1. Psicologia
Escolar
Os caminhos se abrem para aqueles
que caminham e se fecham para aqueles que param. Quando paramos abrimos
trincheiras e começamos nossas guerras com nossas armas para lutar, matar e
destruir, dominar e tirar ou privar a liberdade do outro e até mesmo a sua,
enquanto caminhamos temos liberdade para se viver e ensinar a viver, não temos
tempo para cavar trincheiras e nem para guerras. Só o caminho ensina o amor, a
vida e a liberdade. As trincheiras ensinam lições perdidas pelo ódio e pela
morte, e pelas prisões.
Não conseguimos dar alcance para
nossas mãos se estivermos em trincheiras mas se estivermos caminhando elas irão
mais longe e alcançarão o próximo, levando esperança, conforto, amizade, amor e
uma nova aurora.
Memorial dos Pacifistas

DALAI LAMA
\"SEM PAZ DE ESPÍRITO É
IMPOSSÍVEL PAZ NO MUNDO\"
Dalai-Lama Tenzin Gyatso é o atual líder religioso do Tibete. Os tibetanos preferem chamá-lo simplesmente de Kundum, a Presença. Vive no exílio e combate a ocupação chinesa de sua nação sem abandonar seus princípios religiosos e opiniões ponderadas. Filho de camponeses, nasceu em 6 de julho de 1935, na aldeia de Takster, com o nome de Lhamo Thondup. Com dois anos de idade, foi reconhecido como a reencarnação do 13º Dalai Lama (Avalokitesvara); sendo, então, o 14º Dalai Lama, o Buda da compaixão.
A história do primeiro contato com o novo Dalai Lama é magnífica. Quem se aproximou da humilde residência foi o monge mais importante do grupo e amigo íntimo do 13º Dalai Lama. Ele estava vestido de mendigo e trazia ao pescoço, por baixo das vestes, o terço do 13º Dalai Lama. Foi recebido à porta por uma mulher segurando uma criança e pediu comida. A criança, então, segurou a roupa do homem e perguntou: \"Se lembra de mim?\". Em seguida, estendeu as mãos para o pescoço dele e puxou seu terço, dizendo: \"Isto é meu.
Por que está usando?\" Emocionado, o Lama abraçou a criança sem que a mãe entendesse o que estava acontecendo. Algumas semanas depois, os lamas retornaram a casa e colocaram uma série de objetos diante da criança, alguns pertencentes ao 13º Kundun e outras réplicas mais bem trabalhadas. Sem hesitar, a criança pegou exatamente os objetos do Dalai Lama e todos tiveram a certeza de que a grande alma havia renascido. O Dalai Lama foi entronizado em 1940 e iniciou sua educação com 6 anos, tendo como tutor Ling Rinpoche, seu melhor amigo e professor até a morte, em 1983, em Dharamsala. Os ensinamentos ao Dalai Lama envolveram disciplinas como lógica, arte e cultura tibetanas, sânscrito, medicina, cosmologia, poesia, música, teatro e filosofia.
Em 1959, aos 25 anos, ele obteve o título de Geshe Lharampa, doutorado em filosofia budista. Seus últimos oito anos de estudos tiveram de ser divididos com a política, já que com apenas 16 anos o jovem Kundun foi obrigado a assumir plenamente suas funções ante a invasão chinesa ao Tibete. Já em 1954, ele encontrava-se com Mao Tsé-Tung, Chou En-Lai e Den Xiaoping, na China, com o objetivo de buscar uma solução para seu país.
Em 1963, o Dalai Lama promulgou uma constituição democrática baseada nos princípios budistas e na Declaração Universal dos Direitos Humanos. Sua intenção é que o documento sirva como base para a sociedade tibetana quando esta reconquistar sua liberdade.
Em 1967, Sua Santidade iniciou uma série de viagens por diversos países em busca de auxílio. Sua atuação mundial lhe deu o Prêmio Nobel da Paz, em 1989. Além do que - como o Comitê do Prêmio Nobel fez questão de realçar - sua luta pela libertação do Tibete sempre se baseou na busca de soluções pacíficas alicerçadas na tolerância e no respeito mútuo. \"O prêmio\", disse ele na época, \"reafirma nossa convicção de que, usando a verdade, a coragem e a determinação como armas, o Tibete será libertado. Nossa luta deve continuar sem violência e livre de ódios.\" Ainda hoje ele continua negociando com a China a posse do seu território, além de outras pretensões, tais como: acabar com a transferência de chineses para o Tibete, respeitar os direitos dos tibetanos, abandonar a produção de armas nucleares no local, negociar sobre a instauração de um governo democrático e transformar seu território numa região de Paz. Em 1989, recebeu o Prêmio Nobel da Paz.
Em 1992, Dalai-Lama visitou o Brasil durante a Eco-92. Em 1999, voltou ao Brasil para participar do seminário \"Valores Humanos e sua prática na vida cotidiana\", em Curitiba. Também esteve em Brasília participando do encontro inter-religioso \"Colóquio pela Paz e Renovação da Esperança\". Pensamentos de Dalai-Lama: \"Meu apelo por uma revolução espiritual não é um apelo por uma revolução religiosa. Considero que a espiritualidade esteja relacionada com aquelas qualidades do espírito humano - tais como, amor e compaixão, paciência, tolerância, capacidade de perdoar, contentamento, noção de responsabilidade, noção de harmonia - que trazem felicidade tanto para a própria pessoa, quanto para os outros\".
Dalai-Lama Tenzin Gyatso é o atual líder religioso do Tibete. Os tibetanos preferem chamá-lo simplesmente de Kundum, a Presença. Vive no exílio e combate a ocupação chinesa de sua nação sem abandonar seus princípios religiosos e opiniões ponderadas. Filho de camponeses, nasceu em 6 de julho de 1935, na aldeia de Takster, com o nome de Lhamo Thondup. Com dois anos de idade, foi reconhecido como a reencarnação do 13º Dalai Lama (Avalokitesvara); sendo, então, o 14º Dalai Lama, o Buda da compaixão.
A história do primeiro contato com o novo Dalai Lama é magnífica. Quem se aproximou da humilde residência foi o monge mais importante do grupo e amigo íntimo do 13º Dalai Lama. Ele estava vestido de mendigo e trazia ao pescoço, por baixo das vestes, o terço do 13º Dalai Lama. Foi recebido à porta por uma mulher segurando uma criança e pediu comida. A criança, então, segurou a roupa do homem e perguntou: \"Se lembra de mim?\". Em seguida, estendeu as mãos para o pescoço dele e puxou seu terço, dizendo: \"Isto é meu.
Por que está usando?\" Emocionado, o Lama abraçou a criança sem que a mãe entendesse o que estava acontecendo. Algumas semanas depois, os lamas retornaram a casa e colocaram uma série de objetos diante da criança, alguns pertencentes ao 13º Kundun e outras réplicas mais bem trabalhadas. Sem hesitar, a criança pegou exatamente os objetos do Dalai Lama e todos tiveram a certeza de que a grande alma havia renascido. O Dalai Lama foi entronizado em 1940 e iniciou sua educação com 6 anos, tendo como tutor Ling Rinpoche, seu melhor amigo e professor até a morte, em 1983, em Dharamsala. Os ensinamentos ao Dalai Lama envolveram disciplinas como lógica, arte e cultura tibetanas, sânscrito, medicina, cosmologia, poesia, música, teatro e filosofia.
Em 1959, aos 25 anos, ele obteve o título de Geshe Lharampa, doutorado em filosofia budista. Seus últimos oito anos de estudos tiveram de ser divididos com a política, já que com apenas 16 anos o jovem Kundun foi obrigado a assumir plenamente suas funções ante a invasão chinesa ao Tibete. Já em 1954, ele encontrava-se com Mao Tsé-Tung, Chou En-Lai e Den Xiaoping, na China, com o objetivo de buscar uma solução para seu país.
Em 1963, o Dalai Lama promulgou uma constituição democrática baseada nos princípios budistas e na Declaração Universal dos Direitos Humanos. Sua intenção é que o documento sirva como base para a sociedade tibetana quando esta reconquistar sua liberdade.
Em 1967, Sua Santidade iniciou uma série de viagens por diversos países em busca de auxílio. Sua atuação mundial lhe deu o Prêmio Nobel da Paz, em 1989. Além do que - como o Comitê do Prêmio Nobel fez questão de realçar - sua luta pela libertação do Tibete sempre se baseou na busca de soluções pacíficas alicerçadas na tolerância e no respeito mútuo. \"O prêmio\", disse ele na época, \"reafirma nossa convicção de que, usando a verdade, a coragem e a determinação como armas, o Tibete será libertado. Nossa luta deve continuar sem violência e livre de ódios.\" Ainda hoje ele continua negociando com a China a posse do seu território, além de outras pretensões, tais como: acabar com a transferência de chineses para o Tibete, respeitar os direitos dos tibetanos, abandonar a produção de armas nucleares no local, negociar sobre a instauração de um governo democrático e transformar seu território numa região de Paz. Em 1989, recebeu o Prêmio Nobel da Paz.
Em 1992, Dalai-Lama visitou o Brasil durante a Eco-92. Em 1999, voltou ao Brasil para participar do seminário \"Valores Humanos e sua prática na vida cotidiana\", em Curitiba. Também esteve em Brasília participando do encontro inter-religioso \"Colóquio pela Paz e Renovação da Esperança\". Pensamentos de Dalai-Lama: \"Meu apelo por uma revolução espiritual não é um apelo por uma revolução religiosa. Considero que a espiritualidade esteja relacionada com aquelas qualidades do espírito humano - tais como, amor e compaixão, paciência, tolerância, capacidade de perdoar, contentamento, noção de responsabilidade, noção de harmonia - que trazem felicidade tanto para a própria pessoa, quanto para os outros\".

ALBERT SCHWEITZER
\\\"A PAZ NÃO É INÉRCIA, É O
TRABALHO CORAJOSO QUE FAZ NASCER A SOLIDARIEDADE NO INTERIOR DO HOMEM\\\"
O Professor Albert Schweitzer (1875- 1965), ganhador do Prêmio Nobel da Paz de 1952, músico, filósofo, teólogo, médico e missionário, foi um dos precursores da Bioética. Um dos maiores intérpretes de Bach, Albert Schweitzer foi também seu maior biógrafo. Com um talento que remontava à passada geração dos Schweitzer, fora aclamado como o grande concertista da Europa dos primeiros anos do século. Premiado como intérprete e como profundo conhecedor de órgãos Schweitzer testemunhara sua fama espalhar-se rapidamente.
Um dia, como que atingido por um raio, soube da extrema necessidade de missionários no Congo Francês, o Gabão, na África. E descobriu que o perfil ideal de um missionário para o Gabão era aquele que tivesse conhecimentos de medicina. Daquele dia em diante, sua vida mudou. E muito radicalmente. Iniciou o Curso de Medicina, concluído seis anos depois, e ainda fez uma especialização de dois anos em doenças tropicais.
A todos a quem mencionava sua aspiração de deixar a Europa por um vilarejo primitivo nos rincões africanos, era saudado com zombaria ou com piedosa compaixão. Alguns achavam mais racional que ele custeasse alguém que fosse se embrenhar nas selvas do Gabão, enquanto ele continuaria sua trajetória de vitórias e conquistas. Como alguém deixaria ao lado todos aqueles anos em que havia se dedicado à música, aquela música que encantava os homens e os anjos, as sinfonias com que Bach enchera o mundo de divindade? Mas ele perseverou e perseguiu sua meta com tenacidade.
Depois de formado, colocara à venda todos os seus pertences, inclusive as medalhas, troféus e instrumentos musicais. Era o capital inicial de sua nobre missão: fundar um hospital em Labarené, África Equatorial Francesa (Gabão), onde construiu, nas margens do rio Ogové, um hospital para doenças tropicais e a clínica para leprosos Labarené, desenvolvendo uma intensa atividade médica e missionária. Um hospital muito rústico, de pau a pique, foi o maior salva-vidas da região e multidões de africanos acorriam a ele, esquecendo algumas vezes suas superstições e tradições tribais milenares e aceitando os anestésicos e a penicilina que lhes podia prolongar a vida e minimizar a dor. Depois Schweitzer construiu vários outros hospitais na África.
Nesse ínterim, a Europa fervilhava nas vésperas de uma grande guerra. Eram os anos finais da década de 30. Isolado do mundo, naquele lugar esquecido por todos, o jovem médico Albert Schweitzer fazia de tudo um pouco: era carpinteiro, pedreiro, professor, cozinheiro e médico. Enfrentando enfermidades, crendices e muita escassez de recursos materiais e humanos, coube a Schweitzer o desafio de triunfar sobre todas as dificuldades.
Terminada a guerra, uma ou duas vezes por ano ele retornava à Alemanha e à Inglaterra, onde com seus concertos amealhava os meios para uma nova ala ou enfermaria de seu hospital. O seu exemplo comovia a todos. No campo teológico, dedicou-se à investigação sobre a vida de Jesus.
Em 20 de outubro de 1952, proferiu uma conferência na Academia Francesa de Ciências (Paris), sobre \\\"O Problema da Ética na Evolução do Pensamento\\\". Nessa ocasião, lançou uma idéia que possivelmente viria a influenciar Potter na formulação de sua definição de Bioética, em conjunto com as idéias de Leopold. Potter citou várias vezes Schweitzer em seu livro Bioethics: Bridge to the future. As suas idéias estão presentes, igualmente, na formulação da proposta sobre Bioética Profunda, em 1998, por Potter. Uma citação dessa conferência proferida por Schweitzer pode muito bem ilustrar essa possibilidade: \\\"Uma ética que nos obrigue somente a preocupar-nos com os homens e a sociedade não pode ter esta significação.
Somente aquela que é universal e nos obriga a cuidar de todos os seres nos põe de verdade em contato com o Universo e a vontade nele manifestada\\\". Em 1953, Albert Schweitzer foi laureado com o Prêmio Nobel da Paz. E com o sacrifício de sua vida, demonstrou que é possível ter utopias e viver por elas e que a aridez do espírito humano se curva ante a pureza de intenção de uma alma nobre, ansiosa para servir ao próximo.
Ele foi, nas palavras de Nikos Kazantzakis, \\\"o São Francisco do nosso século\\\". E o seu exemplo foi maior que o seu tempo. Passados quase quarenta anos de seu falecimento, suas atitudes e ações formam um caminho nobre de um eu superior: ele nos via como \\\"as folhas e os ramos de uma mesma árvore, as estrelas de um mesmo céu\\\". Em seus textos de Labarené, sobressaem-se as digressões sobre o respeito pela vida.
O Professor Albert Schweitzer (1875- 1965), ganhador do Prêmio Nobel da Paz de 1952, músico, filósofo, teólogo, médico e missionário, foi um dos precursores da Bioética. Um dos maiores intérpretes de Bach, Albert Schweitzer foi também seu maior biógrafo. Com um talento que remontava à passada geração dos Schweitzer, fora aclamado como o grande concertista da Europa dos primeiros anos do século. Premiado como intérprete e como profundo conhecedor de órgãos Schweitzer testemunhara sua fama espalhar-se rapidamente.
Um dia, como que atingido por um raio, soube da extrema necessidade de missionários no Congo Francês, o Gabão, na África. E descobriu que o perfil ideal de um missionário para o Gabão era aquele que tivesse conhecimentos de medicina. Daquele dia em diante, sua vida mudou. E muito radicalmente. Iniciou o Curso de Medicina, concluído seis anos depois, e ainda fez uma especialização de dois anos em doenças tropicais.
A todos a quem mencionava sua aspiração de deixar a Europa por um vilarejo primitivo nos rincões africanos, era saudado com zombaria ou com piedosa compaixão. Alguns achavam mais racional que ele custeasse alguém que fosse se embrenhar nas selvas do Gabão, enquanto ele continuaria sua trajetória de vitórias e conquistas. Como alguém deixaria ao lado todos aqueles anos em que havia se dedicado à música, aquela música que encantava os homens e os anjos, as sinfonias com que Bach enchera o mundo de divindade? Mas ele perseverou e perseguiu sua meta com tenacidade.
Depois de formado, colocara à venda todos os seus pertences, inclusive as medalhas, troféus e instrumentos musicais. Era o capital inicial de sua nobre missão: fundar um hospital em Labarené, África Equatorial Francesa (Gabão), onde construiu, nas margens do rio Ogové, um hospital para doenças tropicais e a clínica para leprosos Labarené, desenvolvendo uma intensa atividade médica e missionária. Um hospital muito rústico, de pau a pique, foi o maior salva-vidas da região e multidões de africanos acorriam a ele, esquecendo algumas vezes suas superstições e tradições tribais milenares e aceitando os anestésicos e a penicilina que lhes podia prolongar a vida e minimizar a dor. Depois Schweitzer construiu vários outros hospitais na África.
Nesse ínterim, a Europa fervilhava nas vésperas de uma grande guerra. Eram os anos finais da década de 30. Isolado do mundo, naquele lugar esquecido por todos, o jovem médico Albert Schweitzer fazia de tudo um pouco: era carpinteiro, pedreiro, professor, cozinheiro e médico. Enfrentando enfermidades, crendices e muita escassez de recursos materiais e humanos, coube a Schweitzer o desafio de triunfar sobre todas as dificuldades.
Terminada a guerra, uma ou duas vezes por ano ele retornava à Alemanha e à Inglaterra, onde com seus concertos amealhava os meios para uma nova ala ou enfermaria de seu hospital. O seu exemplo comovia a todos. No campo teológico, dedicou-se à investigação sobre a vida de Jesus.
Em 20 de outubro de 1952, proferiu uma conferência na Academia Francesa de Ciências (Paris), sobre \\\"O Problema da Ética na Evolução do Pensamento\\\". Nessa ocasião, lançou uma idéia que possivelmente viria a influenciar Potter na formulação de sua definição de Bioética, em conjunto com as idéias de Leopold. Potter citou várias vezes Schweitzer em seu livro Bioethics: Bridge to the future. As suas idéias estão presentes, igualmente, na formulação da proposta sobre Bioética Profunda, em 1998, por Potter. Uma citação dessa conferência proferida por Schweitzer pode muito bem ilustrar essa possibilidade: \\\"Uma ética que nos obrigue somente a preocupar-nos com os homens e a sociedade não pode ter esta significação.
Somente aquela que é universal e nos obriga a cuidar de todos os seres nos põe de verdade em contato com o Universo e a vontade nele manifestada\\\". Em 1953, Albert Schweitzer foi laureado com o Prêmio Nobel da Paz. E com o sacrifício de sua vida, demonstrou que é possível ter utopias e viver por elas e que a aridez do espírito humano se curva ante a pureza de intenção de uma alma nobre, ansiosa para servir ao próximo.
Ele foi, nas palavras de Nikos Kazantzakis, \\\"o São Francisco do nosso século\\\". E o seu exemplo foi maior que o seu tempo. Passados quase quarenta anos de seu falecimento, suas atitudes e ações formam um caminho nobre de um eu superior: ele nos via como \\\"as folhas e os ramos de uma mesma árvore, as estrelas de um mesmo céu\\\". Em seus textos de Labarené, sobressaem-se as digressões sobre o respeito pela vida.

MARTIN LUTHER KING JR
\"NÃO SE DEVE MATAR A SEDE DE
LIBERDADE NA TAÇA DO ÓDIO\"
Martin Luther King Jr. nasceu ao meio-dia de 15 de janeiro de 1929, em Atlanta, Geórgia. Filho de um pastor da Igreja Batista Ebenezer e de Alberta Williams King, uma professora, teve mais dois irmãos, Christine, a primogênita, e Alfred Daniel, o caçula. Antes de atingir seis anos, a idade mínima para freqüentar uma escola primária, foi matriculado por seus pais na Yonge Street Elementary School. Descoberto, foi obrigado a abandonar a escola até atingir a idade mínima.
Ao completar seis anos, foi matriculado na David T. Howard Elementary School. King também estudou na Atlanta University Laboratory School e Booker T. Washington High School. Mesmo sem terminar seus estudos secundários na Booker T. Washington High School, foi admitido, aos 15 anos, para o bacharelado em Sociologia, na Morehouse College, por causa de seu excelente desempenho intelectual.
Em 1948, aos 19 anos, King bacharelou-se em Sociologia. Nessa mesma época, optou por seguir a carreira de seu pai e de seu avô materno, Adam Daniel Williams, ambos pastores da Igreja Batista Ebenezer. Matriculou-se, então, no Crozer Theological Seminary, em Chester, Pensilvânia, graduando-se em Teologia em 1951. Desde pequeno, Martin Luther King foi educado para não se sentir inferior aos brancos e para amá-los, mesmo vivenciando a brutalidade policial contra os negros e a injustiça dos tribunais.
Durante seus estudos no Crozer Theological Seminary, King amadureceu sua visão cristã do mundo e decidiu atuar na luta pelos direitos civis dos negros. Continuando seus estudos, King foi para a Boston University, a fim de fazer o doutorado em Teologia. Em Boston, conheceu Coretta Scott, com a qual se casou em 18 de junho de 1953, em Marion, Alabama. Martin Luther King e Coretta Scott tiveram quatro filhos: Yolanda Denise e Martin Luther III, nascidos respectivamente em 17 de novembro de 1955 e 23 de outubro de 1957, em Montgomery, Alabama; e Dexter Scott e Bernice Albertine, nascidos respectivamente em 30 de janeiro de 1961 e 28 de março de 1963, em Atlanta, Geórgia.
Em setembro de 1954, King aceitou o convite para assumir a posição de pastor na Dexter Avenue Baptist Church, em Montgomery, e no ano seguinte recebeu o Ph.D em Teologia pela Boston University. O ano de 1955 foi decisivo para a vida posterior de Martin Luther King. No final daquele ano, Rosa Parks, uma ativista dos direitos civis dos negros, se recusou a obedecer à segregação racial dentro dos ônibus de Montgomery.
Então, os moradores negros da cidade resolveram lançar um boicote contra essa segregação e King foi escolhido como presidente da associação criada para conduzir a ação. Durante o boicote, a casa de King foi atacada por bombas lançadas pelos defensores da \"supremacia branca\". Mesmo assim, o boicote durou 381 dias e foi um sucesso, já que a Corte Suprema declarou a inconstitucionalidade da lei de segregação racial dentro dos ônibus do Alabama.
Além dessa vitória, o boicote transformou Martin Luther King em uma figura conhecida nacionalmente por causa de sua atuação e de seus discursos contra o racismo e a favor da não-violência. Em 1957, ele, pastores e outros ativistas pelos direitos civis fundaram a Southern Christian Leadership Conference (SCLC), destinada a lutar pacificamente pelos direitos dos negros, principalmente pelo voto.
Escolhido como presidente, permaneceria no cargo até sua morte. Em 1958, lançou seu primeiro livro, Stride Toward Freedom: The Montgomery Story (Caminhando Para Liberdade: A história de Montgomery), no qual ele fez reflexões sobre o boicote aos ônibus. No ano seguinte, viajou para Índia, onde aprofundou sua compreensão das ações de não-violência de Ghandi. O sentimento de King é expresso em suas palavras: \"eu senti que essa era a única forma moral e prática para as pessoas oprimidas lutarem pela liberdade delas\".
Voltando da Índia, King deixou sua posição de pastor na Dexter Avenue Baptist Church e mudou-se para Atlanta, onde ficava a sede da SCLC e onde passou a ajudar seu pai como co-pastor da Igreja Batista Ebenezer. Mesmo sendo uma figura de ponta do movimento pelos direitos civis, King, cautelosamente, não promoveu nenhum protesto de massa após o boicote em Montgomery. Independentemente disso, os estudantes negros dos estados sulistas lançaram, no início de 1960, sucessivas greves que receberam seu apoio.
Em abril do mesmo ano, os estudantes fundaram o Student Nonviolent Coordinating Committee (SNCC) e King foi convidado para discursar. No entanto, a ligação entre King e os ativistas do SNCC terminou quando fizeram críticas ao trabalho dele. Por várias vezes, King tentou reduzir os desentendimentos entre a SCLC e o SNCC, mas percebeu que o movimento estudantil tinha sua própria dinâmica. Sem conseguir resolver os problemas com os estudantes do SNCC, King decidiu organizar manifestações sem a participação deles.
Em 1963, King e seus companheiros organizaram manifestações em Birmingham, Alabama, pedindo o fim da segregação existente em muitos estabelecimentos públicos daquela cidade. Durante as manifestações, os policiais usaram cachorros e bombas de gás contra os manifestantes, e King foi preso. Contudo, a ação policial teve um efeito contrário. O presidente John Kennedy reagiu aos acontecimentos de Birmingham e enviou ao Congresso uma legislação de direitos civis, que foi aprovada em 1964.
Em 28 de agosto de 1963, Martin Luther King realizou com mais de 200 mil pessoas a famosa \"Marcha para Washington\", quando proferiu seu mais famoso discurso, \"I have a dream\", no Lincoln Memorial, pedindo uma sociedade com igualdade racial. No início de 1964, King recebeu o título de \"Homem do Ano\" da revista \"Time\", e foi o primeiro negro a conseguir essa indicação. No mesmo ano, com 35 anos de idade, foi agraciado com o Prêmio Nobel da Paz, tornando-se o mais jovem a conquistá-lo. Segundo ele, o Nobel não significou apenas uma honra pessoal, mas o reconhecimento internacional ao movimento não-violento pelos direitos civis.
Martin Luther King também se manifestou contra a Guerra do Vietnã. Para ele, o dinheiro gasto na guerra poderia ser utilizado no combate à miséria e à discriminação. Além disso, achava que era uma hipocrisia lutar contra a violência racial e não lutar contra a violência da guerra. Por essa posição, acabou criticado por integrantes do governo e por outros líderes negros, que achavam que King desviava a atenção da opinião pública dos direitos civis.
Em 1965, King conseguiu outra vitória com a aprovação da Lei do Direito do Voto para os negros. Em 1968, ele planejava uma nova marcha para Washington, com o objetivo de despertar a opinião pública para a relação entre pobreza e violência urbana. Porém, antes ele viajou para Memphis, Tennessee, para apoiar uma greve dos trabalhadores de limpeza pública que recebiam péssimos salários.
Contudo, no dia 4 de abril de 1968, James Earl Ray assassinou Martin Luther King, na sacada do Motel Lorraine, onde estava hospedado. Sua morte provocou revoltas de negros em várias partes dos Estados Unidos. Em 1986, o Congresso Federal dos Estados Unidos estabeleceu um feriado nacional em homenagem a Martin Luther King, com comemoração na terceira segunda-feira de janeiro.
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Martin Luther King Jr. nasceu ao meio-dia de 15 de janeiro de 1929, em Atlanta, Geórgia. Filho de um pastor da Igreja Batista Ebenezer e de Alberta Williams King, uma professora, teve mais dois irmãos, Christine, a primogênita, e Alfred Daniel, o caçula. Antes de atingir seis anos, a idade mínima para freqüentar uma escola primária, foi matriculado por seus pais na Yonge Street Elementary School. Descoberto, foi obrigado a abandonar a escola até atingir a idade mínima.
Ao completar seis anos, foi matriculado na David T. Howard Elementary School. King também estudou na Atlanta University Laboratory School e Booker T. Washington High School. Mesmo sem terminar seus estudos secundários na Booker T. Washington High School, foi admitido, aos 15 anos, para o bacharelado em Sociologia, na Morehouse College, por causa de seu excelente desempenho intelectual.
Em 1948, aos 19 anos, King bacharelou-se em Sociologia. Nessa mesma época, optou por seguir a carreira de seu pai e de seu avô materno, Adam Daniel Williams, ambos pastores da Igreja Batista Ebenezer. Matriculou-se, então, no Crozer Theological Seminary, em Chester, Pensilvânia, graduando-se em Teologia em 1951. Desde pequeno, Martin Luther King foi educado para não se sentir inferior aos brancos e para amá-los, mesmo vivenciando a brutalidade policial contra os negros e a injustiça dos tribunais.
Durante seus estudos no Crozer Theological Seminary, King amadureceu sua visão cristã do mundo e decidiu atuar na luta pelos direitos civis dos negros. Continuando seus estudos, King foi para a Boston University, a fim de fazer o doutorado em Teologia. Em Boston, conheceu Coretta Scott, com a qual se casou em 18 de junho de 1953, em Marion, Alabama. Martin Luther King e Coretta Scott tiveram quatro filhos: Yolanda Denise e Martin Luther III, nascidos respectivamente em 17 de novembro de 1955 e 23 de outubro de 1957, em Montgomery, Alabama; e Dexter Scott e Bernice Albertine, nascidos respectivamente em 30 de janeiro de 1961 e 28 de março de 1963, em Atlanta, Geórgia.
Em setembro de 1954, King aceitou o convite para assumir a posição de pastor na Dexter Avenue Baptist Church, em Montgomery, e no ano seguinte recebeu o Ph.D em Teologia pela Boston University. O ano de 1955 foi decisivo para a vida posterior de Martin Luther King. No final daquele ano, Rosa Parks, uma ativista dos direitos civis dos negros, se recusou a obedecer à segregação racial dentro dos ônibus de Montgomery.
Então, os moradores negros da cidade resolveram lançar um boicote contra essa segregação e King foi escolhido como presidente da associação criada para conduzir a ação. Durante o boicote, a casa de King foi atacada por bombas lançadas pelos defensores da \"supremacia branca\". Mesmo assim, o boicote durou 381 dias e foi um sucesso, já que a Corte Suprema declarou a inconstitucionalidade da lei de segregação racial dentro dos ônibus do Alabama.
Além dessa vitória, o boicote transformou Martin Luther King em uma figura conhecida nacionalmente por causa de sua atuação e de seus discursos contra o racismo e a favor da não-violência. Em 1957, ele, pastores e outros ativistas pelos direitos civis fundaram a Southern Christian Leadership Conference (SCLC), destinada a lutar pacificamente pelos direitos dos negros, principalmente pelo voto.
Escolhido como presidente, permaneceria no cargo até sua morte. Em 1958, lançou seu primeiro livro, Stride Toward Freedom: The Montgomery Story (Caminhando Para Liberdade: A história de Montgomery), no qual ele fez reflexões sobre o boicote aos ônibus. No ano seguinte, viajou para Índia, onde aprofundou sua compreensão das ações de não-violência de Ghandi. O sentimento de King é expresso em suas palavras: \"eu senti que essa era a única forma moral e prática para as pessoas oprimidas lutarem pela liberdade delas\".
Voltando da Índia, King deixou sua posição de pastor na Dexter Avenue Baptist Church e mudou-se para Atlanta, onde ficava a sede da SCLC e onde passou a ajudar seu pai como co-pastor da Igreja Batista Ebenezer. Mesmo sendo uma figura de ponta do movimento pelos direitos civis, King, cautelosamente, não promoveu nenhum protesto de massa após o boicote em Montgomery. Independentemente disso, os estudantes negros dos estados sulistas lançaram, no início de 1960, sucessivas greves que receberam seu apoio.
Em abril do mesmo ano, os estudantes fundaram o Student Nonviolent Coordinating Committee (SNCC) e King foi convidado para discursar. No entanto, a ligação entre King e os ativistas do SNCC terminou quando fizeram críticas ao trabalho dele. Por várias vezes, King tentou reduzir os desentendimentos entre a SCLC e o SNCC, mas percebeu que o movimento estudantil tinha sua própria dinâmica. Sem conseguir resolver os problemas com os estudantes do SNCC, King decidiu organizar manifestações sem a participação deles.
Em 1963, King e seus companheiros organizaram manifestações em Birmingham, Alabama, pedindo o fim da segregação existente em muitos estabelecimentos públicos daquela cidade. Durante as manifestações, os policiais usaram cachorros e bombas de gás contra os manifestantes, e King foi preso. Contudo, a ação policial teve um efeito contrário. O presidente John Kennedy reagiu aos acontecimentos de Birmingham e enviou ao Congresso uma legislação de direitos civis, que foi aprovada em 1964.
Em 28 de agosto de 1963, Martin Luther King realizou com mais de 200 mil pessoas a famosa \"Marcha para Washington\", quando proferiu seu mais famoso discurso, \"I have a dream\", no Lincoln Memorial, pedindo uma sociedade com igualdade racial. No início de 1964, King recebeu o título de \"Homem do Ano\" da revista \"Time\", e foi o primeiro negro a conseguir essa indicação. No mesmo ano, com 35 anos de idade, foi agraciado com o Prêmio Nobel da Paz, tornando-se o mais jovem a conquistá-lo. Segundo ele, o Nobel não significou apenas uma honra pessoal, mas o reconhecimento internacional ao movimento não-violento pelos direitos civis.
Martin Luther King também se manifestou contra a Guerra do Vietnã. Para ele, o dinheiro gasto na guerra poderia ser utilizado no combate à miséria e à discriminação. Além disso, achava que era uma hipocrisia lutar contra a violência racial e não lutar contra a violência da guerra. Por essa posição, acabou criticado por integrantes do governo e por outros líderes negros, que achavam que King desviava a atenção da opinião pública dos direitos civis.
Em 1965, King conseguiu outra vitória com a aprovação da Lei do Direito do Voto para os negros. Em 1968, ele planejava uma nova marcha para Washington, com o objetivo de despertar a opinião pública para a relação entre pobreza e violência urbana. Porém, antes ele viajou para Memphis, Tennessee, para apoiar uma greve dos trabalhadores de limpeza pública que recebiam péssimos salários.
Contudo, no dia 4 de abril de 1968, James Earl Ray assassinou Martin Luther King, na sacada do Motel Lorraine, onde estava hospedado. Sua morte provocou revoltas de negros em várias partes dos Estados Unidos. Em 1986, o Congresso Federal dos Estados Unidos estabeleceu um feriado nacional em homenagem a Martin Luther King, com comemoração na terceira segunda-feira de janeiro.
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MARECHAL RONDON
\"MORRER SE PRECISO FOR, MATAR
NUNCA\"
Marechal Rondon (1865-1958), cujo nome completo era Cândido Mariano da Silva Rondon, foi militar e sertanista brasileiro; nasceu em Morro Redondo, Mato Grosso. Órfão desde os dois anos, viveu com os avós até os sete, quando se mudou para Cuiabá, onde passou a viver com um tio e iniciou seus estudos.
Aos 16 anos, foi diplomado professor primário (Ensino Fundamental) pelo Liceu Cuiabano. Em seguida, ingressou na carreira militar como soldado do 3º Regimento de Artilharia a Cavalo. Pouco depois, mudou-se para o Rio de Janeiro onde, em 1883, matriculou-se na Escola Militar. Em 1890, recebeu o diploma de bacharel em Matemática e Ciências Físicas e Naturais da Escola Superior de Guerra do Brasil. Ainda estudante, teve participação nos movimentos abolicionista e republicano. Formado, foi nomeado professor de Astronomia e Mecânica da Escola Militar, cargo do qual se afastou em 1892.
Ainda em 1892, em 1º de fevereiro, casou-se com D. Francisca Xavier, com quem teve sete filhos, e foi nomeado chefe do Distrito Telegráfico de Mato Grosso. Foi então designado para a Comissão de Construção da linha telegráfica que ligaria Mato Grosso e Goiás. Essa primeira missão marcaria para sempre a vida do jovem oficial, e de todo o país que ele serviu com amor, serenidade e senso de justiça.
O novo governo republicano estava preocupado com o grande isolamento das regiões mais ocidentais do país, particularmente nas fronteiras com o Paraguai e a Bolívia, por isso decidira construir linhas telegráficas que melhorassem as comunicações com o centro-oeste e o longínquo norte. Rondon foi o mais importante dos sertanistas que desbravaram esses rincões.
Abriu caminhos, lançou linhas telegráficas, registrou sua topografia, descobriu rios, estudou a flora e a fauna; mas, principalmente, estabeleceu relações respeitosas e desmistificou a imagem de violentos, assassinos e até antropófagos, que se construíra em torno dos primitivos habitantes destas terras: os índios. Foi sua visão humanista que permitiu que as missões de desbravamentos e construções fossem realizadas em paz, sem combates fratricidas, e que não sendo assim poderiam ter acabado em missões genocidas.
Entre outras nações indígenas, Rondon manteve contatos pacíficos com os Bororo, Nhambiquara, Urupá, Jaru, Karipuna, Ariqueme, Boca Negra, Pacaás Novo, Macuporé, Guaraya, Macurape, etc. Nessa imensa e desconhecida região, realizou sua grande obra de militar. Estudioso, sertanista e grande ser humano.
Entre 1892 e 1898, ajudou a construir as linhas telegráficas de Mato Grosso a Goiás, entre Cuiabá e o Araguaia, e uma estrada de Cuiabá a Goiás. Entre 1900 e 1906, dirigiu a construção de mais uma linha telegráfica, entre Cuiabá e Corumbá, alcançando as fronteiras de Paraguai e Bolívia. Em 1906, encontrou as ruínas do Real Forte Príncipe da Beira, a maior relíquia histórica de Rondônia.
Em 1907, no posto de major do Corpo de Engenheiros Militares, foi nomeado chefe da comissão que deveria construir a linha telegráfica de Cuiabá a Santo Antonio do Madeira, a primeira a alcançar a região amazônica, e que foi denominada \"Comissão Rondon\". Seus trabalhos desenvolveram-se de 1907 a 1915. Assim, simultaneamente, já que a construção da Estrada de Ferro Madeira Mamoré deu-se entre 1907 e 1912, aconteciam dois dos fatos mais importantes para o conhecimento e a ocupação econômica do espaço físico que à época era parte do Mato Grosso, e hoje constitui o estado de Rondônia.
A EFMM no sentido leste-oeste, e a linha do telégrafo no sentido sul-norte. Difícil dizer qual o feito mais grandioso. Os trabalhos exploratórios da Comissão Rondon, quando foram estudados e registrados fatos novos nos ramos da geografia, biologia (fauna e flora) e antropologia, na região então desconhecida, dividiram-se em três expedições:
- A 1ª expedição, entre setembro e novembro de 1907, reconheceu 1.781 km entre Cuiabá e o rio Juruena;
- A 2ª expedição ocorreu em 1908 e foi a mais numerosa, envolvendo 127 membros. Foi encerrada às margens de um rio denominado 12 de outubro (data de encerramento da expedição), tendo reconhecido 1.653 km entre o rio Juruena e a Serra do Norte;
- A 3ª expedição, com 42 homens, foi realizada de maio a dezembro 1909, vindo da serra do Norte ao rio Madeira, que alcançou em 25 de dezembro, atravessando toda a atual Rondônia.
Estabeleceu relações amistosas com os índios parecis e aproximou-se dos nhambiquaras. No Amazonas, Rondon protegeu os índios parintintins, perseguidos e explorados por seringueiros da região. Através de suas expedições pelo interior do país, Rondon estabeleceu uma convivência amigável com inúmeros grupos indígenas, estudou-os e lutou por uma política de valorização dos índios e pela criação do Serviço de Proteção ao Índio (SPI).
Essa entidade governamental tinha a função de defender os índios contra o extermínio e a opressão, dando-lhes meios para adotar as artes e as indústrias da sociedade brasileira. Foi criada em setembro de 1910 (SPI) e Cândido Rondon foi seu primeiro diretor, de 1910 a 1930. Em 12 de outubro de 1911, inaugurou a estação telegráfica de Vilhena, na fronteira dos atuais estados de Mato Grosso e Rondônia.
Em 13 de junho de 1912, inaugurou nova estação telegráfica, a 80 km de Vilhena, que recebeu seu nome. De maio de 1913 a maio de 1914, participou da denominada expedição Roosevelt-Rondon, junto com o ex-presidente dos Estados Unidos da América, Theodore Roosevelt. Realizou novos estudos e descobertas na região.
Durante o ano de 1914, a Comissão Rondon construiu, em oito meses, no espaço físico de Rondônia, 372 km de linhas e cinco estações telegráficas: Pimenta Bueno, Presidente Hermes, Presidente Pena (mais tarde Vila de Rondônia, atualmente Ji Paraná), Jaru e Ariquemes (a 200km de porto Velho).
Em 1º de janeiro de 1915, inaugurou a estação telegráfica de Santo Antonio do Madeira, concluindo a gigantesca missão que lhe fora conferida. Já General de Brigada, em 20 de setembro de 1919, foi nomeado Diretor de Engenharia do Exército, cargo que ocupou até 1924. Em 1930, preso no Rio Grande do Sul pelos revolucionários que destituíram Washington Luís e levaram Getúlio Vargas ao poder, pediu reforma do exército.
Em 1957, foi indicado para o prêmio Nobel da Paz, pelo Explorer\'s Club, de New York. Entre julho de 1934 e julho de 1938, presidiu missão diplomática que lhe fora confiada pelo Governo do Brasil, mediando e arbitrando o conflito que se estabelecera entre o Peru e a Colômbia pela posse do porto de Letícia. Ao encerrar sua missão, tendo estabelecido um acordo de paz, estava quase cego. Em 5 de maio de 1955, data de seu aniversário de 90 anos, recebeu o título de Marechal do Exército Brasileiro, concedido pelo Congresso Nacional. Morreu no Rio de Janeiro, aos 92 anos, em 19 de janeiro de 1958.
Marechal Rondon (1865-1958), cujo nome completo era Cândido Mariano da Silva Rondon, foi militar e sertanista brasileiro; nasceu em Morro Redondo, Mato Grosso. Órfão desde os dois anos, viveu com os avós até os sete, quando se mudou para Cuiabá, onde passou a viver com um tio e iniciou seus estudos.
Aos 16 anos, foi diplomado professor primário (Ensino Fundamental) pelo Liceu Cuiabano. Em seguida, ingressou na carreira militar como soldado do 3º Regimento de Artilharia a Cavalo. Pouco depois, mudou-se para o Rio de Janeiro onde, em 1883, matriculou-se na Escola Militar. Em 1890, recebeu o diploma de bacharel em Matemática e Ciências Físicas e Naturais da Escola Superior de Guerra do Brasil. Ainda estudante, teve participação nos movimentos abolicionista e republicano. Formado, foi nomeado professor de Astronomia e Mecânica da Escola Militar, cargo do qual se afastou em 1892.
Ainda em 1892, em 1º de fevereiro, casou-se com D. Francisca Xavier, com quem teve sete filhos, e foi nomeado chefe do Distrito Telegráfico de Mato Grosso. Foi então designado para a Comissão de Construção da linha telegráfica que ligaria Mato Grosso e Goiás. Essa primeira missão marcaria para sempre a vida do jovem oficial, e de todo o país que ele serviu com amor, serenidade e senso de justiça.
O novo governo republicano estava preocupado com o grande isolamento das regiões mais ocidentais do país, particularmente nas fronteiras com o Paraguai e a Bolívia, por isso decidira construir linhas telegráficas que melhorassem as comunicações com o centro-oeste e o longínquo norte. Rondon foi o mais importante dos sertanistas que desbravaram esses rincões.
Abriu caminhos, lançou linhas telegráficas, registrou sua topografia, descobriu rios, estudou a flora e a fauna; mas, principalmente, estabeleceu relações respeitosas e desmistificou a imagem de violentos, assassinos e até antropófagos, que se construíra em torno dos primitivos habitantes destas terras: os índios. Foi sua visão humanista que permitiu que as missões de desbravamentos e construções fossem realizadas em paz, sem combates fratricidas, e que não sendo assim poderiam ter acabado em missões genocidas.
Entre outras nações indígenas, Rondon manteve contatos pacíficos com os Bororo, Nhambiquara, Urupá, Jaru, Karipuna, Ariqueme, Boca Negra, Pacaás Novo, Macuporé, Guaraya, Macurape, etc. Nessa imensa e desconhecida região, realizou sua grande obra de militar. Estudioso, sertanista e grande ser humano.
Entre 1892 e 1898, ajudou a construir as linhas telegráficas de Mato Grosso a Goiás, entre Cuiabá e o Araguaia, e uma estrada de Cuiabá a Goiás. Entre 1900 e 1906, dirigiu a construção de mais uma linha telegráfica, entre Cuiabá e Corumbá, alcançando as fronteiras de Paraguai e Bolívia. Em 1906, encontrou as ruínas do Real Forte Príncipe da Beira, a maior relíquia histórica de Rondônia.
Em 1907, no posto de major do Corpo de Engenheiros Militares, foi nomeado chefe da comissão que deveria construir a linha telegráfica de Cuiabá a Santo Antonio do Madeira, a primeira a alcançar a região amazônica, e que foi denominada \"Comissão Rondon\". Seus trabalhos desenvolveram-se de 1907 a 1915. Assim, simultaneamente, já que a construção da Estrada de Ferro Madeira Mamoré deu-se entre 1907 e 1912, aconteciam dois dos fatos mais importantes para o conhecimento e a ocupação econômica do espaço físico que à época era parte do Mato Grosso, e hoje constitui o estado de Rondônia.
A EFMM no sentido leste-oeste, e a linha do telégrafo no sentido sul-norte. Difícil dizer qual o feito mais grandioso. Os trabalhos exploratórios da Comissão Rondon, quando foram estudados e registrados fatos novos nos ramos da geografia, biologia (fauna e flora) e antropologia, na região então desconhecida, dividiram-se em três expedições:
- A 1ª expedição, entre setembro e novembro de 1907, reconheceu 1.781 km entre Cuiabá e o rio Juruena;
- A 2ª expedição ocorreu em 1908 e foi a mais numerosa, envolvendo 127 membros. Foi encerrada às margens de um rio denominado 12 de outubro (data de encerramento da expedição), tendo reconhecido 1.653 km entre o rio Juruena e a Serra do Norte;
- A 3ª expedição, com 42 homens, foi realizada de maio a dezembro 1909, vindo da serra do Norte ao rio Madeira, que alcançou em 25 de dezembro, atravessando toda a atual Rondônia.
Estabeleceu relações amistosas com os índios parecis e aproximou-se dos nhambiquaras. No Amazonas, Rondon protegeu os índios parintintins, perseguidos e explorados por seringueiros da região. Através de suas expedições pelo interior do país, Rondon estabeleceu uma convivência amigável com inúmeros grupos indígenas, estudou-os e lutou por uma política de valorização dos índios e pela criação do Serviço de Proteção ao Índio (SPI).
Essa entidade governamental tinha a função de defender os índios contra o extermínio e a opressão, dando-lhes meios para adotar as artes e as indústrias da sociedade brasileira. Foi criada em setembro de 1910 (SPI) e Cândido Rondon foi seu primeiro diretor, de 1910 a 1930. Em 12 de outubro de 1911, inaugurou a estação telegráfica de Vilhena, na fronteira dos atuais estados de Mato Grosso e Rondônia.
Em 13 de junho de 1912, inaugurou nova estação telegráfica, a 80 km de Vilhena, que recebeu seu nome. De maio de 1913 a maio de 1914, participou da denominada expedição Roosevelt-Rondon, junto com o ex-presidente dos Estados Unidos da América, Theodore Roosevelt. Realizou novos estudos e descobertas na região.
Durante o ano de 1914, a Comissão Rondon construiu, em oito meses, no espaço físico de Rondônia, 372 km de linhas e cinco estações telegráficas: Pimenta Bueno, Presidente Hermes, Presidente Pena (mais tarde Vila de Rondônia, atualmente Ji Paraná), Jaru e Ariquemes (a 200km de porto Velho).
Em 1º de janeiro de 1915, inaugurou a estação telegráfica de Santo Antonio do Madeira, concluindo a gigantesca missão que lhe fora conferida. Já General de Brigada, em 20 de setembro de 1919, foi nomeado Diretor de Engenharia do Exército, cargo que ocupou até 1924. Em 1930, preso no Rio Grande do Sul pelos revolucionários que destituíram Washington Luís e levaram Getúlio Vargas ao poder, pediu reforma do exército.
Em 1957, foi indicado para o prêmio Nobel da Paz, pelo Explorer\'s Club, de New York. Entre julho de 1934 e julho de 1938, presidiu missão diplomática que lhe fora confiada pelo Governo do Brasil, mediando e arbitrando o conflito que se estabelecera entre o Peru e a Colômbia pela posse do porto de Letícia. Ao encerrar sua missão, tendo estabelecido um acordo de paz, estava quase cego. Em 5 de maio de 1955, data de seu aniversário de 90 anos, recebeu o título de Marechal do Exército Brasileiro, concedido pelo Congresso Nacional. Morreu no Rio de Janeiro, aos 92 anos, em 19 de janeiro de 1958.

DESMOND TUTU
\\\"É PRECISO LIBERDADE PARA
CHEGAR À PAZ\\\"
Religioso e pacifista sul-africano. Defensor dos direitos humanos, destacou-se por sua notável influência política e religiosa como adversário não-violento do regime racista do país. Seu pai era um professor, e ele mesmo foi educado na High School Bantu de Joanesburgo.
Após sair da escola iniciou sua atividade como professor na faculdade Bantu de Pretoria e em 1954 graduou-se na universidade da África do Sul. Estudou Teologia em 1960. Os anos 1962-66 foram devotados a um estudo de teologia mais avançado, na Inglaterra, tornando-se mestre em Teologia.
De 1967 a 1972 ensinou teologia na África sul. Foi por três anos diretor assistente de um instituto de teologia em Londres. Em 1975 foi apontado decano da catedral do St. Mary em Joanesburgo. Tutu se tornou doutor das principais universidades dos EUA, Grã-Bretanha e na Alemanha.
Desmond Tutu formulou seu objetivo como \\\"uma sociedade democrática e justa sem divisões raciais\\\", e defendeu os seguintes pontos: - Direitos civis iguais para todos; - Um sistema comum de educação; - O fim da deportação forçada da África sul aos \\\"homelands so-called\\\". Desmond Tutu foi arcebispo sul-africano, ativista dos direitos civis.
Em 1984, recebeu o Prêmio Nobel da Paz em reconhecimento à sua luta pacífica contra o apartheid, pelo trabalho que realizou na cruzada pacífica contra as medidas de segregação racial do seu país. Foi nomeado arcebispo da Cidade do Cabo e líder da Igreja Anglicana da África do Sul em 1986, cargo do qual se afastou dez anos depois.
Foi o primeiro sacerdote sul-africano negro, nomeado secretário-geral do Conselho das Igrejas Sul-africano, reiniciou suas atividades pastorais depois do estabelecimento de uma república multirracial (1994). Em abril de 1996, abriu a Comissão de Verdade e Reconciliação, criada para investigar os crimes de segregação racial cometidos no país.
Em visita à África do Sul, o Papa João Paulo II pediu desculpas ao Bispo Tutu pela escravidão dos negros imposta pelos cristãos, e o compositor brasileiro Gilberto Gil musicou este momento, compondo a canção \\\"Oração pela África do Sul\\\" e cantou como reggae: \\\"Até o Papa já pediu perdão - salve a batina do Bispo Tutu\\\".
Religioso e pacifista sul-africano. Defensor dos direitos humanos, destacou-se por sua notável influência política e religiosa como adversário não-violento do regime racista do país. Seu pai era um professor, e ele mesmo foi educado na High School Bantu de Joanesburgo.
Após sair da escola iniciou sua atividade como professor na faculdade Bantu de Pretoria e em 1954 graduou-se na universidade da África do Sul. Estudou Teologia em 1960. Os anos 1962-66 foram devotados a um estudo de teologia mais avançado, na Inglaterra, tornando-se mestre em Teologia.
De 1967 a 1972 ensinou teologia na África sul. Foi por três anos diretor assistente de um instituto de teologia em Londres. Em 1975 foi apontado decano da catedral do St. Mary em Joanesburgo. Tutu se tornou doutor das principais universidades dos EUA, Grã-Bretanha e na Alemanha.
Desmond Tutu formulou seu objetivo como \\\"uma sociedade democrática e justa sem divisões raciais\\\", e defendeu os seguintes pontos: - Direitos civis iguais para todos; - Um sistema comum de educação; - O fim da deportação forçada da África sul aos \\\"homelands so-called\\\". Desmond Tutu foi arcebispo sul-africano, ativista dos direitos civis.
Em 1984, recebeu o Prêmio Nobel da Paz em reconhecimento à sua luta pacífica contra o apartheid, pelo trabalho que realizou na cruzada pacífica contra as medidas de segregação racial do seu país. Foi nomeado arcebispo da Cidade do Cabo e líder da Igreja Anglicana da África do Sul em 1986, cargo do qual se afastou dez anos depois.
Foi o primeiro sacerdote sul-africano negro, nomeado secretário-geral do Conselho das Igrejas Sul-africano, reiniciou suas atividades pastorais depois do estabelecimento de uma república multirracial (1994). Em abril de 1996, abriu a Comissão de Verdade e Reconciliação, criada para investigar os crimes de segregação racial cometidos no país.
Em visita à África do Sul, o Papa João Paulo II pediu desculpas ao Bispo Tutu pela escravidão dos negros imposta pelos cristãos, e o compositor brasileiro Gilberto Gil musicou este momento, compondo a canção \\\"Oração pela África do Sul\\\" e cantou como reggae: \\\"Até o Papa já pediu perdão - salve a batina do Bispo Tutu\\\".

MIKHAIL SERGEYEVICH GORBACHEV
\"A HISTÓRIA QUIS QUE EU
AJUDASSE O MUNDO A SE LIVRAR DA AMEAÇA NUCLEAR\"
Como chefe do governo soviético a partir de 1985, Gorbatchev liderou radicais transformações políticas e sociais que resultaram na dissolução da União Soviética, no fim do regime comunista e na adoção da economia de mercado no leste europeu. Mikhaïl Sergeieyevich Gorbatchev nasceu em 2 de março de 1931, em Privolie, sudoeste da Rússia. Filho de camponeses, aderiu à Juventude Comunista em 1946.
Em 1952, ingressou no curso de direito da Universidade Estadual de Moscou e no Partido Comunista. Formou-se em 1955 e ocupou vários cargos em organizações partidárias de sua terra natal, e depois em Moscou. Em 1971, passou a integrar o Comitê Central do partido e, oito anos mais tarde, tornou-se membro do Politburo, máxima instância política do partido. Sua influência cresceu muito entre 1982 e 1985, durante os governos de Iuri Andropov e Konstantin Tchernenko.
Após a morte deste, em 10 de março de 1985, Gorbatchev foi eleito secretário-geral do partido e assumiu o governo soviético. O novo líder oxigenou a máquina partidária e procurou ativar a estagnada economia da União Soviética, para o que recorreu à modernização tecnológica, aumentou a produtividade, procurou melhorar a eficiência da burocracia estatal e ampliou a livre discussão dos problemas nacionais.
Em 1987, aprofundou a política de reformas chamada glasnost (abertura), que aqueceu a vida cultural, ampliou a liberdade de imprensa e informação e varreu os últimos vestígios do stalinismo. A Perestroika (reestruturação) implantou alguns mecanismos de mercado, como responsabilizar as indústrias por sua própria produção e situação financeira, pela extinção de subsídios e diretrizes de Moscou.
Ainda em 1987, Gorbatchev assinou com os Estados Unidos um tratado que previa a destruição dos mísseis de médio alcance, e em 1988 ordenou a retirada das tropas soviéticas que ocupavam o Afeganistão desde 1979. Uma reforma constitucional criou um novo Parlamento bicameral, o Congresso dos Deputados do Povo, integrado em parte por membros eleitos pelo voto direto.
Em 1989, eleito presidente do Soviete Supremo (órgão legislativo superior) e presidente da União Soviética, reconheceu o fim dos regimes comunistas dos países do leste europeu e retirou gradualmente as tropas soviéticas lá estacionadas.
Em 1990, concordou com a reunificação da Alemanha e, por suas realizações na área das relações internacionais, recebeu o Prêmio Nobel da paz. Gorbatchev enfrentou o descontentamento de muitas repúblicas soviéticas, como o Azerbaijão, a Geórgia e a Lituânia, e usou a força militar para mantê-las sob controle soviético, à espera de que mecanismos constitucionais facilitassem eventuais desmembramentos.
Apesar de conduzir com êxito as reformas políticas, não conseguiu evitar o colapso da economia soviética. A mistura de liberalismo econômico e modo de produção socialista provocou uma desorganização econômica, cuja pior conseqüência foi a escassez de produtos essenciais. Acumulava os cargos de presidente executivo, presidente do Conselho Presidencial e do Conselho de Defesa, secretário-geral do Partido Comunista e comandante supremo das forças armadas.
No final de 1990, buscou aliados entre os conservadores. Em agosto de 1991, um fracassado golpe de estado da linha dura do partido manteve Gorbatchev e sua família em prisão domiciliar por três dias, até que a resistência dos reformistas, liderados pelo presidente da Rússia, Boris Yeltsin, o reconduziu ao governo. Gorbatchev abandonou, então, o partido; dissolveu o Comitê Central e subtraiu a polícia política e as forças armadas ao controle partidário.
Com a consolidação da liderança de Yeltsin, Gorbatchev foi obrigado a deixar o governo, ainda em 1991. Desde então, dedicou-se a fazer conferências pelo mundo e a presidir um instituto de estudos políticos em Moscou.
Como chefe do governo soviético a partir de 1985, Gorbatchev liderou radicais transformações políticas e sociais que resultaram na dissolução da União Soviética, no fim do regime comunista e na adoção da economia de mercado no leste europeu. Mikhaïl Sergeieyevich Gorbatchev nasceu em 2 de março de 1931, em Privolie, sudoeste da Rússia. Filho de camponeses, aderiu à Juventude Comunista em 1946.
Em 1952, ingressou no curso de direito da Universidade Estadual de Moscou e no Partido Comunista. Formou-se em 1955 e ocupou vários cargos em organizações partidárias de sua terra natal, e depois em Moscou. Em 1971, passou a integrar o Comitê Central do partido e, oito anos mais tarde, tornou-se membro do Politburo, máxima instância política do partido. Sua influência cresceu muito entre 1982 e 1985, durante os governos de Iuri Andropov e Konstantin Tchernenko.
Após a morte deste, em 10 de março de 1985, Gorbatchev foi eleito secretário-geral do partido e assumiu o governo soviético. O novo líder oxigenou a máquina partidária e procurou ativar a estagnada economia da União Soviética, para o que recorreu à modernização tecnológica, aumentou a produtividade, procurou melhorar a eficiência da burocracia estatal e ampliou a livre discussão dos problemas nacionais.
Em 1987, aprofundou a política de reformas chamada glasnost (abertura), que aqueceu a vida cultural, ampliou a liberdade de imprensa e informação e varreu os últimos vestígios do stalinismo. A Perestroika (reestruturação) implantou alguns mecanismos de mercado, como responsabilizar as indústrias por sua própria produção e situação financeira, pela extinção de subsídios e diretrizes de Moscou.
Ainda em 1987, Gorbatchev assinou com os Estados Unidos um tratado que previa a destruição dos mísseis de médio alcance, e em 1988 ordenou a retirada das tropas soviéticas que ocupavam o Afeganistão desde 1979. Uma reforma constitucional criou um novo Parlamento bicameral, o Congresso dos Deputados do Povo, integrado em parte por membros eleitos pelo voto direto.
Em 1989, eleito presidente do Soviete Supremo (órgão legislativo superior) e presidente da União Soviética, reconheceu o fim dos regimes comunistas dos países do leste europeu e retirou gradualmente as tropas soviéticas lá estacionadas.
Em 1990, concordou com a reunificação da Alemanha e, por suas realizações na área das relações internacionais, recebeu o Prêmio Nobel da paz. Gorbatchev enfrentou o descontentamento de muitas repúblicas soviéticas, como o Azerbaijão, a Geórgia e a Lituânia, e usou a força militar para mantê-las sob controle soviético, à espera de que mecanismos constitucionais facilitassem eventuais desmembramentos.
Apesar de conduzir com êxito as reformas políticas, não conseguiu evitar o colapso da economia soviética. A mistura de liberalismo econômico e modo de produção socialista provocou uma desorganização econômica, cuja pior conseqüência foi a escassez de produtos essenciais. Acumulava os cargos de presidente executivo, presidente do Conselho Presidencial e do Conselho de Defesa, secretário-geral do Partido Comunista e comandante supremo das forças armadas.
No final de 1990, buscou aliados entre os conservadores. Em agosto de 1991, um fracassado golpe de estado da linha dura do partido manteve Gorbatchev e sua família em prisão domiciliar por três dias, até que a resistência dos reformistas, liderados pelo presidente da Rússia, Boris Yeltsin, o reconduziu ao governo. Gorbatchev abandonou, então, o partido; dissolveu o Comitê Central e subtraiu a polícia política e as forças armadas ao controle partidário.
Com a consolidação da liderança de Yeltsin, Gorbatchev foi obrigado a deixar o governo, ainda em 1991. Desde então, dedicou-se a fazer conferências pelo mundo e a presidir um instituto de estudos políticos em Moscou.

SATHYA SAI BABA
\"AS MÃOS QUE AUXILIAM FAZENDO
PAZ SÃO MAIS SANTAS QUE OS LÁBIOS QUE REZAM\"
Sathya Sai Baba nasceu em 23 de novembro de 1926, numa pequena vila chamada Puttaparthi, no sul da Índia, estado de Andhra Pradesh. Ele reside lá ainda hoje, recebendo milhares de visitantes do mundo inteiro em sua comunidade espiritual (ashram), chamada Prasanthi Nilayam, que significa \"Morada da Paz Suprema\".
Sathya Sai Baba nasceu em 23 de novembro de 1926, numa pequena vila chamada Puttaparthi, no sul da Índia, estado de Andhra Pradesh. Ele reside lá ainda hoje, recebendo milhares de visitantes do mundo inteiro em sua comunidade espiritual (ashram), chamada Prasanthi Nilayam, que significa \"Morada da Paz Suprema\".

STEVE BIKO
\"O GESTO DE VIOLÊNCIA DE UM
ADULTO NÃO MERECE O SORRISO DE UMA CRIANÇA\"
Steve Bantu Biko nasceu em 18 de dezembro de 1946 na cidade de King William�s Town, próximo da Cidade do Cabo, na África do Sul. Em 1966 ingressou no curso de Medicina da Universidade de Natal onde começou a atividade política. Em 1967 participou ativamente do movimento estudantil, destacando-se nas conferências devido a sua inteligência e poder de argumentação. Fundou e foi o primeiro presidente da OESA � Organização dos Estudantes da África do Sul (South African Students\' Organisation).
Foi um dos grandes idealizadores e articuladores do Movimento de Consciência Negra, que objetivava o resgate da auto-estima e dos valores ancestrais do seu povo, preparando-os para o combate ao sistema de opressão e submissão a que estavam subjugados. Em 1972, tornou-se presidente honorário da Convenção dos Negros (Black People\'s Convention).
Foi um dos principais líderes sul-africanos, juntamente com Nelson Mandela. Deixou um legado de luta calcado no Movimento de Consciência Negra e no desenvolvimento dos Programas de Assistência à Comunidade, voltado para atender às necessidades básicas de sua gente.
Em 6 de setembro de 1977 foi preso em bloqueio rodoviário organizado pela polícia. Levado sob custódia, foi acorrentado às grades de uma janela da penitenciária durante um dia inteiro, torturado durante quase 24 horas, sofreu grave traumatismo craniano. Em 11 de setembro, foi embarcado em veículo policial para transporte para outra prisão. Biko morreu durante o trajeto e a polícia alegou que a morte se devera a \"prolongada greve de fome empreendida pelo prisioneiro\".
Em 7 de outubro de 2003, autoridades do Ministério Público Sul-africano anunciaram que os cinco policiais envolvidos no assassinato de Biko não seriam processados, devido a falta de provas. Alegaram também que a acusação de assassinato não se sustentaria por não haver testemunhas dos atos supostamente cometidos contra Biko. Levou-se em consideração a possibilidade de acusar os envolvidos por Lesão Corporal seguida de morte, mas como os fatos ocorreram em 1977, tal crime teria prescrito (não seria mais passível de processo criminal) segundo as leis do país.
[Fonte: wikipedia (adaptado); Escol@24horas]
Steve Bantu Biko nasceu em 18 de dezembro de 1946 na cidade de King William�s Town, próximo da Cidade do Cabo, na África do Sul. Em 1966 ingressou no curso de Medicina da Universidade de Natal onde começou a atividade política. Em 1967 participou ativamente do movimento estudantil, destacando-se nas conferências devido a sua inteligência e poder de argumentação. Fundou e foi o primeiro presidente da OESA � Organização dos Estudantes da África do Sul (South African Students\' Organisation).
Foi um dos grandes idealizadores e articuladores do Movimento de Consciência Negra, que objetivava o resgate da auto-estima e dos valores ancestrais do seu povo, preparando-os para o combate ao sistema de opressão e submissão a que estavam subjugados. Em 1972, tornou-se presidente honorário da Convenção dos Negros (Black People\'s Convention).
Foi um dos principais líderes sul-africanos, juntamente com Nelson Mandela. Deixou um legado de luta calcado no Movimento de Consciência Negra e no desenvolvimento dos Programas de Assistência à Comunidade, voltado para atender às necessidades básicas de sua gente.
Em 6 de setembro de 1977 foi preso em bloqueio rodoviário organizado pela polícia. Levado sob custódia, foi acorrentado às grades de uma janela da penitenciária durante um dia inteiro, torturado durante quase 24 horas, sofreu grave traumatismo craniano. Em 11 de setembro, foi embarcado em veículo policial para transporte para outra prisão. Biko morreu durante o trajeto e a polícia alegou que a morte se devera a \"prolongada greve de fome empreendida pelo prisioneiro\".
Em 7 de outubro de 2003, autoridades do Ministério Público Sul-africano anunciaram que os cinco policiais envolvidos no assassinato de Biko não seriam processados, devido a falta de provas. Alegaram também que a acusação de assassinato não se sustentaria por não haver testemunhas dos atos supostamente cometidos contra Biko. Levou-se em consideração a possibilidade de acusar os envolvidos por Lesão Corporal seguida de morte, mas como os fatos ocorreram em 1977, tal crime teria prescrito (não seria mais passível de processo criminal) segundo as leis do país.
[Fonte: wikipedia (adaptado); Escol@24horas]

JOHN LENNON
\"DÊ UMA CHANCE A PAZ\"
John Winston Lennon nasceu no dia 09 de Outubro de 1940 na cidade de Liverpool, Inglaterra. Filho de Julia e Alfred Lennon, teve o pai ausente em toda sua vida e acabou sendo criado por uma tia, Mimi, irmã de Julia.
Lennon estudou na Quarry Bank Grammar School, escola que, com seus companheiros viu o nascimento do \'Quarrimen\' (que mais tarde daria origem aos Beatles). John adorava escrever, e alguns de seus poemas da época seriam um prefácio das letras que o tornariam tão famoso.
Aprendeu a tocar guitarra com sua própria mãe, Julia, que o visitava esporadicamente, até que morreu atropelada, quando John era adolescente. Isso o fez se aproximar de Paul McCartney, que havia perdido sua mãe na mesma época, e ao Rock and Roll, em discos de Elvis e Chuck Berry .
Em 1957 ingressou na Liverpool Art College, onde conheceu Cynthia Powel, que se tornaria sua primeira esposa, casando-se em 23 de Agosto de 1962.
Naquela época os Beatles começavam a subir a escadaria da fama, e turnês, gravações, filmes e outros compromissos fizeram de John um marido ausente e foi o motivo pelo qual, seu filho Julian (nascido em 8 de Abril de 1963), pouco tivesse contato com ele..
John sempre foi o líder intelectual dos Beatles, e durante a 1ª fase, ele é o grande responsável pela maioria das canções da banda, fato que iria reverter em prol de Paul McCartney de 1966 em diante.
Escreveu dois livros com poemas enquanto estava com o grupo: \'In His Ows Write\' (em março de 64) e \'A Spaniard in The Works\' (em 1965).
Em 1966 fez a famosa declaração de que \'Os Beatles eram mais famosos que Jesus Cristo\', frase mal interpretada quando foi colocada fora do seu contexto original, recebeu sua medalha do império britânico (devolvida em 69 em repúdio ao envolvimento da Inglaterra na guerra de Biafra).
No mesmo ano, numa exposição de artes na \'Indica Gallery\', em Londres, conhece Yoko Ono, e começa a se envolver com drogas como LSD. No final deste mesmo ano vai para a Espanha filmar \'How I Won The War\', de Richard Lester (diretor dos dois primeiros filmes dos Beatles).
Em 1968 o casamento de John e Cynthia termina e ele começa a viver com Yoko Ono, com a qual casaria em Gibraltar em 20 de Março de 1969. Troca aí seu nome de John Winston Lennon para John Ono Lennon.
Com Yoko Ono, ele toma conhecimento de novas formas de manifestações artísticas e lançam discos nada convencionais, como \'Two Virgins\' (que se tornaria famoso pela capa dos dois nus), \'Life With The Lions\' e \'Wedding Album\'. Nesse mesmo ano, os dois são pegos com haxixe numa batida policial e participam do especial dos Rolling Stones \'Rock\'n\'Roll Circus\'.
Também com Yoko, fez uma série de filmes Avant Garde, como \'Fly\',\'Self Portrait\', \'Smile\' e \'Erection\'. As campanhas pela paz, como as famosas entrevistas na cama em um hotel em Toronto, ou simplesmente dentro de um saco, fizeram do casal símbolos da paz, ou para muitos apenas sinonimos da \'loucura\'.
Formou a banda \'The Plastic Ono Band\' (banda conceitual, sem nenhum membro fixo) para um concerto pela paz em Toronto, e sua música \'Give Peace a Chance\' tornou-se hino do movimento Hippie.
Com o rompimento dos Beatles, em 1970, John viu-se só com Yoko, e ambos gravaram vários discos juntos. A teoria do \'grito primal\' do dr. Artur Janov, deu origem ao seu 1º disco solo, \'John Lennon / Plastic Ono Band\', de 1970, e \'Imagine\', seu segundo álbum tornou-se um fenômeno de vendas e a música sua obra prima.
No final de 1971 o casal voa para Nova York, onde estabelecem residência, fato pelo qual durante quase 5 anos fez com que John não pudesse sair dos Estados Unidos, pela falta do visto de permanência (devido a sua posse de drogas na Inglaterra). Só iria conseguir a \'Green Card\' em 1976.
Campanhas anti-Vietnã e engajamentos políticos fizeram dele uma pessoa \'perigosa\' para o Governo de Richard Nixon, e muitas vezes foi seguido pela FBI e teve seu telefone grampeado. Nessa época, ele e Yoko lançam o disco conjunto \'Sometime in New York City\'.
Em 1973 John e Yoko fazem uma breve separação e John passa a viver em Los Angeles com sua secretária May Pang. Nessa fase grava dois discos: \'Mind Games\' e \'Walls and Bridges\', que são mais comerciais e tem pouco da linha ferina típica de John. Nessa época começa a gravar o disco \'Rock\'n\'Roll\', que só seria terminado 2 anos mais tarde, contendo vários clássicos do Rock.
O \'Long Weekend\' de John termina em 1975, quando após uma participação no Madison Square Garden em um show de Elton John, encontra Yoko Ono nos camarins e ambos reatam o \'affair\'.
Compram vários apartamentos no edifício Dakota, em NY, onde John se torna pai pela 2ª vez. Sean Ono Lennon nasce no mesmo dia do aniversário de John, em 09 de Outubro de 1975. John começa então um jejum musical de 5 anos,fazendo pão e vendo seu filho crescer. Yoko toma conta dos negócios.
O movimento \'New Wave\' de 1980 deu fôlego a John e Yoko para retornarem aos estúdios, quando gravam o disco \'Double Fantasy\'. O Disco se torna um megassucesso.
O que houve depois disso todos sabem, e infelizmente a carreira de John termina aí: 08 de Dezembro de 1980. Depois disso o filme \'Imagine\' é rodado, vários discos foram lançados, e até uma \'breve\' reunião dos Beatles acontece com \'Free as a Bird\'.
Foram poucos os discos solo que John deixou, mas seu legado é enorme, e com certeza, John é o que se pode ser proclamado um dos músicos do século.
[Fonte: http://www.getback.com.br (adaptado)]
John Winston Lennon nasceu no dia 09 de Outubro de 1940 na cidade de Liverpool, Inglaterra. Filho de Julia e Alfred Lennon, teve o pai ausente em toda sua vida e acabou sendo criado por uma tia, Mimi, irmã de Julia.
Lennon estudou na Quarry Bank Grammar School, escola que, com seus companheiros viu o nascimento do \'Quarrimen\' (que mais tarde daria origem aos Beatles). John adorava escrever, e alguns de seus poemas da época seriam um prefácio das letras que o tornariam tão famoso.
Aprendeu a tocar guitarra com sua própria mãe, Julia, que o visitava esporadicamente, até que morreu atropelada, quando John era adolescente. Isso o fez se aproximar de Paul McCartney, que havia perdido sua mãe na mesma época, e ao Rock and Roll, em discos de Elvis e Chuck Berry .
Em 1957 ingressou na Liverpool Art College, onde conheceu Cynthia Powel, que se tornaria sua primeira esposa, casando-se em 23 de Agosto de 1962.
Naquela época os Beatles começavam a subir a escadaria da fama, e turnês, gravações, filmes e outros compromissos fizeram de John um marido ausente e foi o motivo pelo qual, seu filho Julian (nascido em 8 de Abril de 1963), pouco tivesse contato com ele..
John sempre foi o líder intelectual dos Beatles, e durante a 1ª fase, ele é o grande responsável pela maioria das canções da banda, fato que iria reverter em prol de Paul McCartney de 1966 em diante.
Escreveu dois livros com poemas enquanto estava com o grupo: \'In His Ows Write\' (em março de 64) e \'A Spaniard in The Works\' (em 1965).
Em 1966 fez a famosa declaração de que \'Os Beatles eram mais famosos que Jesus Cristo\', frase mal interpretada quando foi colocada fora do seu contexto original, recebeu sua medalha do império britânico (devolvida em 69 em repúdio ao envolvimento da Inglaterra na guerra de Biafra).
No mesmo ano, numa exposição de artes na \'Indica Gallery\', em Londres, conhece Yoko Ono, e começa a se envolver com drogas como LSD. No final deste mesmo ano vai para a Espanha filmar \'How I Won The War\', de Richard Lester (diretor dos dois primeiros filmes dos Beatles).
Em 1968 o casamento de John e Cynthia termina e ele começa a viver com Yoko Ono, com a qual casaria em Gibraltar em 20 de Março de 1969. Troca aí seu nome de John Winston Lennon para John Ono Lennon.
Com Yoko Ono, ele toma conhecimento de novas formas de manifestações artísticas e lançam discos nada convencionais, como \'Two Virgins\' (que se tornaria famoso pela capa dos dois nus), \'Life With The Lions\' e \'Wedding Album\'. Nesse mesmo ano, os dois são pegos com haxixe numa batida policial e participam do especial dos Rolling Stones \'Rock\'n\'Roll Circus\'.
Também com Yoko, fez uma série de filmes Avant Garde, como \'Fly\',\'Self Portrait\', \'Smile\' e \'Erection\'. As campanhas pela paz, como as famosas entrevistas na cama em um hotel em Toronto, ou simplesmente dentro de um saco, fizeram do casal símbolos da paz, ou para muitos apenas sinonimos da \'loucura\'.
Formou a banda \'The Plastic Ono Band\' (banda conceitual, sem nenhum membro fixo) para um concerto pela paz em Toronto, e sua música \'Give Peace a Chance\' tornou-se hino do movimento Hippie.
Com o rompimento dos Beatles, em 1970, John viu-se só com Yoko, e ambos gravaram vários discos juntos. A teoria do \'grito primal\' do dr. Artur Janov, deu origem ao seu 1º disco solo, \'John Lennon / Plastic Ono Band\', de 1970, e \'Imagine\', seu segundo álbum tornou-se um fenômeno de vendas e a música sua obra prima.
No final de 1971 o casal voa para Nova York, onde estabelecem residência, fato pelo qual durante quase 5 anos fez com que John não pudesse sair dos Estados Unidos, pela falta do visto de permanência (devido a sua posse de drogas na Inglaterra). Só iria conseguir a \'Green Card\' em 1976.
Campanhas anti-Vietnã e engajamentos políticos fizeram dele uma pessoa \'perigosa\' para o Governo de Richard Nixon, e muitas vezes foi seguido pela FBI e teve seu telefone grampeado. Nessa época, ele e Yoko lançam o disco conjunto \'Sometime in New York City\'.
Em 1973 John e Yoko fazem uma breve separação e John passa a viver em Los Angeles com sua secretária May Pang. Nessa fase grava dois discos: \'Mind Games\' e \'Walls and Bridges\', que são mais comerciais e tem pouco da linha ferina típica de John. Nessa época começa a gravar o disco \'Rock\'n\'Roll\', que só seria terminado 2 anos mais tarde, contendo vários clássicos do Rock.
O \'Long Weekend\' de John termina em 1975, quando após uma participação no Madison Square Garden em um show de Elton John, encontra Yoko Ono nos camarins e ambos reatam o \'affair\'.
Compram vários apartamentos no edifício Dakota, em NY, onde John se torna pai pela 2ª vez. Sean Ono Lennon nasce no mesmo dia do aniversário de John, em 09 de Outubro de 1975. John começa então um jejum musical de 5 anos,fazendo pão e vendo seu filho crescer. Yoko toma conta dos negócios.
O movimento \'New Wave\' de 1980 deu fôlego a John e Yoko para retornarem aos estúdios, quando gravam o disco \'Double Fantasy\'. O Disco se torna um megassucesso.
O que houve depois disso todos sabem, e infelizmente a carreira de John termina aí: 08 de Dezembro de 1980. Depois disso o filme \'Imagine\' é rodado, vários discos foram lançados, e até uma \'breve\' reunião dos Beatles acontece com \'Free as a Bird\'.
Foram poucos os discos solo que John deixou, mas seu legado é enorme, e com certeza, John é o que se pode ser proclamado um dos músicos do século.
[Fonte: http://www.getback.com.br (adaptado)]

JESUS CRISTO
\"A MINHA PAZ VOS DEIXO, A MINHA
PAZ VOS DOU. VOS DOU A PAZ QUE O MUNDO NÃO PODE DAR\"
Carta enviada da Galiléia pelo senador romano Públio Lêntulus ao imperador Tibério César: Sabendo que desejais conhecer quanto vou narrar, existindo nos nossos tempos um homem, o qual vive atualmente de grandes virtudes, chamado Jesus, que pelo povo é inculcado profeta da verdade, e os seus discípulos dizem que é filho de Deus, criador do Céu e da Terra e de todas as coisas que nela se acham e que nela tenham estado; em verdade, ó César, cada dia se ouve coisas maravilhosas desse Jesus: \"ressuscita os mortos, cura os enfermos\", em uma só palavra: ...
...é um homem de justa estatura e é muito belo no aspecto. Há tanta majestade no rosto, que aqueles que o vêem são forçados a amá-lo ou temê-lo. Tem os cabelos da cor de amêndoa bem madura, são distendidos até as orelhas, e das orelhas até as espáduas, são da cor da terra, porém mais reluzentes. Tem no meio da sua fronte uma linha separando os cabelos, na forma em uso dos nazarenos; o seu rosto é cheio, o aspecto é muito sereno, nenhuma ruga ou mancha se vê em sua face de uma cor moderada; o nariz e a boca são irrepreensíveis. A barba é espessa, mas semelhante aos cabelos, não muito longa, mas separada pelo meio; seu olhar é muito especioso e grave; tem os olhos graciosos e claros; o que surpreende é que resplandecem no seu rosto como os raios do sol, porém ninguém pode olhar fixo no seu semblante, porque, quando resplende, apavora, e quando ameniza, faz chorar; faz-se amar e é alegre com gravidade.
Diz-se que nunca ninguém o viu rir, mas, antes, chorar. Tem os braços e as mãos muito belos; na palestra contenta muito, mas o faz raramente e, quando dele alguém se aproxima verifica que é muito modesto na presença e na pessoa. É o mais belo homem que se possa imaginar, muito semelhante a sua mãe, a qual é de rara beleza, não se tendo jamais visto, por estas partes, uma donzela tão bela... De letras, faz-se admirar de toda a cidade de Jerusalém; ele sabe todas as ciências e nunca estudou nada.
Ele caminha descalço e sem coisa alguma na cabeça. Muitos se riem, vendo-o assim, porém em sua presença, falando com ele, tremem e admiram. Dizem que um tal homem nunca fora ouvido por estas partes. Em verdade, segundo me dizem os hebreus, não se ouviram jamais tais conselhos, de grande doutrina, como ensina este Jesus; muitos judeus o têm como Divino e muitos me querelam, afirmando que é contra a lei de tua majestade.
Diz-se que este Jesus nunca fez mal a quem quer que seja, mas, ao contrário, aqueles que o conhecem e com ele têm praticado afirmam ter dele recebido grandes benefícios e saúde, porém à tua obediência estou prontíssimo -aquilo que tua majestade ordenar será cumprido. Vale, da majestade tua, fidelíssimo e obrigadíssimo. Públio Lêntulus SHALOM é a palavra hebraica que exprime a Paz.
É também um dos nomes de Deus, na concepção judaica, e ninguém melhor do que Jesus, o judeu, para qualificar e exemplificar a PAZ com as suas atitudes. Esta palavra é usada e exemplificada por ELE várias vezes nos Evangelhos. Ele soube sempre cultivá-la em toda e qualquer situação. Suas ações e atitudes foram sempre voltadas para a Paz. No tempo de Jesus todos os Judeus desejavam ardentemente vingança premente contra a opressão romana que impunha a humilhação e a escravidão do povo judeu, enquanto Jesus suscitava deles um gesto de ação contrária e consoladora: \\\"Avante, os humilhados de espíritos porque deles é o reino dos Céus\\\". Mt. 5:1.
Demonstrando aos que o ouviam, que existia um reino espiritual, onde o romano não tinha domínio. Enquanto os romanos impunham a brutalidade e a força do chicote, Ele afirmava: \\\"Avante, os humildes porque eles herdarão a terra\\\". Mt. 5:5. Os opressores matavam e escravizavam, enquanto Jesus afirmava: \\\"Avante os que promovem a vida, porque receberão a vida\\\". Mt. 5:7. Sua maior expressão de ensinamento frente às agressões recebidas e vividas pelos judeus foi afirmar em uma época tão turbulenta e revoltante: \\\"Avante os que fazem a Paz, porque serão chamados filhos de Deus\\\". Mt. 5:9.
Esta frase demonstra em vez de reação, uma ação oposta e completamente diferente daquela que desejava o povo. No entanto, através dela pode-se destruir todo e qualquer tipo de violência. Recomendou ainda aos seus discípulos que quando entrassem numa casa que fosse digna, saudassem e fizessem descer sobre ela a Paz. Mt 10:13. A tua fé te salvou. Vai em Paz. Disse Jesus para a pecadora em Lucas 7:50. \\\"A minha Paz vos deixo a minha Paz vos dou\\\", falou aos discípulos confortando-os nas suas despedidas. João 14:27. \\\"Eu vos disse tais coisas para terdes Paz em mim\\\", concluindo suas despedidas em João 16:33. Na sua primeira aparição aos discípulos, pondo-se no meio deles, os saudou duas vezes com a frase: \\\"A Paz esteja convosco\\\". João 20:19 e 20.
Na sua segunda aparição em presença de Tomé, Ele os saúda com a mesma frase em João 20:26. Aconselhou-nos a perdoar não sete vezes, mas setenta vezes sete. Jesus foi e será sempre o símbolo maior da Paz pelo seu comportamento, conduta e exemplo. Nunca estivemos tão carentes da prática dos seus ensinamentos, como agora. Unamo-nos nesta corrente de Paz para podermos juntos reconstruir um mundo melhor. Severino Celestino da Silva, em 15 de outubro de 2003.
Carta enviada da Galiléia pelo senador romano Públio Lêntulus ao imperador Tibério César: Sabendo que desejais conhecer quanto vou narrar, existindo nos nossos tempos um homem, o qual vive atualmente de grandes virtudes, chamado Jesus, que pelo povo é inculcado profeta da verdade, e os seus discípulos dizem que é filho de Deus, criador do Céu e da Terra e de todas as coisas que nela se acham e que nela tenham estado; em verdade, ó César, cada dia se ouve coisas maravilhosas desse Jesus: \"ressuscita os mortos, cura os enfermos\", em uma só palavra: ...
...é um homem de justa estatura e é muito belo no aspecto. Há tanta majestade no rosto, que aqueles que o vêem são forçados a amá-lo ou temê-lo. Tem os cabelos da cor de amêndoa bem madura, são distendidos até as orelhas, e das orelhas até as espáduas, são da cor da terra, porém mais reluzentes. Tem no meio da sua fronte uma linha separando os cabelos, na forma em uso dos nazarenos; o seu rosto é cheio, o aspecto é muito sereno, nenhuma ruga ou mancha se vê em sua face de uma cor moderada; o nariz e a boca são irrepreensíveis. A barba é espessa, mas semelhante aos cabelos, não muito longa, mas separada pelo meio; seu olhar é muito especioso e grave; tem os olhos graciosos e claros; o que surpreende é que resplandecem no seu rosto como os raios do sol, porém ninguém pode olhar fixo no seu semblante, porque, quando resplende, apavora, e quando ameniza, faz chorar; faz-se amar e é alegre com gravidade.
Diz-se que nunca ninguém o viu rir, mas, antes, chorar. Tem os braços e as mãos muito belos; na palestra contenta muito, mas o faz raramente e, quando dele alguém se aproxima verifica que é muito modesto na presença e na pessoa. É o mais belo homem que se possa imaginar, muito semelhante a sua mãe, a qual é de rara beleza, não se tendo jamais visto, por estas partes, uma donzela tão bela... De letras, faz-se admirar de toda a cidade de Jerusalém; ele sabe todas as ciências e nunca estudou nada.
Ele caminha descalço e sem coisa alguma na cabeça. Muitos se riem, vendo-o assim, porém em sua presença, falando com ele, tremem e admiram. Dizem que um tal homem nunca fora ouvido por estas partes. Em verdade, segundo me dizem os hebreus, não se ouviram jamais tais conselhos, de grande doutrina, como ensina este Jesus; muitos judeus o têm como Divino e muitos me querelam, afirmando que é contra a lei de tua majestade.
Diz-se que este Jesus nunca fez mal a quem quer que seja, mas, ao contrário, aqueles que o conhecem e com ele têm praticado afirmam ter dele recebido grandes benefícios e saúde, porém à tua obediência estou prontíssimo -aquilo que tua majestade ordenar será cumprido. Vale, da majestade tua, fidelíssimo e obrigadíssimo. Públio Lêntulus SHALOM é a palavra hebraica que exprime a Paz.
É também um dos nomes de Deus, na concepção judaica, e ninguém melhor do que Jesus, o judeu, para qualificar e exemplificar a PAZ com as suas atitudes. Esta palavra é usada e exemplificada por ELE várias vezes nos Evangelhos. Ele soube sempre cultivá-la em toda e qualquer situação. Suas ações e atitudes foram sempre voltadas para a Paz. No tempo de Jesus todos os Judeus desejavam ardentemente vingança premente contra a opressão romana que impunha a humilhação e a escravidão do povo judeu, enquanto Jesus suscitava deles um gesto de ação contrária e consoladora: \\\"Avante, os humilhados de espíritos porque deles é o reino dos Céus\\\". Mt. 5:1.
Demonstrando aos que o ouviam, que existia um reino espiritual, onde o romano não tinha domínio. Enquanto os romanos impunham a brutalidade e a força do chicote, Ele afirmava: \\\"Avante, os humildes porque eles herdarão a terra\\\". Mt. 5:5. Os opressores matavam e escravizavam, enquanto Jesus afirmava: \\\"Avante os que promovem a vida, porque receberão a vida\\\". Mt. 5:7. Sua maior expressão de ensinamento frente às agressões recebidas e vividas pelos judeus foi afirmar em uma época tão turbulenta e revoltante: \\\"Avante os que fazem a Paz, porque serão chamados filhos de Deus\\\". Mt. 5:9.
Esta frase demonstra em vez de reação, uma ação oposta e completamente diferente daquela que desejava o povo. No entanto, através dela pode-se destruir todo e qualquer tipo de violência. Recomendou ainda aos seus discípulos que quando entrassem numa casa que fosse digna, saudassem e fizessem descer sobre ela a Paz. Mt 10:13. A tua fé te salvou. Vai em Paz. Disse Jesus para a pecadora em Lucas 7:50. \\\"A minha Paz vos deixo a minha Paz vos dou\\\", falou aos discípulos confortando-os nas suas despedidas. João 14:27. \\\"Eu vos disse tais coisas para terdes Paz em mim\\\", concluindo suas despedidas em João 16:33. Na sua primeira aparição aos discípulos, pondo-se no meio deles, os saudou duas vezes com a frase: \\\"A Paz esteja convosco\\\". João 20:19 e 20.
Na sua segunda aparição em presença de Tomé, Ele os saúda com a mesma frase em João 20:26. Aconselhou-nos a perdoar não sete vezes, mas setenta vezes sete. Jesus foi e será sempre o símbolo maior da Paz pelo seu comportamento, conduta e exemplo. Nunca estivemos tão carentes da prática dos seus ensinamentos, como agora. Unamo-nos nesta corrente de Paz para podermos juntos reconstruir um mundo melhor. Severino Celestino da Silva, em 15 de outubro de 2003.

