leis
Pra que governante
Pra que dinheiro
Pra que miséria
Pra que roubar
Pra que passaporte.
O homem se esquece que o mundo é dele.



EU (07/10/88)

Eu, sou o sexo
Que gera um novo ser
Imprestável como os demais
Da dor evaginome.
Eu, sou a criança
Que causa aborrecimento aos pais
Como as demais, apanho
Dessa dor surge a raiva familiar.
Eu, sou o adulto
Que trabalho para sobreviver
Desse trabalho surge o cansaço.
Eu, sou o velho
Que não fala nada com nada
E vai dar despesas no cemitério!




O QUE É ISTO? (07/10/88)

Vida nada mais é
Do que uma piração do amoníaco e do carbono
É um sonho concreto
Uma energia e matéria
Que não tem nada a ver no espaço.
O universo
É uma fonte de energia inesgotável
Surgiu do nada
O nada, surgiu do sei lá.
As teorias são uma baboseira
Tudo asneira
Estado Estável, Evolucionária, Átomo Primitivo
Ninguém vai descobrir
Não tem jeito.




OTÁRIO! (07/10/88)

Você que se julga o maior, entre os mortais
É o primeiro a cair em decadência
Pois o mundo é assim, quanto mais se têm
Mais  terá para se perder, e perde mesmo.
Aquele que sempre te ajudou
É o primeiro a negar favores
E ele sim, te arruinará
Lhe cobrará tudo, e um pouco mais.
Sua companheira
E aquela boca que te beija
É  a mesma que te acusa.
As pernas macias e irresistíveis
São aquelas que te enlouquecem
É a mesma que te chuta  prá fora de casa!




NEM MESMO UM VERME (08/10/88)

Agora tu vês, como gostavam de você
O adoravam, você era muito querido
Ao redor do seu miserável caixão
Apenas paredes, teto e chão.
Já no túmulo, quente e abafado
Tenho certeza, que minha estada na terra
Não podia ter sido pior, nem mesmo
O padre, veio me extremungar.
Caixão, caixão, sorumbático caixão
Que não há sequer, um verme
Pra me aliviar a dor de existir.
Minha carcaça, aqui abandonada
Esquecida, jogada de lado
Nem mesmo um verme!





Osny Mattanó Júnior
Cambé/Pr/Brasil (12/07/2015).




BUSQUE O MEDIDOR DE NÍVEL-MENTAL (12 e 16/01/89)

Sua mente já não é a mesma
Precisa de uma revisão
Busque o medidor de nível-mental
Talvez seja a solução
Troque a válvula
Fale com o Paulo
Ele resolve
Troque sua mente
Por uma caixa cheia de pedras
Se o tíner derreter o copo
Não fale da lata
Não pegue o holerite
Não há parafuso
E esconda as mangas
E apanhe sua caneta.



PSICOLOGIA DE UM LOUCO (1989)

Por ser feliz, dizem que sou louco
Pobres criaturas, por elas fico feliz
Pois sei que elas não encontram a felicidade
Para elas, a felicidade, é o mal da humanidade.

A felicidade não se encontra nos outros
A felicidade está em você
Se você é feliz com alguém, é por pouco tempo
Já em você a felicidade é eterna...

Se você procura a felicidade em alguém
Você estará perdido
Pois essa felicidade pode se transformar em tristeza.

Mas se você procura a felicidade em você
Você não se decepcionará
Pois a felicidade é estar feliz consigo mesmo!


EU SONHEI COM VOCÊ (1989)

Eu estava no meu quarto sem ter o que fazer
Quando de repente me deu aquele sono.
Eu sonhei com você (3x).

Por alguns segundos pude tê-la em minha vida
Foram os segundos mais importantes que vivi.
Eu só liguei prá te dizer que te amo (3x).

Garota vê se você me entende e esquece tudo
Deixa o que já foi prá lá pra vivermos o futuro.
Volta pra mim (3x).

Foram os segundos mais importantes da minha vida.
Eu só liguei pra te dizer que te amo (2x).




