O HOMEM E A PSICOLOGIA SOCIAL (1995/2003/2012).
A Psicologia Social concebe o homem e a sociedade, desde seus primórdios, numa relação que permite relações do tipo objetividade-subjetividade, homem/trabalho, homem/instrumento, homem/homem e homem/natureza, caracterizando, portanto, o homem como multiplicidade, porém essa multiplicidade de relações pode ser negada ou não manifestada se, por exemplo, o trabalho for visto isoladamente ou como não sendo um mediador entre o homem e sua história, com tudo o que lhe permite, como o instrumento, a natureza e o próprio homem.
Assim diremos que com o processo de humanização, da qual a cooperação e formação de grupos foi essencial, surgiu a linguagem, surgiram os instrumentos, surgiu o trabalho, surgiu a atividade e, ainda, paralelamente, os sonhos interpretados e as crenças, consciências e identidades.
Os sonhos e as crenças foram vivenciados pelo homem primitivo como entidades sobrenaturais, e isto facultou a criação de deuses que sentiam e pensavam, também, conseqüentemente foi instaurando-se a crença religiosa, surgiu uma base a partir da organização do meio em que se inseriam e na crença de vida após a morte.
Disto podemos dizer que as entidades sobrenaturais foram projeções humanas que ajudaram no estabelecimento da multiplicidade de relações, estas, aliás, possibilitadas pela interação social.
Ao interagir socialmente o homem pode se observar pois teve o outro como referencial, portanto, sendo homem seria também capaz de transformar e de ser transformado, donde estabeleceram-se as relações ¨corpo-alma¨, ¨espírito-matéria¨ (ou natureza), ¨cérebro-pensamento¨, ¨vontade-poder¨ (¨vontade¨ entendida na acepção de ¨espírito¨ ou ¨pensamento¨; e ¨poder¨ no que é ¨possível¨, isto é ser, a matéria). Isto, pois, de certo modo na relação do homem consigo mesmo, do homem com seu semelhante e do homem com a natureza, o que nos ajuda a ver e entender o homem como multiplicidade, já que também, invariavelmente, fluiriam as relações objetividade-subjetividade, homem/trabalho e homem/instrumento.
Disto podemos mencionar que o homem criou duas espécies de realidade: a material e a ideal - a concreta e a abstrata, grifo meu. A material sendo carcaterizada por ser palpável, concreta e mesurável, ou seja, científica, visto que há a possibilidade dos fenômenos do ¨mundo exterior¨ serem replicáveis e/ou previsíveis. Já que as sensações e percepções facultam-nos a este ponto. Podemos explicar que o ¨mundo exterior¨ agrega o grupo humano (do qual derivam as relações sociais e/ou homem/homem), e a natureza ou matéria (do qual derivam as relações homem/natureza, homem/instrumento e homem/trabalho).
A segunda espécie de realidade, a ideal, é a projetiva, ou seja, a que criou deuses e a alma e/ou espírito, julgamentos (como bem e mal), e situações que estão aquém do universo palpável (como premonições e destino). Esta realidade é, desta forma, desprovida de cientificidade, pois não é palpável e envolve eventos particulares, como os pensamentos, as lembranças, os sentimentos e as emoções que são projetadas na tentativa de vencer forças internas que não são aceitáveis e/ou compreensíveis quando o homem lida consigo mesmo.
Podemos salientar que enquanto o homem criava essas realidades, esteve em atividade, num processo de transformação e de troca de energia, onde também ocorre uma relação de apropriação do homem pela natureza e da natureza pelo homem. Exemplo disto é o que ocorre quando um microorganismo instala-se no homem (a natureza apropria-se do homem), mas também o homem se apropria do organismo (a natureza), pois ambos estão em correspondência, em interação e em apropriação - a evolução das espécies de Darwin.
Assim pela atividade também ocorre a internalização e a externalização dos próprios conceitos e modos de relação, ao longo da história, do homem com o ¨mundo exterior¨. Portanto a internalização dá-se pelos sentidos e percepções captadas pelo organismo e a externalização processa-se mediante as relações que viabilizam a mudança, a transformação é o que torna o ser sócio-histórico. Podemos exemplificar isto com a explanação do processo de criação de instrumentos, pois para construir um é preciso primeiramente elaborá-lo mentalmente, ou melhor, tê-lo como objeto pensado ou idealizado, para depois sim concertizá-lo ou objetivá-lo, isto após uma série de ações sobre a natureza, assim o homem mostra-se capaz de idealizar o que pretender realizar, acredito que isto não se dá apenas com a realidade material, onde temos os instrumentos palpáveis (como esta folha de papel e a tinta sobre ela), mas também com a realidade ideal, onde temos os instrumentos ideológicos (como o que se expressa neste trabalho, o seu conteúdo ou sua mensagem), neste caso ação sobre as idéias, sobre o imaginário com o intuito de perpretar saber e poder - consciência e identidade.