CHICO MENDES
\"QUERO FICAR VIVO PARA SALVAR A
AMAZÔNIA\"
Francisco Alves Mendes Filho, conhecido como Chico Mendes, líder dos seringueiros e ecologista nato, procedente de uma humilde família de nordestinos, nasceu a 15 de Dezembro de 1944, no seringal denominado Porto Rico, localizado no município de Xapuri, Estado do Acre. Essa região, que no passado pertencia a bolivianos e peruanos, tornou-se palco de grandes lutas históricas entre brasileiros e bolivianos, mas com a derrota dos estrangeiros passou a pertencer ao Brasil.
Chico Mendes, homem de aspecto sereno, cor morena e bigode robusto, teve uma infância pobre, como milhares de brasileiros excluídos, nativos da região Norte. Morou sempre em casa de madeira com piso de barro. Ainda criança, tornou-se seringueiro. Aprendeu a ler e escrever aos 24 anos de idade. Com o passar dos anos, o seu ideal de infância de amar e preservar o meio ambiente foi amadurecendo, através da experiência e da sabedoria nata de homem da floresta que era.
Sentia-se na obrigação de abraçar a causa e lutar em prol da preservação da Amazônia, principalmente quando se deparava com o descaso dos grandes empresários e fazendeiros. Esses eram acobertados por forças governamentais e, guiados pela opulência e pela ambição, enviavam seus empregados armados com motosserras, machados, facões e tratores para derrubar as árvores, provocar queimadas, sem sequer tomar conhecimento da dimensão da destruição que estavam provocando, não somente na fauna e na flora da região amazônica, mas em todo o ecossistema mundial. Foi a partir daí que Chico Mendes decidiu levantar a bandeira em prol da preservação das matas.
Tornou-se líder sindical em 1975, e um formador de consciência junto à população de excluídos e semi-escravizados dos seringais da região. Nesse mesmo ano, com a fundação do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Brasiléia, ele foi escolhido para ser o secretário do órgão.
Em 1976, participou ativamente junto aos seringueiros na luta contra o desmatamento. Isso se deu através dos empates, um movimento pacífico que consiste em reunir grande número de seringueiros, trabalhadores rurais, índios e pescadores desarmados, com suas mulheres e filhos, dando-se as mãos no meio da selva ou na beira dos rios, a fim de impedir as derrubadas das árvores pelos peões dos fazendeiros e seringalistas que surgiam armados.
Através desses movimentos, os seringueiros e pescadores ribeirinhos tentavam neutralizar e conscientizar os predadores sobre as conseqüências da destruição e devastação ambientais e das atitudes brutais dos grandes empresários.
Muitas vezes eles conseguiram atrasar os projetos dos fazendeiros, dando tempo aos líderes sindicais para que estruturassem coalizações políticas a favor da preservação das matas, das terras e das reservas extrativistas. Em 1977, o ecologista participou da fundação do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Xapuri, sendo também eleito vereador pelo partido do Movimento Democrático Brasileiro (MDB). No ano de 1979, na Câmara Municipal de Xapuri, realizou-se um grande fórum de debates entre as lideranças sindicais, populares e religiosas, liderado por Chico Mendes. Esse evento constituiu-se motivo suficiente para que ele fosse acusado de subversão e passasse a sofrer torturas e ameaças de morte.
Em 1980, juntamente com Luís Inácio Lula da Silva, Chico Mendes fundou o Partido dos Trabalhadores (PT). Realizou comícios e levantes populares, com o objetivo de conscientizar os trabalhadores sobre a defesa de seus direitos. No 1º
Encontro Nacional dos Seringueiros, em 1985, Chico Mendes apresentou a proposta \"União dos Povos da Floresta\", um documento reivindicatório, visando a união das forças dos índios, trabalhadores rurais e seringueiros em defesa e preservação da Floresta Amazônica e das reservas extrativistas em terras indígenas. As reivindicações e denúncias sobre a devastação da mata e o massacre dos índios constantes naquele documento tiveram uma grande repercussão nacional e internacional. Dois anos após o evento, ou seja, em 1987, chegaram ao Brasil representantes da Organização das Nações Unidas - ONU - e de várias partes do mundo, para constatar a veracidade das denúncias contidas no referido documento. Meses depois, Chico Mendes ganhou o prêmio de destaque GLOBAL 500.
A luta pela preservação ecológica foi uma constante na vida do homem da floresta que, pacificamente, conseguiu mobilizar e conscientizar a sociedade rural, bem como Organizações Não-Governamentais - ONGs - nacionais e internacionais. Por outro lado, sua perseverança em proteger o meio ambiente e as espécies nativas da região despertou o ódio dos grupos de fazendeiros e de empresas que insistiam na exploração e na devastação da floresta. Durante todo o ano de 1988, Chico Mendes sofreu ameaças de morte e perseguições por parte de pessoas ligadas a partidos políticos e a organizações clandestinas destinadas à exploração desregrada da região.
No dia 22 de dezembro de 1988, após inúmeros conflitos, intrigas, levantes e movimentos sindicais, o sindicalista e ecologista Chico Mendes teve a sua vida ceifada por mãos criminosas. Passou a ser a 97ª vítima na lista dos trabalhadores rurais, assassinada durante o ano de 1988, por lutar pelos seus direitos, como também pela preservação ambiental da Região Amazônica.
\"Logo o Chico! Que foi um dos mais apaixonados defensores da vida, um homem tão puro e tão limpo como a água da chuva da mata que foi sua companheira inseparável...\" Luiz Inácio Lula da Silva.
Francisco Alves Mendes Filho, conhecido como Chico Mendes, líder dos seringueiros e ecologista nato, procedente de uma humilde família de nordestinos, nasceu a 15 de Dezembro de 1944, no seringal denominado Porto Rico, localizado no município de Xapuri, Estado do Acre. Essa região, que no passado pertencia a bolivianos e peruanos, tornou-se palco de grandes lutas históricas entre brasileiros e bolivianos, mas com a derrota dos estrangeiros passou a pertencer ao Brasil.
Chico Mendes, homem de aspecto sereno, cor morena e bigode robusto, teve uma infância pobre, como milhares de brasileiros excluídos, nativos da região Norte. Morou sempre em casa de madeira com piso de barro. Ainda criança, tornou-se seringueiro. Aprendeu a ler e escrever aos 24 anos de idade. Com o passar dos anos, o seu ideal de infância de amar e preservar o meio ambiente foi amadurecendo, através da experiência e da sabedoria nata de homem da floresta que era.
Sentia-se na obrigação de abraçar a causa e lutar em prol da preservação da Amazônia, principalmente quando se deparava com o descaso dos grandes empresários e fazendeiros. Esses eram acobertados por forças governamentais e, guiados pela opulência e pela ambição, enviavam seus empregados armados com motosserras, machados, facões e tratores para derrubar as árvores, provocar queimadas, sem sequer tomar conhecimento da dimensão da destruição que estavam provocando, não somente na fauna e na flora da região amazônica, mas em todo o ecossistema mundial. Foi a partir daí que Chico Mendes decidiu levantar a bandeira em prol da preservação das matas.
Tornou-se líder sindical em 1975, e um formador de consciência junto à população de excluídos e semi-escravizados dos seringais da região. Nesse mesmo ano, com a fundação do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Brasiléia, ele foi escolhido para ser o secretário do órgão.
Em 1976, participou ativamente junto aos seringueiros na luta contra o desmatamento. Isso se deu através dos empates, um movimento pacífico que consiste em reunir grande número de seringueiros, trabalhadores rurais, índios e pescadores desarmados, com suas mulheres e filhos, dando-se as mãos no meio da selva ou na beira dos rios, a fim de impedir as derrubadas das árvores pelos peões dos fazendeiros e seringalistas que surgiam armados.
Através desses movimentos, os seringueiros e pescadores ribeirinhos tentavam neutralizar e conscientizar os predadores sobre as conseqüências da destruição e devastação ambientais e das atitudes brutais dos grandes empresários.
Muitas vezes eles conseguiram atrasar os projetos dos fazendeiros, dando tempo aos líderes sindicais para que estruturassem coalizações políticas a favor da preservação das matas, das terras e das reservas extrativistas. Em 1977, o ecologista participou da fundação do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Xapuri, sendo também eleito vereador pelo partido do Movimento Democrático Brasileiro (MDB). No ano de 1979, na Câmara Municipal de Xapuri, realizou-se um grande fórum de debates entre as lideranças sindicais, populares e religiosas, liderado por Chico Mendes. Esse evento constituiu-se motivo suficiente para que ele fosse acusado de subversão e passasse a sofrer torturas e ameaças de morte.
Em 1980, juntamente com Luís Inácio Lula da Silva, Chico Mendes fundou o Partido dos Trabalhadores (PT). Realizou comícios e levantes populares, com o objetivo de conscientizar os trabalhadores sobre a defesa de seus direitos. No 1º
Encontro Nacional dos Seringueiros, em 1985, Chico Mendes apresentou a proposta \"União dos Povos da Floresta\", um documento reivindicatório, visando a união das forças dos índios, trabalhadores rurais e seringueiros em defesa e preservação da Floresta Amazônica e das reservas extrativistas em terras indígenas. As reivindicações e denúncias sobre a devastação da mata e o massacre dos índios constantes naquele documento tiveram uma grande repercussão nacional e internacional. Dois anos após o evento, ou seja, em 1987, chegaram ao Brasil representantes da Organização das Nações Unidas - ONU - e de várias partes do mundo, para constatar a veracidade das denúncias contidas no referido documento. Meses depois, Chico Mendes ganhou o prêmio de destaque GLOBAL 500.
A luta pela preservação ecológica foi uma constante na vida do homem da floresta que, pacificamente, conseguiu mobilizar e conscientizar a sociedade rural, bem como Organizações Não-Governamentais - ONGs - nacionais e internacionais. Por outro lado, sua perseverança em proteger o meio ambiente e as espécies nativas da região despertou o ódio dos grupos de fazendeiros e de empresas que insistiam na exploração e na devastação da floresta. Durante todo o ano de 1988, Chico Mendes sofreu ameaças de morte e perseguições por parte de pessoas ligadas a partidos políticos e a organizações clandestinas destinadas à exploração desregrada da região.
No dia 22 de dezembro de 1988, após inúmeros conflitos, intrigas, levantes e movimentos sindicais, o sindicalista e ecologista Chico Mendes teve a sua vida ceifada por mãos criminosas. Passou a ser a 97ª vítima na lista dos trabalhadores rurais, assassinada durante o ano de 1988, por lutar pelos seus direitos, como também pela preservação ambiental da Região Amazônica.
\"Logo o Chico! Que foi um dos mais apaixonados defensores da vida, um homem tão puro e tão limpo como a água da chuva da mata que foi sua companheira inseparável...\" Luiz Inácio Lula da Silva.

MADRE TERESA DE CALCUTÁ
\"NÃO USEMOS BOMBAS NEM ARMAS
PARA CONQUISTAR O MUNDO. USEMOS O AMOR E A COMPAIXÃO. A PAZ COMEÇA COM UM
SORRISO\"
Agnes Gonxha Bojaxhiu nasce em Skoplje (Albânia), irmã mais nova de Ágata e de Lázaro, filha de Nicolau e de Rosa. Nasceu em 25 de agosto de 1910. A sua família pertencia à minoria albanesa que vivia no sul da antiga Iugoslávia.
Pouco se sabe da sua infância, adolescência e juventude porque Madre Teresa tinha horror de falar de si. Nunca morou na Albânia; foi educada numa escola estatal da atual Croácia, durante os tristes anos da Primeira Guerra Mundial.
Freqüentou a escola estatal nãocatólica e ingressou na Congregação Mariana onde foi aperfeiçoando a formação cristã ao mesmo tempo que tomava conhecimento da vida da Igreja e abria o coração às necessidades do mundo. Particular impressão lhe faziam as cartas que os missionários jesuítas da Índia escreviam e que eram comentadas em grupo. A miséria material e espiritual de tanta gente tocava o seu coração. Aos dezoito anos surge-lhe o pensamento da consagração total a Deus na vida religiosa. Obteve o consentimento dos pais e entrou no dia 29 de Setembro de 1928 para a Casa Mãe das Irmãs de Nossa Senhora de Loreto, em Rathfarnham, perto de Dublin (Irlanda).
O seu sonho era a Índia, o trabalho missionário junto dos pobres. Sabedoras desta aspiração da jovem iugoslava, as superioras decidiram que ela fizesse o noviciado já no campo do apostolado. Por isso, ao fim de poucos meses de estadia na Irlanda, Agnes partiu para Índia. O ideal que brilhara pela primeira vez na sua vida aos doze anos começava a concretizar-se. Foi enviada para Darjeeling, local onde as Irmãs de Loreto possuíam um colégio. Ali fez o noviciado. No dia 24 de Maio de 1931, faz a profissão religiosa, emitiu os votos temporários de pobreza, castidade e obediência tomando o nome de Teresa. De Darjeeling passou a Irmã Teresa para Calcutá. Tendo freqüentado uma carreira docente, passou a ensinar Geografia no Colégio de Santa Maria, da Congregação de Nossa Senhora do Loreto, em Calcutá. Mais tarde foi nomeada Diretora.
Irmã Teresa gostava de ensinar. As alunas estimavam-na porque era uma excelente professora, sempre dedicada e atenta a todos os problemas. O dia 10 de setembro de 1946 ficou marcado na história das Missionárias da Caridade e, obviamente, no livro da vida da Madre Teresa como o \"dia da inspiração\". Numa viagem de trem ao noviciado do Himalaia, recebe uma claríssima iluminação interior: dedicar a sua vida aos mais pobres dos pobres. Relatou-o assim: Em 1946, ia de Calcutá a Darjeeling, de trem, para fazer o meu retiro. Nunca é fácil dormir nos trens, mas tentar fazê-lo num trem da Índia é impossível: tudo range, há um penetrante odor de sujidade pelo amontoamento de homens e animais, todo um detrito de humanidade, cestos, galinhas cacarejando... Naquele trem, aos meus trinta e seis anos, percebi no meu interior uma chamada para que renunciasse a tudo e seguisse Cristo nos subúrbios, a fim de servi-lo entre os mais pobres dos pobres. Compreendi que Deus desejava isso de mim... A longa e dolorosa meditação que fizera terminou com uma pergunta muito concreta: que poderei fazer por estes que sofrem? Aqui a angústia da sua alma cresceu. Amava a Congregação, gostava de ensinar... Quase nada poderia fazer dentro dos regulamentos a que amorosamente se sujeitara e que cumprira com toda a fidelidade. Mas, Deus não pediria mais? Não seria talvez necessário ir ter com as superioras e com as autoridades eclesiásticas e expor-lhes frontalmente o problema, pedir-lhes até autorização para fazer a experiência de se colocar totalmente ao serviço dos mais pobres? Foi assim, com todas estas interrogações que a Irmã Teresa viveu o seu retiro daquele ano. Na oração e na meditação daqueles dias, mais se confirmou que a aspiração que lhe brotava do fundo da alma não era um capricho, mas manifestação da vontade de Deus.
Tendo regressado a Calcutá, foi ter com o arcebispo Mons. Fernando Périer a quem expôs o seu plano. Ele ouviu atentamente e, no fim, calmo, frio, disse um não absoluto que não deixou hipóteses para qualquer dúvida. A Irmã Teresa aceitou humildemente a recusa. Mais tarde comentou assim: Não podia ter sido outra a sua resposta. Um bispo não pode autorizar a primeira religiosa que se lhe apresenta com projetos raros sob pretexto de que essa parece ser a vontade de Deus. Voltou às lides diárias que cumpria cada vez com maior dedicação e entusiasmo. O carinho das alunas demonstrado de tantas maneiras e a amizade das companheiras não lhe fizeram esquecer a imagem horrorosa dos doentes e dos famintos que morriam pelas ruas de Calcutá.
Um ano depois, foi ter novamente com o arcebispo. Levava nos lábios o mesmo pedido e no coração a mesma disposição para aceitar, com humildade e alegria, a resposta qualquer que ela fosse. Mons. Périer escutou, mais uma vez, as razões da Irmã Teresa. A sua simplicidade, fervor e persistência convenceram-no de que estava perante uma manifestação da vontade de Deus. Por isso, desta vez, mais afável, aconselhou: Peça, primeiro, autorização à Madre Superiora. A Irmã Teresa escreveu prontamente uma carta expondo o seu plano. A Superiora viu nessas linhas a expressão da vontade de Deus. O que aquela religiosa pedia era algo muito sério e exigente. Por isso, respondeu-lhe nestes termos: \"Se essa é a vontade de Deus, autorizo-te de todo o coração. De qualquer maneira, lembra-te sempre da amizade que todas nós te consagramos. Se algum dia, por qualquer razão, quiseres voltar para o meio de nós, fica sabendo que te receberemos com amor de irmãs\".
Em 08 de Agosto de 1948 ela deixou o colégio de Santa Maria. Custou imenso: a ela, às companheiras, às alunas. Depois dirigiu-se para Patna, para fazer um breve curso de enfermagem que julgava de imensa utilidade para a sua atividade futura. Em 21 de dezembro de 1948, obtém a nacionalidade indiana. Data que reunia um grupo de cinco crianças, num bairro pobre, a quem começou a dar escola. Pouco a pouco, o grupo foi aumentando. Dez dias depois eram cerca de cinqüenta. Tendo abandonado o hábito da Congregação de Loreto, a Irmã Teresa comprou um sari branco, um vestido de uma modesta mulher indiana e colocou no ombro uma pequena cruz.
Com o alfabeto a irmã dava lições de higiene (muitas vezes iniciava a aula lavando a cara aos alunos) e de moral. Depois ia de abrigo em abrigo levando, mais que donativos, palavras amigas e as mãos sempre prestáveis para qualquer trabalho. Não foi preciso muito tempo para que todos a conhecessem. Quando ela passava, crianças famintas e sujas, deficientes, enfermos de todas a espécie gritavam por ela com os olhos inundados de esperança: Madre Teresa! Madre Teresa! Mas o início foi duro. Sentiu a angústia terrível da solidão. Era preciso um teto para acolher os abandonados, e caminhou para achá-lo. \"Caminhei e caminhei ininterruptamente, até que já não pude mais. Então compreendi até que ponto de esgotamento têm que chegar os verdadeiros pobres, sempre em busca de um pouco de alimento, de remédio, de tudo. \"Algumas colaboradoras começaram a surgir, precisamente entre as suas antigas alunas. Vinham sabendo que se tratava de algo difícil. A primeira foi Shubashini Das. Era uma linda jovem, dotada de bastante inteligência. Em 1949, começa a escrever as constituições das Missionárias da Caridade, nome que dá à sua Congregação. ...O primeiro trabalho com os doentes e moribundos recolhidos na rua era lavar-lhes o rosto e o corpo. A maior parte não conhecia sequer o sabão e a espuma metia-lhes medo. Se as Irmãs não vissem nestes infelizes o rosto de Cristo, o trabalho tornar-se-lhes-ia impossível. Nós queremos que eles saibam que há pessoas que os amam verdadeiramente. Aqui eles encontram a sua dignidade de homens e morrem num silêncio impressionante... Deus ama o silêncio.
Em agosto de 1952, abre o lar infantil Sishi Bavan (Casa da Esperança) e inaugura o seu famoso \"Lar para Moribundos\", em Kalighat, ao qual dedica as suas melhores energias físicas e espirituais. A partir dessa data, a sua Congregação começa a expandir-se de maneira irresistível pela Índia e por todo o mundo. Na Índia, principia por Ranchi e continua depois por Nova Delhi e Bombaim; Em 1973, abre uma casa em Gaza, na Palestina, para atender os refugiados, e celebra a primeira Assembléia Internacional dos colaboradores das Missionárias da caridade, instituição cujo estatuto tinha sido aprovado em 1969, e que reúne centenas de milhares de pessoas de todo o mundo.
Em 15 de junho de 1976, precisamente em Nova York, que era, no entender dela, o lugar mais necessitado de oração, funda o ramo contemplativo das Missionárias da Caridade. E em dezembro de 1976, inaugura centros de assistência no México e Guatemala. Recebe o Prêmio Nobel da Paz. Ainda em 1979, João Paulo II recebe-a em audiência privada e ela converte-se, sem nunca ter estudado diplomacia, na melhor \"embaixadora\" do Papa em todas as nações, fóruns e assembléias do universo. Muitas universidades lhe conferiram o título \"Honoris Causa\". E ainda em 1980, recebe a Ordem \"Distinguished Public Service Award\" nos EUA.
Em 1983, estando em Roma, sofre o primeiro grave ataque do coração. Tinha 73 anos. Foi muito bem atendida e o médico disse-lhe: \"A senhora tem coração para mais trinta anos\". Tomou isso ao pé da letra e nem febre alta a fazia descansar. Em agosto de 1989, realiza um dos seus sonhos: abrir uma casa de assistência em Albânia, sua cidade natal, que é um dos países mais pobres, injustos e atrasados do planeta.
No dia 05 de setembro de 1997, depois de sofrer uma última parada cardíaca, vem a falecer. Uma fila de quilômetros formou-se durante dias a fio, diante da igreja de São Tomé, em Calcutá, onde o seu corpo estava sendo velado. Madre Tereza de Calcutá é uma das personalidades que melhor representou a luta pela Paz no século XX. Em seus discursos, ela estava sempre ressaltando a Paz e a cooperação entre os seres humanos.
Agnes Gonxha Bojaxhiu nasce em Skoplje (Albânia), irmã mais nova de Ágata e de Lázaro, filha de Nicolau e de Rosa. Nasceu em 25 de agosto de 1910. A sua família pertencia à minoria albanesa que vivia no sul da antiga Iugoslávia.
Pouco se sabe da sua infância, adolescência e juventude porque Madre Teresa tinha horror de falar de si. Nunca morou na Albânia; foi educada numa escola estatal da atual Croácia, durante os tristes anos da Primeira Guerra Mundial.
Freqüentou a escola estatal nãocatólica e ingressou na Congregação Mariana onde foi aperfeiçoando a formação cristã ao mesmo tempo que tomava conhecimento da vida da Igreja e abria o coração às necessidades do mundo. Particular impressão lhe faziam as cartas que os missionários jesuítas da Índia escreviam e que eram comentadas em grupo. A miséria material e espiritual de tanta gente tocava o seu coração. Aos dezoito anos surge-lhe o pensamento da consagração total a Deus na vida religiosa. Obteve o consentimento dos pais e entrou no dia 29 de Setembro de 1928 para a Casa Mãe das Irmãs de Nossa Senhora de Loreto, em Rathfarnham, perto de Dublin (Irlanda).
O seu sonho era a Índia, o trabalho missionário junto dos pobres. Sabedoras desta aspiração da jovem iugoslava, as superioras decidiram que ela fizesse o noviciado já no campo do apostolado. Por isso, ao fim de poucos meses de estadia na Irlanda, Agnes partiu para Índia. O ideal que brilhara pela primeira vez na sua vida aos doze anos começava a concretizar-se. Foi enviada para Darjeeling, local onde as Irmãs de Loreto possuíam um colégio. Ali fez o noviciado. No dia 24 de Maio de 1931, faz a profissão religiosa, emitiu os votos temporários de pobreza, castidade e obediência tomando o nome de Teresa. De Darjeeling passou a Irmã Teresa para Calcutá. Tendo freqüentado uma carreira docente, passou a ensinar Geografia no Colégio de Santa Maria, da Congregação de Nossa Senhora do Loreto, em Calcutá. Mais tarde foi nomeada Diretora.
Irmã Teresa gostava de ensinar. As alunas estimavam-na porque era uma excelente professora, sempre dedicada e atenta a todos os problemas. O dia 10 de setembro de 1946 ficou marcado na história das Missionárias da Caridade e, obviamente, no livro da vida da Madre Teresa como o \"dia da inspiração\". Numa viagem de trem ao noviciado do Himalaia, recebe uma claríssima iluminação interior: dedicar a sua vida aos mais pobres dos pobres. Relatou-o assim: Em 1946, ia de Calcutá a Darjeeling, de trem, para fazer o meu retiro. Nunca é fácil dormir nos trens, mas tentar fazê-lo num trem da Índia é impossível: tudo range, há um penetrante odor de sujidade pelo amontoamento de homens e animais, todo um detrito de humanidade, cestos, galinhas cacarejando... Naquele trem, aos meus trinta e seis anos, percebi no meu interior uma chamada para que renunciasse a tudo e seguisse Cristo nos subúrbios, a fim de servi-lo entre os mais pobres dos pobres. Compreendi que Deus desejava isso de mim... A longa e dolorosa meditação que fizera terminou com uma pergunta muito concreta: que poderei fazer por estes que sofrem? Aqui a angústia da sua alma cresceu. Amava a Congregação, gostava de ensinar... Quase nada poderia fazer dentro dos regulamentos a que amorosamente se sujeitara e que cumprira com toda a fidelidade. Mas, Deus não pediria mais? Não seria talvez necessário ir ter com as superioras e com as autoridades eclesiásticas e expor-lhes frontalmente o problema, pedir-lhes até autorização para fazer a experiência de se colocar totalmente ao serviço dos mais pobres? Foi assim, com todas estas interrogações que a Irmã Teresa viveu o seu retiro daquele ano. Na oração e na meditação daqueles dias, mais se confirmou que a aspiração que lhe brotava do fundo da alma não era um capricho, mas manifestação da vontade de Deus.
Tendo regressado a Calcutá, foi ter com o arcebispo Mons. Fernando Périer a quem expôs o seu plano. Ele ouviu atentamente e, no fim, calmo, frio, disse um não absoluto que não deixou hipóteses para qualquer dúvida. A Irmã Teresa aceitou humildemente a recusa. Mais tarde comentou assim: Não podia ter sido outra a sua resposta. Um bispo não pode autorizar a primeira religiosa que se lhe apresenta com projetos raros sob pretexto de que essa parece ser a vontade de Deus. Voltou às lides diárias que cumpria cada vez com maior dedicação e entusiasmo. O carinho das alunas demonstrado de tantas maneiras e a amizade das companheiras não lhe fizeram esquecer a imagem horrorosa dos doentes e dos famintos que morriam pelas ruas de Calcutá.
Um ano depois, foi ter novamente com o arcebispo. Levava nos lábios o mesmo pedido e no coração a mesma disposição para aceitar, com humildade e alegria, a resposta qualquer que ela fosse. Mons. Périer escutou, mais uma vez, as razões da Irmã Teresa. A sua simplicidade, fervor e persistência convenceram-no de que estava perante uma manifestação da vontade de Deus. Por isso, desta vez, mais afável, aconselhou: Peça, primeiro, autorização à Madre Superiora. A Irmã Teresa escreveu prontamente uma carta expondo o seu plano. A Superiora viu nessas linhas a expressão da vontade de Deus. O que aquela religiosa pedia era algo muito sério e exigente. Por isso, respondeu-lhe nestes termos: \"Se essa é a vontade de Deus, autorizo-te de todo o coração. De qualquer maneira, lembra-te sempre da amizade que todas nós te consagramos. Se algum dia, por qualquer razão, quiseres voltar para o meio de nós, fica sabendo que te receberemos com amor de irmãs\".
Em 08 de Agosto de 1948 ela deixou o colégio de Santa Maria. Custou imenso: a ela, às companheiras, às alunas. Depois dirigiu-se para Patna, para fazer um breve curso de enfermagem que julgava de imensa utilidade para a sua atividade futura. Em 21 de dezembro de 1948, obtém a nacionalidade indiana. Data que reunia um grupo de cinco crianças, num bairro pobre, a quem começou a dar escola. Pouco a pouco, o grupo foi aumentando. Dez dias depois eram cerca de cinqüenta. Tendo abandonado o hábito da Congregação de Loreto, a Irmã Teresa comprou um sari branco, um vestido de uma modesta mulher indiana e colocou no ombro uma pequena cruz.
Com o alfabeto a irmã dava lições de higiene (muitas vezes iniciava a aula lavando a cara aos alunos) e de moral. Depois ia de abrigo em abrigo levando, mais que donativos, palavras amigas e as mãos sempre prestáveis para qualquer trabalho. Não foi preciso muito tempo para que todos a conhecessem. Quando ela passava, crianças famintas e sujas, deficientes, enfermos de todas a espécie gritavam por ela com os olhos inundados de esperança: Madre Teresa! Madre Teresa! Mas o início foi duro. Sentiu a angústia terrível da solidão. Era preciso um teto para acolher os abandonados, e caminhou para achá-lo. \"Caminhei e caminhei ininterruptamente, até que já não pude mais. Então compreendi até que ponto de esgotamento têm que chegar os verdadeiros pobres, sempre em busca de um pouco de alimento, de remédio, de tudo. \"Algumas colaboradoras começaram a surgir, precisamente entre as suas antigas alunas. Vinham sabendo que se tratava de algo difícil. A primeira foi Shubashini Das. Era uma linda jovem, dotada de bastante inteligência. Em 1949, começa a escrever as constituições das Missionárias da Caridade, nome que dá à sua Congregação. ...O primeiro trabalho com os doentes e moribundos recolhidos na rua era lavar-lhes o rosto e o corpo. A maior parte não conhecia sequer o sabão e a espuma metia-lhes medo. Se as Irmãs não vissem nestes infelizes o rosto de Cristo, o trabalho tornar-se-lhes-ia impossível. Nós queremos que eles saibam que há pessoas que os amam verdadeiramente. Aqui eles encontram a sua dignidade de homens e morrem num silêncio impressionante... Deus ama o silêncio.
Em agosto de 1952, abre o lar infantil Sishi Bavan (Casa da Esperança) e inaugura o seu famoso \"Lar para Moribundos\", em Kalighat, ao qual dedica as suas melhores energias físicas e espirituais. A partir dessa data, a sua Congregação começa a expandir-se de maneira irresistível pela Índia e por todo o mundo. Na Índia, principia por Ranchi e continua depois por Nova Delhi e Bombaim; Em 1973, abre uma casa em Gaza, na Palestina, para atender os refugiados, e celebra a primeira Assembléia Internacional dos colaboradores das Missionárias da caridade, instituição cujo estatuto tinha sido aprovado em 1969, e que reúne centenas de milhares de pessoas de todo o mundo.
Em 15 de junho de 1976, precisamente em Nova York, que era, no entender dela, o lugar mais necessitado de oração, funda o ramo contemplativo das Missionárias da Caridade. E em dezembro de 1976, inaugura centros de assistência no México e Guatemala. Recebe o Prêmio Nobel da Paz. Ainda em 1979, João Paulo II recebe-a em audiência privada e ela converte-se, sem nunca ter estudado diplomacia, na melhor \"embaixadora\" do Papa em todas as nações, fóruns e assembléias do universo. Muitas universidades lhe conferiram o título \"Honoris Causa\". E ainda em 1980, recebe a Ordem \"Distinguished Public Service Award\" nos EUA.
Em 1983, estando em Roma, sofre o primeiro grave ataque do coração. Tinha 73 anos. Foi muito bem atendida e o médico disse-lhe: \"A senhora tem coração para mais trinta anos\". Tomou isso ao pé da letra e nem febre alta a fazia descansar. Em agosto de 1989, realiza um dos seus sonhos: abrir uma casa de assistência em Albânia, sua cidade natal, que é um dos países mais pobres, injustos e atrasados do planeta.
No dia 05 de setembro de 1997, depois de sofrer uma última parada cardíaca, vem a falecer. Uma fila de quilômetros formou-se durante dias a fio, diante da igreja de São Tomé, em Calcutá, onde o seu corpo estava sendo velado. Madre Tereza de Calcutá é uma das personalidades que melhor representou a luta pela Paz no século XX. Em seus discursos, ela estava sempre ressaltando a Paz e a cooperação entre os seres humanos.

MAHATMA GANDHI
\"NÃO EXISTE UM CAMINHO PARA A
PAZ. A PAZ É O CAMINHO!\"
Mohandas Karamchand Gandhi nasceu no dia 2 de outubro de 1869, na cidade indiana de Porbandar. Membro da privilegiada casta dos comerciantes, a casta Bania, seu pai era um político local, e a mãe era uma Vaishnavite religiosa. À idade de 13 anos, Mohandas casou-se com uma moça da mesma idade que ele. Cursou a faculdade de Direito em Londres, desafiando os regulamentos de sua casta que proibiam a viagem para a Inglaterra. Quando Gandhi voltou à Índia em 1891, a mãe dele houvera falecido, e ele teve dificuldades, no início, em exercer na Índia sua profissão legal como advogado, devido a sua timidez.
Em 1896, Mohandas já era um advogado conhecido e rico, ganhando cerca de 5 mil libras por ano. Como advogado, Gandhi fez o melhor para descobrir os fatos. Depois de resolver um caso difícil, ele passou a ser \"visto\" e comentado. Suas palavras retratam bem isso: \"eu tive um aprendizado que me levou a descobrir o lado melhor da natureza humana e a entrar nos corações dos homens. Eu percebi que a verdadeira função de um advogado era unir rivais\". Ele também teimou em receber a verdade dos clientes dele, e se descobrisse que eles tivessem mentido, ele derrubaria o caso. Acreditava que o dever do advogado era ajudar o tribunal a descobrir a verdade, não tentar provar o culpado ou inocente.
Aproveitou a oportunidade de ir para África do Sul, representando uma firma hindu, em Natal, durante um processo judicial naquela cidade, e lá permaneceu até 1915. A África do Sul, imóvel notório para discriminação racial, deu para Gandhi os insultos que despertaram sua consciência social. Fundou em Natal o Congresso Hindu em 1894, e seus esforços eram uma vigorosa advertência para a imprensa. Gandhi qualificou um episódio em especial como o momento decisivo de sua vida: ao viajar num trem de primeira classe, um passageiro branco mostrou-se indignado por viajar na companhia de um homem de pele escura. Ele foi retirado à força da cabine por um policial, mesmo depois de ter mostrado seu bilhete e se identificar como advogado. \"Descobri que, como homem e como indiano, eu não tinha direitos\", declarou Gandhi. \"Ou melhor, descobri que não tinha nenhum direito como homem por ser indiano\".
O pensamento do Mahatma teve grande influência do escritor norte-americano Henry David Thoreau (1818-1862), e ele manteve correspondências com o pensador russo Leon Tolstoi (1828-1910), ambos reconhecidamente pacifistas. Porém, sua maior inspiração foi a tradição hindu das milenares escrituras Vedas e Upanishads, os livros sagrados do bramanismo e jainismo. Acabou permanecendo vinte anos na África do Sul, defendendo a minoria hindu e liderando a luta de seu povo pelos seus direitos. O primeiro uso de desobediência civil em massa ocorreu em setembro de 1906.
O Governo de Transvaal quis registrar a população hindu inteira. Na verdade, as leis restritivas à sua gente não pararam de crescer, até que, em 1907, o advogado hindu expôs pela primeira vez sua idéia de Satyagraha, a resistência à opressão traduzido como a força da verdade ou do amor, definida como \"a defesa da verdade infligindo sofrimento, não ao oponente, mas a si próprio\". Para atingir o objetivo é preciso muito treino e autocontrole, mas \"é uma força que, tornando-se universal, revolucionaria ideais sociais e anularia despotismos e o militarismo\". A idéia é curar o oponente do erro por meio da paciência e compreensão. A Satyagraha não foi baseada em teorias políticas ou sociais, mas nos princípios da sagrada escritura indiana Bhagavad Gita.
Gandhi também seguiu o conceito do Aparigraha, que é o desprendimento do bens materias para se tornar rico espiritualmente - um princípio que ele adotou ao retornar à Índia, abrindo mão de suas posses e vivendo de forma cada vez mais simples.Foi atraído à vida agrícola simples e começou duas comunidades rurais em Satyagrahis-Phoenix Farm e Tolstoy Farm. Escreveu e editou o diário \"Opinião indiana\", para elucidar os princípios e a prática de Satyagraha. Por último, e mais importante, o Mahatma abraçou de corpo e alma o conceito da Ahimsa, o ideal jainista de \"não-violência\" e respeito por todas as formas de vida.
Dizia: \"O pecado e não o pecador. Desde que nós vivemos espiritualmente, ferir ou atacar outra pessoa são atacar a si mesmo. Embora nós possamos atacar um sistema injusto, nós sempre temos que amar as pessoas envolvidas\". Sugeriu aos indianos e muçulmanos as possibilidades infinitas do \"amor universal\". Foi assim que Gandhi viveu e ensinou a seus companheiros de luta durante as campanhas de resistência na África do Sul, preparando-os para agüentar todo tipo de agressão física ou moral sem reagir.
A recepção calorosa que recebeu da Índia em sua chegada, no ano de 1915, deixou claro que seus esforços na África do Sul tinham causado forte impressão no povo. Gandhi passou a exercer o papel de conscientizador da sociedade hindu e muçulmana na luta pacífica pela independência indiana, baseada no uso da não-violência. Ele rejeitou a força bruta e sua opressão e declara que a força da alma ou amor e que se mantém a unidade das pessoas em paz e harmonia.
Já em 1917 ele deu início a uma campanha para que trabalhadores indianos não fossem enviados à África do Sul, e apoiou camponeses, agricultores e operários que trabalhavam em tecelagens, diante da exploração injusta dos proprietários e do poder do império britânico. O confronto com o governo inglês teve início na forma de greves gerais, os hartals, que contavam com o apoio público, mas resultaram em conflitos violentos, pelos quais Gandhi se desculpou e penitenciou com um jejum de 72 horas. O acontecimento que detonou a campanha decisiva contra os ingleses foi o massacre de Amristar, em abril de 1919. Considerada uma cidade sagrada para os membros da fé sikh, lá estava sendo realizado um comício, que foi suprimido pelos britânicos, com a maior violência possível: o exército cercou o local e atirou contra a multidão, matando 379 pessoas e ferindo mais de 1200.
A forma escolhida para demonstrar que os ingleses não eram mais bem-vindos no país foi boicotar seus produtos vendidos aos indianos, especialmente os tecidos. Viajando de trem, Gandhi percorreu todo o país difundindo essa idéia, o que teve resultados positivos - as pessoas deixaram de usar vestes importadas, queimando-as, e passaram a usar trajes indianos mais simples.
Durante finais dos anos 20, Gandhi escreve uma auto-bibliografia retratando suas experiências vividas. Ele é bastante sincero, chegando ao ponto de se humilhar pelos erros cometidos, mostrando o esforço de os superar. Em 1922, o grande líder foi preso e condenado a seis anos por rebelião contra o governo, permanecendo em confinamento até 1924, quando foi solto de modo provisório para fazer uma operação de apendicite aguda. Durante a vida, Gandhi passou um total de mais de seis anos como prisioneiro.
Por fim, em 1929, já com 60 anos de idade, Gandhi voltou à luta pela libertação, pregando mais uma vez a desobediência civil. Um dos maiores símbolos desse período foi a Marcha do Sal - uma caminhada de mais de 300 quilômetros até o mar, empreendido por Gandhi, seguido por milhares de pessoas, para pegar o sal que os ingleses insistiam em taxar. Gandhi foi preso antes de que pudesse chegar no Dharasana Sal, mas o amigo dele Sr. Sarojini Naidu conduziu 2.500 voluntários e os advertiu de não resistir às interferências da polícia.
O resultado, que o governo não esperava, foi uma explosão de desobediência, com a população extraindo sal do mar sem pagar qualquer imposto. Mais de 100 mil pessoas foram presas, mas isso não impediu que os protestos continuassem. As salinas de Dharasana eram guardadas por policiais que abateram os manifestantes com bastões de madeira. O episódio foi descrito por uma testemunha ocular, o jornalista Miller de Webb, e transmitido ao mundo inteiro.
Os manifestantes apresentavam-se em fileiras, sem reagir à violência da polícia, eram abatidos, seus corpos retirados pelas mulheres e, em seguida, nova fileira se apresentava. O resultado do movimento foi a produção livre de sal na Índia. Por conseguinte em 1930, Mahatma Gandhi informou ao vice-rei que a desobediência civil em massa iniciaria no dia 11 de março. \"Minha ambição é nada menos que converter as pessoas britânicas à não-violência, e assim lhe faz ver o mal que fizeram para a Índia. Eu não busco danificar as pessoas\". Gandhi foi chamado à uma reunião com o Vice-rei Irwin em 1931, e eles firmaram um acordo em março. A desobediência civil foi cancelada, foram libertados os prisioneiros; a fabricação de sal foi permitida na costa e os líderes do Congresso assistiriam à próxima Conferência de Mesa Redonda em Londres.
Gandhi viajou para Londres onde ele conheceu Charlie Chaplin, George Bernard Shaw, e Maria Montessori, entre outros. Em transmissão de rádio para os Estados Unidos, ele falou que a força não-violenta é um modo mais consistente, humano e digno.
Discutindo relações com os britânicos, ele disse que ele não quis somente a independência, mas também a interdependência voluntária baseada no amor. Mesmo com a Segunda Guerra Mundial se aproximando, Gandhi havia confirmado seus princípios pacifistas. Ele mostrou como a Abissínia (Etiópia) poderia ter usado a não-violência contra Mussolini, e ele recomendou isto para os tchecos e para os chineses. \"Se é valente, como é, para morrer a um homem que luta contra preconceitos, é ainda bravo para recusar briga e ainda recusar se render ao usurpador\" (Gandhi).
Porém, Gandhi continuou exercendo uma revolução não violenta para a Índia, e em 1942 ele e outros líderes foram presos. Ele decidiu jejuar novamente, sendo que apenas ele sobreviveu. Quando a guerra terminou, ele afirmou da necessidade de \"uma paz real baseada na liberdade e igualdade de todas as raças e nações\". A incapacidade dos homens de se entenderem devido a questões religiosas deu início a uma onda de violência sem precedentes na Índia, gerando milhares de mortos. Os hindus o atacaram porque pensaram que ele era a favor dos muçulmanos, e os muçulmanos exigindo dele a criação do Paquistão. Gandhi foi para Calcutá para acalmar a discussão e a violência entre hindus e muçulmanos. Gandhi empreendeu então o que chamou de \"a missão mais difícil de sua vida\", percorrendo as regiões onde os problemas eram maiores. Aos 77 anos, ele iniciou um jejum sob o juramento de que só voltaria a se alimentar quando muçulmanos e hindus parassem as hostilidades. Índia se acalmou.
Mais tarde, o Mahatma faria o mesmo em Calcutá, declarando que jejuaria até a morte caso a violência não cessasse, o que aconteceu em quatro dias. A independência do país finalmente aconteceu, no dia 15 de agosto de 1947, mas não como Gandhi pretendia. \"Não há motivo para tanta festa\", ele disse quando todos comemoravam. A Índia separou-se e mais de 12 milhões de pessoas tiveram que deixar seus lares: muçulmanos se mudaram para o Paquistão, hindus permaneceram na Índia. E, durante o processo, ocorreram mais encontros ferozes, violência e mortes.
Em 1948, já com 78 anos, Mohandas realizou seu 18º e último jejum, com o objetivo de reunir os \"corações de todas as comunidades\". Esse interesse de Gandhi por todos os seres vivos sem se importar com a crença religiosa, política ou casta social não agradava a todos os hindus, especialmente os grupos mais radicais. E foi um desses extremistas que acabou por assassiná-lo em 30 de janeiro de 1948, provocando uma comoção mundial poucas vezes vistas na história humana.
O americano Martin Luther King, outro grande defensor das liberdades e adepto da não-violência, disse, antes de ser assassinado também por radicais: \"Gandhi foi infalível. Se a humanidade tem de progredir, o Mahatma é imprescindível. Ele viveu, pensou e agiu inspirado pela visão de uma humanidade que evoluía para um mundo de paz e harmonia. Se o ignorarmos, o risco será só nosso\".
Foi exatamente isto que Jesus, o mestre da não-violência, quis dizer ao se referir com essas expressões no seu evangelho: \"dar a outra face\", \"não resistir ao mal\", \"quando alguém lhe roubar a capa, dê-lhe também a túnica\". Albert Einstein declarou que Gandhi mostrou como alguém poderia vencer a submissão, \"não somente pelo jogo esperto e artifício de fraude política, mas pelo exemplo de um modo moralmente exaltado de vida\". Einstein considerou que Gandhi foi o estadista mais iluminado do tempo deles, e ele predisse: \"O problema de trazer paz para o mundo em uma base supranacional só será resolvido empregando o método de Gandhi em uma grande escala\".
A Enciclopédia Britânica resume o significado de Gandhi com a declaração, \"Ele é o catalisador, se não o iniciador de três das revoluções principais do século 20: as revoluções contra colonialismo, racismo, e a violência\". \"Sem sombra de dúvida, qualquer homem ou mulher pode realizar o que realizei, desde que faça o mesmo esforço e cultive a mesma esperança e fé\". Gandhi.
Mohandas Karamchand Gandhi nasceu no dia 2 de outubro de 1869, na cidade indiana de Porbandar. Membro da privilegiada casta dos comerciantes, a casta Bania, seu pai era um político local, e a mãe era uma Vaishnavite religiosa. À idade de 13 anos, Mohandas casou-se com uma moça da mesma idade que ele. Cursou a faculdade de Direito em Londres, desafiando os regulamentos de sua casta que proibiam a viagem para a Inglaterra. Quando Gandhi voltou à Índia em 1891, a mãe dele houvera falecido, e ele teve dificuldades, no início, em exercer na Índia sua profissão legal como advogado, devido a sua timidez.
Em 1896, Mohandas já era um advogado conhecido e rico, ganhando cerca de 5 mil libras por ano. Como advogado, Gandhi fez o melhor para descobrir os fatos. Depois de resolver um caso difícil, ele passou a ser \"visto\" e comentado. Suas palavras retratam bem isso: \"eu tive um aprendizado que me levou a descobrir o lado melhor da natureza humana e a entrar nos corações dos homens. Eu percebi que a verdadeira função de um advogado era unir rivais\". Ele também teimou em receber a verdade dos clientes dele, e se descobrisse que eles tivessem mentido, ele derrubaria o caso. Acreditava que o dever do advogado era ajudar o tribunal a descobrir a verdade, não tentar provar o culpado ou inocente.
Aproveitou a oportunidade de ir para África do Sul, representando uma firma hindu, em Natal, durante um processo judicial naquela cidade, e lá permaneceu até 1915. A África do Sul, imóvel notório para discriminação racial, deu para Gandhi os insultos que despertaram sua consciência social. Fundou em Natal o Congresso Hindu em 1894, e seus esforços eram uma vigorosa advertência para a imprensa. Gandhi qualificou um episódio em especial como o momento decisivo de sua vida: ao viajar num trem de primeira classe, um passageiro branco mostrou-se indignado por viajar na companhia de um homem de pele escura. Ele foi retirado à força da cabine por um policial, mesmo depois de ter mostrado seu bilhete e se identificar como advogado. \"Descobri que, como homem e como indiano, eu não tinha direitos\", declarou Gandhi. \"Ou melhor, descobri que não tinha nenhum direito como homem por ser indiano\".
O pensamento do Mahatma teve grande influência do escritor norte-americano Henry David Thoreau (1818-1862), e ele manteve correspondências com o pensador russo Leon Tolstoi (1828-1910), ambos reconhecidamente pacifistas. Porém, sua maior inspiração foi a tradição hindu das milenares escrituras Vedas e Upanishads, os livros sagrados do bramanismo e jainismo. Acabou permanecendo vinte anos na África do Sul, defendendo a minoria hindu e liderando a luta de seu povo pelos seus direitos. O primeiro uso de desobediência civil em massa ocorreu em setembro de 1906.
O Governo de Transvaal quis registrar a população hindu inteira. Na verdade, as leis restritivas à sua gente não pararam de crescer, até que, em 1907, o advogado hindu expôs pela primeira vez sua idéia de Satyagraha, a resistência à opressão traduzido como a força da verdade ou do amor, definida como \"a defesa da verdade infligindo sofrimento, não ao oponente, mas a si próprio\". Para atingir o objetivo é preciso muito treino e autocontrole, mas \"é uma força que, tornando-se universal, revolucionaria ideais sociais e anularia despotismos e o militarismo\". A idéia é curar o oponente do erro por meio da paciência e compreensão. A Satyagraha não foi baseada em teorias políticas ou sociais, mas nos princípios da sagrada escritura indiana Bhagavad Gita.
Gandhi também seguiu o conceito do Aparigraha, que é o desprendimento do bens materias para se tornar rico espiritualmente - um princípio que ele adotou ao retornar à Índia, abrindo mão de suas posses e vivendo de forma cada vez mais simples.Foi atraído à vida agrícola simples e começou duas comunidades rurais em Satyagrahis-Phoenix Farm e Tolstoy Farm. Escreveu e editou o diário \"Opinião indiana\", para elucidar os princípios e a prática de Satyagraha. Por último, e mais importante, o Mahatma abraçou de corpo e alma o conceito da Ahimsa, o ideal jainista de \"não-violência\" e respeito por todas as formas de vida.
Dizia: \"O pecado e não o pecador. Desde que nós vivemos espiritualmente, ferir ou atacar outra pessoa são atacar a si mesmo. Embora nós possamos atacar um sistema injusto, nós sempre temos que amar as pessoas envolvidas\". Sugeriu aos indianos e muçulmanos as possibilidades infinitas do \"amor universal\". Foi assim que Gandhi viveu e ensinou a seus companheiros de luta durante as campanhas de resistência na África do Sul, preparando-os para agüentar todo tipo de agressão física ou moral sem reagir.
A recepção calorosa que recebeu da Índia em sua chegada, no ano de 1915, deixou claro que seus esforços na África do Sul tinham causado forte impressão no povo. Gandhi passou a exercer o papel de conscientizador da sociedade hindu e muçulmana na luta pacífica pela independência indiana, baseada no uso da não-violência. Ele rejeitou a força bruta e sua opressão e declara que a força da alma ou amor e que se mantém a unidade das pessoas em paz e harmonia.
Já em 1917 ele deu início a uma campanha para que trabalhadores indianos não fossem enviados à África do Sul, e apoiou camponeses, agricultores e operários que trabalhavam em tecelagens, diante da exploração injusta dos proprietários e do poder do império britânico. O confronto com o governo inglês teve início na forma de greves gerais, os hartals, que contavam com o apoio público, mas resultaram em conflitos violentos, pelos quais Gandhi se desculpou e penitenciou com um jejum de 72 horas. O acontecimento que detonou a campanha decisiva contra os ingleses foi o massacre de Amristar, em abril de 1919. Considerada uma cidade sagrada para os membros da fé sikh, lá estava sendo realizado um comício, que foi suprimido pelos britânicos, com a maior violência possível: o exército cercou o local e atirou contra a multidão, matando 379 pessoas e ferindo mais de 1200.
A forma escolhida para demonstrar que os ingleses não eram mais bem-vindos no país foi boicotar seus produtos vendidos aos indianos, especialmente os tecidos. Viajando de trem, Gandhi percorreu todo o país difundindo essa idéia, o que teve resultados positivos - as pessoas deixaram de usar vestes importadas, queimando-as, e passaram a usar trajes indianos mais simples.
Durante finais dos anos 20, Gandhi escreve uma auto-bibliografia retratando suas experiências vividas. Ele é bastante sincero, chegando ao ponto de se humilhar pelos erros cometidos, mostrando o esforço de os superar. Em 1922, o grande líder foi preso e condenado a seis anos por rebelião contra o governo, permanecendo em confinamento até 1924, quando foi solto de modo provisório para fazer uma operação de apendicite aguda. Durante a vida, Gandhi passou um total de mais de seis anos como prisioneiro.
Por fim, em 1929, já com 60 anos de idade, Gandhi voltou à luta pela libertação, pregando mais uma vez a desobediência civil. Um dos maiores símbolos desse período foi a Marcha do Sal - uma caminhada de mais de 300 quilômetros até o mar, empreendido por Gandhi, seguido por milhares de pessoas, para pegar o sal que os ingleses insistiam em taxar. Gandhi foi preso antes de que pudesse chegar no Dharasana Sal, mas o amigo dele Sr. Sarojini Naidu conduziu 2.500 voluntários e os advertiu de não resistir às interferências da polícia.
O resultado, que o governo não esperava, foi uma explosão de desobediência, com a população extraindo sal do mar sem pagar qualquer imposto. Mais de 100 mil pessoas foram presas, mas isso não impediu que os protestos continuassem. As salinas de Dharasana eram guardadas por policiais que abateram os manifestantes com bastões de madeira. O episódio foi descrito por uma testemunha ocular, o jornalista Miller de Webb, e transmitido ao mundo inteiro.
Os manifestantes apresentavam-se em fileiras, sem reagir à violência da polícia, eram abatidos, seus corpos retirados pelas mulheres e, em seguida, nova fileira se apresentava. O resultado do movimento foi a produção livre de sal na Índia. Por conseguinte em 1930, Mahatma Gandhi informou ao vice-rei que a desobediência civil em massa iniciaria no dia 11 de março. \"Minha ambição é nada menos que converter as pessoas britânicas à não-violência, e assim lhe faz ver o mal que fizeram para a Índia. Eu não busco danificar as pessoas\". Gandhi foi chamado à uma reunião com o Vice-rei Irwin em 1931, e eles firmaram um acordo em março. A desobediência civil foi cancelada, foram libertados os prisioneiros; a fabricação de sal foi permitida na costa e os líderes do Congresso assistiriam à próxima Conferência de Mesa Redonda em Londres.
Gandhi viajou para Londres onde ele conheceu Charlie Chaplin, George Bernard Shaw, e Maria Montessori, entre outros. Em transmissão de rádio para os Estados Unidos, ele falou que a força não-violenta é um modo mais consistente, humano e digno.
Discutindo relações com os britânicos, ele disse que ele não quis somente a independência, mas também a interdependência voluntária baseada no amor. Mesmo com a Segunda Guerra Mundial se aproximando, Gandhi havia confirmado seus princípios pacifistas. Ele mostrou como a Abissínia (Etiópia) poderia ter usado a não-violência contra Mussolini, e ele recomendou isto para os tchecos e para os chineses. \"Se é valente, como é, para morrer a um homem que luta contra preconceitos, é ainda bravo para recusar briga e ainda recusar se render ao usurpador\" (Gandhi).
Porém, Gandhi continuou exercendo uma revolução não violenta para a Índia, e em 1942 ele e outros líderes foram presos. Ele decidiu jejuar novamente, sendo que apenas ele sobreviveu. Quando a guerra terminou, ele afirmou da necessidade de \"uma paz real baseada na liberdade e igualdade de todas as raças e nações\". A incapacidade dos homens de se entenderem devido a questões religiosas deu início a uma onda de violência sem precedentes na Índia, gerando milhares de mortos. Os hindus o atacaram porque pensaram que ele era a favor dos muçulmanos, e os muçulmanos exigindo dele a criação do Paquistão. Gandhi foi para Calcutá para acalmar a discussão e a violência entre hindus e muçulmanos. Gandhi empreendeu então o que chamou de \"a missão mais difícil de sua vida\", percorrendo as regiões onde os problemas eram maiores. Aos 77 anos, ele iniciou um jejum sob o juramento de que só voltaria a se alimentar quando muçulmanos e hindus parassem as hostilidades. Índia se acalmou.
Mais tarde, o Mahatma faria o mesmo em Calcutá, declarando que jejuaria até a morte caso a violência não cessasse, o que aconteceu em quatro dias. A independência do país finalmente aconteceu, no dia 15 de agosto de 1947, mas não como Gandhi pretendia. \"Não há motivo para tanta festa\", ele disse quando todos comemoravam. A Índia separou-se e mais de 12 milhões de pessoas tiveram que deixar seus lares: muçulmanos se mudaram para o Paquistão, hindus permaneceram na Índia. E, durante o processo, ocorreram mais encontros ferozes, violência e mortes.
Em 1948, já com 78 anos, Mohandas realizou seu 18º e último jejum, com o objetivo de reunir os \"corações de todas as comunidades\". Esse interesse de Gandhi por todos os seres vivos sem se importar com a crença religiosa, política ou casta social não agradava a todos os hindus, especialmente os grupos mais radicais. E foi um desses extremistas que acabou por assassiná-lo em 30 de janeiro de 1948, provocando uma comoção mundial poucas vezes vistas na história humana.
O americano Martin Luther King, outro grande defensor das liberdades e adepto da não-violência, disse, antes de ser assassinado também por radicais: \"Gandhi foi infalível. Se a humanidade tem de progredir, o Mahatma é imprescindível. Ele viveu, pensou e agiu inspirado pela visão de uma humanidade que evoluía para um mundo de paz e harmonia. Se o ignorarmos, o risco será só nosso\".
Foi exatamente isto que Jesus, o mestre da não-violência, quis dizer ao se referir com essas expressões no seu evangelho: \"dar a outra face\", \"não resistir ao mal\", \"quando alguém lhe roubar a capa, dê-lhe também a túnica\". Albert Einstein declarou que Gandhi mostrou como alguém poderia vencer a submissão, \"não somente pelo jogo esperto e artifício de fraude política, mas pelo exemplo de um modo moralmente exaltado de vida\". Einstein considerou que Gandhi foi o estadista mais iluminado do tempo deles, e ele predisse: \"O problema de trazer paz para o mundo em uma base supranacional só será resolvido empregando o método de Gandhi em uma grande escala\".
A Enciclopédia Britânica resume o significado de Gandhi com a declaração, \"Ele é o catalisador, se não o iniciador de três das revoluções principais do século 20: as revoluções contra colonialismo, racismo, e a violência\". \"Sem sombra de dúvida, qualquer homem ou mulher pode realizar o que realizei, desde que faça o mesmo esforço e cultive a mesma esperança e fé\". Gandhi.

DOM HÉLDER CÂMARA
\"OS VERDADEIROS FAUTORES DE
VIOLÊNCIA SÃO ÀQUELES QUE FEREM A JUSTIÇA E IMPEDEM A PAZ\"
Nascido a 7 de fevereiro de 1909, em Fortaleza, Ceará, estado situado no Nordeste do Brasil, Dom Hélder Câmara é o décimo primeiro filho de uma família simples e numerosa, composta de treze filhos, dos quais somente oito conseguiram sobreviver. Os demais faleceram vítimas de uma epidemia de gripe que assolou a região no ano de 1905. O pai, João Câmara Filho, era guarda-livros de uma firma comercial, enquanto a mãe, Adelaide Pessoa Câmara, era professora primária.
A escolha do nome Hélder coube ao pai, que apreciava muito esse nome, denominação de um pequeno porto situado na Holanda.

 De um pai não muito ligado às práticas religiosas, Dom Hélder Câmara ainda guardou as seguintes palavras: \"Meu filho, você sabe o que é ser padre? Padre e egoísmo nunca podem andar juntos. O padre tem que se gastar, se deixar devorar\".
Em 1923, ingressou no Seminário Diocesano de Fortaleza (Prainha), onde fez os cursos preparatórios e depois filosofia e teologia. Sua preparação sacerdotal se deu de forma tranqüila e serena, muito embora ele já viesse se destacando pela agudeza de espírito em defender seus pontos de vista, em embates presididos pelo padre Tobias Dequidt, então reitor, que muito o admirava pela segurança das suas argumentações. O tom irresistivelmente envolvente de sua pregação não demorou a surgir. Desde que foi ordenado padre, em 1931, foram 7.547 meditações escritas de madrugada, sobre os mais variados assuntos: a fé em Deus, em Cristo e em Maria, as asas quebradas de um passarinho, a crença no amor dos homens, a esperança social e a paz. Aos 26 anos, foi nomeado diretor da Instrução Pública do Ceará. 


Por não aceitar as interferências do governo em seu trabalho, o padre magricela e baixinho (media 1,60m) pediu demissão e foi para o Rio de Janeiro. No Rio, como arcebispo-auxiliar, organizou o Congresso Eucarístico de 1955. Foi o principal articulador da Conferência Nacional dos Bispos no Brasil (CNBB), criada em 1952. Sempre desenvolveu gigantescos programas sociais. Batia na porta dos ricos e reclamava se eles não oferecessem ajuda. Era chamado por alguns de \"Bispo Vermelho\", imagem fortalecida com as idéias progressistas que defendeu no Congresso Vaticano II.
Em 1970, reuniu mais de 20 mil pessoas em Paris para denunciar torturas no Brasil. Ele foi transferido para a Arquidiocese de Olinda e Recife devido às pressões políticas, mas nem as ameaças a seus colaboradores e o assassinato de um padre fizeram-no calar. Deu início a um dos maiores programas sociais já vistos no Nordeste, a \"Operação Esperança\", que ajudava os flagelados das enchentes e incentivava o surgimento de lideranças populares para transcender o mero assistencialismo.
Foi indicado quatro vezes ao prêmio Nobel da Paz (entre 1970 e 1973), porém não o recebeu devido ao boicote do regime militar brasileiro durante o governo do Presidente Médici. Apesar de não ser laureado com o Nobel da Paz, Dom Hélder recebeu os 27 prêmios mais importantes pela Paz, distribuído em diversos países do mundo depois do Nobel. \"Dom Hélder: Irmão dos pobres e meu irmão\". João Paulo II, em visita ao Recife, em 1980.
Nascido a 7 de fevereiro de 1909, em Fortaleza, Ceará, estado situado no Nordeste do Brasil, Dom Hélder Câmara é o décimo primeiro filho de uma família simples e numerosa, composta de treze filhos, dos quais somente oito conseguiram sobreviver. Os demais faleceram vítimas de uma epidemia de gripe que assolou a região no ano de 1905. O pai, João Câmara Filho, era guarda-livros de uma firma comercial, enquanto a mãe, Adelaide Pessoa Câmara, era professora primária.
A escolha do nome Hélder coube ao pai, que apreciava muito esse nome, denominação de um pequeno porto situado na Holanda.

 De um pai não muito ligado às práticas religiosas, Dom Hélder Câmara ainda guardou as seguintes palavras: \"Meu filho, você sabe o que é ser padre? Padre e egoísmo nunca podem andar juntos. O padre tem que se gastar, se deixar devorar\".
Em 1923, ingressou no Seminário Diocesano de Fortaleza (Prainha), onde fez os cursos preparatórios e depois filosofia e teologia. Sua preparação sacerdotal se deu de forma tranqüila e serena, muito embora ele já viesse se destacando pela agudeza de espírito em defender seus pontos de vista, em embates presididos pelo padre Tobias Dequidt, então reitor, que muito o admirava pela segurança das suas argumentações. O tom irresistivelmente envolvente de sua pregação não demorou a surgir. Desde que foi ordenado padre, em 1931, foram 7.547 meditações escritas de madrugada, sobre os mais variados assuntos: a fé em Deus, em Cristo e em Maria, as asas quebradas de um passarinho, a crença no amor dos homens, a esperança social e a paz. Aos 26 anos, foi nomeado diretor da Instrução Pública do Ceará. 


Por não aceitar as interferências do governo em seu trabalho, o padre magricela e baixinho (media 1,60m) pediu demissão e foi para o Rio de Janeiro. No Rio, como arcebispo-auxiliar, organizou o Congresso Eucarístico de 1955. Foi o principal articulador da Conferência Nacional dos Bispos no Brasil (CNBB), criada em 1952. Sempre desenvolveu gigantescos programas sociais. Batia na porta dos ricos e reclamava se eles não oferecessem ajuda. Era chamado por alguns de \"Bispo Vermelho\", imagem fortalecida com as idéias progressistas que defendeu no Congresso Vaticano II.
Em 1970, reuniu mais de 20 mil pessoas em Paris para denunciar torturas no Brasil. Ele foi transferido para a Arquidiocese de Olinda e Recife devido às pressões políticas, mas nem as ameaças a seus colaboradores e o assassinato de um padre fizeram-no calar. Deu início a um dos maiores programas sociais já vistos no Nordeste, a \"Operação Esperança\", que ajudava os flagelados das enchentes e incentivava o surgimento de lideranças populares para transcender o mero assistencialismo.
Foi indicado quatro vezes ao prêmio Nobel da Paz (entre 1970 e 1973), porém não o recebeu devido ao boicote do regime militar brasileiro durante o governo do Presidente Médici. Apesar de não ser laureado com o Nobel da Paz, Dom Hélder recebeu os 27 prêmios mais importantes pela Paz, distribuído em diversos países do mundo depois do Nobel. \"Dom Hélder: Irmão dos pobres e meu irmão\". João Paulo II, em visita ao Recife, em 1980.

HENRY DAVID THOREAU
\"JUSTIÇA E LIBERDADE SÃO OS
ALICERCES DA PAZ\"
Henry David Thoureau (1817-1862) nasceu em Concord, no estado de Massachussets, e lá viveu a maior parte de sua vida. Apesar dos parcos recursos de que dispunha a família, obteve invejável educação humanista, particularmente no período em que estudou em Harvard (1833-1837), universidade que começou a freqüentar quando tinha dezesseis anos. Familiarizou-se com os clássicos gregos e latinos, que lia fluentemente no original, e com línguas modernas como o alemão, o francês, o espanhol e o italiano.
Foi freqüentemente visto por admiradores, amigos e inimigos como um rebelde marcado por hábitos excêntricos: em Harvard, insistia em usar manta verde, apesar do regulamento exigir dos alunos o uso de manta negra, e dizia ironicamente do que era, já na época, um avançado sistema de ensino universitário, que lá se ensinavam todos os \"ramos do conhecimento\", mas nenhuma de suas raízes. Nos textos de Thoureau, contudo, esse individualismo rebelde não deve ser entendido em termos de uma postura excêntrica e meramente negadora do social e do político. Trata-se antes do individualismo entendido no contexto do movimento literário conhecido como o \"Transcendentalismo Romântico\" norte-americano, caracterizado não apenas pela ênfase romântica no sentimento individual mais do que na razão, mas principalmente por uma postura política progressiva preocupada com reformas sociais e políticas a serem levadas a cabo a partir do indivíduo e não a partir do grupo social.
É esse indivíduo que tem como objetivo tanto a reforma de si mesmo como do social e do político que se torna constantemente presente nas páginas dos dois escritos mais célebres de Thoureau, Walden (1854) e \"A Desobediência Civil\" (1849). São ambos textos que se querem autobiográficos e que se apresentam ao leitor como experiências pessoais das quais o autor retira lições de sabedoria sobre como encontrar o melhor estilo de vida como indivíduo e como ser social.
A experiência individual descrita em Walden deriva da decisão de Thoureau de viver isoladamente, durante dois anos e dois meses (1845-1847), em uma cabana construída por ele mesmo às margens do Lago Walden, nas proximidades de Concord. O que seria visto, para muitos de seus contemporâneos, como nada mais do que a excentricidade de um eremita fugindo do social significaria, para Thoureau, a oportunidade para uma reflexão radical sobre o sentido de viver bem a vida humana em um momento histórico marcado pelos confortos e desconfortos de uma sociedade capitalista em fase de rápida urbanização e industrialização. A pergunta formulada constantemente em Walden diz respeito às necessidades básicas capazes de proporcionar ao homem moderno uma vida bem vivida.
Qual o sentido, por exemplo, de se identificar a vida bem vivida com o acúmulo excessivo de vestuário, moradia ou alimentos? São bem gastos o trabalho e a energia dedicados a tal acúmulo? Não poderia a vida ser melhor vivida com aquele mínimo de recursos materiais que tornasse possível o atendimento de necessidades do espírito contemplativo, como a leitura, a reflexão, a observação da natureza e o lazer? Nos dezoito ensaios que compõem Walden, o que Thoureau tenta demonstrar é que esse estilo de vida alternativo baseado, não no máximo, mas no mínimo necessário de produção e consumo, pode ser não apenas possível, mas melhor do que o estilo de vida atrelado às exigências do progresso industrial e urbano. Há, sem dúvida, um esforço necessário para a manutenção da vida: coletar alimentos naturais nos bosques, pescar, plantar e cultivar feijões, cortar lenha para o aquecimento da cabana no inverno.
Quando reduzido a um mínimo, o que tal esforço garante é uma forma equilibrada de viver bem, com tempo disponível para a vida contemplativa, para ler e escrever (inclusive as anotações diárias que seriam mais tarde transformadas no texto de Walden), para o lazer prazeroso e descompromissado, para observar a flora e a fauna locais, os sons e odores naturais dos bosques, a música do vento nos fios telegráficos, a passagem de uma estação para outra. É em meio a essa experiência de vida bem equilibrada nos arredores da lagoa de Walden que Thoureau vivencia ainda o episódio de vida pessoal motivador do que é o seu texto mais celebrado: \"A Desobediência Civil\".
Em uma tarde de 23 ou 24 de Julho de 1846, Thoureau recebe a visita do coletor de impostos e acaba sendo aprisionado quando se recusa a pagar o tributo devido. Sai da cadeia, no dia seguinte, quando um benfeitor ou benfeitora (provavelmente sua tia Maria) paga a dívida exigida por lei. Explicitar as razões que o levaram a não pagar impostos é o problema central tratado no ensaio. Para Thoureau, pagar os impostos seria um ato imoral porque significaria contribuir com um governo que patrocinava empreitadas injustas e desumanas como o projeto escravocrata e a guerra imperialista contra o México.
O ato de desobediência civil assim pensado tornava-se não apenas justificável, mas moralmente necessário e indispensável para o cidadão consciente de valores éticos desrespeitados, no caso, tanto pelo Estado como pela maioria da população em dia com seus tributos. Note-se que a definição de cidadania assim entendida legitima o indivíduo visto pelo Estado como um fora-da-lei e define como violadores de uma lei maior tanto o governo nacional quanto a maioria que o elegeu que lhe deu apoio. Essa lei maior é, para o adepto do Transcendentalismo, aquela lucidamente percebida e respeitada pela consciência particular do indivíduo que, para Thoureau, é mais importante e merece mais respeito do que a lei oficial produzida pelo consenso \"democrático\" da maioria e imposta ao povo pelo aparato de poder estatal.
Nesse contexto, como Thoureau argumenta em seu ensaio, uma minoria correta formada por uma só pessoa já é uma maioria moral, e se o Estado e o consenso majoritário decidem julgar como fora-da-lei e colocar na cadeia essa minoria moral e correta, então é justamente a cadeia que se torna o lugar adequado para os homens honestos. Como mostra o slogan característico da política liberal Jeffersoniana, citado já no primeiro parágrafo do texto (\"O melhor governo é o que governa menos\"), Thoureau privilegia a lei moral individual como fonte primeira do bem social e relega a segundo plano a função normalmente atribuída ao poder estatal de manter a ordem.
Para Thoureau, o governo é, ou deveria ser, nada mais do que um meio para um fim: o seu objetivo deveria ser pura e simplesmente cuidar da liberdade e do bem estar do povo. Quando o Estado se afasta de tal objetivo, escravizando a população negra ou fazendo guerra contra o México, por exemplo, deve ser efetiva e radicalmente questionado pelo cidadão consciente e moralmente responsável.
O lider nacionalista indiano, Mahatma Gandhi, tendo lido o texto de Thoureau em uma cadeia em Pretória, reconheceu a sua importância para o desenvolvimento de suas próprias idéias e da prática revolucionária conhecida como \"resistência passiva\". Mas percebeu também a necessidade de aprimorar o conceito de \"desobediência civil\" e optou por caracterizar o seu programa filosófico e político de resistência em termos da idéia de \"satyagraha\". O termo significa, em hindu, \"a dedicação à verdade\" ou \"a força da verdade\".
As idéias de Henry Thoureau também vieram influenciar profundamente as decisões do Presidente norte-americano Abraham Lincoln. Thoureau não obteve de seus contemporâneos o reconhecimento devido. Seus livros e escritos tiveram parca repercussão: conseguiu publicar, em vida, apenas dois livros (Walden, em 1854; Uma Semana nos rios Concord e Merrimack, em 1849).
A posteridade faria melhor julgamento do rebelde norte-americano: seus textos são hoje mais lidos e conhecidos do que os de seu mestre, Ralph Waldo Emerson, considerado o fundador do Movimento Transcendentalista. E a \"A Desobediência Civil\", longe de ter sua importância reconhecida apenas por Gandhi, continua não apenas a ser lido e traduzido, mas também lembrado freqüentemente cada vez que se repetem formas de lutas contra o poder estabelecido.
Henry David Thoureau (1817-1862) nasceu em Concord, no estado de Massachussets, e lá viveu a maior parte de sua vida. Apesar dos parcos recursos de que dispunha a família, obteve invejável educação humanista, particularmente no período em que estudou em Harvard (1833-1837), universidade que começou a freqüentar quando tinha dezesseis anos. Familiarizou-se com os clássicos gregos e latinos, que lia fluentemente no original, e com línguas modernas como o alemão, o francês, o espanhol e o italiano.
Foi freqüentemente visto por admiradores, amigos e inimigos como um rebelde marcado por hábitos excêntricos: em Harvard, insistia em usar manta verde, apesar do regulamento exigir dos alunos o uso de manta negra, e dizia ironicamente do que era, já na época, um avançado sistema de ensino universitário, que lá se ensinavam todos os \"ramos do conhecimento\", mas nenhuma de suas raízes. Nos textos de Thoureau, contudo, esse individualismo rebelde não deve ser entendido em termos de uma postura excêntrica e meramente negadora do social e do político. Trata-se antes do individualismo entendido no contexto do movimento literário conhecido como o \"Transcendentalismo Romântico\" norte-americano, caracterizado não apenas pela ênfase romântica no sentimento individual mais do que na razão, mas principalmente por uma postura política progressiva preocupada com reformas sociais e políticas a serem levadas a cabo a partir do indivíduo e não a partir do grupo social.
É esse indivíduo que tem como objetivo tanto a reforma de si mesmo como do social e do político que se torna constantemente presente nas páginas dos dois escritos mais célebres de Thoureau, Walden (1854) e \"A Desobediência Civil\" (1849). São ambos textos que se querem autobiográficos e que se apresentam ao leitor como experiências pessoais das quais o autor retira lições de sabedoria sobre como encontrar o melhor estilo de vida como indivíduo e como ser social.
A experiência individual descrita em Walden deriva da decisão de Thoureau de viver isoladamente, durante dois anos e dois meses (1845-1847), em uma cabana construída por ele mesmo às margens do Lago Walden, nas proximidades de Concord. O que seria visto, para muitos de seus contemporâneos, como nada mais do que a excentricidade de um eremita fugindo do social significaria, para Thoureau, a oportunidade para uma reflexão radical sobre o sentido de viver bem a vida humana em um momento histórico marcado pelos confortos e desconfortos de uma sociedade capitalista em fase de rápida urbanização e industrialização. A pergunta formulada constantemente em Walden diz respeito às necessidades básicas capazes de proporcionar ao homem moderno uma vida bem vivida.
Qual o sentido, por exemplo, de se identificar a vida bem vivida com o acúmulo excessivo de vestuário, moradia ou alimentos? São bem gastos o trabalho e a energia dedicados a tal acúmulo? Não poderia a vida ser melhor vivida com aquele mínimo de recursos materiais que tornasse possível o atendimento de necessidades do espírito contemplativo, como a leitura, a reflexão, a observação da natureza e o lazer? Nos dezoito ensaios que compõem Walden, o que Thoureau tenta demonstrar é que esse estilo de vida alternativo baseado, não no máximo, mas no mínimo necessário de produção e consumo, pode ser não apenas possível, mas melhor do que o estilo de vida atrelado às exigências do progresso industrial e urbano. Há, sem dúvida, um esforço necessário para a manutenção da vida: coletar alimentos naturais nos bosques, pescar, plantar e cultivar feijões, cortar lenha para o aquecimento da cabana no inverno.
Quando reduzido a um mínimo, o que tal esforço garante é uma forma equilibrada de viver bem, com tempo disponível para a vida contemplativa, para ler e escrever (inclusive as anotações diárias que seriam mais tarde transformadas no texto de Walden), para o lazer prazeroso e descompromissado, para observar a flora e a fauna locais, os sons e odores naturais dos bosques, a música do vento nos fios telegráficos, a passagem de uma estação para outra. É em meio a essa experiência de vida bem equilibrada nos arredores da lagoa de Walden que Thoureau vivencia ainda o episódio de vida pessoal motivador do que é o seu texto mais celebrado: \"A Desobediência Civil\".
Em uma tarde de 23 ou 24 de Julho de 1846, Thoureau recebe a visita do coletor de impostos e acaba sendo aprisionado quando se recusa a pagar o tributo devido. Sai da cadeia, no dia seguinte, quando um benfeitor ou benfeitora (provavelmente sua tia Maria) paga a dívida exigida por lei. Explicitar as razões que o levaram a não pagar impostos é o problema central tratado no ensaio. Para Thoureau, pagar os impostos seria um ato imoral porque significaria contribuir com um governo que patrocinava empreitadas injustas e desumanas como o projeto escravocrata e a guerra imperialista contra o México.
O ato de desobediência civil assim pensado tornava-se não apenas justificável, mas moralmente necessário e indispensável para o cidadão consciente de valores éticos desrespeitados, no caso, tanto pelo Estado como pela maioria da população em dia com seus tributos. Note-se que a definição de cidadania assim entendida legitima o indivíduo visto pelo Estado como um fora-da-lei e define como violadores de uma lei maior tanto o governo nacional quanto a maioria que o elegeu que lhe deu apoio. Essa lei maior é, para o adepto do Transcendentalismo, aquela lucidamente percebida e respeitada pela consciência particular do indivíduo que, para Thoureau, é mais importante e merece mais respeito do que a lei oficial produzida pelo consenso \"democrático\" da maioria e imposta ao povo pelo aparato de poder estatal.
Nesse contexto, como Thoureau argumenta em seu ensaio, uma minoria correta formada por uma só pessoa já é uma maioria moral, e se o Estado e o consenso majoritário decidem julgar como fora-da-lei e colocar na cadeia essa minoria moral e correta, então é justamente a cadeia que se torna o lugar adequado para os homens honestos. Como mostra o slogan característico da política liberal Jeffersoniana, citado já no primeiro parágrafo do texto (\"O melhor governo é o que governa menos\"), Thoureau privilegia a lei moral individual como fonte primeira do bem social e relega a segundo plano a função normalmente atribuída ao poder estatal de manter a ordem.
Para Thoureau, o governo é, ou deveria ser, nada mais do que um meio para um fim: o seu objetivo deveria ser pura e simplesmente cuidar da liberdade e do bem estar do povo. Quando o Estado se afasta de tal objetivo, escravizando a população negra ou fazendo guerra contra o México, por exemplo, deve ser efetiva e radicalmente questionado pelo cidadão consciente e moralmente responsável.
O lider nacionalista indiano, Mahatma Gandhi, tendo lido o texto de Thoureau em uma cadeia em Pretória, reconheceu a sua importância para o desenvolvimento de suas próprias idéias e da prática revolucionária conhecida como \"resistência passiva\". Mas percebeu também a necessidade de aprimorar o conceito de \"desobediência civil\" e optou por caracterizar o seu programa filosófico e político de resistência em termos da idéia de \"satyagraha\". O termo significa, em hindu, \"a dedicação à verdade\" ou \"a força da verdade\".
As idéias de Henry Thoureau também vieram influenciar profundamente as decisões do Presidente norte-americano Abraham Lincoln. Thoureau não obteve de seus contemporâneos o reconhecimento devido. Seus livros e escritos tiveram parca repercussão: conseguiu publicar, em vida, apenas dois livros (Walden, em 1854; Uma Semana nos rios Concord e Merrimack, em 1849).
A posteridade faria melhor julgamento do rebelde norte-americano: seus textos são hoje mais lidos e conhecidos do que os de seu mestre, Ralph Waldo Emerson, considerado o fundador do Movimento Transcendentalista. E a \"A Desobediência Civil\", longe de ter sua importância reconhecida apenas por Gandhi, continua não apenas a ser lido e traduzido, mas também lembrado freqüentemente cada vez que se repetem formas de lutas contra o poder estabelecido.