EU PEÇO PERDÃO (1989)

Eu peço perdão pela nossa história                       Eu peço perdão pela dívida externa
Eu peço perdão pela nossa memória                    Eu peço perdão pela baderna
Eu peço perdão pelos nossos políticos             Eu peço perdão por ser brasileiro
Eu peço perdão pelas obras em vão.          Eu peço perdão por não ser estrangeiro.
Eu peço perdão, eu peço perdão.                Eu peço perdão, eu peço perdão.
Os historiadores pedem perdão                  O governo pede perdão
Os políticos pedem perdão.                        A população pede perdão.
Eu peço perdão se o incomodei
Eu peço perdão pelos servidores                Eu peço perdão pela verdade
Eu peço perdão pelos professores              Eu peço perdão, eu peço perdão.
Eu peço perdão pelos agiotas
Eu peço perdão pelos maconheiros.
Eu peço perdão, eu peço perdão.
Os trabalhadores pedem perdão
Os viciados pedem perdão.
Eu peço perdão pela dívida externa
Eu peço perdão pela baderna
Eu peço perdão por ser brasileiro










A FESTA DOS VERMES-URUBUS (1989)

Quando as pedras rolarem do morro e nos soterrarem
A chuva e a terra barrenta morro abaixo
Vamos ficar para ver o que acontece
Ficaremos de pé, para comemorarmos
E quando passar, homenagearemos
Os corpos na lama
Pedras nas casas
E as almas festejando a noite triste.

A festa dos vermes-urubus (4x).







E NOVAS CANÇÕES VAMOS CANTAR (1990)

Não se vá
Fique um pouco mais
Se os dias perduram mais
As noites se vão
Vamos velejar em alto-mar
Se o veleiro se for
Quem sabe nossas vidas em outro lugar.
O Paraíso é o suficiente
Somos alguém
O Sol já se pôs
O inverno vem vindo
E novas canções vamos cantar.
As folhas secas se vão e o Sol vem vindo aí.
Quem sabe nossas almas em outro lugar
No Paraíso chegamos para ficar.



O CORPO (1990)

Sem corpo não há governo
Não há propriedade
E não há escravidão.
O corpo de nada nos serve.

Sem corpo não há ganância
Não há fome
E não há sofrimento.
O corpo de nada nos serve.

Se há guerra de nada nos serve a dor
Se há guerra de nada nos serve a vida
Se não há vida, por quem chorar?
Sem corpo não há droga
Não há vítima
E não há solidão.


O ANTIGO E O NOVO (1990)

Quem ama a arte vive em harmonia
E o homem se liberta do antigo modo de viver.
Quem ama uma mulher vive em harmonia
E o homem se liberta do antigo modo de viver.
E o velho homem se liberta de todos os males.

Quem ama o futebol vive em harmonia
E o homem se liberta do antigo modo de viver.
E o velho homem se liberta do antigo modo de viver.

O antigo e o novo perduram
O antigo e o novo se tornam novos todos os dias.
O antigo e o novo, o novo e o antigo (2x).





À DORMA (1990)
À dorma da solidão
Vejo o que se foi.
Ao enaltecer a escuridão
O rubro olhar
O canino
O receio
A libertação
O horror
O grito
A dor
E veja o que se foi.
Te beijo com um beijo da minha outra boca
Te olho com os olhos da face da próxima história
E te encontro agora (3x).
O corpo é feito de carne, o corpo é feito de carne, de ossos e de amor
E te encontro agora.


O AMOR É COMO UMA FLOR (1992)

Quem ama tem resposta para tudo
E todos sabem verdadeiramente
O amor é como uma flor
Desabrocha para o seu amor.

A qualquer momento pode florescer
Você é uma pessoa muito especial
O amor é como uma flor
Desabrocha para o seu amor.

Penso em você
E sou mais do que teu amigo.
Você me faz feliz
E eu gosto de você.
Vamos dar uma volta
E eu só penso em você.


CAROL (1992)

Já faz muito tempo que venho ensaiando
Só para te encontrar
Carol, há muito venho te esperando
Só para te encontrar
Eu sou fruto do amor de Deus
E você também.