Assim sendo, a atividade é a mais abrangente categoria da Psicologia Social, pois compreende as relações homem/trabalho, homem/instrumento/ homem/natureza e homem/homem.
Numa análise mais profunda diremos que a atividade está condicionada, ou mesmo, modelada ao nível de desenvolvimento do grupo social, de sua estruturação e organização, já que ela compreende as características do grupo, de seus meios de internalizar e externalizar. Assim também podemos entender as demais categorias da Psicologia Social.
Até o presente momento podemos estudar como o homem se constitui múltiplo em suas relações, portanto, podemos agora fazer considerações sobre a negação dessa multiplicidade.
Por exemplo, ao abordarmos o trabalho sem considerarmos questionamentos como: sob que condições e razões históricas do grupo social desenvolveu-se essa parte da atividade? Deste modo, se não houver consciência, ou mesmo, relação com o próprio ser humano, o trabalho servirá apenas para alienar o homem, visto que sua objetivação ou exteriorização estará sob o apoio da alienação. Isto ocorre quando o homem não domina ou não se percebe em sua própria criação, e o que é pior, quando sua própria criação trona-se ameaça e fonte de opressão, por conseguinte, tornando-se castração.
A alienação agravou-se com o capitalismo, pois a divisão do trabalho dexou de afetar apenas os operários, visto que os próprios capitalistas encontraram-se sob esse processo, já que também existe a divisão de mercado e a competição entre os mesmos. Deste modo as leis de mercado vão dominando toda a sociedade, e fazendo com que tudo se transforme em mercadoria, desde a mão-de-obra do trabalhador até a mão-de-obra do empregador, ambas valorizadas conforme o seu grau de especialização.
Agora prosseguiremos com a categoria instrumento de trabalho: este é entendido como uma extensão do ser humano, já que é produto e produtor de abstração, característica humana. Assim a construção do instrumento, decorre, primeiramente da reflexão, desse modo envolve também a abstração para que possa ser elaborado e materializado, o que faz com que o ser humano transcenda a si mesmo. Exemplo a ser citado pode ser novamente encontrado se pensarmos neste trabalho acadêmico, na produção deste texto, pois para que ele fosse realizado tivemos que organizá-lo mentalmente em tópicos a serem desenvolvidos de modo reflexivo e produtivo, assim durante toda a sua produção tivemos que absatrair e refletir até que fosse materializado e/ou terminado.
Também foi e é o instrumento de trabalho um fator relacionado com a formação de grupos e por conseguinte, dos meios de comunicação, onde encontramos as linguagens cinestésica (gestual e/ou corporal), proxêmica (territorial e/ou espacial), falada e a escrita. E isto vem intervindo ou mediando a construção da história da nossa espécie, inculcando desta maneira o aperfeiçoamento e a evolução da mesma - isto ocorre até hoje 05 de setembro de 2012, desde 15 ou 17 de outubro de 1995 com a Auto-Sugestão de Uma Teoria Psicanalítica Nova contendo uma nova Pulsão, a Pulsão Auditiva, na Universidade Estadual de Londrina no Brasil, um projeto de pesquisa para o futuro após a minha formação acadêmica - projeto iniciado em dezembro de 2005; nos nossos relacionamentos com as línguas, linguagens, formas de comunicação, percepção auditiva e telepática psico-física refletem isto: intervenções e mediações, construções históricas da nossa espécie que inculcam desta maneira o aperfeiçoamento e a evolução da nossa espécie!
Podemos dizer que a formação dos grupos propiciou a divisão do trabalho, o que levou a divisão do trabalho, o que compreenderemos dialeticamente segundo as seguintes relações: união-separação, porque o trabalho dividido une e separa os homens, une porque os torna um grupo com objetivo final e separa porque cada indivíduo do grupo está encarregado de uma tarefa específica para a consecução do objetivo visado; homem-homem, ocorre qundo o indivíduo vê-se em contradição ou em um impasse em relação ao se destino, pois poderá ser individual ou coletivo, o que segundo Codo (s/d) será resolvido pela apropriação coletiva do destino individual; e homem-natureza, que é encontrada na atividade estabelecida pelo contato do homem com a natureza.