FRANCISCO DE ASSIS
\"Ó SENHOR! FAZEI DE MIM UM
INSTRUMENTO DA VOSSA PAZ\"
Foi batizado com o nome de Giovanni di Pietro di Bernardone tendo como data provável de nascimento, 26 de Setembro de 1182, na cidade de Assis, na Itália. Filho do Sr. Bernardone, um rico comerciante de tecidos em Assis, homem rústico e a Sra. Maria Pical, mãe muito delicada e generosa. Foi um jovem particularmente alegre, simpático, humano, sincero, sensível, dotado de um caráter nobre e de um certo galanteio. Era trovador e cantor (não profissional).
Trabalhava auxiliando o pai na loja de tecidos. Apreciava e desejava a posição de cavaleiro. Viveu numa época de fortalecimento da classe burguesa (à qual pertencia) frente à aristocracia, da economia monetária em detrimento dos feudos - o que ocasionou alguns conflitos entre Francisco e Bernardone.
Generoso com os pobres não se despedia deles com as mãos vazias. Em seus banquetes ordenava que se preparassem pratos a mais para os menos afortunados de Assis. Em resumo, era um jovem, alegre, fino, risonho e benquisto por todos, rodeado pela afortunada juventude para sonhar com o futuro, gastar dinheiro e cantar serenatas às damas. Quando estouraram as cruzadas se predispôs a participar, motivado pela glória das vitórias. Em 1201 os nobres desterrados em Perusa declararam guerra a Assis; Francisco, da mesma forma que seus companheiros, alistou-se no exército e pôs-se em marcha contra Perusa na planície de Espoleto.
No inverno de 1201, Francisco caiu prisioneiro na batalha de São José, sendo levado para Perusa, ficando numa prisão por longos meses na obscuridade que somente seu ânimo alegre, a disposição de seu temperamento e o gosto pelo canto, o salvaram do desespero. \"Como quereis que eu fique triste, sabendo que grandes coisas me esperam? Costumava dizer, em tom de brincadeira, ao seu amigo. No fim do ano foi libertado, e voltando novamente se entregou a seus saudosos divertimentos da juventude e atividades na casa de comércio de seu pai. Francisco era pródigo. Ele desejava doar, oferecer o que possuía de melhor. O fazia ofertando poemas, compartilhando alegria, doando afeto - fosse aos seus companheiros de festas, fosse a um mendigo.
Mas, convenceu-se de que a prodigalidade do trovador, do amigo, do homem de ricas esmolas não era o bastante. A máxima prodigalidade seria alcançada no despojamento de tudo, a paz íntima seria conquistada na rota da simplicidade. Daí, o lema que adotou: castidade, pobreza, obediência. O fluxo pródigo do amor, do bem querer, encontraria na simplicidade o veículo mais eficaz de manifestação e esta, na paz, o esteio.
Adoeceu de uma doença longa e misteriosa que enfraqueceu seu corpo, mas o tornou forte em pensamento, sobretudo, seu espírito. O jovem alegre e exuberante começou a escolher o silêncio e a solidão, distanciando-se do centro da cidade. Francisco dedicou-se ao serviço de doentes e pobres. Um dia do outono de 1205, enquanto rezava na igrejinha de São Damião, ouviu a imagem de Cristo lhe dizer: \"Francisco, restaure minha casa decadente\".
O chamado ainda pouco claro para Francisco foi tomado no sentido literal, vendeu as mercadorias da loja do pai para restaurar a igrejinha. Como resultado, o pai de Francisco, indignado com o ocorrido, deserdou-o. Com a renúncia definitiva aos bens materiais paternos, Francisco deu início à sua vida \"unindo-se à Irmã Pobreza\". Francisco percorreu as localidades vizinhas pregando o evangelho. Muitos começaram a compreender o sentido da sua vida, manifestando o desejo de seguí-lo. O primeiro foi o sábio e rico de Assis: Bernardo de Quintavale. Depois veio Egidio, muito piedoso.
Morico, dedicado aos leprosos, Bósboro, futuro missionário do oriente, Sobatino, Bernardo de Viridiante, João de Constância Angelo. Quando a primeira fraternidade formou-se em torno do casebre de Rivotorto, Francisco elaborou um regulamento de vida que não se completou e junto aos onze companheiros foi a Roma para por à apreciação do Papa. Inocêncio III, que se limitou a conceder uma aprovação oral, encarregando Francisco de pregar a todos a Penitência. Em 1212, a \"Fraternidade\", muito crescida, reforma a igreja de Porciúncola, perto de Assis e aí se estabelece.
O exemplo de Francisco é também seguido por Clara, e outra moças de Assis, que entusiasmadas pela vida e espiritualização dele, formaram posteriormente a Ordem Menor das Clarissas. Estimulado pelo desejo de testemunhar a Fé ao mundo inteiro, Francisco, tentara muitas vezes ir aos países não cristãos: parado por uma tempestade em 1211 perto da Dalmácia e por uma doença na Espanha em 1214, chegou ao Egito em 1219; obteve do sultão autorização de pregar, abrindo estradas para as grandes missões.
Retornando a Assis, em 1220, sofrido no físico e abatido no ânimo por notar incompreensões entre os frades durante sua ausência, Francisco renunciou ao cargo de Ministro Geral da Comunidade em favor do fiel companheiro Pietro Cattani. Em 29 novembro de 1223, Onório III aprova o regulamento da Ordem dos Frades Menores. Enquanto pregava no Monte Alverne, nos Apeninos, em 1224, apareceram-lhe no corpo as cinco chagas de Cristo, no fenômeno denominado \"estigmatização\". Os estigmas não só lhe apareceram no corpo, como foram sua grande fonte de fraqueza física.
Francisco de Assis viveu 44 anos, do inverno de 1181/82 até o crepúsculo do sábado 3 de outubro de 1226. O amor de Francisco tem um sentido profundamente universalista. Ele irmanou-se com todo o universo: foi irmão do sol, da água, das estrelas, dos animais e dos homens. O \"Cântico das Criaturas\", em que proclama seu amor a tudo que existe, é uma das mais lindas páginas da poesia cristã. Exemplo nítido de fraternidade, bondade e humildade, a grandeza de sua missão sempre ultrapassará todos os limites das palavras e referências escritas.
x
Foi batizado com o nome de Giovanni di Pietro di Bernardone tendo como data provável de nascimento, 26 de Setembro de 1182, na cidade de Assis, na Itália. Filho do Sr. Bernardone, um rico comerciante de tecidos em Assis, homem rústico e a Sra. Maria Pical, mãe muito delicada e generosa. Foi um jovem particularmente alegre, simpático, humano, sincero, sensível, dotado de um caráter nobre e de um certo galanteio. Era trovador e cantor (não profissional).
Trabalhava auxiliando o pai na loja de tecidos. Apreciava e desejava a posição de cavaleiro. Viveu numa época de fortalecimento da classe burguesa (à qual pertencia) frente à aristocracia, da economia monetária em detrimento dos feudos - o que ocasionou alguns conflitos entre Francisco e Bernardone.
Generoso com os pobres não se despedia deles com as mãos vazias. Em seus banquetes ordenava que se preparassem pratos a mais para os menos afortunados de Assis. Em resumo, era um jovem, alegre, fino, risonho e benquisto por todos, rodeado pela afortunada juventude para sonhar com o futuro, gastar dinheiro e cantar serenatas às damas. Quando estouraram as cruzadas se predispôs a participar, motivado pela glória das vitórias. Em 1201 os nobres desterrados em Perusa declararam guerra a Assis; Francisco, da mesma forma que seus companheiros, alistou-se no exército e pôs-se em marcha contra Perusa na planície de Espoleto.
No inverno de 1201, Francisco caiu prisioneiro na batalha de São José, sendo levado para Perusa, ficando numa prisão por longos meses na obscuridade que somente seu ânimo alegre, a disposição de seu temperamento e o gosto pelo canto, o salvaram do desespero. \"Como quereis que eu fique triste, sabendo que grandes coisas me esperam? Costumava dizer, em tom de brincadeira, ao seu amigo. No fim do ano foi libertado, e voltando novamente se entregou a seus saudosos divertimentos da juventude e atividades na casa de comércio de seu pai. Francisco era pródigo. Ele desejava doar, oferecer o que possuía de melhor. O fazia ofertando poemas, compartilhando alegria, doando afeto - fosse aos seus companheiros de festas, fosse a um mendigo.
Mas, convenceu-se de que a prodigalidade do trovador, do amigo, do homem de ricas esmolas não era o bastante. A máxima prodigalidade seria alcançada no despojamento de tudo, a paz íntima seria conquistada na rota da simplicidade. Daí, o lema que adotou: castidade, pobreza, obediência. O fluxo pródigo do amor, do bem querer, encontraria na simplicidade o veículo mais eficaz de manifestação e esta, na paz, o esteio.
Adoeceu de uma doença longa e misteriosa que enfraqueceu seu corpo, mas o tornou forte em pensamento, sobretudo, seu espírito. O jovem alegre e exuberante começou a escolher o silêncio e a solidão, distanciando-se do centro da cidade. Francisco dedicou-se ao serviço de doentes e pobres. Um dia do outono de 1205, enquanto rezava na igrejinha de São Damião, ouviu a imagem de Cristo lhe dizer: \"Francisco, restaure minha casa decadente\".
O chamado ainda pouco claro para Francisco foi tomado no sentido literal, vendeu as mercadorias da loja do pai para restaurar a igrejinha. Como resultado, o pai de Francisco, indignado com o ocorrido, deserdou-o. Com a renúncia definitiva aos bens materiais paternos, Francisco deu início à sua vida \"unindo-se à Irmã Pobreza\". Francisco percorreu as localidades vizinhas pregando o evangelho. Muitos começaram a compreender o sentido da sua vida, manifestando o desejo de seguí-lo. O primeiro foi o sábio e rico de Assis: Bernardo de Quintavale. Depois veio Egidio, muito piedoso.
Morico, dedicado aos leprosos, Bósboro, futuro missionário do oriente, Sobatino, Bernardo de Viridiante, João de Constância Angelo. Quando a primeira fraternidade formou-se em torno do casebre de Rivotorto, Francisco elaborou um regulamento de vida que não se completou e junto aos onze companheiros foi a Roma para por à apreciação do Papa. Inocêncio III, que se limitou a conceder uma aprovação oral, encarregando Francisco de pregar a todos a Penitência. Em 1212, a \"Fraternidade\", muito crescida, reforma a igreja de Porciúncola, perto de Assis e aí se estabelece.
O exemplo de Francisco é também seguido por Clara, e outra moças de Assis, que entusiasmadas pela vida e espiritualização dele, formaram posteriormente a Ordem Menor das Clarissas. Estimulado pelo desejo de testemunhar a Fé ao mundo inteiro, Francisco, tentara muitas vezes ir aos países não cristãos: parado por uma tempestade em 1211 perto da Dalmácia e por uma doença na Espanha em 1214, chegou ao Egito em 1219; obteve do sultão autorização de pregar, abrindo estradas para as grandes missões.
Retornando a Assis, em 1220, sofrido no físico e abatido no ânimo por notar incompreensões entre os frades durante sua ausência, Francisco renunciou ao cargo de Ministro Geral da Comunidade em favor do fiel companheiro Pietro Cattani. Em 29 novembro de 1223, Onório III aprova o regulamento da Ordem dos Frades Menores. Enquanto pregava no Monte Alverne, nos Apeninos, em 1224, apareceram-lhe no corpo as cinco chagas de Cristo, no fenômeno denominado \"estigmatização\". Os estigmas não só lhe apareceram no corpo, como foram sua grande fonte de fraqueza física.
Francisco de Assis viveu 44 anos, do inverno de 1181/82 até o crepúsculo do sábado 3 de outubro de 1226. O amor de Francisco tem um sentido profundamente universalista. Ele irmanou-se com todo o universo: foi irmão do sol, da água, das estrelas, dos animais e dos homens. O \"Cântico das Criaturas\", em que proclama seu amor a tudo que existe, é uma das mais lindas páginas da poesia cristã. Exemplo nítido de fraternidade, bondade e humildade, a grandeza de sua missão sempre ultrapassará todos os limites das palavras e referências escritas.
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CHICO XAVIER
\"A MENTE SIMPLES E LIVRE
PRECISA DE PAZ\" Foi no dia 2 de abril de 1910, em Pedro Leopoldo uma
cidade típica do interior de Minas Gerais que nasceu Francisco Cândido Xavier
ou simplesmente Chico Xavier. Seu pai, João Cândido Xavier era operário da
fábrica de tecidos e também trabalhava vendendo bilhetes de loteria para poder
sustentar a família que era imensa. Maria João de Deus era mãe de Chico, uma
mulher de muita fé, ensinando desde cedo aos oito filhos a cultivar a confiança
em Deus. Ela trabalhava muito lavando roupas para outras famílias, até que um
dia adoeceu gravemente e veio a falecer. João Cândido estava sem emprego e teve
que distribuir os filhos com os amigos e parentes, pois não tinha condições de
cuidar deles. Chico estava com 5 anos quando foi morar com Dona Rita
(madrinha). Desde o primeiro instante ele sentia o desprezo de sua madrinha.
Dona Rita dava surras em Chico com vara de marmelo, marcando seu corpo ainda
pequeno com tantos vergões e feridas. Aos 6 anos, Chico reencontra sua mãe
desencarnada, no quintal, debaixo das bananeiras; após contar o seu sofrimento,
a sua mãe pede que ele continue acreditando e tendo fé em Deus. Seu pai casa-se
pela segunda vez com Dona Cidália Batista, ela pede ao marido que vá buscar
todos os seus filhos para que possa cuidar de cada um. Dona Cidália ao ver o
estado de Chico cuida de suas feridas e promete que ninguém mais baterá nele e
que, de agora em diante, ele passaria a ser seu filho.
Chico começa a estudar aos 7 anos, mesmo com muitas dificuldades financeiras para se manter nos estudos, ele e sua querida mamãe plantavam e vendiam legumes e verduras. Ele contava para Cidália e para seu pai as suas visões dos irmãos do arco-íris.
Aos 10 anos ele se entregava a sua primeira profissão na Companhia de Fiação e Tecelagem Cachoeira Grande, fazendo assim com que seu pai parasse de implicar com as suas visões que, por muitas vezes, queria interná-lo num hospital psiquiátrico. Mesmo com o trabalho noturno Chico era um bom aluno e foi na escola que surgiram as primeiras manifestações da psicografia, quando recebeu uma menção honrosa por uma redação, dita segundo ele por um espírito.
Com a doença de sua irmã mais nova (Maria Xavier), que estava com a mente em desequilíbrio e os médicos não conseguiam curá-la ! Foi quando um casal espírita, José Hermínio Perácio e Carmem Perácio, realizou algumas sessões espíritas e ela ficou completamente curada. Dona Maria João de Deus (mãe de Chico) comunicou-se escrevendo através de Dona Carmem, dando conselhos à família.
Chico acompanhou todos os procedimentos e interessou-se pelo Espiritismo. Perácio explicou-lhe o que havia ocorrido com Maria e lhe apresentou dois livros de Allan Kardec: O Livro dos Espíritos e O Evangelho Segundo o Espiritismo. No dia 8 de julho de 1927, em uma reunião espírita, Dona Carmem Perácio ouviu um Espírito desencarnado dizendo-lhe para que aquele rapaz de apenas 17 anos tomasse o lápis e escrevesse. Chico obedeceu e um Amigo Espiritual lhe ditou 17 folhas de papel, as quais ele escreveu.
Em outra reunião, Dona Carmem viu um quadro mostrado pelos Espíritos. Do teto do Centro Luiz Gonzaga, estava \"chovendo livros\" sobre a cabeça de Chico. Somente mais tarde eles compreenderam que aquela imagem era para avisar da missão que Chico realizaria: a de escrever livros dos chamados \"mortos\". Chico Xavier iniciou então um intercâmbio com espíritos de todas as partes, para se aperfeiçoar na Doutrina dos Espíritos e desenvolver sua mediunidade. Em 1932, publicou o primeiro livro psicografado, Parnaso de Além-Túmulo, uma coletânea de 56 poesias ditadas por 14 nomes famosos no Brasil, com trabalhos que ele, como médium, nessa ocasião, recebeu de poetas já falecidos como Castro Alves, Olavo Bilac, Augusto dos Anjos e Artur Azevedo. Já contava, nessa ocasião, com a indispensável ajuda de Emmanuel, um Espírito, que um dia aparecendo para Chico disse que já o acompanhava há muito tempo, e indagou-lhe se estava resolvido a trabalhar na mediunidade com Jesus, recebendo mensagens dos espíritos desencarnados. Chico passou a chamar Emmanuel de \"instrutor espiritual que me orienta as faculdades mediúnicas\".
Ao longo de toda sua vida foram psicografados mais de 400 livros, obras de autores nacionais e estrangeiros (por ele traduzidos) que abrangiam todos os setores da cultura humana: poesia, romances, filosofia, ciências e principalmente espiritualidade e paz. Chico afirma com resignação e humildade: \"Não sou o autor dos livros. Os autores são os espíritos amigos\". Os direitos autorais dos livros - sempre de grande tiragem e publicidade em inglês, espanhol, francês, japonês, esperanto e outros idiomas - são cedidos às editoras espíritas e organizações assistenciais.
Sempre trabalhando para a sua sobrevivência, como operário, balconista e escriturário do Ministério da Agricultura. Chico dedicou todas suas horas livres aos outros. Passava a tarde e a noite inteiras a receber pessoas, a dar a cada uma delas uma palavra de consolo, depois que se aposentou. Sob a orientação de seus benfeitores espirituais, Chico Xavier transferiu-se em 1959 para Uberaba, no triângulo mineiro, por motivo de saúde (ele era portador de angina, problemas respiratórios graves e deficiência visual), passando a atender na Comunhão Espírita Cristã.
Aos sábados, Chico peregrinava pelos bairros pobres da cidade, para levar conforto e carinho aos lares mais carentes. Uma de suas psicografias aconteceu em 1979: o juiz aceitou o testemunho da vítima assassinada, que se pronunciou através de Chico Xavier, inocentando o réu e afirmando que tudo não passou de um acidente.
Foi a primeira vez na história do país que um documento espírita resolveu um caso jurídico. O médium, no entanto, sempre se declarou apenas um instrumento dos espíritos. Com fundamento na grande obra assistencial, pela sua extraordinária capacidade de amar, e pela vasta contribuição literária em favor da Paz e da espiritualização dos seres humanos, desenvolvida pelo médium, é que, em 1981, o deputado Freitas Nobre e o diretor de televisão Augusto Cezar Vanucci, encaminharam vasta documentação ao Instituto Nobel, na Suécia, para justificar uma indicação de Chico Xavier ao Prêmio Nobel da Paz. Nesta época, as entidades ajudadas por suas campanhas beneficentes e rendas autorais chegavam a duas mil. Sua indicação ao comitê para o prêmio Nobel da Paz foi acompanhada de 30 milhões de assinaturas do povo brasileiro.
São inúmeros hospitais psiquiátricos e casas de saúde orientadas pelas obras de André Luiz. As vítimas do \"fogo selvagem\" foram beneficiadas com a construção e manutenção do Hospital de Pênfigo, com a casa transitória da Federação Espírita do Estado de São Paulo, destinadas a velhos desamparados, a recuperação de adultos e ao auxílio de crianças carentes. Chico Xavier também atuou na recuperação de criminosos. Foram organizados grupos de voluntários para orientar os detentos condenados a penas longas, com o objetivo de preparar o seu retorno ao seio familiar.
A própria vida de Chico Xavier foi o maior testemunho de fraternidade que se conhece, eis que acolheu em seu imenso e puro coração religiosos e ateus, lenitivando-lhes, sem indagar-lhes a procedência, as aflições de que sejam portadores, enxugando-lhes as lágrimas, reanimando-lhes os corações, soerguendo-lhes as almas abatidas pelo desalento. \"Que homem é este que: doente, deu saúde a um incontável número de pessoas; pobre de bens materiais, consolou numerosos ricos; rico de bens espirituais, jamais esqueceu os pobres; sem poder humano, orientou e consolou poderosos; sem dinheiro, enriqueceu o século em que nasceu.
Que homem é este que, apesar dos sofrimentos que experimentou em toda a vida, ainda consegue: sorrir além do cansaço; servir apesar das doenças; sofrer sem reclamar; fazer o bem aos que lhe fazem o mal; orar pelos que o perseguem e caluniam; ajudar desinteressadamente; conversar com os animais; amar todos os seres. Seu nome é Chico, Chico Xavier, a paz que todo mundo quer. Francisco Cândido Xavier escolheu sabiamente o dia da sua morte.
Um dia em que o País transbordava de alegria, pois os brasileiros comemoravam a conquista do Penta no futebol. Era 30 de Julho de 2002 e o médium deitou-se às 19h20. Dez minutos depois o coração de um dos mais importantes homens do nosso tempo parou, serenamente, de bater.
Chico começa a estudar aos 7 anos, mesmo com muitas dificuldades financeiras para se manter nos estudos, ele e sua querida mamãe plantavam e vendiam legumes e verduras. Ele contava para Cidália e para seu pai as suas visões dos irmãos do arco-íris.
Aos 10 anos ele se entregava a sua primeira profissão na Companhia de Fiação e Tecelagem Cachoeira Grande, fazendo assim com que seu pai parasse de implicar com as suas visões que, por muitas vezes, queria interná-lo num hospital psiquiátrico. Mesmo com o trabalho noturno Chico era um bom aluno e foi na escola que surgiram as primeiras manifestações da psicografia, quando recebeu uma menção honrosa por uma redação, dita segundo ele por um espírito.
Com a doença de sua irmã mais nova (Maria Xavier), que estava com a mente em desequilíbrio e os médicos não conseguiam curá-la ! Foi quando um casal espírita, José Hermínio Perácio e Carmem Perácio, realizou algumas sessões espíritas e ela ficou completamente curada. Dona Maria João de Deus (mãe de Chico) comunicou-se escrevendo através de Dona Carmem, dando conselhos à família.
Chico acompanhou todos os procedimentos e interessou-se pelo Espiritismo. Perácio explicou-lhe o que havia ocorrido com Maria e lhe apresentou dois livros de Allan Kardec: O Livro dos Espíritos e O Evangelho Segundo o Espiritismo. No dia 8 de julho de 1927, em uma reunião espírita, Dona Carmem Perácio ouviu um Espírito desencarnado dizendo-lhe para que aquele rapaz de apenas 17 anos tomasse o lápis e escrevesse. Chico obedeceu e um Amigo Espiritual lhe ditou 17 folhas de papel, as quais ele escreveu.
Em outra reunião, Dona Carmem viu um quadro mostrado pelos Espíritos. Do teto do Centro Luiz Gonzaga, estava \"chovendo livros\" sobre a cabeça de Chico. Somente mais tarde eles compreenderam que aquela imagem era para avisar da missão que Chico realizaria: a de escrever livros dos chamados \"mortos\". Chico Xavier iniciou então um intercâmbio com espíritos de todas as partes, para se aperfeiçoar na Doutrina dos Espíritos e desenvolver sua mediunidade. Em 1932, publicou o primeiro livro psicografado, Parnaso de Além-Túmulo, uma coletânea de 56 poesias ditadas por 14 nomes famosos no Brasil, com trabalhos que ele, como médium, nessa ocasião, recebeu de poetas já falecidos como Castro Alves, Olavo Bilac, Augusto dos Anjos e Artur Azevedo. Já contava, nessa ocasião, com a indispensável ajuda de Emmanuel, um Espírito, que um dia aparecendo para Chico disse que já o acompanhava há muito tempo, e indagou-lhe se estava resolvido a trabalhar na mediunidade com Jesus, recebendo mensagens dos espíritos desencarnados. Chico passou a chamar Emmanuel de \"instrutor espiritual que me orienta as faculdades mediúnicas\".
Ao longo de toda sua vida foram psicografados mais de 400 livros, obras de autores nacionais e estrangeiros (por ele traduzidos) que abrangiam todos os setores da cultura humana: poesia, romances, filosofia, ciências e principalmente espiritualidade e paz. Chico afirma com resignação e humildade: \"Não sou o autor dos livros. Os autores são os espíritos amigos\". Os direitos autorais dos livros - sempre de grande tiragem e publicidade em inglês, espanhol, francês, japonês, esperanto e outros idiomas - são cedidos às editoras espíritas e organizações assistenciais.
Sempre trabalhando para a sua sobrevivência, como operário, balconista e escriturário do Ministério da Agricultura. Chico dedicou todas suas horas livres aos outros. Passava a tarde e a noite inteiras a receber pessoas, a dar a cada uma delas uma palavra de consolo, depois que se aposentou. Sob a orientação de seus benfeitores espirituais, Chico Xavier transferiu-se em 1959 para Uberaba, no triângulo mineiro, por motivo de saúde (ele era portador de angina, problemas respiratórios graves e deficiência visual), passando a atender na Comunhão Espírita Cristã.
Aos sábados, Chico peregrinava pelos bairros pobres da cidade, para levar conforto e carinho aos lares mais carentes. Uma de suas psicografias aconteceu em 1979: o juiz aceitou o testemunho da vítima assassinada, que se pronunciou através de Chico Xavier, inocentando o réu e afirmando que tudo não passou de um acidente.
Foi a primeira vez na história do país que um documento espírita resolveu um caso jurídico. O médium, no entanto, sempre se declarou apenas um instrumento dos espíritos. Com fundamento na grande obra assistencial, pela sua extraordinária capacidade de amar, e pela vasta contribuição literária em favor da Paz e da espiritualização dos seres humanos, desenvolvida pelo médium, é que, em 1981, o deputado Freitas Nobre e o diretor de televisão Augusto Cezar Vanucci, encaminharam vasta documentação ao Instituto Nobel, na Suécia, para justificar uma indicação de Chico Xavier ao Prêmio Nobel da Paz. Nesta época, as entidades ajudadas por suas campanhas beneficentes e rendas autorais chegavam a duas mil. Sua indicação ao comitê para o prêmio Nobel da Paz foi acompanhada de 30 milhões de assinaturas do povo brasileiro.
São inúmeros hospitais psiquiátricos e casas de saúde orientadas pelas obras de André Luiz. As vítimas do \"fogo selvagem\" foram beneficiadas com a construção e manutenção do Hospital de Pênfigo, com a casa transitória da Federação Espírita do Estado de São Paulo, destinadas a velhos desamparados, a recuperação de adultos e ao auxílio de crianças carentes. Chico Xavier também atuou na recuperação de criminosos. Foram organizados grupos de voluntários para orientar os detentos condenados a penas longas, com o objetivo de preparar o seu retorno ao seio familiar.
A própria vida de Chico Xavier foi o maior testemunho de fraternidade que se conhece, eis que acolheu em seu imenso e puro coração religiosos e ateus, lenitivando-lhes, sem indagar-lhes a procedência, as aflições de que sejam portadores, enxugando-lhes as lágrimas, reanimando-lhes os corações, soerguendo-lhes as almas abatidas pelo desalento. \"Que homem é este que: doente, deu saúde a um incontável número de pessoas; pobre de bens materiais, consolou numerosos ricos; rico de bens espirituais, jamais esqueceu os pobres; sem poder humano, orientou e consolou poderosos; sem dinheiro, enriqueceu o século em que nasceu.
Que homem é este que, apesar dos sofrimentos que experimentou em toda a vida, ainda consegue: sorrir além do cansaço; servir apesar das doenças; sofrer sem reclamar; fazer o bem aos que lhe fazem o mal; orar pelos que o perseguem e caluniam; ajudar desinteressadamente; conversar com os animais; amar todos os seres. Seu nome é Chico, Chico Xavier, a paz que todo mundo quer. Francisco Cândido Xavier escolheu sabiamente o dia da sua morte.
Um dia em que o País transbordava de alegria, pois os brasileiros comemoravam a conquista do Penta no futebol. Era 30 de Julho de 2002 e o médium deitou-se às 19h20. Dez minutos depois o coração de um dos mais importantes homens do nosso tempo parou, serenamente, de bater.
Vemos que a paz suscita caminhos e
interpretações dentre seus maiores exemplos ou homens e mulheres que viram na
paz o motivo de suas vidas e esforços, todos precisamos de paz para viver,
dormir e sonhar, e despertar no novo dia para se esforçar novamente pelo bem de
todos e do Universo.
Falamos
agora do Zeitgeist e assim vamos mais longe no comportamento, seguindo a
seguinte fórmula:
EMBRIOLOGIA
+ NASCIMENTO + DESENVOLVIMENTO = ZEITGEIST (clima cultural e intelectual da
época).
Certamente estamos indo mais adiante
no comportamento, pois o Zeitgeist não obedece exclusivamente às leis do
condicionamento, da equivalência de estímulos ou dos quadros relacionais, ou
seja, vai mais além e ultrapassa-as
seguindo adiante para o clima cultural e intelectual que se tornam função da
história de vida ou da embriologia, do nascimento e do desenvolvimento de cada
um de nós.
No
âmbito escolar a Psicologia Escolar entende que o trabalho, a economia e a
globalização, e a adaptação, inclusive diante dos nossos caminhos e das nossas
trincheiras e as descobertas ligadas ao
Zeitgeist que é o clima cultural e intelectual de uma época, que levam a transcendência oriundos das
situações em que vivemos experiências de aprendizado em experiências de
conflitos e de paz e assim a adaptação estão
ligados aos processos de aprendizagem e assim aos problemas e distúrbios
de aprendizagem que devem ser tratados, podendo isto levar ao bullying, já que
o bullying é bastante presente nas Escolas, este bullying pode ou não ser
ritualizado e pertence a história da Trajetória da Vida, dos Monstros e dos
Heróis na e da Escola. A escola tem este papel de formação e de transformação
para a convivência entre as pessoas e os povos, formação da Trajetória da Vida
e de Heróis tendo assim um papel pacificador se ela não for vítima de bullying
(Trajetória dos Monstros) e prejudicada em seu papel de formação e
transformação, para o futuro no trabalho, agora na economia e no futuro das
relações econômicas como e geração de renda e de capital e a globalização da
economia, da tecnologia, da informação, do consumo, da liberdade. A violência
ou bullying pode ser transformada através da escola com o trabalho do Psicólogo
Escolar atuando junto aos alunos, professores e equipe-técnica, levantando
propostas e tomando decisões para otimizar a dinâmica da Escola e sua função social
como educadora para o trabalho, a economia e a globalização. Então em caso de
morte e perdas o consolo e o luto em momentos e períodos de guerras na Escola
seriam abordados pelos professores e equipe-técnica, e pelo próprio Psicólogo
Escolar de modo a facilitar a elaboração do luto mediante o papel do consolo,
ou seja, através do consolo a criança ou o aluno adquiriria repertório
comportamental para elaborar o luto em quaisquer ambientes para sua adaptação e
diminuição do sofrimento mental e até físico, seria este o papel da Escola
quanto ao consolo e o luto e a adaptação, pura memória ou processos de Educação
e de memorização. E em momentos e períodos de paz o papel do Psicólogo Escolar
seria de mantenedor e difusor de idéias
e projetos pacificadores para melhorar e otimizar os relacionamentos na Escola
entre os seus de modo que seus Monstros não voltem a incomodar-lhes, sabemos
que o Psicólogo Escolar ajudará na formação da Trajetória da Vida, dos Monstros
e dos Heróis e que ele também poderá representar para sua clientela tanto um
Monstro quanto um Herói na Trajetória da Vida, mas...
Na
Escola os Monstros, inclusive diante dos nossos caminhos e das nossas
trincheiras e nas descobertas ligadas ao
Zeitgeist que é o clima cultural e intelectual de uma época, estão ligados as formas de violência na Escola
como o bullying sexual, moral e psicológico onde as diferenças não são
toleradas e são meios ou canais para a descarga agressiva e destrutiva com
ofensas, humilhações, amedrontamentos, envergonhamentos, assédios, brigas,
discussões e palavras grosseiras e pesadas que podem levar a uma série de
diversas conseqüências penosas para o violentado e para o violentador lesando a
vida do trabalhador e do futuro trabalhador, da economia e das suas relações e
da vida globalizada, assim o Psicólogo Escolar deve ouvir e observar rituais,
decifrando ganhos primários e secundários e perdas a curto, médio ou longo
prazo como doenças mentais e seqüelas profundas inapagáveis que se
transcendenditas impulsionarão as vítimas a se tornarem pessoas melhores que as
outras que não conseguem transcender à violência e mergulharem em dores
oceânicas que podem levar essas pessoas a deficiências mentais ou sociais como
psicóticos, doentes sexuais, transtornos alimentares, delinqüentes, criminosos
ou ensimesmados, poderemos assim deslumbrar nossos Heróis e nossos Montros em
meio aos rituais da Escola.
Esses
nossos Monstros, inclusive diante dos nossos caminhos e das nossas trincheiras
e nas descobertas ligadas ao Zeitgeist
que é o clima cultural e intelectual de uma época, os problemas trabalhistas e no trabalho, os
problemas com a economia como as dívidas e a compulsão para o consumo, e a
globalização e seus frutos e fenômenos são aprendidos em parte na Escola e são
em parte também resolvidos em grande
parte na Escola, são ritos incorporados na Escola, por isso a Educação tudo
resolve, evita grandes tragédias e pequenas desgraças sociais ou humanas como
as guerras e os grandes horrores, evita também os movimentos e protestos
desorganizados, vandalismos e crimes. Por isso a Educação nunca deve parar,
devemos estudar a vida toda, não na Escola somente, mas no trabalho, na Igreja,
no clube social, na casa de nossos pais, de nossos romances e de nossos filhos,
de nossos parentes, devemos continuar o debate acadêmico e ler a vida toda, a
informação deve ser direito de todos, ela deve ser consciente e justa, não
manipuladora, devemos ter o direito de ter acesso a internet e aos mass mídia
para nos atualizarmos constantemente, pois nossa consciência se atualiza
constantemente, visto que está em constante movimento e transformação
momento-a-momento, a consciência deve ser direito de todos assim como a
Educação que tudo resolve. A Educação melhora nossos afetos e estados de
consciência em meio aos rituais de iniciação e de passagem na e da Escola.
Assim o trabalho, a economia e a globalização, inclusive
diante dos nossos caminhos e das nossas trincheiras e as descobertas ligadas ao Zeitgeist que é o
clima cultural e intelectual de uma época, levam a adaptação e a transcendência que é o produto final dos
ritos de iniciação e de passagem na e da Escola durante a
Trajetória da Vida, dos Monstros e dos Heróis, que favoreceu ao surgimento dos
modos de lidar com a miséria como a caridade e o trabalho, a exploração e o
abuso, mas também a violência, os crimes, as guerras, os holocaustos, as
barbáries, as tragédias, as catástrofes, as degradações, os vandalismos, os
protestos e movimentos hediondos, as
difamações, as distorções, os vandalismos, as agressões, as explosões e
propagações de doenças biológicas, ecológicas, físicas, químicas, psicológicas,
sociais, filosóficas e/ou espirituais que somente a Educação e o Amor de Deus
que tem lugar em nosso sentimento de renascimento para existir e ter função em
nossa luta contra as adversidades contra o meio ambiente.
Então podemos dizer que pela Educação chegamos ao
conhecimento, o conhecimento é o produto dos rituais de iniciação e de passagem
da e na Escola e assim continuamos por toda a vida criando e gerando o
conhecimento como o de poder haver o Apocalipse Universal com o fim do Universo
, da vida e dos Saberes e das Ciências através do Teoria do Descontrutivismo
Físico Mattanoniano, mas através do Construtivismo Físico Mattanoniano
continuará havendo o Universo e a vida, as Ciências e ao Saberes pois não
haverá os outros ¨big-bangs¨ ou ação de Deus ou do Homem através da Oração e de
Deus e da Fé ou mesmo através da Ciência e da Física pondo fim ao nosso
Universo, e até o Demônio poderia arruinar o Universo e a Vida e aos Saberes e
a Ciência e também a si mesmo se afundando e deixando de exercer valor e
influência e até mesmo deixando de existir através desses princípios teóricos e
Bíblicos que por sinal fazem parte do nosso tempo e da minha vida.
Precisamos
incentivar o processo produtivo de descobrir e se descobrir naturalmente e
socialmente, inclusive diante dos nossos caminhos e das nossas trincheiras e
nas descobertas ligadas ao Zeitgeist que
é o clima cultural e intelectual de uma época, devemos isto aos rituais de iniciação e de
passagem da e na Escola série após série, ou ano escolar após ano escolar,
devemos nos entregar aos processos positivos que nos formaram, nossa
hipercomplexificação cerebral e adaptação morfológica, fisiológica e
comportamental, frutos das descobertas e do trabalho, da economia e até dos
fenômenos associados a globalização de nossos antepassados e de suas relações
sociais que marcaram a História da Humanidade e da Civilização. Nossa História
carrega em si toda a Nossa Trajetória da Vida, dos Monstros e dos Heróis.
Nossos
Heróis obedecem uma seqüência evolutiva de estágios, são eles:
1.
A concepção e o herói
2.
O chamado pode ser recusado
3.
As forças se unem para o bem-aventurado
4.
A travessia: se consumir
5.
Ser engolido e consumido
6.
O caminho obtuso
7.
O encontro com a deusa
8.
A mulher como tentação
9.
A relação com o pai
10.
A apoteose
11.
A última graça
12.
A difícil volta
13.
A magia nas decisões
14.
O resgate sobrenatural
15.
Os limites da volta
16.
Agora são dois mundos
17.
E a liberdade para se viver e ensinar a
viver
Amanhã
seremos os mesmos antepassados que os nossos antepassados são e foram para nós
hoje e agora, se descobrir é preciso! A Evolução não tem pressa! Não precisamos
sonhar com a pobreza e nem com a fartura, pois se descobrir é aprender a viver!
Não precisamos sonhar com a civilização se reconhecermos a nossa civilização!
Eu escrevo: já temos uma civilização, somos uma Humanidade crescente! Já
podemos provar da Liberdade para Se Viver e Ensinar a Viver através da Escola e
da Educação.
A Evolução filogenética é um processo
crescente e mantenedor da vida; a Evolução ontogenética é mista e tende mais
para ser destrutiva em nossos tempos; a Evolução cultural é mista e mantenedora
da ordem social; a Evolução espiritual também é um processo crescente e
mantenedora da vida e da paz. Assim podemos falar da Evolução em nossos tempos.
A Evolução continua e não há como impedi-la, ela caminha sem pressa e alcança
seus objetivos: a vida; a destrutividade; a ordem social; e a vida e a paz. A
Evolução nos ensina regras ou contingências! A Evolução tem objetivos e
ensinamentos! A Evolução não tem pressa!
A Evolução pode ser ainda individual
ou coletiva. A Evolução individual é libertadora e inovadora, e a Evolução
coletiva é aprisionadora e conservadora. A Evolução caminha lentamente através
da liberdade e do aprisionamento, da inovação e do conservadorismo. A vida
coletiva dura mais do que a vida individual em função disto é que a Evolução
não tem pressa e caminha lentamente. Querendo ou não estamos evoluindo!
Desejando ou não estamos trabalhando, tendo relações econômicas e
globalizadoras em função de nossas descobertas e do avanço Científico e
Tecnológico, e do crescimento da população mundial – a Evolução educa e
preserva a Educação e o ensino, a aprendizagem e as descobertas individuais,
sociais e coletivas – estamos sendo Educados a vida inteira - a Educação não termina, não tem fim e a
Evolução também! Evoluir pode ser também se Educar que é aprender a conviver! A
Evolução leva a convivência! Para conviver dependemos de nossa carga
filogenética, ontogenética e cultural, espiritual, da vida e do universo! A
Evolução faz evoluir a espécie, o indivíduo e a cultura ou sociedade, o
espírito, a vida e o cosmos, ela é voltada para a convivência e não para a
exclusão! As descobertas diante dos
nossos caminhos e das nossas trincheiras e ligadas ao Zeitgeist que é o clima
cultural e intelectual de uma época, são voltadas para a convivência pois
educam! Temos leis que punem discriminadores, racistas e perseguidores! A Evolução
é voltada para a convivência e não para a exclusão e discriminação! A Evolução
do trabalho, da economia e da globalização também são voltadas para a
convivência e não para a exclusão e discriminação! Exclusão social e
discriminação tendem hoje a serem crimes no Brasil e no mundo! A Evolução do
trabalho, da economia e da globalização dependem e caminham a passos mais
rápidos do que aos da filogênese e da ontogênese, a Cultura evolui mais rápido
entre os Humanos! Estamos caminhando rapidamente para a união e para os
fenômenos positivos da globalização como a integração, a derrubada de
fronteiras, a educação, a economia, a tecnologia, o consumo, a informação, a
liberdade e a política! A Evolução caminha lentamente como caminha lentamente a
Evolução dos nossos rituais de iniciação e de passagem na Escola e na
Educação. A Evolução cultural produz
política e depende hoje da política para se governar e se sustentar, política é
a arte de bem-governar! Bem-governar é poder ter e poder oferecer Saúde,
Educação, Trabalho, Liberdade, Lazer, Locomoção e Ir-e-vir, Política, Vida,
Propriedade Intelectual e Propriedade Material, Religião, Alimentação e Água,
Renda, Teto, Vestimenta, Afetividade, Cultura, Sexualidade, Família,
Transporte, Saneamento, Segurança e Justiça como Direitos básicos a população
se houvesse uma Reforma Política no Brasil!
A Evolução cultural depende da Educação que promove
o bem-estar e a convivência entre as
diferenças e igualdades, a Educação pode ser Bancária que é depositária do
saber e inquestionável; Educação Libertadora que é livre onde o saber é
construído com a participação do aluno ativamente; e a Educação
Dessensibilizadora Contexual onde aprendemos a não nos prendermos mais ao saber
dessensibilizando-o e compreendendo-o como fenômeno do Contexto, de sua época
sócio-histórica deixando ele passar através de seu conhecimento causando
conhecimento mas não sensibilizando o aluno a mover-se por ideologias.
O Trabalho, a Economia e a Globalização podem assim ser
Bancárias, Libertadoras e/ou Dessensibilizadoras Contextuais. O Homem trabalha
para ter economia, guardá-la, compreendê-la e depois livrar-se dela através de
seus rituais educativos de iniciação e de passagem na Escola e fora da Escola
trabalhando assim suas regras oriundas da Trajetória da Vida, dos Monstros e
dos Heróis.
O
indivíduo é Concebido e Vive (A Concepção e o Herói: vive fantasticamente
aprendendo a aprender mesmo sem ter aprendido a aprender, vive instintivamente
desde a concepção com sua mãe na vida intra-uterina), se Encontra com a Deusa
(Se Relaciona com sua Mãe), tem Sua Relação com o Pai (Aprende a Viver com o
Pai), tem A Magia nas Decisões (Aprende conhecimento nas Escolas), e tem A
Liberdade para Se Viver e Ensinar a Viver (Compreende o Valor de sua Vida e o
de seu Mundo) – esta última fase só é alcançada por meio de regras de
auto-conhecimento ou por meio de experiências culminantes e de deleite e
deslumbramento intensos, pois a Trajetória da Vida, dos Monstros e dos Heróis é
intensa, inclusive diante das descobertas
ligadas ao Zeitgeist que é o clima cultural e intelectual de uma época,!
Se descobrir é descobrir-se em meio a rituais
de iniciação e de passagem
durante a Trajetória da
Vida, dos Monstros e dos Heróis chegando ou não a liberdade para se viver e
ensinar a viver, inclusive diante dos nossos caminhos e das nossas trincheiras
e diante das descobertas ligadas ao Zeitgeist que é o clima cultural e
intelectual de uma época.
Contudo
temos Osny Mattanó Júnior e sua Teoria Espiritualizada que se interessa pelo
normal e pelo anormal, pelo pecado e pelo patológico, que prega que não há
descontinuidade na vida mental, que existem 3 leis para o inconsciente: o
niilismo, o condensamento e o deslocamento, e que assim a resposta existe,
mesmo que seja niilista e que suas causalidades são provocadas por intenção ou
por desejo da pessoa. A maior parte do funcionamento mental da pessoa se passa
fora da consciência. A atividade mental inconsciente desempenha um papel
fundamental na produção das causalidades.
Sobre a energia vital, ela, passa
agora a ser a comunhão e não a libido, a comunhão tem um papel maior do que a
libido na Trajetória da Vida, dos Monstros, dos Heróis e dos Escravos, na
história de vida e nos contextos, porém a libido também permanece como catexia,
inclusive diante dos nossos caminhos e das nossas trincheiras.
A quantidade de catexia que se liga
ou se dirige a representação mental da pessoa ou coisa depende do desejo, do
investimento.
Catexizamos lembranças, pensamentos
e fantasias do objeto – após termos pensado pela primeira vez segundo os
impulsos do id teremos lembranças, pensamentos e fantasias como as conhecemos.
O refluxo permite e independência, e
a regressão é o retorno a uma instância de gratificação mais remota.
O funcionamento psíquico ocorre de
duas maneiras: os processos primários e os processos secundários. Nos processos
primários há a descarga da catexia e nos processos secundários há a capacidade
de retardar a descarga da energia psíquica. A passagem do primário para o
secundário é gradual e assim vai se formando o ego do sujeito para a vida toda.
Falamos aqui de um novo modelo de
energia psíquica construído a partir da comunhão que se torna mais forte do que
a libido na vida e na representação das pessoas, pois existe um sentimento
universal de comunhão partilhado, permanente, diariamente em encontros e
estados de consciência e de solidão, como em cerimônias, hábitos, tradições,
discursos, ritos, mitos, programas de mass mídia, igrejas, fenômenos,
celebridades e autoridades que constantemente fazem alusão à comunhão, a
partilha, a acolhida, a paz, a misericórdia, ao perdão, ao amor e a Deus.
Percebemos que até certa altura da
vida gostamos de falar e de praticar sexo, mas com o tempo as coisas vão
mudando e mudamos, percebemos que gostamos de falar a praticar a comunhão desde
o nascimento e com o tempo muito dificilmente a situação muda, ou seja, dificilmente
deixamos de praticar a comunhão até a morte! Isto acontece, a comunhão, em
todos os ambientes, mas o sexo não flui em todos os ambientes e situações como
em igreja e relações com o crime, ou em locais públicos, a não ser que te
violentam e te forcem cruelmente ou te estuprem! Existe crime no sexo, mas não
existe crime na verdadeira comunhão!
A
EMBRIOLOGIA + O NASCIMENTO + O DESENVOLVIMENTO (DE JESUS CRISTO) = ZEITGEIST
(clima cultural e intelectual da época de Jesus Cristo que permanece para sempre
progressivamente).
Se
descobrir é descobrir-se efetuando e reciclando-se em rituais de iniciação e de
passagem e poder trabalhar, ter economia, bens e mercadorias, viver o
consumismo de forma saudável e hoje, viver e poder usufruir da globalização e
dos seus direitos, deveres, obrigações e privilégios, inclusive aos da
cidadania e da Justiça, que devem estar pautados na Vida e na Paz e na promoção
da Justiça Social para que possamos alcançar a Liberdade para Se Viver e
Ensinar a Viver, inclusive diante do Zeitgeist, como forma de desfrutarmos e
vivermos aprendendo com nossa educação em nossas escolas!
É
através da Liberdade para Se Viver e Ensinar a Viver que o Zeitgeist, que é o
clima cultural e intelectual da época, torna-se libertador e o indivíduo pode
viver e ensinar a liberdade, seja através do inconsciente, das contingências,
dos arquétipos, da escola, das relações sociais, da aprendizagem, da
auto-atualização, da auto-realização, da gestalt, da superioridade, da
institucionalização, do trabalho, etc. É o Zeitgeist o responsável tanto pelo
clima de paz como pelo clima de violência e de guerra, o ser humano apenas faz
a gestão desses fenômenos. Covardia ou humanidade depende do Zeitgeist que
paulatinamente modelará a mente e o comportamento de cada indivíduo, tornando-o
mero reprodutor de seu meio ambiente. Os caminhos ou as trincheiras serão
consequência do Zeitgeist, ou seja, do clima cultural e intelectual da época,
porém também da espiritualidade quando nos referirmos aos caminhos traçados por
Deus e por Nossa Senhora, assim sendo falamos do Zeitgeist Espiritual.
Osny Mattanó Júnior
Londrina, 15 de dezembro
de 2016.
2. Psicologia
Humanista
Os caminhos se abrem para aqueles
que caminham e se fecham para aqueles que param. Quando paramos abrimos trincheiras
e começamos nossas guerras com nossas armas para lutar, matar e destruir,
dominar e tirar ou privar a liberdade do outro e até mesmo a sua, enquanto
caminhamos temos liberdade para se viver e ensinar a viver, não temos tempo
para cavar trincheiras e nem para guerras. Só o caminho ensina o amor, a vida e
a liberdade. As trincheiras ensinam lições perdidas pelo ódio e pela morte, e
pelas prisões.
Não conseguimos dar alcance para
nossas mãos se estivermos em trincheiras mas se estivermos caminhando elas irão
mais longe e alcançarão o próximo, levando esperança, conforto, amizade, amor e
uma nova aurora.
Memorial dos Pacifistas

DALAI LAMA
\"SEM PAZ DE ESPÍRITO É
IMPOSSÍVEL PAZ NO MUNDO\"
Dalai-Lama Tenzin Gyatso é o atual líder religioso do Tibete. Os tibetanos preferem chamá-lo simplesmente de Kundum, a Presença. Vive no exílio e combate a ocupação chinesa de sua nação sem abandonar seus princípios religiosos e opiniões ponderadas. Filho de camponeses, nasceu em 6 de julho de 1935, na aldeia de Takster, com o nome de Lhamo Thondup. Com dois anos de idade, foi reconhecido como a reencarnação do 13º Dalai Lama (Avalokitesvara); sendo, então, o 14º Dalai Lama, o Buda da compaixão.
A história do primeiro contato com o novo Dalai Lama é magnífica. Quem se aproximou da humilde residência foi o monge mais importante do grupo e amigo íntimo do 13º Dalai Lama. Ele estava vestido de mendigo e trazia ao pescoço, por baixo das vestes, o terço do 13º Dalai Lama. Foi recebido à porta por uma mulher segurando uma criança e pediu comida. A criança, então, segurou a roupa do homem e perguntou: \"Se lembra de mim?\". Em seguida, estendeu as mãos para o pescoço dele e puxou seu terço, dizendo: \"Isto é meu.
Por que está usando?\" Emocionado, o Lama abraçou a criança sem que a mãe entendesse o que estava acontecendo. Algumas semanas depois, os lamas retornaram a casa e colocaram uma série de objetos diante da criança, alguns pertencentes ao 13º Kundun e outras réplicas mais bem trabalhadas. Sem hesitar, a criança pegou exatamente os objetos do Dalai Lama e todos tiveram a certeza de que a grande alma havia renascido. O Dalai Lama foi entronizado em 1940 e iniciou sua educação com 6 anos, tendo como tutor Ling Rinpoche, seu melhor amigo e professor até a morte, em 1983, em Dharamsala. Os ensinamentos ao Dalai Lama envolveram disciplinas como lógica, arte e cultura tibetanas, sânscrito, medicina, cosmologia, poesia, música, teatro e filosofia.
Em 1959, aos 25 anos, ele obteve o título de Geshe Lharampa, doutorado em filosofia budista. Seus últimos oito anos de estudos tiveram de ser divididos com a política, já que com apenas 16 anos o jovem Kundun foi obrigado a assumir plenamente suas funções ante a invasão chinesa ao Tibete. Já em 1954, ele encontrava-se com Mao Tsé-Tung, Chou En-Lai e Den Xiaoping, na China, com o objetivo de buscar uma solução para seu país.
Em 1963, o Dalai Lama promulgou uma constituição democrática baseada nos princípios budistas e na Declaração Universal dos Direitos Humanos. Sua intenção é que o documento sirva como base para a sociedade tibetana quando esta reconquistar sua liberdade.
Em 1967, Sua Santidade iniciou uma série de viagens por diversos países em busca de auxílio. Sua atuação mundial lhe deu o Prêmio Nobel da Paz, em 1989. Além do que - como o Comitê do Prêmio Nobel fez questão de realçar - sua luta pela libertação do Tibete sempre se baseou na busca de soluções pacíficas alicerçadas na tolerância e no respeito mútuo. \"O prêmio\", disse ele na época, \"reafirma nossa convicção de que, usando a verdade, a coragem e a determinação como armas, o Tibete será libertado. Nossa luta deve continuar sem violência e livre de ódios.\" Ainda hoje ele continua negociando com a China a posse do seu território, além de outras pretensões, tais como: acabar com a transferência de chineses para o Tibete, respeitar os direitos dos tibetanos, abandonar a produção de armas nucleares no local, negociar sobre a instauração de um governo democrático e transformar seu território numa região de Paz. Em 1989, recebeu o Prêmio Nobel da Paz.
Em 1992, Dalai-Lama visitou o Brasil durante a Eco-92. Em 1999, voltou ao Brasil para participar do seminário \"Valores Humanos e sua prática na vida cotidiana\", em Curitiba. Também esteve em Brasília participando do encontro inter-religioso \"Colóquio pela Paz e Renovação da Esperança\". Pensamentos de Dalai-Lama: \"Meu apelo por uma revolução espiritual não é um apelo por uma revolução religiosa. Considero que a espiritualidade esteja relacionada com aquelas qualidades do espírito humano - tais como, amor e compaixão, paciência, tolerância, capacidade de perdoar, contentamento, noção de responsabilidade, noção de harmonia - que trazem felicidade tanto para a própria pessoa, quanto para os outros\".
Dalai-Lama Tenzin Gyatso é o atual líder religioso do Tibete. Os tibetanos preferem chamá-lo simplesmente de Kundum, a Presença. Vive no exílio e combate a ocupação chinesa de sua nação sem abandonar seus princípios religiosos e opiniões ponderadas. Filho de camponeses, nasceu em 6 de julho de 1935, na aldeia de Takster, com o nome de Lhamo Thondup. Com dois anos de idade, foi reconhecido como a reencarnação do 13º Dalai Lama (Avalokitesvara); sendo, então, o 14º Dalai Lama, o Buda da compaixão.
A história do primeiro contato com o novo Dalai Lama é magnífica. Quem se aproximou da humilde residência foi o monge mais importante do grupo e amigo íntimo do 13º Dalai Lama. Ele estava vestido de mendigo e trazia ao pescoço, por baixo das vestes, o terço do 13º Dalai Lama. Foi recebido à porta por uma mulher segurando uma criança e pediu comida. A criança, então, segurou a roupa do homem e perguntou: \"Se lembra de mim?\". Em seguida, estendeu as mãos para o pescoço dele e puxou seu terço, dizendo: \"Isto é meu.
Por que está usando?\" Emocionado, o Lama abraçou a criança sem que a mãe entendesse o que estava acontecendo. Algumas semanas depois, os lamas retornaram a casa e colocaram uma série de objetos diante da criança, alguns pertencentes ao 13º Kundun e outras réplicas mais bem trabalhadas. Sem hesitar, a criança pegou exatamente os objetos do Dalai Lama e todos tiveram a certeza de que a grande alma havia renascido. O Dalai Lama foi entronizado em 1940 e iniciou sua educação com 6 anos, tendo como tutor Ling Rinpoche, seu melhor amigo e professor até a morte, em 1983, em Dharamsala. Os ensinamentos ao Dalai Lama envolveram disciplinas como lógica, arte e cultura tibetanas, sânscrito, medicina, cosmologia, poesia, música, teatro e filosofia.
Em 1959, aos 25 anos, ele obteve o título de Geshe Lharampa, doutorado em filosofia budista. Seus últimos oito anos de estudos tiveram de ser divididos com a política, já que com apenas 16 anos o jovem Kundun foi obrigado a assumir plenamente suas funções ante a invasão chinesa ao Tibete. Já em 1954, ele encontrava-se com Mao Tsé-Tung, Chou En-Lai e Den Xiaoping, na China, com o objetivo de buscar uma solução para seu país.
Em 1963, o Dalai Lama promulgou uma constituição democrática baseada nos princípios budistas e na Declaração Universal dos Direitos Humanos. Sua intenção é que o documento sirva como base para a sociedade tibetana quando esta reconquistar sua liberdade.
Em 1967, Sua Santidade iniciou uma série de viagens por diversos países em busca de auxílio. Sua atuação mundial lhe deu o Prêmio Nobel da Paz, em 1989. Além do que - como o Comitê do Prêmio Nobel fez questão de realçar - sua luta pela libertação do Tibete sempre se baseou na busca de soluções pacíficas alicerçadas na tolerância e no respeito mútuo. \"O prêmio\", disse ele na época, \"reafirma nossa convicção de que, usando a verdade, a coragem e a determinação como armas, o Tibete será libertado. Nossa luta deve continuar sem violência e livre de ódios.\" Ainda hoje ele continua negociando com a China a posse do seu território, além de outras pretensões, tais como: acabar com a transferência de chineses para o Tibete, respeitar os direitos dos tibetanos, abandonar a produção de armas nucleares no local, negociar sobre a instauração de um governo democrático e transformar seu território numa região de Paz. Em 1989, recebeu o Prêmio Nobel da Paz.
Em 1992, Dalai-Lama visitou o Brasil durante a Eco-92. Em 1999, voltou ao Brasil para participar do seminário \"Valores Humanos e sua prática na vida cotidiana\", em Curitiba. Também esteve em Brasília participando do encontro inter-religioso \"Colóquio pela Paz e Renovação da Esperança\". Pensamentos de Dalai-Lama: \"Meu apelo por uma revolução espiritual não é um apelo por uma revolução religiosa. Considero que a espiritualidade esteja relacionada com aquelas qualidades do espírito humano - tais como, amor e compaixão, paciência, tolerância, capacidade de perdoar, contentamento, noção de responsabilidade, noção de harmonia - que trazem felicidade tanto para a própria pessoa, quanto para os outros\".

ALBERT SCHWEITZER
\\\"A PAZ NÃO É INÉRCIA, É O
TRABALHO CORAJOSO QUE FAZ NASCER A SOLIDARIEDADE NO INTERIOR DO HOMEM\\\"
O Professor Albert Schweitzer (1875- 1965), ganhador do Prêmio Nobel da Paz de 1952, músico, filósofo, teólogo, médico e missionário, foi um dos precursores da Bioética. Um dos maiores intérpretes de Bach, Albert Schweitzer foi também seu maior biógrafo. Com um talento que remontava à passada geração dos Schweitzer, fora aclamado como o grande concertista da Europa dos primeiros anos do século. Premiado como intérprete e como profundo conhecedor de órgãos Schweitzer testemunhara sua fama espalhar-se rapidamente.
Um dia, como que atingido por um raio, soube da extrema necessidade de missionários no Congo Francês, o Gabão, na África. E descobriu que o perfil ideal de um missionário para o Gabão era aquele que tivesse conhecimentos de medicina. Daquele dia em diante, sua vida mudou. E muito radicalmente. Iniciou o Curso de Medicina, concluído seis anos depois, e ainda fez uma especialização de dois anos em doenças tropicais.
A todos a quem mencionava sua aspiração de deixar a Europa por um vilarejo primitivo nos rincões africanos, era saudado com zombaria ou com piedosa compaixão. Alguns achavam mais racional que ele custeasse alguém que fosse se embrenhar nas selvas do Gabão, enquanto ele continuaria sua trajetória de vitórias e conquistas. Como alguém deixaria ao lado todos aqueles anos em que havia se dedicado à música, aquela música que encantava os homens e os anjos, as sinfonias com que Bach enchera o mundo de divindade? Mas ele perseverou e perseguiu sua meta com tenacidade.
Depois de formado, colocara à venda todos os seus pertences, inclusive as medalhas, troféus e instrumentos musicais. Era o capital inicial de sua nobre missão: fundar um hospital em Labarené, África Equatorial Francesa (Gabão), onde construiu, nas margens do rio Ogové, um hospital para doenças tropicais e a clínica para leprosos Labarené, desenvolvendo uma intensa atividade médica e missionária. Um hospital muito rústico, de pau a pique, foi o maior salva-vidas da região e multidões de africanos acorriam a ele, esquecendo algumas vezes suas superstições e tradições tribais milenares e aceitando os anestésicos e a penicilina que lhes podia prolongar a vida e minimizar a dor. Depois Schweitzer construiu vários outros hospitais na África.
Nesse ínterim, a Europa fervilhava nas vésperas de uma grande guerra. Eram os anos finais da década de 30. Isolado do mundo, naquele lugar esquecido por todos, o jovem médico Albert Schweitzer fazia de tudo um pouco: era carpinteiro, pedreiro, professor, cozinheiro e médico. Enfrentando enfermidades, crendices e muita escassez de recursos materiais e humanos, coube a Schweitzer o desafio de triunfar sobre todas as dificuldades.
Terminada a guerra, uma ou duas vezes por ano ele retornava à Alemanha e à Inglaterra, onde com seus concertos amealhava os meios para uma nova ala ou enfermaria de seu hospital. O seu exemplo comovia a todos. No campo teológico, dedicou-se à investigação sobre a vida de Jesus.
Em 20 de outubro de 1952, proferiu uma conferência na Academia Francesa de Ciências (Paris), sobre \\\"O Problema da Ética na Evolução do Pensamento\\\". Nessa ocasião, lançou uma idéia que possivelmente viria a influenciar Potter na formulação de sua definição de Bioética, em conjunto com as idéias de Leopold. Potter citou várias vezes Schweitzer em seu livro Bioethics: Bridge to the future. As suas idéias estão presentes, igualmente, na formulação da proposta sobre Bioética Profunda, em 1998, por Potter. Uma citação dessa conferência proferida por Schweitzer pode muito bem ilustrar essa possibilidade: \\\"Uma ética que nos obrigue somente a preocupar-nos com os homens e a sociedade não pode ter esta significação.
Somente aquela que é universal e nos obriga a cuidar de todos os seres nos põe de verdade em contato com o Universo e a vontade nele manifestada\\\". Em 1953, Albert Schweitzer foi laureado com o Prêmio Nobel da Paz. E com o sacrifício de sua vida, demonstrou que é possível ter utopias e viver por elas e que a aridez do espírito humano se curva ante a pureza de intenção de uma alma nobre, ansiosa para servir ao próximo.
Ele foi, nas palavras de Nikos Kazantzakis, \\\"o São Francisco do nosso século\\\". E o seu exemplo foi maior que o seu tempo. Passados quase quarenta anos de seu falecimento, suas atitudes e ações formam um caminho nobre de um eu superior: ele nos via como \\\"as folhas e os ramos de uma mesma árvore, as estrelas de um mesmo céu\\\". Em seus textos de Labarené, sobressaem-se as digressões sobre o respeito pela vida.
O Professor Albert Schweitzer (1875- 1965), ganhador do Prêmio Nobel da Paz de 1952, músico, filósofo, teólogo, médico e missionário, foi um dos precursores da Bioética. Um dos maiores intérpretes de Bach, Albert Schweitzer foi também seu maior biógrafo. Com um talento que remontava à passada geração dos Schweitzer, fora aclamado como o grande concertista da Europa dos primeiros anos do século. Premiado como intérprete e como profundo conhecedor de órgãos Schweitzer testemunhara sua fama espalhar-se rapidamente.
Um dia, como que atingido por um raio, soube da extrema necessidade de missionários no Congo Francês, o Gabão, na África. E descobriu que o perfil ideal de um missionário para o Gabão era aquele que tivesse conhecimentos de medicina. Daquele dia em diante, sua vida mudou. E muito radicalmente. Iniciou o Curso de Medicina, concluído seis anos depois, e ainda fez uma especialização de dois anos em doenças tropicais.
A todos a quem mencionava sua aspiração de deixar a Europa por um vilarejo primitivo nos rincões africanos, era saudado com zombaria ou com piedosa compaixão. Alguns achavam mais racional que ele custeasse alguém que fosse se embrenhar nas selvas do Gabão, enquanto ele continuaria sua trajetória de vitórias e conquistas. Como alguém deixaria ao lado todos aqueles anos em que havia se dedicado à música, aquela música que encantava os homens e os anjos, as sinfonias com que Bach enchera o mundo de divindade? Mas ele perseverou e perseguiu sua meta com tenacidade.
Depois de formado, colocara à venda todos os seus pertences, inclusive as medalhas, troféus e instrumentos musicais. Era o capital inicial de sua nobre missão: fundar um hospital em Labarené, África Equatorial Francesa (Gabão), onde construiu, nas margens do rio Ogové, um hospital para doenças tropicais e a clínica para leprosos Labarené, desenvolvendo uma intensa atividade médica e missionária. Um hospital muito rústico, de pau a pique, foi o maior salva-vidas da região e multidões de africanos acorriam a ele, esquecendo algumas vezes suas superstições e tradições tribais milenares e aceitando os anestésicos e a penicilina que lhes podia prolongar a vida e minimizar a dor. Depois Schweitzer construiu vários outros hospitais na África.
Nesse ínterim, a Europa fervilhava nas vésperas de uma grande guerra. Eram os anos finais da década de 30. Isolado do mundo, naquele lugar esquecido por todos, o jovem médico Albert Schweitzer fazia de tudo um pouco: era carpinteiro, pedreiro, professor, cozinheiro e médico. Enfrentando enfermidades, crendices e muita escassez de recursos materiais e humanos, coube a Schweitzer o desafio de triunfar sobre todas as dificuldades.
Terminada a guerra, uma ou duas vezes por ano ele retornava à Alemanha e à Inglaterra, onde com seus concertos amealhava os meios para uma nova ala ou enfermaria de seu hospital. O seu exemplo comovia a todos. No campo teológico, dedicou-se à investigação sobre a vida de Jesus.
Em 20 de outubro de 1952, proferiu uma conferência na Academia Francesa de Ciências (Paris), sobre \\\"O Problema da Ética na Evolução do Pensamento\\\". Nessa ocasião, lançou uma idéia que possivelmente viria a influenciar Potter na formulação de sua definição de Bioética, em conjunto com as idéias de Leopold. Potter citou várias vezes Schweitzer em seu livro Bioethics: Bridge to the future. As suas idéias estão presentes, igualmente, na formulação da proposta sobre Bioética Profunda, em 1998, por Potter. Uma citação dessa conferência proferida por Schweitzer pode muito bem ilustrar essa possibilidade: \\\"Uma ética que nos obrigue somente a preocupar-nos com os homens e a sociedade não pode ter esta significação.
Somente aquela que é universal e nos obriga a cuidar de todos os seres nos põe de verdade em contato com o Universo e a vontade nele manifestada\\\". Em 1953, Albert Schweitzer foi laureado com o Prêmio Nobel da Paz. E com o sacrifício de sua vida, demonstrou que é possível ter utopias e viver por elas e que a aridez do espírito humano se curva ante a pureza de intenção de uma alma nobre, ansiosa para servir ao próximo.
Ele foi, nas palavras de Nikos Kazantzakis, \\\"o São Francisco do nosso século\\\". E o seu exemplo foi maior que o seu tempo. Passados quase quarenta anos de seu falecimento, suas atitudes e ações formam um caminho nobre de um eu superior: ele nos via como \\\"as folhas e os ramos de uma mesma árvore, as estrelas de um mesmo céu\\\". Em seus textos de Labarené, sobressaem-se as digressões sobre o respeito pela vida.

MARTIN LUTHER KING JR
\"NÃO SE DEVE MATAR A SEDE DE
LIBERDADE NA TAÇA DO ÓDIO\"
Martin Luther King Jr. nasceu ao meio-dia de 15 de janeiro de 1929, em Atlanta, Geórgia. Filho de um pastor da Igreja Batista Ebenezer e de Alberta Williams King, uma professora, teve mais dois irmãos, Christine, a primogênita, e Alfred Daniel, o caçula. Antes de atingir seis anos, a idade mínima para freqüentar uma escola primária, foi matriculado por seus pais na Yonge Street Elementary School. Descoberto, foi obrigado a abandonar a escola até atingir a idade mínima.
Ao completar seis anos, foi matriculado na David T. Howard Elementary School. King também estudou na Atlanta University Laboratory School e Booker T. Washington High School. Mesmo sem terminar seus estudos secundários na Booker T. Washington High School, foi admitido, aos 15 anos, para o bacharelado em Sociologia, na Morehouse College, por causa de seu excelente desempenho intelectual.
Em 1948, aos 19 anos, King bacharelou-se em Sociologia. Nessa mesma época, optou por seguir a carreira de seu pai e de seu avô materno, Adam Daniel Williams, ambos pastores da Igreja Batista Ebenezer. Matriculou-se, então, no Crozer Theological Seminary, em Chester, Pensilvânia, graduando-se em Teologia em 1951. Desde pequeno, Martin Luther King foi educado para não se sentir inferior aos brancos e para amá-los, mesmo vivenciando a brutalidade policial contra os negros e a injustiça dos tribunais.
Durante seus estudos no Crozer Theological Seminary, King amadureceu sua visão cristã do mundo e decidiu atuar na luta pelos direitos civis dos negros. Continuando seus estudos, King foi para a Boston University, a fim de fazer o doutorado em Teologia. Em Boston, conheceu Coretta Scott, com a qual se casou em 18 de junho de 1953, em Marion, Alabama. Martin Luther King e Coretta Scott tiveram quatro filhos: Yolanda Denise e Martin Luther III, nascidos respectivamente em 17 de novembro de 1955 e 23 de outubro de 1957, em Montgomery, Alabama; e Dexter Scott e Bernice Albertine, nascidos respectivamente em 30 de janeiro de 1961 e 28 de março de 1963, em Atlanta, Geórgia.
Em setembro de 1954, King aceitou o convite para assumir a posição de pastor na Dexter Avenue Baptist Church, em Montgomery, e no ano seguinte recebeu o Ph.D em Teologia pela Boston University. O ano de 1955 foi decisivo para a vida posterior de Martin Luther King. No final daquele ano, Rosa Parks, uma ativista dos direitos civis dos negros, se recusou a obedecer à segregação racial dentro dos ônibus de Montgomery.
Então, os moradores negros da cidade resolveram lançar um boicote contra essa segregação e King foi escolhido como presidente da associação criada para conduzir a ação. Durante o boicote, a casa de King foi atacada por bombas lançadas pelos defensores da \"supremacia branca\". Mesmo assim, o boicote durou 381 dias e foi um sucesso, já que a Corte Suprema declarou a inconstitucionalidade da lei de segregação racial dentro dos ônibus do Alabama.
Além dessa vitória, o boicote transformou Martin Luther King em uma figura conhecida nacionalmente por causa de sua atuação e de seus discursos contra o racismo e a favor da não-violência. Em 1957, ele, pastores e outros ativistas pelos direitos civis fundaram a Southern Christian Leadership Conference (SCLC), destinada a lutar pacificamente pelos direitos dos negros, principalmente pelo voto.
Escolhido como presidente, permaneceria no cargo até sua morte. Em 1958, lançou seu primeiro livro, Stride Toward Freedom: The Montgomery Story (Caminhando Para Liberdade: A história de Montgomery), no qual ele fez reflexões sobre o boicote aos ônibus. No ano seguinte, viajou para Índia, onde aprofundou sua compreensão das ações de não-violência de Ghandi. O sentimento de King é expresso em suas palavras: \"eu senti que essa era a única forma moral e prática para as pessoas oprimidas lutarem pela liberdade delas\".
Voltando da Índia, King deixou sua posição de pastor na Dexter Avenue Baptist Church e mudou-se para Atlanta, onde ficava a sede da SCLC e onde passou a ajudar seu pai como co-pastor da Igreja Batista Ebenezer. Mesmo sendo uma figura de ponta do movimento pelos direitos civis, King, cautelosamente, não promoveu nenhum protesto de massa após o boicote em Montgomery. Independentemente disso, os estudantes negros dos estados sulistas lançaram, no início de 1960, sucessivas greves que receberam seu apoio.
Em abril do mesmo ano, os estudantes fundaram o Student Nonviolent Coordinating Committee (SNCC) e King foi convidado para discursar. No entanto, a ligação entre King e os ativistas do SNCC terminou quando fizeram críticas ao trabalho dele. Por várias vezes, King tentou reduzir os desentendimentos entre a SCLC e o SNCC, mas percebeu que o movimento estudantil tinha sua própria dinâmica. Sem conseguir resolver os problemas com os estudantes do SNCC, King decidiu organizar manifestações sem a participação deles.
Em 1963, King e seus companheiros organizaram manifestações em Birmingham, Alabama, pedindo o fim da segregação existente em muitos estabelecimentos públicos daquela cidade. Durante as manifestações, os policiais usaram cachorros e bombas de gás contra os manifestantes, e King foi preso. Contudo, a ação policial teve um efeito contrário. O presidente John Kennedy reagiu aos acontecimentos de Birmingham e enviou ao Congresso uma legislação de direitos civis, que foi aprovada em 1964.
Em 28 de agosto de 1963, Martin Luther King realizou com mais de 200 mil pessoas a famosa \"Marcha para Washington\", quando proferiu seu mais famoso discurso, \"I have a dream\", no Lincoln Memorial, pedindo uma sociedade com igualdade racial. No início de 1964, King recebeu o título de \"Homem do Ano\" da revista \"Time\", e foi o primeiro negro a conseguir essa indicação. No mesmo ano, com 35 anos de idade, foi agraciado com o Prêmio Nobel da Paz, tornando-se o mais jovem a conquistá-lo. Segundo ele, o Nobel não significou apenas uma honra pessoal, mas o reconhecimento internacional ao movimento não-violento pelos direitos civis.
Martin Luther King também se manifestou contra a Guerra do Vietnã. Para ele, o dinheiro gasto na guerra poderia ser utilizado no combate à miséria e à discriminação. Além disso, achava que era uma hipocrisia lutar contra a violência racial e não lutar contra a violência da guerra. Por essa posição, acabou criticado por integrantes do governo e por outros líderes negros, que achavam que King desviava a atenção da opinião pública dos direitos civis.
Em 1965, King conseguiu outra vitória com a aprovação da Lei do Direito do Voto para os negros. Em 1968, ele planejava uma nova marcha para Washington, com o objetivo de despertar a opinião pública para a relação entre pobreza e violência urbana. Porém, antes ele viajou para Memphis, Tennessee, para apoiar uma greve dos trabalhadores de limpeza pública que recebiam péssimos salários.
Contudo, no dia 4 de abril de 1968, James Earl Ray assassinou Martin Luther King, na sacada do Motel Lorraine, onde estava hospedado. Sua morte provocou revoltas de negros em várias partes dos Estados Unidos. Em 1986, o Congresso Federal dos Estados Unidos estabeleceu um feriado nacional em homenagem a Martin Luther King, com comemoração na terceira segunda-feira de janeiro.
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Martin Luther King Jr. nasceu ao meio-dia de 15 de janeiro de 1929, em Atlanta, Geórgia. Filho de um pastor da Igreja Batista Ebenezer e de Alberta Williams King, uma professora, teve mais dois irmãos, Christine, a primogênita, e Alfred Daniel, o caçula. Antes de atingir seis anos, a idade mínima para freqüentar uma escola primária, foi matriculado por seus pais na Yonge Street Elementary School. Descoberto, foi obrigado a abandonar a escola até atingir a idade mínima.
Ao completar seis anos, foi matriculado na David T. Howard Elementary School. King também estudou na Atlanta University Laboratory School e Booker T. Washington High School. Mesmo sem terminar seus estudos secundários na Booker T. Washington High School, foi admitido, aos 15 anos, para o bacharelado em Sociologia, na Morehouse College, por causa de seu excelente desempenho intelectual.
Em 1948, aos 19 anos, King bacharelou-se em Sociologia. Nessa mesma época, optou por seguir a carreira de seu pai e de seu avô materno, Adam Daniel Williams, ambos pastores da Igreja Batista Ebenezer. Matriculou-se, então, no Crozer Theological Seminary, em Chester, Pensilvânia, graduando-se em Teologia em 1951. Desde pequeno, Martin Luther King foi educado para não se sentir inferior aos brancos e para amá-los, mesmo vivenciando a brutalidade policial contra os negros e a injustiça dos tribunais.
Durante seus estudos no Crozer Theological Seminary, King amadureceu sua visão cristã do mundo e decidiu atuar na luta pelos direitos civis dos negros. Continuando seus estudos, King foi para a Boston University, a fim de fazer o doutorado em Teologia. Em Boston, conheceu Coretta Scott, com a qual se casou em 18 de junho de 1953, em Marion, Alabama. Martin Luther King e Coretta Scott tiveram quatro filhos: Yolanda Denise e Martin Luther III, nascidos respectivamente em 17 de novembro de 1955 e 23 de outubro de 1957, em Montgomery, Alabama; e Dexter Scott e Bernice Albertine, nascidos respectivamente em 30 de janeiro de 1961 e 28 de março de 1963, em Atlanta, Geórgia.
Em setembro de 1954, King aceitou o convite para assumir a posição de pastor na Dexter Avenue Baptist Church, em Montgomery, e no ano seguinte recebeu o Ph.D em Teologia pela Boston University. O ano de 1955 foi decisivo para a vida posterior de Martin Luther King. No final daquele ano, Rosa Parks, uma ativista dos direitos civis dos negros, se recusou a obedecer à segregação racial dentro dos ônibus de Montgomery.
Então, os moradores negros da cidade resolveram lançar um boicote contra essa segregação e King foi escolhido como presidente da associação criada para conduzir a ação. Durante o boicote, a casa de King foi atacada por bombas lançadas pelos defensores da \"supremacia branca\". Mesmo assim, o boicote durou 381 dias e foi um sucesso, já que a Corte Suprema declarou a inconstitucionalidade da lei de segregação racial dentro dos ônibus do Alabama.
Além dessa vitória, o boicote transformou Martin Luther King em uma figura conhecida nacionalmente por causa de sua atuação e de seus discursos contra o racismo e a favor da não-violência. Em 1957, ele, pastores e outros ativistas pelos direitos civis fundaram a Southern Christian Leadership Conference (SCLC), destinada a lutar pacificamente pelos direitos dos negros, principalmente pelo voto.
Escolhido como presidente, permaneceria no cargo até sua morte. Em 1958, lançou seu primeiro livro, Stride Toward Freedom: The Montgomery Story (Caminhando Para Liberdade: A história de Montgomery), no qual ele fez reflexões sobre o boicote aos ônibus. No ano seguinte, viajou para Índia, onde aprofundou sua compreensão das ações de não-violência de Ghandi. O sentimento de King é expresso em suas palavras: \"eu senti que essa era a única forma moral e prática para as pessoas oprimidas lutarem pela liberdade delas\".
Voltando da Índia, King deixou sua posição de pastor na Dexter Avenue Baptist Church e mudou-se para Atlanta, onde ficava a sede da SCLC e onde passou a ajudar seu pai como co-pastor da Igreja Batista Ebenezer. Mesmo sendo uma figura de ponta do movimento pelos direitos civis, King, cautelosamente, não promoveu nenhum protesto de massa após o boicote em Montgomery. Independentemente disso, os estudantes negros dos estados sulistas lançaram, no início de 1960, sucessivas greves que receberam seu apoio.
Em abril do mesmo ano, os estudantes fundaram o Student Nonviolent Coordinating Committee (SNCC) e King foi convidado para discursar. No entanto, a ligação entre King e os ativistas do SNCC terminou quando fizeram críticas ao trabalho dele. Por várias vezes, King tentou reduzir os desentendimentos entre a SCLC e o SNCC, mas percebeu que o movimento estudantil tinha sua própria dinâmica. Sem conseguir resolver os problemas com os estudantes do SNCC, King decidiu organizar manifestações sem a participação deles.
Em 1963, King e seus companheiros organizaram manifestações em Birmingham, Alabama, pedindo o fim da segregação existente em muitos estabelecimentos públicos daquela cidade. Durante as manifestações, os policiais usaram cachorros e bombas de gás contra os manifestantes, e King foi preso. Contudo, a ação policial teve um efeito contrário. O presidente John Kennedy reagiu aos acontecimentos de Birmingham e enviou ao Congresso uma legislação de direitos civis, que foi aprovada em 1964.
Em 28 de agosto de 1963, Martin Luther King realizou com mais de 200 mil pessoas a famosa \"Marcha para Washington\", quando proferiu seu mais famoso discurso, \"I have a dream\", no Lincoln Memorial, pedindo uma sociedade com igualdade racial. No início de 1964, King recebeu o título de \"Homem do Ano\" da revista \"Time\", e foi o primeiro negro a conseguir essa indicação. No mesmo ano, com 35 anos de idade, foi agraciado com o Prêmio Nobel da Paz, tornando-se o mais jovem a conquistá-lo. Segundo ele, o Nobel não significou apenas uma honra pessoal, mas o reconhecimento internacional ao movimento não-violento pelos direitos civis.
Martin Luther King também se manifestou contra a Guerra do Vietnã. Para ele, o dinheiro gasto na guerra poderia ser utilizado no combate à miséria e à discriminação. Além disso, achava que era uma hipocrisia lutar contra a violência racial e não lutar contra a violência da guerra. Por essa posição, acabou criticado por integrantes do governo e por outros líderes negros, que achavam que King desviava a atenção da opinião pública dos direitos civis.
Em 1965, King conseguiu outra vitória com a aprovação da Lei do Direito do Voto para os negros. Em 1968, ele planejava uma nova marcha para Washington, com o objetivo de despertar a opinião pública para a relação entre pobreza e violência urbana. Porém, antes ele viajou para Memphis, Tennessee, para apoiar uma greve dos trabalhadores de limpeza pública que recebiam péssimos salários.
Contudo, no dia 4 de abril de 1968, James Earl Ray assassinou Martin Luther King, na sacada do Motel Lorraine, onde estava hospedado. Sua morte provocou revoltas de negros em várias partes dos Estados Unidos. Em 1986, o Congresso Federal dos Estados Unidos estabeleceu um feriado nacional em homenagem a Martin Luther King, com comemoração na terceira segunda-feira de janeiro.
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MARECHAL RONDON
\"MORRER SE PRECISO FOR, MATAR
NUNCA\"
Marechal Rondon (1865-1958), cujo nome completo era Cândido Mariano da Silva Rondon, foi militar e sertanista brasileiro; nasceu em Morro Redondo, Mato Grosso. Órfão desde os dois anos, viveu com os avós até os sete, quando se mudou para Cuiabá, onde passou a viver com um tio e iniciou seus estudos.
Aos 16 anos, foi diplomado professor primário (Ensino Fundamental) pelo Liceu Cuiabano. Em seguida, ingressou na carreira militar como soldado do 3º Regimento de Artilharia a Cavalo. Pouco depois, mudou-se para o Rio de Janeiro onde, em 1883, matriculou-se na Escola Militar. Em 1890, recebeu o diploma de bacharel em Matemática e Ciências Físicas e Naturais da Escola Superior de Guerra do Brasil. Ainda estudante, teve participação nos movimentos abolicionista e republicano. Formado, foi nomeado professor de Astronomia e Mecânica da Escola Militar, cargo do qual se afastou em 1892.
Ainda em 1892, em 1º de fevereiro, casou-se com D. Francisca Xavier, com quem teve sete filhos, e foi nomeado chefe do Distrito Telegráfico de Mato Grosso. Foi então designado para a Comissão de Construção da linha telegráfica que ligaria Mato Grosso e Goiás. Essa primeira missão marcaria para sempre a vida do jovem oficial, e de todo o país que ele serviu com amor, serenidade e senso de justiça.
O novo governo republicano estava preocupado com o grande isolamento das regiões mais ocidentais do país, particularmente nas fronteiras com o Paraguai e a Bolívia, por isso decidira construir linhas telegráficas que melhorassem as comunicações com o centro-oeste e o longínquo norte. Rondon foi o mais importante dos sertanistas que desbravaram esses rincões.
Abriu caminhos, lançou linhas telegráficas, registrou sua topografia, descobriu rios, estudou a flora e a fauna; mas, principalmente, estabeleceu relações respeitosas e desmistificou a imagem de violentos, assassinos e até antropófagos, que se construíra em torno dos primitivos habitantes destas terras: os índios. Foi sua visão humanista que permitiu que as missões de desbravamentos e construções fossem realizadas em paz, sem combates fratricidas, e que não sendo assim poderiam ter acabado em missões genocidas.
Entre outras nações indígenas, Rondon manteve contatos pacíficos com os Bororo, Nhambiquara, Urupá, Jaru, Karipuna, Ariqueme, Boca Negra, Pacaás Novo, Macuporé, Guaraya, Macurape, etc. Nessa imensa e desconhecida região, realizou sua grande obra de militar. Estudioso, sertanista e grande ser humano.
Entre 1892 e 1898, ajudou a construir as linhas telegráficas de Mato Grosso a Goiás, entre Cuiabá e o Araguaia, e uma estrada de Cuiabá a Goiás. Entre 1900 e 1906, dirigiu a construção de mais uma linha telegráfica, entre Cuiabá e Corumbá, alcançando as fronteiras de Paraguai e Bolívia. Em 1906, encontrou as ruínas do Real Forte Príncipe da Beira, a maior relíquia histórica de Rondônia.
Em 1907, no posto de major do Corpo de Engenheiros Militares, foi nomeado chefe da comissão que deveria construir a linha telegráfica de Cuiabá a Santo Antonio do Madeira, a primeira a alcançar a região amazônica, e que foi denominada \"Comissão Rondon\". Seus trabalhos desenvolveram-se de 1907 a 1915. Assim, simultaneamente, já que a construção da Estrada de Ferro Madeira Mamoré deu-se entre 1907 e 1912, aconteciam dois dos fatos mais importantes para o conhecimento e a ocupação econômica do espaço físico que à época era parte do Mato Grosso, e hoje constitui o estado de Rondônia.
A EFMM no sentido leste-oeste, e a linha do telégrafo no sentido sul-norte. Difícil dizer qual o feito mais grandioso. Os trabalhos exploratórios da Comissão Rondon, quando foram estudados e registrados fatos novos nos ramos da geografia, biologia (fauna e flora) e antropologia, na região então desconhecida, dividiram-se em três expedições:
- A 1ª expedição, entre setembro e novembro de 1907, reconheceu 1.781 km entre Cuiabá e o rio Juruena;
- A 2ª expedição ocorreu em 1908 e foi a mais numerosa, envolvendo 127 membros. Foi encerrada às margens de um rio denominado 12 de outubro (data de encerramento da expedição), tendo reconhecido 1.653 km entre o rio Juruena e a Serra do Norte;
- A 3ª expedição, com 42 homens, foi realizada de maio a dezembro 1909, vindo da serra do Norte ao rio Madeira, que alcançou em 25 de dezembro, atravessando toda a atual Rondônia.
Estabeleceu relações amistosas com os índios parecis e aproximou-se dos nhambiquaras. No Amazonas, Rondon protegeu os índios parintintins, perseguidos e explorados por seringueiros da região. Através de suas expedições pelo interior do país, Rondon estabeleceu uma convivência amigável com inúmeros grupos indígenas, estudou-os e lutou por uma política de valorização dos índios e pela criação do Serviço de Proteção ao Índio (SPI).
Essa entidade governamental tinha a função de defender os índios contra o extermínio e a opressão, dando-lhes meios para adotar as artes e as indústrias da sociedade brasileira. Foi criada em setembro de 1910 (SPI) e Cândido Rondon foi seu primeiro diretor, de 1910 a 1930. Em 12 de outubro de 1911, inaugurou a estação telegráfica de Vilhena, na fronteira dos atuais estados de Mato Grosso e Rondônia.
Em 13 de junho de 1912, inaugurou nova estação telegráfica, a 80 km de Vilhena, que recebeu seu nome. De maio de 1913 a maio de 1914, participou da denominada expedição Roosevelt-Rondon, junto com o ex-presidente dos Estados Unidos da América, Theodore Roosevelt. Realizou novos estudos e descobertas na região.
Durante o ano de 1914, a Comissão Rondon construiu, em oito meses, no espaço físico de Rondônia, 372 km de linhas e cinco estações telegráficas: Pimenta Bueno, Presidente Hermes, Presidente Pena (mais tarde Vila de Rondônia, atualmente Ji Paraná), Jaru e Ariquemes (a 200km de porto Velho).
Em 1º de janeiro de 1915, inaugurou a estação telegráfica de Santo Antonio do Madeira, concluindo a gigantesca missão que lhe fora conferida. Já General de Brigada, em 20 de setembro de 1919, foi nomeado Diretor de Engenharia do Exército, cargo que ocupou até 1924. Em 1930, preso no Rio Grande do Sul pelos revolucionários que destituíram Washington Luís e levaram Getúlio Vargas ao poder, pediu reforma do exército.
Em 1957, foi indicado para o prêmio Nobel da Paz, pelo Explorer\'s Club, de New York. Entre julho de 1934 e julho de 1938, presidiu missão diplomática que lhe fora confiada pelo Governo do Brasil, mediando e arbitrando o conflito que se estabelecera entre o Peru e a Colômbia pela posse do porto de Letícia. Ao encerrar sua missão, tendo estabelecido um acordo de paz, estava quase cego. Em 5 de maio de 1955, data de seu aniversário de 90 anos, recebeu o título de Marechal do Exército Brasileiro, concedido pelo Congresso Nacional. Morreu no Rio de Janeiro, aos 92 anos, em 19 de janeiro de 1958.
Marechal Rondon (1865-1958), cujo nome completo era Cândido Mariano da Silva Rondon, foi militar e sertanista brasileiro; nasceu em Morro Redondo, Mato Grosso. Órfão desde os dois anos, viveu com os avós até os sete, quando se mudou para Cuiabá, onde passou a viver com um tio e iniciou seus estudos.
Aos 16 anos, foi diplomado professor primário (Ensino Fundamental) pelo Liceu Cuiabano. Em seguida, ingressou na carreira militar como soldado do 3º Regimento de Artilharia a Cavalo. Pouco depois, mudou-se para o Rio de Janeiro onde, em 1883, matriculou-se na Escola Militar. Em 1890, recebeu o diploma de bacharel em Matemática e Ciências Físicas e Naturais da Escola Superior de Guerra do Brasil. Ainda estudante, teve participação nos movimentos abolicionista e republicano. Formado, foi nomeado professor de Astronomia e Mecânica da Escola Militar, cargo do qual se afastou em 1892.
Ainda em 1892, em 1º de fevereiro, casou-se com D. Francisca Xavier, com quem teve sete filhos, e foi nomeado chefe do Distrito Telegráfico de Mato Grosso. Foi então designado para a Comissão de Construção da linha telegráfica que ligaria Mato Grosso e Goiás. Essa primeira missão marcaria para sempre a vida do jovem oficial, e de todo o país que ele serviu com amor, serenidade e senso de justiça.
O novo governo republicano estava preocupado com o grande isolamento das regiões mais ocidentais do país, particularmente nas fronteiras com o Paraguai e a Bolívia, por isso decidira construir linhas telegráficas que melhorassem as comunicações com o centro-oeste e o longínquo norte. Rondon foi o mais importante dos sertanistas que desbravaram esses rincões.
Abriu caminhos, lançou linhas telegráficas, registrou sua topografia, descobriu rios, estudou a flora e a fauna; mas, principalmente, estabeleceu relações respeitosas e desmistificou a imagem de violentos, assassinos e até antropófagos, que se construíra em torno dos primitivos habitantes destas terras: os índios. Foi sua visão humanista que permitiu que as missões de desbravamentos e construções fossem realizadas em paz, sem combates fratricidas, e que não sendo assim poderiam ter acabado em missões genocidas.
Entre outras nações indígenas, Rondon manteve contatos pacíficos com os Bororo, Nhambiquara, Urupá, Jaru, Karipuna, Ariqueme, Boca Negra, Pacaás Novo, Macuporé, Guaraya, Macurape, etc. Nessa imensa e desconhecida região, realizou sua grande obra de militar. Estudioso, sertanista e grande ser humano.
Entre 1892 e 1898, ajudou a construir as linhas telegráficas de Mato Grosso a Goiás, entre Cuiabá e o Araguaia, e uma estrada de Cuiabá a Goiás. Entre 1900 e 1906, dirigiu a construção de mais uma linha telegráfica, entre Cuiabá e Corumbá, alcançando as fronteiras de Paraguai e Bolívia. Em 1906, encontrou as ruínas do Real Forte Príncipe da Beira, a maior relíquia histórica de Rondônia.
Em 1907, no posto de major do Corpo de Engenheiros Militares, foi nomeado chefe da comissão que deveria construir a linha telegráfica de Cuiabá a Santo Antonio do Madeira, a primeira a alcançar a região amazônica, e que foi denominada \"Comissão Rondon\". Seus trabalhos desenvolveram-se de 1907 a 1915. Assim, simultaneamente, já que a construção da Estrada de Ferro Madeira Mamoré deu-se entre 1907 e 1912, aconteciam dois dos fatos mais importantes para o conhecimento e a ocupação econômica do espaço físico que à época era parte do Mato Grosso, e hoje constitui o estado de Rondônia.
A EFMM no sentido leste-oeste, e a linha do telégrafo no sentido sul-norte. Difícil dizer qual o feito mais grandioso. Os trabalhos exploratórios da Comissão Rondon, quando foram estudados e registrados fatos novos nos ramos da geografia, biologia (fauna e flora) e antropologia, na região então desconhecida, dividiram-se em três expedições:
- A 1ª expedição, entre setembro e novembro de 1907, reconheceu 1.781 km entre Cuiabá e o rio Juruena;
- A 2ª expedição ocorreu em 1908 e foi a mais numerosa, envolvendo 127 membros. Foi encerrada às margens de um rio denominado 12 de outubro (data de encerramento da expedição), tendo reconhecido 1.653 km entre o rio Juruena e a Serra do Norte;
- A 3ª expedição, com 42 homens, foi realizada de maio a dezembro 1909, vindo da serra do Norte ao rio Madeira, que alcançou em 25 de dezembro, atravessando toda a atual Rondônia.
Estabeleceu relações amistosas com os índios parecis e aproximou-se dos nhambiquaras. No Amazonas, Rondon protegeu os índios parintintins, perseguidos e explorados por seringueiros da região. Através de suas expedições pelo interior do país, Rondon estabeleceu uma convivência amigável com inúmeros grupos indígenas, estudou-os e lutou por uma política de valorização dos índios e pela criação do Serviço de Proteção ao Índio (SPI).
Essa entidade governamental tinha a função de defender os índios contra o extermínio e a opressão, dando-lhes meios para adotar as artes e as indústrias da sociedade brasileira. Foi criada em setembro de 1910 (SPI) e Cândido Rondon foi seu primeiro diretor, de 1910 a 1930. Em 12 de outubro de 1911, inaugurou a estação telegráfica de Vilhena, na fronteira dos atuais estados de Mato Grosso e Rondônia.
Em 13 de junho de 1912, inaugurou nova estação telegráfica, a 80 km de Vilhena, que recebeu seu nome. De maio de 1913 a maio de 1914, participou da denominada expedição Roosevelt-Rondon, junto com o ex-presidente dos Estados Unidos da América, Theodore Roosevelt. Realizou novos estudos e descobertas na região.
Durante o ano de 1914, a Comissão Rondon construiu, em oito meses, no espaço físico de Rondônia, 372 km de linhas e cinco estações telegráficas: Pimenta Bueno, Presidente Hermes, Presidente Pena (mais tarde Vila de Rondônia, atualmente Ji Paraná), Jaru e Ariquemes (a 200km de porto Velho).
Em 1º de janeiro de 1915, inaugurou a estação telegráfica de Santo Antonio do Madeira, concluindo a gigantesca missão que lhe fora conferida. Já General de Brigada, em 20 de setembro de 1919, foi nomeado Diretor de Engenharia do Exército, cargo que ocupou até 1924. Em 1930, preso no Rio Grande do Sul pelos revolucionários que destituíram Washington Luís e levaram Getúlio Vargas ao poder, pediu reforma do exército.
Em 1957, foi indicado para o prêmio Nobel da Paz, pelo Explorer\'s Club, de New York. Entre julho de 1934 e julho de 1938, presidiu missão diplomática que lhe fora confiada pelo Governo do Brasil, mediando e arbitrando o conflito que se estabelecera entre o Peru e a Colômbia pela posse do porto de Letícia. Ao encerrar sua missão, tendo estabelecido um acordo de paz, estava quase cego. Em 5 de maio de 1955, data de seu aniversário de 90 anos, recebeu o título de Marechal do Exército Brasileiro, concedido pelo Congresso Nacional. Morreu no Rio de Janeiro, aos 92 anos, em 19 de janeiro de 1958.