O mundo está pobre em amor
Carol, Carol, Carol
Carol, eu sou um feixe de nervos
Carol quero te encontrar
Estou quase no fim da estrada
E você também.
Se querer bem é tão bom
Se querer bem é I love you
Se querer bem é paixão, Carol, I Love you.


20 LEÕES (1992)

Duas décadas
A capela dos olhos rasgantes
Um manso carneiro
Outros sempre Leões.
Sempre é ter 20 anos
Sempre é viver eternamente.
As crisálidas refletem a luz como a um espelho
Um anjo
Outros sempre Leões.
Sempre é ter 20 anos
Sempre é viver eternamente.
Amor, andemos com amor e com respeito
Assim teremos honra.
Sempre é viver eternamente
Sempre eternamente sob a luz do Sol.





Osny Mattanó Júnior
Cambé/Pr/Brasil (12/07/2015).




EU E MINHA CASA (1992)

Há muito tempo que não saio de casa
Eu só fico em casa.
Há muito tempo que eu não saio de carro
Eu só fico em casa.
Quando me lembro de você
Me lembro de tudo que se foi entre nós.
Já fiquei muito tempo dentro de casa
Eu só ficava em casa.
Agora todo o meu tempo é fora de casa
Eu só ficava em casa.
Está na hora de acordar e seguir
Não me canso de pensar
E todo o tempo perdido de quê nos serve?
Me lembro de tudo que se foi entre nós!




TE CONTO HISTÓRIAS (1990)

Na chuva ou na estrada
Com Sol ou tempestade
Não me esqueço de você.
Te conto histórias
Te conto a Bíblia
Que linda história
Colhemos o que semeamos.
Sempre atentos
No escuro da noite
Ou  no claro do dia
No silêncio ou na palavra
E vivendo em perfeita tolerância e harmonia.






A FESTA DOS VERMES-URUBUS PT.2 (1988)

Dias escuros, vermes-urubus
Nuvens de gelatina e estrelas coloridas.
Morcegos encandecentes voam
Dentaduras sem dentes.
A Festa dos Vermes-urubus.
Relógios parados, dias desperdiçados
Tempo perdido, dias da semana.
A Festa dos Vermes-urubus.
Borboletas amarelas e azuis
Um Sol de luz.
A Festa dos Vermes-urubus.







ATAQUE (1988)

Estratégias sem mapas, bússolas e horários
Qual o último a viver? Não se sabe!
Medo, horror, tensão e horas difíceis
Um ataque inesperado e preocupante
Qual o último a viver? Não se sabe!
Sangue, dor e sofrimento
Sangue, dor e horror
Sangue, dor e sofrimento
Balas, granadas e torpedos
Sangue, dor e ferimento em toda a parte
Sangue, dor e sofrimento.







BELEZA E FEALDADE (1988)

Sou incapaz de definir a beleza
Sou incapaz de contemplá-la
Mas não de querer tê-la em uma amiga.

Sou incapaz de definir a fealdade
Mas não de desejá-la em uma colega.

Por outra atitude concordo que viver sem beleza e sem feiúra não é possível.
Eu sou apenas um homem, only man.








PARTIMOS EM BUSCA DE AMOR (1988)

Partimos em busca de amor
E a dor que machuca o meu peito
Acontece pois é difícil de te esquecer.
Considero que nascemos e morremos
E que depois da morte continuamos vivos
E a dor que machuca o meu peito
Acontece pois é difícil de te esquecer.
Divina flor, divino amor
Teus lábios precisam de um beijo de amor.
Teus lábios me sufocam de amor
Meus olhos encontraram em você somente você
E a dor que machuca o meu peito
Acontece pois é difícil de te esquecer.





6 DE SETEMBRO (1988)

Hoje é 6 de setembro
Você vai chegar
O que teremos para o jantar?
Espero por você desde o anterior anoitecer
Até então... que o dia venha com você neste belo amanhecer
Que o dia venha com você neste amanhecer
Que o dia venha e eu tenha a você!
Depois eu ligo só pra te dizer ¨que te amo¨.