Para exemplificar estas relações (união-separação; homem-homem; e homem-natureza) focalizaremos o Curso de Psicologia desta Universidade (UEL). Desta forma a relação união-separação envolve a divisão do trabalho entre professores, funcionários e alunos com o desejo de um objetivo comum, trabalhar cada um com a sua atividade/tarefa em sua razão de um objetivo - o Curso de Psicologia e a manutenção do mesmo e da Universidade. A relação do homem-homem refere-se ao próprio ambiente psicológico e comportamental entre professores, alunos e funcionários enquanto relacionam-se nessa atividade de acordo com os sesu destinos individuais que podem se encontrar no coletivo. E a relação homem-natureza envolve os recursos utilizados em sala de aula, por exemplo: o giz, a lousa,as cadeiras, o chão, etc., no processo de formação dos Psicólogos.
Sendo, portanto, necessário salientar que essas relações desenvolvem a conscientização e a alienação do ser humano, pois não existem pessoas e/ou grupos totalmente conscientes ou totalmente alienados, ou seja, existem graus de consciência e de alienação que variam de sujeito para sujeito e de grupo para grupo.
Assim podemos também perceber que esses graus de consciência e de alienação permitem-nos visualizar e explicitar as inter-relações que compõe a realidade que é constituída por aquilo que é entendido como sendo experiência, que, aliás, conduz os comportamentos psíquicos e os comportamentos manifestos do indivíduo e do grupo social.
Ainda sobre os grupos ou mesmo, sobre a vida social, vale dizer que ocorrem desenvolvimentos diferentes para cada grupo e para cada sujeito, já que estão diretamente relacionados com a própria realidade em que se inserem. Dessa maneira podemos encontrar indivíduos que têm consciência das responsabilidades para com sua pessoa e para com o grupo em que se inserem, o que lhes faculta uma certa autonomia, pois são com riqueza e complexidade interior, são indivíduos que superam seus limites e se complementam em comunidade, fazendo, assim com que a família, os amigos, a vizinhança, as relações entre os homens tenham importância e tenham em si o poder de não castrar a multiplicidade das relações do ser humano.
Mas há a castração onde o homem não se vê múltiplo, pois não pode participar dessa multiplicidade de relações. Isto ocorre em comunidades alienadas que apenas absorvem e diluem os indivíduos, robotizando-os, como por exemplo, os grupos de jovens que se irmanam, criando fortes vínculos que os tornam incapazes de aceitar o diferente, o novo e/ou o estranho, a menos que aceitar passe a ser parte da moda. Isso também ocorre na sociedade capitalista, onde o mercado diminui a importância da comunidade, criando, assim, solidão, frustração, agressividade e insegurança, como, hoje, no ano de 2012, no Avanço das Grandes Comunicações Psico-físicas.
Deste modo podemos dizer que a poda da multiplicidade foi se efetuando a medida em que ocorreram as transformações sociais, onde a sociedade rural perdeu espaço para a sociedade urbana e esta hoje perde espaço para a sociedade Telepata Psico-física, o trabalho artesanal foi sendo superado pela divisão do trabalho e este pela centralização do ¨trabalho artifical¨ ou ¨trabalho escravo¨, ao meu ver imoral, violento, humilhante, amedrontador, vergonhoso e ilícito, senão, criminoso, é o que fazem comigo desde a década de 90, o regionalismo vem perdendo características peculiares por causa dos meios de comunicação que possibilitam-nos viver uma ¨aldeia global¨, onde o individualismo vem sendo superado pela padronização, tanto de comportamentos manifestos quanto de encobertos (pensamentos e sentimentos), onde as transnacionais produzem em massa, padronizam e estandartizam, havendo portanto, como conseqüências um neocolonialismo, e movimentos que vão em defesa dos direitos humanos.
Contudo é imprescindível destacar que tanto a realidade material quanto a realidade ideal são reais, pois o real é constituído por aquilo que possui um sentido na experiência humana e na social. Assim as relações com a natureza e com o homem, que mediatizam a multiplicidade, possuem campo de significação dependentes da sociedade e de suas características sociais, políticas, econômicas, de trabalho, de família, de religião, de eduação, de linguagem, etc., fazem parte das instituições que compreendem e explicam as relações do homem com si mesmo (onde deram-se os fenômenos sobrenaturais - a subjetividade). homem-homem (social) e homem-natureza, sendo que destas duas fluírasm o trabalho e o instrumento, portanto, possibilitando ver o homem como multiplicidade.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
CODO, Wanderley. O fazer e a consciência.
SUCUPIRA. Materialismo e idealismo.
Osny Mattanó Júnior.
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