DESMOND TUTU
\\\"É PRECISO LIBERDADE PARA
CHEGAR À PAZ\\\"
Religioso e pacifista sul-africano. Defensor dos direitos humanos, destacou-se por sua notável influência política e religiosa como adversário não-violento do regime racista do país. Seu pai era um professor, e ele mesmo foi educado na High School Bantu de Joanesburgo.
Após sair da escola iniciou sua atividade como professor na faculdade Bantu de Pretoria e em 1954 graduou-se na universidade da África do Sul. Estudou Teologia em 1960. Os anos 1962-66 foram devotados a um estudo de teologia mais avançado, na Inglaterra, tornando-se mestre em Teologia.
De 1967 a 1972 ensinou teologia na África sul. Foi por três anos diretor assistente de um instituto de teologia em Londres. Em 1975 foi apontado decano da catedral do St. Mary em Joanesburgo. Tutu se tornou doutor das principais universidades dos EUA, Grã-Bretanha e na Alemanha.
Desmond Tutu formulou seu objetivo como \\\"uma sociedade democrática e justa sem divisões raciais\\\", e defendeu os seguintes pontos: - Direitos civis iguais para todos; - Um sistema comum de educação; - O fim da deportação forçada da África sul aos \\\"homelands so-called\\\". Desmond Tutu foi arcebispo sul-africano, ativista dos direitos civis.
Em 1984, recebeu o Prêmio Nobel da Paz em reconhecimento à sua luta pacífica contra o apartheid, pelo trabalho que realizou na cruzada pacífica contra as medidas de segregação racial do seu país. Foi nomeado arcebispo da Cidade do Cabo e líder da Igreja Anglicana da África do Sul em 1986, cargo do qual se afastou dez anos depois.
Foi o primeiro sacerdote sul-africano negro, nomeado secretário-geral do Conselho das Igrejas Sul-africano, reiniciou suas atividades pastorais depois do estabelecimento de uma república multirracial (1994). Em abril de 1996, abriu a Comissão de Verdade e Reconciliação, criada para investigar os crimes de segregação racial cometidos no país.
Em visita à África do Sul, o Papa João Paulo II pediu desculpas ao Bispo Tutu pela escravidão dos negros imposta pelos cristãos, e o compositor brasileiro Gilberto Gil musicou este momento, compondo a canção \\\"Oração pela África do Sul\\\" e cantou como reggae: \\\"Até o Papa já pediu perdão - salve a batina do Bispo Tutu\\\".
Religioso e pacifista sul-africano. Defensor dos direitos humanos, destacou-se por sua notável influência política e religiosa como adversário não-violento do regime racista do país. Seu pai era um professor, e ele mesmo foi educado na High School Bantu de Joanesburgo.
Após sair da escola iniciou sua atividade como professor na faculdade Bantu de Pretoria e em 1954 graduou-se na universidade da África do Sul. Estudou Teologia em 1960. Os anos 1962-66 foram devotados a um estudo de teologia mais avançado, na Inglaterra, tornando-se mestre em Teologia.
De 1967 a 1972 ensinou teologia na África sul. Foi por três anos diretor assistente de um instituto de teologia em Londres. Em 1975 foi apontado decano da catedral do St. Mary em Joanesburgo. Tutu se tornou doutor das principais universidades dos EUA, Grã-Bretanha e na Alemanha.
Desmond Tutu formulou seu objetivo como \\\"uma sociedade democrática e justa sem divisões raciais\\\", e defendeu os seguintes pontos: - Direitos civis iguais para todos; - Um sistema comum de educação; - O fim da deportação forçada da África sul aos \\\"homelands so-called\\\". Desmond Tutu foi arcebispo sul-africano, ativista dos direitos civis.
Em 1984, recebeu o Prêmio Nobel da Paz em reconhecimento à sua luta pacífica contra o apartheid, pelo trabalho que realizou na cruzada pacífica contra as medidas de segregação racial do seu país. Foi nomeado arcebispo da Cidade do Cabo e líder da Igreja Anglicana da África do Sul em 1986, cargo do qual se afastou dez anos depois.
Foi o primeiro sacerdote sul-africano negro, nomeado secretário-geral do Conselho das Igrejas Sul-africano, reiniciou suas atividades pastorais depois do estabelecimento de uma república multirracial (1994). Em abril de 1996, abriu a Comissão de Verdade e Reconciliação, criada para investigar os crimes de segregação racial cometidos no país.
Em visita à África do Sul, o Papa João Paulo II pediu desculpas ao Bispo Tutu pela escravidão dos negros imposta pelos cristãos, e o compositor brasileiro Gilberto Gil musicou este momento, compondo a canção \\\"Oração pela África do Sul\\\" e cantou como reggae: \\\"Até o Papa já pediu perdão - salve a batina do Bispo Tutu\\\".

MIKHAIL SERGEYEVICH GORBACHEV
\"A HISTÓRIA QUIS QUE EU
AJUDASSE O MUNDO A SE LIVRAR DA AMEAÇA NUCLEAR\"
Como chefe do governo soviético a partir de 1985, Gorbatchev liderou radicais transformações políticas e sociais que resultaram na dissolução da União Soviética, no fim do regime comunista e na adoção da economia de mercado no leste europeu. Mikhaïl Sergeieyevich Gorbatchev nasceu em 2 de março de 1931, em Privolie, sudoeste da Rússia. Filho de camponeses, aderiu à Juventude Comunista em 1946.
Em 1952, ingressou no curso de direito da Universidade Estadual de Moscou e no Partido Comunista. Formou-se em 1955 e ocupou vários cargos em organizações partidárias de sua terra natal, e depois em Moscou. Em 1971, passou a integrar o Comitê Central do partido e, oito anos mais tarde, tornou-se membro do Politburo, máxima instância política do partido. Sua influência cresceu muito entre 1982 e 1985, durante os governos de Iuri Andropov e Konstantin Tchernenko.
Após a morte deste, em 10 de março de 1985, Gorbatchev foi eleito secretário-geral do partido e assumiu o governo soviético. O novo líder oxigenou a máquina partidária e procurou ativar a estagnada economia da União Soviética, para o que recorreu à modernização tecnológica, aumentou a produtividade, procurou melhorar a eficiência da burocracia estatal e ampliou a livre discussão dos problemas nacionais.
Em 1987, aprofundou a política de reformas chamada glasnost (abertura), que aqueceu a vida cultural, ampliou a liberdade de imprensa e informação e varreu os últimos vestígios do stalinismo. A Perestroika (reestruturação) implantou alguns mecanismos de mercado, como responsabilizar as indústrias por sua própria produção e situação financeira, pela extinção de subsídios e diretrizes de Moscou.
Ainda em 1987, Gorbatchev assinou com os Estados Unidos um tratado que previa a destruição dos mísseis de médio alcance, e em 1988 ordenou a retirada das tropas soviéticas que ocupavam o Afeganistão desde 1979. Uma reforma constitucional criou um novo Parlamento bicameral, o Congresso dos Deputados do Povo, integrado em parte por membros eleitos pelo voto direto.
Em 1989, eleito presidente do Soviete Supremo (órgão legislativo superior) e presidente da União Soviética, reconheceu o fim dos regimes comunistas dos países do leste europeu e retirou gradualmente as tropas soviéticas lá estacionadas.
Em 1990, concordou com a reunificação da Alemanha e, por suas realizações na área das relações internacionais, recebeu o Prêmio Nobel da paz. Gorbatchev enfrentou o descontentamento de muitas repúblicas soviéticas, como o Azerbaijão, a Geórgia e a Lituânia, e usou a força militar para mantê-las sob controle soviético, à espera de que mecanismos constitucionais facilitassem eventuais desmembramentos.
Apesar de conduzir com êxito as reformas políticas, não conseguiu evitar o colapso da economia soviética. A mistura de liberalismo econômico e modo de produção socialista provocou uma desorganização econômica, cuja pior conseqüência foi a escassez de produtos essenciais. Acumulava os cargos de presidente executivo, presidente do Conselho Presidencial e do Conselho de Defesa, secretário-geral do Partido Comunista e comandante supremo das forças armadas.
No final de 1990, buscou aliados entre os conservadores. Em agosto de 1991, um fracassado golpe de estado da linha dura do partido manteve Gorbatchev e sua família em prisão domiciliar por três dias, até que a resistência dos reformistas, liderados pelo presidente da Rússia, Boris Yeltsin, o reconduziu ao governo. Gorbatchev abandonou, então, o partido; dissolveu o Comitê Central e subtraiu a polícia política e as forças armadas ao controle partidário.
Com a consolidação da liderança de Yeltsin, Gorbatchev foi obrigado a deixar o governo, ainda em 1991. Desde então, dedicou-se a fazer conferências pelo mundo e a presidir um instituto de estudos políticos em Moscou.
Como chefe do governo soviético a partir de 1985, Gorbatchev liderou radicais transformações políticas e sociais que resultaram na dissolução da União Soviética, no fim do regime comunista e na adoção da economia de mercado no leste europeu. Mikhaïl Sergeieyevich Gorbatchev nasceu em 2 de março de 1931, em Privolie, sudoeste da Rússia. Filho de camponeses, aderiu à Juventude Comunista em 1946.
Em 1952, ingressou no curso de direito da Universidade Estadual de Moscou e no Partido Comunista. Formou-se em 1955 e ocupou vários cargos em organizações partidárias de sua terra natal, e depois em Moscou. Em 1971, passou a integrar o Comitê Central do partido e, oito anos mais tarde, tornou-se membro do Politburo, máxima instância política do partido. Sua influência cresceu muito entre 1982 e 1985, durante os governos de Iuri Andropov e Konstantin Tchernenko.
Após a morte deste, em 10 de março de 1985, Gorbatchev foi eleito secretário-geral do partido e assumiu o governo soviético. O novo líder oxigenou a máquina partidária e procurou ativar a estagnada economia da União Soviética, para o que recorreu à modernização tecnológica, aumentou a produtividade, procurou melhorar a eficiência da burocracia estatal e ampliou a livre discussão dos problemas nacionais.
Em 1987, aprofundou a política de reformas chamada glasnost (abertura), que aqueceu a vida cultural, ampliou a liberdade de imprensa e informação e varreu os últimos vestígios do stalinismo. A Perestroika (reestruturação) implantou alguns mecanismos de mercado, como responsabilizar as indústrias por sua própria produção e situação financeira, pela extinção de subsídios e diretrizes de Moscou.
Ainda em 1987, Gorbatchev assinou com os Estados Unidos um tratado que previa a destruição dos mísseis de médio alcance, e em 1988 ordenou a retirada das tropas soviéticas que ocupavam o Afeganistão desde 1979. Uma reforma constitucional criou um novo Parlamento bicameral, o Congresso dos Deputados do Povo, integrado em parte por membros eleitos pelo voto direto.
Em 1989, eleito presidente do Soviete Supremo (órgão legislativo superior) e presidente da União Soviética, reconheceu o fim dos regimes comunistas dos países do leste europeu e retirou gradualmente as tropas soviéticas lá estacionadas.
Em 1990, concordou com a reunificação da Alemanha e, por suas realizações na área das relações internacionais, recebeu o Prêmio Nobel da paz. Gorbatchev enfrentou o descontentamento de muitas repúblicas soviéticas, como o Azerbaijão, a Geórgia e a Lituânia, e usou a força militar para mantê-las sob controle soviético, à espera de que mecanismos constitucionais facilitassem eventuais desmembramentos.
Apesar de conduzir com êxito as reformas políticas, não conseguiu evitar o colapso da economia soviética. A mistura de liberalismo econômico e modo de produção socialista provocou uma desorganização econômica, cuja pior conseqüência foi a escassez de produtos essenciais. Acumulava os cargos de presidente executivo, presidente do Conselho Presidencial e do Conselho de Defesa, secretário-geral do Partido Comunista e comandante supremo das forças armadas.
No final de 1990, buscou aliados entre os conservadores. Em agosto de 1991, um fracassado golpe de estado da linha dura do partido manteve Gorbatchev e sua família em prisão domiciliar por três dias, até que a resistência dos reformistas, liderados pelo presidente da Rússia, Boris Yeltsin, o reconduziu ao governo. Gorbatchev abandonou, então, o partido; dissolveu o Comitê Central e subtraiu a polícia política e as forças armadas ao controle partidário.
Com a consolidação da liderança de Yeltsin, Gorbatchev foi obrigado a deixar o governo, ainda em 1991. Desde então, dedicou-se a fazer conferências pelo mundo e a presidir um instituto de estudos políticos em Moscou.

SATHYA SAI BABA
\"AS MÃOS QUE AUXILIAM FAZENDO
PAZ SÃO MAIS SANTAS QUE OS LÁBIOS QUE REZAM\"
Sathya Sai Baba nasceu em 23 de novembro de 1926, numa pequena vila chamada Puttaparthi, no sul da Índia, estado de Andhra Pradesh. Ele reside lá ainda hoje, recebendo milhares de visitantes do mundo inteiro em sua comunidade espiritual (ashram), chamada Prasanthi Nilayam, que significa \"Morada da Paz Suprema\".
Sathya Sai Baba nasceu em 23 de novembro de 1926, numa pequena vila chamada Puttaparthi, no sul da Índia, estado de Andhra Pradesh. Ele reside lá ainda hoje, recebendo milhares de visitantes do mundo inteiro em sua comunidade espiritual (ashram), chamada Prasanthi Nilayam, que significa \"Morada da Paz Suprema\".

STEVE BIKO
\"O GESTO DE VIOLÊNCIA DE UM
ADULTO NÃO MERECE O SORRISO DE UMA CRIANÇA\"
Steve Bantu Biko nasceu em 18 de dezembro de 1946 na cidade de King William�s Town, próximo da Cidade do Cabo, na África do Sul. Em 1966 ingressou no curso de Medicina da Universidade de Natal onde começou a atividade política. Em 1967 participou ativamente do movimento estudantil, destacando-se nas conferências devido a sua inteligência e poder de argumentação. Fundou e foi o primeiro presidente da OESA � Organização dos Estudantes da África do Sul (South African Students\' Organisation).
Foi um dos grandes idealizadores e articuladores do Movimento de Consciência Negra, que objetivava o resgate da auto-estima e dos valores ancestrais do seu povo, preparando-os para o combate ao sistema de opressão e submissão a que estavam subjugados. Em 1972, tornou-se presidente honorário da Convenção dos Negros (Black People\'s Convention).
Foi um dos principais líderes sul-africanos, juntamente com Nelson Mandela. Deixou um legado de luta calcado no Movimento de Consciência Negra e no desenvolvimento dos Programas de Assistência à Comunidade, voltado para atender às necessidades básicas de sua gente.
Em 6 de setembro de 1977 foi preso em bloqueio rodoviário organizado pela polícia. Levado sob custódia, foi acorrentado às grades de uma janela da penitenciária durante um dia inteiro, torturado durante quase 24 horas, sofreu grave traumatismo craniano. Em 11 de setembro, foi embarcado em veículo policial para transporte para outra prisão. Biko morreu durante o trajeto e a polícia alegou que a morte se devera a \"prolongada greve de fome empreendida pelo prisioneiro\".
Em 7 de outubro de 2003, autoridades do Ministério Público Sul-africano anunciaram que os cinco policiais envolvidos no assassinato de Biko não seriam processados, devido a falta de provas. Alegaram também que a acusação de assassinato não se sustentaria por não haver testemunhas dos atos supostamente cometidos contra Biko. Levou-se em consideração a possibilidade de acusar os envolvidos por Lesão Corporal seguida de morte, mas como os fatos ocorreram em 1977, tal crime teria prescrito (não seria mais passível de processo criminal) segundo as leis do país.
[Fonte: wikipedia (adaptado); Escol@24horas]
Steve Bantu Biko nasceu em 18 de dezembro de 1946 na cidade de King William�s Town, próximo da Cidade do Cabo, na África do Sul. Em 1966 ingressou no curso de Medicina da Universidade de Natal onde começou a atividade política. Em 1967 participou ativamente do movimento estudantil, destacando-se nas conferências devido a sua inteligência e poder de argumentação. Fundou e foi o primeiro presidente da OESA � Organização dos Estudantes da África do Sul (South African Students\' Organisation).
Foi um dos grandes idealizadores e articuladores do Movimento de Consciência Negra, que objetivava o resgate da auto-estima e dos valores ancestrais do seu povo, preparando-os para o combate ao sistema de opressão e submissão a que estavam subjugados. Em 1972, tornou-se presidente honorário da Convenção dos Negros (Black People\'s Convention).
Foi um dos principais líderes sul-africanos, juntamente com Nelson Mandela. Deixou um legado de luta calcado no Movimento de Consciência Negra e no desenvolvimento dos Programas de Assistência à Comunidade, voltado para atender às necessidades básicas de sua gente.
Em 6 de setembro de 1977 foi preso em bloqueio rodoviário organizado pela polícia. Levado sob custódia, foi acorrentado às grades de uma janela da penitenciária durante um dia inteiro, torturado durante quase 24 horas, sofreu grave traumatismo craniano. Em 11 de setembro, foi embarcado em veículo policial para transporte para outra prisão. Biko morreu durante o trajeto e a polícia alegou que a morte se devera a \"prolongada greve de fome empreendida pelo prisioneiro\".
Em 7 de outubro de 2003, autoridades do Ministério Público Sul-africano anunciaram que os cinco policiais envolvidos no assassinato de Biko não seriam processados, devido a falta de provas. Alegaram também que a acusação de assassinato não se sustentaria por não haver testemunhas dos atos supostamente cometidos contra Biko. Levou-se em consideração a possibilidade de acusar os envolvidos por Lesão Corporal seguida de morte, mas como os fatos ocorreram em 1977, tal crime teria prescrito (não seria mais passível de processo criminal) segundo as leis do país.
[Fonte: wikipedia (adaptado); Escol@24horas]

JOHN LENNON
\"DÊ UMA CHANCE A PAZ\"
John Winston Lennon nasceu no dia 09 de Outubro de 1940 na cidade de Liverpool, Inglaterra. Filho de Julia e Alfred Lennon, teve o pai ausente em toda sua vida e acabou sendo criado por uma tia, Mimi, irmã de Julia.
Lennon estudou na Quarry Bank Grammar School, escola que, com seus companheiros viu o nascimento do \'Quarrimen\' (que mais tarde daria origem aos Beatles). John adorava escrever, e alguns de seus poemas da época seriam um prefácio das letras que o tornariam tão famoso.
Aprendeu a tocar guitarra com sua própria mãe, Julia, que o visitava esporadicamente, até que morreu atropelada, quando John era adolescente. Isso o fez se aproximar de Paul McCartney, que havia perdido sua mãe na mesma época, e ao Rock and Roll, em discos de Elvis e Chuck Berry .
Em 1957 ingressou na Liverpool Art College, onde conheceu Cynthia Powel, que se tornaria sua primeira esposa, casando-se em 23 de Agosto de 1962.
Naquela época os Beatles começavam a subir a escadaria da fama, e turnês, gravações, filmes e outros compromissos fizeram de John um marido ausente e foi o motivo pelo qual, seu filho Julian (nascido em 8 de Abril de 1963), pouco tivesse contato com ele..
John sempre foi o líder intelectual dos Beatles, e durante a 1ª fase, ele é o grande responsável pela maioria das canções da banda, fato que iria reverter em prol de Paul McCartney de 1966 em diante.
Escreveu dois livros com poemas enquanto estava com o grupo: \'In His Ows Write\' (em março de 64) e \'A Spaniard in The Works\' (em 1965).
Em 1966 fez a famosa declaração de que \'Os Beatles eram mais famosos que Jesus Cristo\', frase mal interpretada quando foi colocada fora do seu contexto original, recebeu sua medalha do império britânico (devolvida em 69 em repúdio ao envolvimento da Inglaterra na guerra de Biafra).
No mesmo ano, numa exposição de artes na \'Indica Gallery\', em Londres, conhece Yoko Ono, e começa a se envolver com drogas como LSD. No final deste mesmo ano vai para a Espanha filmar \'How I Won The War\', de Richard Lester (diretor dos dois primeiros filmes dos Beatles).
Em 1968 o casamento de John e Cynthia termina e ele começa a viver com Yoko Ono, com a qual casaria em Gibraltar em 20 de Março de 1969. Troca aí seu nome de John Winston Lennon para John Ono Lennon.
Com Yoko Ono, ele toma conhecimento de novas formas de manifestações artísticas e lançam discos nada convencionais, como \'Two Virgins\' (que se tornaria famoso pela capa dos dois nus), \'Life With The Lions\' e \'Wedding Album\'. Nesse mesmo ano, os dois são pegos com haxixe numa batida policial e participam do especial dos Rolling Stones \'Rock\'n\'Roll Circus\'.
Também com Yoko, fez uma série de filmes Avant Garde, como \'Fly\',\'Self Portrait\', \'Smile\' e \'Erection\'. As campanhas pela paz, como as famosas entrevistas na cama em um hotel em Toronto, ou simplesmente dentro de um saco, fizeram do casal símbolos da paz, ou para muitos apenas sinonimos da \'loucura\'.
Formou a banda \'The Plastic Ono Band\' (banda conceitual, sem nenhum membro fixo) para um concerto pela paz em Toronto, e sua música \'Give Peace a Chance\' tornou-se hino do movimento Hippie.
Com o rompimento dos Beatles, em 1970, John viu-se só com Yoko, e ambos gravaram vários discos juntos. A teoria do \'grito primal\' do dr. Artur Janov, deu origem ao seu 1º disco solo, \'John Lennon / Plastic Ono Band\', de 1970, e \'Imagine\', seu segundo álbum tornou-se um fenômeno de vendas e a música sua obra prima.
No final de 1971 o casal voa para Nova York, onde estabelecem residência, fato pelo qual durante quase 5 anos fez com que John não pudesse sair dos Estados Unidos, pela falta do visto de permanência (devido a sua posse de drogas na Inglaterra). Só iria conseguir a \'Green Card\' em 1976.
Campanhas anti-Vietnã e engajamentos políticos fizeram dele uma pessoa \'perigosa\' para o Governo de Richard Nixon, e muitas vezes foi seguido pela FBI e teve seu telefone grampeado. Nessa época, ele e Yoko lançam o disco conjunto \'Sometime in New York City\'.
Em 1973 John e Yoko fazem uma breve separação e John passa a viver em Los Angeles com sua secretária May Pang. Nessa fase grava dois discos: \'Mind Games\' e \'Walls and Bridges\', que são mais comerciais e tem pouco da linha ferina típica de John. Nessa época começa a gravar o disco \'Rock\'n\'Roll\', que só seria terminado 2 anos mais tarde, contendo vários clássicos do Rock.
O \'Long Weekend\' de John termina em 1975, quando após uma participação no Madison Square Garden em um show de Elton John, encontra Yoko Ono nos camarins e ambos reatam o \'affair\'.
Compram vários apartamentos no edifício Dakota, em NY, onde John se torna pai pela 2ª vez. Sean Ono Lennon nasce no mesmo dia do aniversário de John, em 09 de Outubro de 1975. John começa então um jejum musical de 5 anos,fazendo pão e vendo seu filho crescer. Yoko toma conta dos negócios.
O movimento \'New Wave\' de 1980 deu fôlego a John e Yoko para retornarem aos estúdios, quando gravam o disco \'Double Fantasy\'. O Disco se torna um megassucesso.
O que houve depois disso todos sabem, e infelizmente a carreira de John termina aí: 08 de Dezembro de 1980. Depois disso o filme \'Imagine\' é rodado, vários discos foram lançados, e até uma \'breve\' reunião dos Beatles acontece com \'Free as a Bird\'.
Foram poucos os discos solo que John deixou, mas seu legado é enorme, e com certeza, John é o que se pode ser proclamado um dos músicos do século.
[Fonte: http://www.getback.com.br (adaptado)]
John Winston Lennon nasceu no dia 09 de Outubro de 1940 na cidade de Liverpool, Inglaterra. Filho de Julia e Alfred Lennon, teve o pai ausente em toda sua vida e acabou sendo criado por uma tia, Mimi, irmã de Julia.
Lennon estudou na Quarry Bank Grammar School, escola que, com seus companheiros viu o nascimento do \'Quarrimen\' (que mais tarde daria origem aos Beatles). John adorava escrever, e alguns de seus poemas da época seriam um prefácio das letras que o tornariam tão famoso.
Aprendeu a tocar guitarra com sua própria mãe, Julia, que o visitava esporadicamente, até que morreu atropelada, quando John era adolescente. Isso o fez se aproximar de Paul McCartney, que havia perdido sua mãe na mesma época, e ao Rock and Roll, em discos de Elvis e Chuck Berry .
Em 1957 ingressou na Liverpool Art College, onde conheceu Cynthia Powel, que se tornaria sua primeira esposa, casando-se em 23 de Agosto de 1962.
Naquela época os Beatles começavam a subir a escadaria da fama, e turnês, gravações, filmes e outros compromissos fizeram de John um marido ausente e foi o motivo pelo qual, seu filho Julian (nascido em 8 de Abril de 1963), pouco tivesse contato com ele..
John sempre foi o líder intelectual dos Beatles, e durante a 1ª fase, ele é o grande responsável pela maioria das canções da banda, fato que iria reverter em prol de Paul McCartney de 1966 em diante.
Escreveu dois livros com poemas enquanto estava com o grupo: \'In His Ows Write\' (em março de 64) e \'A Spaniard in The Works\' (em 1965).
Em 1966 fez a famosa declaração de que \'Os Beatles eram mais famosos que Jesus Cristo\', frase mal interpretada quando foi colocada fora do seu contexto original, recebeu sua medalha do império britânico (devolvida em 69 em repúdio ao envolvimento da Inglaterra na guerra de Biafra).
No mesmo ano, numa exposição de artes na \'Indica Gallery\', em Londres, conhece Yoko Ono, e começa a se envolver com drogas como LSD. No final deste mesmo ano vai para a Espanha filmar \'How I Won The War\', de Richard Lester (diretor dos dois primeiros filmes dos Beatles).
Em 1968 o casamento de John e Cynthia termina e ele começa a viver com Yoko Ono, com a qual casaria em Gibraltar em 20 de Março de 1969. Troca aí seu nome de John Winston Lennon para John Ono Lennon.
Com Yoko Ono, ele toma conhecimento de novas formas de manifestações artísticas e lançam discos nada convencionais, como \'Two Virgins\' (que se tornaria famoso pela capa dos dois nus), \'Life With The Lions\' e \'Wedding Album\'. Nesse mesmo ano, os dois são pegos com haxixe numa batida policial e participam do especial dos Rolling Stones \'Rock\'n\'Roll Circus\'.
Também com Yoko, fez uma série de filmes Avant Garde, como \'Fly\',\'Self Portrait\', \'Smile\' e \'Erection\'. As campanhas pela paz, como as famosas entrevistas na cama em um hotel em Toronto, ou simplesmente dentro de um saco, fizeram do casal símbolos da paz, ou para muitos apenas sinonimos da \'loucura\'.
Formou a banda \'The Plastic Ono Band\' (banda conceitual, sem nenhum membro fixo) para um concerto pela paz em Toronto, e sua música \'Give Peace a Chance\' tornou-se hino do movimento Hippie.
Com o rompimento dos Beatles, em 1970, John viu-se só com Yoko, e ambos gravaram vários discos juntos. A teoria do \'grito primal\' do dr. Artur Janov, deu origem ao seu 1º disco solo, \'John Lennon / Plastic Ono Band\', de 1970, e \'Imagine\', seu segundo álbum tornou-se um fenômeno de vendas e a música sua obra prima.
No final de 1971 o casal voa para Nova York, onde estabelecem residência, fato pelo qual durante quase 5 anos fez com que John não pudesse sair dos Estados Unidos, pela falta do visto de permanência (devido a sua posse de drogas na Inglaterra). Só iria conseguir a \'Green Card\' em 1976.
Campanhas anti-Vietnã e engajamentos políticos fizeram dele uma pessoa \'perigosa\' para o Governo de Richard Nixon, e muitas vezes foi seguido pela FBI e teve seu telefone grampeado. Nessa época, ele e Yoko lançam o disco conjunto \'Sometime in New York City\'.
Em 1973 John e Yoko fazem uma breve separação e John passa a viver em Los Angeles com sua secretária May Pang. Nessa fase grava dois discos: \'Mind Games\' e \'Walls and Bridges\', que são mais comerciais e tem pouco da linha ferina típica de John. Nessa época começa a gravar o disco \'Rock\'n\'Roll\', que só seria terminado 2 anos mais tarde, contendo vários clássicos do Rock.
O \'Long Weekend\' de John termina em 1975, quando após uma participação no Madison Square Garden em um show de Elton John, encontra Yoko Ono nos camarins e ambos reatam o \'affair\'.
Compram vários apartamentos no edifício Dakota, em NY, onde John se torna pai pela 2ª vez. Sean Ono Lennon nasce no mesmo dia do aniversário de John, em 09 de Outubro de 1975. John começa então um jejum musical de 5 anos,fazendo pão e vendo seu filho crescer. Yoko toma conta dos negócios.
O movimento \'New Wave\' de 1980 deu fôlego a John e Yoko para retornarem aos estúdios, quando gravam o disco \'Double Fantasy\'. O Disco se torna um megassucesso.
O que houve depois disso todos sabem, e infelizmente a carreira de John termina aí: 08 de Dezembro de 1980. Depois disso o filme \'Imagine\' é rodado, vários discos foram lançados, e até uma \'breve\' reunião dos Beatles acontece com \'Free as a Bird\'.
Foram poucos os discos solo que John deixou, mas seu legado é enorme, e com certeza, John é o que se pode ser proclamado um dos músicos do século.
[Fonte: http://www.getback.com.br (adaptado)]

JESUS CRISTO
\"A MINHA PAZ VOS DEIXO, A MINHA
PAZ VOS DOU. VOS DOU A PAZ QUE O MUNDO NÃO PODE DAR\"
Carta enviada da Galiléia pelo senador romano Públio Lêntulus ao imperador Tibério César: Sabendo que desejais conhecer quanto vou narrar, existindo nos nossos tempos um homem, o qual vive atualmente de grandes virtudes, chamado Jesus, que pelo povo é inculcado profeta da verdade, e os seus discípulos dizem que é filho de Deus, criador do Céu e da Terra e de todas as coisas que nela se acham e que nela tenham estado; em verdade, ó César, cada dia se ouve coisas maravilhosas desse Jesus: \"ressuscita os mortos, cura os enfermos\", em uma só palavra: ...
...é um homem de justa estatura e é muito belo no aspecto. Há tanta majestade no rosto, que aqueles que o vêem são forçados a amá-lo ou temê-lo. Tem os cabelos da cor de amêndoa bem madura, são distendidos até as orelhas, e das orelhas até as espáduas, são da cor da terra, porém mais reluzentes. Tem no meio da sua fronte uma linha separando os cabelos, na forma em uso dos nazarenos; o seu rosto é cheio, o aspecto é muito sereno, nenhuma ruga ou mancha se vê em sua face de uma cor moderada; o nariz e a boca são irrepreensíveis. A barba é espessa, mas semelhante aos cabelos, não muito longa, mas separada pelo meio; seu olhar é muito especioso e grave; tem os olhos graciosos e claros; o que surpreende é que resplandecem no seu rosto como os raios do sol, porém ninguém pode olhar fixo no seu semblante, porque, quando resplende, apavora, e quando ameniza, faz chorar; faz-se amar e é alegre com gravidade.
Diz-se que nunca ninguém o viu rir, mas, antes, chorar. Tem os braços e as mãos muito belos; na palestra contenta muito, mas o faz raramente e, quando dele alguém se aproxima verifica que é muito modesto na presença e na pessoa. É o mais belo homem que se possa imaginar, muito semelhante a sua mãe, a qual é de rara beleza, não se tendo jamais visto, por estas partes, uma donzela tão bela... De letras, faz-se admirar de toda a cidade de Jerusalém; ele sabe todas as ciências e nunca estudou nada.
Ele caminha descalço e sem coisa alguma na cabeça. Muitos se riem, vendo-o assim, porém em sua presença, falando com ele, tremem e admiram. Dizem que um tal homem nunca fora ouvido por estas partes. Em verdade, segundo me dizem os hebreus, não se ouviram jamais tais conselhos, de grande doutrina, como ensina este Jesus; muitos judeus o têm como Divino e muitos me querelam, afirmando que é contra a lei de tua majestade.
Diz-se que este Jesus nunca fez mal a quem quer que seja, mas, ao contrário, aqueles que o conhecem e com ele têm praticado afirmam ter dele recebido grandes benefícios e saúde, porém à tua obediência estou prontíssimo -aquilo que tua majestade ordenar será cumprido. Vale, da majestade tua, fidelíssimo e obrigadíssimo. Públio Lêntulus SHALOM é a palavra hebraica que exprime a Paz.
É também um dos nomes de Deus, na concepção judaica, e ninguém melhor do que Jesus, o judeu, para qualificar e exemplificar a PAZ com as suas atitudes. Esta palavra é usada e exemplificada por ELE várias vezes nos Evangelhos. Ele soube sempre cultivá-la em toda e qualquer situação. Suas ações e atitudes foram sempre voltadas para a Paz. No tempo de Jesus todos os Judeus desejavam ardentemente vingança premente contra a opressão romana que impunha a humilhação e a escravidão do povo judeu, enquanto Jesus suscitava deles um gesto de ação contrária e consoladora: \\\"Avante, os humilhados de espíritos porque deles é o reino dos Céus\\\". Mt. 5:1.
Demonstrando aos que o ouviam, que existia um reino espiritual, onde o romano não tinha domínio. Enquanto os romanos impunham a brutalidade e a força do chicote, Ele afirmava: \\\"Avante, os humildes porque eles herdarão a terra\\\". Mt. 5:5. Os opressores matavam e escravizavam, enquanto Jesus afirmava: \\\"Avante os que promovem a vida, porque receberão a vida\\\". Mt. 5:7. Sua maior expressão de ensinamento frente às agressões recebidas e vividas pelos judeus foi afirmar em uma época tão turbulenta e revoltante: \\\"Avante os que fazem a Paz, porque serão chamados filhos de Deus\\\". Mt. 5:9.
Esta frase demonstra em vez de reação, uma ação oposta e completamente diferente daquela que desejava o povo. No entanto, através dela pode-se destruir todo e qualquer tipo de violência. Recomendou ainda aos seus discípulos que quando entrassem numa casa que fosse digna, saudassem e fizessem descer sobre ela a Paz. Mt 10:13. A tua fé te salvou. Vai em Paz. Disse Jesus para a pecadora em Lucas 7:50. \\\"A minha Paz vos deixo a minha Paz vos dou\\\", falou aos discípulos confortando-os nas suas despedidas. João 14:27. \\\"Eu vos disse tais coisas para terdes Paz em mim\\\", concluindo suas despedidas em João 16:33. Na sua primeira aparição aos discípulos, pondo-se no meio deles, os saudou duas vezes com a frase: \\\"A Paz esteja convosco\\\". João 20:19 e 20.
Na sua segunda aparição em presença de Tomé, Ele os saúda com a mesma frase em João 20:26. Aconselhou-nos a perdoar não sete vezes, mas setenta vezes sete. Jesus foi e será sempre o símbolo maior da Paz pelo seu comportamento, conduta e exemplo. Nunca estivemos tão carentes da prática dos seus ensinamentos, como agora. Unamo-nos nesta corrente de Paz para podermos juntos reconstruir um mundo melhor. Severino Celestino da Silva, em 15 de outubro de 2003.
Carta enviada da Galiléia pelo senador romano Públio Lêntulus ao imperador Tibério César: Sabendo que desejais conhecer quanto vou narrar, existindo nos nossos tempos um homem, o qual vive atualmente de grandes virtudes, chamado Jesus, que pelo povo é inculcado profeta da verdade, e os seus discípulos dizem que é filho de Deus, criador do Céu e da Terra e de todas as coisas que nela se acham e que nela tenham estado; em verdade, ó César, cada dia se ouve coisas maravilhosas desse Jesus: \"ressuscita os mortos, cura os enfermos\", em uma só palavra: ...
...é um homem de justa estatura e é muito belo no aspecto. Há tanta majestade no rosto, que aqueles que o vêem são forçados a amá-lo ou temê-lo. Tem os cabelos da cor de amêndoa bem madura, são distendidos até as orelhas, e das orelhas até as espáduas, são da cor da terra, porém mais reluzentes. Tem no meio da sua fronte uma linha separando os cabelos, na forma em uso dos nazarenos; o seu rosto é cheio, o aspecto é muito sereno, nenhuma ruga ou mancha se vê em sua face de uma cor moderada; o nariz e a boca são irrepreensíveis. A barba é espessa, mas semelhante aos cabelos, não muito longa, mas separada pelo meio; seu olhar é muito especioso e grave; tem os olhos graciosos e claros; o que surpreende é que resplandecem no seu rosto como os raios do sol, porém ninguém pode olhar fixo no seu semblante, porque, quando resplende, apavora, e quando ameniza, faz chorar; faz-se amar e é alegre com gravidade.
Diz-se que nunca ninguém o viu rir, mas, antes, chorar. Tem os braços e as mãos muito belos; na palestra contenta muito, mas o faz raramente e, quando dele alguém se aproxima verifica que é muito modesto na presença e na pessoa. É o mais belo homem que se possa imaginar, muito semelhante a sua mãe, a qual é de rara beleza, não se tendo jamais visto, por estas partes, uma donzela tão bela... De letras, faz-se admirar de toda a cidade de Jerusalém; ele sabe todas as ciências e nunca estudou nada.
Ele caminha descalço e sem coisa alguma na cabeça. Muitos se riem, vendo-o assim, porém em sua presença, falando com ele, tremem e admiram. Dizem que um tal homem nunca fora ouvido por estas partes. Em verdade, segundo me dizem os hebreus, não se ouviram jamais tais conselhos, de grande doutrina, como ensina este Jesus; muitos judeus o têm como Divino e muitos me querelam, afirmando que é contra a lei de tua majestade.
Diz-se que este Jesus nunca fez mal a quem quer que seja, mas, ao contrário, aqueles que o conhecem e com ele têm praticado afirmam ter dele recebido grandes benefícios e saúde, porém à tua obediência estou prontíssimo -aquilo que tua majestade ordenar será cumprido. Vale, da majestade tua, fidelíssimo e obrigadíssimo. Públio Lêntulus SHALOM é a palavra hebraica que exprime a Paz.
É também um dos nomes de Deus, na concepção judaica, e ninguém melhor do que Jesus, o judeu, para qualificar e exemplificar a PAZ com as suas atitudes. Esta palavra é usada e exemplificada por ELE várias vezes nos Evangelhos. Ele soube sempre cultivá-la em toda e qualquer situação. Suas ações e atitudes foram sempre voltadas para a Paz. No tempo de Jesus todos os Judeus desejavam ardentemente vingança premente contra a opressão romana que impunha a humilhação e a escravidão do povo judeu, enquanto Jesus suscitava deles um gesto de ação contrária e consoladora: \\\"Avante, os humilhados de espíritos porque deles é o reino dos Céus\\\". Mt. 5:1.
Demonstrando aos que o ouviam, que existia um reino espiritual, onde o romano não tinha domínio. Enquanto os romanos impunham a brutalidade e a força do chicote, Ele afirmava: \\\"Avante, os humildes porque eles herdarão a terra\\\". Mt. 5:5. Os opressores matavam e escravizavam, enquanto Jesus afirmava: \\\"Avante os que promovem a vida, porque receberão a vida\\\". Mt. 5:7. Sua maior expressão de ensinamento frente às agressões recebidas e vividas pelos judeus foi afirmar em uma época tão turbulenta e revoltante: \\\"Avante os que fazem a Paz, porque serão chamados filhos de Deus\\\". Mt. 5:9.
Esta frase demonstra em vez de reação, uma ação oposta e completamente diferente daquela que desejava o povo. No entanto, através dela pode-se destruir todo e qualquer tipo de violência. Recomendou ainda aos seus discípulos que quando entrassem numa casa que fosse digna, saudassem e fizessem descer sobre ela a Paz. Mt 10:13. A tua fé te salvou. Vai em Paz. Disse Jesus para a pecadora em Lucas 7:50. \\\"A minha Paz vos deixo a minha Paz vos dou\\\", falou aos discípulos confortando-os nas suas despedidas. João 14:27. \\\"Eu vos disse tais coisas para terdes Paz em mim\\\", concluindo suas despedidas em João 16:33. Na sua primeira aparição aos discípulos, pondo-se no meio deles, os saudou duas vezes com a frase: \\\"A Paz esteja convosco\\\". João 20:19 e 20.
Na sua segunda aparição em presença de Tomé, Ele os saúda com a mesma frase em João 20:26. Aconselhou-nos a perdoar não sete vezes, mas setenta vezes sete. Jesus foi e será sempre o símbolo maior da Paz pelo seu comportamento, conduta e exemplo. Nunca estivemos tão carentes da prática dos seus ensinamentos, como agora. Unamo-nos nesta corrente de Paz para podermos juntos reconstruir um mundo melhor. Severino Celestino da Silva, em 15 de outubro de 2003.

CHICO MENDES
\"QUERO FICAR VIVO PARA SALVAR A
AMAZÔNIA\"
Francisco Alves Mendes Filho, conhecido como Chico Mendes, líder dos seringueiros e ecologista nato, procedente de uma humilde família de nordestinos, nasceu a 15 de Dezembro de 1944, no seringal denominado Porto Rico, localizado no município de Xapuri, Estado do Acre. Essa região, que no passado pertencia a bolivianos e peruanos, tornou-se palco de grandes lutas históricas entre brasileiros e bolivianos, mas com a derrota dos estrangeiros passou a pertencer ao Brasil.
Chico Mendes, homem de aspecto sereno, cor morena e bigode robusto, teve uma infância pobre, como milhares de brasileiros excluídos, nativos da região Norte. Morou sempre em casa de madeira com piso de barro. Ainda criança, tornou-se seringueiro. Aprendeu a ler e escrever aos 24 anos de idade. Com o passar dos anos, o seu ideal de infância de amar e preservar o meio ambiente foi amadurecendo, através da experiência e da sabedoria nata de homem da floresta que era.
Sentia-se na obrigação de abraçar a causa e lutar em prol da preservação da Amazônia, principalmente quando se deparava com o descaso dos grandes empresários e fazendeiros. Esses eram acobertados por forças governamentais e, guiados pela opulência e pela ambição, enviavam seus empregados armados com motosserras, machados, facões e tratores para derrubar as árvores, provocar queimadas, sem sequer tomar conhecimento da dimensão da destruição que estavam provocando, não somente na fauna e na flora da região amazônica, mas em todo o ecossistema mundial. Foi a partir daí que Chico Mendes decidiu levantar a bandeira em prol da preservação das matas.
Tornou-se líder sindical em 1975, e um formador de consciência junto à população de excluídos e semi-escravizados dos seringais da região. Nesse mesmo ano, com a fundação do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Brasiléia, ele foi escolhido para ser o secretário do órgão.
Em 1976, participou ativamente junto aos seringueiros na luta contra o desmatamento. Isso se deu através dos empates, um movimento pacífico que consiste em reunir grande número de seringueiros, trabalhadores rurais, índios e pescadores desarmados, com suas mulheres e filhos, dando-se as mãos no meio da selva ou na beira dos rios, a fim de impedir as derrubadas das árvores pelos peões dos fazendeiros e seringalistas que surgiam armados.
Através desses movimentos, os seringueiros e pescadores ribeirinhos tentavam neutralizar e conscientizar os predadores sobre as conseqüências da destruição e devastação ambientais e das atitudes brutais dos grandes empresários.
Muitas vezes eles conseguiram atrasar os projetos dos fazendeiros, dando tempo aos líderes sindicais para que estruturassem coalizações políticas a favor da preservação das matas, das terras e das reservas extrativistas. Em 1977, o ecologista participou da fundação do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Xapuri, sendo também eleito vereador pelo partido do Movimento Democrático Brasileiro (MDB). No ano de 1979, na Câmara Municipal de Xapuri, realizou-se um grande fórum de debates entre as lideranças sindicais, populares e religiosas, liderado por Chico Mendes. Esse evento constituiu-se motivo suficiente para que ele fosse acusado de subversão e passasse a sofrer torturas e ameaças de morte.
Em 1980, juntamente com Luís Inácio Lula da Silva, Chico Mendes fundou o Partido dos Trabalhadores (PT). Realizou comícios e levantes populares, com o objetivo de conscientizar os trabalhadores sobre a defesa de seus direitos. No 1º
Encontro Nacional dos Seringueiros, em 1985, Chico Mendes apresentou a proposta \"União dos Povos da Floresta\", um documento reivindicatório, visando a união das forças dos índios, trabalhadores rurais e seringueiros em defesa e preservação da Floresta Amazônica e das reservas extrativistas em terras indígenas. As reivindicações e denúncias sobre a devastação da mata e o massacre dos índios constantes naquele documento tiveram uma grande repercussão nacional e internacional. Dois anos após o evento, ou seja, em 1987, chegaram ao Brasil representantes da Organização das Nações Unidas - ONU - e de várias partes do mundo, para constatar a veracidade das denúncias contidas no referido documento. Meses depois, Chico Mendes ganhou o prêmio de destaque GLOBAL 500.
A luta pela preservação ecológica foi uma constante na vida do homem da floresta que, pacificamente, conseguiu mobilizar e conscientizar a sociedade rural, bem como Organizações Não-Governamentais - ONGs - nacionais e internacionais. Por outro lado, sua perseverança em proteger o meio ambiente e as espécies nativas da região despertou o ódio dos grupos de fazendeiros e de empresas que insistiam na exploração e na devastação da floresta. Durante todo o ano de 1988, Chico Mendes sofreu ameaças de morte e perseguições por parte de pessoas ligadas a partidos políticos e a organizações clandestinas destinadas à exploração desregrada da região.
No dia 22 de dezembro de 1988, após inúmeros conflitos, intrigas, levantes e movimentos sindicais, o sindicalista e ecologista Chico Mendes teve a sua vida ceifada por mãos criminosas. Passou a ser a 97ª vítima na lista dos trabalhadores rurais, assassinada durante o ano de 1988, por lutar pelos seus direitos, como também pela preservação ambiental da Região Amazônica.
\"Logo o Chico! Que foi um dos mais apaixonados defensores da vida, um homem tão puro e tão limpo como a água da chuva da mata que foi sua companheira inseparável...\" Luiz Inácio Lula da Silva.
Francisco Alves Mendes Filho, conhecido como Chico Mendes, líder dos seringueiros e ecologista nato, procedente de uma humilde família de nordestinos, nasceu a 15 de Dezembro de 1944, no seringal denominado Porto Rico, localizado no município de Xapuri, Estado do Acre. Essa região, que no passado pertencia a bolivianos e peruanos, tornou-se palco de grandes lutas históricas entre brasileiros e bolivianos, mas com a derrota dos estrangeiros passou a pertencer ao Brasil.
Chico Mendes, homem de aspecto sereno, cor morena e bigode robusto, teve uma infância pobre, como milhares de brasileiros excluídos, nativos da região Norte. Morou sempre em casa de madeira com piso de barro. Ainda criança, tornou-se seringueiro. Aprendeu a ler e escrever aos 24 anos de idade. Com o passar dos anos, o seu ideal de infância de amar e preservar o meio ambiente foi amadurecendo, através da experiência e da sabedoria nata de homem da floresta que era.
Sentia-se na obrigação de abraçar a causa e lutar em prol da preservação da Amazônia, principalmente quando se deparava com o descaso dos grandes empresários e fazendeiros. Esses eram acobertados por forças governamentais e, guiados pela opulência e pela ambição, enviavam seus empregados armados com motosserras, machados, facões e tratores para derrubar as árvores, provocar queimadas, sem sequer tomar conhecimento da dimensão da destruição que estavam provocando, não somente na fauna e na flora da região amazônica, mas em todo o ecossistema mundial. Foi a partir daí que Chico Mendes decidiu levantar a bandeira em prol da preservação das matas.
Tornou-se líder sindical em 1975, e um formador de consciência junto à população de excluídos e semi-escravizados dos seringais da região. Nesse mesmo ano, com a fundação do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Brasiléia, ele foi escolhido para ser o secretário do órgão.
Em 1976, participou ativamente junto aos seringueiros na luta contra o desmatamento. Isso se deu através dos empates, um movimento pacífico que consiste em reunir grande número de seringueiros, trabalhadores rurais, índios e pescadores desarmados, com suas mulheres e filhos, dando-se as mãos no meio da selva ou na beira dos rios, a fim de impedir as derrubadas das árvores pelos peões dos fazendeiros e seringalistas que surgiam armados.
Através desses movimentos, os seringueiros e pescadores ribeirinhos tentavam neutralizar e conscientizar os predadores sobre as conseqüências da destruição e devastação ambientais e das atitudes brutais dos grandes empresários.
Muitas vezes eles conseguiram atrasar os projetos dos fazendeiros, dando tempo aos líderes sindicais para que estruturassem coalizações políticas a favor da preservação das matas, das terras e das reservas extrativistas. Em 1977, o ecologista participou da fundação do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Xapuri, sendo também eleito vereador pelo partido do Movimento Democrático Brasileiro (MDB). No ano de 1979, na Câmara Municipal de Xapuri, realizou-se um grande fórum de debates entre as lideranças sindicais, populares e religiosas, liderado por Chico Mendes. Esse evento constituiu-se motivo suficiente para que ele fosse acusado de subversão e passasse a sofrer torturas e ameaças de morte.
Em 1980, juntamente com Luís Inácio Lula da Silva, Chico Mendes fundou o Partido dos Trabalhadores (PT). Realizou comícios e levantes populares, com o objetivo de conscientizar os trabalhadores sobre a defesa de seus direitos. No 1º
Encontro Nacional dos Seringueiros, em 1985, Chico Mendes apresentou a proposta \"União dos Povos da Floresta\", um documento reivindicatório, visando a união das forças dos índios, trabalhadores rurais e seringueiros em defesa e preservação da Floresta Amazônica e das reservas extrativistas em terras indígenas. As reivindicações e denúncias sobre a devastação da mata e o massacre dos índios constantes naquele documento tiveram uma grande repercussão nacional e internacional. Dois anos após o evento, ou seja, em 1987, chegaram ao Brasil representantes da Organização das Nações Unidas - ONU - e de várias partes do mundo, para constatar a veracidade das denúncias contidas no referido documento. Meses depois, Chico Mendes ganhou o prêmio de destaque GLOBAL 500.
A luta pela preservação ecológica foi uma constante na vida do homem da floresta que, pacificamente, conseguiu mobilizar e conscientizar a sociedade rural, bem como Organizações Não-Governamentais - ONGs - nacionais e internacionais. Por outro lado, sua perseverança em proteger o meio ambiente e as espécies nativas da região despertou o ódio dos grupos de fazendeiros e de empresas que insistiam na exploração e na devastação da floresta. Durante todo o ano de 1988, Chico Mendes sofreu ameaças de morte e perseguições por parte de pessoas ligadas a partidos políticos e a organizações clandestinas destinadas à exploração desregrada da região.
No dia 22 de dezembro de 1988, após inúmeros conflitos, intrigas, levantes e movimentos sindicais, o sindicalista e ecologista Chico Mendes teve a sua vida ceifada por mãos criminosas. Passou a ser a 97ª vítima na lista dos trabalhadores rurais, assassinada durante o ano de 1988, por lutar pelos seus direitos, como também pela preservação ambiental da Região Amazônica.
\"Logo o Chico! Que foi um dos mais apaixonados defensores da vida, um homem tão puro e tão limpo como a água da chuva da mata que foi sua companheira inseparável...\" Luiz Inácio Lula da Silva.

MADRE TERESA DE CALCUTÁ
\"NÃO USEMOS BOMBAS NEM ARMAS
PARA CONQUISTAR O MUNDO. USEMOS O AMOR E A COMPAIXÃO. A PAZ COMEÇA COM UM
SORRISO\"
Agnes Gonxha Bojaxhiu nasce em Skoplje (Albânia), irmã mais nova de Ágata e de Lázaro, filha de Nicolau e de Rosa. Nasceu em 25 de agosto de 1910. A sua família pertencia à minoria albanesa que vivia no sul da antiga Iugoslávia.
Pouco se sabe da sua infância, adolescência e juventude porque Madre Teresa tinha horror de falar de si. Nunca morou na Albânia; foi educada numa escola estatal da atual Croácia, durante os tristes anos da Primeira Guerra Mundial.
Freqüentou a escola estatal nãocatólica e ingressou na Congregação Mariana onde foi aperfeiçoando a formação cristã ao mesmo tempo que tomava conhecimento da vida da Igreja e abria o coração às necessidades do mundo. Particular impressão lhe faziam as cartas que os missionários jesuítas da Índia escreviam e que eram comentadas em grupo. A miséria material e espiritual de tanta gente tocava o seu coração. Aos dezoito anos surge-lhe o pensamento da consagração total a Deus na vida religiosa. Obteve o consentimento dos pais e entrou no dia 29 de Setembro de 1928 para a Casa Mãe das Irmãs de Nossa Senhora de Loreto, em Rathfarnham, perto de Dublin (Irlanda).
O seu sonho era a Índia, o trabalho missionário junto dos pobres. Sabedoras desta aspiração da jovem iugoslava, as superioras decidiram que ela fizesse o noviciado já no campo do apostolado. Por isso, ao fim de poucos meses de estadia na Irlanda, Agnes partiu para Índia. O ideal que brilhara pela primeira vez na sua vida aos doze anos começava a concretizar-se. Foi enviada para Darjeeling, local onde as Irmãs de Loreto possuíam um colégio. Ali fez o noviciado. No dia 24 de Maio de 1931, faz a profissão religiosa, emitiu os votos temporários de pobreza, castidade e obediência tomando o nome de Teresa. De Darjeeling passou a Irmã Teresa para Calcutá. Tendo freqüentado uma carreira docente, passou a ensinar Geografia no Colégio de Santa Maria, da Congregação de Nossa Senhora do Loreto, em Calcutá. Mais tarde foi nomeada Diretora.
Irmã Teresa gostava de ensinar. As alunas estimavam-na porque era uma excelente professora, sempre dedicada e atenta a todos os problemas. O dia 10 de setembro de 1946 ficou marcado na história das Missionárias da Caridade e, obviamente, no livro da vida da Madre Teresa como o \"dia da inspiração\". Numa viagem de trem ao noviciado do Himalaia, recebe uma claríssima iluminação interior: dedicar a sua vida aos mais pobres dos pobres. Relatou-o assim: Em 1946, ia de Calcutá a Darjeeling, de trem, para fazer o meu retiro. Nunca é fácil dormir nos trens, mas tentar fazê-lo num trem da Índia é impossível: tudo range, há um penetrante odor de sujidade pelo amontoamento de homens e animais, todo um detrito de humanidade, cestos, galinhas cacarejando... Naquele trem, aos meus trinta e seis anos, percebi no meu interior uma chamada para que renunciasse a tudo e seguisse Cristo nos subúrbios, a fim de servi-lo entre os mais pobres dos pobres. Compreendi que Deus desejava isso de mim... A longa e dolorosa meditação que fizera terminou com uma pergunta muito concreta: que poderei fazer por estes que sofrem? Aqui a angústia da sua alma cresceu. Amava a Congregação, gostava de ensinar... Quase nada poderia fazer dentro dos regulamentos a que amorosamente se sujeitara e que cumprira com toda a fidelidade. Mas, Deus não pediria mais? Não seria talvez necessário ir ter com as superioras e com as autoridades eclesiásticas e expor-lhes frontalmente o problema, pedir-lhes até autorização para fazer a experiência de se colocar totalmente ao serviço dos mais pobres? Foi assim, com todas estas interrogações que a Irmã Teresa viveu o seu retiro daquele ano. Na oração e na meditação daqueles dias, mais se confirmou que a aspiração que lhe brotava do fundo da alma não era um capricho, mas manifestação da vontade de Deus.
Tendo regressado a Calcutá, foi ter com o arcebispo Mons. Fernando Périer a quem expôs o seu plano. Ele ouviu atentamente e, no fim, calmo, frio, disse um não absoluto que não deixou hipóteses para qualquer dúvida. A Irmã Teresa aceitou humildemente a recusa. Mais tarde comentou assim: Não podia ter sido outra a sua resposta. Um bispo não pode autorizar a primeira religiosa que se lhe apresenta com projetos raros sob pretexto de que essa parece ser a vontade de Deus. Voltou às lides diárias que cumpria cada vez com maior dedicação e entusiasmo. O carinho das alunas demonstrado de tantas maneiras e a amizade das companheiras não lhe fizeram esquecer a imagem horrorosa dos doentes e dos famintos que morriam pelas ruas de Calcutá.
Um ano depois, foi ter novamente com o arcebispo. Levava nos lábios o mesmo pedido e no coração a mesma disposição para aceitar, com humildade e alegria, a resposta qualquer que ela fosse. Mons. Périer escutou, mais uma vez, as razões da Irmã Teresa. A sua simplicidade, fervor e persistência convenceram-no de que estava perante uma manifestação da vontade de Deus. Por isso, desta vez, mais afável, aconselhou: Peça, primeiro, autorização à Madre Superiora. A Irmã Teresa escreveu prontamente uma carta expondo o seu plano. A Superiora viu nessas linhas a expressão da vontade de Deus. O que aquela religiosa pedia era algo muito sério e exigente. Por isso, respondeu-lhe nestes termos: \"Se essa é a vontade de Deus, autorizo-te de todo o coração. De qualquer maneira, lembra-te sempre da amizade que todas nós te consagramos. Se algum dia, por qualquer razão, quiseres voltar para o meio de nós, fica sabendo que te receberemos com amor de irmãs\".
Em 08 de Agosto de 1948 ela deixou o colégio de Santa Maria. Custou imenso: a ela, às companheiras, às alunas. Depois dirigiu-se para Patna, para fazer um breve curso de enfermagem que julgava de imensa utilidade para a sua atividade futura. Em 21 de dezembro de 1948, obtém a nacionalidade indiana. Data que reunia um grupo de cinco crianças, num bairro pobre, a quem começou a dar escola. Pouco a pouco, o grupo foi aumentando. Dez dias depois eram cerca de cinqüenta. Tendo abandonado o hábito da Congregação de Loreto, a Irmã Teresa comprou um sari branco, um vestido de uma modesta mulher indiana e colocou no ombro uma pequena cruz.
Com o alfabeto a irmã dava lições de higiene (muitas vezes iniciava a aula lavando a cara aos alunos) e de moral. Depois ia de abrigo em abrigo levando, mais que donativos, palavras amigas e as mãos sempre prestáveis para qualquer trabalho. Não foi preciso muito tempo para que todos a conhecessem. Quando ela passava, crianças famintas e sujas, deficientes, enfermos de todas a espécie gritavam por ela com os olhos inundados de esperança: Madre Teresa! Madre Teresa! Mas o início foi duro. Sentiu a angústia terrível da solidão. Era preciso um teto para acolher os abandonados, e caminhou para achá-lo. \"Caminhei e caminhei ininterruptamente, até que já não pude mais. Então compreendi até que ponto de esgotamento têm que chegar os verdadeiros pobres, sempre em busca de um pouco de alimento, de remédio, de tudo. \"Algumas colaboradoras começaram a surgir, precisamente entre as suas antigas alunas. Vinham sabendo que se tratava de algo difícil. A primeira foi Shubashini Das. Era uma linda jovem, dotada de bastante inteligência. Em 1949, começa a escrever as constituições das Missionárias da Caridade, nome que dá à sua Congregação. ...O primeiro trabalho com os doentes e moribundos recolhidos na rua era lavar-lhes o rosto e o corpo. A maior parte não conhecia sequer o sabão e a espuma metia-lhes medo. Se as Irmãs não vissem nestes infelizes o rosto de Cristo, o trabalho tornar-se-lhes-ia impossível. Nós queremos que eles saibam que há pessoas que os amam verdadeiramente. Aqui eles encontram a sua dignidade de homens e morrem num silêncio impressionante... Deus ama o silêncio.
Em agosto de 1952, abre o lar infantil Sishi Bavan (Casa da Esperança) e inaugura o seu famoso \"Lar para Moribundos\", em Kalighat, ao qual dedica as suas melhores energias físicas e espirituais. A partir dessa data, a sua Congregação começa a expandir-se de maneira irresistível pela Índia e por todo o mundo. Na Índia, principia por Ranchi e continua depois por Nova Delhi e Bombaim; Em 1973, abre uma casa em Gaza, na Palestina, para atender os refugiados, e celebra a primeira Assembléia Internacional dos colaboradores das Missionárias da caridade, instituição cujo estatuto tinha sido aprovado em 1969, e que reúne centenas de milhares de pessoas de todo o mundo.
Em 15 de junho de 1976, precisamente em Nova York, que era, no entender dela, o lugar mais necessitado de oração, funda o ramo contemplativo das Missionárias da Caridade. E em dezembro de 1976, inaugura centros de assistência no México e Guatemala. Recebe o Prêmio Nobel da Paz. Ainda em 1979, João Paulo II recebe-a em audiência privada e ela converte-se, sem nunca ter estudado diplomacia, na melhor \"embaixadora\" do Papa em todas as nações, fóruns e assembléias do universo. Muitas universidades lhe conferiram o título \"Honoris Causa\". E ainda em 1980, recebe a Ordem \"Distinguished Public Service Award\" nos EUA.
Em 1983, estando em Roma, sofre o primeiro grave ataque do coração. Tinha 73 anos. Foi muito bem atendida e o médico disse-lhe: \"A senhora tem coração para mais trinta anos\". Tomou isso ao pé da letra e nem febre alta a fazia descansar. Em agosto de 1989, realiza um dos seus sonhos: abrir uma casa de assistência em Albânia, sua cidade natal, que é um dos países mais pobres, injustos e atrasados do planeta.
No dia 05 de setembro de 1997, depois de sofrer uma última parada cardíaca, vem a falecer. Uma fila de quilômetros formou-se durante dias a fio, diante da igreja de São Tomé, em Calcutá, onde o seu corpo estava sendo velado. Madre Tereza de Calcutá é uma das personalidades que melhor representou a luta pela Paz no século XX. Em seus discursos, ela estava sempre ressaltando a Paz e a cooperação entre os seres humanos.
Agnes Gonxha Bojaxhiu nasce em Skoplje (Albânia), irmã mais nova de Ágata e de Lázaro, filha de Nicolau e de Rosa. Nasceu em 25 de agosto de 1910. A sua família pertencia à minoria albanesa que vivia no sul da antiga Iugoslávia.
Pouco se sabe da sua infância, adolescência e juventude porque Madre Teresa tinha horror de falar de si. Nunca morou na Albânia; foi educada numa escola estatal da atual Croácia, durante os tristes anos da Primeira Guerra Mundial.
Freqüentou a escola estatal nãocatólica e ingressou na Congregação Mariana onde foi aperfeiçoando a formação cristã ao mesmo tempo que tomava conhecimento da vida da Igreja e abria o coração às necessidades do mundo. Particular impressão lhe faziam as cartas que os missionários jesuítas da Índia escreviam e que eram comentadas em grupo. A miséria material e espiritual de tanta gente tocava o seu coração. Aos dezoito anos surge-lhe o pensamento da consagração total a Deus na vida religiosa. Obteve o consentimento dos pais e entrou no dia 29 de Setembro de 1928 para a Casa Mãe das Irmãs de Nossa Senhora de Loreto, em Rathfarnham, perto de Dublin (Irlanda).
O seu sonho era a Índia, o trabalho missionário junto dos pobres. Sabedoras desta aspiração da jovem iugoslava, as superioras decidiram que ela fizesse o noviciado já no campo do apostolado. Por isso, ao fim de poucos meses de estadia na Irlanda, Agnes partiu para Índia. O ideal que brilhara pela primeira vez na sua vida aos doze anos começava a concretizar-se. Foi enviada para Darjeeling, local onde as Irmãs de Loreto possuíam um colégio. Ali fez o noviciado. No dia 24 de Maio de 1931, faz a profissão religiosa, emitiu os votos temporários de pobreza, castidade e obediência tomando o nome de Teresa. De Darjeeling passou a Irmã Teresa para Calcutá. Tendo freqüentado uma carreira docente, passou a ensinar Geografia no Colégio de Santa Maria, da Congregação de Nossa Senhora do Loreto, em Calcutá. Mais tarde foi nomeada Diretora.
Irmã Teresa gostava de ensinar. As alunas estimavam-na porque era uma excelente professora, sempre dedicada e atenta a todos os problemas. O dia 10 de setembro de 1946 ficou marcado na história das Missionárias da Caridade e, obviamente, no livro da vida da Madre Teresa como o \"dia da inspiração\". Numa viagem de trem ao noviciado do Himalaia, recebe uma claríssima iluminação interior: dedicar a sua vida aos mais pobres dos pobres. Relatou-o assim: Em 1946, ia de Calcutá a Darjeeling, de trem, para fazer o meu retiro. Nunca é fácil dormir nos trens, mas tentar fazê-lo num trem da Índia é impossível: tudo range, há um penetrante odor de sujidade pelo amontoamento de homens e animais, todo um detrito de humanidade, cestos, galinhas cacarejando... Naquele trem, aos meus trinta e seis anos, percebi no meu interior uma chamada para que renunciasse a tudo e seguisse Cristo nos subúrbios, a fim de servi-lo entre os mais pobres dos pobres. Compreendi que Deus desejava isso de mim... A longa e dolorosa meditação que fizera terminou com uma pergunta muito concreta: que poderei fazer por estes que sofrem? Aqui a angústia da sua alma cresceu. Amava a Congregação, gostava de ensinar... Quase nada poderia fazer dentro dos regulamentos a que amorosamente se sujeitara e que cumprira com toda a fidelidade. Mas, Deus não pediria mais? Não seria talvez necessário ir ter com as superioras e com as autoridades eclesiásticas e expor-lhes frontalmente o problema, pedir-lhes até autorização para fazer a experiência de se colocar totalmente ao serviço dos mais pobres? Foi assim, com todas estas interrogações que a Irmã Teresa viveu o seu retiro daquele ano. Na oração e na meditação daqueles dias, mais se confirmou que a aspiração que lhe brotava do fundo da alma não era um capricho, mas manifestação da vontade de Deus.
Tendo regressado a Calcutá, foi ter com o arcebispo Mons. Fernando Périer a quem expôs o seu plano. Ele ouviu atentamente e, no fim, calmo, frio, disse um não absoluto que não deixou hipóteses para qualquer dúvida. A Irmã Teresa aceitou humildemente a recusa. Mais tarde comentou assim: Não podia ter sido outra a sua resposta. Um bispo não pode autorizar a primeira religiosa que se lhe apresenta com projetos raros sob pretexto de que essa parece ser a vontade de Deus. Voltou às lides diárias que cumpria cada vez com maior dedicação e entusiasmo. O carinho das alunas demonstrado de tantas maneiras e a amizade das companheiras não lhe fizeram esquecer a imagem horrorosa dos doentes e dos famintos que morriam pelas ruas de Calcutá.
Um ano depois, foi ter novamente com o arcebispo. Levava nos lábios o mesmo pedido e no coração a mesma disposição para aceitar, com humildade e alegria, a resposta qualquer que ela fosse. Mons. Périer escutou, mais uma vez, as razões da Irmã Teresa. A sua simplicidade, fervor e persistência convenceram-no de que estava perante uma manifestação da vontade de Deus. Por isso, desta vez, mais afável, aconselhou: Peça, primeiro, autorização à Madre Superiora. A Irmã Teresa escreveu prontamente uma carta expondo o seu plano. A Superiora viu nessas linhas a expressão da vontade de Deus. O que aquela religiosa pedia era algo muito sério e exigente. Por isso, respondeu-lhe nestes termos: \"Se essa é a vontade de Deus, autorizo-te de todo o coração. De qualquer maneira, lembra-te sempre da amizade que todas nós te consagramos. Se algum dia, por qualquer razão, quiseres voltar para o meio de nós, fica sabendo que te receberemos com amor de irmãs\".
Em 08 de Agosto de 1948 ela deixou o colégio de Santa Maria. Custou imenso: a ela, às companheiras, às alunas. Depois dirigiu-se para Patna, para fazer um breve curso de enfermagem que julgava de imensa utilidade para a sua atividade futura. Em 21 de dezembro de 1948, obtém a nacionalidade indiana. Data que reunia um grupo de cinco crianças, num bairro pobre, a quem começou a dar escola. Pouco a pouco, o grupo foi aumentando. Dez dias depois eram cerca de cinqüenta. Tendo abandonado o hábito da Congregação de Loreto, a Irmã Teresa comprou um sari branco, um vestido de uma modesta mulher indiana e colocou no ombro uma pequena cruz.
Com o alfabeto a irmã dava lições de higiene (muitas vezes iniciava a aula lavando a cara aos alunos) e de moral. Depois ia de abrigo em abrigo levando, mais que donativos, palavras amigas e as mãos sempre prestáveis para qualquer trabalho. Não foi preciso muito tempo para que todos a conhecessem. Quando ela passava, crianças famintas e sujas, deficientes, enfermos de todas a espécie gritavam por ela com os olhos inundados de esperança: Madre Teresa! Madre Teresa! Mas o início foi duro. Sentiu a angústia terrível da solidão. Era preciso um teto para acolher os abandonados, e caminhou para achá-lo. \"Caminhei e caminhei ininterruptamente, até que já não pude mais. Então compreendi até que ponto de esgotamento têm que chegar os verdadeiros pobres, sempre em busca de um pouco de alimento, de remédio, de tudo. \"Algumas colaboradoras começaram a surgir, precisamente entre as suas antigas alunas. Vinham sabendo que se tratava de algo difícil. A primeira foi Shubashini Das. Era uma linda jovem, dotada de bastante inteligência. Em 1949, começa a escrever as constituições das Missionárias da Caridade, nome que dá à sua Congregação. ...O primeiro trabalho com os doentes e moribundos recolhidos na rua era lavar-lhes o rosto e o corpo. A maior parte não conhecia sequer o sabão e a espuma metia-lhes medo. Se as Irmãs não vissem nestes infelizes o rosto de Cristo, o trabalho tornar-se-lhes-ia impossível. Nós queremos que eles saibam que há pessoas que os amam verdadeiramente. Aqui eles encontram a sua dignidade de homens e morrem num silêncio impressionante... Deus ama o silêncio.
Em agosto de 1952, abre o lar infantil Sishi Bavan (Casa da Esperança) e inaugura o seu famoso \"Lar para Moribundos\", em Kalighat, ao qual dedica as suas melhores energias físicas e espirituais. A partir dessa data, a sua Congregação começa a expandir-se de maneira irresistível pela Índia e por todo o mundo. Na Índia, principia por Ranchi e continua depois por Nova Delhi e Bombaim; Em 1973, abre uma casa em Gaza, na Palestina, para atender os refugiados, e celebra a primeira Assembléia Internacional dos colaboradores das Missionárias da caridade, instituição cujo estatuto tinha sido aprovado em 1969, e que reúne centenas de milhares de pessoas de todo o mundo.
Em 15 de junho de 1976, precisamente em Nova York, que era, no entender dela, o lugar mais necessitado de oração, funda o ramo contemplativo das Missionárias da Caridade. E em dezembro de 1976, inaugura centros de assistência no México e Guatemala. Recebe o Prêmio Nobel da Paz. Ainda em 1979, João Paulo II recebe-a em audiência privada e ela converte-se, sem nunca ter estudado diplomacia, na melhor \"embaixadora\" do Papa em todas as nações, fóruns e assembléias do universo. Muitas universidades lhe conferiram o título \"Honoris Causa\". E ainda em 1980, recebe a Ordem \"Distinguished Public Service Award\" nos EUA.
Em 1983, estando em Roma, sofre o primeiro grave ataque do coração. Tinha 73 anos. Foi muito bem atendida e o médico disse-lhe: \"A senhora tem coração para mais trinta anos\". Tomou isso ao pé da letra e nem febre alta a fazia descansar. Em agosto de 1989, realiza um dos seus sonhos: abrir uma casa de assistência em Albânia, sua cidade natal, que é um dos países mais pobres, injustos e atrasados do planeta.
No dia 05 de setembro de 1997, depois de sofrer uma última parada cardíaca, vem a falecer. Uma fila de quilômetros formou-se durante dias a fio, diante da igreja de São Tomé, em Calcutá, onde o seu corpo estava sendo velado. Madre Tereza de Calcutá é uma das personalidades que melhor representou a luta pela Paz no século XX. Em seus discursos, ela estava sempre ressaltando a Paz e a cooperação entre os seres humanos.