UMA NOVA GERAÇÃO (1990)

Ordens são ordens
Obediência é obediência
Respeitosamente sou eu e agora é você
Não pertenço a alguém
Respeitosamente
Objetos nos alegram
Alegria é alegria
Respeitosamente estamos à sós, eu e você
E agora vamos virar a mesa
Somos uma nova geração
Respeito é bom
E nós também o queremos
Seus amores não tem frutos feitos do original.
Nós pensamos o que conseguimos pensar
Porque vocês não quiseram pensar!



MEU BRASIL (1990)
Adiante vejo muitas terras, meu Brasil
Muita mata, muito ouro
Pouco índio, muito branco
De cadeias e prisões
Muita terra e muita plantação, meu Brasil
Muita fome, muita doença
Seu Governo te traiu
Seu salário, sua miséria
Meu Tupã foi expulso, meu Brasil
As florestas são queimadas
O meu sul virou deserto
A Amazônia vai desaparecer
O pantanal vai mal, meu Brasil
Meu país, minha nação, minha terra, minha devoção
Que país, que emoção, sou brasileiro de coração
E vivo assim porque sou brasileiro.



NÃO DEIXE TUDO PRA DEPOIS (1989)

Não deixe tudo pra depois
Se tu podes fazer agora
Não deixe tudo pra depois
Senão tu podes perder a hora.

Não deixe tudo desse jeito
Não seja como os carangueijos
Dê um pulinho pra trás e dois pra frente
E siga sempre em frente...

Reflita mais
E pense menos
E deixe de lado teus sentimentos.





EU TE PRECISO (1989)

Chamo, chamo, chamo você
Espero, espero, espero por você querida
Mas você não vem prá mim.

Eu te amo tanto, tanto, tanto.
Eu te amo tanto, tanto, tanto.

Chamo, chamo, chamo você
Espero, espero, espero por você querida
Mas você não vem prá mim.

Eu te preciso e você de mim.






LÁGRIMAS, RANCOR E AMOR (1988)

Sempre fiquei só
Por tanto tempo pensei em ti
Não guardo lágrimas nem rancor
A única recordação é o amor.

As tardes da sábado
As noites de sábado
E as manhãs de sábado nunca foram iguais com você
Hoje ficou triste
Nem sempre estou de pé.

Ruim saber que não há amor
Infelizmente fiquei doente e meio inconseqüente.





OS PISOS SE MOVEM (1988)

Os pisos se movem
Desaparecem do chão
Começo a flutuar
Com estrelas eu vou.
Sonhos e desejos
Mulheres e crianças
Eu e você estamos bem
Com estrelas eu vou pois sou do bem e tenho um bom coração
Somos frutos do destino pois temos um coração que Deus nos deu
Plantamos, cultivamos e colhemos
Problemas existem e existem para serem resolvidos
O mal já acabou e tudo vai acabar bem
Plantamos, cultivamos e colhemos  a paz de um bom coração.


PRETO (1988)

Navios portugueses, África, negros
Correm, não entendem, brancos, os caçam, como animais
Matam e prendem, quantos podiam, navios negreiros
Os traziam para o Brasil, todos amontoados, nos porões
Desembarque, leilões, no porto de desembarque
Nas roças e minas, trabalho forçado
Descanço, após 9h e 10h da noite
Comida, feijão, partes desprezadas do porco
Frutas, por volta da 1h da tarde
Café e rapadura, no frio cachaça
Havia escravos selecionados, para procriarem
Muitas negras, não queriam que seus filhos fossem escravos
E assim, enfiavam uma colher de pau com banha, na vagina
Tentando raspar o embrião
Muitas mulheres ficavam infeccionadas e morriam
Proprietários estupravam escravas



PRETO Pt.2 (1988)

Leis,
Ventre Livre ou Visconde do Rio Branco
O filho do escravo
Teria que ficar com suas mãe, um certo tempo
Alimentação e despesas, pagas pelo patrão
Assim o filho do escravo para ser livre
Antes teria que pagar com o trabalho.
Leis dos Sexagenários ou Saraiva-Cotegipe
Puta sacanagem
O escravo só seria livre após os 60 anos
Nunca um escravo teria 60 anos.
Lei Áurea
Libertou cerca de um décimo da população negra
Mas discriminação continua com piadas e com a exclusão social...