MAHATMA GANDHI
\"NÃO EXISTE UM CAMINHO PARA A
PAZ. A PAZ É O CAMINHO!\"
Mohandas Karamchand Gandhi nasceu no dia 2 de outubro de 1869, na cidade indiana de Porbandar. Membro da privilegiada casta dos comerciantes, a casta Bania, seu pai era um político local, e a mãe era uma Vaishnavite religiosa. À idade de 13 anos, Mohandas casou-se com uma moça da mesma idade que ele. Cursou a faculdade de Direito em Londres, desafiando os regulamentos de sua casta que proibiam a viagem para a Inglaterra. Quando Gandhi voltou à Índia em 1891, a mãe dele houvera falecido, e ele teve dificuldades, no início, em exercer na Índia sua profissão legal como advogado, devido a sua timidez.
Em 1896, Mohandas já era um advogado conhecido e rico, ganhando cerca de 5 mil libras por ano. Como advogado, Gandhi fez o melhor para descobrir os fatos. Depois de resolver um caso difícil, ele passou a ser \"visto\" e comentado. Suas palavras retratam bem isso: \"eu tive um aprendizado que me levou a descobrir o lado melhor da natureza humana e a entrar nos corações dos homens. Eu percebi que a verdadeira função de um advogado era unir rivais\". Ele também teimou em receber a verdade dos clientes dele, e se descobrisse que eles tivessem mentido, ele derrubaria o caso. Acreditava que o dever do advogado era ajudar o tribunal a descobrir a verdade, não tentar provar o culpado ou inocente.
Aproveitou a oportunidade de ir para África do Sul, representando uma firma hindu, em Natal, durante um processo judicial naquela cidade, e lá permaneceu até 1915. A África do Sul, imóvel notório para discriminação racial, deu para Gandhi os insultos que despertaram sua consciência social. Fundou em Natal o Congresso Hindu em 1894, e seus esforços eram uma vigorosa advertência para a imprensa. Gandhi qualificou um episódio em especial como o momento decisivo de sua vida: ao viajar num trem de primeira classe, um passageiro branco mostrou-se indignado por viajar na companhia de um homem de pele escura. Ele foi retirado à força da cabine por um policial, mesmo depois de ter mostrado seu bilhete e se identificar como advogado. \"Descobri que, como homem e como indiano, eu não tinha direitos\", declarou Gandhi. \"Ou melhor, descobri que não tinha nenhum direito como homem por ser indiano\".
O pensamento do Mahatma teve grande influência do escritor norte-americano Henry David Thoreau (1818-1862), e ele manteve correspondências com o pensador russo Leon Tolstoi (1828-1910), ambos reconhecidamente pacifistas. Porém, sua maior inspiração foi a tradição hindu das milenares escrituras Vedas e Upanishads, os livros sagrados do bramanismo e jainismo. Acabou permanecendo vinte anos na África do Sul, defendendo a minoria hindu e liderando a luta de seu povo pelos seus direitos. O primeiro uso de desobediência civil em massa ocorreu em setembro de 1906.
O Governo de Transvaal quis registrar a população hindu inteira. Na verdade, as leis restritivas à sua gente não pararam de crescer, até que, em 1907, o advogado hindu expôs pela primeira vez sua idéia de Satyagraha, a resistência à opressão traduzido como a força da verdade ou do amor, definida como \"a defesa da verdade infligindo sofrimento, não ao oponente, mas a si próprio\". Para atingir o objetivo é preciso muito treino e autocontrole, mas \"é uma força que, tornando-se universal, revolucionaria ideais sociais e anularia despotismos e o militarismo\". A idéia é curar o oponente do erro por meio da paciência e compreensão. A Satyagraha não foi baseada em teorias políticas ou sociais, mas nos princípios da sagrada escritura indiana Bhagavad Gita.
Gandhi também seguiu o conceito do Aparigraha, que é o desprendimento do bens materias para se tornar rico espiritualmente - um princípio que ele adotou ao retornar à Índia, abrindo mão de suas posses e vivendo de forma cada vez mais simples.Foi atraído à vida agrícola simples e começou duas comunidades rurais em Satyagrahis-Phoenix Farm e Tolstoy Farm. Escreveu e editou o diário \"Opinião indiana\", para elucidar os princípios e a prática de Satyagraha. Por último, e mais importante, o Mahatma abraçou de corpo e alma o conceito da Ahimsa, o ideal jainista de \"não-violência\" e respeito por todas as formas de vida.
Dizia: \"O pecado e não o pecador. Desde que nós vivemos espiritualmente, ferir ou atacar outra pessoa são atacar a si mesmo. Embora nós possamos atacar um sistema injusto, nós sempre temos que amar as pessoas envolvidas\". Sugeriu aos indianos e muçulmanos as possibilidades infinitas do \"amor universal\". Foi assim que Gandhi viveu e ensinou a seus companheiros de luta durante as campanhas de resistência na África do Sul, preparando-os para agüentar todo tipo de agressão física ou moral sem reagir.
A recepção calorosa que recebeu da Índia em sua chegada, no ano de 1915, deixou claro que seus esforços na África do Sul tinham causado forte impressão no povo. Gandhi passou a exercer o papel de conscientizador da sociedade hindu e muçulmana na luta pacífica pela independência indiana, baseada no uso da não-violência. Ele rejeitou a força bruta e sua opressão e declara que a força da alma ou amor e que se mantém a unidade das pessoas em paz e harmonia.
Já em 1917 ele deu início a uma campanha para que trabalhadores indianos não fossem enviados à África do Sul, e apoiou camponeses, agricultores e operários que trabalhavam em tecelagens, diante da exploração injusta dos proprietários e do poder do império britânico. O confronto com o governo inglês teve início na forma de greves gerais, os hartals, que contavam com o apoio público, mas resultaram em conflitos violentos, pelos quais Gandhi se desculpou e penitenciou com um jejum de 72 horas. O acontecimento que detonou a campanha decisiva contra os ingleses foi o massacre de Amristar, em abril de 1919. Considerada uma cidade sagrada para os membros da fé sikh, lá estava sendo realizado um comício, que foi suprimido pelos britânicos, com a maior violência possível: o exército cercou o local e atirou contra a multidão, matando 379 pessoas e ferindo mais de 1200.
A forma escolhida para demonstrar que os ingleses não eram mais bem-vindos no país foi boicotar seus produtos vendidos aos indianos, especialmente os tecidos. Viajando de trem, Gandhi percorreu todo o país difundindo essa idéia, o que teve resultados positivos - as pessoas deixaram de usar vestes importadas, queimando-as, e passaram a usar trajes indianos mais simples.
Durante finais dos anos 20, Gandhi escreve uma auto-bibliografia retratando suas experiências vividas. Ele é bastante sincero, chegando ao ponto de se humilhar pelos erros cometidos, mostrando o esforço de os superar. Em 1922, o grande líder foi preso e condenado a seis anos por rebelião contra o governo, permanecendo em confinamento até 1924, quando foi solto de modo provisório para fazer uma operação de apendicite aguda. Durante a vida, Gandhi passou um total de mais de seis anos como prisioneiro.
Por fim, em 1929, já com 60 anos de idade, Gandhi voltou à luta pela libertação, pregando mais uma vez a desobediência civil. Um dos maiores símbolos desse período foi a Marcha do Sal - uma caminhada de mais de 300 quilômetros até o mar, empreendido por Gandhi, seguido por milhares de pessoas, para pegar o sal que os ingleses insistiam em taxar. Gandhi foi preso antes de que pudesse chegar no Dharasana Sal, mas o amigo dele Sr. Sarojini Naidu conduziu 2.500 voluntários e os advertiu de não resistir às interferências da polícia.
O resultado, que o governo não esperava, foi uma explosão de desobediência, com a população extraindo sal do mar sem pagar qualquer imposto. Mais de 100 mil pessoas foram presas, mas isso não impediu que os protestos continuassem. As salinas de Dharasana eram guardadas por policiais que abateram os manifestantes com bastões de madeira. O episódio foi descrito por uma testemunha ocular, o jornalista Miller de Webb, e transmitido ao mundo inteiro.
Os manifestantes apresentavam-se em fileiras, sem reagir à violência da polícia, eram abatidos, seus corpos retirados pelas mulheres e, em seguida, nova fileira se apresentava. O resultado do movimento foi a produção livre de sal na Índia. Por conseguinte em 1930, Mahatma Gandhi informou ao vice-rei que a desobediência civil em massa iniciaria no dia 11 de março. \"Minha ambição é nada menos que converter as pessoas britânicas à não-violência, e assim lhe faz ver o mal que fizeram para a Índia. Eu não busco danificar as pessoas\". Gandhi foi chamado à uma reunião com o Vice-rei Irwin em 1931, e eles firmaram um acordo em março. A desobediência civil foi cancelada, foram libertados os prisioneiros; a fabricação de sal foi permitida na costa e os líderes do Congresso assistiriam à próxima Conferência de Mesa Redonda em Londres.
Gandhi viajou para Londres onde ele conheceu Charlie Chaplin, George Bernard Shaw, e Maria Montessori, entre outros. Em transmissão de rádio para os Estados Unidos, ele falou que a força não-violenta é um modo mais consistente, humano e digno.
Discutindo relações com os britânicos, ele disse que ele não quis somente a independência, mas também a interdependência voluntária baseada no amor. Mesmo com a Segunda Guerra Mundial se aproximando, Gandhi havia confirmado seus princípios pacifistas. Ele mostrou como a Abissínia (Etiópia) poderia ter usado a não-violência contra Mussolini, e ele recomendou isto para os tchecos e para os chineses. \"Se é valente, como é, para morrer a um homem que luta contra preconceitos, é ainda bravo para recusar briga e ainda recusar se render ao usurpador\" (Gandhi).
Porém, Gandhi continuou exercendo uma revolução não violenta para a Índia, e em 1942 ele e outros líderes foram presos. Ele decidiu jejuar novamente, sendo que apenas ele sobreviveu. Quando a guerra terminou, ele afirmou da necessidade de \"uma paz real baseada na liberdade e igualdade de todas as raças e nações\". A incapacidade dos homens de se entenderem devido a questões religiosas deu início a uma onda de violência sem precedentes na Índia, gerando milhares de mortos. Os hindus o atacaram porque pensaram que ele era a favor dos muçulmanos, e os muçulmanos exigindo dele a criação do Paquistão. Gandhi foi para Calcutá para acalmar a discussão e a violência entre hindus e muçulmanos. Gandhi empreendeu então o que chamou de \"a missão mais difícil de sua vida\", percorrendo as regiões onde os problemas eram maiores. Aos 77 anos, ele iniciou um jejum sob o juramento de que só voltaria a se alimentar quando muçulmanos e hindus parassem as hostilidades. Índia se acalmou.
Mais tarde, o Mahatma faria o mesmo em Calcutá, declarando que jejuaria até a morte caso a violência não cessasse, o que aconteceu em quatro dias. A independência do país finalmente aconteceu, no dia 15 de agosto de 1947, mas não como Gandhi pretendia. \"Não há motivo para tanta festa\", ele disse quando todos comemoravam. A Índia separou-se e mais de 12 milhões de pessoas tiveram que deixar seus lares: muçulmanos se mudaram para o Paquistão, hindus permaneceram na Índia. E, durante o processo, ocorreram mais encontros ferozes, violência e mortes.
Em 1948, já com 78 anos, Mohandas realizou seu 18º e último jejum, com o objetivo de reunir os \"corações de todas as comunidades\". Esse interesse de Gandhi por todos os seres vivos sem se importar com a crença religiosa, política ou casta social não agradava a todos os hindus, especialmente os grupos mais radicais. E foi um desses extremistas que acabou por assassiná-lo em 30 de janeiro de 1948, provocando uma comoção mundial poucas vezes vistas na história humana.
O americano Martin Luther King, outro grande defensor das liberdades e adepto da não-violência, disse, antes de ser assassinado também por radicais: \"Gandhi foi infalível. Se a humanidade tem de progredir, o Mahatma é imprescindível. Ele viveu, pensou e agiu inspirado pela visão de uma humanidade que evoluía para um mundo de paz e harmonia. Se o ignorarmos, o risco será só nosso\".
Foi exatamente isto que Jesus, o mestre da não-violência, quis dizer ao se referir com essas expressões no seu evangelho: \"dar a outra face\", \"não resistir ao mal\", \"quando alguém lhe roubar a capa, dê-lhe também a túnica\". Albert Einstein declarou que Gandhi mostrou como alguém poderia vencer a submissão, \"não somente pelo jogo esperto e artifício de fraude política, mas pelo exemplo de um modo moralmente exaltado de vida\". Einstein considerou que Gandhi foi o estadista mais iluminado do tempo deles, e ele predisse: \"O problema de trazer paz para o mundo em uma base supranacional só será resolvido empregando o método de Gandhi em uma grande escala\".
A Enciclopédia Britânica resume o significado de Gandhi com a declaração, \"Ele é o catalisador, se não o iniciador de três das revoluções principais do século 20: as revoluções contra colonialismo, racismo, e a violência\". \"Sem sombra de dúvida, qualquer homem ou mulher pode realizar o que realizei, desde que faça o mesmo esforço e cultive a mesma esperança e fé\". Gandhi.
Mohandas Karamchand Gandhi nasceu no dia 2 de outubro de 1869, na cidade indiana de Porbandar. Membro da privilegiada casta dos comerciantes, a casta Bania, seu pai era um político local, e a mãe era uma Vaishnavite religiosa. À idade de 13 anos, Mohandas casou-se com uma moça da mesma idade que ele. Cursou a faculdade de Direito em Londres, desafiando os regulamentos de sua casta que proibiam a viagem para a Inglaterra. Quando Gandhi voltou à Índia em 1891, a mãe dele houvera falecido, e ele teve dificuldades, no início, em exercer na Índia sua profissão legal como advogado, devido a sua timidez.
Em 1896, Mohandas já era um advogado conhecido e rico, ganhando cerca de 5 mil libras por ano. Como advogado, Gandhi fez o melhor para descobrir os fatos. Depois de resolver um caso difícil, ele passou a ser \"visto\" e comentado. Suas palavras retratam bem isso: \"eu tive um aprendizado que me levou a descobrir o lado melhor da natureza humana e a entrar nos corações dos homens. Eu percebi que a verdadeira função de um advogado era unir rivais\". Ele também teimou em receber a verdade dos clientes dele, e se descobrisse que eles tivessem mentido, ele derrubaria o caso. Acreditava que o dever do advogado era ajudar o tribunal a descobrir a verdade, não tentar provar o culpado ou inocente.
Aproveitou a oportunidade de ir para África do Sul, representando uma firma hindu, em Natal, durante um processo judicial naquela cidade, e lá permaneceu até 1915. A África do Sul, imóvel notório para discriminação racial, deu para Gandhi os insultos que despertaram sua consciência social. Fundou em Natal o Congresso Hindu em 1894, e seus esforços eram uma vigorosa advertência para a imprensa. Gandhi qualificou um episódio em especial como o momento decisivo de sua vida: ao viajar num trem de primeira classe, um passageiro branco mostrou-se indignado por viajar na companhia de um homem de pele escura. Ele foi retirado à força da cabine por um policial, mesmo depois de ter mostrado seu bilhete e se identificar como advogado. \"Descobri que, como homem e como indiano, eu não tinha direitos\", declarou Gandhi. \"Ou melhor, descobri que não tinha nenhum direito como homem por ser indiano\".
O pensamento do Mahatma teve grande influência do escritor norte-americano Henry David Thoreau (1818-1862), e ele manteve correspondências com o pensador russo Leon Tolstoi (1828-1910), ambos reconhecidamente pacifistas. Porém, sua maior inspiração foi a tradição hindu das milenares escrituras Vedas e Upanishads, os livros sagrados do bramanismo e jainismo. Acabou permanecendo vinte anos na África do Sul, defendendo a minoria hindu e liderando a luta de seu povo pelos seus direitos. O primeiro uso de desobediência civil em massa ocorreu em setembro de 1906.
O Governo de Transvaal quis registrar a população hindu inteira. Na verdade, as leis restritivas à sua gente não pararam de crescer, até que, em 1907, o advogado hindu expôs pela primeira vez sua idéia de Satyagraha, a resistência à opressão traduzido como a força da verdade ou do amor, definida como \"a defesa da verdade infligindo sofrimento, não ao oponente, mas a si próprio\". Para atingir o objetivo é preciso muito treino e autocontrole, mas \"é uma força que, tornando-se universal, revolucionaria ideais sociais e anularia despotismos e o militarismo\". A idéia é curar o oponente do erro por meio da paciência e compreensão. A Satyagraha não foi baseada em teorias políticas ou sociais, mas nos princípios da sagrada escritura indiana Bhagavad Gita.
Gandhi também seguiu o conceito do Aparigraha, que é o desprendimento do bens materias para se tornar rico espiritualmente - um princípio que ele adotou ao retornar à Índia, abrindo mão de suas posses e vivendo de forma cada vez mais simples.Foi atraído à vida agrícola simples e começou duas comunidades rurais em Satyagrahis-Phoenix Farm e Tolstoy Farm. Escreveu e editou o diário \"Opinião indiana\", para elucidar os princípios e a prática de Satyagraha. Por último, e mais importante, o Mahatma abraçou de corpo e alma o conceito da Ahimsa, o ideal jainista de \"não-violência\" e respeito por todas as formas de vida.
Dizia: \"O pecado e não o pecador. Desde que nós vivemos espiritualmente, ferir ou atacar outra pessoa são atacar a si mesmo. Embora nós possamos atacar um sistema injusto, nós sempre temos que amar as pessoas envolvidas\". Sugeriu aos indianos e muçulmanos as possibilidades infinitas do \"amor universal\". Foi assim que Gandhi viveu e ensinou a seus companheiros de luta durante as campanhas de resistência na África do Sul, preparando-os para agüentar todo tipo de agressão física ou moral sem reagir.
A recepção calorosa que recebeu da Índia em sua chegada, no ano de 1915, deixou claro que seus esforços na África do Sul tinham causado forte impressão no povo. Gandhi passou a exercer o papel de conscientizador da sociedade hindu e muçulmana na luta pacífica pela independência indiana, baseada no uso da não-violência. Ele rejeitou a força bruta e sua opressão e declara que a força da alma ou amor e que se mantém a unidade das pessoas em paz e harmonia.
Já em 1917 ele deu início a uma campanha para que trabalhadores indianos não fossem enviados à África do Sul, e apoiou camponeses, agricultores e operários que trabalhavam em tecelagens, diante da exploração injusta dos proprietários e do poder do império britânico. O confronto com o governo inglês teve início na forma de greves gerais, os hartals, que contavam com o apoio público, mas resultaram em conflitos violentos, pelos quais Gandhi se desculpou e penitenciou com um jejum de 72 horas. O acontecimento que detonou a campanha decisiva contra os ingleses foi o massacre de Amristar, em abril de 1919. Considerada uma cidade sagrada para os membros da fé sikh, lá estava sendo realizado um comício, que foi suprimido pelos britânicos, com a maior violência possível: o exército cercou o local e atirou contra a multidão, matando 379 pessoas e ferindo mais de 1200.
A forma escolhida para demonstrar que os ingleses não eram mais bem-vindos no país foi boicotar seus produtos vendidos aos indianos, especialmente os tecidos. Viajando de trem, Gandhi percorreu todo o país difundindo essa idéia, o que teve resultados positivos - as pessoas deixaram de usar vestes importadas, queimando-as, e passaram a usar trajes indianos mais simples.
Durante finais dos anos 20, Gandhi escreve uma auto-bibliografia retratando suas experiências vividas. Ele é bastante sincero, chegando ao ponto de se humilhar pelos erros cometidos, mostrando o esforço de os superar. Em 1922, o grande líder foi preso e condenado a seis anos por rebelião contra o governo, permanecendo em confinamento até 1924, quando foi solto de modo provisório para fazer uma operação de apendicite aguda. Durante a vida, Gandhi passou um total de mais de seis anos como prisioneiro.
Por fim, em 1929, já com 60 anos de idade, Gandhi voltou à luta pela libertação, pregando mais uma vez a desobediência civil. Um dos maiores símbolos desse período foi a Marcha do Sal - uma caminhada de mais de 300 quilômetros até o mar, empreendido por Gandhi, seguido por milhares de pessoas, para pegar o sal que os ingleses insistiam em taxar. Gandhi foi preso antes de que pudesse chegar no Dharasana Sal, mas o amigo dele Sr. Sarojini Naidu conduziu 2.500 voluntários e os advertiu de não resistir às interferências da polícia.
O resultado, que o governo não esperava, foi uma explosão de desobediência, com a população extraindo sal do mar sem pagar qualquer imposto. Mais de 100 mil pessoas foram presas, mas isso não impediu que os protestos continuassem. As salinas de Dharasana eram guardadas por policiais que abateram os manifestantes com bastões de madeira. O episódio foi descrito por uma testemunha ocular, o jornalista Miller de Webb, e transmitido ao mundo inteiro.
Os manifestantes apresentavam-se em fileiras, sem reagir à violência da polícia, eram abatidos, seus corpos retirados pelas mulheres e, em seguida, nova fileira se apresentava. O resultado do movimento foi a produção livre de sal na Índia. Por conseguinte em 1930, Mahatma Gandhi informou ao vice-rei que a desobediência civil em massa iniciaria no dia 11 de março. \"Minha ambição é nada menos que converter as pessoas britânicas à não-violência, e assim lhe faz ver o mal que fizeram para a Índia. Eu não busco danificar as pessoas\". Gandhi foi chamado à uma reunião com o Vice-rei Irwin em 1931, e eles firmaram um acordo em março. A desobediência civil foi cancelada, foram libertados os prisioneiros; a fabricação de sal foi permitida na costa e os líderes do Congresso assistiriam à próxima Conferência de Mesa Redonda em Londres.
Gandhi viajou para Londres onde ele conheceu Charlie Chaplin, George Bernard Shaw, e Maria Montessori, entre outros. Em transmissão de rádio para os Estados Unidos, ele falou que a força não-violenta é um modo mais consistente, humano e digno.
Discutindo relações com os britânicos, ele disse que ele não quis somente a independência, mas também a interdependência voluntária baseada no amor. Mesmo com a Segunda Guerra Mundial se aproximando, Gandhi havia confirmado seus princípios pacifistas. Ele mostrou como a Abissínia (Etiópia) poderia ter usado a não-violência contra Mussolini, e ele recomendou isto para os tchecos e para os chineses. \"Se é valente, como é, para morrer a um homem que luta contra preconceitos, é ainda bravo para recusar briga e ainda recusar se render ao usurpador\" (Gandhi).
Porém, Gandhi continuou exercendo uma revolução não violenta para a Índia, e em 1942 ele e outros líderes foram presos. Ele decidiu jejuar novamente, sendo que apenas ele sobreviveu. Quando a guerra terminou, ele afirmou da necessidade de \"uma paz real baseada na liberdade e igualdade de todas as raças e nações\". A incapacidade dos homens de se entenderem devido a questões religiosas deu início a uma onda de violência sem precedentes na Índia, gerando milhares de mortos. Os hindus o atacaram porque pensaram que ele era a favor dos muçulmanos, e os muçulmanos exigindo dele a criação do Paquistão. Gandhi foi para Calcutá para acalmar a discussão e a violência entre hindus e muçulmanos. Gandhi empreendeu então o que chamou de \"a missão mais difícil de sua vida\", percorrendo as regiões onde os problemas eram maiores. Aos 77 anos, ele iniciou um jejum sob o juramento de que só voltaria a se alimentar quando muçulmanos e hindus parassem as hostilidades. Índia se acalmou.
Mais tarde, o Mahatma faria o mesmo em Calcutá, declarando que jejuaria até a morte caso a violência não cessasse, o que aconteceu em quatro dias. A independência do país finalmente aconteceu, no dia 15 de agosto de 1947, mas não como Gandhi pretendia. \"Não há motivo para tanta festa\", ele disse quando todos comemoravam. A Índia separou-se e mais de 12 milhões de pessoas tiveram que deixar seus lares: muçulmanos se mudaram para o Paquistão, hindus permaneceram na Índia. E, durante o processo, ocorreram mais encontros ferozes, violência e mortes.
Em 1948, já com 78 anos, Mohandas realizou seu 18º e último jejum, com o objetivo de reunir os \"corações de todas as comunidades\". Esse interesse de Gandhi por todos os seres vivos sem se importar com a crença religiosa, política ou casta social não agradava a todos os hindus, especialmente os grupos mais radicais. E foi um desses extremistas que acabou por assassiná-lo em 30 de janeiro de 1948, provocando uma comoção mundial poucas vezes vistas na história humana.
O americano Martin Luther King, outro grande defensor das liberdades e adepto da não-violência, disse, antes de ser assassinado também por radicais: \"Gandhi foi infalível. Se a humanidade tem de progredir, o Mahatma é imprescindível. Ele viveu, pensou e agiu inspirado pela visão de uma humanidade que evoluía para um mundo de paz e harmonia. Se o ignorarmos, o risco será só nosso\".
Foi exatamente isto que Jesus, o mestre da não-violência, quis dizer ao se referir com essas expressões no seu evangelho: \"dar a outra face\", \"não resistir ao mal\", \"quando alguém lhe roubar a capa, dê-lhe também a túnica\". Albert Einstein declarou que Gandhi mostrou como alguém poderia vencer a submissão, \"não somente pelo jogo esperto e artifício de fraude política, mas pelo exemplo de um modo moralmente exaltado de vida\". Einstein considerou que Gandhi foi o estadista mais iluminado do tempo deles, e ele predisse: \"O problema de trazer paz para o mundo em uma base supranacional só será resolvido empregando o método de Gandhi em uma grande escala\".
A Enciclopédia Britânica resume o significado de Gandhi com a declaração, \"Ele é o catalisador, se não o iniciador de três das revoluções principais do século 20: as revoluções contra colonialismo, racismo, e a violência\". \"Sem sombra de dúvida, qualquer homem ou mulher pode realizar o que realizei, desde que faça o mesmo esforço e cultive a mesma esperança e fé\". Gandhi.

DOM HÉLDER CÂMARA
\"OS VERDADEIROS FAUTORES DE
VIOLÊNCIA SÃO ÀQUELES QUE FEREM A JUSTIÇA E IMPEDEM A PAZ\"
Nascido a 7 de fevereiro de 1909, em Fortaleza, Ceará, estado situado no Nordeste do Brasil, Dom Hélder Câmara é o décimo primeiro filho de uma família simples e numerosa, composta de treze filhos, dos quais somente oito conseguiram sobreviver. Os demais faleceram vítimas de uma epidemia de gripe que assolou a região no ano de 1905. O pai, João Câmara Filho, era guarda-livros de uma firma comercial, enquanto a mãe, Adelaide Pessoa Câmara, era professora primária.
A escolha do nome Hélder coube ao pai, que apreciava muito esse nome, denominação de um pequeno porto situado na Holanda.

 De um pai não muito ligado às práticas religiosas, Dom Hélder Câmara ainda guardou as seguintes palavras: \"Meu filho, você sabe o que é ser padre? Padre e egoísmo nunca podem andar juntos. O padre tem que se gastar, se deixar devorar\".
Em 1923, ingressou no Seminário Diocesano de Fortaleza (Prainha), onde fez os cursos preparatórios e depois filosofia e teologia. Sua preparação sacerdotal se deu de forma tranqüila e serena, muito embora ele já viesse se destacando pela agudeza de espírito em defender seus pontos de vista, em embates presididos pelo padre Tobias Dequidt, então reitor, que muito o admirava pela segurança das suas argumentações. O tom irresistivelmente envolvente de sua pregação não demorou a surgir. Desde que foi ordenado padre, em 1931, foram 7.547 meditações escritas de madrugada, sobre os mais variados assuntos: a fé em Deus, em Cristo e em Maria, as asas quebradas de um passarinho, a crença no amor dos homens, a esperança social e a paz. Aos 26 anos, foi nomeado diretor da Instrução Pública do Ceará. 


Por não aceitar as interferências do governo em seu trabalho, o padre magricela e baixinho (media 1,60m) pediu demissão e foi para o Rio de Janeiro. No Rio, como arcebispo-auxiliar, organizou o Congresso Eucarístico de 1955. Foi o principal articulador da Conferência Nacional dos Bispos no Brasil (CNBB), criada em 1952. Sempre desenvolveu gigantescos programas sociais. Batia na porta dos ricos e reclamava se eles não oferecessem ajuda. Era chamado por alguns de \"Bispo Vermelho\", imagem fortalecida com as idéias progressistas que defendeu no Congresso Vaticano II.
Em 1970, reuniu mais de 20 mil pessoas em Paris para denunciar torturas no Brasil. Ele foi transferido para a Arquidiocese de Olinda e Recife devido às pressões políticas, mas nem as ameaças a seus colaboradores e o assassinato de um padre fizeram-no calar. Deu início a um dos maiores programas sociais já vistos no Nordeste, a \"Operação Esperança\", que ajudava os flagelados das enchentes e incentivava o surgimento de lideranças populares para transcender o mero assistencialismo.
Foi indicado quatro vezes ao prêmio Nobel da Paz (entre 1970 e 1973), porém não o recebeu devido ao boicote do regime militar brasileiro durante o governo do Presidente Médici. Apesar de não ser laureado com o Nobel da Paz, Dom Hélder recebeu os 27 prêmios mais importantes pela Paz, distribuído em diversos países do mundo depois do Nobel. \"Dom Hélder: Irmão dos pobres e meu irmão\". João Paulo II, em visita ao Recife, em 1980.
Nascido a 7 de fevereiro de 1909, em Fortaleza, Ceará, estado situado no Nordeste do Brasil, Dom Hélder Câmara é o décimo primeiro filho de uma família simples e numerosa, composta de treze filhos, dos quais somente oito conseguiram sobreviver. Os demais faleceram vítimas de uma epidemia de gripe que assolou a região no ano de 1905. O pai, João Câmara Filho, era guarda-livros de uma firma comercial, enquanto a mãe, Adelaide Pessoa Câmara, era professora primária.
A escolha do nome Hélder coube ao pai, que apreciava muito esse nome, denominação de um pequeno porto situado na Holanda.

 De um pai não muito ligado às práticas religiosas, Dom Hélder Câmara ainda guardou as seguintes palavras: \"Meu filho, você sabe o que é ser padre? Padre e egoísmo nunca podem andar juntos. O padre tem que se gastar, se deixar devorar\".
Em 1923, ingressou no Seminário Diocesano de Fortaleza (Prainha), onde fez os cursos preparatórios e depois filosofia e teologia. Sua preparação sacerdotal se deu de forma tranqüila e serena, muito embora ele já viesse se destacando pela agudeza de espírito em defender seus pontos de vista, em embates presididos pelo padre Tobias Dequidt, então reitor, que muito o admirava pela segurança das suas argumentações. O tom irresistivelmente envolvente de sua pregação não demorou a surgir. Desde que foi ordenado padre, em 1931, foram 7.547 meditações escritas de madrugada, sobre os mais variados assuntos: a fé em Deus, em Cristo e em Maria, as asas quebradas de um passarinho, a crença no amor dos homens, a esperança social e a paz. Aos 26 anos, foi nomeado diretor da Instrução Pública do Ceará. 


Por não aceitar as interferências do governo em seu trabalho, o padre magricela e baixinho (media 1,60m) pediu demissão e foi para o Rio de Janeiro. No Rio, como arcebispo-auxiliar, organizou o Congresso Eucarístico de 1955. Foi o principal articulador da Conferência Nacional dos Bispos no Brasil (CNBB), criada em 1952. Sempre desenvolveu gigantescos programas sociais. Batia na porta dos ricos e reclamava se eles não oferecessem ajuda. Era chamado por alguns de \"Bispo Vermelho\", imagem fortalecida com as idéias progressistas que defendeu no Congresso Vaticano II.
Em 1970, reuniu mais de 20 mil pessoas em Paris para denunciar torturas no Brasil. Ele foi transferido para a Arquidiocese de Olinda e Recife devido às pressões políticas, mas nem as ameaças a seus colaboradores e o assassinato de um padre fizeram-no calar. Deu início a um dos maiores programas sociais já vistos no Nordeste, a \"Operação Esperança\", que ajudava os flagelados das enchentes e incentivava o surgimento de lideranças populares para transcender o mero assistencialismo.
Foi indicado quatro vezes ao prêmio Nobel da Paz (entre 1970 e 1973), porém não o recebeu devido ao boicote do regime militar brasileiro durante o governo do Presidente Médici. Apesar de não ser laureado com o Nobel da Paz, Dom Hélder recebeu os 27 prêmios mais importantes pela Paz, distribuído em diversos países do mundo depois do Nobel. \"Dom Hélder: Irmão dos pobres e meu irmão\". João Paulo II, em visita ao Recife, em 1980.

HENRY DAVID THOREAU
\"JUSTIÇA E LIBERDADE SÃO OS
ALICERCES DA PAZ\"
Henry David Thoureau (1817-1862) nasceu em Concord, no estado de Massachussets, e lá viveu a maior parte de sua vida. Apesar dos parcos recursos de que dispunha a família, obteve invejável educação humanista, particularmente no período em que estudou em Harvard (1833-1837), universidade que começou a freqüentar quando tinha dezesseis anos. Familiarizou-se com os clássicos gregos e latinos, que lia fluentemente no original, e com línguas modernas como o alemão, o francês, o espanhol e o italiano.
Foi freqüentemente visto por admiradores, amigos e inimigos como um rebelde marcado por hábitos excêntricos: em Harvard, insistia em usar manta verde, apesar do regulamento exigir dos alunos o uso de manta negra, e dizia ironicamente do que era, já na época, um avançado sistema de ensino universitário, que lá se ensinavam todos os \"ramos do conhecimento\", mas nenhuma de suas raízes. Nos textos de Thoureau, contudo, esse individualismo rebelde não deve ser entendido em termos de uma postura excêntrica e meramente negadora do social e do político. Trata-se antes do individualismo entendido no contexto do movimento literário conhecido como o \"Transcendentalismo Romântico\" norte-americano, caracterizado não apenas pela ênfase romântica no sentimento individual mais do que na razão, mas principalmente por uma postura política progressiva preocupada com reformas sociais e políticas a serem levadas a cabo a partir do indivíduo e não a partir do grupo social.
É esse indivíduo que tem como objetivo tanto a reforma de si mesmo como do social e do político que se torna constantemente presente nas páginas dos dois escritos mais célebres de Thoureau, Walden (1854) e \"A Desobediência Civil\" (1849). São ambos textos que se querem autobiográficos e que se apresentam ao leitor como experiências pessoais das quais o autor retira lições de sabedoria sobre como encontrar o melhor estilo de vida como indivíduo e como ser social.
A experiência individual descrita em Walden deriva da decisão de Thoureau de viver isoladamente, durante dois anos e dois meses (1845-1847), em uma cabana construída por ele mesmo às margens do Lago Walden, nas proximidades de Concord. O que seria visto, para muitos de seus contemporâneos, como nada mais do que a excentricidade de um eremita fugindo do social significaria, para Thoureau, a oportunidade para uma reflexão radical sobre o sentido de viver bem a vida humana em um momento histórico marcado pelos confortos e desconfortos de uma sociedade capitalista em fase de rápida urbanização e industrialização. A pergunta formulada constantemente em Walden diz respeito às necessidades básicas capazes de proporcionar ao homem moderno uma vida bem vivida.
Qual o sentido, por exemplo, de se identificar a vida bem vivida com o acúmulo excessivo de vestuário, moradia ou alimentos? São bem gastos o trabalho e a energia dedicados a tal acúmulo? Não poderia a vida ser melhor vivida com aquele mínimo de recursos materiais que tornasse possível o atendimento de necessidades do espírito contemplativo, como a leitura, a reflexão, a observação da natureza e o lazer? Nos dezoito ensaios que compõem Walden, o que Thoureau tenta demonstrar é que esse estilo de vida alternativo baseado, não no máximo, mas no mínimo necessário de produção e consumo, pode ser não apenas possível, mas melhor do que o estilo de vida atrelado às exigências do progresso industrial e urbano. Há, sem dúvida, um esforço necessário para a manutenção da vida: coletar alimentos naturais nos bosques, pescar, plantar e cultivar feijões, cortar lenha para o aquecimento da cabana no inverno.
Quando reduzido a um mínimo, o que tal esforço garante é uma forma equilibrada de viver bem, com tempo disponível para a vida contemplativa, para ler e escrever (inclusive as anotações diárias que seriam mais tarde transformadas no texto de Walden), para o lazer prazeroso e descompromissado, para observar a flora e a fauna locais, os sons e odores naturais dos bosques, a música do vento nos fios telegráficos, a passagem de uma estação para outra. É em meio a essa experiência de vida bem equilibrada nos arredores da lagoa de Walden que Thoureau vivencia ainda o episódio de vida pessoal motivador do que é o seu texto mais celebrado: \"A Desobediência Civil\".
Em uma tarde de 23 ou 24 de Julho de 1846, Thoureau recebe a visita do coletor de impostos e acaba sendo aprisionado quando se recusa a pagar o tributo devido. Sai da cadeia, no dia seguinte, quando um benfeitor ou benfeitora (provavelmente sua tia Maria) paga a dívida exigida por lei. Explicitar as razões que o levaram a não pagar impostos é o problema central tratado no ensaio. Para Thoureau, pagar os impostos seria um ato imoral porque significaria contribuir com um governo que patrocinava empreitadas injustas e desumanas como o projeto escravocrata e a guerra imperialista contra o México.
O ato de desobediência civil assim pensado tornava-se não apenas justificável, mas moralmente necessário e indispensável para o cidadão consciente de valores éticos desrespeitados, no caso, tanto pelo Estado como pela maioria da população em dia com seus tributos. Note-se que a definição de cidadania assim entendida legitima o indivíduo visto pelo Estado como um fora-da-lei e define como violadores de uma lei maior tanto o governo nacional quanto a maioria que o elegeu que lhe deu apoio. Essa lei maior é, para o adepto do Transcendentalismo, aquela lucidamente percebida e respeitada pela consciência particular do indivíduo que, para Thoureau, é mais importante e merece mais respeito do que a lei oficial produzida pelo consenso \"democrático\" da maioria e imposta ao povo pelo aparato de poder estatal.
Nesse contexto, como Thoureau argumenta em seu ensaio, uma minoria correta formada por uma só pessoa já é uma maioria moral, e se o Estado e o consenso majoritário decidem julgar como fora-da-lei e colocar na cadeia essa minoria moral e correta, então é justamente a cadeia que se torna o lugar adequado para os homens honestos. Como mostra o slogan característico da política liberal Jeffersoniana, citado já no primeiro parágrafo do texto (\"O melhor governo é o que governa menos\"), Thoureau privilegia a lei moral individual como fonte primeira do bem social e relega a segundo plano a função normalmente atribuída ao poder estatal de manter a ordem.
Para Thoureau, o governo é, ou deveria ser, nada mais do que um meio para um fim: o seu objetivo deveria ser pura e simplesmente cuidar da liberdade e do bem estar do povo. Quando o Estado se afasta de tal objetivo, escravizando a população negra ou fazendo guerra contra o México, por exemplo, deve ser efetiva e radicalmente questionado pelo cidadão consciente e moralmente responsável.
O lider nacionalista indiano, Mahatma Gandhi, tendo lido o texto de Thoureau em uma cadeia em Pretória, reconheceu a sua importância para o desenvolvimento de suas próprias idéias e da prática revolucionária conhecida como \"resistência passiva\". Mas percebeu também a necessidade de aprimorar o conceito de \"desobediência civil\" e optou por caracterizar o seu programa filosófico e político de resistência em termos da idéia de \"satyagraha\". O termo significa, em hindu, \"a dedicação à verdade\" ou \"a força da verdade\".
As idéias de Henry Thoureau também vieram influenciar profundamente as decisões do Presidente norte-americano Abraham Lincoln. Thoureau não obteve de seus contemporâneos o reconhecimento devido. Seus livros e escritos tiveram parca repercussão: conseguiu publicar, em vida, apenas dois livros (Walden, em 1854; Uma Semana nos rios Concord e Merrimack, em 1849).
A posteridade faria melhor julgamento do rebelde norte-americano: seus textos são hoje mais lidos e conhecidos do que os de seu mestre, Ralph Waldo Emerson, considerado o fundador do Movimento Transcendentalista. E a \"A Desobediência Civil\", longe de ter sua importância reconhecida apenas por Gandhi, continua não apenas a ser lido e traduzido, mas também lembrado freqüentemente cada vez que se repetem formas de lutas contra o poder estabelecido.
Henry David Thoureau (1817-1862) nasceu em Concord, no estado de Massachussets, e lá viveu a maior parte de sua vida. Apesar dos parcos recursos de que dispunha a família, obteve invejável educação humanista, particularmente no período em que estudou em Harvard (1833-1837), universidade que começou a freqüentar quando tinha dezesseis anos. Familiarizou-se com os clássicos gregos e latinos, que lia fluentemente no original, e com línguas modernas como o alemão, o francês, o espanhol e o italiano.
Foi freqüentemente visto por admiradores, amigos e inimigos como um rebelde marcado por hábitos excêntricos: em Harvard, insistia em usar manta verde, apesar do regulamento exigir dos alunos o uso de manta negra, e dizia ironicamente do que era, já na época, um avançado sistema de ensino universitário, que lá se ensinavam todos os \"ramos do conhecimento\", mas nenhuma de suas raízes. Nos textos de Thoureau, contudo, esse individualismo rebelde não deve ser entendido em termos de uma postura excêntrica e meramente negadora do social e do político. Trata-se antes do individualismo entendido no contexto do movimento literário conhecido como o \"Transcendentalismo Romântico\" norte-americano, caracterizado não apenas pela ênfase romântica no sentimento individual mais do que na razão, mas principalmente por uma postura política progressiva preocupada com reformas sociais e políticas a serem levadas a cabo a partir do indivíduo e não a partir do grupo social.
É esse indivíduo que tem como objetivo tanto a reforma de si mesmo como do social e do político que se torna constantemente presente nas páginas dos dois escritos mais célebres de Thoureau, Walden (1854) e \"A Desobediência Civil\" (1849). São ambos textos que se querem autobiográficos e que se apresentam ao leitor como experiências pessoais das quais o autor retira lições de sabedoria sobre como encontrar o melhor estilo de vida como indivíduo e como ser social.
A experiência individual descrita em Walden deriva da decisão de Thoureau de viver isoladamente, durante dois anos e dois meses (1845-1847), em uma cabana construída por ele mesmo às margens do Lago Walden, nas proximidades de Concord. O que seria visto, para muitos de seus contemporâneos, como nada mais do que a excentricidade de um eremita fugindo do social significaria, para Thoureau, a oportunidade para uma reflexão radical sobre o sentido de viver bem a vida humana em um momento histórico marcado pelos confortos e desconfortos de uma sociedade capitalista em fase de rápida urbanização e industrialização. A pergunta formulada constantemente em Walden diz respeito às necessidades básicas capazes de proporcionar ao homem moderno uma vida bem vivida.
Qual o sentido, por exemplo, de se identificar a vida bem vivida com o acúmulo excessivo de vestuário, moradia ou alimentos? São bem gastos o trabalho e a energia dedicados a tal acúmulo? Não poderia a vida ser melhor vivida com aquele mínimo de recursos materiais que tornasse possível o atendimento de necessidades do espírito contemplativo, como a leitura, a reflexão, a observação da natureza e o lazer? Nos dezoito ensaios que compõem Walden, o que Thoureau tenta demonstrar é que esse estilo de vida alternativo baseado, não no máximo, mas no mínimo necessário de produção e consumo, pode ser não apenas possível, mas melhor do que o estilo de vida atrelado às exigências do progresso industrial e urbano. Há, sem dúvida, um esforço necessário para a manutenção da vida: coletar alimentos naturais nos bosques, pescar, plantar e cultivar feijões, cortar lenha para o aquecimento da cabana no inverno.
Quando reduzido a um mínimo, o que tal esforço garante é uma forma equilibrada de viver bem, com tempo disponível para a vida contemplativa, para ler e escrever (inclusive as anotações diárias que seriam mais tarde transformadas no texto de Walden), para o lazer prazeroso e descompromissado, para observar a flora e a fauna locais, os sons e odores naturais dos bosques, a música do vento nos fios telegráficos, a passagem de uma estação para outra. É em meio a essa experiência de vida bem equilibrada nos arredores da lagoa de Walden que Thoureau vivencia ainda o episódio de vida pessoal motivador do que é o seu texto mais celebrado: \"A Desobediência Civil\".
Em uma tarde de 23 ou 24 de Julho de 1846, Thoureau recebe a visita do coletor de impostos e acaba sendo aprisionado quando se recusa a pagar o tributo devido. Sai da cadeia, no dia seguinte, quando um benfeitor ou benfeitora (provavelmente sua tia Maria) paga a dívida exigida por lei. Explicitar as razões que o levaram a não pagar impostos é o problema central tratado no ensaio. Para Thoureau, pagar os impostos seria um ato imoral porque significaria contribuir com um governo que patrocinava empreitadas injustas e desumanas como o projeto escravocrata e a guerra imperialista contra o México.
O ato de desobediência civil assim pensado tornava-se não apenas justificável, mas moralmente necessário e indispensável para o cidadão consciente de valores éticos desrespeitados, no caso, tanto pelo Estado como pela maioria da população em dia com seus tributos. Note-se que a definição de cidadania assim entendida legitima o indivíduo visto pelo Estado como um fora-da-lei e define como violadores de uma lei maior tanto o governo nacional quanto a maioria que o elegeu que lhe deu apoio. Essa lei maior é, para o adepto do Transcendentalismo, aquela lucidamente percebida e respeitada pela consciência particular do indivíduo que, para Thoureau, é mais importante e merece mais respeito do que a lei oficial produzida pelo consenso \"democrático\" da maioria e imposta ao povo pelo aparato de poder estatal.
Nesse contexto, como Thoureau argumenta em seu ensaio, uma minoria correta formada por uma só pessoa já é uma maioria moral, e se o Estado e o consenso majoritário decidem julgar como fora-da-lei e colocar na cadeia essa minoria moral e correta, então é justamente a cadeia que se torna o lugar adequado para os homens honestos. Como mostra o slogan característico da política liberal Jeffersoniana, citado já no primeiro parágrafo do texto (\"O melhor governo é o que governa menos\"), Thoureau privilegia a lei moral individual como fonte primeira do bem social e relega a segundo plano a função normalmente atribuída ao poder estatal de manter a ordem.
Para Thoureau, o governo é, ou deveria ser, nada mais do que um meio para um fim: o seu objetivo deveria ser pura e simplesmente cuidar da liberdade e do bem estar do povo. Quando o Estado se afasta de tal objetivo, escravizando a população negra ou fazendo guerra contra o México, por exemplo, deve ser efetiva e radicalmente questionado pelo cidadão consciente e moralmente responsável.
O lider nacionalista indiano, Mahatma Gandhi, tendo lido o texto de Thoureau em uma cadeia em Pretória, reconheceu a sua importância para o desenvolvimento de suas próprias idéias e da prática revolucionária conhecida como \"resistência passiva\". Mas percebeu também a necessidade de aprimorar o conceito de \"desobediência civil\" e optou por caracterizar o seu programa filosófico e político de resistência em termos da idéia de \"satyagraha\". O termo significa, em hindu, \"a dedicação à verdade\" ou \"a força da verdade\".
As idéias de Henry Thoureau também vieram influenciar profundamente as decisões do Presidente norte-americano Abraham Lincoln. Thoureau não obteve de seus contemporâneos o reconhecimento devido. Seus livros e escritos tiveram parca repercussão: conseguiu publicar, em vida, apenas dois livros (Walden, em 1854; Uma Semana nos rios Concord e Merrimack, em 1849).
A posteridade faria melhor julgamento do rebelde norte-americano: seus textos são hoje mais lidos e conhecidos do que os de seu mestre, Ralph Waldo Emerson, considerado o fundador do Movimento Transcendentalista. E a \"A Desobediência Civil\", longe de ter sua importância reconhecida apenas por Gandhi, continua não apenas a ser lido e traduzido, mas também lembrado freqüentemente cada vez que se repetem formas de lutas contra o poder estabelecido.

FRANCISCO DE ASSIS
\"Ó SENHOR! FAZEI DE MIM UM
INSTRUMENTO DA VOSSA PAZ\"
Foi batizado com o nome de Giovanni di Pietro di Bernardone tendo como data provável de nascimento, 26 de Setembro de 1182, na cidade de Assis, na Itália. Filho do Sr. Bernardone, um rico comerciante de tecidos em Assis, homem rústico e a Sra. Maria Pical, mãe muito delicada e generosa. Foi um jovem particularmente alegre, simpático, humano, sincero, sensível, dotado de um caráter nobre e de um certo galanteio. Era trovador e cantor (não profissional).
Trabalhava auxiliando o pai na loja de tecidos. Apreciava e desejava a posição de cavaleiro. Viveu numa época de fortalecimento da classe burguesa (à qual pertencia) frente à aristocracia, da economia monetária em detrimento dos feudos - o que ocasionou alguns conflitos entre Francisco e Bernardone.
Generoso com os pobres não se despedia deles com as mãos vazias. Em seus banquetes ordenava que se preparassem pratos a mais para os menos afortunados de Assis. Em resumo, era um jovem, alegre, fino, risonho e benquisto por todos, rodeado pela afortunada juventude para sonhar com o futuro, gastar dinheiro e cantar serenatas às damas. Quando estouraram as cruzadas se predispôs a participar, motivado pela glória das vitórias. Em 1201 os nobres desterrados em Perusa declararam guerra a Assis; Francisco, da mesma forma que seus companheiros, alistou-se no exército e pôs-se em marcha contra Perusa na planície de Espoleto.
No inverno de 1201, Francisco caiu prisioneiro na batalha de São José, sendo levado para Perusa, ficando numa prisão por longos meses na obscuridade que somente seu ânimo alegre, a disposição de seu temperamento e o gosto pelo canto, o salvaram do desespero. \"Como quereis que eu fique triste, sabendo que grandes coisas me esperam? Costumava dizer, em tom de brincadeira, ao seu amigo. No fim do ano foi libertado, e voltando novamente se entregou a seus saudosos divertimentos da juventude e atividades na casa de comércio de seu pai. Francisco era pródigo. Ele desejava doar, oferecer o que possuía de melhor. O fazia ofertando poemas, compartilhando alegria, doando afeto - fosse aos seus companheiros de festas, fosse a um mendigo.
Mas, convenceu-se de que a prodigalidade do trovador, do amigo, do homem de ricas esmolas não era o bastante. A máxima prodigalidade seria alcançada no despojamento de tudo, a paz íntima seria conquistada na rota da simplicidade. Daí, o lema que adotou: castidade, pobreza, obediência. O fluxo pródigo do amor, do bem querer, encontraria na simplicidade o veículo mais eficaz de manifestação e esta, na paz, o esteio.
Adoeceu de uma doença longa e misteriosa que enfraqueceu seu corpo, mas o tornou forte em pensamento, sobretudo, seu espírito. O jovem alegre e exuberante começou a escolher o silêncio e a solidão, distanciando-se do centro da cidade. Francisco dedicou-se ao serviço de doentes e pobres. Um dia do outono de 1205, enquanto rezava na igrejinha de São Damião, ouviu a imagem de Cristo lhe dizer: \"Francisco, restaure minha casa decadente\".
O chamado ainda pouco claro para Francisco foi tomado no sentido literal, vendeu as mercadorias da loja do pai para restaurar a igrejinha. Como resultado, o pai de Francisco, indignado com o ocorrido, deserdou-o. Com a renúncia definitiva aos bens materiais paternos, Francisco deu início à sua vida \"unindo-se à Irmã Pobreza\". Francisco percorreu as localidades vizinhas pregando o evangelho. Muitos começaram a compreender o sentido da sua vida, manifestando o desejo de seguí-lo. O primeiro foi o sábio e rico de Assis: Bernardo de Quintavale. Depois veio Egidio, muito piedoso.
Morico, dedicado aos leprosos, Bósboro, futuro missionário do oriente, Sobatino, Bernardo de Viridiante, João de Constância Angelo. Quando a primeira fraternidade formou-se em torno do casebre de Rivotorto, Francisco elaborou um regulamento de vida que não se completou e junto aos onze companheiros foi a Roma para por à apreciação do Papa. Inocêncio III, que se limitou a conceder uma aprovação oral, encarregando Francisco de pregar a todos a Penitência. Em 1212, a \"Fraternidade\", muito crescida, reforma a igreja de Porciúncola, perto de Assis e aí se estabelece.
O exemplo de Francisco é também seguido por Clara, e outra moças de Assis, que entusiasmadas pela vida e espiritualização dele, formaram posteriormente a Ordem Menor das Clarissas. Estimulado pelo desejo de testemunhar a Fé ao mundo inteiro, Francisco, tentara muitas vezes ir aos países não cristãos: parado por uma tempestade em 1211 perto da Dalmácia e por uma doença na Espanha em 1214, chegou ao Egito em 1219; obteve do sultão autorização de pregar, abrindo estradas para as grandes missões.
Retornando a Assis, em 1220, sofrido no físico e abatido no ânimo por notar incompreensões entre os frades durante sua ausência, Francisco renunciou ao cargo de Ministro Geral da Comunidade em favor do fiel companheiro Pietro Cattani. Em 29 novembro de 1223, Onório III aprova o regulamento da Ordem dos Frades Menores. Enquanto pregava no Monte Alverne, nos Apeninos, em 1224, apareceram-lhe no corpo as cinco chagas de Cristo, no fenômeno denominado \"estigmatização\". Os estigmas não só lhe apareceram no corpo, como foram sua grande fonte de fraqueza física.
Francisco de Assis viveu 44 anos, do inverno de 1181/82 até o crepúsculo do sábado 3 de outubro de 1226. O amor de Francisco tem um sentido profundamente universalista. Ele irmanou-se com todo o universo: foi irmão do sol, da água, das estrelas, dos animais e dos homens. O \"Cântico das Criaturas\", em que proclama seu amor a tudo que existe, é uma das mais lindas páginas da poesia cristã. Exemplo nítido de fraternidade, bondade e humildade, a grandeza de sua missão sempre ultrapassará todos os limites das palavras e referências escritas.
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Foi batizado com o nome de Giovanni di Pietro di Bernardone tendo como data provável de nascimento, 26 de Setembro de 1182, na cidade de Assis, na Itália. Filho do Sr. Bernardone, um rico comerciante de tecidos em Assis, homem rústico e a Sra. Maria Pical, mãe muito delicada e generosa. Foi um jovem particularmente alegre, simpático, humano, sincero, sensível, dotado de um caráter nobre e de um certo galanteio. Era trovador e cantor (não profissional).
Trabalhava auxiliando o pai na loja de tecidos. Apreciava e desejava a posição de cavaleiro. Viveu numa época de fortalecimento da classe burguesa (à qual pertencia) frente à aristocracia, da economia monetária em detrimento dos feudos - o que ocasionou alguns conflitos entre Francisco e Bernardone.
Generoso com os pobres não se despedia deles com as mãos vazias. Em seus banquetes ordenava que se preparassem pratos a mais para os menos afortunados de Assis. Em resumo, era um jovem, alegre, fino, risonho e benquisto por todos, rodeado pela afortunada juventude para sonhar com o futuro, gastar dinheiro e cantar serenatas às damas. Quando estouraram as cruzadas se predispôs a participar, motivado pela glória das vitórias. Em 1201 os nobres desterrados em Perusa declararam guerra a Assis; Francisco, da mesma forma que seus companheiros, alistou-se no exército e pôs-se em marcha contra Perusa na planície de Espoleto.
No inverno de 1201, Francisco caiu prisioneiro na batalha de São José, sendo levado para Perusa, ficando numa prisão por longos meses na obscuridade que somente seu ânimo alegre, a disposição de seu temperamento e o gosto pelo canto, o salvaram do desespero. \"Como quereis que eu fique triste, sabendo que grandes coisas me esperam? Costumava dizer, em tom de brincadeira, ao seu amigo. No fim do ano foi libertado, e voltando novamente se entregou a seus saudosos divertimentos da juventude e atividades na casa de comércio de seu pai. Francisco era pródigo. Ele desejava doar, oferecer o que possuía de melhor. O fazia ofertando poemas, compartilhando alegria, doando afeto - fosse aos seus companheiros de festas, fosse a um mendigo.
Mas, convenceu-se de que a prodigalidade do trovador, do amigo, do homem de ricas esmolas não era o bastante. A máxima prodigalidade seria alcançada no despojamento de tudo, a paz íntima seria conquistada na rota da simplicidade. Daí, o lema que adotou: castidade, pobreza, obediência. O fluxo pródigo do amor, do bem querer, encontraria na simplicidade o veículo mais eficaz de manifestação e esta, na paz, o esteio.
Adoeceu de uma doença longa e misteriosa que enfraqueceu seu corpo, mas o tornou forte em pensamento, sobretudo, seu espírito. O jovem alegre e exuberante começou a escolher o silêncio e a solidão, distanciando-se do centro da cidade. Francisco dedicou-se ao serviço de doentes e pobres. Um dia do outono de 1205, enquanto rezava na igrejinha de São Damião, ouviu a imagem de Cristo lhe dizer: \"Francisco, restaure minha casa decadente\".
O chamado ainda pouco claro para Francisco foi tomado no sentido literal, vendeu as mercadorias da loja do pai para restaurar a igrejinha. Como resultado, o pai de Francisco, indignado com o ocorrido, deserdou-o. Com a renúncia definitiva aos bens materiais paternos, Francisco deu início à sua vida \"unindo-se à Irmã Pobreza\". Francisco percorreu as localidades vizinhas pregando o evangelho. Muitos começaram a compreender o sentido da sua vida, manifestando o desejo de seguí-lo. O primeiro foi o sábio e rico de Assis: Bernardo de Quintavale. Depois veio Egidio, muito piedoso.
Morico, dedicado aos leprosos, Bósboro, futuro missionário do oriente, Sobatino, Bernardo de Viridiante, João de Constância Angelo. Quando a primeira fraternidade formou-se em torno do casebre de Rivotorto, Francisco elaborou um regulamento de vida que não se completou e junto aos onze companheiros foi a Roma para por à apreciação do Papa. Inocêncio III, que se limitou a conceder uma aprovação oral, encarregando Francisco de pregar a todos a Penitência. Em 1212, a \"Fraternidade\", muito crescida, reforma a igreja de Porciúncola, perto de Assis e aí se estabelece.
O exemplo de Francisco é também seguido por Clara, e outra moças de Assis, que entusiasmadas pela vida e espiritualização dele, formaram posteriormente a Ordem Menor das Clarissas. Estimulado pelo desejo de testemunhar a Fé ao mundo inteiro, Francisco, tentara muitas vezes ir aos países não cristãos: parado por uma tempestade em 1211 perto da Dalmácia e por uma doença na Espanha em 1214, chegou ao Egito em 1219; obteve do sultão autorização de pregar, abrindo estradas para as grandes missões.
Retornando a Assis, em 1220, sofrido no físico e abatido no ânimo por notar incompreensões entre os frades durante sua ausência, Francisco renunciou ao cargo de Ministro Geral da Comunidade em favor do fiel companheiro Pietro Cattani. Em 29 novembro de 1223, Onório III aprova o regulamento da Ordem dos Frades Menores. Enquanto pregava no Monte Alverne, nos Apeninos, em 1224, apareceram-lhe no corpo as cinco chagas de Cristo, no fenômeno denominado \"estigmatização\". Os estigmas não só lhe apareceram no corpo, como foram sua grande fonte de fraqueza física.
Francisco de Assis viveu 44 anos, do inverno de 1181/82 até o crepúsculo do sábado 3 de outubro de 1226. O amor de Francisco tem um sentido profundamente universalista. Ele irmanou-se com todo o universo: foi irmão do sol, da água, das estrelas, dos animais e dos homens. O \"Cântico das Criaturas\", em que proclama seu amor a tudo que existe, é uma das mais lindas páginas da poesia cristã. Exemplo nítido de fraternidade, bondade e humildade, a grandeza de sua missão sempre ultrapassará todos os limites das palavras e referências escritas.
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CHICO XAVIER
\"A MENTE SIMPLES E LIVRE
PRECISA DE PAZ\" Foi no dia 2 de abril de 1910, em Pedro Leopoldo uma
cidade típica do interior de Minas Gerais que nasceu Francisco Cândido Xavier
ou simplesmente Chico Xavier. Seu pai, João Cândido Xavier era operário da
fábrica de tecidos e também trabalhava vendendo bilhetes de loteria para poder
sustentar a família que era imensa. Maria João de Deus era mãe de Chico, uma
mulher de muita fé, ensinando desde cedo aos oito filhos a cultivar a confiança
em Deus. Ela trabalhava muito lavando roupas para outras famílias, até que um
dia adoeceu gravemente e veio a falecer. João Cândido estava sem emprego e teve
que distribuir os filhos com os amigos e parentes, pois não tinha condições de
cuidar deles. Chico estava com 5 anos quando foi morar com Dona Rita
(madrinha). Desde o primeiro instante ele sentia o desprezo de sua madrinha.
Dona Rita dava surras em Chico com vara de marmelo, marcando seu corpo ainda
pequeno com tantos vergões e feridas. Aos 6 anos, Chico reencontra sua mãe
desencarnada, no quintal, debaixo das bananeiras; após contar o seu sofrimento,
a sua mãe pede que ele continue acreditando e tendo fé em Deus. Seu pai casa-se
pela segunda vez com Dona Cidália Batista, ela pede ao marido que vá buscar
todos os seus filhos para que possa cuidar de cada um. Dona Cidália ao ver o
estado de Chico cuida de suas feridas e promete que ninguém mais baterá nele e
que, de agora em diante, ele passaria a ser seu filho.
Chico começa a estudar aos 7 anos, mesmo com muitas dificuldades financeiras para se manter nos estudos, ele e sua querida mamãe plantavam e vendiam legumes e verduras. Ele contava para Cidália e para seu pai as suas visões dos irmãos do arco-íris.
Aos 10 anos ele se entregava a sua primeira profissão na Companhia de Fiação e Tecelagem Cachoeira Grande, fazendo assim com que seu pai parasse de implicar com as suas visões que, por muitas vezes, queria interná-lo num hospital psiquiátrico. Mesmo com o trabalho noturno Chico era um bom aluno e foi na escola que surgiram as primeiras manifestações da psicografia, quando recebeu uma menção honrosa por uma redação, dita segundo ele por um espírito.
Com a doença de sua irmã mais nova (Maria Xavier), que estava com a mente em desequilíbrio e os médicos não conseguiam curá-la ! Foi quando um casal espírita, José Hermínio Perácio e Carmem Perácio, realizou algumas sessões espíritas e ela ficou completamente curada. Dona Maria João de Deus (mãe de Chico) comunicou-se escrevendo através de Dona Carmem, dando conselhos à família.
Chico acompanhou todos os procedimentos e interessou-se pelo Espiritismo. Perácio explicou-lhe o que havia ocorrido com Maria e lhe apresentou dois livros de Allan Kardec: O Livro dos Espíritos e O Evangelho Segundo o Espiritismo. No dia 8 de julho de 1927, em uma reunião espírita, Dona Carmem Perácio ouviu um Espírito desencarnado dizendo-lhe para que aquele rapaz de apenas 17 anos tomasse o lápis e escrevesse. Chico obedeceu e um Amigo Espiritual lhe ditou 17 folhas de papel, as quais ele escreveu.
Em outra reunião, Dona Carmem viu um quadro mostrado pelos Espíritos. Do teto do Centro Luiz Gonzaga, estava \"chovendo livros\" sobre a cabeça de Chico. Somente mais tarde eles compreenderam que aquela imagem era para avisar da missão que Chico realizaria: a de escrever livros dos chamados \"mortos\". Chico Xavier iniciou então um intercâmbio com espíritos de todas as partes, para se aperfeiçoar na Doutrina dos Espíritos e desenvolver sua mediunidade. Em 1932, publicou o primeiro livro psicografado, Parnaso de Além-Túmulo, uma coletânea de 56 poesias ditadas por 14 nomes famosos no Brasil, com trabalhos que ele, como médium, nessa ocasião, recebeu de poetas já falecidos como Castro Alves, Olavo Bilac, Augusto dos Anjos e Artur Azevedo. Já contava, nessa ocasião, com a indispensável ajuda de Emmanuel, um Espírito, que um dia aparecendo para Chico disse que já o acompanhava há muito tempo, e indagou-lhe se estava resolvido a trabalhar na mediunidade com Jesus, recebendo mensagens dos espíritos desencarnados. Chico passou a chamar Emmanuel de \"instrutor espiritual que me orienta as faculdades mediúnicas\".
Ao longo de toda sua vida foram psicografados mais de 400 livros, obras de autores nacionais e estrangeiros (por ele traduzidos) que abrangiam todos os setores da cultura humana: poesia, romances, filosofia, ciências e principalmente espiritualidade e paz. Chico afirma com resignação e humildade: \"Não sou o autor dos livros. Os autores são os espíritos amigos\". Os direitos autorais dos livros - sempre de grande tiragem e publicidade em inglês, espanhol, francês, japonês, esperanto e outros idiomas - são cedidos às editoras espíritas e organizações assistenciais.
Sempre trabalhando para a sua sobrevivência, como operário, balconista e escriturário do Ministério da Agricultura. Chico dedicou todas suas horas livres aos outros. Passava a tarde e a noite inteiras a receber pessoas, a dar a cada uma delas uma palavra de consolo, depois que se aposentou. Sob a orientação de seus benfeitores espirituais, Chico Xavier transferiu-se em 1959 para Uberaba, no triângulo mineiro, por motivo de saúde (ele era portador de angina, problemas respiratórios graves e deficiência visual), passando a atender na Comunhão Espírita Cristã.
Aos sábados, Chico peregrinava pelos bairros pobres da cidade, para levar conforto e carinho aos lares mais carentes. Uma de suas psicografias aconteceu em 1979: o juiz aceitou o testemunho da vítima assassinada, que se pronunciou através de Chico Xavier, inocentando o réu e afirmando que tudo não passou de um acidente.
Foi a primeira vez na história do país que um documento espírita resolveu um caso jurídico. O médium, no entanto, sempre se declarou apenas um instrumento dos espíritos. Com fundamento na grande obra assistencial, pela sua extraordinária capacidade de amar, e pela vasta contribuição literária em favor da Paz e da espiritualização dos seres humanos, desenvolvida pelo médium, é que, em 1981, o deputado Freitas Nobre e o diretor de televisão Augusto Cezar Vanucci, encaminharam vasta documentação ao Instituto Nobel, na Suécia, para justificar uma indicação de Chico Xavier ao Prêmio Nobel da Paz. Nesta época, as entidades ajudadas por suas campanhas beneficentes e rendas autorais chegavam a duas mil. Sua indicação ao comitê para o prêmio Nobel da Paz foi acompanhada de 30 milhões de assinaturas do povo brasileiro.
São inúmeros hospitais psiquiátricos e casas de saúde orientadas pelas obras de André Luiz. As vítimas do \"fogo selvagem\" foram beneficiadas com a construção e manutenção do Hospital de Pênfigo, com a casa transitória da Federação Espírita do Estado de São Paulo, destinadas a velhos desamparados, a recuperação de adultos e ao auxílio de crianças carentes. Chico Xavier também atuou na recuperação de criminosos. Foram organizados grupos de voluntários para orientar os detentos condenados a penas longas, com o objetivo de preparar o seu retorno ao seio familiar.
A própria vida de Chico Xavier foi o maior testemunho de fraternidade que se conhece, eis que acolheu em seu imenso e puro coração religiosos e ateus, lenitivando-lhes, sem indagar-lhes a procedência, as aflições de que sejam portadores, enxugando-lhes as lágrimas, reanimando-lhes os corações, soerguendo-lhes as almas abatidas pelo desalento. \"Que homem é este que: doente, deu saúde a um incontável número de pessoas; pobre de bens materiais, consolou numerosos ricos; rico de bens espirituais, jamais esqueceu os pobres; sem poder humano, orientou e consolou poderosos; sem dinheiro, enriqueceu o século em que nasceu.
Que homem é este que, apesar dos sofrimentos que experimentou em toda a vida, ainda consegue: sorrir além do cansaço; servir apesar das doenças; sofrer sem reclamar; fazer o bem aos que lhe fazem o mal; orar pelos que o perseguem e caluniam; ajudar desinteressadamente; conversar com os animais; amar todos os seres. Seu nome é Chico, Chico Xavier, a paz que todo mundo quer. Francisco Cândido Xavier escolheu sabiamente o dia da sua morte.
Um dia em que o País transbordava de alegria, pois os brasileiros comemoravam a conquista do Penta no futebol. Era 30 de Julho de 2002 e o médium deitou-se às 19h20. Dez minutos depois o coração de um dos mais importantes homens do nosso tempo parou, serenamente, de bater.
Chico começa a estudar aos 7 anos, mesmo com muitas dificuldades financeiras para se manter nos estudos, ele e sua querida mamãe plantavam e vendiam legumes e verduras. Ele contava para Cidália e para seu pai as suas visões dos irmãos do arco-íris.
Aos 10 anos ele se entregava a sua primeira profissão na Companhia de Fiação e Tecelagem Cachoeira Grande, fazendo assim com que seu pai parasse de implicar com as suas visões que, por muitas vezes, queria interná-lo num hospital psiquiátrico. Mesmo com o trabalho noturno Chico era um bom aluno e foi na escola que surgiram as primeiras manifestações da psicografia, quando recebeu uma menção honrosa por uma redação, dita segundo ele por um espírito.
Com a doença de sua irmã mais nova (Maria Xavier), que estava com a mente em desequilíbrio e os médicos não conseguiam curá-la ! Foi quando um casal espírita, José Hermínio Perácio e Carmem Perácio, realizou algumas sessões espíritas e ela ficou completamente curada. Dona Maria João de Deus (mãe de Chico) comunicou-se escrevendo através de Dona Carmem, dando conselhos à família.
Chico acompanhou todos os procedimentos e interessou-se pelo Espiritismo. Perácio explicou-lhe o que havia ocorrido com Maria e lhe apresentou dois livros de Allan Kardec: O Livro dos Espíritos e O Evangelho Segundo o Espiritismo. No dia 8 de julho de 1927, em uma reunião espírita, Dona Carmem Perácio ouviu um Espírito desencarnado dizendo-lhe para que aquele rapaz de apenas 17 anos tomasse o lápis e escrevesse. Chico obedeceu e um Amigo Espiritual lhe ditou 17 folhas de papel, as quais ele escreveu.
Em outra reunião, Dona Carmem viu um quadro mostrado pelos Espíritos. Do teto do Centro Luiz Gonzaga, estava \"chovendo livros\" sobre a cabeça de Chico. Somente mais tarde eles compreenderam que aquela imagem era para avisar da missão que Chico realizaria: a de escrever livros dos chamados \"mortos\". Chico Xavier iniciou então um intercâmbio com espíritos de todas as partes, para se aperfeiçoar na Doutrina dos Espíritos e desenvolver sua mediunidade. Em 1932, publicou o primeiro livro psicografado, Parnaso de Além-Túmulo, uma coletânea de 56 poesias ditadas por 14 nomes famosos no Brasil, com trabalhos que ele, como médium, nessa ocasião, recebeu de poetas já falecidos como Castro Alves, Olavo Bilac, Augusto dos Anjos e Artur Azevedo. Já contava, nessa ocasião, com a indispensável ajuda de Emmanuel, um Espírito, que um dia aparecendo para Chico disse que já o acompanhava há muito tempo, e indagou-lhe se estava resolvido a trabalhar na mediunidade com Jesus, recebendo mensagens dos espíritos desencarnados. Chico passou a chamar Emmanuel de \"instrutor espiritual que me orienta as faculdades mediúnicas\".
Ao longo de toda sua vida foram psicografados mais de 400 livros, obras de autores nacionais e estrangeiros (por ele traduzidos) que abrangiam todos os setores da cultura humana: poesia, romances, filosofia, ciências e principalmente espiritualidade e paz. Chico afirma com resignação e humildade: \"Não sou o autor dos livros. Os autores são os espíritos amigos\". Os direitos autorais dos livros - sempre de grande tiragem e publicidade em inglês, espanhol, francês, japonês, esperanto e outros idiomas - são cedidos às editoras espíritas e organizações assistenciais.
Sempre trabalhando para a sua sobrevivência, como operário, balconista e escriturário do Ministério da Agricultura. Chico dedicou todas suas horas livres aos outros. Passava a tarde e a noite inteiras a receber pessoas, a dar a cada uma delas uma palavra de consolo, depois que se aposentou. Sob a orientação de seus benfeitores espirituais, Chico Xavier transferiu-se em 1959 para Uberaba, no triângulo mineiro, por motivo de saúde (ele era portador de angina, problemas respiratórios graves e deficiência visual), passando a atender na Comunhão Espírita Cristã.
Aos sábados, Chico peregrinava pelos bairros pobres da cidade, para levar conforto e carinho aos lares mais carentes. Uma de suas psicografias aconteceu em 1979: o juiz aceitou o testemunho da vítima assassinada, que se pronunciou através de Chico Xavier, inocentando o réu e afirmando que tudo não passou de um acidente.
Foi a primeira vez na história do país que um documento espírita resolveu um caso jurídico. O médium, no entanto, sempre se declarou apenas um instrumento dos espíritos. Com fundamento na grande obra assistencial, pela sua extraordinária capacidade de amar, e pela vasta contribuição literária em favor da Paz e da espiritualização dos seres humanos, desenvolvida pelo médium, é que, em 1981, o deputado Freitas Nobre e o diretor de televisão Augusto Cezar Vanucci, encaminharam vasta documentação ao Instituto Nobel, na Suécia, para justificar uma indicação de Chico Xavier ao Prêmio Nobel da Paz. Nesta época, as entidades ajudadas por suas campanhas beneficentes e rendas autorais chegavam a duas mil. Sua indicação ao comitê para o prêmio Nobel da Paz foi acompanhada de 30 milhões de assinaturas do povo brasileiro.
São inúmeros hospitais psiquiátricos e casas de saúde orientadas pelas obras de André Luiz. As vítimas do \"fogo selvagem\" foram beneficiadas com a construção e manutenção do Hospital de Pênfigo, com a casa transitória da Federação Espírita do Estado de São Paulo, destinadas a velhos desamparados, a recuperação de adultos e ao auxílio de crianças carentes. Chico Xavier também atuou na recuperação de criminosos. Foram organizados grupos de voluntários para orientar os detentos condenados a penas longas, com o objetivo de preparar o seu retorno ao seio familiar.
A própria vida de Chico Xavier foi o maior testemunho de fraternidade que se conhece, eis que acolheu em seu imenso e puro coração religiosos e ateus, lenitivando-lhes, sem indagar-lhes a procedência, as aflições de que sejam portadores, enxugando-lhes as lágrimas, reanimando-lhes os corações, soerguendo-lhes as almas abatidas pelo desalento. \"Que homem é este que: doente, deu saúde a um incontável número de pessoas; pobre de bens materiais, consolou numerosos ricos; rico de bens espirituais, jamais esqueceu os pobres; sem poder humano, orientou e consolou poderosos; sem dinheiro, enriqueceu o século em que nasceu.
Que homem é este que, apesar dos sofrimentos que experimentou em toda a vida, ainda consegue: sorrir além do cansaço; servir apesar das doenças; sofrer sem reclamar; fazer o bem aos que lhe fazem o mal; orar pelos que o perseguem e caluniam; ajudar desinteressadamente; conversar com os animais; amar todos os seres. Seu nome é Chico, Chico Xavier, a paz que todo mundo quer. Francisco Cândido Xavier escolheu sabiamente o dia da sua morte.
Um dia em que o País transbordava de alegria, pois os brasileiros comemoravam a conquista do Penta no futebol. Era 30 de Julho de 2002 e o médium deitou-se às 19h20. Dez minutos depois o coração de um dos mais importantes homens do nosso tempo parou, serenamente, de bater.
Vemos que a paz suscita caminhos e
interpretações dentre seus maiores exemplos ou homens e mulheres que viram na
paz o motivo de suas vidas e esforços, todos precisamos de paz para viver,
dormir e sonhar, e despertar no novo dia para se esforçar novamente pelo bem de
todos e do Universo.
Falamos
agora do Zeitgeist e assim vamos mais longe no comportamento, seguindo a
seguinte fórmula:
EMBRIOLOGIA
+ NASCIMENTO + DESENVOLVIMENTO = ZEITGEIST (clima cultural e intelectual da
época).
Certamente estamos indo mais adiante
no comportamento, pois o Zeitgeist não obedece exclusivamente às leis do
condicionamento, da equivalência de estímulos ou dos quadros relacionais, ou
seja, vai mais além e ultrapassa-as
seguindo adiante para o clima cultural e intelectual que se tornam função da
história de vida ou da embriologia, do nascimento e do desenvolvimento de cada
um de nós.
A
incapacidade de transcender advinda das guerras, crimes e violências dos
eventos que repercutem
falta de paz em nosso interior e em nossas sociedades estão ligados as
deficiências em nossos trabalhos, ofícios e profissões, como no que geram como
a economia e a globalização da economia, da tecnologia, da informação, do
consumo e da liberdade, inclusive diante dos nossos caminhos e das nossas
trincheiras e nas descobertas ligadas ao
Zeitgeist que é o clima cultural e intelectual de uma época, à incapacidade de satisfazer nossas
necessidades e de nos adaptarmos, fazendo dos nossos rituais de iniciação e de
passagem verdadeiros fracassos e frustrações que daí nos tornamos destrutivos e
auto-destrutivos com problemas adaptativos em aceitar as diferenças, a
liberdade e a capacidade de criação e independência com privacidade e
autonomia, livre-arbítrio, naturalidade e simplicidade, trabalho e percepção
objetiva da realidade impulsionando as experiências místicas e culminantes,
êxtase e deleite intensos, afeição e empatia para com a humanidade, resistência
ao conformismo e um elevado grau de interesse social numa relação destrutiva
com a Trajetória da Vida e dos Heróis e nos vencendo as capacidades nossos
Monstros . Não aceitar e não saber lidar com o luto no trabalho, com as perdas,
com as dívidas e com as conseqüências pós-morte da globalização, através dos
nossos rituais e de nossos Monstros, como o luto ligado a economia (parar de
gastar ou se fechar e economizar), a tecnologia (se abrir ou se fechar as
tecnologias), ao consumo (se abrir ou se trancar ao consumo) e ao da informação
(se isolar ou se abrir para o mundo de relações e informações) é problema
adaptativo oriundo dos processos do consolo da singular dificuldade em se
aceitar e às suas necessidades, sejam fisiológicas (comida, água, sexo, sono e
ar), de garantia (segurança, estabilidade, ordem, proteção e libertação do medo
e da ansiedade), de pertinência e de amor, de estima dos outros e de si mesmo,
e de auto-realização. A cada necessidade mal elaborada pelo sujeito e pela
sociedade aparece a indecência reorganizada e transformada em decência através
da convivência, da paz e do amor, da naturalidade e simplicidade, do trabalho
(como dos profissionais da saúde, educação, política, artes, etc.), da
percepção objetiva da realidade, da afeição e da empatia por toda a humanidade,
a decência é aqui ritualizada na Trajetória da Vida e dos Heróis. Assim o consolo e o luto vão
sendo organizados e reorganizados através da indecência e da decência que
permite ao sujeito convivência, paz, amor, naturalidade, simplicidade,
trabalho, objetividade, afeição, empatia pela humanidade, ou seja, um retorno a
vida saudável e assim à auto-realização. Assim lidamos com o consolo, o luto,
(a terminalidade) e a adaptação, e agora também com a memória, a economia e a
globalização através de ritos e de nossos Heróis. A adaptação que é memória
pois não existe memória mas sim somente adaptação, isto evoca a transcendência,
trabalho, economia, e globalização. Assim lidamos com o sofrimento das guerras
e buscamos paz e contentamento para superar nossos erros e fracassos humanos e
pessoais, nossas tragédias existenciais para sempre lembradas em processos
adaptativos mas que não sei porque teimamos em alguns períodos da história
esquecer, em começar outras guerras e depois lamentar e começar a chorar e a
pedir desculpas não sei por quê, a história sempre revela que toda guerra
poderia ter sido evitada, a Educação tudo resolve!
Não aceitar as diferenças no trabalho, na
economia, inclusive diante dos nossos caminhos e das nossas trincheiras e
nas descobertas ligadas ao Zeitgeist que
é o clima cultural e intelectual de uma época, não tolerar erros se necessário, e na
globalização ou seja, nossos Monstros é cortar uma das veias do coração humano e
deixar sangrar até o morte das diferenças ou Monstros, é dar um tiro num
animal, seja perigoso ou não, depende de como o entendemos e de como lidamos em
relação a ele e a nós mesmos, com ou sem segurança e o porquê dessa atitude
segura ou destrutiva, amável ou hostil? Saber lidar com as diferenças ou
Monstros é aceitar a liberdade e a individualidade e sua capacidade de criação
e independência com privacidade e autonomia, livre-arbítrio, agindo com
naturalidade e simplicidade, e tendo capacidade para algum tipo de trabalho com
uma percepção objetiva da realidade levando-o a experiências místicas e
culminantes, êxtase e deleite intensos, com afeição e empatia pela humanidade,
apresentando resistência ao conformismo e alto grau de interesse social. Saber
lidar com os nossos Monstros nos ajuda a lidar com a Trajetória dos Heróis,
ela:
1.
A concepção e o herói
2.
O chamado pode ser recusado
3.
As forças se unem para o bem-aventurado
4.
A travessia: se consumir
5.
Ser engolido e consumido
6.
O caminho obtuso
7.
O encontro com a deusa
8.
A mulher como tentação
9.
A relação com o pai
10.
A apoteose
11.
A última graça
12.
A difícil volta
13.
A magia nas decisões
14.
O resgate sobrenatural
15.
Os limites da volta
16.
Agora são dois mundos
17.
E a liberdade para se viver e ensinar a
viver
No
final da Trajetória dos Heróis alcançamos nossa Liberdade.
Não aceitar e não saber lidar com as
diferenças ou Monstros, inclusive diante dos nossos caminhos e das nossas
trincheiras e nas descobertas ligadas ao
Zeitgeist que é o clima cultural e intelectual de uma época, é não aceitar e não lidar com nossas próprias
necessidades e liberdades, sejam fisiológicas (comida, água, sexo, sono e ar),
de garantia (segurança, estabilidade, ordem, proteção e libertação do medo e da
ansiedade), de pertinência e de amor, de estima dos outros e de si mesmo, e de
auto-realização.
A auto-realização é a plena Educação. A
auto-realização é saber o que você mesmo pensa, sente, fala, mostra, ouve, vê e
faz, é ser Educado para os rituais e pelos rituais de iniciação e de passagem
para a Trajetória da Vida, dos Monstros e dos Heróis.
Quando falamos de auto-atualização também
falamos de adaptação e assim de transcendência e de memória e meios de lidar
com regras e rituais ligados a miséria como a caridade e o trabalho, o lucro, a
exploração, o abuso, a violência, o controle, o mercado, as guerras, os
conflitos, os horrores, as tragédias, as brigas, as perdas, os crimes, etc.,
para evocar a Educação e o Amor Fraterno de Deus e assim nosso sentimento de
renascimento. A Educação prepara o indivíduo para o trabalho e para a economia
e a globalização, inclusive diante dos nossos caminhos e das nossas trincheiras
e para as descobertas ligadas ao
Zeitgeist que é o clima cultural e intelectual de uma época. A Educação prepara
o indivíduo para a Trajetória da Vida, dos Monstros e dos Heróis, pois nascemos
num mundo já Educado ou que já existe com modelos de Educação que serão
internalizados.
Então
podemos dizer que pela Educação chegamos ao conhecimento da Adaptação e assim
ao um poder haver o Apocalipse Universal com o fim do Universo , da vida e dos
Saberes e das Ciências através do Teoria do Descontrutivismo Físico
Mattanoniano, mas através do Construtivismo Físico Mattanoniano continuará
havendo o Universo e a vida, as Ciências e ao Saberes pois não haverá os outros
¨big-bangs¨ ou ação de Deus ou do Homem através da Oração e de Deus e da Fé ou
mesmo através da Ciência e da Física pondo fim ao nosso Universo, e até o
Demônio poderia arruinar o Universo e a Vida e aos Saberes e a Ciência e também
a si mesmo se afundando e deixando de exercer valor e influência e até mesmo
deixando de existir através desses princípios teóricos e Bíblicos que por sinal
fazem parte do nosso tempo e da minha vida. Através da Adaptação tudo pode ser
transformado e/ou mudado, começado, terminado ou re-começado como exemplo, o
Universo, o Apocalipse Universal!
Precisamos
incentivar o processo produtivo de descobrir e se descobrir naturalmente e
socialmente, inclusive diante dos nossos caminhos e das nossas trincheiras e nas descobertas ligadas ao Zeitgeist que é o
clima cultural e intelectual de uma época, devemos nos entregar aos processos positivos
que nos formaram, nossa hipercomplexificação cerebral e adaptação morfológica,
fisiológica e comportamental, frutos das descobertas e do trabalho, da economia
e até dos fenômenos associados a globalização de nossos antepassados e de suas
relações sociais que marcaram a História da Humanidade e da Civilização.
Amanhã
seremos os mesmos antepassados que os nossos antepassados são e foram para nós
hoje e agora, se descobrir é preciso! A Evolução não tem pressa! Não precisamos
sonhar com a pobreza e nem com a fartura, pois se descobrir é aprender a viver!
Não precisamos sonhar com a civilização se reconhecermos a nossa civilização!
Eu escrevo: já temos uma civilização, somos uma Humanidade crescente!
O
Homem Trabalha e Economiza para satisfazer suas necessidades, sejam
fisiológicas (comida, água, sexo, sono e ar), de garantia (segurança,
estabilidade, ordem, proteção e libertação do medo e da ansiedade), de
pertinência e de amor, de estima dos outros e de si mesmo, e de auto-realização
através de ritos para sua Educação já pronta e para se fazer durante sua
Trajetória da Vida, dos Monstros e dos Heróis.
O
Homem busca sua auto-realização (a Liberdade para Se Viver e Ensinar a Viver)
satisfazendo suas necessidades anteriores, elas, fisiológicas (a Concepção e o
Herói), de garantia (as Forças se Unem para o Bem-aventurado), de pertinência e
de amor (o Encontro com a Deusa), de estima dos outros e de si mesmo (a
Apoteose), e de auto-realização (a Liberdade para Se Viver e Ensinar a Viver),
inclusive diante dos nossos caminhos e das nossas trincheiras e diante das descobertas ligadas ao Zeitgeist que é o
clima cultural e intelectual de uma época,.
Se descobrir é descobrir-se em meio a rituais
de iniciação e de passagem
durante a Trajetória da
Vida, dos Monstros e dos Heróis chegando ou não a liberdade para se viver e
ensinar a viver, inclusive diante dos nossos caminhos e das nossas trincheiras
e diante das descobertas ligadas ao Zeitgeist que é o clima cultural e
intelectual de uma época.
Contudo
temos Osny Mattanó Júnior e sua Teoria Espiritualizada que se interessa pelo
normal e pelo anormal, pelo pecado e pelo patológico, que prega que não há
descontinuidade na vida mental, que existem 3 leis para o inconsciente: o
niilismo, o condensamento e o deslocamento, e que assim a resposta existe,
mesmo que seja niilista e que suas causalidades são provocadas por intenção ou
por desejo da pessoa. A maior parte do funcionamento mental da pessoa se passa
fora da consciência. A atividade mental inconsciente desempenha um papel
fundamental na produção das causalidades, inclusive diante dos nossos caminhos
e das nossas trincheiras.
Sobre a energia vital, ela, passa
agora a ser a comunhão e não a libido, a comunhão tem um papel maior do que a
libido na Trajetória da Vida, dos Monstros, dos Heróis e dos Escravos, na
história de vida e nos contextos, porém a libido também permanece como catexia.
A quantidade de catexia que se liga
ou se dirige a representação mental da pessoa ou coisa depende do desejo, do
investimento.
Catexizamos lembranças, pensamentos
e fantasias do objeto – após termos pensado pela primeira vez segundo os
impulsos do id teremos lembranças, pensamentos e fantasias como as conhecemos.
O refluxo permite e independência, e
a regressão é o retorno a uma instância de gratificação mais remota.
O funcionamento psíquico ocorre de
duas maneiras: os processos primários e os processos secundários. Nos processos
primários há a descarga da catexia e nos processos secundários há a capacidade
de retardar a descarga da energia psíquica. A passagem do primário para o
secundário é gradual e assim vai se formando o ego do sujeito para a vida toda.
Falamos aqui de um novo modelo de
energia psíquica construído a partir da comunhão que se torna mais forte do que
a libido na vida e na representação das pessoas, pois existe um sentimento
universal de comunhão partilhado, permanente, diariamente em encontros e
estados de consciência e de solidão, como em cerimônias, hábitos, tradições, discursos,
ritos, mitos, programas de mass mídia, igrejas, fenômenos, celebridades e
autoridades que constantemente fazem alusão à comunhão, a partilha, a acolhida,
a paz, a misericórdia, ao perdão, ao amor e a Deus.
Percebemos que até certa altura da
vida gostamos de falar e de praticar sexo, mas com o tempo as coisas vão
mudando e mudamos, percebemos que gostamos de falar a praticar a comunhão desde
o nascimento e com o tempo muito dificilmente a situação muda, ou seja,
dificilmente deixamos de praticar a comunhão até a morte! Isto acontece, a
comunhão, em todos os ambientes, mas o sexo não flui em todos os ambientes e
situações como em igreja e relações com o crime, ou em locais públicos, a não
ser que te violentam e te forcem cruelmente ou te estuprem! Existe crime no
sexo, mas não existe crime na verdadeira comunhão!
A
EMBRIOLOGIA + O NASCIMENTO + O DESENVOLVIMENTO (DE JESUS CRISTO) = ZEITGEIST
(clima cultural e intelectual da época de Jesus Cristo que permanece para
sempre progressivamente).
Se
descobrir é descobrir-se efetuando e reciclando-se em rituais de iniciação e de
passagem e poder trabalhar, ter economia, bens e mercadorias, viver o
consumismo de forma saudável e hoje, viver e poder usufruir da globalização e
dos seus direitos, deveres, obrigações e privilégios, inclusive aos da
cidadania e da Justiça, que devem estar pautados na Vida e na Paz e na promoção
da Justiça Social para que possamos alcançar a Liberdade para Se Viver e
Ensinar a Viver, inclusive diante do Zeitgeist, como forma de desfrutarmos e
vivermos aprendendo com o processo de auto-realização!
É
através da Liberdade para Se Viver e Ensinar a Viver que o Zeitgeist, que é o
clima cultural e intelectual da época, torna-se libertador e o indivíduo pode
viver e ensinar a liberdade, seja através do inconsciente, das contingências,
dos arquétipos, da escola, das relações sociais, da aprendizagem, da
auto-atualização, da auto-realização, da gestalt, da superioridade, da
institucionalização, do trabalho, etc. É o Zeitgeist o responsável tanto pelo
clima de paz como pelo clima de violência e de guerra, o ser humano apenas faz
a gestão desses fenômenos. Covardia ou humanidade depende do Zeitgeist que
paulatinamente modelará a mente e o comportamento de cada indivíduo, tornando-o
mero reprodutor de seu meio ambiente. Os caminhos ou as trincheiras serão
consequência do Zeitgeist, ou seja, do clima cultural e intelectual da época,
porém também da espiritualidade quando nos referirmos aos caminhos traçados por
Deus e por Nossa Senhora, assim sendo falamos do Zeitgeist Espiritual.
Osny
Mattanó Júnior
Londrina,
15 de dezembro de 2016.
3. Psicologia
da Personalidade
Os caminhos se abrem para aqueles
que caminham e se fecham para aqueles que param. Quando paramos abrimos
trincheiras e começamos nossas guerras com nossas armas para lutar, matar e
destruir, dominar e tirar ou privar a liberdade do outro e até mesmo a sua,
enquanto caminhamos temos liberdade para se viver e ensinar a viver, não temos
tempo para cavar trincheiras e nem para guerras. Só o caminho ensina o amor, a
vida e a liberdade. As trincheiras ensinam lições perdidas pelo ódio e pela
morte, e pelas prisões.
Não conseguimos dar alcance para
nossas mãos se estivermos em trincheiras mas se estivermos caminhando elas irão
mais longe e alcançarão o próximo, levando esperança, conforto, amizade, amor e
uma nova aurora.
Memorial dos Pacifistas

DALAI LAMA
\"SEM PAZ DE ESPÍRITO É
IMPOSSÍVEL PAZ NO MUNDO\"
Dalai-Lama Tenzin Gyatso é o atual líder religioso do Tibete. Os tibetanos preferem chamá-lo simplesmente de Kundum, a Presença. Vive no exílio e combate a ocupação chinesa de sua nação sem abandonar seus princípios religiosos e opiniões ponderadas. Filho de camponeses, nasceu em 6 de julho de 1935, na aldeia de Takster, com o nome de Lhamo Thondup. Com dois anos de idade, foi reconhecido como a reencarnação do 13º Dalai Lama (Avalokitesvara); sendo, então, o 14º Dalai Lama, o Buda da compaixão.
A história do primeiro contato com o novo Dalai Lama é magnífica. Quem se aproximou da humilde residência foi o monge mais importante do grupo e amigo íntimo do 13º Dalai Lama. Ele estava vestido de mendigo e trazia ao pescoço, por baixo das vestes, o terço do 13º Dalai Lama. Foi recebido à porta por uma mulher segurando uma criança e pediu comida. A criança, então, segurou a roupa do homem e perguntou: \"Se lembra de mim?\". Em seguida, estendeu as mãos para o pescoço dele e puxou seu terço, dizendo: \"Isto é meu.
Por que está usando?\" Emocionado, o Lama abraçou a criança sem que a mãe entendesse o que estava acontecendo. Algumas semanas depois, os lamas retornaram a casa e colocaram uma série de objetos diante da criança, alguns pertencentes ao 13º Kundun e outras réplicas mais bem trabalhadas. Sem hesitar, a criança pegou exatamente os objetos do Dalai Lama e todos tiveram a certeza de que a grande alma havia renascido. O Dalai Lama foi entronizado em 1940 e iniciou sua educação com 6 anos, tendo como tutor Ling Rinpoche, seu melhor amigo e professor até a morte, em 1983, em Dharamsala. Os ensinamentos ao Dalai Lama envolveram disciplinas como lógica, arte e cultura tibetanas, sânscrito, medicina, cosmologia, poesia, música, teatro e filosofia.
Em 1959, aos 25 anos, ele obteve o título de Geshe Lharampa, doutorado em filosofia budista. Seus últimos oito anos de estudos tiveram de ser divididos com a política, já que com apenas 16 anos o jovem Kundun foi obrigado a assumir plenamente suas funções ante a invasão chinesa ao Tibete. Já em 1954, ele encontrava-se com Mao Tsé-Tung, Chou En-Lai e Den Xiaoping, na China, com o objetivo de buscar uma solução para seu país.
Em 1963, o Dalai Lama promulgou uma constituição democrática baseada nos princípios budistas e na Declaração Universal dos Direitos Humanos. Sua intenção é que o documento sirva como base para a sociedade tibetana quando esta reconquistar sua liberdade.
Em 1967, Sua Santidade iniciou uma série de viagens por diversos países em busca de auxílio. Sua atuação mundial lhe deu o Prêmio Nobel da Paz, em 1989. Além do que - como o Comitê do Prêmio Nobel fez questão de realçar - sua luta pela libertação do Tibete sempre se baseou na busca de soluções pacíficas alicerçadas na tolerância e no respeito mútuo. \"O prêmio\", disse ele na época, \"reafirma nossa convicção de que, usando a verdade, a coragem e a determinação como armas, o Tibete será libertado. Nossa luta deve continuar sem violência e livre de ódios.\" Ainda hoje ele continua negociando com a China a posse do seu território, além de outras pretensões, tais como: acabar com a transferência de chineses para o Tibete, respeitar os direitos dos tibetanos, abandonar a produção de armas nucleares no local, negociar sobre a instauração de um governo democrático e transformar seu território numa região de Paz. Em 1989, recebeu o Prêmio Nobel da Paz.
Em 1992, Dalai-Lama visitou o Brasil durante a Eco-92. Em 1999, voltou ao Brasil para participar do seminário \"Valores Humanos e sua prática na vida cotidiana\", em Curitiba. Também esteve em Brasília participando do encontro inter-religioso \"Colóquio pela Paz e Renovação da Esperança\". Pensamentos de Dalai-Lama: \"Meu apelo por uma revolução espiritual não é um apelo por uma revolução religiosa. Considero que a espiritualidade esteja relacionada com aquelas qualidades do espírito humano - tais como, amor e compaixão, paciência, tolerância, capacidade de perdoar, contentamento, noção de responsabilidade, noção de harmonia - que trazem felicidade tanto para a própria pessoa, quanto para os outros\".
Dalai-Lama Tenzin Gyatso é o atual líder religioso do Tibete. Os tibetanos preferem chamá-lo simplesmente de Kundum, a Presença. Vive no exílio e combate a ocupação chinesa de sua nação sem abandonar seus princípios religiosos e opiniões ponderadas. Filho de camponeses, nasceu em 6 de julho de 1935, na aldeia de Takster, com o nome de Lhamo Thondup. Com dois anos de idade, foi reconhecido como a reencarnação do 13º Dalai Lama (Avalokitesvara); sendo, então, o 14º Dalai Lama, o Buda da compaixão.
A história do primeiro contato com o novo Dalai Lama é magnífica. Quem se aproximou da humilde residência foi o monge mais importante do grupo e amigo íntimo do 13º Dalai Lama. Ele estava vestido de mendigo e trazia ao pescoço, por baixo das vestes, o terço do 13º Dalai Lama. Foi recebido à porta por uma mulher segurando uma criança e pediu comida. A criança, então, segurou a roupa do homem e perguntou: \"Se lembra de mim?\". Em seguida, estendeu as mãos para o pescoço dele e puxou seu terço, dizendo: \"Isto é meu.
Por que está usando?\" Emocionado, o Lama abraçou a criança sem que a mãe entendesse o que estava acontecendo. Algumas semanas depois, os lamas retornaram a casa e colocaram uma série de objetos diante da criança, alguns pertencentes ao 13º Kundun e outras réplicas mais bem trabalhadas. Sem hesitar, a criança pegou exatamente os objetos do Dalai Lama e todos tiveram a certeza de que a grande alma havia renascido. O Dalai Lama foi entronizado em 1940 e iniciou sua educação com 6 anos, tendo como tutor Ling Rinpoche, seu melhor amigo e professor até a morte, em 1983, em Dharamsala. Os ensinamentos ao Dalai Lama envolveram disciplinas como lógica, arte e cultura tibetanas, sânscrito, medicina, cosmologia, poesia, música, teatro e filosofia.
Em 1959, aos 25 anos, ele obteve o título de Geshe Lharampa, doutorado em filosofia budista. Seus últimos oito anos de estudos tiveram de ser divididos com a política, já que com apenas 16 anos o jovem Kundun foi obrigado a assumir plenamente suas funções ante a invasão chinesa ao Tibete. Já em 1954, ele encontrava-se com Mao Tsé-Tung, Chou En-Lai e Den Xiaoping, na China, com o objetivo de buscar uma solução para seu país.
Em 1963, o Dalai Lama promulgou uma constituição democrática baseada nos princípios budistas e na Declaração Universal dos Direitos Humanos. Sua intenção é que o documento sirva como base para a sociedade tibetana quando esta reconquistar sua liberdade.
Em 1967, Sua Santidade iniciou uma série de viagens por diversos países em busca de auxílio. Sua atuação mundial lhe deu o Prêmio Nobel da Paz, em 1989. Além do que - como o Comitê do Prêmio Nobel fez questão de realçar - sua luta pela libertação do Tibete sempre se baseou na busca de soluções pacíficas alicerçadas na tolerância e no respeito mútuo. \"O prêmio\", disse ele na época, \"reafirma nossa convicção de que, usando a verdade, a coragem e a determinação como armas, o Tibete será libertado. Nossa luta deve continuar sem violência e livre de ódios.\" Ainda hoje ele continua negociando com a China a posse do seu território, além de outras pretensões, tais como: acabar com a transferência de chineses para o Tibete, respeitar os direitos dos tibetanos, abandonar a produção de armas nucleares no local, negociar sobre a instauração de um governo democrático e transformar seu território numa região de Paz. Em 1989, recebeu o Prêmio Nobel da Paz.
Em 1992, Dalai-Lama visitou o Brasil durante a Eco-92. Em 1999, voltou ao Brasil para participar do seminário \"Valores Humanos e sua prática na vida cotidiana\", em Curitiba. Também esteve em Brasília participando do encontro inter-religioso \"Colóquio pela Paz e Renovação da Esperança\". Pensamentos de Dalai-Lama: \"Meu apelo por uma revolução espiritual não é um apelo por uma revolução religiosa. Considero que a espiritualidade esteja relacionada com aquelas qualidades do espírito humano - tais como, amor e compaixão, paciência, tolerância, capacidade de perdoar, contentamento, noção de responsabilidade, noção de harmonia - que trazem felicidade tanto para a própria pessoa, quanto para os outros\".

ALBERT SCHWEITZER
\\\"A PAZ NÃO É INÉRCIA, É O
TRABALHO CORAJOSO QUE FAZ NASCER A SOLIDARIEDADE NO INTERIOR DO HOMEM\\\"
O Professor Albert Schweitzer (1875- 1965), ganhador do Prêmio Nobel da Paz de 1952, músico, filósofo, teólogo, médico e missionário, foi um dos precursores da Bioética. Um dos maiores intérpretes de Bach, Albert Schweitzer foi também seu maior biógrafo. Com um talento que remontava à passada geração dos Schweitzer, fora aclamado como o grande concertista da Europa dos primeiros anos do século. Premiado como intérprete e como profundo conhecedor de órgãos Schweitzer testemunhara sua fama espalhar-se rapidamente.
Um dia, como que atingido por um raio, soube da extrema necessidade de missionários no Congo Francês, o Gabão, na África. E descobriu que o perfil ideal de um missionário para o Gabão era aquele que tivesse conhecimentos de medicina. Daquele dia em diante, sua vida mudou. E muito radicalmente. Iniciou o Curso de Medicina, concluído seis anos depois, e ainda fez uma especialização de dois anos em doenças tropicais.
A todos a quem mencionava sua aspiração de deixar a Europa por um vilarejo primitivo nos rincões africanos, era saudado com zombaria ou com piedosa compaixão. Alguns achavam mais racional que ele custeasse alguém que fosse se embrenhar nas selvas do Gabão, enquanto ele continuaria sua trajetória de vitórias e conquistas. Como alguém deixaria ao lado todos aqueles anos em que havia se dedicado à música, aquela música que encantava os homens e os anjos, as sinfonias com que Bach enchera o mundo de divindade? Mas ele perseverou e perseguiu sua meta com tenacidade.
Depois de formado, colocara à venda todos os seus pertences, inclusive as medalhas, troféus e instrumentos musicais. Era o capital inicial de sua nobre missão: fundar um hospital em Labarené, África Equatorial Francesa (Gabão), onde construiu, nas margens do rio Ogové, um hospital para doenças tropicais e a clínica para leprosos Labarené, desenvolvendo uma intensa atividade médica e missionária. Um hospital muito rústico, de pau a pique, foi o maior salva-vidas da região e multidões de africanos acorriam a ele, esquecendo algumas vezes suas superstições e tradições tribais milenares e aceitando os anestésicos e a penicilina que lhes podia prolongar a vida e minimizar a dor. Depois Schweitzer construiu vários outros hospitais na África.
Nesse ínterim, a Europa fervilhava nas vésperas de uma grande guerra. Eram os anos finais da década de 30. Isolado do mundo, naquele lugar esquecido por todos, o jovem médico Albert Schweitzer fazia de tudo um pouco: era carpinteiro, pedreiro, professor, cozinheiro e médico. Enfrentando enfermidades, crendices e muita escassez de recursos materiais e humanos, coube a Schweitzer o desafio de triunfar sobre todas as dificuldades.
Terminada a guerra, uma ou duas vezes por ano ele retornava à Alemanha e à Inglaterra, onde com seus concertos amealhava os meios para uma nova ala ou enfermaria de seu hospital. O seu exemplo comovia a todos. No campo teológico, dedicou-se à investigação sobre a vida de Jesus.
Em 20 de outubro de 1952, proferiu uma conferência na Academia Francesa de Ciências (Paris), sobre \\\"O Problema da Ética na Evolução do Pensamento\\\". Nessa ocasião, lançou uma idéia que possivelmente viria a influenciar Potter na formulação de sua definição de Bioética, em conjunto com as idéias de Leopold. Potter citou várias vezes Schweitzer em seu livro Bioethics: Bridge to the future. As suas idéias estão presentes, igualmente, na formulação da proposta sobre Bioética Profunda, em 1998, por Potter. Uma citação dessa conferência proferida por Schweitzer pode muito bem ilustrar essa possibilidade: \\\"Uma ética que nos obrigue somente a preocupar-nos com os homens e a sociedade não pode ter esta significação.
Somente aquela que é universal e nos obriga a cuidar de todos os seres nos põe de verdade em contato com o Universo e a vontade nele manifestada\\\". Em 1953, Albert Schweitzer foi laureado com o Prêmio Nobel da Paz. E com o sacrifício de sua vida, demonstrou que é possível ter utopias e viver por elas e que a aridez do espírito humano se curva ante a pureza de intenção de uma alma nobre, ansiosa para servir ao próximo.
Ele foi, nas palavras de Nikos Kazantzakis, \\\"o São Francisco do nosso século\\\". E o seu exemplo foi maior que o seu tempo. Passados quase quarenta anos de seu falecimento, suas atitudes e ações formam um caminho nobre de um eu superior: ele nos via como \\\"as folhas e os ramos de uma mesma árvore, as estrelas de um mesmo céu\\\". Em seus textos de Labarené, sobressaem-se as digressões sobre o respeito pela vida.
O Professor Albert Schweitzer (1875- 1965), ganhador do Prêmio Nobel da Paz de 1952, músico, filósofo, teólogo, médico e missionário, foi um dos precursores da Bioética. Um dos maiores intérpretes de Bach, Albert Schweitzer foi também seu maior biógrafo. Com um talento que remontava à passada geração dos Schweitzer, fora aclamado como o grande concertista da Europa dos primeiros anos do século. Premiado como intérprete e como profundo conhecedor de órgãos Schweitzer testemunhara sua fama espalhar-se rapidamente.
Um dia, como que atingido por um raio, soube da extrema necessidade de missionários no Congo Francês, o Gabão, na África. E descobriu que o perfil ideal de um missionário para o Gabão era aquele que tivesse conhecimentos de medicina. Daquele dia em diante, sua vida mudou. E muito radicalmente. Iniciou o Curso de Medicina, concluído seis anos depois, e ainda fez uma especialização de dois anos em doenças tropicais.
A todos a quem mencionava sua aspiração de deixar a Europa por um vilarejo primitivo nos rincões africanos, era saudado com zombaria ou com piedosa compaixão. Alguns achavam mais racional que ele custeasse alguém que fosse se embrenhar nas selvas do Gabão, enquanto ele continuaria sua trajetória de vitórias e conquistas. Como alguém deixaria ao lado todos aqueles anos em que havia se dedicado à música, aquela música que encantava os homens e os anjos, as sinfonias com que Bach enchera o mundo de divindade? Mas ele perseverou e perseguiu sua meta com tenacidade.
Depois de formado, colocara à venda todos os seus pertences, inclusive as medalhas, troféus e instrumentos musicais. Era o capital inicial de sua nobre missão: fundar um hospital em Labarené, África Equatorial Francesa (Gabão), onde construiu, nas margens do rio Ogové, um hospital para doenças tropicais e a clínica para leprosos Labarené, desenvolvendo uma intensa atividade médica e missionária. Um hospital muito rústico, de pau a pique, foi o maior salva-vidas da região e multidões de africanos acorriam a ele, esquecendo algumas vezes suas superstições e tradições tribais milenares e aceitando os anestésicos e a penicilina que lhes podia prolongar a vida e minimizar a dor. Depois Schweitzer construiu vários outros hospitais na África.
Nesse ínterim, a Europa fervilhava nas vésperas de uma grande guerra. Eram os anos finais da década de 30. Isolado do mundo, naquele lugar esquecido por todos, o jovem médico Albert Schweitzer fazia de tudo um pouco: era carpinteiro, pedreiro, professor, cozinheiro e médico. Enfrentando enfermidades, crendices e muita escassez de recursos materiais e humanos, coube a Schweitzer o desafio de triunfar sobre todas as dificuldades.
Terminada a guerra, uma ou duas vezes por ano ele retornava à Alemanha e à Inglaterra, onde com seus concertos amealhava os meios para uma nova ala ou enfermaria de seu hospital. O seu exemplo comovia a todos. No campo teológico, dedicou-se à investigação sobre a vida de Jesus.
Em 20 de outubro de 1952, proferiu uma conferência na Academia Francesa de Ciências (Paris), sobre \\\"O Problema da Ética na Evolução do Pensamento\\\". Nessa ocasião, lançou uma idéia que possivelmente viria a influenciar Potter na formulação de sua definição de Bioética, em conjunto com as idéias de Leopold. Potter citou várias vezes Schweitzer em seu livro Bioethics: Bridge to the future. As suas idéias estão presentes, igualmente, na formulação da proposta sobre Bioética Profunda, em 1998, por Potter. Uma citação dessa conferência proferida por Schweitzer pode muito bem ilustrar essa possibilidade: \\\"Uma ética que nos obrigue somente a preocupar-nos com os homens e a sociedade não pode ter esta significação.
Somente aquela que é universal e nos obriga a cuidar de todos os seres nos põe de verdade em contato com o Universo e a vontade nele manifestada\\\". Em 1953, Albert Schweitzer foi laureado com o Prêmio Nobel da Paz. E com o sacrifício de sua vida, demonstrou que é possível ter utopias e viver por elas e que a aridez do espírito humano se curva ante a pureza de intenção de uma alma nobre, ansiosa para servir ao próximo.
Ele foi, nas palavras de Nikos Kazantzakis, \\\"o São Francisco do nosso século\\\". E o seu exemplo foi maior que o seu tempo. Passados quase quarenta anos de seu falecimento, suas atitudes e ações formam um caminho nobre de um eu superior: ele nos via como \\\"as folhas e os ramos de uma mesma árvore, as estrelas de um mesmo céu\\\". Em seus textos de Labarené, sobressaem-se as digressões sobre o respeito pela vida.

MARTIN LUTHER KING JR
\"NÃO SE DEVE MATAR A SEDE DE
LIBERDADE NA TAÇA DO ÓDIO\"
Martin Luther King Jr. nasceu ao meio-dia de 15 de janeiro de 1929, em Atlanta, Geórgia. Filho de um pastor da Igreja Batista Ebenezer e de Alberta Williams King, uma professora, teve mais dois irmãos, Christine, a primogênita, e Alfred Daniel, o caçula. Antes de atingir seis anos, a idade mínima para freqüentar uma escola primária, foi matriculado por seus pais na Yonge Street Elementary School. Descoberto, foi obrigado a abandonar a escola até atingir a idade mínima.
Ao completar seis anos, foi matriculado na David T. Howard Elementary School. King também estudou na Atlanta University Laboratory School e Booker T. Washington High School. Mesmo sem terminar seus estudos secundários na Booker T. Washington High School, foi admitido, aos 15 anos, para o bacharelado em Sociologia, na Morehouse College, por causa de seu excelente desempenho intelectual.
Em 1948, aos 19 anos, King bacharelou-se em Sociologia. Nessa mesma época, optou por seguir a carreira de seu pai e de seu avô materno, Adam Daniel Williams, ambos pastores da Igreja Batista Ebenezer. Matriculou-se, então, no Crozer Theological Seminary, em Chester, Pensilvânia, graduando-se em Teologia em 1951. Desde pequeno, Martin Luther King foi educado para não se sentir inferior aos brancos e para amá-los, mesmo vivenciando a brutalidade policial contra os negros e a injustiça dos tribunais.
Durante seus estudos no Crozer Theological Seminary, King amadureceu sua visão cristã do mundo e decidiu atuar na luta pelos direitos civis dos negros. Continuando seus estudos, King foi para a Boston University, a fim de fazer o doutorado em Teologia. Em Boston, conheceu Coretta Scott, com a qual se casou em 18 de junho de 1953, em Marion, Alabama. Martin Luther King e Coretta Scott tiveram quatro filhos: Yolanda Denise e Martin Luther III, nascidos respectivamente em 17 de novembro de 1955 e 23 de outubro de 1957, em Montgomery, Alabama; e Dexter Scott e Bernice Albertine, nascidos respectivamente em 30 de janeiro de 1961 e 28 de março de 1963, em Atlanta, Geórgia.
Em setembro de 1954, King aceitou o convite para assumir a posição de pastor na Dexter Avenue Baptist Church, em Montgomery, e no ano seguinte recebeu o Ph.D em Teologia pela Boston University. O ano de 1955 foi decisivo para a vida posterior de Martin Luther King. No final daquele ano, Rosa Parks, uma ativista dos direitos civis dos negros, se recusou a obedecer à segregação racial dentro dos ônibus de Montgomery.
Então, os moradores negros da cidade resolveram lançar um boicote contra essa segregação e King foi escolhido como presidente da associação criada para conduzir a ação. Durante o boicote, a casa de King foi atacada por bombas lançadas pelos defensores da \"supremacia branca\". Mesmo assim, o boicote durou 381 dias e foi um sucesso, já que a Corte Suprema declarou a inconstitucionalidade da lei de segregação racial dentro dos ônibus do Alabama.
Além dessa vitória, o boicote transformou Martin Luther King em uma figura conhecida nacionalmente por causa de sua atuação e de seus discursos contra o racismo e a favor da não-violência. Em 1957, ele, pastores e outros ativistas pelos direitos civis fundaram a Southern Christian Leadership Conference (SCLC), destinada a lutar pacificamente pelos direitos dos negros, principalmente pelo voto.
Escolhido como presidente, permaneceria no cargo até sua morte. Em 1958, lançou seu primeiro livro, Stride Toward Freedom: The Montgomery Story (Caminhando Para Liberdade: A história de Montgomery), no qual ele fez reflexões sobre o boicote aos ônibus. No ano seguinte, viajou para Índia, onde aprofundou sua compreensão das ações de não-violência de Ghandi. O sentimento de King é expresso em suas palavras: \"eu senti que essa era a única forma moral e prática para as pessoas oprimidas lutarem pela liberdade delas\".
Voltando da Índia, King deixou sua posição de pastor na Dexter Avenue Baptist Church e mudou-se para Atlanta, onde ficava a sede da SCLC e onde passou a ajudar seu pai como co-pastor da Igreja Batista Ebenezer. Mesmo sendo uma figura de ponta do movimento pelos direitos civis, King, cautelosamente, não promoveu nenhum protesto de massa após o boicote em Montgomery. Independentemente disso, os estudantes negros dos estados sulistas lançaram, no início de 1960, sucessivas greves que receberam seu apoio.
Em abril do mesmo ano, os estudantes fundaram o Student Nonviolent Coordinating Committee (SNCC) e King foi convidado para discursar. No entanto, a ligação entre King e os ativistas do SNCC terminou quando fizeram críticas ao trabalho dele. Por várias vezes, King tentou reduzir os desentendimentos entre a SCLC e o SNCC, mas percebeu que o movimento estudantil tinha sua própria dinâmica. Sem conseguir resolver os problemas com os estudantes do SNCC, King decidiu organizar manifestações sem a participação deles.
Em 1963, King e seus companheiros organizaram manifestações em Birmingham, Alabama, pedindo o fim da segregação existente em muitos estabelecimentos públicos daquela cidade. Durante as manifestações, os policiais usaram cachorros e bombas de gás contra os manifestantes, e King foi preso. Contudo, a ação policial teve um efeito contrário. O presidente John Kennedy reagiu aos acontecimentos de Birmingham e enviou ao Congresso uma legislação de direitos civis, que foi aprovada em 1964.
Em 28 de agosto de 1963, Martin Luther King realizou com mais de 200 mil pessoas a famosa \"Marcha para Washington\", quando proferiu seu mais famoso discurso, \"I have a dream\", no Lincoln Memorial, pedindo uma sociedade com igualdade racial. No início de 1964, King recebeu o título de \"Homem do Ano\" da revista \"Time\", e foi o primeiro negro a conseguir essa indicação. No mesmo ano, com 35 anos de idade, foi agraciado com o Prêmio Nobel da Paz, tornando-se o mais jovem a conquistá-lo. Segundo ele, o Nobel não significou apenas uma honra pessoal, mas o reconhecimento internacional ao movimento não-violento pelos direitos civis.
Martin Luther King também se manifestou contra a Guerra do Vietnã. Para ele, o dinheiro gasto na guerra poderia ser utilizado no combate à miséria e à discriminação. Além disso, achava que era uma hipocrisia lutar contra a violência racial e não lutar contra a violência da guerra. Por essa posição, acabou criticado por integrantes do governo e por outros líderes negros, que achavam que King desviava a atenção da opinião pública dos direitos civis.
Em 1965, King conseguiu outra vitória com a aprovação da Lei do Direito do Voto para os negros. Em 1968, ele planejava uma nova marcha para Washington, com o objetivo de despertar a opinião pública para a relação entre pobreza e violência urbana. Porém, antes ele viajou para Memphis, Tennessee, para apoiar uma greve dos trabalhadores de limpeza pública que recebiam péssimos salários.
Contudo, no dia 4 de abril de 1968, James Earl Ray assassinou Martin Luther King, na sacada do Motel Lorraine, onde estava hospedado. Sua morte provocou revoltas de negros em várias partes dos Estados Unidos. Em 1986, o Congresso Federal dos Estados Unidos estabeleceu um feriado nacional em homenagem a Martin Luther King, com comemoração na terceira segunda-feira de janeiro.
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Martin Luther King Jr. nasceu ao meio-dia de 15 de janeiro de 1929, em Atlanta, Geórgia. Filho de um pastor da Igreja Batista Ebenezer e de Alberta Williams King, uma professora, teve mais dois irmãos, Christine, a primogênita, e Alfred Daniel, o caçula. Antes de atingir seis anos, a idade mínima para freqüentar uma escola primária, foi matriculado por seus pais na Yonge Street Elementary School. Descoberto, foi obrigado a abandonar a escola até atingir a idade mínima.
Ao completar seis anos, foi matriculado na David T. Howard Elementary School. King também estudou na Atlanta University Laboratory School e Booker T. Washington High School. Mesmo sem terminar seus estudos secundários na Booker T. Washington High School, foi admitido, aos 15 anos, para o bacharelado em Sociologia, na Morehouse College, por causa de seu excelente desempenho intelectual.
Em 1948, aos 19 anos, King bacharelou-se em Sociologia. Nessa mesma época, optou por seguir a carreira de seu pai e de seu avô materno, Adam Daniel Williams, ambos pastores da Igreja Batista Ebenezer. Matriculou-se, então, no Crozer Theological Seminary, em Chester, Pensilvânia, graduando-se em Teologia em 1951. Desde pequeno, Martin Luther King foi educado para não se sentir inferior aos brancos e para amá-los, mesmo vivenciando a brutalidade policial contra os negros e a injustiça dos tribunais.
Durante seus estudos no Crozer Theological Seminary, King amadureceu sua visão cristã do mundo e decidiu atuar na luta pelos direitos civis dos negros. Continuando seus estudos, King foi para a Boston University, a fim de fazer o doutorado em Teologia. Em Boston, conheceu Coretta Scott, com a qual se casou em 18 de junho de 1953, em Marion, Alabama. Martin Luther King e Coretta Scott tiveram quatro filhos: Yolanda Denise e Martin Luther III, nascidos respectivamente em 17 de novembro de 1955 e 23 de outubro de 1957, em Montgomery, Alabama; e Dexter Scott e Bernice Albertine, nascidos respectivamente em 30 de janeiro de 1961 e 28 de março de 1963, em Atlanta, Geórgia.
Em setembro de 1954, King aceitou o convite para assumir a posição de pastor na Dexter Avenue Baptist Church, em Montgomery, e no ano seguinte recebeu o Ph.D em Teologia pela Boston University. O ano de 1955 foi decisivo para a vida posterior de Martin Luther King. No final daquele ano, Rosa Parks, uma ativista dos direitos civis dos negros, se recusou a obedecer à segregação racial dentro dos ônibus de Montgomery.
Então, os moradores negros da cidade resolveram lançar um boicote contra essa segregação e King foi escolhido como presidente da associação criada para conduzir a ação. Durante o boicote, a casa de King foi atacada por bombas lançadas pelos defensores da \"supremacia branca\". Mesmo assim, o boicote durou 381 dias e foi um sucesso, já que a Corte Suprema declarou a inconstitucionalidade da lei de segregação racial dentro dos ônibus do Alabama.
Além dessa vitória, o boicote transformou Martin Luther King em uma figura conhecida nacionalmente por causa de sua atuação e de seus discursos contra o racismo e a favor da não-violência. Em 1957, ele, pastores e outros ativistas pelos direitos civis fundaram a Southern Christian Leadership Conference (SCLC), destinada a lutar pacificamente pelos direitos dos negros, principalmente pelo voto.
Escolhido como presidente, permaneceria no cargo até sua morte. Em 1958, lançou seu primeiro livro, Stride Toward Freedom: The Montgomery Story (Caminhando Para Liberdade: A história de Montgomery), no qual ele fez reflexões sobre o boicote aos ônibus. No ano seguinte, viajou para Índia, onde aprofundou sua compreensão das ações de não-violência de Ghandi. O sentimento de King é expresso em suas palavras: \"eu senti que essa era a única forma moral e prática para as pessoas oprimidas lutarem pela liberdade delas\".
Voltando da Índia, King deixou sua posição de pastor na Dexter Avenue Baptist Church e mudou-se para Atlanta, onde ficava a sede da SCLC e onde passou a ajudar seu pai como co-pastor da Igreja Batista Ebenezer. Mesmo sendo uma figura de ponta do movimento pelos direitos civis, King, cautelosamente, não promoveu nenhum protesto de massa após o boicote em Montgomery. Independentemente disso, os estudantes negros dos estados sulistas lançaram, no início de 1960, sucessivas greves que receberam seu apoio.
Em abril do mesmo ano, os estudantes fundaram o Student Nonviolent Coordinating Committee (SNCC) e King foi convidado para discursar. No entanto, a ligação entre King e os ativistas do SNCC terminou quando fizeram críticas ao trabalho dele. Por várias vezes, King tentou reduzir os desentendimentos entre a SCLC e o SNCC, mas percebeu que o movimento estudantil tinha sua própria dinâmica. Sem conseguir resolver os problemas com os estudantes do SNCC, King decidiu organizar manifestações sem a participação deles.
Em 1963, King e seus companheiros organizaram manifestações em Birmingham, Alabama, pedindo o fim da segregação existente em muitos estabelecimentos públicos daquela cidade. Durante as manifestações, os policiais usaram cachorros e bombas de gás contra os manifestantes, e King foi preso. Contudo, a ação policial teve um efeito contrário. O presidente John Kennedy reagiu aos acontecimentos de Birmingham e enviou ao Congresso uma legislação de direitos civis, que foi aprovada em 1964.
Em 28 de agosto de 1963, Martin Luther King realizou com mais de 200 mil pessoas a famosa \"Marcha para Washington\", quando proferiu seu mais famoso discurso, \"I have a dream\", no Lincoln Memorial, pedindo uma sociedade com igualdade racial. No início de 1964, King recebeu o título de \"Homem do Ano\" da revista \"Time\", e foi o primeiro negro a conseguir essa indicação. No mesmo ano, com 35 anos de idade, foi agraciado com o Prêmio Nobel da Paz, tornando-se o mais jovem a conquistá-lo. Segundo ele, o Nobel não significou apenas uma honra pessoal, mas o reconhecimento internacional ao movimento não-violento pelos direitos civis.
Martin Luther King também se manifestou contra a Guerra do Vietnã. Para ele, o dinheiro gasto na guerra poderia ser utilizado no combate à miséria e à discriminação. Além disso, achava que era uma hipocrisia lutar contra a violência racial e não lutar contra a violência da guerra. Por essa posição, acabou criticado por integrantes do governo e por outros líderes negros, que achavam que King desviava a atenção da opinião pública dos direitos civis.
Em 1965, King conseguiu outra vitória com a aprovação da Lei do Direito do Voto para os negros. Em 1968, ele planejava uma nova marcha para Washington, com o objetivo de despertar a opinião pública para a relação entre pobreza e violência urbana. Porém, antes ele viajou para Memphis, Tennessee, para apoiar uma greve dos trabalhadores de limpeza pública que recebiam péssimos salários.
Contudo, no dia 4 de abril de 1968, James Earl Ray assassinou Martin Luther King, na sacada do Motel Lorraine, onde estava hospedado. Sua morte provocou revoltas de negros em várias partes dos Estados Unidos. Em 1986, o Congresso Federal dos Estados Unidos estabeleceu um feriado nacional em homenagem a Martin Luther King, com comemoração na terceira segunda-feira de janeiro.
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MARECHAL RONDON
\"MORRER SE PRECISO FOR, MATAR
NUNCA\"
Marechal Rondon (1865-1958), cujo nome completo era Cândido Mariano da Silva Rondon, foi militar e sertanista brasileiro; nasceu em Morro Redondo, Mato Grosso. Órfão desde os dois anos, viveu com os avós até os sete, quando se mudou para Cuiabá, onde passou a viver com um tio e iniciou seus estudos.
Aos 16 anos, foi diplomado professor primário (Ensino Fundamental) pelo Liceu Cuiabano. Em seguida, ingressou na carreira militar como soldado do 3º Regimento de Artilharia a Cavalo. Pouco depois, mudou-se para o Rio de Janeiro onde, em 1883, matriculou-se na Escola Militar. Em 1890, recebeu o diploma de bacharel em Matemática e Ciências Físicas e Naturais da Escola Superior de Guerra do Brasil. Ainda estudante, teve participação nos movimentos abolicionista e republicano. Formado, foi nomeado professor de Astronomia e Mecânica da Escola Militar, cargo do qual se afastou em 1892.
Ainda em 1892, em 1º de fevereiro, casou-se com D. Francisca Xavier, com quem teve sete filhos, e foi nomeado chefe do Distrito Telegráfico de Mato Grosso. Foi então designado para a Comissão de Construção da linha telegráfica que ligaria Mato Grosso e Goiás. Essa primeira missão marcaria para sempre a vida do jovem oficial, e de todo o país que ele serviu com amor, serenidade e senso de justiça.
O novo governo republicano estava preocupado com o grande isolamento das regiões mais ocidentais do país, particularmente nas fronteiras com o Paraguai e a Bolívia, por isso decidira construir linhas telegráficas que melhorassem as comunicações com o centro-oeste e o longínquo norte. Rondon foi o mais importante dos sertanistas que desbravaram esses rincões.
Abriu caminhos, lançou linhas telegráficas, registrou sua topografia, descobriu rios, estudou a flora e a fauna; mas, principalmente, estabeleceu relações respeitosas e desmistificou a imagem de violentos, assassinos e até antropófagos, que se construíra em torno dos primitivos habitantes destas terras: os índios. Foi sua visão humanista que permitiu que as missões de desbravamentos e construções fossem realizadas em paz, sem combates fratricidas, e que não sendo assim poderiam ter acabado em missões genocidas.
Entre outras nações indígenas, Rondon manteve contatos pacíficos com os Bororo, Nhambiquara, Urupá, Jaru, Karipuna, Ariqueme, Boca Negra, Pacaás Novo, Macuporé, Guaraya, Macurape, etc. Nessa imensa e desconhecida região, realizou sua grande obra de militar. Estudioso, sertanista e grande ser humano.
Entre 1892 e 1898, ajudou a construir as linhas telegráficas de Mato Grosso a Goiás, entre Cuiabá e o Araguaia, e uma estrada de Cuiabá a Goiás. Entre 1900 e 1906, dirigiu a construção de mais uma linha telegráfica, entre Cuiabá e Corumbá, alcançando as fronteiras de Paraguai e Bolívia. Em 1906, encontrou as ruínas do Real Forte Príncipe da Beira, a maior relíquia histórica de Rondônia.
Em 1907, no posto de major do Corpo de Engenheiros Militares, foi nomeado chefe da comissão que deveria construir a linha telegráfica de Cuiabá a Santo Antonio do Madeira, a primeira a alcançar a região amazônica, e que foi denominada \"Comissão Rondon\". Seus trabalhos desenvolveram-se de 1907 a 1915. Assim, simultaneamente, já que a construção da Estrada de Ferro Madeira Mamoré deu-se entre 1907 e 1912, aconteciam dois dos fatos mais importantes para o conhecimento e a ocupação econômica do espaço físico que à época era parte do Mato Grosso, e hoje constitui o estado de Rondônia.
A EFMM no sentido leste-oeste, e a linha do telégrafo no sentido sul-norte. Difícil dizer qual o feito mais grandioso. Os trabalhos exploratórios da Comissão Rondon, quando foram estudados e registrados fatos novos nos ramos da geografia, biologia (fauna e flora) e antropologia, na região então desconhecida, dividiram-se em três expedições:
- A 1ª expedição, entre setembro e novembro de 1907, reconheceu 1.781 km entre Cuiabá e o rio Juruena;
- A 2ª expedição ocorreu em 1908 e foi a mais numerosa, envolvendo 127 membros. Foi encerrada às margens de um rio denominado 12 de outubro (data de encerramento da expedição), tendo reconhecido 1.653 km entre o rio Juruena e a Serra do Norte;
- A 3ª expedição, com 42 homens, foi realizada de maio a dezembro 1909, vindo da serra do Norte ao rio Madeira, que alcançou em 25 de dezembro, atravessando toda a atual Rondônia.
Estabeleceu relações amistosas com os índios parecis e aproximou-se dos nhambiquaras. No Amazonas, Rondon protegeu os índios parintintins, perseguidos e explorados por seringueiros da região. Através de suas expedições pelo interior do país, Rondon estabeleceu uma convivência amigável com inúmeros grupos indígenas, estudou-os e lutou por uma política de valorização dos índios e pela criação do Serviço de Proteção ao Índio (SPI).
Essa entidade governamental tinha a função de defender os índios contra o extermínio e a opressão, dando-lhes meios para adotar as artes e as indústrias da sociedade brasileira. Foi criada em setembro de 1910 (SPI) e Cândido Rondon foi seu primeiro diretor, de 1910 a 1930. Em 12 de outubro de 1911, inaugurou a estação telegráfica de Vilhena, na fronteira dos atuais estados de Mato Grosso e Rondônia.
Em 13 de junho de 1912, inaugurou nova estação telegráfica, a 80 km de Vilhena, que recebeu seu nome. De maio de 1913 a maio de 1914, participou da denominada expedição Roosevelt-Rondon, junto com o ex-presidente dos Estados Unidos da América, Theodore Roosevelt. Realizou novos estudos e descobertas na região.
Durante o ano de 1914, a Comissão Rondon construiu, em oito meses, no espaço físico de Rondônia, 372 km de linhas e cinco estações telegráficas: Pimenta Bueno, Presidente Hermes, Presidente Pena (mais tarde Vila de Rondônia, atualmente Ji Paraná), Jaru e Ariquemes (a 200km de porto Velho).
Em 1º de janeiro de 1915, inaugurou a estação telegráfica de Santo Antonio do Madeira, concluindo a gigantesca missão que lhe fora conferida. Já General de Brigada, em 20 de setembro de 1919, foi nomeado Diretor de Engenharia do Exército, cargo que ocupou até 1924. Em 1930, preso no Rio Grande do Sul pelos revolucionários que destituíram Washington Luís e levaram Getúlio Vargas ao poder, pediu reforma do exército.
Em 1957, foi indicado para o prêmio Nobel da Paz, pelo Explorer\'s Club, de New York. Entre julho de 1934 e julho de 1938, presidiu missão diplomática que lhe fora confiada pelo Governo do Brasil, mediando e arbitrando o conflito que se estabelecera entre o Peru e a Colômbia pela posse do porto de Letícia. Ao encerrar sua missão, tendo estabelecido um acordo de paz, estava quase cego. Em 5 de maio de 1955, data de seu aniversário de 90 anos, recebeu o título de Marechal do Exército Brasileiro, concedido pelo Congresso Nacional. Morreu no Rio de Janeiro, aos 92 anos, em 19 de janeiro de 1958.
Marechal Rondon (1865-1958), cujo nome completo era Cândido Mariano da Silva Rondon, foi militar e sertanista brasileiro; nasceu em Morro Redondo, Mato Grosso. Órfão desde os dois anos, viveu com os avós até os sete, quando se mudou para Cuiabá, onde passou a viver com um tio e iniciou seus estudos.
Aos 16 anos, foi diplomado professor primário (Ensino Fundamental) pelo Liceu Cuiabano. Em seguida, ingressou na carreira militar como soldado do 3º Regimento de Artilharia a Cavalo. Pouco depois, mudou-se para o Rio de Janeiro onde, em 1883, matriculou-se na Escola Militar. Em 1890, recebeu o diploma de bacharel em Matemática e Ciências Físicas e Naturais da Escola Superior de Guerra do Brasil. Ainda estudante, teve participação nos movimentos abolicionista e republicano. Formado, foi nomeado professor de Astronomia e Mecânica da Escola Militar, cargo do qual se afastou em 1892.
Ainda em 1892, em 1º de fevereiro, casou-se com D. Francisca Xavier, com quem teve sete filhos, e foi nomeado chefe do Distrito Telegráfico de Mato Grosso. Foi então designado para a Comissão de Construção da linha telegráfica que ligaria Mato Grosso e Goiás. Essa primeira missão marcaria para sempre a vida do jovem oficial, e de todo o país que ele serviu com amor, serenidade e senso de justiça.
O novo governo republicano estava preocupado com o grande isolamento das regiões mais ocidentais do país, particularmente nas fronteiras com o Paraguai e a Bolívia, por isso decidira construir linhas telegráficas que melhorassem as comunicações com o centro-oeste e o longínquo norte. Rondon foi o mais importante dos sertanistas que desbravaram esses rincões.
Abriu caminhos, lançou linhas telegráficas, registrou sua topografia, descobriu rios, estudou a flora e a fauna; mas, principalmente, estabeleceu relações respeitosas e desmistificou a imagem de violentos, assassinos e até antropófagos, que se construíra em torno dos primitivos habitantes destas terras: os índios. Foi sua visão humanista que permitiu que as missões de desbravamentos e construções fossem realizadas em paz, sem combates fratricidas, e que não sendo assim poderiam ter acabado em missões genocidas.
Entre outras nações indígenas, Rondon manteve contatos pacíficos com os Bororo, Nhambiquara, Urupá, Jaru, Karipuna, Ariqueme, Boca Negra, Pacaás Novo, Macuporé, Guaraya, Macurape, etc. Nessa imensa e desconhecida região, realizou sua grande obra de militar. Estudioso, sertanista e grande ser humano.
Entre 1892 e 1898, ajudou a construir as linhas telegráficas de Mato Grosso a Goiás, entre Cuiabá e o Araguaia, e uma estrada de Cuiabá a Goiás. Entre 1900 e 1906, dirigiu a construção de mais uma linha telegráfica, entre Cuiabá e Corumbá, alcançando as fronteiras de Paraguai e Bolívia. Em 1906, encontrou as ruínas do Real Forte Príncipe da Beira, a maior relíquia histórica de Rondônia.
Em 1907, no posto de major do Corpo de Engenheiros Militares, foi nomeado chefe da comissão que deveria construir a linha telegráfica de Cuiabá a Santo Antonio do Madeira, a primeira a alcançar a região amazônica, e que foi denominada \"Comissão Rondon\". Seus trabalhos desenvolveram-se de 1907 a 1915. Assim, simultaneamente, já que a construção da Estrada de Ferro Madeira Mamoré deu-se entre 1907 e 1912, aconteciam dois dos fatos mais importantes para o conhecimento e a ocupação econômica do espaço físico que à época era parte do Mato Grosso, e hoje constitui o estado de Rondônia.
A EFMM no sentido leste-oeste, e a linha do telégrafo no sentido sul-norte. Difícil dizer qual o feito mais grandioso. Os trabalhos exploratórios da Comissão Rondon, quando foram estudados e registrados fatos novos nos ramos da geografia, biologia (fauna e flora) e antropologia, na região então desconhecida, dividiram-se em três expedições:
- A 1ª expedição, entre setembro e novembro de 1907, reconheceu 1.781 km entre Cuiabá e o rio Juruena;
- A 2ª expedição ocorreu em 1908 e foi a mais numerosa, envolvendo 127 membros. Foi encerrada às margens de um rio denominado 12 de outubro (data de encerramento da expedição), tendo reconhecido 1.653 km entre o rio Juruena e a Serra do Norte;
- A 3ª expedição, com 42 homens, foi realizada de maio a dezembro 1909, vindo da serra do Norte ao rio Madeira, que alcançou em 25 de dezembro, atravessando toda a atual Rondônia.
Estabeleceu relações amistosas com os índios parecis e aproximou-se dos nhambiquaras. No Amazonas, Rondon protegeu os índios parintintins, perseguidos e explorados por seringueiros da região. Através de suas expedições pelo interior do país, Rondon estabeleceu uma convivência amigável com inúmeros grupos indígenas, estudou-os e lutou por uma política de valorização dos índios e pela criação do Serviço de Proteção ao Índio (SPI).
Essa entidade governamental tinha a função de defender os índios contra o extermínio e a opressão, dando-lhes meios para adotar as artes e as indústrias da sociedade brasileira. Foi criada em setembro de 1910 (SPI) e Cândido Rondon foi seu primeiro diretor, de 1910 a 1930. Em 12 de outubro de 1911, inaugurou a estação telegráfica de Vilhena, na fronteira dos atuais estados de Mato Grosso e Rondônia.
Em 13 de junho de 1912, inaugurou nova estação telegráfica, a 80 km de Vilhena, que recebeu seu nome. De maio de 1913 a maio de 1914, participou da denominada expedição Roosevelt-Rondon, junto com o ex-presidente dos Estados Unidos da América, Theodore Roosevelt. Realizou novos estudos e descobertas na região.
Durante o ano de 1914, a Comissão Rondon construiu, em oito meses, no espaço físico de Rondônia, 372 km de linhas e cinco estações telegráficas: Pimenta Bueno, Presidente Hermes, Presidente Pena (mais tarde Vila de Rondônia, atualmente Ji Paraná), Jaru e Ariquemes (a 200km de porto Velho).
Em 1º de janeiro de 1915, inaugurou a estação telegráfica de Santo Antonio do Madeira, concluindo a gigantesca missão que lhe fora conferida. Já General de Brigada, em 20 de setembro de 1919, foi nomeado Diretor de Engenharia do Exército, cargo que ocupou até 1924. Em 1930, preso no Rio Grande do Sul pelos revolucionários que destituíram Washington Luís e levaram Getúlio Vargas ao poder, pediu reforma do exército.
Em 1957, foi indicado para o prêmio Nobel da Paz, pelo Explorer\'s Club, de New York. Entre julho de 1934 e julho de 1938, presidiu missão diplomática que lhe fora confiada pelo Governo do Brasil, mediando e arbitrando o conflito que se estabelecera entre o Peru e a Colômbia pela posse do porto de Letícia. Ao encerrar sua missão, tendo estabelecido um acordo de paz, estava quase cego. Em 5 de maio de 1955, data de seu aniversário de 90 anos, recebeu o título de Marechal do Exército Brasileiro, concedido pelo Congresso Nacional. Morreu no Rio de Janeiro, aos 92 anos, em 19 de janeiro de 1958.

DESMOND TUTU
\\\"É PRECISO LIBERDADE PARA
CHEGAR À PAZ\\\"
Religioso e pacifista sul-africano. Defensor dos direitos humanos, destacou-se por sua notável influência política e religiosa como adversário não-violento do regime racista do país. Seu pai era um professor, e ele mesmo foi educado na High School Bantu de Joanesburgo.
Após sair da escola iniciou sua atividade como professor na faculdade Bantu de Pretoria e em 1954 graduou-se na universidade da África do Sul. Estudou Teologia em 1960. Os anos 1962-66 foram devotados a um estudo de teologia mais avançado, na Inglaterra, tornando-se mestre em Teologia.
De 1967 a 1972 ensinou teologia na África sul. Foi por três anos diretor assistente de um instituto de teologia em Londres. Em 1975 foi apontado decano da catedral do St. Mary em Joanesburgo. Tutu se tornou doutor das principais universidades dos EUA, Grã-Bretanha e na Alemanha.
Desmond Tutu formulou seu objetivo como \\\"uma sociedade democrática e justa sem divisões raciais\\\", e defendeu os seguintes pontos: - Direitos civis iguais para todos; - Um sistema comum de educação; - O fim da deportação forçada da África sul aos \\\"homelands so-called\\\". Desmond Tutu foi arcebispo sul-africano, ativista dos direitos civis.
Em 1984, recebeu o Prêmio Nobel da Paz em reconhecimento à sua luta pacífica contra o apartheid, pelo trabalho que realizou na cruzada pacífica contra as medidas de segregação racial do seu país. Foi nomeado arcebispo da Cidade do Cabo e líder da Igreja Anglicana da África do Sul em 1986, cargo do qual se afastou dez anos depois.
Foi o primeiro sacerdote sul-africano negro, nomeado secretário-geral do Conselho das Igrejas Sul-africano, reiniciou suas atividades pastorais depois do estabelecimento de uma república multirracial (1994). Em abril de 1996, abriu a Comissão de Verdade e Reconciliação, criada para investigar os crimes de segregação racial cometidos no país.
Em visita à África do Sul, o Papa João Paulo II pediu desculpas ao Bispo Tutu pela escravidão dos negros imposta pelos cristãos, e o compositor brasileiro Gilberto Gil musicou este momento, compondo a canção \\\"Oração pela África do Sul\\\" e cantou como reggae: \\\"Até o Papa já pediu perdão - salve a batina do Bispo Tutu\\\".
Religioso e pacifista sul-africano. Defensor dos direitos humanos, destacou-se por sua notável influência política e religiosa como adversário não-violento do regime racista do país. Seu pai era um professor, e ele mesmo foi educado na High School Bantu de Joanesburgo.
Após sair da escola iniciou sua atividade como professor na faculdade Bantu de Pretoria e em 1954 graduou-se na universidade da África do Sul. Estudou Teologia em 1960. Os anos 1962-66 foram devotados a um estudo de teologia mais avançado, na Inglaterra, tornando-se mestre em Teologia.
De 1967 a 1972 ensinou teologia na África sul. Foi por três anos diretor assistente de um instituto de teologia em Londres. Em 1975 foi apontado decano da catedral do St. Mary em Joanesburgo. Tutu se tornou doutor das principais universidades dos EUA, Grã-Bretanha e na Alemanha.
Desmond Tutu formulou seu objetivo como \\\"uma sociedade democrática e justa sem divisões raciais\\\", e defendeu os seguintes pontos: - Direitos civis iguais para todos; - Um sistema comum de educação; - O fim da deportação forçada da África sul aos \\\"homelands so-called\\\". Desmond Tutu foi arcebispo sul-africano, ativista dos direitos civis.
Em 1984, recebeu o Prêmio Nobel da Paz em reconhecimento à sua luta pacífica contra o apartheid, pelo trabalho que realizou na cruzada pacífica contra as medidas de segregação racial do seu país. Foi nomeado arcebispo da Cidade do Cabo e líder da Igreja Anglicana da África do Sul em 1986, cargo do qual se afastou dez anos depois.
Foi o primeiro sacerdote sul-africano negro, nomeado secretário-geral do Conselho das Igrejas Sul-africano, reiniciou suas atividades pastorais depois do estabelecimento de uma república multirracial (1994). Em abril de 1996, abriu a Comissão de Verdade e Reconciliação, criada para investigar os crimes de segregação racial cometidos no país.
Em visita à África do Sul, o Papa João Paulo II pediu desculpas ao Bispo Tutu pela escravidão dos negros imposta pelos cristãos, e o compositor brasileiro Gilberto Gil musicou este momento, compondo a canção \\\"Oração pela África do Sul\\\" e cantou como reggae: \\\"Até o Papa já pediu perdão - salve a batina do Bispo Tutu\\\".

MIKHAIL SERGEYEVICH GORBACHEV
\"A HISTÓRIA QUIS QUE EU
AJUDASSE O MUNDO A SE LIVRAR DA AMEAÇA NUCLEAR\"
Como chefe do governo soviético a partir de 1985, Gorbatchev liderou radicais transformações políticas e sociais que resultaram na dissolução da União Soviética, no fim do regime comunista e na adoção da economia de mercado no leste europeu. Mikhaïl Sergeieyevich Gorbatchev nasceu em 2 de março de 1931, em Privolie, sudoeste da Rússia. Filho de camponeses, aderiu à Juventude Comunista em 1946.
Em 1952, ingressou no curso de direito da Universidade Estadual de Moscou e no Partido Comunista. Formou-se em 1955 e ocupou vários cargos em organizações partidárias de sua terra natal, e depois em Moscou. Em 1971, passou a integrar o Comitê Central do partido e, oito anos mais tarde, tornou-se membro do Politburo, máxima instância política do partido. Sua influência cresceu muito entre 1982 e 1985, durante os governos de Iuri Andropov e Konstantin Tchernenko.
Após a morte deste, em 10 de março de 1985, Gorbatchev foi eleito secretário-geral do partido e assumiu o governo soviético. O novo líder oxigenou a máquina partidária e procurou ativar a estagnada economia da União Soviética, para o que recorreu à modernização tecnológica, aumentou a produtividade, procurou melhorar a eficiência da burocracia estatal e ampliou a livre discussão dos problemas nacionais.
Em 1987, aprofundou a política de reformas chamada glasnost (abertura), que aqueceu a vida cultural, ampliou a liberdade de imprensa e informação e varreu os últimos vestígios do stalinismo. A Perestroika (reestruturação) implantou alguns mecanismos de mercado, como responsabilizar as indústrias por sua própria produção e situação financeira, pela extinção de subsídios e diretrizes de Moscou.
Ainda em 1987, Gorbatchev assinou com os Estados Unidos um tratado que previa a destruição dos mísseis de médio alcance, e em 1988 ordenou a retirada das tropas soviéticas que ocupavam o Afeganistão desde 1979. Uma reforma constitucional criou um novo Parlamento bicameral, o Congresso dos Deputados do Povo, integrado em parte por membros eleitos pelo voto direto.
Em 1989, eleito presidente do Soviete Supremo (órgão legislativo superior) e presidente da União Soviética, reconheceu o fim dos regimes comunistas dos países do leste europeu e retirou gradualmente as tropas soviéticas lá estacionadas.
Em 1990, concordou com a reunificação da Alemanha e, por suas realizações na área das relações internacionais, recebeu o Prêmio Nobel da paz. Gorbatchev enfrentou o descontentamento de muitas repúblicas soviéticas, como o Azerbaijão, a Geórgia e a Lituânia, e usou a força militar para mantê-las sob controle soviético, à espera de que mecanismos constitucionais facilitassem eventuais desmembramentos.
Apesar de conduzir com êxito as reformas políticas, não conseguiu evitar o colapso da economia soviética. A mistura de liberalismo econômico e modo de produção socialista provocou uma desorganização econômica, cuja pior conseqüência foi a escassez de produtos essenciais. Acumulava os cargos de presidente executivo, presidente do Conselho Presidencial e do Conselho de Defesa, secretário-geral do Partido Comunista e comandante supremo das forças armadas.
No final de 1990, buscou aliados entre os conservadores. Em agosto de 1991, um fracassado golpe de estado da linha dura do partido manteve Gorbatchev e sua família em prisão domiciliar por três dias, até que a resistência dos reformistas, liderados pelo presidente da Rússia, Boris Yeltsin, o reconduziu ao governo. Gorbatchev abandonou, então, o partido; dissolveu o Comitê Central e subtraiu a polícia política e as forças armadas ao controle partidário.
Com a consolidação da liderança de Yeltsin, Gorbatchev foi obrigado a deixar o governo, ainda em 1991. Desde então, dedicou-se a fazer conferências pelo mundo e a presidir um instituto de estudos políticos em Moscou.
Como chefe do governo soviético a partir de 1985, Gorbatchev liderou radicais transformações políticas e sociais que resultaram na dissolução da União Soviética, no fim do regime comunista e na adoção da economia de mercado no leste europeu. Mikhaïl Sergeieyevich Gorbatchev nasceu em 2 de março de 1931, em Privolie, sudoeste da Rússia. Filho de camponeses, aderiu à Juventude Comunista em 1946.
Em 1952, ingressou no curso de direito da Universidade Estadual de Moscou e no Partido Comunista. Formou-se em 1955 e ocupou vários cargos em organizações partidárias de sua terra natal, e depois em Moscou. Em 1971, passou a integrar o Comitê Central do partido e, oito anos mais tarde, tornou-se membro do Politburo, máxima instância política do partido. Sua influência cresceu muito entre 1982 e 1985, durante os governos de Iuri Andropov e Konstantin Tchernenko.
Após a morte deste, em 10 de março de 1985, Gorbatchev foi eleito secretário-geral do partido e assumiu o governo soviético. O novo líder oxigenou a máquina partidária e procurou ativar a estagnada economia da União Soviética, para o que recorreu à modernização tecnológica, aumentou a produtividade, procurou melhorar a eficiência da burocracia estatal e ampliou a livre discussão dos problemas nacionais.
Em 1987, aprofundou a política de reformas chamada glasnost (abertura), que aqueceu a vida cultural, ampliou a liberdade de imprensa e informação e varreu os últimos vestígios do stalinismo. A Perestroika (reestruturação) implantou alguns mecanismos de mercado, como responsabilizar as indústrias por sua própria produção e situação financeira, pela extinção de subsídios e diretrizes de Moscou.
Ainda em 1987, Gorbatchev assinou com os Estados Unidos um tratado que previa a destruição dos mísseis de médio alcance, e em 1988 ordenou a retirada das tropas soviéticas que ocupavam o Afeganistão desde 1979. Uma reforma constitucional criou um novo Parlamento bicameral, o Congresso dos Deputados do Povo, integrado em parte por membros eleitos pelo voto direto.
Em 1989, eleito presidente do Soviete Supremo (órgão legislativo superior) e presidente da União Soviética, reconheceu o fim dos regimes comunistas dos países do leste europeu e retirou gradualmente as tropas soviéticas lá estacionadas.
Em 1990, concordou com a reunificação da Alemanha e, por suas realizações na área das relações internacionais, recebeu o Prêmio Nobel da paz. Gorbatchev enfrentou o descontentamento de muitas repúblicas soviéticas, como o Azerbaijão, a Geórgia e a Lituânia, e usou a força militar para mantê-las sob controle soviético, à espera de que mecanismos constitucionais facilitassem eventuais desmembramentos.
Apesar de conduzir com êxito as reformas políticas, não conseguiu evitar o colapso da economia soviética. A mistura de liberalismo econômico e modo de produção socialista provocou uma desorganização econômica, cuja pior conseqüência foi a escassez de produtos essenciais. Acumulava os cargos de presidente executivo, presidente do Conselho Presidencial e do Conselho de Defesa, secretário-geral do Partido Comunista e comandante supremo das forças armadas.
No final de 1990, buscou aliados entre os conservadores. Em agosto de 1991, um fracassado golpe de estado da linha dura do partido manteve Gorbatchev e sua família em prisão domiciliar por três dias, até que a resistência dos reformistas, liderados pelo presidente da Rússia, Boris Yeltsin, o reconduziu ao governo. Gorbatchev abandonou, então, o partido; dissolveu o Comitê Central e subtraiu a polícia política e as forças armadas ao controle partidário.
Com a consolidação da liderança de Yeltsin, Gorbatchev foi obrigado a deixar o governo, ainda em 1991. Desde então, dedicou-se a fazer conferências pelo mundo e a presidir um instituto de estudos políticos em Moscou.

SATHYA SAI BABA
\"AS MÃOS QUE AUXILIAM FAZENDO
PAZ SÃO MAIS SANTAS QUE OS LÁBIOS QUE REZAM\"
Sathya Sai Baba nasceu em 23 de novembro de 1926, numa pequena vila chamada Puttaparthi, no sul da Índia, estado de Andhra Pradesh. Ele reside lá ainda hoje, recebendo milhares de visitantes do mundo inteiro em sua comunidade espiritual (ashram), chamada Prasanthi Nilayam, que significa \"Morada da Paz Suprema\".
Sathya Sai Baba nasceu em 23 de novembro de 1926, numa pequena vila chamada Puttaparthi, no sul da Índia, estado de Andhra Pradesh. Ele reside lá ainda hoje, recebendo milhares de visitantes do mundo inteiro em sua comunidade espiritual (ashram), chamada Prasanthi Nilayam, que significa \"Morada da Paz Suprema\".

STEVE BIKO
\"O GESTO DE VIOLÊNCIA DE UM
ADULTO NÃO MERECE O SORRISO DE UMA CRIANÇA\"
Steve Bantu Biko nasceu em 18 de dezembro de 1946 na cidade de King William�s Town, próximo da Cidade do Cabo, na África do Sul. Em 1966 ingressou no curso de Medicina da Universidade de Natal onde começou a atividade política. Em 1967 participou ativamente do movimento estudantil, destacando-se nas conferências devido a sua inteligência e poder de argumentação. Fundou e foi o primeiro presidente da OESA � Organização dos Estudantes da África do Sul (South African Students\' Organisation).
Foi um dos grandes idealizadores e articuladores do Movimento de Consciência Negra, que objetivava o resgate da auto-estima e dos valores ancestrais do seu povo, preparando-os para o combate ao sistema de opressão e submissão a que estavam subjugados. Em 1972, tornou-se presidente honorário da Convenção dos Negros (Black People\'s Convention).
Foi um dos principais líderes sul-africanos, juntamente com Nelson Mandela. Deixou um legado de luta calcado no Movimento de Consciência Negra e no desenvolvimento dos Programas de Assistência à Comunidade, voltado para atender às necessidades básicas de sua gente.
Em 6 de setembro de 1977 foi preso em bloqueio rodoviário organizado pela polícia. Levado sob custódia, foi acorrentado às grades de uma janela da penitenciária durante um dia inteiro, torturado durante quase 24 horas, sofreu grave traumatismo craniano. Em 11 de setembro, foi embarcado em veículo policial para transporte para outra prisão. Biko morreu durante o trajeto e a polícia alegou que a morte se devera a \"prolongada greve de fome empreendida pelo prisioneiro\".
Em 7 de outubro de 2003, autoridades do Ministério Público Sul-africano anunciaram que os cinco policiais envolvidos no assassinato de Biko não seriam processados, devido a falta de provas. Alegaram também que a acusação de assassinato não se sustentaria por não haver testemunhas dos atos supostamente cometidos contra Biko. Levou-se em consideração a possibilidade de acusar os envolvidos por Lesão Corporal seguida de morte, mas como os fatos ocorreram em 1977, tal crime teria prescrito (não seria mais passível de processo criminal) segundo as leis do país.
[Fonte: wikipedia (adaptado); Escol@24horas]
Steve Bantu Biko nasceu em 18 de dezembro de 1946 na cidade de King William�s Town, próximo da Cidade do Cabo, na África do Sul. Em 1966 ingressou no curso de Medicina da Universidade de Natal onde começou a atividade política. Em 1967 participou ativamente do movimento estudantil, destacando-se nas conferências devido a sua inteligência e poder de argumentação. Fundou e foi o primeiro presidente da OESA � Organização dos Estudantes da África do Sul (South African Students\' Organisation).
Foi um dos grandes idealizadores e articuladores do Movimento de Consciência Negra, que objetivava o resgate da auto-estima e dos valores ancestrais do seu povo, preparando-os para o combate ao sistema de opressão e submissão a que estavam subjugados. Em 1972, tornou-se presidente honorário da Convenção dos Negros (Black People\'s Convention).
Foi um dos principais líderes sul-africanos, juntamente com Nelson Mandela. Deixou um legado de luta calcado no Movimento de Consciência Negra e no desenvolvimento dos Programas de Assistência à Comunidade, voltado para atender às necessidades básicas de sua gente.
Em 6 de setembro de 1977 foi preso em bloqueio rodoviário organizado pela polícia. Levado sob custódia, foi acorrentado às grades de uma janela da penitenciária durante um dia inteiro, torturado durante quase 24 horas, sofreu grave traumatismo craniano. Em 11 de setembro, foi embarcado em veículo policial para transporte para outra prisão. Biko morreu durante o trajeto e a polícia alegou que a morte se devera a \"prolongada greve de fome empreendida pelo prisioneiro\".
Em 7 de outubro de 2003, autoridades do Ministério Público Sul-africano anunciaram que os cinco policiais envolvidos no assassinato de Biko não seriam processados, devido a falta de provas. Alegaram também que a acusação de assassinato não se sustentaria por não haver testemunhas dos atos supostamente cometidos contra Biko. Levou-se em consideração a possibilidade de acusar os envolvidos por Lesão Corporal seguida de morte, mas como os fatos ocorreram em 1977, tal crime teria prescrito (não seria mais passível de processo criminal) segundo as leis do país.
[Fonte: wikipedia (adaptado); Escol@24horas]

JOHN LENNON
\"DÊ UMA CHANCE A PAZ\"
John Winston Lennon nasceu no dia 09 de Outubro de 1940 na cidade de Liverpool, Inglaterra. Filho de Julia e Alfred Lennon, teve o pai ausente em toda sua vida e acabou sendo criado por uma tia, Mimi, irmã de Julia.
Lennon estudou na Quarry Bank Grammar School, escola que, com seus companheiros viu o nascimento do \'Quarrimen\' (que mais tarde daria origem aos Beatles). John adorava escrever, e alguns de seus poemas da época seriam um prefácio das letras que o tornariam tão famoso.
Aprendeu a tocar guitarra com sua própria mãe, Julia, que o visitava esporadicamente, até que morreu atropelada, quando John era adolescente. Isso o fez se aproximar de Paul McCartney, que havia perdido sua mãe na mesma época, e ao Rock and Roll, em discos de Elvis e Chuck Berry .
Em 1957 ingressou na Liverpool Art College, onde conheceu Cynthia Powel, que se tornaria sua primeira esposa, casando-se em 23 de Agosto de 1962.
Naquela época os Beatles começavam a subir a escadaria da fama, e turnês, gravações, filmes e outros compromissos fizeram de John um marido ausente e foi o motivo pelo qual, seu filho Julian (nascido em 8 de Abril de 1963), pouco tivesse contato com ele..
John sempre foi o líder intelectual dos Beatles, e durante a 1ª fase, ele é o grande responsável pela maioria das canções da banda, fato que iria reverter em prol de Paul McCartney de 1966 em diante.
Escreveu dois livros com poemas enquanto estava com o grupo: \'In His Ows Write\' (em março de 64) e \'A Spaniard in The Works\' (em 1965).
Em 1966 fez a famosa declaração de que \'Os Beatles eram mais famosos que Jesus Cristo\', frase mal interpretada quando foi colocada fora do seu contexto original, recebeu sua medalha do império britânico (devolvida em 69 em repúdio ao envolvimento da Inglaterra na guerra de Biafra).
No mesmo ano, numa exposição de artes na \'Indica Gallery\', em Londres, conhece Yoko Ono, e começa a se envolver com drogas como LSD. No final deste mesmo ano vai para a Espanha filmar \'How I Won The War\', de Richard Lester (diretor dos dois primeiros filmes dos Beatles).
Em 1968 o casamento de John e Cynthia termina e ele começa a viver com Yoko Ono, com a qual casaria em Gibraltar em 20 de Março de 1969. Troca aí seu nome de John Winston Lennon para John Ono Lennon.
Com Yoko Ono, ele toma conhecimento de novas formas de manifestações artísticas e lançam discos nada convencionais, como \'Two Virgins\' (que se tornaria famoso pela capa dos dois nus), \'Life With The Lions\' e \'Wedding Album\'. Nesse mesmo ano, os dois são pegos com haxixe numa batida policial e participam do especial dos Rolling Stones \'Rock\'n\'Roll Circus\'.
Também com Yoko, fez uma série de filmes Avant Garde, como \'Fly\',\'Self Portrait\', \'Smile\' e \'Erection\'. As campanhas pela paz, como as famosas entrevistas na cama em um hotel em Toronto, ou simplesmente dentro de um saco, fizeram do casal símbolos da paz, ou para muitos apenas sinonimos da \'loucura\'.
Formou a banda \'The Plastic Ono Band\' (banda conceitual, sem nenhum membro fixo) para um concerto pela paz em Toronto, e sua música \'Give Peace a Chance\' tornou-se hino do movimento Hippie.
Com o rompimento dos Beatles, em 1970, John viu-se só com Yoko, e ambos gravaram vários discos juntos. A teoria do \'grito primal\' do dr. Artur Janov, deu origem ao seu 1º disco solo, \'John Lennon / Plastic Ono Band\', de 1970, e \'Imagine\', seu segundo álbum tornou-se um fenômeno de vendas e a música sua obra prima.
No final de 1971 o casal voa para Nova York, onde estabelecem residência, fato pelo qual durante quase 5 anos fez com que John não pudesse sair dos Estados Unidos, pela falta do visto de permanência (devido a sua posse de drogas na Inglaterra). Só iria conseguir a \'Green Card\' em 1976.
Campanhas anti-Vietnã e engajamentos políticos fizeram dele uma pessoa \'perigosa\' para o Governo de Richard Nixon, e muitas vezes foi seguido pela FBI e teve seu telefone grampeado. Nessa época, ele e Yoko lançam o disco conjunto \'Sometime in New York City\'.
Em 1973 John e Yoko fazem uma breve separação e John passa a viver em Los Angeles com sua secretária May Pang. Nessa fase grava dois discos: \'Mind Games\' e \'Walls and Bridges\', que são mais comerciais e tem pouco da linha ferina típica de John. Nessa época começa a gravar o disco \'Rock\'n\'Roll\', que só seria terminado 2 anos mais tarde, contendo vários clássicos do Rock.
O \'Long Weekend\' de John termina em 1975, quando após uma participação no Madison Square Garden em um show de Elton John, encontra Yoko Ono nos camarins e ambos reatam o \'affair\'.
Compram vários apartamentos no edifício Dakota, em NY, onde John se torna pai pela 2ª vez. Sean Ono Lennon nasce no mesmo dia do aniversário de John, em 09 de Outubro de 1975. John começa então um jejum musical de 5 anos,fazendo pão e vendo seu filho crescer. Yoko toma conta dos negócios.
O movimento \'New Wave\' de 1980 deu fôlego a John e Yoko para retornarem aos estúdios, quando gravam o disco \'Double Fantasy\'. O Disco se torna um megassucesso.
O que houve depois disso todos sabem, e infelizmente a carreira de John termina aí: 08 de Dezembro de 1980. Depois disso o filme \'Imagine\' é rodado, vários discos foram lançados, e até uma \'breve\' reunião dos Beatles acontece com \'Free as a Bird\'.
Foram poucos os discos solo que John deixou, mas seu legado é enorme, e com certeza, John é o que se pode ser proclamado um dos músicos do século.
[Fonte: http://www.getback.com.br (adaptado)]
John Winston Lennon nasceu no dia 09 de Outubro de 1940 na cidade de Liverpool, Inglaterra. Filho de Julia e Alfred Lennon, teve o pai ausente em toda sua vida e acabou sendo criado por uma tia, Mimi, irmã de Julia.
Lennon estudou na Quarry Bank Grammar School, escola que, com seus companheiros viu o nascimento do \'Quarrimen\' (que mais tarde daria origem aos Beatles). John adorava escrever, e alguns de seus poemas da época seriam um prefácio das letras que o tornariam tão famoso.
Aprendeu a tocar guitarra com sua própria mãe, Julia, que o visitava esporadicamente, até que morreu atropelada, quando John era adolescente. Isso o fez se aproximar de Paul McCartney, que havia perdido sua mãe na mesma época, e ao Rock and Roll, em discos de Elvis e Chuck Berry .
Em 1957 ingressou na Liverpool Art College, onde conheceu Cynthia Powel, que se tornaria sua primeira esposa, casando-se em 23 de Agosto de 1962.
Naquela época os Beatles começavam a subir a escadaria da fama, e turnês, gravações, filmes e outros compromissos fizeram de John um marido ausente e foi o motivo pelo qual, seu filho Julian (nascido em 8 de Abril de 1963), pouco tivesse contato com ele..
John sempre foi o líder intelectual dos Beatles, e durante a 1ª fase, ele é o grande responsável pela maioria das canções da banda, fato que iria reverter em prol de Paul McCartney de 1966 em diante.
Escreveu dois livros com poemas enquanto estava com o grupo: \'In His Ows Write\' (em março de 64) e \'A Spaniard in The Works\' (em 1965).
Em 1966 fez a famosa declaração de que \'Os Beatles eram mais famosos que Jesus Cristo\', frase mal interpretada quando foi colocada fora do seu contexto original, recebeu sua medalha do império britânico (devolvida em 69 em repúdio ao envolvimento da Inglaterra na guerra de Biafra).
No mesmo ano, numa exposição de artes na \'Indica Gallery\', em Londres, conhece Yoko Ono, e começa a se envolver com drogas como LSD. No final deste mesmo ano vai para a Espanha filmar \'How I Won The War\', de Richard Lester (diretor dos dois primeiros filmes dos Beatles).
Em 1968 o casamento de John e Cynthia termina e ele começa a viver com Yoko Ono, com a qual casaria em Gibraltar em 20 de Março de 1969. Troca aí seu nome de John Winston Lennon para John Ono Lennon.
Com Yoko Ono, ele toma conhecimento de novas formas de manifestações artísticas e lançam discos nada convencionais, como \'Two Virgins\' (que se tornaria famoso pela capa dos dois nus), \'Life With The Lions\' e \'Wedding Album\'. Nesse mesmo ano, os dois são pegos com haxixe numa batida policial e participam do especial dos Rolling Stones \'Rock\'n\'Roll Circus\'.
Também com Yoko, fez uma série de filmes Avant Garde, como \'Fly\',\'Self Portrait\', \'Smile\' e \'Erection\'. As campanhas pela paz, como as famosas entrevistas na cama em um hotel em Toronto, ou simplesmente dentro de um saco, fizeram do casal símbolos da paz, ou para muitos apenas sinonimos da \'loucura\'.
Formou a banda \'The Plastic Ono Band\' (banda conceitual, sem nenhum membro fixo) para um concerto pela paz em Toronto, e sua música \'Give Peace a Chance\' tornou-se hino do movimento Hippie.
Com o rompimento dos Beatles, em 1970, John viu-se só com Yoko, e ambos gravaram vários discos juntos. A teoria do \'grito primal\' do dr. Artur Janov, deu origem ao seu 1º disco solo, \'John Lennon / Plastic Ono Band\', de 1970, e \'Imagine\', seu segundo álbum tornou-se um fenômeno de vendas e a música sua obra prima.
No final de 1971 o casal voa para Nova York, onde estabelecem residência, fato pelo qual durante quase 5 anos fez com que John não pudesse sair dos Estados Unidos, pela falta do visto de permanência (devido a sua posse de drogas na Inglaterra). Só iria conseguir a \'Green Card\' em 1976.
Campanhas anti-Vietnã e engajamentos políticos fizeram dele uma pessoa \'perigosa\' para o Governo de Richard Nixon, e muitas vezes foi seguido pela FBI e teve seu telefone grampeado. Nessa época, ele e Yoko lançam o disco conjunto \'Sometime in New York City\'.
Em 1973 John e Yoko fazem uma breve separação e John passa a viver em Los Angeles com sua secretária May Pang. Nessa fase grava dois discos: \'Mind Games\' e \'Walls and Bridges\', que são mais comerciais e tem pouco da linha ferina típica de John. Nessa época começa a gravar o disco \'Rock\'n\'Roll\', que só seria terminado 2 anos mais tarde, contendo vários clássicos do Rock.
O \'Long Weekend\' de John termina em 1975, quando após uma participação no Madison Square Garden em um show de Elton John, encontra Yoko Ono nos camarins e ambos reatam o \'affair\'.
Compram vários apartamentos no edifício Dakota, em NY, onde John se torna pai pela 2ª vez. Sean Ono Lennon nasce no mesmo dia do aniversário de John, em 09 de Outubro de 1975. John começa então um jejum musical de 5 anos,fazendo pão e vendo seu filho crescer. Yoko toma conta dos negócios.
O movimento \'New Wave\' de 1980 deu fôlego a John e Yoko para retornarem aos estúdios, quando gravam o disco \'Double Fantasy\'. O Disco se torna um megassucesso.
O que houve depois disso todos sabem, e infelizmente a carreira de John termina aí: 08 de Dezembro de 1980. Depois disso o filme \'Imagine\' é rodado, vários discos foram lançados, e até uma \'breve\' reunião dos Beatles acontece com \'Free as a Bird\'.
Foram poucos os discos solo que John deixou, mas seu legado é enorme, e com certeza, John é o que se pode ser proclamado um dos músicos do século.
[Fonte: http://www.getback.com.br (adaptado)]

JESUS CRISTO
\"A MINHA PAZ VOS DEIXO, A MINHA
PAZ VOS DOU. VOS DOU A PAZ QUE O MUNDO NÃO PODE DAR\"
Carta enviada da Galiléia pelo senador romano Públio Lêntulus ao imperador Tibério César: Sabendo que desejais conhecer quanto vou narrar, existindo nos nossos tempos um homem, o qual vive atualmente de grandes virtudes, chamado Jesus, que pelo povo é inculcado profeta da verdade, e os seus discípulos dizem que é filho de Deus, criador do Céu e da Terra e de todas as coisas que nela se acham e que nela tenham estado; em verdade, ó César, cada dia se ouve coisas maravilhosas desse Jesus: \"ressuscita os mortos, cura os enfermos\", em uma só palavra: ...
...é um homem de justa estatura e é muito belo no aspecto. Há tanta majestade no rosto, que aqueles que o vêem são forçados a amá-lo ou temê-lo. Tem os cabelos da cor de amêndoa bem madura, são distendidos até as orelhas, e das orelhas até as espáduas, são da cor da terra, porém mais reluzentes. Tem no meio da sua fronte uma linha separando os cabelos, na forma em uso dos nazarenos; o seu rosto é cheio, o aspecto é muito sereno, nenhuma ruga ou mancha se vê em sua face de uma cor moderada; o nariz e a boca são irrepreensíveis. A barba é espessa, mas semelhante aos cabelos, não muito longa, mas separada pelo meio; seu olhar é muito especioso e grave; tem os olhos graciosos e claros; o que surpreende é que resplandecem no seu rosto como os raios do sol, porém ninguém pode olhar fixo no seu semblante, porque, quando resplende, apavora, e quando ameniza, faz chorar; faz-se amar e é alegre com gravidade.
Diz-se que nunca ninguém o viu rir, mas, antes, chorar. Tem os braços e as mãos muito belos; na palestra contenta muito, mas o faz raramente e, quando dele alguém se aproxima verifica que é muito modesto na presença e na pessoa. É o mais belo homem que se possa imaginar, muito semelhante a sua mãe, a qual é de rara beleza, não se tendo jamais visto, por estas partes, uma donzela tão bela... De letras, faz-se admirar de toda a cidade de Jerusalém; ele sabe todas as ciências e nunca estudou nada.
Ele caminha descalço e sem coisa alguma na cabeça. Muitos se riem, vendo-o assim, porém em sua presença, falando com ele, tremem e admiram. Dizem que um tal homem nunca fora ouvido por estas partes. Em verdade, segundo me dizem os hebreus, não se ouviram jamais tais conselhos, de grande doutrina, como ensina este Jesus; muitos judeus o têm como Divino e muitos me querelam, afirmando que é contra a lei de tua majestade.
Diz-se que este Jesus nunca fez mal a quem quer que seja, mas, ao contrário, aqueles que o conhecem e com ele têm praticado afirmam ter dele recebido grandes benefícios e saúde, porém à tua obediência estou prontíssimo -aquilo que tua majestade ordenar será cumprido. Vale, da majestade tua, fidelíssimo e obrigadíssimo. Públio Lêntulus SHALOM é a palavra hebraica que exprime a Paz.
É também um dos nomes de Deus, na concepção judaica, e ninguém melhor do que Jesus, o judeu, para qualificar e exemplificar a PAZ com as suas atitudes. Esta palavra é usada e exemplificada por ELE várias vezes nos Evangelhos. Ele soube sempre cultivá-la em toda e qualquer situação. Suas ações e atitudes foram sempre voltadas para a Paz. No tempo de Jesus todos os Judeus desejavam ardentemente vingança premente contra a opressão romana que impunha a humilhação e a escravidão do povo judeu, enquanto Jesus suscitava deles um gesto de ação contrária e consoladora: \\\"Avante, os humilhados de espíritos porque deles é o reino dos Céus\\\". Mt. 5:1.
Demonstrando aos que o ouviam, que existia um reino espiritual, onde o romano não tinha domínio. Enquanto os romanos impunham a brutalidade e a força do chicote, Ele afirmava: \\\"Avante, os humildes porque eles herdarão a terra\\\". Mt. 5:5. Os opressores matavam e escravizavam, enquanto Jesus afirmava: \\\"Avante os que promovem a vida, porque receberão a vida\\\". Mt. 5:7. Sua maior expressão de ensinamento frente às agressões recebidas e vividas pelos judeus foi afirmar em uma época tão turbulenta e revoltante: \\\"Avante os que fazem a Paz, porque serão chamados filhos de Deus\\\". Mt. 5:9.
Esta frase demonstra em vez de reação, uma ação oposta e completamente diferente daquela que desejava o povo. No entanto, através dela pode-se destruir todo e qualquer tipo de violência. Recomendou ainda aos seus discípulos que quando entrassem numa casa que fosse digna, saudassem e fizessem descer sobre ela a Paz. Mt 10:13. A tua fé te salvou. Vai em Paz. Disse Jesus para a pecadora em Lucas 7:50. \\\"A minha Paz vos deixo a minha Paz vos dou\\\", falou aos discípulos confortando-os nas suas despedidas. João 14:27. \\\"Eu vos disse tais coisas para terdes Paz em mim\\\", concluindo suas despedidas em João 16:33. Na sua primeira aparição aos discípulos, pondo-se no meio deles, os saudou duas vezes com a frase: \\\"A Paz esteja convosco\\\". João 20:19 e 20.
Na sua segunda aparição em presença de Tomé, Ele os saúda com a mesma frase em João 20:26. Aconselhou-nos a perdoar não sete vezes, mas setenta vezes sete. Jesus foi e será sempre o símbolo maior da Paz pelo seu comportamento, conduta e exemplo. Nunca estivemos tão carentes da prática dos seus ensinamentos, como agora. Unamo-nos nesta corrente de Paz para podermos juntos reconstruir um mundo melhor. Severino Celestino da Silva, em 15 de outubro de 2003.
Carta enviada da Galiléia pelo senador romano Públio Lêntulus ao imperador Tibério César: Sabendo que desejais conhecer quanto vou narrar, existindo nos nossos tempos um homem, o qual vive atualmente de grandes virtudes, chamado Jesus, que pelo povo é inculcado profeta da verdade, e os seus discípulos dizem que é filho de Deus, criador do Céu e da Terra e de todas as coisas que nela se acham e que nela tenham estado; em verdade, ó César, cada dia se ouve coisas maravilhosas desse Jesus: \"ressuscita os mortos, cura os enfermos\", em uma só palavra: ...
...é um homem de justa estatura e é muito belo no aspecto. Há tanta majestade no rosto, que aqueles que o vêem são forçados a amá-lo ou temê-lo. Tem os cabelos da cor de amêndoa bem madura, são distendidos até as orelhas, e das orelhas até as espáduas, são da cor da terra, porém mais reluzentes. Tem no meio da sua fronte uma linha separando os cabelos, na forma em uso dos nazarenos; o seu rosto é cheio, o aspecto é muito sereno, nenhuma ruga ou mancha se vê em sua face de uma cor moderada; o nariz e a boca são irrepreensíveis. A barba é espessa, mas semelhante aos cabelos, não muito longa, mas separada pelo meio; seu olhar é muito especioso e grave; tem os olhos graciosos e claros; o que surpreende é que resplandecem no seu rosto como os raios do sol, porém ninguém pode olhar fixo no seu semblante, porque, quando resplende, apavora, e quando ameniza, faz chorar; faz-se amar e é alegre com gravidade.
Diz-se que nunca ninguém o viu rir, mas, antes, chorar. Tem os braços e as mãos muito belos; na palestra contenta muito, mas o faz raramente e, quando dele alguém se aproxima verifica que é muito modesto na presença e na pessoa. É o mais belo homem que se possa imaginar, muito semelhante a sua mãe, a qual é de rara beleza, não se tendo jamais visto, por estas partes, uma donzela tão bela... De letras, faz-se admirar de toda a cidade de Jerusalém; ele sabe todas as ciências e nunca estudou nada.
Ele caminha descalço e sem coisa alguma na cabeça. Muitos se riem, vendo-o assim, porém em sua presença, falando com ele, tremem e admiram. Dizem que um tal homem nunca fora ouvido por estas partes. Em verdade, segundo me dizem os hebreus, não se ouviram jamais tais conselhos, de grande doutrina, como ensina este Jesus; muitos judeus o têm como Divino e muitos me querelam, afirmando que é contra a lei de tua majestade.
Diz-se que este Jesus nunca fez mal a quem quer que seja, mas, ao contrário, aqueles que o conhecem e com ele têm praticado afirmam ter dele recebido grandes benefícios e saúde, porém à tua obediência estou prontíssimo -aquilo que tua majestade ordenar será cumprido. Vale, da majestade tua, fidelíssimo e obrigadíssimo. Públio Lêntulus SHALOM é a palavra hebraica que exprime a Paz.
É também um dos nomes de Deus, na concepção judaica, e ninguém melhor do que Jesus, o judeu, para qualificar e exemplificar a PAZ com as suas atitudes. Esta palavra é usada e exemplificada por ELE várias vezes nos Evangelhos. Ele soube sempre cultivá-la em toda e qualquer situação. Suas ações e atitudes foram sempre voltadas para a Paz. No tempo de Jesus todos os Judeus desejavam ardentemente vingança premente contra a opressão romana que impunha a humilhação e a escravidão do povo judeu, enquanto Jesus suscitava deles um gesto de ação contrária e consoladora: \\\"Avante, os humilhados de espíritos porque deles é o reino dos Céus\\\". Mt. 5:1.
Demonstrando aos que o ouviam, que existia um reino espiritual, onde o romano não tinha domínio. Enquanto os romanos impunham a brutalidade e a força do chicote, Ele afirmava: \\\"Avante, os humildes porque eles herdarão a terra\\\". Mt. 5:5. Os opressores matavam e escravizavam, enquanto Jesus afirmava: \\\"Avante os que promovem a vida, porque receberão a vida\\\". Mt. 5:7. Sua maior expressão de ensinamento frente às agressões recebidas e vividas pelos judeus foi afirmar em uma época tão turbulenta e revoltante: \\\"Avante os que fazem a Paz, porque serão chamados filhos de Deus\\\". Mt. 5:9.
Esta frase demonstra em vez de reação, uma ação oposta e completamente diferente daquela que desejava o povo. No entanto, através dela pode-se destruir todo e qualquer tipo de violência. Recomendou ainda aos seus discípulos que quando entrassem numa casa que fosse digna, saudassem e fizessem descer sobre ela a Paz. Mt 10:13. A tua fé te salvou. Vai em Paz. Disse Jesus para a pecadora em Lucas 7:50. \\\"A minha Paz vos deixo a minha Paz vos dou\\\", falou aos discípulos confortando-os nas suas despedidas. João 14:27. \\\"Eu vos disse tais coisas para terdes Paz em mim\\\", concluindo suas despedidas em João 16:33. Na sua primeira aparição aos discípulos, pondo-se no meio deles, os saudou duas vezes com a frase: \\\"A Paz esteja convosco\\\". João 20:19 e 20.
Na sua segunda aparição em presença de Tomé, Ele os saúda com a mesma frase em João 20:26. Aconselhou-nos a perdoar não sete vezes, mas setenta vezes sete. Jesus foi e será sempre o símbolo maior da Paz pelo seu comportamento, conduta e exemplo. Nunca estivemos tão carentes da prática dos seus ensinamentos, como agora. Unamo-nos nesta corrente de Paz para podermos juntos reconstruir um mundo melhor. Severino Celestino da Silva, em 15 de outubro de 2003.