Osny Mattanó Júnior
Cambé/Pr/Brasil (12/07/2015).


ÔNIBUS (1988)

Fila para esperar
Fila para entrar
Fila para passar na roleta
Filas três.
Bus cheio
Lotado
Cheio estou eu
Maloqueiros a passar a mão
Roubos e furtos
Todo dia
Gestantes esmagadas, coitadas
Bancos cheios
Vômito no chão
Motorista, passa do ponto de descida
Desce no outro, anda mais.



DIVERSÃO NO PARQUE (1988)

Para ir no Parque tem fila
Para ir no Parque tem que ter dinheiro
Para ir no Parque tem que ter entrada
Para ir no Parque tem que te dinheiro
Tenho que ter dinheiro para me divertir no Parque.
Tem a menina que quer um beijo
E tem o filhão que quer um souvinir.

Que legal o carrinho tromba-tromba
Que dez o tobogã
E que maneiro a metamorfose
Tenho que ter dinheiro para me divertir no Parque.
E aquela montanha russa que bacana
Que bacana aquela montanha russa.






OUTRORA (OUT/1992)

Há muito tempo que não vejo
Ficam velhas as crianças
Há muito tempo que não vejo
Ficam velhas as lembranças.
De repente, mas que de repente
Os sonhos ficam tão distante
Ficam velhas as imagens
Ficam velhos os encantos.
Quando me lembro de outrora,
Me lembro dos tempos de outrora.
Nada há a mais no tempo
Ficam velhas as pessoas
Sonhos dos dias velados
Lembranças fora da lembrança.
De repente, mais que de repente
Sinto o cheiro das crianças
Passam flores mais perfeitas
Há ninguém no pensamento.


ABRI MEU CORAÇÃO (1992)

Abri meu coração e essa garota me disse não
Como posso saber se essa garota me ama ou não
Como posso saber se essa garota vai me querer.
Não poder ser..., uma garota como você
Não... alguém... eu e você.
Abri meu coração e essa garota me disse não
Eu não acreditei quando você me disse não.











A SIMPLES PRESENÇA É MUITO SATISFATÓRIA (1992)

Quantos você já viu sozinho
Quantos você já viu inseguro
A simples presença é muito
A simples presença é satisfatória.
Quantos você já viu sem ninguém
Quantos você já viu a procura de alguém
A simples presença é muito
A simples presença é satisfatória.
Quantos você já viu chorar.
Quantos você já deixou de amar.
Você já viu quanta gente angustiada
Você já viu quanta gente amedrontada
A simples presença é muito
A simples presença é satisfatória.
Quantos você já viu partir.
Por você já deixaram de existir.
Ao contrário do que você pensa
Foi você quem deixou de amar.
Muito ao contrário do que você pensa
Sua atitude pode salvar.

















SEMPRE PURA (1992)

Sua pele cor de neve
Cor do leite, cor da cal
Suave, clara, meiga, pura.
Seu olhar marrom terra
Pura alva, pura terra
Corda lua, branca escura.
Seu olhar castanho
Sua boca escondida
Sua pele suave
Sempre pura.
Seu ar, Graça do ar
Sopro dos Santos, Espírito Santo
Santo Espírito brando  de Deus.




Osny Mattanó Júnior
Londrina/Pr/Brasil (2014).




DEUS DE AMOR (1992)


Meu ser é Teu, e Tu é meu
E eu sou Teu,
Pois em Ti estou Deus de Amor.
Meu Coração é Teu, e o Teu é meu
E eu sou Teu,
Pois em Ti estou Deus de Amor.
Meu corpo é Teu, e Tu és meu, e vive em mim
Pois Te ofertastes por mim,
Meu Deus de Amor.




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