CHICO MENDES
\"QUERO FICAR VIVO PARA SALVAR A
AMAZÔNIA\"
Francisco Alves Mendes Filho, conhecido como Chico Mendes, líder dos seringueiros e ecologista nato, procedente de uma humilde família de nordestinos, nasceu a 15 de Dezembro de 1944, no seringal denominado Porto Rico, localizado no município de Xapuri, Estado do Acre. Essa região, que no passado pertencia a bolivianos e peruanos, tornou-se palco de grandes lutas históricas entre brasileiros e bolivianos, mas com a derrota dos estrangeiros passou a pertencer ao Brasil.
Chico Mendes, homem de aspecto sereno, cor morena e bigode robusto, teve uma infância pobre, como milhares de brasileiros excluídos, nativos da região Norte. Morou sempre em casa de madeira com piso de barro. Ainda criança, tornou-se seringueiro. Aprendeu a ler e escrever aos 24 anos de idade. Com o passar dos anos, o seu ideal de infância de amar e preservar o meio ambiente foi amadurecendo, através da experiência e da sabedoria nata de homem da floresta que era.
Sentia-se na obrigação de abraçar a causa e lutar em prol da preservação da Amazônia, principalmente quando se deparava com o descaso dos grandes empresários e fazendeiros. Esses eram acobertados por forças governamentais e, guiados pela opulência e pela ambição, enviavam seus empregados armados com motosserras, machados, facões e tratores para derrubar as árvores, provocar queimadas, sem sequer tomar conhecimento da dimensão da destruição que estavam provocando, não somente na fauna e na flora da região amazônica, mas em todo o ecossistema mundial. Foi a partir daí que Chico Mendes decidiu levantar a bandeira em prol da preservação das matas.
Tornou-se líder sindical em 1975, e um formador de consciência junto à população de excluídos e semi-escravizados dos seringais da região. Nesse mesmo ano, com a fundação do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Brasiléia, ele foi escolhido para ser o secretário do órgão.
Em 1976, participou ativamente junto aos seringueiros na luta contra o desmatamento. Isso se deu através dos empates, um movimento pacífico que consiste em reunir grande número de seringueiros, trabalhadores rurais, índios e pescadores desarmados, com suas mulheres e filhos, dando-se as mãos no meio da selva ou na beira dos rios, a fim de impedir as derrubadas das árvores pelos peões dos fazendeiros e seringalistas que surgiam armados.
Através desses movimentos, os seringueiros e pescadores ribeirinhos tentavam neutralizar e conscientizar os predadores sobre as conseqüências da destruição e devastação ambientais e das atitudes brutais dos grandes empresários.
Muitas vezes eles conseguiram atrasar os projetos dos fazendeiros, dando tempo aos líderes sindicais para que estruturassem coalizações políticas a favor da preservação das matas, das terras e das reservas extrativistas. Em 1977, o ecologista participou da fundação do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Xapuri, sendo também eleito vereador pelo partido do Movimento Democrático Brasileiro (MDB). No ano de 1979, na Câmara Municipal de Xapuri, realizou-se um grande fórum de debates entre as lideranças sindicais, populares e religiosas, liderado por Chico Mendes. Esse evento constituiu-se motivo suficiente para que ele fosse acusado de subversão e passasse a sofrer torturas e ameaças de morte.
Em 1980, juntamente com Luís Inácio Lula da Silva, Chico Mendes fundou o Partido dos Trabalhadores (PT). Realizou comícios e levantes populares, com o objetivo de conscientizar os trabalhadores sobre a defesa de seus direitos. No 1º
Encontro Nacional dos Seringueiros, em 1985, Chico Mendes apresentou a proposta \"União dos Povos da Floresta\", um documento reivindicatório, visando a união das forças dos índios, trabalhadores rurais e seringueiros em defesa e preservação da Floresta Amazônica e das reservas extrativistas em terras indígenas. As reivindicações e denúncias sobre a devastação da mata e o massacre dos índios constantes naquele documento tiveram uma grande repercussão nacional e internacional. Dois anos após o evento, ou seja, em 1987, chegaram ao Brasil representantes da Organização das Nações Unidas - ONU - e de várias partes do mundo, para constatar a veracidade das denúncias contidas no referido documento. Meses depois, Chico Mendes ganhou o prêmio de destaque GLOBAL 500.
A luta pela preservação ecológica foi uma constante na vida do homem da floresta que, pacificamente, conseguiu mobilizar e conscientizar a sociedade rural, bem como Organizações Não-Governamentais - ONGs - nacionais e internacionais. Por outro lado, sua perseverança em proteger o meio ambiente e as espécies nativas da região despertou o ódio dos grupos de fazendeiros e de empresas que insistiam na exploração e na devastação da floresta. Durante todo o ano de 1988, Chico Mendes sofreu ameaças de morte e perseguições por parte de pessoas ligadas a partidos políticos e a organizações clandestinas destinadas à exploração desregrada da região.
No dia 22 de dezembro de 1988, após inúmeros conflitos, intrigas, levantes e movimentos sindicais, o sindicalista e ecologista Chico Mendes teve a sua vida ceifada por mãos criminosas. Passou a ser a 97ª vítima na lista dos trabalhadores rurais, assassinada durante o ano de 1988, por lutar pelos seus direitos, como também pela preservação ambiental da Região Amazônica.
\"Logo o Chico! Que foi um dos mais apaixonados defensores da vida, um homem tão puro e tão limpo como a água da chuva da mata que foi sua companheira inseparável...\" Luiz Inácio Lula da Silva.
Francisco Alves Mendes Filho, conhecido como Chico Mendes, líder dos seringueiros e ecologista nato, procedente de uma humilde família de nordestinos, nasceu a 15 de Dezembro de 1944, no seringal denominado Porto Rico, localizado no município de Xapuri, Estado do Acre. Essa região, que no passado pertencia a bolivianos e peruanos, tornou-se palco de grandes lutas históricas entre brasileiros e bolivianos, mas com a derrota dos estrangeiros passou a pertencer ao Brasil.
Chico Mendes, homem de aspecto sereno, cor morena e bigode robusto, teve uma infância pobre, como milhares de brasileiros excluídos, nativos da região Norte. Morou sempre em casa de madeira com piso de barro. Ainda criança, tornou-se seringueiro. Aprendeu a ler e escrever aos 24 anos de idade. Com o passar dos anos, o seu ideal de infância de amar e preservar o meio ambiente foi amadurecendo, através da experiência e da sabedoria nata de homem da floresta que era.
Sentia-se na obrigação de abraçar a causa e lutar em prol da preservação da Amazônia, principalmente quando se deparava com o descaso dos grandes empresários e fazendeiros. Esses eram acobertados por forças governamentais e, guiados pela opulência e pela ambição, enviavam seus empregados armados com motosserras, machados, facões e tratores para derrubar as árvores, provocar queimadas, sem sequer tomar conhecimento da dimensão da destruição que estavam provocando, não somente na fauna e na flora da região amazônica, mas em todo o ecossistema mundial. Foi a partir daí que Chico Mendes decidiu levantar a bandeira em prol da preservação das matas.
Tornou-se líder sindical em 1975, e um formador de consciência junto à população de excluídos e semi-escravizados dos seringais da região. Nesse mesmo ano, com a fundação do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Brasiléia, ele foi escolhido para ser o secretário do órgão.
Em 1976, participou ativamente junto aos seringueiros na luta contra o desmatamento. Isso se deu através dos empates, um movimento pacífico que consiste em reunir grande número de seringueiros, trabalhadores rurais, índios e pescadores desarmados, com suas mulheres e filhos, dando-se as mãos no meio da selva ou na beira dos rios, a fim de impedir as derrubadas das árvores pelos peões dos fazendeiros e seringalistas que surgiam armados.
Através desses movimentos, os seringueiros e pescadores ribeirinhos tentavam neutralizar e conscientizar os predadores sobre as conseqüências da destruição e devastação ambientais e das atitudes brutais dos grandes empresários.
Muitas vezes eles conseguiram atrasar os projetos dos fazendeiros, dando tempo aos líderes sindicais para que estruturassem coalizações políticas a favor da preservação das matas, das terras e das reservas extrativistas. Em 1977, o ecologista participou da fundação do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Xapuri, sendo também eleito vereador pelo partido do Movimento Democrático Brasileiro (MDB). No ano de 1979, na Câmara Municipal de Xapuri, realizou-se um grande fórum de debates entre as lideranças sindicais, populares e religiosas, liderado por Chico Mendes. Esse evento constituiu-se motivo suficiente para que ele fosse acusado de subversão e passasse a sofrer torturas e ameaças de morte.
Em 1980, juntamente com Luís Inácio Lula da Silva, Chico Mendes fundou o Partido dos Trabalhadores (PT). Realizou comícios e levantes populares, com o objetivo de conscientizar os trabalhadores sobre a defesa de seus direitos. No 1º
Encontro Nacional dos Seringueiros, em 1985, Chico Mendes apresentou a proposta \"União dos Povos da Floresta\", um documento reivindicatório, visando a união das forças dos índios, trabalhadores rurais e seringueiros em defesa e preservação da Floresta Amazônica e das reservas extrativistas em terras indígenas. As reivindicações e denúncias sobre a devastação da mata e o massacre dos índios constantes naquele documento tiveram uma grande repercussão nacional e internacional. Dois anos após o evento, ou seja, em 1987, chegaram ao Brasil representantes da Organização das Nações Unidas - ONU - e de várias partes do mundo, para constatar a veracidade das denúncias contidas no referido documento. Meses depois, Chico Mendes ganhou o prêmio de destaque GLOBAL 500.
A luta pela preservação ecológica foi uma constante na vida do homem da floresta que, pacificamente, conseguiu mobilizar e conscientizar a sociedade rural, bem como Organizações Não-Governamentais - ONGs - nacionais e internacionais. Por outro lado, sua perseverança em proteger o meio ambiente e as espécies nativas da região despertou o ódio dos grupos de fazendeiros e de empresas que insistiam na exploração e na devastação da floresta. Durante todo o ano de 1988, Chico Mendes sofreu ameaças de morte e perseguições por parte de pessoas ligadas a partidos políticos e a organizações clandestinas destinadas à exploração desregrada da região.
No dia 22 de dezembro de 1988, após inúmeros conflitos, intrigas, levantes e movimentos sindicais, o sindicalista e ecologista Chico Mendes teve a sua vida ceifada por mãos criminosas. Passou a ser a 97ª vítima na lista dos trabalhadores rurais, assassinada durante o ano de 1988, por lutar pelos seus direitos, como também pela preservação ambiental da Região Amazônica.
\"Logo o Chico! Que foi um dos mais apaixonados defensores da vida, um homem tão puro e tão limpo como a água da chuva da mata que foi sua companheira inseparável...\" Luiz Inácio Lula da Silva.

MADRE TERESA DE CALCUTÁ
\"NÃO USEMOS BOMBAS NEM ARMAS
PARA CONQUISTAR O MUNDO. USEMOS O AMOR E A COMPAIXÃO. A PAZ COMEÇA COM UM
SORRISO\"
Agnes Gonxha Bojaxhiu nasce em Skoplje (Albânia), irmã mais nova de Ágata e de Lázaro, filha de Nicolau e de Rosa. Nasceu em 25 de agosto de 1910. A sua família pertencia à minoria albanesa que vivia no sul da antiga Iugoslávia.
Pouco se sabe da sua infância, adolescência e juventude porque Madre Teresa tinha horror de falar de si. Nunca morou na Albânia; foi educada numa escola estatal da atual Croácia, durante os tristes anos da Primeira Guerra Mundial.
Freqüentou a escola estatal nãocatólica e ingressou na Congregação Mariana onde foi aperfeiçoando a formação cristã ao mesmo tempo que tomava conhecimento da vida da Igreja e abria o coração às necessidades do mundo. Particular impressão lhe faziam as cartas que os missionários jesuítas da Índia escreviam e que eram comentadas em grupo. A miséria material e espiritual de tanta gente tocava o seu coração. Aos dezoito anos surge-lhe o pensamento da consagração total a Deus na vida religiosa. Obteve o consentimento dos pais e entrou no dia 29 de Setembro de 1928 para a Casa Mãe das Irmãs de Nossa Senhora de Loreto, em Rathfarnham, perto de Dublin (Irlanda).
O seu sonho era a Índia, o trabalho missionário junto dos pobres. Sabedoras desta aspiração da jovem iugoslava, as superioras decidiram que ela fizesse o noviciado já no campo do apostolado. Por isso, ao fim de poucos meses de estadia na Irlanda, Agnes partiu para Índia. O ideal que brilhara pela primeira vez na sua vida aos doze anos começava a concretizar-se. Foi enviada para Darjeeling, local onde as Irmãs de Loreto possuíam um colégio. Ali fez o noviciado. No dia 24 de Maio de 1931, faz a profissão religiosa, emitiu os votos temporários de pobreza, castidade e obediência tomando o nome de Teresa. De Darjeeling passou a Irmã Teresa para Calcutá. Tendo freqüentado uma carreira docente, passou a ensinar Geografia no Colégio de Santa Maria, da Congregação de Nossa Senhora do Loreto, em Calcutá. Mais tarde foi nomeada Diretora.
Irmã Teresa gostava de ensinar. As alunas estimavam-na porque era uma excelente professora, sempre dedicada e atenta a todos os problemas. O dia 10 de setembro de 1946 ficou marcado na história das Missionárias da Caridade e, obviamente, no livro da vida da Madre Teresa como o \"dia da inspiração\". Numa viagem de trem ao noviciado do Himalaia, recebe uma claríssima iluminação interior: dedicar a sua vida aos mais pobres dos pobres. Relatou-o assim: Em 1946, ia de Calcutá a Darjeeling, de trem, para fazer o meu retiro. Nunca é fácil dormir nos trens, mas tentar fazê-lo num trem da Índia é impossível: tudo range, há um penetrante odor de sujidade pelo amontoamento de homens e animais, todo um detrito de humanidade, cestos, galinhas cacarejando... Naquele trem, aos meus trinta e seis anos, percebi no meu interior uma chamada para que renunciasse a tudo e seguisse Cristo nos subúrbios, a fim de servi-lo entre os mais pobres dos pobres. Compreendi que Deus desejava isso de mim... A longa e dolorosa meditação que fizera terminou com uma pergunta muito concreta: que poderei fazer por estes que sofrem? Aqui a angústia da sua alma cresceu. Amava a Congregação, gostava de ensinar... Quase nada poderia fazer dentro dos regulamentos a que amorosamente se sujeitara e que cumprira com toda a fidelidade. Mas, Deus não pediria mais? Não seria talvez necessário ir ter com as superioras e com as autoridades eclesiásticas e expor-lhes frontalmente o problema, pedir-lhes até autorização para fazer a experiência de se colocar totalmente ao serviço dos mais pobres? Foi assim, com todas estas interrogações que a Irmã Teresa viveu o seu retiro daquele ano. Na oração e na meditação daqueles dias, mais se confirmou que a aspiração que lhe brotava do fundo da alma não era um capricho, mas manifestação da vontade de Deus.
Tendo regressado a Calcutá, foi ter com o arcebispo Mons. Fernando Périer a quem expôs o seu plano. Ele ouviu atentamente e, no fim, calmo, frio, disse um não absoluto que não deixou hipóteses para qualquer dúvida. A Irmã Teresa aceitou humildemente a recusa. Mais tarde comentou assim: Não podia ter sido outra a sua resposta. Um bispo não pode autorizar a primeira religiosa que se lhe apresenta com projetos raros sob pretexto de que essa parece ser a vontade de Deus. Voltou às lides diárias que cumpria cada vez com maior dedicação e entusiasmo. O carinho das alunas demonstrado de tantas maneiras e a amizade das companheiras não lhe fizeram esquecer a imagem horrorosa dos doentes e dos famintos que morriam pelas ruas de Calcutá.
Um ano depois, foi ter novamente com o arcebispo. Levava nos lábios o mesmo pedido e no coração a mesma disposição para aceitar, com humildade e alegria, a resposta qualquer que ela fosse. Mons. Périer escutou, mais uma vez, as razões da Irmã Teresa. A sua simplicidade, fervor e persistência convenceram-no de que estava perante uma manifestação da vontade de Deus. Por isso, desta vez, mais afável, aconselhou: Peça, primeiro, autorização à Madre Superiora. A Irmã Teresa escreveu prontamente uma carta expondo o seu plano. A Superiora viu nessas linhas a expressão da vontade de Deus. O que aquela religiosa pedia era algo muito sério e exigente. Por isso, respondeu-lhe nestes termos: \"Se essa é a vontade de Deus, autorizo-te de todo o coração. De qualquer maneira, lembra-te sempre da amizade que todas nós te consagramos. Se algum dia, por qualquer razão, quiseres voltar para o meio de nós, fica sabendo que te receberemos com amor de irmãs\".
Em 08 de Agosto de 1948 ela deixou o colégio de Santa Maria. Custou imenso: a ela, às companheiras, às alunas. Depois dirigiu-se para Patna, para fazer um breve curso de enfermagem que julgava de imensa utilidade para a sua atividade futura. Em 21 de dezembro de 1948, obtém a nacionalidade indiana. Data que reunia um grupo de cinco crianças, num bairro pobre, a quem começou a dar escola. Pouco a pouco, o grupo foi aumentando. Dez dias depois eram cerca de cinqüenta. Tendo abandonado o hábito da Congregação de Loreto, a Irmã Teresa comprou um sari branco, um vestido de uma modesta mulher indiana e colocou no ombro uma pequena cruz.
Com o alfabeto a irmã dava lições de higiene (muitas vezes iniciava a aula lavando a cara aos alunos) e de moral. Depois ia de abrigo em abrigo levando, mais que donativos, palavras amigas e as mãos sempre prestáveis para qualquer trabalho. Não foi preciso muito tempo para que todos a conhecessem. Quando ela passava, crianças famintas e sujas, deficientes, enfermos de todas a espécie gritavam por ela com os olhos inundados de esperança: Madre Teresa! Madre Teresa! Mas o início foi duro. Sentiu a angústia terrível da solidão. Era preciso um teto para acolher os abandonados, e caminhou para achá-lo. \"Caminhei e caminhei ininterruptamente, até que já não pude mais. Então compreendi até que ponto de esgotamento têm que chegar os verdadeiros pobres, sempre em busca de um pouco de alimento, de remédio, de tudo. \"Algumas colaboradoras começaram a surgir, precisamente entre as suas antigas alunas. Vinham sabendo que se tratava de algo difícil. A primeira foi Shubashini Das. Era uma linda jovem, dotada de bastante inteligência. Em 1949, começa a escrever as constituições das Missionárias da Caridade, nome que dá à sua Congregação. ...O primeiro trabalho com os doentes e moribundos recolhidos na rua era lavar-lhes o rosto e o corpo. A maior parte não conhecia sequer o sabão e a espuma metia-lhes medo. Se as Irmãs não vissem nestes infelizes o rosto de Cristo, o trabalho tornar-se-lhes-ia impossível. Nós queremos que eles saibam que há pessoas que os amam verdadeiramente. Aqui eles encontram a sua dignidade de homens e morrem num silêncio impressionante... Deus ama o silêncio.
Em agosto de 1952, abre o lar infantil Sishi Bavan (Casa da Esperança) e inaugura o seu famoso \"Lar para Moribundos\", em Kalighat, ao qual dedica as suas melhores energias físicas e espirituais. A partir dessa data, a sua Congregação começa a expandir-se de maneira irresistível pela Índia e por todo o mundo. Na Índia, principia por Ranchi e continua depois por Nova Delhi e Bombaim; Em 1973, abre uma casa em Gaza, na Palestina, para atender os refugiados, e celebra a primeira Assembléia Internacional dos colaboradores das Missionárias da caridade, instituição cujo estatuto tinha sido aprovado em 1969, e que reúne centenas de milhares de pessoas de todo o mundo.
Em 15 de junho de 1976, precisamente em Nova York, que era, no entender dela, o lugar mais necessitado de oração, funda o ramo contemplativo das Missionárias da Caridade. E em dezembro de 1976, inaugura centros de assistência no México e Guatemala. Recebe o Prêmio Nobel da Paz. Ainda em 1979, João Paulo II recebe-a em audiência privada e ela converte-se, sem nunca ter estudado diplomacia, na melhor \"embaixadora\" do Papa em todas as nações, fóruns e assembléias do universo. Muitas universidades lhe conferiram o título \"Honoris Causa\". E ainda em 1980, recebe a Ordem \"Distinguished Public Service Award\" nos EUA.
Em 1983, estando em Roma, sofre o primeiro grave ataque do coração. Tinha 73 anos. Foi muito bem atendida e o médico disse-lhe: \"A senhora tem coração para mais trinta anos\". Tomou isso ao pé da letra e nem febre alta a fazia descansar. Em agosto de 1989, realiza um dos seus sonhos: abrir uma casa de assistência em Albânia, sua cidade natal, que é um dos países mais pobres, injustos e atrasados do planeta.
No dia 05 de setembro de 1997, depois de sofrer uma última parada cardíaca, vem a falecer. Uma fila de quilômetros formou-se durante dias a fio, diante da igreja de São Tomé, em Calcutá, onde o seu corpo estava sendo velado. Madre Tereza de Calcutá é uma das personalidades que melhor representou a luta pela Paz no século XX. Em seus discursos, ela estava sempre ressaltando a Paz e a cooperação entre os seres humanos.
Agnes Gonxha Bojaxhiu nasce em Skoplje (Albânia), irmã mais nova de Ágata e de Lázaro, filha de Nicolau e de Rosa. Nasceu em 25 de agosto de 1910. A sua família pertencia à minoria albanesa que vivia no sul da antiga Iugoslávia.
Pouco se sabe da sua infância, adolescência e juventude porque Madre Teresa tinha horror de falar de si. Nunca morou na Albânia; foi educada numa escola estatal da atual Croácia, durante os tristes anos da Primeira Guerra Mundial.
Freqüentou a escola estatal nãocatólica e ingressou na Congregação Mariana onde foi aperfeiçoando a formação cristã ao mesmo tempo que tomava conhecimento da vida da Igreja e abria o coração às necessidades do mundo. Particular impressão lhe faziam as cartas que os missionários jesuítas da Índia escreviam e que eram comentadas em grupo. A miséria material e espiritual de tanta gente tocava o seu coração. Aos dezoito anos surge-lhe o pensamento da consagração total a Deus na vida religiosa. Obteve o consentimento dos pais e entrou no dia 29 de Setembro de 1928 para a Casa Mãe das Irmãs de Nossa Senhora de Loreto, em Rathfarnham, perto de Dublin (Irlanda).
O seu sonho era a Índia, o trabalho missionário junto dos pobres. Sabedoras desta aspiração da jovem iugoslava, as superioras decidiram que ela fizesse o noviciado já no campo do apostolado. Por isso, ao fim de poucos meses de estadia na Irlanda, Agnes partiu para Índia. O ideal que brilhara pela primeira vez na sua vida aos doze anos começava a concretizar-se. Foi enviada para Darjeeling, local onde as Irmãs de Loreto possuíam um colégio. Ali fez o noviciado. No dia 24 de Maio de 1931, faz a profissão religiosa, emitiu os votos temporários de pobreza, castidade e obediência tomando o nome de Teresa. De Darjeeling passou a Irmã Teresa para Calcutá. Tendo freqüentado uma carreira docente, passou a ensinar Geografia no Colégio de Santa Maria, da Congregação de Nossa Senhora do Loreto, em Calcutá. Mais tarde foi nomeada Diretora.
Irmã Teresa gostava de ensinar. As alunas estimavam-na porque era uma excelente professora, sempre dedicada e atenta a todos os problemas. O dia 10 de setembro de 1946 ficou marcado na história das Missionárias da Caridade e, obviamente, no livro da vida da Madre Teresa como o \"dia da inspiração\". Numa viagem de trem ao noviciado do Himalaia, recebe uma claríssima iluminação interior: dedicar a sua vida aos mais pobres dos pobres. Relatou-o assim: Em 1946, ia de Calcutá a Darjeeling, de trem, para fazer o meu retiro. Nunca é fácil dormir nos trens, mas tentar fazê-lo num trem da Índia é impossível: tudo range, há um penetrante odor de sujidade pelo amontoamento de homens e animais, todo um detrito de humanidade, cestos, galinhas cacarejando... Naquele trem, aos meus trinta e seis anos, percebi no meu interior uma chamada para que renunciasse a tudo e seguisse Cristo nos subúrbios, a fim de servi-lo entre os mais pobres dos pobres. Compreendi que Deus desejava isso de mim... A longa e dolorosa meditação que fizera terminou com uma pergunta muito concreta: que poderei fazer por estes que sofrem? Aqui a angústia da sua alma cresceu. Amava a Congregação, gostava de ensinar... Quase nada poderia fazer dentro dos regulamentos a que amorosamente se sujeitara e que cumprira com toda a fidelidade. Mas, Deus não pediria mais? Não seria talvez necessário ir ter com as superioras e com as autoridades eclesiásticas e expor-lhes frontalmente o problema, pedir-lhes até autorização para fazer a experiência de se colocar totalmente ao serviço dos mais pobres? Foi assim, com todas estas interrogações que a Irmã Teresa viveu o seu retiro daquele ano. Na oração e na meditação daqueles dias, mais se confirmou que a aspiração que lhe brotava do fundo da alma não era um capricho, mas manifestação da vontade de Deus.
Tendo regressado a Calcutá, foi ter com o arcebispo Mons. Fernando Périer a quem expôs o seu plano. Ele ouviu atentamente e, no fim, calmo, frio, disse um não absoluto que não deixou hipóteses para qualquer dúvida. A Irmã Teresa aceitou humildemente a recusa. Mais tarde comentou assim: Não podia ter sido outra a sua resposta. Um bispo não pode autorizar a primeira religiosa que se lhe apresenta com projetos raros sob pretexto de que essa parece ser a vontade de Deus. Voltou às lides diárias que cumpria cada vez com maior dedicação e entusiasmo. O carinho das alunas demonstrado de tantas maneiras e a amizade das companheiras não lhe fizeram esquecer a imagem horrorosa dos doentes e dos famintos que morriam pelas ruas de Calcutá.
Um ano depois, foi ter novamente com o arcebispo. Levava nos lábios o mesmo pedido e no coração a mesma disposição para aceitar, com humildade e alegria, a resposta qualquer que ela fosse. Mons. Périer escutou, mais uma vez, as razões da Irmã Teresa. A sua simplicidade, fervor e persistência convenceram-no de que estava perante uma manifestação da vontade de Deus. Por isso, desta vez, mais afável, aconselhou: Peça, primeiro, autorização à Madre Superiora. A Irmã Teresa escreveu prontamente uma carta expondo o seu plano. A Superiora viu nessas linhas a expressão da vontade de Deus. O que aquela religiosa pedia era algo muito sério e exigente. Por isso, respondeu-lhe nestes termos: \"Se essa é a vontade de Deus, autorizo-te de todo o coração. De qualquer maneira, lembra-te sempre da amizade que todas nós te consagramos. Se algum dia, por qualquer razão, quiseres voltar para o meio de nós, fica sabendo que te receberemos com amor de irmãs\".
Em 08 de Agosto de 1948 ela deixou o colégio de Santa Maria. Custou imenso: a ela, às companheiras, às alunas. Depois dirigiu-se para Patna, para fazer um breve curso de enfermagem que julgava de imensa utilidade para a sua atividade futura. Em 21 de dezembro de 1948, obtém a nacionalidade indiana. Data que reunia um grupo de cinco crianças, num bairro pobre, a quem começou a dar escola. Pouco a pouco, o grupo foi aumentando. Dez dias depois eram cerca de cinqüenta. Tendo abandonado o hábito da Congregação de Loreto, a Irmã Teresa comprou um sari branco, um vestido de uma modesta mulher indiana e colocou no ombro uma pequena cruz.
Com o alfabeto a irmã dava lições de higiene (muitas vezes iniciava a aula lavando a cara aos alunos) e de moral. Depois ia de abrigo em abrigo levando, mais que donativos, palavras amigas e as mãos sempre prestáveis para qualquer trabalho. Não foi preciso muito tempo para que todos a conhecessem. Quando ela passava, crianças famintas e sujas, deficientes, enfermos de todas a espécie gritavam por ela com os olhos inundados de esperança: Madre Teresa! Madre Teresa! Mas o início foi duro. Sentiu a angústia terrível da solidão. Era preciso um teto para acolher os abandonados, e caminhou para achá-lo. \"Caminhei e caminhei ininterruptamente, até que já não pude mais. Então compreendi até que ponto de esgotamento têm que chegar os verdadeiros pobres, sempre em busca de um pouco de alimento, de remédio, de tudo. \"Algumas colaboradoras começaram a surgir, precisamente entre as suas antigas alunas. Vinham sabendo que se tratava de algo difícil. A primeira foi Shubashini Das. Era uma linda jovem, dotada de bastante inteligência. Em 1949, começa a escrever as constituições das Missionárias da Caridade, nome que dá à sua Congregação. ...O primeiro trabalho com os doentes e moribundos recolhidos na rua era lavar-lhes o rosto e o corpo. A maior parte não conhecia sequer o sabão e a espuma metia-lhes medo. Se as Irmãs não vissem nestes infelizes o rosto de Cristo, o trabalho tornar-se-lhes-ia impossível. Nós queremos que eles saibam que há pessoas que os amam verdadeiramente. Aqui eles encontram a sua dignidade de homens e morrem num silêncio impressionante... Deus ama o silêncio.
Em agosto de 1952, abre o lar infantil Sishi Bavan (Casa da Esperança) e inaugura o seu famoso \"Lar para Moribundos\", em Kalighat, ao qual dedica as suas melhores energias físicas e espirituais. A partir dessa data, a sua Congregação começa a expandir-se de maneira irresistível pela Índia e por todo o mundo. Na Índia, principia por Ranchi e continua depois por Nova Delhi e Bombaim; Em 1973, abre uma casa em Gaza, na Palestina, para atender os refugiados, e celebra a primeira Assembléia Internacional dos colaboradores das Missionárias da caridade, instituição cujo estatuto tinha sido aprovado em 1969, e que reúne centenas de milhares de pessoas de todo o mundo.
Em 15 de junho de 1976, precisamente em Nova York, que era, no entender dela, o lugar mais necessitado de oração, funda o ramo contemplativo das Missionárias da Caridade. E em dezembro de 1976, inaugura centros de assistência no México e Guatemala. Recebe o Prêmio Nobel da Paz. Ainda em 1979, João Paulo II recebe-a em audiência privada e ela converte-se, sem nunca ter estudado diplomacia, na melhor \"embaixadora\" do Papa em todas as nações, fóruns e assembléias do universo. Muitas universidades lhe conferiram o título \"Honoris Causa\". E ainda em 1980, recebe a Ordem \"Distinguished Public Service Award\" nos EUA.
Em 1983, estando em Roma, sofre o primeiro grave ataque do coração. Tinha 73 anos. Foi muito bem atendida e o médico disse-lhe: \"A senhora tem coração para mais trinta anos\". Tomou isso ao pé da letra e nem febre alta a fazia descansar. Em agosto de 1989, realiza um dos seus sonhos: abrir uma casa de assistência em Albânia, sua cidade natal, que é um dos países mais pobres, injustos e atrasados do planeta.
No dia 05 de setembro de 1997, depois de sofrer uma última parada cardíaca, vem a falecer. Uma fila de quilômetros formou-se durante dias a fio, diante da igreja de São Tomé, em Calcutá, onde o seu corpo estava sendo velado. Madre Tereza de Calcutá é uma das personalidades que melhor representou a luta pela Paz no século XX. Em seus discursos, ela estava sempre ressaltando a Paz e a cooperação entre os seres humanos.

MAHATMA GANDHI
\"NÃO EXISTE UM CAMINHO PARA A
PAZ. A PAZ É O CAMINHO!\"
Mohandas Karamchand Gandhi nasceu no dia 2 de outubro de 1869, na cidade indiana de Porbandar. Membro da privilegiada casta dos comerciantes, a casta Bania, seu pai era um político local, e a mãe era uma Vaishnavite religiosa. À idade de 13 anos, Mohandas casou-se com uma moça da mesma idade que ele. Cursou a faculdade de Direito em Londres, desafiando os regulamentos de sua casta que proibiam a viagem para a Inglaterra. Quando Gandhi voltou à Índia em 1891, a mãe dele houvera falecido, e ele teve dificuldades, no início, em exercer na Índia sua profissão legal como advogado, devido a sua timidez.
Em 1896, Mohandas já era um advogado conhecido e rico, ganhando cerca de 5 mil libras por ano. Como advogado, Gandhi fez o melhor para descobrir os fatos. Depois de resolver um caso difícil, ele passou a ser \"visto\" e comentado. Suas palavras retratam bem isso: \"eu tive um aprendizado que me levou a descobrir o lado melhor da natureza humana e a entrar nos corações dos homens. Eu percebi que a verdadeira função de um advogado era unir rivais\". Ele também teimou em receber a verdade dos clientes dele, e se descobrisse que eles tivessem mentido, ele derrubaria o caso. Acreditava que o dever do advogado era ajudar o tribunal a descobrir a verdade, não tentar provar o culpado ou inocente.
Aproveitou a oportunidade de ir para África do Sul, representando uma firma hindu, em Natal, durante um processo judicial naquela cidade, e lá permaneceu até 1915. A África do Sul, imóvel notório para discriminação racial, deu para Gandhi os insultos que despertaram sua consciência social. Fundou em Natal o Congresso Hindu em 1894, e seus esforços eram uma vigorosa advertência para a imprensa. Gandhi qualificou um episódio em especial como o momento decisivo de sua vida: ao viajar num trem de primeira classe, um passageiro branco mostrou-se indignado por viajar na companhia de um homem de pele escura. Ele foi retirado à força da cabine por um policial, mesmo depois de ter mostrado seu bilhete e se identificar como advogado. \"Descobri que, como homem e como indiano, eu não tinha direitos\", declarou Gandhi. \"Ou melhor, descobri que não tinha nenhum direito como homem por ser indiano\".
O pensamento do Mahatma teve grande influência do escritor norte-americano Henry David Thoreau (1818-1862), e ele manteve correspondências com o pensador russo Leon Tolstoi (1828-1910), ambos reconhecidamente pacifistas. Porém, sua maior inspiração foi a tradição hindu das milenares escrituras Vedas e Upanishads, os livros sagrados do bramanismo e jainismo. Acabou permanecendo vinte anos na África do Sul, defendendo a minoria hindu e liderando a luta de seu povo pelos seus direitos. O primeiro uso de desobediência civil em massa ocorreu em setembro de 1906.
O Governo de Transvaal quis registrar a população hindu inteira. Na verdade, as leis restritivas à sua gente não pararam de crescer, até que, em 1907, o advogado hindu expôs pela primeira vez sua idéia de Satyagraha, a resistência à opressão traduzido como a força da verdade ou do amor, definida como \"a defesa da verdade infligindo sofrimento, não ao oponente, mas a si próprio\". Para atingir o objetivo é preciso muito treino e autocontrole, mas \"é uma força que, tornando-se universal, revolucionaria ideais sociais e anularia despotismos e o militarismo\". A idéia é curar o oponente do erro por meio da paciência e compreensão. A Satyagraha não foi baseada em teorias políticas ou sociais, mas nos princípios da sagrada escritura indiana Bhagavad Gita.
Gandhi também seguiu o conceito do Aparigraha, que é o desprendimento do bens materias para se tornar rico espiritualmente - um princípio que ele adotou ao retornar à Índia, abrindo mão de suas posses e vivendo de forma cada vez mais simples.Foi atraído à vida agrícola simples e começou duas comunidades rurais em Satyagrahis-Phoenix Farm e Tolstoy Farm. Escreveu e editou o diário \"Opinião indiana\", para elucidar os princípios e a prática de Satyagraha. Por último, e mais importante, o Mahatma abraçou de corpo e alma o conceito da Ahimsa, o ideal jainista de \"não-violência\" e respeito por todas as formas de vida.
Dizia: \"O pecado e não o pecador. Desde que nós vivemos espiritualmente, ferir ou atacar outra pessoa são atacar a si mesmo. Embora nós possamos atacar um sistema injusto, nós sempre temos que amar as pessoas envolvidas\". Sugeriu aos indianos e muçulmanos as possibilidades infinitas do \"amor universal\". Foi assim que Gandhi viveu e ensinou a seus companheiros de luta durante as campanhas de resistência na África do Sul, preparando-os para agüentar todo tipo de agressão física ou moral sem reagir.
A recepção calorosa que recebeu da Índia em sua chegada, no ano de 1915, deixou claro que seus esforços na África do Sul tinham causado forte impressão no povo. Gandhi passou a exercer o papel de conscientizador da sociedade hindu e muçulmana na luta pacífica pela independência indiana, baseada no uso da não-violência. Ele rejeitou a força bruta e sua opressão e declara que a força da alma ou amor e que se mantém a unidade das pessoas em paz e harmonia.
Já em 1917 ele deu início a uma campanha para que trabalhadores indianos não fossem enviados à África do Sul, e apoiou camponeses, agricultores e operários que trabalhavam em tecelagens, diante da exploração injusta dos proprietários e do poder do império britânico. O confronto com o governo inglês teve início na forma de greves gerais, os hartals, que contavam com o apoio público, mas resultaram em conflitos violentos, pelos quais Gandhi se desculpou e penitenciou com um jejum de 72 horas. O acontecimento que detonou a campanha decisiva contra os ingleses foi o massacre de Amristar, em abril de 1919. Considerada uma cidade sagrada para os membros da fé sikh, lá estava sendo realizado um comício, que foi suprimido pelos britânicos, com a maior violência possível: o exército cercou o local e atirou contra a multidão, matando 379 pessoas e ferindo mais de 1200.
A forma escolhida para demonstrar que os ingleses não eram mais bem-vindos no país foi boicotar seus produtos vendidos aos indianos, especialmente os tecidos. Viajando de trem, Gandhi percorreu todo o país difundindo essa idéia, o que teve resultados positivos - as pessoas deixaram de usar vestes importadas, queimando-as, e passaram a usar trajes indianos mais simples.
Durante finais dos anos 20, Gandhi escreve uma auto-bibliografia retratando suas experiências vividas. Ele é bastante sincero, chegando ao ponto de se humilhar pelos erros cometidos, mostrando o esforço de os superar. Em 1922, o grande líder foi preso e condenado a seis anos por rebelião contra o governo, permanecendo em confinamento até 1924, quando foi solto de modo provisório para fazer uma operação de apendicite aguda. Durante a vida, Gandhi passou um total de mais de seis anos como prisioneiro.
Por fim, em 1929, já com 60 anos de idade, Gandhi voltou à luta pela libertação, pregando mais uma vez a desobediência civil. Um dos maiores símbolos desse período foi a Marcha do Sal - uma caminhada de mais de 300 quilômetros até o mar, empreendido por Gandhi, seguido por milhares de pessoas, para pegar o sal que os ingleses insistiam em taxar. Gandhi foi preso antes de que pudesse chegar no Dharasana Sal, mas o amigo dele Sr. Sarojini Naidu conduziu 2.500 voluntários e os advertiu de não resistir às interferências da polícia.
O resultado, que o governo não esperava, foi uma explosão de desobediência, com a população extraindo sal do mar sem pagar qualquer imposto. Mais de 100 mil pessoas foram presas, mas isso não impediu que os protestos continuassem. As salinas de Dharasana eram guardadas por policiais que abateram os manifestantes com bastões de madeira. O episódio foi descrito por uma testemunha ocular, o jornalista Miller de Webb, e transmitido ao mundo inteiro.
Os manifestantes apresentavam-se em fileiras, sem reagir à violência da polícia, eram abatidos, seus corpos retirados pelas mulheres e, em seguida, nova fileira se apresentava. O resultado do movimento foi a produção livre de sal na Índia. Por conseguinte em 1930, Mahatma Gandhi informou ao vice-rei que a desobediência civil em massa iniciaria no dia 11 de março. \"Minha ambição é nada menos que converter as pessoas britânicas à não-violência, e assim lhe faz ver o mal que fizeram para a Índia. Eu não busco danificar as pessoas\". Gandhi foi chamado à uma reunião com o Vice-rei Irwin em 1931, e eles firmaram um acordo em março. A desobediência civil foi cancelada, foram libertados os prisioneiros; a fabricação de sal foi permitida na costa e os líderes do Congresso assistiriam à próxima Conferência de Mesa Redonda em Londres.
Gandhi viajou para Londres onde ele conheceu Charlie Chaplin, George Bernard Shaw, e Maria Montessori, entre outros. Em transmissão de rádio para os Estados Unidos, ele falou que a força não-violenta é um modo mais consistente, humano e digno.
Discutindo relações com os britânicos, ele disse que ele não quis somente a independência, mas também a interdependência voluntária baseada no amor. Mesmo com a Segunda Guerra Mundial se aproximando, Gandhi havia confirmado seus princípios pacifistas. Ele mostrou como a Abissínia (Etiópia) poderia ter usado a não-violência contra Mussolini, e ele recomendou isto para os tchecos e para os chineses. \"Se é valente, como é, para morrer a um homem que luta contra preconceitos, é ainda bravo para recusar briga e ainda recusar se render ao usurpador\" (Gandhi).
Porém, Gandhi continuou exercendo uma revolução não violenta para a Índia, e em 1942 ele e outros líderes foram presos. Ele decidiu jejuar novamente, sendo que apenas ele sobreviveu. Quando a guerra terminou, ele afirmou da necessidade de \"uma paz real baseada na liberdade e igualdade de todas as raças e nações\". A incapacidade dos homens de se entenderem devido a questões religiosas deu início a uma onda de violência sem precedentes na Índia, gerando milhares de mortos. Os hindus o atacaram porque pensaram que ele era a favor dos muçulmanos, e os muçulmanos exigindo dele a criação do Paquistão. Gandhi foi para Calcutá para acalmar a discussão e a violência entre hindus e muçulmanos. Gandhi empreendeu então o que chamou de \"a missão mais difícil de sua vida\", percorrendo as regiões onde os problemas eram maiores. Aos 77 anos, ele iniciou um jejum sob o juramento de que só voltaria a se alimentar quando muçulmanos e hindus parassem as hostilidades. Índia se acalmou.
Mais tarde, o Mahatma faria o mesmo em Calcutá, declarando que jejuaria até a morte caso a violência não cessasse, o que aconteceu em quatro dias. A independência do país finalmente aconteceu, no dia 15 de agosto de 1947, mas não como Gandhi pretendia. \"Não há motivo para tanta festa\", ele disse quando todos comemoravam. A Índia separou-se e mais de 12 milhões de pessoas tiveram que deixar seus lares: muçulmanos se mudaram para o Paquistão, hindus permaneceram na Índia. E, durante o processo, ocorreram mais encontros ferozes, violência e mortes.
Em 1948, já com 78 anos, Mohandas realizou seu 18º e último jejum, com o objetivo de reunir os \"corações de todas as comunidades\". Esse interesse de Gandhi por todos os seres vivos sem se importar com a crença religiosa, política ou casta social não agradava a todos os hindus, especialmente os grupos mais radicais. E foi um desses extremistas que acabou por assassiná-lo em 30 de janeiro de 1948, provocando uma comoção mundial poucas vezes vistas na história humana.
O americano Martin Luther King, outro grande defensor das liberdades e adepto da não-violência, disse, antes de ser assassinado também por radicais: \"Gandhi foi infalível. Se a humanidade tem de progredir, o Mahatma é imprescindível. Ele viveu, pensou e agiu inspirado pela visão de uma humanidade que evoluía para um mundo de paz e harmonia. Se o ignorarmos, o risco será só nosso\".
Foi exatamente isto que Jesus, o mestre da não-violência, quis dizer ao se referir com essas expressões no seu evangelho: \"dar a outra face\", \"não resistir ao mal\", \"quando alguém lhe roubar a capa, dê-lhe também a túnica\". Albert Einstein declarou que Gandhi mostrou como alguém poderia vencer a submissão, \"não somente pelo jogo esperto e artifício de fraude política, mas pelo exemplo de um modo moralmente exaltado de vida\". Einstein considerou que Gandhi foi o estadista mais iluminado do tempo deles, e ele predisse: \"O problema de trazer paz para o mundo em uma base supranacional só será resolvido empregando o método de Gandhi em uma grande escala\".
A Enciclopédia Britânica resume o significado de Gandhi com a declaração, \"Ele é o catalisador, se não o iniciador de três das revoluções principais do século 20: as revoluções contra colonialismo, racismo, e a violência\". \"Sem sombra de dúvida, qualquer homem ou mulher pode realizar o que realizei, desde que faça o mesmo esforço e cultive a mesma esperança e fé\". Gandhi.
Mohandas Karamchand Gandhi nasceu no dia 2 de outubro de 1869, na cidade indiana de Porbandar. Membro da privilegiada casta dos comerciantes, a casta Bania, seu pai era um político local, e a mãe era uma Vaishnavite religiosa. À idade de 13 anos, Mohandas casou-se com uma moça da mesma idade que ele. Cursou a faculdade de Direito em Londres, desafiando os regulamentos de sua casta que proibiam a viagem para a Inglaterra. Quando Gandhi voltou à Índia em 1891, a mãe dele houvera falecido, e ele teve dificuldades, no início, em exercer na Índia sua profissão legal como advogado, devido a sua timidez.
Em 1896, Mohandas já era um advogado conhecido e rico, ganhando cerca de 5 mil libras por ano. Como advogado, Gandhi fez o melhor para descobrir os fatos. Depois de resolver um caso difícil, ele passou a ser \"visto\" e comentado. Suas palavras retratam bem isso: \"eu tive um aprendizado que me levou a descobrir o lado melhor da natureza humana e a entrar nos corações dos homens. Eu percebi que a verdadeira função de um advogado era unir rivais\". Ele também teimou em receber a verdade dos clientes dele, e se descobrisse que eles tivessem mentido, ele derrubaria o caso. Acreditava que o dever do advogado era ajudar o tribunal a descobrir a verdade, não tentar provar o culpado ou inocente.
Aproveitou a oportunidade de ir para África do Sul, representando uma firma hindu, em Natal, durante um processo judicial naquela cidade, e lá permaneceu até 1915. A África do Sul, imóvel notório para discriminação racial, deu para Gandhi os insultos que despertaram sua consciência social. Fundou em Natal o Congresso Hindu em 1894, e seus esforços eram uma vigorosa advertência para a imprensa. Gandhi qualificou um episódio em especial como o momento decisivo de sua vida: ao viajar num trem de primeira classe, um passageiro branco mostrou-se indignado por viajar na companhia de um homem de pele escura. Ele foi retirado à força da cabine por um policial, mesmo depois de ter mostrado seu bilhete e se identificar como advogado. \"Descobri que, como homem e como indiano, eu não tinha direitos\", declarou Gandhi. \"Ou melhor, descobri que não tinha nenhum direito como homem por ser indiano\".
O pensamento do Mahatma teve grande influência do escritor norte-americano Henry David Thoreau (1818-1862), e ele manteve correspondências com o pensador russo Leon Tolstoi (1828-1910), ambos reconhecidamente pacifistas. Porém, sua maior inspiração foi a tradição hindu das milenares escrituras Vedas e Upanishads, os livros sagrados do bramanismo e jainismo. Acabou permanecendo vinte anos na África do Sul, defendendo a minoria hindu e liderando a luta de seu povo pelos seus direitos. O primeiro uso de desobediência civil em massa ocorreu em setembro de 1906.
O Governo de Transvaal quis registrar a população hindu inteira. Na verdade, as leis restritivas à sua gente não pararam de crescer, até que, em 1907, o advogado hindu expôs pela primeira vez sua idéia de Satyagraha, a resistência à opressão traduzido como a força da verdade ou do amor, definida como \"a defesa da verdade infligindo sofrimento, não ao oponente, mas a si próprio\". Para atingir o objetivo é preciso muito treino e autocontrole, mas \"é uma força que, tornando-se universal, revolucionaria ideais sociais e anularia despotismos e o militarismo\". A idéia é curar o oponente do erro por meio da paciência e compreensão. A Satyagraha não foi baseada em teorias políticas ou sociais, mas nos princípios da sagrada escritura indiana Bhagavad Gita.
Gandhi também seguiu o conceito do Aparigraha, que é o desprendimento do bens materias para se tornar rico espiritualmente - um princípio que ele adotou ao retornar à Índia, abrindo mão de suas posses e vivendo de forma cada vez mais simples.Foi atraído à vida agrícola simples e começou duas comunidades rurais em Satyagrahis-Phoenix Farm e Tolstoy Farm. Escreveu e editou o diário \"Opinião indiana\", para elucidar os princípios e a prática de Satyagraha. Por último, e mais importante, o Mahatma abraçou de corpo e alma o conceito da Ahimsa, o ideal jainista de \"não-violência\" e respeito por todas as formas de vida.
Dizia: \"O pecado e não o pecador. Desde que nós vivemos espiritualmente, ferir ou atacar outra pessoa são atacar a si mesmo. Embora nós possamos atacar um sistema injusto, nós sempre temos que amar as pessoas envolvidas\". Sugeriu aos indianos e muçulmanos as possibilidades infinitas do \"amor universal\". Foi assim que Gandhi viveu e ensinou a seus companheiros de luta durante as campanhas de resistência na África do Sul, preparando-os para agüentar todo tipo de agressão física ou moral sem reagir.
A recepção calorosa que recebeu da Índia em sua chegada, no ano de 1915, deixou claro que seus esforços na África do Sul tinham causado forte impressão no povo. Gandhi passou a exercer o papel de conscientizador da sociedade hindu e muçulmana na luta pacífica pela independência indiana, baseada no uso da não-violência. Ele rejeitou a força bruta e sua opressão e declara que a força da alma ou amor e que se mantém a unidade das pessoas em paz e harmonia.
Já em 1917 ele deu início a uma campanha para que trabalhadores indianos não fossem enviados à África do Sul, e apoiou camponeses, agricultores e operários que trabalhavam em tecelagens, diante da exploração injusta dos proprietários e do poder do império britânico. O confronto com o governo inglês teve início na forma de greves gerais, os hartals, que contavam com o apoio público, mas resultaram em conflitos violentos, pelos quais Gandhi se desculpou e penitenciou com um jejum de 72 horas. O acontecimento que detonou a campanha decisiva contra os ingleses foi o massacre de Amristar, em abril de 1919. Considerada uma cidade sagrada para os membros da fé sikh, lá estava sendo realizado um comício, que foi suprimido pelos britânicos, com a maior violência possível: o exército cercou o local e atirou contra a multidão, matando 379 pessoas e ferindo mais de 1200.
A forma escolhida para demonstrar que os ingleses não eram mais bem-vindos no país foi boicotar seus produtos vendidos aos indianos, especialmente os tecidos. Viajando de trem, Gandhi percorreu todo o país difundindo essa idéia, o que teve resultados positivos - as pessoas deixaram de usar vestes importadas, queimando-as, e passaram a usar trajes indianos mais simples.
Durante finais dos anos 20, Gandhi escreve uma auto-bibliografia retratando suas experiências vividas. Ele é bastante sincero, chegando ao ponto de se humilhar pelos erros cometidos, mostrando o esforço de os superar. Em 1922, o grande líder foi preso e condenado a seis anos por rebelião contra o governo, permanecendo em confinamento até 1924, quando foi solto de modo provisório para fazer uma operação de apendicite aguda. Durante a vida, Gandhi passou um total de mais de seis anos como prisioneiro.
Por fim, em 1929, já com 60 anos de idade, Gandhi voltou à luta pela libertação, pregando mais uma vez a desobediência civil. Um dos maiores símbolos desse período foi a Marcha do Sal - uma caminhada de mais de 300 quilômetros até o mar, empreendido por Gandhi, seguido por milhares de pessoas, para pegar o sal que os ingleses insistiam em taxar. Gandhi foi preso antes de que pudesse chegar no Dharasana Sal, mas o amigo dele Sr. Sarojini Naidu conduziu 2.500 voluntários e os advertiu de não resistir às interferências da polícia.
O resultado, que o governo não esperava, foi uma explosão de desobediência, com a população extraindo sal do mar sem pagar qualquer imposto. Mais de 100 mil pessoas foram presas, mas isso não impediu que os protestos continuassem. As salinas de Dharasana eram guardadas por policiais que abateram os manifestantes com bastões de madeira. O episódio foi descrito por uma testemunha ocular, o jornalista Miller de Webb, e transmitido ao mundo inteiro.
Os manifestantes apresentavam-se em fileiras, sem reagir à violência da polícia, eram abatidos, seus corpos retirados pelas mulheres e, em seguida, nova fileira se apresentava. O resultado do movimento foi a produção livre de sal na Índia. Por conseguinte em 1930, Mahatma Gandhi informou ao vice-rei que a desobediência civil em massa iniciaria no dia 11 de março. \"Minha ambição é nada menos que converter as pessoas britânicas à não-violência, e assim lhe faz ver o mal que fizeram para a Índia. Eu não busco danificar as pessoas\". Gandhi foi chamado à uma reunião com o Vice-rei Irwin em 1931, e eles firmaram um acordo em março. A desobediência civil foi cancelada, foram libertados os prisioneiros; a fabricação de sal foi permitida na costa e os líderes do Congresso assistiriam à próxima Conferência de Mesa Redonda em Londres.
Gandhi viajou para Londres onde ele conheceu Charlie Chaplin, George Bernard Shaw, e Maria Montessori, entre outros. Em transmissão de rádio para os Estados Unidos, ele falou que a força não-violenta é um modo mais consistente, humano e digno.
Discutindo relações com os britânicos, ele disse que ele não quis somente a independência, mas também a interdependência voluntária baseada no amor. Mesmo com a Segunda Guerra Mundial se aproximando, Gandhi havia confirmado seus princípios pacifistas. Ele mostrou como a Abissínia (Etiópia) poderia ter usado a não-violência contra Mussolini, e ele recomendou isto para os tchecos e para os chineses. \"Se é valente, como é, para morrer a um homem que luta contra preconceitos, é ainda bravo para recusar briga e ainda recusar se render ao usurpador\" (Gandhi).
Porém, Gandhi continuou exercendo uma revolução não violenta para a Índia, e em 1942 ele e outros líderes foram presos. Ele decidiu jejuar novamente, sendo que apenas ele sobreviveu. Quando a guerra terminou, ele afirmou da necessidade de \"uma paz real baseada na liberdade e igualdade de todas as raças e nações\". A incapacidade dos homens de se entenderem devido a questões religiosas deu início a uma onda de violência sem precedentes na Índia, gerando milhares de mortos. Os hindus o atacaram porque pensaram que ele era a favor dos muçulmanos, e os muçulmanos exigindo dele a criação do Paquistão. Gandhi foi para Calcutá para acalmar a discussão e a violência entre hindus e muçulmanos. Gandhi empreendeu então o que chamou de \"a missão mais difícil de sua vida\", percorrendo as regiões onde os problemas eram maiores. Aos 77 anos, ele iniciou um jejum sob o juramento de que só voltaria a se alimentar quando muçulmanos e hindus parassem as hostilidades. Índia se acalmou.
Mais tarde, o Mahatma faria o mesmo em Calcutá, declarando que jejuaria até a morte caso a violência não cessasse, o que aconteceu em quatro dias. A independência do país finalmente aconteceu, no dia 15 de agosto de 1947, mas não como Gandhi pretendia. \"Não há motivo para tanta festa\", ele disse quando todos comemoravam. A Índia separou-se e mais de 12 milhões de pessoas tiveram que deixar seus lares: muçulmanos se mudaram para o Paquistão, hindus permaneceram na Índia. E, durante o processo, ocorreram mais encontros ferozes, violência e mortes.
Em 1948, já com 78 anos, Mohandas realizou seu 18º e último jejum, com o objetivo de reunir os \"corações de todas as comunidades\". Esse interesse de Gandhi por todos os seres vivos sem se importar com a crença religiosa, política ou casta social não agradava a todos os hindus, especialmente os grupos mais radicais. E foi um desses extremistas que acabou por assassiná-lo em 30 de janeiro de 1948, provocando uma comoção mundial poucas vezes vistas na história humana.
O americano Martin Luther King, outro grande defensor das liberdades e adepto da não-violência, disse, antes de ser assassinado também por radicais: \"Gandhi foi infalível. Se a humanidade tem de progredir, o Mahatma é imprescindível. Ele viveu, pensou e agiu inspirado pela visão de uma humanidade que evoluía para um mundo de paz e harmonia. Se o ignorarmos, o risco será só nosso\".
Foi exatamente isto que Jesus, o mestre da não-violência, quis dizer ao se referir com essas expressões no seu evangelho: \"dar a outra face\", \"não resistir ao mal\", \"quando alguém lhe roubar a capa, dê-lhe também a túnica\". Albert Einstein declarou que Gandhi mostrou como alguém poderia vencer a submissão, \"não somente pelo jogo esperto e artifício de fraude política, mas pelo exemplo de um modo moralmente exaltado de vida\". Einstein considerou que Gandhi foi o estadista mais iluminado do tempo deles, e ele predisse: \"O problema de trazer paz para o mundo em uma base supranacional só será resolvido empregando o método de Gandhi em uma grande escala\".
A Enciclopédia Britânica resume o significado de Gandhi com a declaração, \"Ele é o catalisador, se não o iniciador de três das revoluções principais do século 20: as revoluções contra colonialismo, racismo, e a violência\". \"Sem sombra de dúvida, qualquer homem ou mulher pode realizar o que realizei, desde que faça o mesmo esforço e cultive a mesma esperança e fé\". Gandhi.

DOM HÉLDER CÂMARA
\"OS VERDADEIROS FAUTORES DE
VIOLÊNCIA SÃO ÀQUELES QUE FEREM A JUSTIÇA E IMPEDEM A PAZ\"
Nascido a 7 de fevereiro de 1909, em Fortaleza, Ceará, estado situado no Nordeste do Brasil, Dom Hélder Câmara é o décimo primeiro filho de uma família simples e numerosa, composta de treze filhos, dos quais somente oito conseguiram sobreviver. Os demais faleceram vítimas de uma epidemia de gripe que assolou a região no ano de 1905. O pai, João Câmara Filho, era guarda-livros de uma firma comercial, enquanto a mãe, Adelaide Pessoa Câmara, era professora primária.
A escolha do nome Hélder coube ao pai, que apreciava muito esse nome, denominação de um pequeno porto situado na Holanda.

 De um pai não muito ligado às práticas religiosas, Dom Hélder Câmara ainda guardou as seguintes palavras: \"Meu filho, você sabe o que é ser padre? Padre e egoísmo nunca podem andar juntos. O padre tem que se gastar, se deixar devorar\".
Em 1923, ingressou no Seminário Diocesano de Fortaleza (Prainha), onde fez os cursos preparatórios e depois filosofia e teologia. Sua preparação sacerdotal se deu de forma tranqüila e serena, muito embora ele já viesse se destacando pela agudeza de espírito em defender seus pontos de vista, em embates presididos pelo padre Tobias Dequidt, então reitor, que muito o admirava pela segurança das suas argumentações. O tom irresistivelmente envolvente de sua pregação não demorou a surgir. Desde que foi ordenado padre, em 1931, foram 7.547 meditações escritas de madrugada, sobre os mais variados assuntos: a fé em Deus, em Cristo e em Maria, as asas quebradas de um passarinho, a crença no amor dos homens, a esperança social e a paz. Aos 26 anos, foi nomeado diretor da Instrução Pública do Ceará. 


Por não aceitar as interferências do governo em seu trabalho, o padre magricela e baixinho (media 1,60m) pediu demissão e foi para o Rio de Janeiro. No Rio, como arcebispo-auxiliar, organizou o Congresso Eucarístico de 1955. Foi o principal articulador da Conferência Nacional dos Bispos no Brasil (CNBB), criada em 1952. Sempre desenvolveu gigantescos programas sociais. Batia na porta dos ricos e reclamava se eles não oferecessem ajuda. Era chamado por alguns de \"Bispo Vermelho\", imagem fortalecida com as idéias progressistas que defendeu no Congresso Vaticano II.
Em 1970, reuniu mais de 20 mil pessoas em Paris para denunciar torturas no Brasil. Ele foi transferido para a Arquidiocese de Olinda e Recife devido às pressões políticas, mas nem as ameaças a seus colaboradores e o assassinato de um padre fizeram-no calar. Deu início a um dos maiores programas sociais já vistos no Nordeste, a \"Operação Esperança\", que ajudava os flagelados das enchentes e incentivava o surgimento de lideranças populares para transcender o mero assistencialismo.
Foi indicado quatro vezes ao prêmio Nobel da Paz (entre 1970 e 1973), porém não o recebeu devido ao boicote do regime militar brasileiro durante o governo do Presidente Médici. Apesar de não ser laureado com o Nobel da Paz, Dom Hélder recebeu os 27 prêmios mais importantes pela Paz, distribuído em diversos países do mundo depois do Nobel. \"Dom Hélder: Irmão dos pobres e meu irmão\". João Paulo II, em visita ao Recife, em 1980.
Nascido a 7 de fevereiro de 1909, em Fortaleza, Ceará, estado situado no Nordeste do Brasil, Dom Hélder Câmara é o décimo primeiro filho de uma família simples e numerosa, composta de treze filhos, dos quais somente oito conseguiram sobreviver. Os demais faleceram vítimas de uma epidemia de gripe que assolou a região no ano de 1905. O pai, João Câmara Filho, era guarda-livros de uma firma comercial, enquanto a mãe, Adelaide Pessoa Câmara, era professora primária.
A escolha do nome Hélder coube ao pai, que apreciava muito esse nome, denominação de um pequeno porto situado na Holanda.

 De um pai não muito ligado às práticas religiosas, Dom Hélder Câmara ainda guardou as seguintes palavras: \"Meu filho, você sabe o que é ser padre? Padre e egoísmo nunca podem andar juntos. O padre tem que se gastar, se deixar devorar\".
Em 1923, ingressou no Seminário Diocesano de Fortaleza (Prainha), onde fez os cursos preparatórios e depois filosofia e teologia. Sua preparação sacerdotal se deu de forma tranqüila e serena, muito embora ele já viesse se destacando pela agudeza de espírito em defender seus pontos de vista, em embates presididos pelo padre Tobias Dequidt, então reitor, que muito o admirava pela segurança das suas argumentações. O tom irresistivelmente envolvente de sua pregação não demorou a surgir. Desde que foi ordenado padre, em 1931, foram 7.547 meditações escritas de madrugada, sobre os mais variados assuntos: a fé em Deus, em Cristo e em Maria, as asas quebradas de um passarinho, a crença no amor dos homens, a esperança social e a paz. Aos 26 anos, foi nomeado diretor da Instrução Pública do Ceará. 


Por não aceitar as interferências do governo em seu trabalho, o padre magricela e baixinho (media 1,60m) pediu demissão e foi para o Rio de Janeiro. No Rio, como arcebispo-auxiliar, organizou o Congresso Eucarístico de 1955. Foi o principal articulador da Conferência Nacional dos Bispos no Brasil (CNBB), criada em 1952. Sempre desenvolveu gigantescos programas sociais. Batia na porta dos ricos e reclamava se eles não oferecessem ajuda. Era chamado por alguns de \"Bispo Vermelho\", imagem fortalecida com as idéias progressistas que defendeu no Congresso Vaticano II.
Em 1970, reuniu mais de 20 mil pessoas em Paris para denunciar torturas no Brasil. Ele foi transferido para a Arquidiocese de Olinda e Recife devido às pressões políticas, mas nem as ameaças a seus colaboradores e o assassinato de um padre fizeram-no calar. Deu início a um dos maiores programas sociais já vistos no Nordeste, a \"Operação Esperança\", que ajudava os flagelados das enchentes e incentivava o surgimento de lideranças populares para transcender o mero assistencialismo.
Foi indicado quatro vezes ao prêmio Nobel da Paz (entre 1970 e 1973), porém não o recebeu devido ao boicote do regime militar brasileiro durante o governo do Presidente Médici. Apesar de não ser laureado com o Nobel da Paz, Dom Hélder recebeu os 27 prêmios mais importantes pela Paz, distribuído em diversos países do mundo depois do Nobel. \"Dom Hélder: Irmão dos pobres e meu irmão\". João Paulo II, em visita ao Recife, em 1980.

HENRY DAVID THOREAU
\"JUSTIÇA E LIBERDADE SÃO OS
ALICERCES DA PAZ\"
Henry David Thoureau (1817-1862) nasceu em Concord, no estado de Massachussets, e lá viveu a maior parte de sua vida. Apesar dos parcos recursos de que dispunha a família, obteve invejável educação humanista, particularmente no período em que estudou em Harvard (1833-1837), universidade que começou a freqüentar quando tinha dezesseis anos. Familiarizou-se com os clássicos gregos e latinos, que lia fluentemente no original, e com línguas modernas como o alemão, o francês, o espanhol e o italiano.
Foi freqüentemente visto por admiradores, amigos e inimigos como um rebelde marcado por hábitos excêntricos: em Harvard, insistia em usar manta verde, apesar do regulamento exigir dos alunos o uso de manta negra, e dizia ironicamente do que era, já na época, um avançado sistema de ensino universitário, que lá se ensinavam todos os \"ramos do conhecimento\", mas nenhuma de suas raízes. Nos textos de Thoureau, contudo, esse individualismo rebelde não deve ser entendido em termos de uma postura excêntrica e meramente negadora do social e do político. Trata-se antes do individualismo entendido no contexto do movimento literário conhecido como o \"Transcendentalismo Romântico\" norte-americano, caracterizado não apenas pela ênfase romântica no sentimento individual mais do que na razão, mas principalmente por uma postura política progressiva preocupada com reformas sociais e políticas a serem levadas a cabo a partir do indivíduo e não a partir do grupo social.
É esse indivíduo que tem como objetivo tanto a reforma de si mesmo como do social e do político que se torna constantemente presente nas páginas dos dois escritos mais célebres de Thoureau, Walden (1854) e \"A Desobediência Civil\" (1849). São ambos textos que se querem autobiográficos e que se apresentam ao leitor como experiências pessoais das quais o autor retira lições de sabedoria sobre como encontrar o melhor estilo de vida como indivíduo e como ser social.
A experiência individual descrita em Walden deriva da decisão de Thoureau de viver isoladamente, durante dois anos e dois meses (1845-1847), em uma cabana construída por ele mesmo às margens do Lago Walden, nas proximidades de Concord. O que seria visto, para muitos de seus contemporâneos, como nada mais do que a excentricidade de um eremita fugindo do social significaria, para Thoureau, a oportunidade para uma reflexão radical sobre o sentido de viver bem a vida humana em um momento histórico marcado pelos confortos e desconfortos de uma sociedade capitalista em fase de rápida urbanização e industrialização. A pergunta formulada constantemente em Walden diz respeito às necessidades básicas capazes de proporcionar ao homem moderno uma vida bem vivida.
Qual o sentido, por exemplo, de se identificar a vida bem vivida com o acúmulo excessivo de vestuário, moradia ou alimentos? São bem gastos o trabalho e a energia dedicados a tal acúmulo? Não poderia a vida ser melhor vivida com aquele mínimo de recursos materiais que tornasse possível o atendimento de necessidades do espírito contemplativo, como a leitura, a reflexão, a observação da natureza e o lazer? Nos dezoito ensaios que compõem Walden, o que Thoureau tenta demonstrar é que esse estilo de vida alternativo baseado, não no máximo, mas no mínimo necessário de produção e consumo, pode ser não apenas possível, mas melhor do que o estilo de vida atrelado às exigências do progresso industrial e urbano. Há, sem dúvida, um esforço necessário para a manutenção da vida: coletar alimentos naturais nos bosques, pescar, plantar e cultivar feijões, cortar lenha para o aquecimento da cabana no inverno.
Quando reduzido a um mínimo, o que tal esforço garante é uma forma equilibrada de viver bem, com tempo disponível para a vida contemplativa, para ler e escrever (inclusive as anotações diárias que seriam mais tarde transformadas no texto de Walden), para o lazer prazeroso e descompromissado, para observar a flora e a fauna locais, os sons e odores naturais dos bosques, a música do vento nos fios telegráficos, a passagem de uma estação para outra. É em meio a essa experiência de vida bem equilibrada nos arredores da lagoa de Walden que Thoureau vivencia ainda o episódio de vida pessoal motivador do que é o seu texto mais celebrado: \"A Desobediência Civil\".
Em uma tarde de 23 ou 24 de Julho de 1846, Thoureau recebe a visita do coletor de impostos e acaba sendo aprisionado quando se recusa a pagar o tributo devido. Sai da cadeia, no dia seguinte, quando um benfeitor ou benfeitora (provavelmente sua tia Maria) paga a dívida exigida por lei. Explicitar as razões que o levaram a não pagar impostos é o problema central tratado no ensaio. Para Thoureau, pagar os impostos seria um ato imoral porque significaria contribuir com um governo que patrocinava empreitadas injustas e desumanas como o projeto escravocrata e a guerra imperialista contra o México.
O ato de desobediência civil assim pensado tornava-se não apenas justificável, mas moralmente necessário e indispensável para o cidadão consciente de valores éticos desrespeitados, no caso, tanto pelo Estado como pela maioria da população em dia com seus tributos. Note-se que a definição de cidadania assim entendida legitima o indivíduo visto pelo Estado como um fora-da-lei e define como violadores de uma lei maior tanto o governo nacional quanto a maioria que o elegeu que lhe deu apoio. Essa lei maior é, para o adepto do Transcendentalismo, aquela lucidamente percebida e respeitada pela consciência particular do indivíduo que, para Thoureau, é mais importante e merece mais respeito do que a lei oficial produzida pelo consenso \"democrático\" da maioria e imposta ao povo pelo aparato de poder estatal.
Nesse contexto, como Thoureau argumenta em seu ensaio, uma minoria correta formada por uma só pessoa já é uma maioria moral, e se o Estado e o consenso majoritário decidem julgar como fora-da-lei e colocar na cadeia essa minoria moral e correta, então é justamente a cadeia que se torna o lugar adequado para os homens honestos. Como mostra o slogan característico da política liberal Jeffersoniana, citado já no primeiro parágrafo do texto (\"O melhor governo é o que governa menos\"), Thoureau privilegia a lei moral individual como fonte primeira do bem social e relega a segundo plano a função normalmente atribuída ao poder estatal de manter a ordem.
Para Thoureau, o governo é, ou deveria ser, nada mais do que um meio para um fim: o seu objetivo deveria ser pura e simplesmente cuidar da liberdade e do bem estar do povo. Quando o Estado se afasta de tal objetivo, escravizando a população negra ou fazendo guerra contra o México, por exemplo, deve ser efetiva e radicalmente questionado pelo cidadão consciente e moralmente responsável.
O lider nacionalista indiano, Mahatma Gandhi, tendo lido o texto de Thoureau em uma cadeia em Pretória, reconheceu a sua importância para o desenvolvimento de suas próprias idéias e da prática revolucionária conhecida como \"resistência passiva\". Mas percebeu também a necessidade de aprimorar o conceito de \"desobediência civil\" e optou por caracterizar o seu programa filosófico e político de resistência em termos da idéia de \"satyagraha\". O termo significa, em hindu, \"a dedicação à verdade\" ou \"a força da verdade\".
As idéias de Henry Thoureau também vieram influenciar profundamente as decisões do Presidente norte-americano Abraham Lincoln. Thoureau não obteve de seus contemporâneos o reconhecimento devido. Seus livros e escritos tiveram parca repercussão: conseguiu publicar, em vida, apenas dois livros (Walden, em 1854; Uma Semana nos rios Concord e Merrimack, em 1849).
A posteridade faria melhor julgamento do rebelde norte-americano: seus textos são hoje mais lidos e conhecidos do que os de seu mestre, Ralph Waldo Emerson, considerado o fundador do Movimento Transcendentalista. E a \"A Desobediência Civil\", longe de ter sua importância reconhecida apenas por Gandhi, continua não apenas a ser lido e traduzido, mas também lembrado freqüentemente cada vez que se repetem formas de lutas contra o poder estabelecido.
Henry David Thoureau (1817-1862) nasceu em Concord, no estado de Massachussets, e lá viveu a maior parte de sua vida. Apesar dos parcos recursos de que dispunha a família, obteve invejável educação humanista, particularmente no período em que estudou em Harvard (1833-1837), universidade que começou a freqüentar quando tinha dezesseis anos. Familiarizou-se com os clássicos gregos e latinos, que lia fluentemente no original, e com línguas modernas como o alemão, o francês, o espanhol e o italiano.
Foi freqüentemente visto por admiradores, amigos e inimigos como um rebelde marcado por hábitos excêntricos: em Harvard, insistia em usar manta verde, apesar do regulamento exigir dos alunos o uso de manta negra, e dizia ironicamente do que era, já na época, um avançado sistema de ensino universitário, que lá se ensinavam todos os \"ramos do conhecimento\", mas nenhuma de suas raízes. Nos textos de Thoureau, contudo, esse individualismo rebelde não deve ser entendido em termos de uma postura excêntrica e meramente negadora do social e do político. Trata-se antes do individualismo entendido no contexto do movimento literário conhecido como o \"Transcendentalismo Romântico\" norte-americano, caracterizado não apenas pela ênfase romântica no sentimento individual mais do que na razão, mas principalmente por uma postura política progressiva preocupada com reformas sociais e políticas a serem levadas a cabo a partir do indivíduo e não a partir do grupo social.
É esse indivíduo que tem como objetivo tanto a reforma de si mesmo como do social e do político que se torna constantemente presente nas páginas dos dois escritos mais célebres de Thoureau, Walden (1854) e \"A Desobediência Civil\" (1849). São ambos textos que se querem autobiográficos e que se apresentam ao leitor como experiências pessoais das quais o autor retira lições de sabedoria sobre como encontrar o melhor estilo de vida como indivíduo e como ser social.
A experiência individual descrita em Walden deriva da decisão de Thoureau de viver isoladamente, durante dois anos e dois meses (1845-1847), em uma cabana construída por ele mesmo às margens do Lago Walden, nas proximidades de Concord. O que seria visto, para muitos de seus contemporâneos, como nada mais do que a excentricidade de um eremita fugindo do social significaria, para Thoureau, a oportunidade para uma reflexão radical sobre o sentido de viver bem a vida humana em um momento histórico marcado pelos confortos e desconfortos de uma sociedade capitalista em fase de rápida urbanização e industrialização. A pergunta formulada constantemente em Walden diz respeito às necessidades básicas capazes de proporcionar ao homem moderno uma vida bem vivida.
Qual o sentido, por exemplo, de se identificar a vida bem vivida com o acúmulo excessivo de vestuário, moradia ou alimentos? São bem gastos o trabalho e a energia dedicados a tal acúmulo? Não poderia a vida ser melhor vivida com aquele mínimo de recursos materiais que tornasse possível o atendimento de necessidades do espírito contemplativo, como a leitura, a reflexão, a observação da natureza e o lazer? Nos dezoito ensaios que compõem Walden, o que Thoureau tenta demonstrar é que esse estilo de vida alternativo baseado, não no máximo, mas no mínimo necessário de produção e consumo, pode ser não apenas possível, mas melhor do que o estilo de vida atrelado às exigências do progresso industrial e urbano. Há, sem dúvida, um esforço necessário para a manutenção da vida: coletar alimentos naturais nos bosques, pescar, plantar e cultivar feijões, cortar lenha para o aquecimento da cabana no inverno.
Quando reduzido a um mínimo, o que tal esforço garante é uma forma equilibrada de viver bem, com tempo disponível para a vida contemplativa, para ler e escrever (inclusive as anotações diárias que seriam mais tarde transformadas no texto de Walden), para o lazer prazeroso e descompromissado, para observar a flora e a fauna locais, os sons e odores naturais dos bosques, a música do vento nos fios telegráficos, a passagem de uma estação para outra. É em meio a essa experiência de vida bem equilibrada nos arredores da lagoa de Walden que Thoureau vivencia ainda o episódio de vida pessoal motivador do que é o seu texto mais celebrado: \"A Desobediência Civil\".
Em uma tarde de 23 ou 24 de Julho de 1846, Thoureau recebe a visita do coletor de impostos e acaba sendo aprisionado quando se recusa a pagar o tributo devido. Sai da cadeia, no dia seguinte, quando um benfeitor ou benfeitora (provavelmente sua tia Maria) paga a dívida exigida por lei. Explicitar as razões que o levaram a não pagar impostos é o problema central tratado no ensaio. Para Thoureau, pagar os impostos seria um ato imoral porque significaria contribuir com um governo que patrocinava empreitadas injustas e desumanas como o projeto escravocrata e a guerra imperialista contra o México.
O ato de desobediência civil assim pensado tornava-se não apenas justificável, mas moralmente necessário e indispensável para o cidadão consciente de valores éticos desrespeitados, no caso, tanto pelo Estado como pela maioria da população em dia com seus tributos. Note-se que a definição de cidadania assim entendida legitima o indivíduo visto pelo Estado como um fora-da-lei e define como violadores de uma lei maior tanto o governo nacional quanto a maioria que o elegeu que lhe deu apoio. Essa lei maior é, para o adepto do Transcendentalismo, aquela lucidamente percebida e respeitada pela consciência particular do indivíduo que, para Thoureau, é mais importante e merece mais respeito do que a lei oficial produzida pelo consenso \"democrático\" da maioria e imposta ao povo pelo aparato de poder estatal.
Nesse contexto, como Thoureau argumenta em seu ensaio, uma minoria correta formada por uma só pessoa já é uma maioria moral, e se o Estado e o consenso majoritário decidem julgar como fora-da-lei e colocar na cadeia essa minoria moral e correta, então é justamente a cadeia que se torna o lugar adequado para os homens honestos. Como mostra o slogan característico da política liberal Jeffersoniana, citado já no primeiro parágrafo do texto (\"O melhor governo é o que governa menos\"), Thoureau privilegia a lei moral individual como fonte primeira do bem social e relega a segundo plano a função normalmente atribuída ao poder estatal de manter a ordem.
Para Thoureau, o governo é, ou deveria ser, nada mais do que um meio para um fim: o seu objetivo deveria ser pura e simplesmente cuidar da liberdade e do bem estar do povo. Quando o Estado se afasta de tal objetivo, escravizando a população negra ou fazendo guerra contra o México, por exemplo, deve ser efetiva e radicalmente questionado pelo cidadão consciente e moralmente responsável.
O lider nacionalista indiano, Mahatma Gandhi, tendo lido o texto de Thoureau em uma cadeia em Pretória, reconheceu a sua importância para o desenvolvimento de suas próprias idéias e da prática revolucionária conhecida como \"resistência passiva\". Mas percebeu também a necessidade de aprimorar o conceito de \"desobediência civil\" e optou por caracterizar o seu programa filosófico e político de resistência em termos da idéia de \"satyagraha\". O termo significa, em hindu, \"a dedicação à verdade\" ou \"a força da verdade\".
As idéias de Henry Thoureau também vieram influenciar profundamente as decisões do Presidente norte-americano Abraham Lincoln. Thoureau não obteve de seus contemporâneos o reconhecimento devido. Seus livros e escritos tiveram parca repercussão: conseguiu publicar, em vida, apenas dois livros (Walden, em 1854; Uma Semana nos rios Concord e Merrimack, em 1849).
A posteridade faria melhor julgamento do rebelde norte-americano: seus textos são hoje mais lidos e conhecidos do que os de seu mestre, Ralph Waldo Emerson, considerado o fundador do Movimento Transcendentalista. E a \"A Desobediência Civil\", longe de ter sua importância reconhecida apenas por Gandhi, continua não apenas a ser lido e traduzido, mas também lembrado freqüentemente cada vez que se repetem formas de lutas contra o poder estabelecido.

FRANCISCO DE ASSIS
\"Ó SENHOR! FAZEI DE MIM UM
INSTRUMENTO DA VOSSA PAZ\"
Foi batizado com o nome de Giovanni di Pietro di Bernardone tendo como data provável de nascimento, 26 de Setembro de 1182, na cidade de Assis, na Itália. Filho do Sr. Bernardone, um rico comerciante de tecidos em Assis, homem rústico e a Sra. Maria Pical, mãe muito delicada e generosa. Foi um jovem particularmente alegre, simpático, humano, sincero, sensível, dotado de um caráter nobre e de um certo galanteio. Era trovador e cantor (não profissional).
Trabalhava auxiliando o pai na loja de tecidos. Apreciava e desejava a posição de cavaleiro. Viveu numa época de fortalecimento da classe burguesa (à qual pertencia) frente à aristocracia, da economia monetária em detrimento dos feudos - o que ocasionou alguns conflitos entre Francisco e Bernardone.
Generoso com os pobres não se despedia deles com as mãos vazias. Em seus banquetes ordenava que se preparassem pratos a mais para os menos afortunados de Assis. Em resumo, era um jovem, alegre, fino, risonho e benquisto por todos, rodeado pela afortunada juventude para sonhar com o futuro, gastar dinheiro e cantar serenatas às damas. Quando estouraram as cruzadas se predispôs a participar, motivado pela glória das vitórias. Em 1201 os nobres desterrados em Perusa declararam guerra a Assis; Francisco, da mesma forma que seus companheiros, alistou-se no exército e pôs-se em marcha contra Perusa na planície de Espoleto.
No inverno de 1201, Francisco caiu prisioneiro na batalha de São José, sendo levado para Perusa, ficando numa prisão por longos meses na obscuridade que somente seu ânimo alegre, a disposição de seu temperamento e o gosto pelo canto, o salvaram do desespero. \"Como quereis que eu fique triste, sabendo que grandes coisas me esperam? Costumava dizer, em tom de brincadeira, ao seu amigo. No fim do ano foi libertado, e voltando novamente se entregou a seus saudosos divertimentos da juventude e atividades na casa de comércio de seu pai. Francisco era pródigo. Ele desejava doar, oferecer o que possuía de melhor. O fazia ofertando poemas, compartilhando alegria, doando afeto - fosse aos seus companheiros de festas, fosse a um mendigo.
Mas, convenceu-se de que a prodigalidade do trovador, do amigo, do homem de ricas esmolas não era o bastante. A máxima prodigalidade seria alcançada no despojamento de tudo, a paz íntima seria conquistada na rota da simplicidade. Daí, o lema que adotou: castidade, pobreza, obediência. O fluxo pródigo do amor, do bem querer, encontraria na simplicidade o veículo mais eficaz de manifestação e esta, na paz, o esteio.
Adoeceu de uma doença longa e misteriosa que enfraqueceu seu corpo, mas o tornou forte em pensamento, sobretudo, seu espírito. O jovem alegre e exuberante começou a escolher o silêncio e a solidão, distanciando-se do centro da cidade. Francisco dedicou-se ao serviço de doentes e pobres. Um dia do outono de 1205, enquanto rezava na igrejinha de São Damião, ouviu a imagem de Cristo lhe dizer: \"Francisco, restaure minha casa decadente\".
O chamado ainda pouco claro para Francisco foi tomado no sentido literal, vendeu as mercadorias da loja do pai para restaurar a igrejinha. Como resultado, o pai de Francisco, indignado com o ocorrido, deserdou-o. Com a renúncia definitiva aos bens materiais paternos, Francisco deu início à sua vida \"unindo-se à Irmã Pobreza\". Francisco percorreu as localidades vizinhas pregando o evangelho. Muitos começaram a compreender o sentido da sua vida, manifestando o desejo de seguí-lo. O primeiro foi o sábio e rico de Assis: Bernardo de Quintavale. Depois veio Egidio, muito piedoso.
Morico, dedicado aos leprosos, Bósboro, futuro missionário do oriente, Sobatino, Bernardo de Viridiante, João de Constância Angelo. Quando a primeira fraternidade formou-se em torno do casebre de Rivotorto, Francisco elaborou um regulamento de vida que não se completou e junto aos onze companheiros foi a Roma para por à apreciação do Papa. Inocêncio III, que se limitou a conceder uma aprovação oral, encarregando Francisco de pregar a todos a Penitência. Em 1212, a \"Fraternidade\", muito crescida, reforma a igreja de Porciúncola, perto de Assis e aí se estabelece.
O exemplo de Francisco é também seguido por Clara, e outra moças de Assis, que entusiasmadas pela vida e espiritualização dele, formaram posteriormente a Ordem Menor das Clarissas. Estimulado pelo desejo de testemunhar a Fé ao mundo inteiro, Francisco, tentara muitas vezes ir aos países não cristãos: parado por uma tempestade em 1211 perto da Dalmácia e por uma doença na Espanha em 1214, chegou ao Egito em 1219; obteve do sultão autorização de pregar, abrindo estradas para as grandes missões.
Retornando a Assis, em 1220, sofrido no físico e abatido no ânimo por notar incompreensões entre os frades durante sua ausência, Francisco renunciou ao cargo de Ministro Geral da Comunidade em favor do fiel companheiro Pietro Cattani. Em 29 novembro de 1223, Onório III aprova o regulamento da Ordem dos Frades Menores. Enquanto pregava no Monte Alverne, nos Apeninos, em 1224, apareceram-lhe no corpo as cinco chagas de Cristo, no fenômeno denominado \"estigmatização\". Os estigmas não só lhe apareceram no corpo, como foram sua grande fonte de fraqueza física.
Francisco de Assis viveu 44 anos, do inverno de 1181/82 até o crepúsculo do sábado 3 de outubro de 1226. O amor de Francisco tem um sentido profundamente universalista. Ele irmanou-se com todo o universo: foi irmão do sol, da água, das estrelas, dos animais e dos homens. O \"Cântico das Criaturas\", em que proclama seu amor a tudo que existe, é uma das mais lindas páginas da poesia cristã. Exemplo nítido de fraternidade, bondade e humildade, a grandeza de sua missão sempre ultrapassará todos os limites das palavras e referências escritas.
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Foi batizado com o nome de Giovanni di Pietro di Bernardone tendo como data provável de nascimento, 26 de Setembro de 1182, na cidade de Assis, na Itália. Filho do Sr. Bernardone, um rico comerciante de tecidos em Assis, homem rústico e a Sra. Maria Pical, mãe muito delicada e generosa. Foi um jovem particularmente alegre, simpático, humano, sincero, sensível, dotado de um caráter nobre e de um certo galanteio. Era trovador e cantor (não profissional).
Trabalhava auxiliando o pai na loja de tecidos. Apreciava e desejava a posição de cavaleiro. Viveu numa época de fortalecimento da classe burguesa (à qual pertencia) frente à aristocracia, da economia monetária em detrimento dos feudos - o que ocasionou alguns conflitos entre Francisco e Bernardone.
Generoso com os pobres não se despedia deles com as mãos vazias. Em seus banquetes ordenava que se preparassem pratos a mais para os menos afortunados de Assis. Em resumo, era um jovem, alegre, fino, risonho e benquisto por todos, rodeado pela afortunada juventude para sonhar com o futuro, gastar dinheiro e cantar serenatas às damas. Quando estouraram as cruzadas se predispôs a participar, motivado pela glória das vitórias. Em 1201 os nobres desterrados em Perusa declararam guerra a Assis; Francisco, da mesma forma que seus companheiros, alistou-se no exército e pôs-se em marcha contra Perusa na planície de Espoleto.
No inverno de 1201, Francisco caiu prisioneiro na batalha de São José, sendo levado para Perusa, ficando numa prisão por longos meses na obscuridade que somente seu ânimo alegre, a disposição de seu temperamento e o gosto pelo canto, o salvaram do desespero. \"Como quereis que eu fique triste, sabendo que grandes coisas me esperam? Costumava dizer, em tom de brincadeira, ao seu amigo. No fim do ano foi libertado, e voltando novamente se entregou a seus saudosos divertimentos da juventude e atividades na casa de comércio de seu pai. Francisco era pródigo. Ele desejava doar, oferecer o que possuía de melhor. O fazia ofertando poemas, compartilhando alegria, doando afeto - fosse aos seus companheiros de festas, fosse a um mendigo.
Mas, convenceu-se de que a prodigalidade do trovador, do amigo, do homem de ricas esmolas não era o bastante. A máxima prodigalidade seria alcançada no despojamento de tudo, a paz íntima seria conquistada na rota da simplicidade. Daí, o lema que adotou: castidade, pobreza, obediência. O fluxo pródigo do amor, do bem querer, encontraria na simplicidade o veículo mais eficaz de manifestação e esta, na paz, o esteio.
Adoeceu de uma doença longa e misteriosa que enfraqueceu seu corpo, mas o tornou forte em pensamento, sobretudo, seu espírito. O jovem alegre e exuberante começou a escolher o silêncio e a solidão, distanciando-se do centro da cidade. Francisco dedicou-se ao serviço de doentes e pobres. Um dia do outono de 1205, enquanto rezava na igrejinha de São Damião, ouviu a imagem de Cristo lhe dizer: \"Francisco, restaure minha casa decadente\".
O chamado ainda pouco claro para Francisco foi tomado no sentido literal, vendeu as mercadorias da loja do pai para restaurar a igrejinha. Como resultado, o pai de Francisco, indignado com o ocorrido, deserdou-o. Com a renúncia definitiva aos bens materiais paternos, Francisco deu início à sua vida \"unindo-se à Irmã Pobreza\". Francisco percorreu as localidades vizinhas pregando o evangelho. Muitos começaram a compreender o sentido da sua vida, manifestando o desejo de seguí-lo. O primeiro foi o sábio e rico de Assis: Bernardo de Quintavale. Depois veio Egidio, muito piedoso.
Morico, dedicado aos leprosos, Bósboro, futuro missionário do oriente, Sobatino, Bernardo de Viridiante, João de Constância Angelo. Quando a primeira fraternidade formou-se em torno do casebre de Rivotorto, Francisco elaborou um regulamento de vida que não se completou e junto aos onze companheiros foi a Roma para por à apreciação do Papa. Inocêncio III, que se limitou a conceder uma aprovação oral, encarregando Francisco de pregar a todos a Penitência. Em 1212, a \"Fraternidade\", muito crescida, reforma a igreja de Porciúncola, perto de Assis e aí se estabelece.
O exemplo de Francisco é também seguido por Clara, e outra moças de Assis, que entusiasmadas pela vida e espiritualização dele, formaram posteriormente a Ordem Menor das Clarissas. Estimulado pelo desejo de testemunhar a Fé ao mundo inteiro, Francisco, tentara muitas vezes ir aos países não cristãos: parado por uma tempestade em 1211 perto da Dalmácia e por uma doença na Espanha em 1214, chegou ao Egito em 1219; obteve do sultão autorização de pregar, abrindo estradas para as grandes missões.
Retornando a Assis, em 1220, sofrido no físico e abatido no ânimo por notar incompreensões entre os frades durante sua ausência, Francisco renunciou ao cargo de Ministro Geral da Comunidade em favor do fiel companheiro Pietro Cattani. Em 29 novembro de 1223, Onório III aprova o regulamento da Ordem dos Frades Menores. Enquanto pregava no Monte Alverne, nos Apeninos, em 1224, apareceram-lhe no corpo as cinco chagas de Cristo, no fenômeno denominado \"estigmatização\". Os estigmas não só lhe apareceram no corpo, como foram sua grande fonte de fraqueza física.
Francisco de Assis viveu 44 anos, do inverno de 1181/82 até o crepúsculo do sábado 3 de outubro de 1226. O amor de Francisco tem um sentido profundamente universalista. Ele irmanou-se com todo o universo: foi irmão do sol, da água, das estrelas, dos animais e dos homens. O \"Cântico das Criaturas\", em que proclama seu amor a tudo que existe, é uma das mais lindas páginas da poesia cristã. Exemplo nítido de fraternidade, bondade e humildade, a grandeza de sua missão sempre ultrapassará todos os limites das palavras e referências escritas.
x

CHICO XAVIER
\"A MENTE SIMPLES E LIVRE
PRECISA DE PAZ\" Foi no dia 2 de abril de 1910, em Pedro Leopoldo uma
cidade típica do interior de Minas Gerais que nasceu Francisco Cândido Xavier
ou simplesmente Chico Xavier. Seu pai, João Cândido Xavier era operário da
fábrica de tecidos e também trabalhava vendendo bilhetes de loteria para poder
sustentar a família que era imensa. Maria João de Deus era mãe de Chico, uma
mulher de muita fé, ensinando desde cedo aos oito filhos a cultivar a confiança
em Deus. Ela trabalhava muito lavando roupas para outras famílias, até que um
dia adoeceu gravemente e veio a falecer. João Cândido estava sem emprego e teve
que distribuir os filhos com os amigos e parentes, pois não tinha condições de
cuidar deles. Chico estava com 5 anos quando foi morar com Dona Rita
(madrinha). Desde o primeiro instante ele sentia o desprezo de sua madrinha.
Dona Rita dava surras em Chico com vara de marmelo, marcando seu corpo ainda
pequeno com tantos vergões e feridas. Aos 6 anos, Chico reencontra sua mãe
desencarnada, no quintal, debaixo das bananeiras; após contar o seu sofrimento,
a sua mãe pede que ele continue acreditando e tendo fé em Deus. Seu pai casa-se
pela segunda vez com Dona Cidália Batista, ela pede ao marido que vá buscar
todos os seus filhos para que possa cuidar de cada um. Dona Cidália ao ver o
estado de Chico cuida de suas feridas e promete que ninguém mais baterá nele e
que, de agora em diante, ele passaria a ser seu filho.
Chico começa a estudar aos 7 anos, mesmo com muitas dificuldades financeiras para se manter nos estudos, ele e sua querida mamãe plantavam e vendiam legumes e verduras. Ele contava para Cidália e para seu pai as suas visões dos irmãos do arco-íris.
Aos 10 anos ele se entregava a sua primeira profissão na Companhia de Fiação e Tecelagem Cachoeira Grande, fazendo assim com que seu pai parasse de implicar com as suas visões que, por muitas vezes, queria interná-lo num hospital psiquiátrico. Mesmo com o trabalho noturno Chico era um bom aluno e foi na escola que surgiram as primeiras manifestações da psicografia, quando recebeu uma menção honrosa por uma redação, dita segundo ele por um espírito.
Com a doença de sua irmã mais nova (Maria Xavier), que estava com a mente em desequilíbrio e os médicos não conseguiam curá-la ! Foi quando um casal espírita, José Hermínio Perácio e Carmem Perácio, realizou algumas sessões espíritas e ela ficou completamente curada. Dona Maria João de Deus (mãe de Chico) comunicou-se escrevendo através de Dona Carmem, dando conselhos à família.
Chico acompanhou todos os procedimentos e interessou-se pelo Espiritismo. Perácio explicou-lhe o que havia ocorrido com Maria e lhe apresentou dois livros de Allan Kardec: O Livro dos Espíritos e O Evangelho Segundo o Espiritismo. No dia 8 de julho de 1927, em uma reunião espírita, Dona Carmem Perácio ouviu um Espírito desencarnado dizendo-lhe para que aquele rapaz de apenas 17 anos tomasse o lápis e escrevesse. Chico obedeceu e um Amigo Espiritual lhe ditou 17 folhas de papel, as quais ele escreveu.
Em outra reunião, Dona Carmem viu um quadro mostrado pelos Espíritos. Do teto do Centro Luiz Gonzaga, estava \"chovendo livros\" sobre a cabeça de Chico. Somente mais tarde eles compreenderam que aquela imagem era para avisar da missão que Chico realizaria: a de escrever livros dos chamados \"mortos\". Chico Xavier iniciou então um intercâmbio com espíritos de todas as partes, para se aperfeiçoar na Doutrina dos Espíritos e desenvolver sua mediunidade. Em 1932, publicou o primeiro livro psicografado, Parnaso de Além-Túmulo, uma coletânea de 56 poesias ditadas por 14 nomes famosos no Brasil, com trabalhos que ele, como médium, nessa ocasião, recebeu de poetas já falecidos como Castro Alves, Olavo Bilac, Augusto dos Anjos e Artur Azevedo. Já contava, nessa ocasião, com a indispensável ajuda de Emmanuel, um Espírito, que um dia aparecendo para Chico disse que já o acompanhava há muito tempo, e indagou-lhe se estava resolvido a trabalhar na mediunidade com Jesus, recebendo mensagens dos espíritos desencarnados. Chico passou a chamar Emmanuel de \"instrutor espiritual que me orienta as faculdades mediúnicas\".
Ao longo de toda sua vida foram psicografados mais de 400 livros, obras de autores nacionais e estrangeiros (por ele traduzidos) que abrangiam todos os setores da cultura humana: poesia, romances, filosofia, ciências e principalmente espiritualidade e paz. Chico afirma com resignação e humildade: \"Não sou o autor dos livros. Os autores são os espíritos amigos\". Os direitos autorais dos livros - sempre de grande tiragem e publicidade em inglês, espanhol, francês, japonês, esperanto e outros idiomas - são cedidos às editoras espíritas e organizações assistenciais.
Sempre trabalhando para a sua sobrevivência, como operário, balconista e escriturário do Ministério da Agricultura. Chico dedicou todas suas horas livres aos outros. Passava a tarde e a noite inteiras a receber pessoas, a dar a cada uma delas uma palavra de consolo, depois que se aposentou. Sob a orientação de seus benfeitores espirituais, Chico Xavier transferiu-se em 1959 para Uberaba, no triângulo mineiro, por motivo de saúde (ele era portador de angina, problemas respiratórios graves e deficiência visual), passando a atender na Comunhão Espírita Cristã.
Aos sábados, Chico peregrinava pelos bairros pobres da cidade, para levar conforto e carinho aos lares mais carentes. Uma de suas psicografias aconteceu em 1979: o juiz aceitou o testemunho da vítima assassinada, que se pronunciou através de Chico Xavier, inocentando o réu e afirmando que tudo não passou de um acidente.
Foi a primeira vez na história do país que um documento espírita resolveu um caso jurídico. O médium, no entanto, sempre se declarou apenas um instrumento dos espíritos. Com fundamento na grande obra assistencial, pela sua extraordinária capacidade de amar, e pela vasta contribuição literária em favor da Paz e da espiritualização dos seres humanos, desenvolvida pelo médium, é que, em 1981, o deputado Freitas Nobre e o diretor de televisão Augusto Cezar Vanucci, encaminharam vasta documentação ao Instituto Nobel, na Suécia, para justificar uma indicação de Chico Xavier ao Prêmio Nobel da Paz. Nesta época, as entidades ajudadas por suas campanhas beneficentes e rendas autorais chegavam a duas mil. Sua indicação ao comitê para o prêmio Nobel da Paz foi acompanhada de 30 milhões de assinaturas do povo brasileiro.
São inúmeros hospitais psiquiátricos e casas de saúde orientadas pelas obras de André Luiz. As vítimas do \"fogo selvagem\" foram beneficiadas com a construção e manutenção do Hospital de Pênfigo, com a casa transitória da Federação Espírita do Estado de São Paulo, destinadas a velhos desamparados, a recuperação de adultos e ao auxílio de crianças carentes. Chico Xavier também atuou na recuperação de criminosos. Foram organizados grupos de voluntários para orientar os detentos condenados a penas longas, com o objetivo de preparar o seu retorno ao seio familiar.
A própria vida de Chico Xavier foi o maior testemunho de fraternidade que se conhece, eis que acolheu em seu imenso e puro coração religiosos e ateus, lenitivando-lhes, sem indagar-lhes a procedência, as aflições de que sejam portadores, enxugando-lhes as lágrimas, reanimando-lhes os corações, soerguendo-lhes as almas abatidas pelo desalento. \"Que homem é este que: doente, deu saúde a um incontável número de pessoas; pobre de bens materiais, consolou numerosos ricos; rico de bens espirituais, jamais esqueceu os pobres; sem poder humano, orientou e consolou poderosos; sem dinheiro, enriqueceu o século em que nasceu.
Que homem é este que, apesar dos sofrimentos que experimentou em toda a vida, ainda consegue: sorrir além do cansaço; servir apesar das doenças; sofrer sem reclamar; fazer o bem aos que lhe fazem o mal; orar pelos que o perseguem e caluniam; ajudar desinteressadamente; conversar com os animais; amar todos os seres. Seu nome é Chico, Chico Xavier, a paz que todo mundo quer. Francisco Cândido Xavier escolheu sabiamente o dia da sua morte.
Um dia em que o País transbordava de alegria, pois os brasileiros comemoravam a conquista do Penta no futebol. Era 30 de Julho de 2002 e o médium deitou-se às 19h20. Dez minutos depois o coração de um dos mais importantes homens do nosso tempo parou, serenamente, de bater.
Chico começa a estudar aos 7 anos, mesmo com muitas dificuldades financeiras para se manter nos estudos, ele e sua querida mamãe plantavam e vendiam legumes e verduras. Ele contava para Cidália e para seu pai as suas visões dos irmãos do arco-íris.
Aos 10 anos ele se entregava a sua primeira profissão na Companhia de Fiação e Tecelagem Cachoeira Grande, fazendo assim com que seu pai parasse de implicar com as suas visões que, por muitas vezes, queria interná-lo num hospital psiquiátrico. Mesmo com o trabalho noturno Chico era um bom aluno e foi na escola que surgiram as primeiras manifestações da psicografia, quando recebeu uma menção honrosa por uma redação, dita segundo ele por um espírito.
Com a doença de sua irmã mais nova (Maria Xavier), que estava com a mente em desequilíbrio e os médicos não conseguiam curá-la ! Foi quando um casal espírita, José Hermínio Perácio e Carmem Perácio, realizou algumas sessões espíritas e ela ficou completamente curada. Dona Maria João de Deus (mãe de Chico) comunicou-se escrevendo através de Dona Carmem, dando conselhos à família.
Chico acompanhou todos os procedimentos e interessou-se pelo Espiritismo. Perácio explicou-lhe o que havia ocorrido com Maria e lhe apresentou dois livros de Allan Kardec: O Livro dos Espíritos e O Evangelho Segundo o Espiritismo. No dia 8 de julho de 1927, em uma reunião espírita, Dona Carmem Perácio ouviu um Espírito desencarnado dizendo-lhe para que aquele rapaz de apenas 17 anos tomasse o lápis e escrevesse. Chico obedeceu e um Amigo Espiritual lhe ditou 17 folhas de papel, as quais ele escreveu.
Em outra reunião, Dona Carmem viu um quadro mostrado pelos Espíritos. Do teto do Centro Luiz Gonzaga, estava \"chovendo livros\" sobre a cabeça de Chico. Somente mais tarde eles compreenderam que aquela imagem era para avisar da missão que Chico realizaria: a de escrever livros dos chamados \"mortos\". Chico Xavier iniciou então um intercâmbio com espíritos de todas as partes, para se aperfeiçoar na Doutrina dos Espíritos e desenvolver sua mediunidade. Em 1932, publicou o primeiro livro psicografado, Parnaso de Além-Túmulo, uma coletânea de 56 poesias ditadas por 14 nomes famosos no Brasil, com trabalhos que ele, como médium, nessa ocasião, recebeu de poetas já falecidos como Castro Alves, Olavo Bilac, Augusto dos Anjos e Artur Azevedo. Já contava, nessa ocasião, com a indispensável ajuda de Emmanuel, um Espírito, que um dia aparecendo para Chico disse que já o acompanhava há muito tempo, e indagou-lhe se estava resolvido a trabalhar na mediunidade com Jesus, recebendo mensagens dos espíritos desencarnados. Chico passou a chamar Emmanuel de \"instrutor espiritual que me orienta as faculdades mediúnicas\".
Ao longo de toda sua vida foram psicografados mais de 400 livros, obras de autores nacionais e estrangeiros (por ele traduzidos) que abrangiam todos os setores da cultura humana: poesia, romances, filosofia, ciências e principalmente espiritualidade e paz. Chico afirma com resignação e humildade: \"Não sou o autor dos livros. Os autores são os espíritos amigos\". Os direitos autorais dos livros - sempre de grande tiragem e publicidade em inglês, espanhol, francês, japonês, esperanto e outros idiomas - são cedidos às editoras espíritas e organizações assistenciais.
Sempre trabalhando para a sua sobrevivência, como operário, balconista e escriturário do Ministério da Agricultura. Chico dedicou todas suas horas livres aos outros. Passava a tarde e a noite inteiras a receber pessoas, a dar a cada uma delas uma palavra de consolo, depois que se aposentou. Sob a orientação de seus benfeitores espirituais, Chico Xavier transferiu-se em 1959 para Uberaba, no triângulo mineiro, por motivo de saúde (ele era portador de angina, problemas respiratórios graves e deficiência visual), passando a atender na Comunhão Espírita Cristã.
Aos sábados, Chico peregrinava pelos bairros pobres da cidade, para levar conforto e carinho aos lares mais carentes. Uma de suas psicografias aconteceu em 1979: o juiz aceitou o testemunho da vítima assassinada, que se pronunciou através de Chico Xavier, inocentando o réu e afirmando que tudo não passou de um acidente.
Foi a primeira vez na história do país que um documento espírita resolveu um caso jurídico. O médium, no entanto, sempre se declarou apenas um instrumento dos espíritos. Com fundamento na grande obra assistencial, pela sua extraordinária capacidade de amar, e pela vasta contribuição literária em favor da Paz e da espiritualização dos seres humanos, desenvolvida pelo médium, é que, em 1981, o deputado Freitas Nobre e o diretor de televisão Augusto Cezar Vanucci, encaminharam vasta documentação ao Instituto Nobel, na Suécia, para justificar uma indicação de Chico Xavier ao Prêmio Nobel da Paz. Nesta época, as entidades ajudadas por suas campanhas beneficentes e rendas autorais chegavam a duas mil. Sua indicação ao comitê para o prêmio Nobel da Paz foi acompanhada de 30 milhões de assinaturas do povo brasileiro.
São inúmeros hospitais psiquiátricos e casas de saúde orientadas pelas obras de André Luiz. As vítimas do \"fogo selvagem\" foram beneficiadas com a construção e manutenção do Hospital de Pênfigo, com a casa transitória da Federação Espírita do Estado de São Paulo, destinadas a velhos desamparados, a recuperação de adultos e ao auxílio de crianças carentes. Chico Xavier também atuou na recuperação de criminosos. Foram organizados grupos de voluntários para orientar os detentos condenados a penas longas, com o objetivo de preparar o seu retorno ao seio familiar.
A própria vida de Chico Xavier foi o maior testemunho de fraternidade que se conhece, eis que acolheu em seu imenso e puro coração religiosos e ateus, lenitivando-lhes, sem indagar-lhes a procedência, as aflições de que sejam portadores, enxugando-lhes as lágrimas, reanimando-lhes os corações, soerguendo-lhes as almas abatidas pelo desalento. \"Que homem é este que: doente, deu saúde a um incontável número de pessoas; pobre de bens materiais, consolou numerosos ricos; rico de bens espirituais, jamais esqueceu os pobres; sem poder humano, orientou e consolou poderosos; sem dinheiro, enriqueceu o século em que nasceu.
Que homem é este que, apesar dos sofrimentos que experimentou em toda a vida, ainda consegue: sorrir além do cansaço; servir apesar das doenças; sofrer sem reclamar; fazer o bem aos que lhe fazem o mal; orar pelos que o perseguem e caluniam; ajudar desinteressadamente; conversar com os animais; amar todos os seres. Seu nome é Chico, Chico Xavier, a paz que todo mundo quer. Francisco Cândido Xavier escolheu sabiamente o dia da sua morte.
Um dia em que o País transbordava de alegria, pois os brasileiros comemoravam a conquista do Penta no futebol. Era 30 de Julho de 2002 e o médium deitou-se às 19h20. Dez minutos depois o coração de um dos mais importantes homens do nosso tempo parou, serenamente, de bater.
Vemos que a paz suscita caminhos e
interpretações dentre seus maiores exemplos ou homens e mulheres que viram na
paz o motivo de suas vidas e esforços, todos precisamos de paz para viver,
dormir e sonhar, e despertar no novo dia para se esforçar novamente pelo bem de
todos e do Universo.
Falamos
agora do Zeitgeist e assim vamos mais longe no comportamento, seguindo a
seguinte fórmula:
EMBRIOLOGIA
+ NASCIMENTO + DESENVOLVIMENTO = ZEITGEIST (clima cultural e intelectual da
época).
Certamente estamos indo mais adiante
no comportamento, pois o Zeitgeist não obedece exclusivamente às leis do
condicionamento, da equivalência de estímulos ou dos quadros relacionais, ou
seja, vai mais além e ultrapassa-as
seguindo adiante para o clima cultural e intelectual que se tornam função da
história de vida ou da embriologia, do nascimento e do desenvolvimento de cada
um de nós.
Esta
abordagem entende que os rituais de iniciação e de passagem e a Trajetória da
Vida, dos Monstros e
dos Heróis, a adaptação e a transcendência oriundos das relações
em tempos de guerras e
de paz e a memória que por sua vez repercute como adaptação, e atividades de trabalho, economia e de
globalização, inclusive diante dos nossos caminhos e das nossas trincheiras e nas descobertas ligadas ao Zeitgeist que é o
clima cultural e intelectual de uma época, podem serem fruto de uma relação mãe e filho
se ela, sua mãe, não satisfazer a necessidade de amor de seu filho pela sua
tendência inata para atualizar as suas capacidades e potencialidades do seu eu,
gerando auto-atualização, então pode gerar sofrimento durante a etapa de
adaptação no sofrimento durante as perdas. Está má relação pode originar
conseqüências ruins para a auto-atualização assim para o seu modo de lidar
ritualmente com o luto e com a formação do próprio luto, com nossa Trajetória
da Vida, dos Monstros e dos Heróis, por
exemplo em guerras e más memórias, ou seja, má adaptação fisiológica,
morfológica e/ou comportamental no
trabalho, nas relações econômicas e com a economia e na globalização da
tecnologia, da economia, da informação, do consumo e da liberdade. A tendência
inata para a auto-atualização deixa o indivíduo capaz de dominar seu luto em
seus relacionamentos gerando paz e um alto grau de saúde psicológica através de
seu pleno funcionamento mental deixando-o em pleno funcionamento mental para o
trabalho, a economia e a globalização. Esta capacidade permite toda e qualquer
experiência seguindo seus próprios instintos e não pelas opiniões e vontades
dos outros com liberdade de pensamento e um alto grau de criatividade dominando
seu sofrimento e luto e assim sendo adaptado e justo consigo mesmo, oferecendo
ao indivíduo o mais alto grau de saúde psicológica, a auto-atualização. Assim a
Educação com seus rituais de iniciação e de passagem ajuda a levar a
auto-atualização pois com uma boa relação entre mãe e filho tudo fica melhor
para o futuro das crianças, havendo então paz e contentamento, produzindo boa
adaptação que é assim também boa memória já que não existe memória, apenas
adaptação fisiológica, morfológica e/ou comportamental.
Pela nossa tendência inata para atualizar as nossas
capacidades e potencialidades do eu se dá a auto-atualização que pode ser
prejudicada pelas experiências infantis se suas experiências com sua mãe não
satisfazer sua necessidade de amor pela estima positiva entre mãe-filho e pela
aprendizagem oriunda das relações com sua mãe e de outras relações limitando-a
a possíveis Monstros, inclusive diante dos nossos caminhos e das nossas
trincheiras e nas descobertas ligadas ao
Zeitgeist que é o clima cultural e intelectual de uma época, como o bullying sexual, moral ou psicológico
dentre outras formas de violência e agressão como a física e social no
trabalho, nas relações econômicas e na globalização, assim, favorecendo o
desrespeito as incolumidades corporal, pessoal, patrimonial e da vida pública,
e delinqüência podendo se transformar num criminoso ou ensimesmado.
A tendência inata para a auto-atualização
permite ao sujeito dominar seus Monstros internos e relacionados as relações
sociais, inclusive diante dos nossos caminhos e das nossas trincheiras e
nas descobertas ligadas ao Zeitgeist que
é o clima cultural e intelectual de uma época, conduzindo-o a paz e equilíbrio num alto grau
de saúde psicológica pelo pleno funcionamento de sua mente no trabalho, na
economia e na globalização. Serão assim abertos a toda e qualquer experiência,
viverão plenamente cada momento de suas vidas, guiar-se-ão pelos seus próprios
instintos e não pelas opiniões e vontades dos outros, terão liberdade de
pensamento e a um alto grau de criatividade assujeitando-os ao domínio dos seus
Monstros biológicos, psicológicos, sociológicos, filosóficos e/ou espirituais
com satisfatória adaptação e boa memória.
A tendência inata satisfeita permite a
auto-atualização reforçada pela Educação que deste modo assegura a segurança e
a paz no mundo e nas regiões do mundo, graças a boa relação entre mãe e filho e
a auto-atualização, enfim a Educação que tudo resolve. A Educação nos educa
para o trabalho, para a economia e para a globalização, inclusive diante dos
nossos caminhos e das nossas trincheiras e para as descobertas ligadas ao Zeitgeist que é o
clima cultural e intelectual de uma época. A Educação nos educa para a
Trajetória da Vida, dos Monstros e dos Heróis. A Trajetória dos Heróis é a
seguinte:
1.
A concepção e o herói
2.
O chamado pode ser recusado
3.
As forças se unem para o bem-aventurado
4.
A travessia: se consumir
5.
Ser engolido e consumido
6.
O caminho obtuso
7.
O encontro com a deusa
8.
A mulher como tentação
9.
A relação com o pai
10.
A apoteose
11.
A última graça
12.
A difícil volta
13.
A magia nas decisões
14.
O resgate sobrenatural
15.
Os limites da volta
16.
Agora são dois mundos
17.
E a liberdade para se viver e ensinar a
viver
A auto-atualização só é alcançada com a
Liberdade para Se Viver e Ensinar a Viver, ela é fruto da Educação
etapa-a-etapa, desde a Concepção e o Herói até a última já citada
anteriormente.
A Educação, inclusive diante dos nossos caminhos e
das nossas trincheiras e nas descobertas
ligadas ao Zeitgeist que é o clima cultural e intelectual de uma época, é assim um conjunto de ritos de iniciação e de
passagem, frutos da adaptação que evocam
transcendência para lidarmos com as misérias com a caridade e o trabalho, e
também com seus desenvolvimentos, o abuso, a exploração, a violência, os
crimes, as guerras, os holocaustos, as barbaridades, as crueldades, as
insanidades, as doenças biológicas, ecológicas, físicas, químicas, psíquicas,
sociais, filosóficas e/ou espirituais, as tragédias, os conflitos, as perdas, etc.,
deste modo abordamos o Amor de Deus e o nosso sentimento de renascimento que
nos faz renascer e enfrentar tudo de novo, cada problema e superar
momento-a-momento problema-a-problema como os sexuais, os morais, os mentais,
os físicos, etc., para alcançarmos a auto-atualização diante da Trajetória dos
Heróis.
Então
podemos dizer que pela Educação chegamos ao conhecimento da auto-atualização e
da Adaptação e assim ao um poder haver o
Apocalipse Universal com o fim do Universo , da vida e dos Saberes e das Ciências
através do Teoria do Descontrutivismo Físico Mattanoniano, mas através do
Construtivismo Físico Mattanoniano continuará havendo o Universo e a vida, as
Ciências e ao Saberes pois não haverá os outros ¨big-bangs¨ ou ação de Deus ou
do Homem através da Oração e de Deus e da Fé ou mesmo através da Ciência e da
Física pondo fim ao nosso Universo, e até o Demônio poderia arruinar o Universo
e a Vida e aos Saberes e a Ciência e também a si mesmo se afundando e deixando
de exercer valor e influência e até mesmo deixando de existir através desses
princípios teóricos e Bíblicos que por sinal fazem parte do nosso tempo e da
minha vida. Através da Adaptação tudo pode ser transformado e/ou mudado,
começado, terminado ou re-começado como exemplo, o Universo, o Apocalipse
Universal! O Amor de Deus salva-nos restando o
Paraíso e o nosso sentimento de renascimento e de salvação diante das
dificuldades e problemas agora até mesmo Universais! A auto-atualização pode
nos Salvar!
O
Homem Trabalha pois é Educado e é através da Educação que atinge a
auto-atualização e assim o pleno funcionamento mental no Trabalho, na Economia
e na Globalização através dos ritos de sua sociedade.
O
Homem trabalha para garantir sua Educação e sua auto-atualização econômica, ou
seja, permitir que sua tendência inata para a auto-atualização leve-o a
relações sociais de paz e de equilíbrio com um alto grau de saúde psicológica
pelo seu pleno funcionamento mental no trabalho, na economia e na globalização,
ficando abertos a toda e qualquer experiência, a cada momento de suas vidas,
aos seus próprios instintos e não às opiniões e vontades dos outros, terão
liberdade de pensamento e um alto grau de criatividade dominando seus Monstros
a ponto de vencê-los com a força de seus Heróis durante sua Trajetória dos
Heróis a fim de que encontre a Liberdade para Se Viver e Ensinar a Viver e viva
assim sua auto-atualização, inclusive diante dos nossos caminhos e das nossas
trincheiras e diante das descobertas
ligadas ao Zeitgeist que é o clima cultural e intelectual de uma época,.
Se descobrir é descobrir-se em meio a rituais
de iniciação e de passagem
durante a Trajetória da
Vida, dos Monstros e dos Heróis chegando ou não a liberdade para se viver e
ensinar a viver, inclusive diante dos nossos caminhos e das nossas trincheiras
e diante das descobertas ligadas ao Zeitgeist que é o clima cultural e
intelectual de uma época.
Contudo
temos Osny Mattanó Júnior e sua Teoria Espiritualizada que se interessa pelo
normal e pelo anormal, pelo pecado e pelo patológico, que prega que não há
descontinuidade na vida mental, que existem 3 leis para o inconsciente: o
niilismo, o condensamento e o deslocamento, e que assim a resposta existe,
mesmo que seja niilista e que suas causalidades são provocadas por intenção ou
por desejo da pessoa. A maior parte do funcionamento mental da pessoa se passa
fora da consciência. A atividade mental inconsciente desempenha um papel
fundamental na produção das causalidades, inclusive diante dos nossos caminhos
e das nossas trincheiras.
Sobre a energia vital, ela, passa
agora a ser a comunhão e não a libido, a comunhão tem um papel maior do que a
libido na Trajetória da Vida, dos Monstros, dos Heróis e dos Escravos, na
história de vida e nos contextos, porém a libido também permanece como catexia.
A quantidade de catexia que se liga
ou se dirige a representação mental da pessoa ou coisa depende do desejo, do
investimento.
Catexizamos lembranças, pensamentos
e fantasias do objeto – após termos pensado pela primeira vez segundo os
impulsos do id teremos lembranças, pensamentos e fantasias como as conhecemos.
O refluxo permite e independência, e
a regressão é o retorno a uma instância de gratificação mais remota.
O funcionamento psíquico ocorre de
duas maneiras: os processos primários e os processos secundários. Nos processos
primários há a descarga da catexia e nos processos secundários há a capacidade
de retardar a descarga da energia psíquica. A passagem do primário para o
secundário é gradual e assim vai se formando o ego do sujeito para a vida toda.
Falamos aqui de um novo modelo de
energia psíquica construído a partir da comunhão que se torna mais forte do que
a libido na vida e na representação das pessoas, pois existe um sentimento
universal de comunhão partilhado, permanente, diariamente em encontros e
estados de consciência e de solidão, como em cerimônias, hábitos, tradições,
discursos, ritos, mitos, programas de mass mídia, igrejas, fenômenos, celebridades
e autoridades que constantemente fazem alusão à comunhão, a partilha, a
acolhida, a paz, a misericórdia, ao perdão, ao amor e a Deus.
Percebemos que até certa altura da
vida gostamos de falar e de praticar sexo, mas com o tempo as coisas vão mudando
e mudamos, percebemos que gostamos de falar a praticar a comunhão desde o
nascimento e com o tempo muito dificilmente a situação muda, ou seja,
dificilmente deixamos de praticar a comunhão até a morte! Isto acontece, a
comunhão, em todos os ambientes, mas o sexo não flui em todos os ambientes e
situações como em igreja e relações com o crime, ou em locais públicos, a não
ser que te violentam e te forcem cruelmente ou te estuprem! Existe crime no
sexo, mas não existe crime na verdadeira comunhão!
A
EMBRIOLOGIA + O NASCIMENTO + O DESENVOLVIMENTO (DE JESUS CRISTO) = ZEITGEIST
(clima cultural e intelectual da época de Jesus Cristo que permanece para
sempre progressivamente).
Se
descobrir é descobrir-se efetuando e reciclando-se em rituais de iniciação e de
passagem e poder trabalhar, ter economia, bens e mercadorias, viver o
consumismo de forma saudável e hoje, viver e poder usufruir da globalização e
dos seus direitos, deveres, obrigações e privilégios, inclusive aos da
cidadania e da Justiça, que devem estar pautados na Vida e na Paz e na promoção
da Justiça Social para que possamos alcançar a Liberdade para Se Viver e
Ensinar a Viver, inclusive diante do Zeitgeist, como forma de desfrutarmos e
vivermos aprendendo com o nosso processo de auto-atualização!
É
através da Liberdade para Se Viver e Ensinar a Viver que o Zeitgeist, que é o
clima cultural e intelectual da época, torna-se libertador e o indivíduo pode
viver e ensinar a liberdade, seja através do inconsciente, das contingências,
dos arquétipos, da escola, das relações sociais, da aprendizagem, da
auto-atualização, da auto-realização, da gestalt, da superioridade, da
institucionalização, do trabalho, etc. É o Zeitgeist o responsável tanto pelo
clima de paz como pelo clima de violência e de guerra, o ser humano apenas faz
a gestão desses fenômenos. Covardia ou humanidade depende do Zeitgeist que
paulatinamente modelará a mente e o comportamento de cada indivíduo, tornando-o
mero reprodutor de seu meio ambiente. Os caminhos ou as trincheiras serão
consequência do Zeitgeist, ou seja, do clima cultural e intelectual da época,
porém também da espiritualidade quando nos referirmos aos caminhos traçados por
Deus e por Nossa Senhora, assim sendo falamos do Zeitgeist Espiritual.
Osny
Mattanó Júnior
Londrina,
15 de dezembro de 2016.
10.
Cognitivismo
Os caminhos se abrem para aqueles
que caminham e se fecham para aqueles que param. Quando paramos abrimos
trincheiras e começamos nossas guerras com nossas armas para lutar, matar e
destruir, dominar e tirar ou privar a liberdade do outro e até mesmo a sua,
enquanto caminhamos temos liberdade para se viver e ensinar a viver, não temos
tempo para cavar trincheiras e nem para guerras. Só o caminho ensina o amor, a
vida e a liberdade. As trincheiras ensinam lições perdidas pelo ódio e pela
morte, e pelas prisões.
Não conseguimos dar alcance para
nossas mãos se estivermos em trincheiras mas se estivermos caminhando elas irão
mais longe e alcançarão o próximo, levando esperança, conforto, amizade, amor e
uma nova aurora.
Memorial dos Pacifistas

DALAI LAMA
\"SEM PAZ DE ESPÍRITO É
IMPOSSÍVEL PAZ NO MUNDO\"
Dalai-Lama Tenzin Gyatso é o atual líder religioso do Tibete. Os tibetanos preferem chamá-lo simplesmente de Kundum, a Presença. Vive no exílio e combate a ocupação chinesa de sua nação sem abandonar seus princípios religiosos e opiniões ponderadas. Filho de camponeses, nasceu em 6 de julho de 1935, na aldeia de Takster, com o nome de Lhamo Thondup. Com dois anos de idade, foi reconhecido como a reencarnação do 13º Dalai Lama (Avalokitesvara); sendo, então, o 14º Dalai Lama, o Buda da compaixão.
A história do primeiro contato com o novo Dalai Lama é magnífica. Quem se aproximou da humilde residência foi o monge mais importante do grupo e amigo íntimo do 13º Dalai Lama. Ele estava vestido de mendigo e trazia ao pescoço, por baixo das vestes, o terço do 13º Dalai Lama. Foi recebido à porta por uma mulher segurando uma criança e pediu comida. A criança, então, segurou a roupa do homem e perguntou: \"Se lembra de mim?\". Em seguida, estendeu as mãos para o pescoço dele e puxou seu terço, dizendo: \"Isto é meu.
Por que está usando?\" Emocionado, o Lama abraçou a criança sem que a mãe entendesse o que estava acontecendo. Algumas semanas depois, os lamas retornaram a casa e colocaram uma série de objetos diante da criança, alguns pertencentes ao 13º Kundun e outras réplicas mais bem trabalhadas. Sem hesitar, a criança pegou exatamente os objetos do Dalai Lama e todos tiveram a certeza de que a grande alma havia renascido. O Dalai Lama foi entronizado em 1940 e iniciou sua educação com 6 anos, tendo como tutor Ling Rinpoche, seu melhor amigo e professor até a morte, em 1983, em Dharamsala. Os ensinamentos ao Dalai Lama envolveram disciplinas como lógica, arte e cultura tibetanas, sânscrito, medicina, cosmologia, poesia, música, teatro e filosofia.
Em 1959, aos 25 anos, ele obteve o título de Geshe Lharampa, doutorado em filosofia budista. Seus últimos oito anos de estudos tiveram de ser divididos com a política, já que com apenas 16 anos o jovem Kundun foi obrigado a assumir plenamente suas funções ante a invasão chinesa ao Tibete. Já em 1954, ele encontrava-se com Mao Tsé-Tung, Chou En-Lai e Den Xiaoping, na China, com o objetivo de buscar uma solução para seu país.
Em 1963, o Dalai Lama promulgou uma constituição democrática baseada nos princípios budistas e na Declaração Universal dos Direitos Humanos. Sua intenção é que o documento sirva como base para a sociedade tibetana quando esta reconquistar sua liberdade.
Em 1967, Sua Santidade iniciou uma série de viagens por diversos países em busca de auxílio. Sua atuação mundial lhe deu o Prêmio Nobel da Paz, em 1989. Além do que - como o Comitê do Prêmio Nobel fez questão de realçar - sua luta pela libertação do Tibete sempre se baseou na busca de soluções pacíficas alicerçadas na tolerância e no respeito mútuo. \"O prêmio\", disse ele na época, \"reafirma nossa convicção de que, usando a verdade, a coragem e a determinação como armas, o Tibete será libertado. Nossa luta deve continuar sem violência e livre de ódios.\" Ainda hoje ele continua negociando com a China a posse do seu território, além de outras pretensões, tais como: acabar com a transferência de chineses para o Tibete, respeitar os direitos dos tibetanos, abandonar a produção de armas nucleares no local, negociar sobre a instauração de um governo democrático e transformar seu território numa região de Paz. Em 1989, recebeu o Prêmio Nobel da Paz.
Em 1992, Dalai-Lama visitou o Brasil durante a Eco-92. Em 1999, voltou ao Brasil para participar do seminário \"Valores Humanos e sua prática na vida cotidiana\", em Curitiba. Também esteve em Brasília participando do encontro inter-religioso \"Colóquio pela Paz e Renovação da Esperança\". Pensamentos de Dalai-Lama: \"Meu apelo por uma revolução espiritual não é um apelo por uma revolução religiosa. Considero que a espiritualidade esteja relacionada com aquelas qualidades do espírito humano - tais como, amor e compaixão, paciência, tolerância, capacidade de perdoar, contentamento, noção de responsabilidade, noção de harmonia - que trazem felicidade tanto para a própria pessoa, quanto para os outros\".
Dalai-Lama Tenzin Gyatso é o atual líder religioso do Tibete. Os tibetanos preferem chamá-lo simplesmente de Kundum, a Presença. Vive no exílio e combate a ocupação chinesa de sua nação sem abandonar seus princípios religiosos e opiniões ponderadas. Filho de camponeses, nasceu em 6 de julho de 1935, na aldeia de Takster, com o nome de Lhamo Thondup. Com dois anos de idade, foi reconhecido como a reencarnação do 13º Dalai Lama (Avalokitesvara); sendo, então, o 14º Dalai Lama, o Buda da compaixão.
A história do primeiro contato com o novo Dalai Lama é magnífica. Quem se aproximou da humilde residência foi o monge mais importante do grupo e amigo íntimo do 13º Dalai Lama. Ele estava vestido de mendigo e trazia ao pescoço, por baixo das vestes, o terço do 13º Dalai Lama. Foi recebido à porta por uma mulher segurando uma criança e pediu comida. A criança, então, segurou a roupa do homem e perguntou: \"Se lembra de mim?\". Em seguida, estendeu as mãos para o pescoço dele e puxou seu terço, dizendo: \"Isto é meu.
Por que está usando?\" Emocionado, o Lama abraçou a criança sem que a mãe entendesse o que estava acontecendo. Algumas semanas depois, os lamas retornaram a casa e colocaram uma série de objetos diante da criança, alguns pertencentes ao 13º Kundun e outras réplicas mais bem trabalhadas. Sem hesitar, a criança pegou exatamente os objetos do Dalai Lama e todos tiveram a certeza de que a grande alma havia renascido. O Dalai Lama foi entronizado em 1940 e iniciou sua educação com 6 anos, tendo como tutor Ling Rinpoche, seu melhor amigo e professor até a morte, em 1983, em Dharamsala. Os ensinamentos ao Dalai Lama envolveram disciplinas como lógica, arte e cultura tibetanas, sânscrito, medicina, cosmologia, poesia, música, teatro e filosofia.
Em 1959, aos 25 anos, ele obteve o título de Geshe Lharampa, doutorado em filosofia budista. Seus últimos oito anos de estudos tiveram de ser divididos com a política, já que com apenas 16 anos o jovem Kundun foi obrigado a assumir plenamente suas funções ante a invasão chinesa ao Tibete. Já em 1954, ele encontrava-se com Mao Tsé-Tung, Chou En-Lai e Den Xiaoping, na China, com o objetivo de buscar uma solução para seu país.
Em 1963, o Dalai Lama promulgou uma constituição democrática baseada nos princípios budistas e na Declaração Universal dos Direitos Humanos. Sua intenção é que o documento sirva como base para a sociedade tibetana quando esta reconquistar sua liberdade.
Em 1967, Sua Santidade iniciou uma série de viagens por diversos países em busca de auxílio. Sua atuação mundial lhe deu o Prêmio Nobel da Paz, em 1989. Além do que - como o Comitê do Prêmio Nobel fez questão de realçar - sua luta pela libertação do Tibete sempre se baseou na busca de soluções pacíficas alicerçadas na tolerância e no respeito mútuo. \"O prêmio\", disse ele na época, \"reafirma nossa convicção de que, usando a verdade, a coragem e a determinação como armas, o Tibete será libertado. Nossa luta deve continuar sem violência e livre de ódios.\" Ainda hoje ele continua negociando com a China a posse do seu território, além de outras pretensões, tais como: acabar com a transferência de chineses para o Tibete, respeitar os direitos dos tibetanos, abandonar a produção de armas nucleares no local, negociar sobre a instauração de um governo democrático e transformar seu território numa região de Paz. Em 1989, recebeu o Prêmio Nobel da Paz.
Em 1992, Dalai-Lama visitou o Brasil durante a Eco-92. Em 1999, voltou ao Brasil para participar do seminário \"Valores Humanos e sua prática na vida cotidiana\", em Curitiba. Também esteve em Brasília participando do encontro inter-religioso \"Colóquio pela Paz e Renovação da Esperança\". Pensamentos de Dalai-Lama: \"Meu apelo por uma revolução espiritual não é um apelo por uma revolução religiosa. Considero que a espiritualidade esteja relacionada com aquelas qualidades do espírito humano - tais como, amor e compaixão, paciência, tolerância, capacidade de perdoar, contentamento, noção de responsabilidade, noção de harmonia - que trazem felicidade tanto para a própria pessoa, quanto para os outros\".

ALBERT SCHWEITZER
\\\"A PAZ NÃO É INÉRCIA, É O
TRABALHO CORAJOSO QUE FAZ NASCER A SOLIDARIEDADE NO INTERIOR DO HOMEM\\\"
O Professor Albert Schweitzer (1875- 1965), ganhador do Prêmio Nobel da Paz de 1952, músico, filósofo, teólogo, médico e missionário, foi um dos precursores da Bioética. Um dos maiores intérpretes de Bach, Albert Schweitzer foi também seu maior biógrafo. Com um talento que remontava à passada geração dos Schweitzer, fora aclamado como o grande concertista da Europa dos primeiros anos do século. Premiado como intérprete e como profundo conhecedor de órgãos Schweitzer testemunhara sua fama espalhar-se rapidamente.
Um dia, como que atingido por um raio, soube da extrema necessidade de missionários no Congo Francês, o Gabão, na África. E descobriu que o perfil ideal de um missionário para o Gabão era aquele que tivesse conhecimentos de medicina. Daquele dia em diante, sua vida mudou. E muito radicalmente. Iniciou o Curso de Medicina, concluído seis anos depois, e ainda fez uma especialização de dois anos em doenças tropicais.
A todos a quem mencionava sua aspiração de deixar a Europa por um vilarejo primitivo nos rincões africanos, era saudado com zombaria ou com piedosa compaixão. Alguns achavam mais racional que ele custeasse alguém que fosse se embrenhar nas selvas do Gabão, enquanto ele continuaria sua trajetória de vitórias e conquistas. Como alguém deixaria ao lado todos aqueles anos em que havia se dedicado à música, aquela música que encantava os homens e os anjos, as sinfonias com que Bach enchera o mundo de divindade? Mas ele perseverou e perseguiu sua meta com tenacidade.
Depois de formado, colocara à venda todos os seus pertences, inclusive as medalhas, troféus e instrumentos musicais. Era o capital inicial de sua nobre missão: fundar um hospital em Labarené, África Equatorial Francesa (Gabão), onde construiu, nas margens do rio Ogové, um hospital para doenças tropicais e a clínica para leprosos Labarené, desenvolvendo uma intensa atividade médica e missionária. Um hospital muito rústico, de pau a pique, foi o maior salva-vidas da região e multidões de africanos acorriam a ele, esquecendo algumas vezes suas superstições e tradições tribais milenares e aceitando os anestésicos e a penicilina que lhes podia prolongar a vida e minimizar a dor. Depois Schweitzer construiu vários outros hospitais na África.
Nesse ínterim, a Europa fervilhava nas vésperas de uma grande guerra. Eram os anos finais da década de 30. Isolado do mundo, naquele lugar esquecido por todos, o jovem médico Albert Schweitzer fazia de tudo um pouco: era carpinteiro, pedreiro, professor, cozinheiro e médico. Enfrentando enfermidades, crendices e muita escassez de recursos materiais e humanos, coube a Schweitzer o desafio de triunfar sobre todas as dificuldades.
Terminada a guerra, uma ou duas vezes por ano ele retornava à Alemanha e à Inglaterra, onde com seus concertos amealhava os meios para uma nova ala ou enfermaria de seu hospital. O seu exemplo comovia a todos. No campo teológico, dedicou-se à investigação sobre a vida de Jesus.
Em 20 de outubro de 1952, proferiu uma conferência na Academia Francesa de Ciências (Paris), sobre \\\"O Problema da Ética na Evolução do Pensamento\\\". Nessa ocasião, lançou uma idéia que possivelmente viria a influenciar Potter na formulação de sua definição de Bioética, em conjunto com as idéias de Leopold. Potter citou várias vezes Schweitzer em seu livro Bioethics: Bridge to the future. As suas idéias estão presentes, igualmente, na formulação da proposta sobre Bioética Profunda, em 1998, por Potter. Uma citação dessa conferência proferida por Schweitzer pode muito bem ilustrar essa possibilidade: \\\"Uma ética que nos obrigue somente a preocupar-nos com os homens e a sociedade não pode ter esta significação.
Somente aquela que é universal e nos obriga a cuidar de todos os seres nos põe de verdade em contato com o Universo e a vontade nele manifestada\\\". Em 1953, Albert Schweitzer foi laureado com o Prêmio Nobel da Paz. E com o sacrifício de sua vida, demonstrou que é possível ter utopias e viver por elas e que a aridez do espírito humano se curva ante a pureza de intenção de uma alma nobre, ansiosa para servir ao próximo.
Ele foi, nas palavras de Nikos Kazantzakis, \\\"o São Francisco do nosso século\\\". E o seu exemplo foi maior que o seu tempo. Passados quase quarenta anos de seu falecimento, suas atitudes e ações formam um caminho nobre de um eu superior: ele nos via como \\\"as folhas e os ramos de uma mesma árvore, as estrelas de um mesmo céu\\\". Em seus textos de Labarené, sobressaem-se as digressões sobre o respeito pela vida.
O Professor Albert Schweitzer (1875- 1965), ganhador do Prêmio Nobel da Paz de 1952, músico, filósofo, teólogo, médico e missionário, foi um dos precursores da Bioética. Um dos maiores intérpretes de Bach, Albert Schweitzer foi também seu maior biógrafo. Com um talento que remontava à passada geração dos Schweitzer, fora aclamado como o grande concertista da Europa dos primeiros anos do século. Premiado como intérprete e como profundo conhecedor de órgãos Schweitzer testemunhara sua fama espalhar-se rapidamente.
Um dia, como que atingido por um raio, soube da extrema necessidade de missionários no Congo Francês, o Gabão, na África. E descobriu que o perfil ideal de um missionário para o Gabão era aquele que tivesse conhecimentos de medicina. Daquele dia em diante, sua vida mudou. E muito radicalmente. Iniciou o Curso de Medicina, concluído seis anos depois, e ainda fez uma especialização de dois anos em doenças tropicais.
A todos a quem mencionava sua aspiração de deixar a Europa por um vilarejo primitivo nos rincões africanos, era saudado com zombaria ou com piedosa compaixão. Alguns achavam mais racional que ele custeasse alguém que fosse se embrenhar nas selvas do Gabão, enquanto ele continuaria sua trajetória de vitórias e conquistas. Como alguém deixaria ao lado todos aqueles anos em que havia se dedicado à música, aquela música que encantava os homens e os anjos, as sinfonias com que Bach enchera o mundo de divindade? Mas ele perseverou e perseguiu sua meta com tenacidade.
Depois de formado, colocara à venda todos os seus pertences, inclusive as medalhas, troféus e instrumentos musicais. Era o capital inicial de sua nobre missão: fundar um hospital em Labarené, África Equatorial Francesa (Gabão), onde construiu, nas margens do rio Ogové, um hospital para doenças tropicais e a clínica para leprosos Labarené, desenvolvendo uma intensa atividade médica e missionária. Um hospital muito rústico, de pau a pique, foi o maior salva-vidas da região e multidões de africanos acorriam a ele, esquecendo algumas vezes suas superstições e tradições tribais milenares e aceitando os anestésicos e a penicilina que lhes podia prolongar a vida e minimizar a dor. Depois Schweitzer construiu vários outros hospitais na África.
Nesse ínterim, a Europa fervilhava nas vésperas de uma grande guerra. Eram os anos finais da década de 30. Isolado do mundo, naquele lugar esquecido por todos, o jovem médico Albert Schweitzer fazia de tudo um pouco: era carpinteiro, pedreiro, professor, cozinheiro e médico. Enfrentando enfermidades, crendices e muita escassez de recursos materiais e humanos, coube a Schweitzer o desafio de triunfar sobre todas as dificuldades.
Terminada a guerra, uma ou duas vezes por ano ele retornava à Alemanha e à Inglaterra, onde com seus concertos amealhava os meios para uma nova ala ou enfermaria de seu hospital. O seu exemplo comovia a todos. No campo teológico, dedicou-se à investigação sobre a vida de Jesus.
Em 20 de outubro de 1952, proferiu uma conferência na Academia Francesa de Ciências (Paris), sobre \\\"O Problema da Ética na Evolução do Pensamento\\\". Nessa ocasião, lançou uma idéia que possivelmente viria a influenciar Potter na formulação de sua definição de Bioética, em conjunto com as idéias de Leopold. Potter citou várias vezes Schweitzer em seu livro Bioethics: Bridge to the future. As suas idéias estão presentes, igualmente, na formulação da proposta sobre Bioética Profunda, em 1998, por Potter. Uma citação dessa conferência proferida por Schweitzer pode muito bem ilustrar essa possibilidade: \\\"Uma ética que nos obrigue somente a preocupar-nos com os homens e a sociedade não pode ter esta significação.
Somente aquela que é universal e nos obriga a cuidar de todos os seres nos põe de verdade em contato com o Universo e a vontade nele manifestada\\\". Em 1953, Albert Schweitzer foi laureado com o Prêmio Nobel da Paz. E com o sacrifício de sua vida, demonstrou que é possível ter utopias e viver por elas e que a aridez do espírito humano se curva ante a pureza de intenção de uma alma nobre, ansiosa para servir ao próximo.
Ele foi, nas palavras de Nikos Kazantzakis, \\\"o São Francisco do nosso século\\\". E o seu exemplo foi maior que o seu tempo. Passados quase quarenta anos de seu falecimento, suas atitudes e ações formam um caminho nobre de um eu superior: ele nos via como \\\"as folhas e os ramos de uma mesma árvore, as estrelas de um mesmo céu\\\". Em seus textos de Labarené, sobressaem-se as digressões sobre o respeito pela vida.

MARTIN LUTHER KING JR
\"NÃO SE DEVE MATAR A SEDE DE
LIBERDADE NA TAÇA DO ÓDIO\"
Martin Luther King Jr. nasceu ao meio-dia de 15 de janeiro de 1929, em Atlanta, Geórgia. Filho de um pastor da Igreja Batista Ebenezer e de Alberta Williams King, uma professora, teve mais dois irmãos, Christine, a primogênita, e Alfred Daniel, o caçula. Antes de atingir seis anos, a idade mínima para freqüentar uma escola primária, foi matriculado por seus pais na Yonge Street Elementary School. Descoberto, foi obrigado a abandonar a escola até atingir a idade mínima.
Ao completar seis anos, foi matriculado na David T. Howard Elementary School. King também estudou na Atlanta University Laboratory School e Booker T. Washington High School. Mesmo sem terminar seus estudos secundários na Booker T. Washington High School, foi admitido, aos 15 anos, para o bacharelado em Sociologia, na Morehouse College, por causa de seu excelente desempenho intelectual.
Em 1948, aos 19 anos, King bacharelou-se em Sociologia. Nessa mesma época, optou por seguir a carreira de seu pai e de seu avô materno, Adam Daniel Williams, ambos pastores da Igreja Batista Ebenezer. Matriculou-se, então, no Crozer Theological Seminary, em Chester, Pensilvânia, graduando-se em Teologia em 1951. Desde pequeno, Martin Luther King foi educado para não se sentir inferior aos brancos e para amá-los, mesmo vivenciando a brutalidade policial contra os negros e a injustiça dos tribunais.
Durante seus estudos no Crozer Theological Seminary, King amadureceu sua visão cristã do mundo e decidiu atuar na luta pelos direitos civis dos negros. Continuando seus estudos, King foi para a Boston University, a fim de fazer o doutorado em Teologia. Em Boston, conheceu Coretta Scott, com a qual se casou em 18 de junho de 1953, em Marion, Alabama. Martin Luther King e Coretta Scott tiveram quatro filhos: Yolanda Denise e Martin Luther III, nascidos respectivamente em 17 de novembro de 1955 e 23 de outubro de 1957, em Montgomery, Alabama; e Dexter Scott e Bernice Albertine, nascidos respectivamente em 30 de janeiro de 1961 e 28 de março de 1963, em Atlanta, Geórgia.
Em setembro de 1954, King aceitou o convite para assumir a posição de pastor na Dexter Avenue Baptist Church, em Montgomery, e no ano seguinte recebeu o Ph.D em Teologia pela Boston University. O ano de 1955 foi decisivo para a vida posterior de Martin Luther King. No final daquele ano, Rosa Parks, uma ativista dos direitos civis dos negros, se recusou a obedecer à segregação racial dentro dos ônibus de Montgomery.
Então, os moradores negros da cidade resolveram lançar um boicote contra essa segregação e King foi escolhido como presidente da associação criada para conduzir a ação. Durante o boicote, a casa de King foi atacada por bombas lançadas pelos defensores da \"supremacia branca\". Mesmo assim, o boicote durou 381 dias e foi um sucesso, já que a Corte Suprema declarou a inconstitucionalidade da lei de segregação racial dentro dos ônibus do Alabama.
Além dessa vitória, o boicote transformou Martin Luther King em uma figura conhecida nacionalmente por causa de sua atuação e de seus discursos contra o racismo e a favor da não-violência. Em 1957, ele, pastores e outros ativistas pelos direitos civis fundaram a Southern Christian Leadership Conference (SCLC), destinada a lutar pacificamente pelos direitos dos negros, principalmente pelo voto.
Escolhido como presidente, permaneceria no cargo até sua morte. Em 1958, lançou seu primeiro livro, Stride Toward Freedom: The Montgomery Story (Caminhando Para Liberdade: A história de Montgomery), no qual ele fez reflexões sobre o boicote aos ônibus. No ano seguinte, viajou para Índia, onde aprofundou sua compreensão das ações de não-violência de Ghandi. O sentimento de King é expresso em suas palavras: \"eu senti que essa era a única forma moral e prática para as pessoas oprimidas lutarem pela liberdade delas\".
Voltando da Índia, King deixou sua posição de pastor na Dexter Avenue Baptist Church e mudou-se para Atlanta, onde ficava a sede da SCLC e onde passou a ajudar seu pai como co-pastor da Igreja Batista Ebenezer. Mesmo sendo uma figura de ponta do movimento pelos direitos civis, King, cautelosamente, não promoveu nenhum protesto de massa após o boicote em Montgomery. Independentemente disso, os estudantes negros dos estados sulistas lançaram, no início de 1960, sucessivas greves que receberam seu apoio.
Em abril do mesmo ano, os estudantes fundaram o Student Nonviolent Coordinating Committee (SNCC) e King foi convidado para discursar. No entanto, a ligação entre King e os ativistas do SNCC terminou quando fizeram críticas ao trabalho dele. Por várias vezes, King tentou reduzir os desentendimentos entre a SCLC e o SNCC, mas percebeu que o movimento estudantil tinha sua própria dinâmica. Sem conseguir resolver os problemas com os estudantes do SNCC, King decidiu organizar manifestações sem a participação deles.
Em 1963, King e seus companheiros organizaram manifestações em Birmingham, Alabama, pedindo o fim da segregação existente em muitos estabelecimentos públicos daquela cidade. Durante as manifestações, os policiais usaram cachorros e bombas de gás contra os manifestantes, e King foi preso. Contudo, a ação policial teve um efeito contrário. O presidente John Kennedy reagiu aos acontecimentos de Birmingham e enviou ao Congresso uma legislação de direitos civis, que foi aprovada em 1964.
Em 28 de agosto de 1963, Martin Luther King realizou com mais de 200 mil pessoas a famosa \"Marcha para Washington\", quando proferiu seu mais famoso discurso, \"I have a dream\", no Lincoln Memorial, pedindo uma sociedade com igualdade racial. No início de 1964, King recebeu o título de \"Homem do Ano\" da revista \"Time\", e foi o primeiro negro a conseguir essa indicação. No mesmo ano, com 35 anos de idade, foi agraciado com o Prêmio Nobel da Paz, tornando-se o mais jovem a conquistá-lo. Segundo ele, o Nobel não significou apenas uma honra pessoal, mas o reconhecimento internacional ao movimento não-violento pelos direitos civis.
Martin Luther King também se manifestou contra a Guerra do Vietnã. Para ele, o dinheiro gasto na guerra poderia ser utilizado no combate à miséria e à discriminação. Além disso, achava que era uma hipocrisia lutar contra a violência racial e não lutar contra a violência da guerra. Por essa posição, acabou criticado por integrantes do governo e por outros líderes negros, que achavam que King desviava a atenção da opinião pública dos direitos civis.
Em 1965, King conseguiu outra vitória com a aprovação da Lei do Direito do Voto para os negros. Em 1968, ele planejava uma nova marcha para Washington, com o objetivo de despertar a opinião pública para a relação entre pobreza e violência urbana. Porém, antes ele viajou para Memphis, Tennessee, para apoiar uma greve dos trabalhadores de limpeza pública que recebiam péssimos salários.
Contudo, no dia 4 de abril de 1968, James Earl Ray assassinou Martin Luther King, na sacada do Motel Lorraine, onde estava hospedado. Sua morte provocou revoltas de negros em várias partes dos Estados Unidos. Em 1986, o Congresso Federal dos Estados Unidos estabeleceu um feriado nacional em homenagem a Martin Luther King, com comemoração na terceira segunda-feira de janeiro.
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Martin Luther King Jr. nasceu ao meio-dia de 15 de janeiro de 1929, em Atlanta, Geórgia. Filho de um pastor da Igreja Batista Ebenezer e de Alberta Williams King, uma professora, teve mais dois irmãos, Christine, a primogênita, e Alfred Daniel, o caçula. Antes de atingir seis anos, a idade mínima para freqüentar uma escola primária, foi matriculado por seus pais na Yonge Street Elementary School. Descoberto, foi obrigado a abandonar a escola até atingir a idade mínima.
Ao completar seis anos, foi matriculado na David T. Howard Elementary School. King também estudou na Atlanta University Laboratory School e Booker T. Washington High School. Mesmo sem terminar seus estudos secundários na Booker T. Washington High School, foi admitido, aos 15 anos, para o bacharelado em Sociologia, na Morehouse College, por causa de seu excelente desempenho intelectual.
Em 1948, aos 19 anos, King bacharelou-se em Sociologia. Nessa mesma época, optou por seguir a carreira de seu pai e de seu avô materno, Adam Daniel Williams, ambos pastores da Igreja Batista Ebenezer. Matriculou-se, então, no Crozer Theological Seminary, em Chester, Pensilvânia, graduando-se em Teologia em 1951. Desde pequeno, Martin Luther King foi educado para não se sentir inferior aos brancos e para amá-los, mesmo vivenciando a brutalidade policial contra os negros e a injustiça dos tribunais.
Durante seus estudos no Crozer Theological Seminary, King amadureceu sua visão cristã do mundo e decidiu atuar na luta pelos direitos civis dos negros. Continuando seus estudos, King foi para a Boston University, a fim de fazer o doutorado em Teologia. Em Boston, conheceu Coretta Scott, com a qual se casou em 18 de junho de 1953, em Marion, Alabama. Martin Luther King e Coretta Scott tiveram quatro filhos: Yolanda Denise e Martin Luther III, nascidos respectivamente em 17 de novembro de 1955 e 23 de outubro de 1957, em Montgomery, Alabama; e Dexter Scott e Bernice Albertine, nascidos respectivamente em 30 de janeiro de 1961 e 28 de março de 1963, em Atlanta, Geórgia.
Em setembro de 1954, King aceitou o convite para assumir a posição de pastor na Dexter Avenue Baptist Church, em Montgomery, e no ano seguinte recebeu o Ph.D em Teologia pela Boston University. O ano de 1955 foi decisivo para a vida posterior de Martin Luther King. No final daquele ano, Rosa Parks, uma ativista dos direitos civis dos negros, se recusou a obedecer à segregação racial dentro dos ônibus de Montgomery.
Então, os moradores negros da cidade resolveram lançar um boicote contra essa segregação e King foi escolhido como presidente da associação criada para conduzir a ação. Durante o boicote, a casa de King foi atacada por bombas lançadas pelos defensores da \"supremacia branca\". Mesmo assim, o boicote durou 381 dias e foi um sucesso, já que a Corte Suprema declarou a inconstitucionalidade da lei de segregação racial dentro dos ônibus do Alabama.
Além dessa vitória, o boicote transformou Martin Luther King em uma figura conhecida nacionalmente por causa de sua atuação e de seus discursos contra o racismo e a favor da não-violência. Em 1957, ele, pastores e outros ativistas pelos direitos civis fundaram a Southern Christian Leadership Conference (SCLC), destinada a lutar pacificamente pelos direitos dos negros, principalmente pelo voto.
Escolhido como presidente, permaneceria no cargo até sua morte. Em 1958, lançou seu primeiro livro, Stride Toward Freedom: The Montgomery Story (Caminhando Para Liberdade: A história de Montgomery), no qual ele fez reflexões sobre o boicote aos ônibus. No ano seguinte, viajou para Índia, onde aprofundou sua compreensão das ações de não-violência de Ghandi. O sentimento de King é expresso em suas palavras: \"eu senti que essa era a única forma moral e prática para as pessoas oprimidas lutarem pela liberdade delas\".
Voltando da Índia, King deixou sua posição de pastor na Dexter Avenue Baptist Church e mudou-se para Atlanta, onde ficava a sede da SCLC e onde passou a ajudar seu pai como co-pastor da Igreja Batista Ebenezer. Mesmo sendo uma figura de ponta do movimento pelos direitos civis, King, cautelosamente, não promoveu nenhum protesto de massa após o boicote em Montgomery. Independentemente disso, os estudantes negros dos estados sulistas lançaram, no início de 1960, sucessivas greves que receberam seu apoio.
Em abril do mesmo ano, os estudantes fundaram o Student Nonviolent Coordinating Committee (SNCC) e King foi convidado para discursar. No entanto, a ligação entre King e os ativistas do SNCC terminou quando fizeram críticas ao trabalho dele. Por várias vezes, King tentou reduzir os desentendimentos entre a SCLC e o SNCC, mas percebeu que o movimento estudantil tinha sua própria dinâmica. Sem conseguir resolver os problemas com os estudantes do SNCC, King decidiu organizar manifestações sem a participação deles.
Em 1963, King e seus companheiros organizaram manifestações em Birmingham, Alabama, pedindo o fim da segregação existente em muitos estabelecimentos públicos daquela cidade. Durante as manifestações, os policiais usaram cachorros e bombas de gás contra os manifestantes, e King foi preso. Contudo, a ação policial teve um efeito contrário. O presidente John Kennedy reagiu aos acontecimentos de Birmingham e enviou ao Congresso uma legislação de direitos civis, que foi aprovada em 1964.
Em 28 de agosto de 1963, Martin Luther King realizou com mais de 200 mil pessoas a famosa \"Marcha para Washington\", quando proferiu seu mais famoso discurso, \"I have a dream\", no Lincoln Memorial, pedindo uma sociedade com igualdade racial. No início de 1964, King recebeu o título de \"Homem do Ano\" da revista \"Time\", e foi o primeiro negro a conseguir essa indicação. No mesmo ano, com 35 anos de idade, foi agraciado com o Prêmio Nobel da Paz, tornando-se o mais jovem a conquistá-lo. Segundo ele, o Nobel não significou apenas uma honra pessoal, mas o reconhecimento internacional ao movimento não-violento pelos direitos civis.
Martin Luther King também se manifestou contra a Guerra do Vietnã. Para ele, o dinheiro gasto na guerra poderia ser utilizado no combate à miséria e à discriminação. Além disso, achava que era uma hipocrisia lutar contra a violência racial e não lutar contra a violência da guerra. Por essa posição, acabou criticado por integrantes do governo e por outros líderes negros, que achavam que King desviava a atenção da opinião pública dos direitos civis.
Em 1965, King conseguiu outra vitória com a aprovação da Lei do Direito do Voto para os negros. Em 1968, ele planejava uma nova marcha para Washington, com o objetivo de despertar a opinião pública para a relação entre pobreza e violência urbana. Porém, antes ele viajou para Memphis, Tennessee, para apoiar uma greve dos trabalhadores de limpeza pública que recebiam péssimos salários.
Contudo, no dia 4 de abril de 1968, James Earl Ray assassinou Martin Luther King, na sacada do Motel Lorraine, onde estava hospedado. Sua morte provocou revoltas de negros em várias partes dos Estados Unidos. Em 1986, o Congresso Federal dos Estados Unidos estabeleceu um feriado nacional em homenagem a Martin Luther King, com comemoração na terceira segunda-feira de janeiro.
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MARECHAL RONDON
\"MORRER SE PRECISO FOR, MATAR
NUNCA\"
Marechal Rondon (1865-1958), cujo nome completo era Cândido Mariano da Silva Rondon, foi militar e sertanista brasileiro; nasceu em Morro Redondo, Mato Grosso. Órfão desde os dois anos, viveu com os avós até os sete, quando se mudou para Cuiabá, onde passou a viver com um tio e iniciou seus estudos.
Aos 16 anos, foi diplomado professor primário (Ensino Fundamental) pelo Liceu Cuiabano. Em seguida, ingressou na carreira militar como soldado do 3º Regimento de Artilharia a Cavalo. Pouco depois, mudou-se para o Rio de Janeiro onde, em 1883, matriculou-se na Escola Militar. Em 1890, recebeu o diploma de bacharel em Matemática e Ciências Físicas e Naturais da Escola Superior de Guerra do Brasil. Ainda estudante, teve participação nos movimentos abolicionista e republicano. Formado, foi nomeado professor de Astronomia e Mecânica da Escola Militar, cargo do qual se afastou em 1892.
Ainda em 1892, em 1º de fevereiro, casou-se com D. Francisca Xavier, com quem teve sete filhos, e foi nomeado chefe do Distrito Telegráfico de Mato Grosso. Foi então designado para a Comissão de Construção da linha telegráfica que ligaria Mato Grosso e Goiás. Essa primeira missão marcaria para sempre a vida do jovem oficial, e de todo o país que ele serviu com amor, serenidade e senso de justiça.
O novo governo republicano estava preocupado com o grande isolamento das regiões mais ocidentais do país, particularmente nas fronteiras com o Paraguai e a Bolívia, por isso decidira construir linhas telegráficas que melhorassem as comunicações com o centro-oeste e o longínquo norte. Rondon foi o mais importante dos sertanistas que desbravaram esses rincões.
Abriu caminhos, lançou linhas telegráficas, registrou sua topografia, descobriu rios, estudou a flora e a fauna; mas, principalmente, estabeleceu relações respeitosas e desmistificou a imagem de violentos, assassinos e até antropófagos, que se construíra em torno dos primitivos habitantes destas terras: os índios. Foi sua visão humanista que permitiu que as missões de desbravamentos e construções fossem realizadas em paz, sem combates fratricidas, e que não sendo assim poderiam ter acabado em missões genocidas.
Entre outras nações indígenas, Rondon manteve contatos pacíficos com os Bororo, Nhambiquara, Urupá, Jaru, Karipuna, Ariqueme, Boca Negra, Pacaás Novo, Macuporé, Guaraya, Macurape, etc. Nessa imensa e desconhecida região, realizou sua grande obra de militar. Estudioso, sertanista e grande ser humano.
Entre 1892 e 1898, ajudou a construir as linhas telegráficas de Mato Grosso a Goiás, entre Cuiabá e o Araguaia, e uma estrada de Cuiabá a Goiás. Entre 1900 e 1906, dirigiu a construção de mais uma linha telegráfica, entre Cuiabá e Corumbá, alcançando as fronteiras de Paraguai e Bolívia. Em 1906, encontrou as ruínas do Real Forte Príncipe da Beira, a maior relíquia histórica de Rondônia.
Em 1907, no posto de major do Corpo de Engenheiros Militares, foi nomeado chefe da comissão que deveria construir a linha telegráfica de Cuiabá a Santo Antonio do Madeira, a primeira a alcançar a região amazônica, e que foi denominada \"Comissão Rondon\". Seus trabalhos desenvolveram-se de 1907 a 1915. Assim, simultaneamente, já que a construção da Estrada de Ferro Madeira Mamoré deu-se entre 1907 e 1912, aconteciam dois dos fatos mais importantes para o conhecimento e a ocupação econômica do espaço físico que à época era parte do Mato Grosso, e hoje constitui o estado de Rondônia.
A EFMM no sentido leste-oeste, e a linha do telégrafo no sentido sul-norte. Difícil dizer qual o feito mais grandioso. Os trabalhos exploratórios da Comissão Rondon, quando foram estudados e registrados fatos novos nos ramos da geografia, biologia (fauna e flora) e antropologia, na região então desconhecida, dividiram-se em três expedições:
- A 1ª expedição, entre setembro e novembro de 1907, reconheceu 1.781 km entre Cuiabá e o rio Juruena;
- A 2ª expedição ocorreu em 1908 e foi a mais numerosa, envolvendo 127 membros. Foi encerrada às margens de um rio denominado 12 de outubro (data de encerramento da expedição), tendo reconhecido 1.653 km entre o rio Juruena e a Serra do Norte;
- A 3ª expedição, com 42 homens, foi realizada de maio a dezembro 1909, vindo da serra do Norte ao rio Madeira, que alcançou em 25 de dezembro, atravessando toda a atual Rondônia.
Estabeleceu relações amistosas com os índios parecis e aproximou-se dos nhambiquaras. No Amazonas, Rondon protegeu os índios parintintins, perseguidos e explorados por seringueiros da região. Através de suas expedições pelo interior do país, Rondon estabeleceu uma convivência amigável com inúmeros grupos indígenas, estudou-os e lutou por uma política de valorização dos índios e pela criação do Serviço de Proteção ao Índio (SPI).
Essa entidade governamental tinha a função de defender os índios contra o extermínio e a opressão, dando-lhes meios para adotar as artes e as indústrias da sociedade brasileira. Foi criada em setembro de 1910 (SPI) e Cândido Rondon foi seu primeiro diretor, de 1910 a 1930. Em 12 de outubro de 1911, inaugurou a estação telegráfica de Vilhena, na fronteira dos atuais estados de Mato Grosso e Rondônia.
Em 13 de junho de 1912, inaugurou nova estação telegráfica, a 80 km de Vilhena, que recebeu seu nome. De maio de 1913 a maio de 1914, participou da denominada expedição Roosevelt-Rondon, junto com o ex-presidente dos Estados Unidos da América, Theodore Roosevelt. Realizou novos estudos e descobertas na região.
Durante o ano de 1914, a Comissão Rondon construiu, em oito meses, no espaço físico de Rondônia, 372 km de linhas e cinco estações telegráficas: Pimenta Bueno, Presidente Hermes, Presidente Pena (mais tarde Vila de Rondônia, atualmente Ji Paraná), Jaru e Ariquemes (a 200km de porto Velho).
Em 1º de janeiro de 1915, inaugurou a estação telegráfica de Santo Antonio do Madeira, concluindo a gigantesca missão que lhe fora conferida. Já General de Brigada, em 20 de setembro de 1919, foi nomeado Diretor de Engenharia do Exército, cargo que ocupou até 1924. Em 1930, preso no Rio Grande do Sul pelos revolucionários que destituíram Washington Luís e levaram Getúlio Vargas ao poder, pediu reforma do exército.
Em 1957, foi indicado para o prêmio Nobel da Paz, pelo Explorer\'s Club, de New York. Entre julho de 1934 e julho de 1938, presidiu missão diplomática que lhe fora confiada pelo Governo do Brasil, mediando e arbitrando o conflito que se estabelecera entre o Peru e a Colômbia pela posse do porto de Letícia. Ao encerrar sua missão, tendo estabelecido um acordo de paz, estava quase cego. Em 5 de maio de 1955, data de seu aniversário de 90 anos, recebeu o título de Marechal do Exército Brasileiro, concedido pelo Congresso Nacional. Morreu no Rio de Janeiro, aos 92 anos, em 19 de janeiro de 1958.
Marechal Rondon (1865-1958), cujo nome completo era Cândido Mariano da Silva Rondon, foi militar e sertanista brasileiro; nasceu em Morro Redondo, Mato Grosso. Órfão desde os dois anos, viveu com os avós até os sete, quando se mudou para Cuiabá, onde passou a viver com um tio e iniciou seus estudos.
Aos 16 anos, foi diplomado professor primário (Ensino Fundamental) pelo Liceu Cuiabano. Em seguida, ingressou na carreira militar como soldado do 3º Regimento de Artilharia a Cavalo. Pouco depois, mudou-se para o Rio de Janeiro onde, em 1883, matriculou-se na Escola Militar. Em 1890, recebeu o diploma de bacharel em Matemática e Ciências Físicas e Naturais da Escola Superior de Guerra do Brasil. Ainda estudante, teve participação nos movimentos abolicionista e republicano. Formado, foi nomeado professor de Astronomia e Mecânica da Escola Militar, cargo do qual se afastou em 1892.
Ainda em 1892, em 1º de fevereiro, casou-se com D. Francisca Xavier, com quem teve sete filhos, e foi nomeado chefe do Distrito Telegráfico de Mato Grosso. Foi então designado para a Comissão de Construção da linha telegráfica que ligaria Mato Grosso e Goiás. Essa primeira missão marcaria para sempre a vida do jovem oficial, e de todo o país que ele serviu com amor, serenidade e senso de justiça.
O novo governo republicano estava preocupado com o grande isolamento das regiões mais ocidentais do país, particularmente nas fronteiras com o Paraguai e a Bolívia, por isso decidira construir linhas telegráficas que melhorassem as comunicações com o centro-oeste e o longínquo norte. Rondon foi o mais importante dos sertanistas que desbravaram esses rincões.
Abriu caminhos, lançou linhas telegráficas, registrou sua topografia, descobriu rios, estudou a flora e a fauna; mas, principalmente, estabeleceu relações respeitosas e desmistificou a imagem de violentos, assassinos e até antropófagos, que se construíra em torno dos primitivos habitantes destas terras: os índios. Foi sua visão humanista que permitiu que as missões de desbravamentos e construções fossem realizadas em paz, sem combates fratricidas, e que não sendo assim poderiam ter acabado em missões genocidas.
Entre outras nações indígenas, Rondon manteve contatos pacíficos com os Bororo, Nhambiquara, Urupá, Jaru, Karipuna, Ariqueme, Boca Negra, Pacaás Novo, Macuporé, Guaraya, Macurape, etc. Nessa imensa e desconhecida região, realizou sua grande obra de militar. Estudioso, sertanista e grande ser humano.
Entre 1892 e 1898, ajudou a construir as linhas telegráficas de Mato Grosso a Goiás, entre Cuiabá e o Araguaia, e uma estrada de Cuiabá a Goiás. Entre 1900 e 1906, dirigiu a construção de mais uma linha telegráfica, entre Cuiabá e Corumbá, alcançando as fronteiras de Paraguai e Bolívia. Em 1906, encontrou as ruínas do Real Forte Príncipe da Beira, a maior relíquia histórica de Rondônia.
Em 1907, no posto de major do Corpo de Engenheiros Militares, foi nomeado chefe da comissão que deveria construir a linha telegráfica de Cuiabá a Santo Antonio do Madeira, a primeira a alcançar a região amazônica, e que foi denominada \"Comissão Rondon\". Seus trabalhos desenvolveram-se de 1907 a 1915. Assim, simultaneamente, já que a construção da Estrada de Ferro Madeira Mamoré deu-se entre 1907 e 1912, aconteciam dois dos fatos mais importantes para o conhecimento e a ocupação econômica do espaço físico que à época era parte do Mato Grosso, e hoje constitui o estado de Rondônia.
A EFMM no sentido leste-oeste, e a linha do telégrafo no sentido sul-norte. Difícil dizer qual o feito mais grandioso. Os trabalhos exploratórios da Comissão Rondon, quando foram estudados e registrados fatos novos nos ramos da geografia, biologia (fauna e flora) e antropologia, na região então desconhecida, dividiram-se em três expedições:
- A 1ª expedição, entre setembro e novembro de 1907, reconheceu 1.781 km entre Cuiabá e o rio Juruena;
- A 2ª expedição ocorreu em 1908 e foi a mais numerosa, envolvendo 127 membros. Foi encerrada às margens de um rio denominado 12 de outubro (data de encerramento da expedição), tendo reconhecido 1.653 km entre o rio Juruena e a Serra do Norte;
- A 3ª expedição, com 42 homens, foi realizada de maio a dezembro 1909, vindo da serra do Norte ao rio Madeira, que alcançou em 25 de dezembro, atravessando toda a atual Rondônia.
Estabeleceu relações amistosas com os índios parecis e aproximou-se dos nhambiquaras. No Amazonas, Rondon protegeu os índios parintintins, perseguidos e explorados por seringueiros da região. Através de suas expedições pelo interior do país, Rondon estabeleceu uma convivência amigável com inúmeros grupos indígenas, estudou-os e lutou por uma política de valorização dos índios e pela criação do Serviço de Proteção ao Índio (SPI).
Essa entidade governamental tinha a função de defender os índios contra o extermínio e a opressão, dando-lhes meios para adotar as artes e as indústrias da sociedade brasileira. Foi criada em setembro de 1910 (SPI) e Cândido Rondon foi seu primeiro diretor, de 1910 a 1930. Em 12 de outubro de 1911, inaugurou a estação telegráfica de Vilhena, na fronteira dos atuais estados de Mato Grosso e Rondônia.
Em 13 de junho de 1912, inaugurou nova estação telegráfica, a 80 km de Vilhena, que recebeu seu nome. De maio de 1913 a maio de 1914, participou da denominada expedição Roosevelt-Rondon, junto com o ex-presidente dos Estados Unidos da América, Theodore Roosevelt. Realizou novos estudos e descobertas na região.
Durante o ano de 1914, a Comissão Rondon construiu, em oito meses, no espaço físico de Rondônia, 372 km de linhas e cinco estações telegráficas: Pimenta Bueno, Presidente Hermes, Presidente Pena (mais tarde Vila de Rondônia, atualmente Ji Paraná), Jaru e Ariquemes (a 200km de porto Velho).
Em 1º de janeiro de 1915, inaugurou a estação telegráfica de Santo Antonio do Madeira, concluindo a gigantesca missão que lhe fora conferida. Já General de Brigada, em 20 de setembro de 1919, foi nomeado Diretor de Engenharia do Exército, cargo que ocupou até 1924. Em 1930, preso no Rio Grande do Sul pelos revolucionários que destituíram Washington Luís e levaram Getúlio Vargas ao poder, pediu reforma do exército.
Em 1957, foi indicado para o prêmio Nobel da Paz, pelo Explorer\'s Club, de New York. Entre julho de 1934 e julho de 1938, presidiu missão diplomática que lhe fora confiada pelo Governo do Brasil, mediando e arbitrando o conflito que se estabelecera entre o Peru e a Colômbia pela posse do porto de Letícia. Ao encerrar sua missão, tendo estabelecido um acordo de paz, estava quase cego. Em 5 de maio de 1955, data de seu aniversário de 90 anos, recebeu o título de Marechal do Exército Brasileiro, concedido pelo Congresso Nacional. Morreu no Rio de Janeiro, aos 92 anos, em 19 de janeiro de 1958.

DESMOND TUTU
\\\"É PRECISO LIBERDADE PARA
CHEGAR À PAZ\\\"
Religioso e pacifista sul-africano. Defensor dos direitos humanos, destacou-se por sua notável influência política e religiosa como adversário não-violento do regime racista do país. Seu pai era um professor, e ele mesmo foi educado na High School Bantu de Joanesburgo.
Após sair da escola iniciou sua atividade como professor na faculdade Bantu de Pretoria e em 1954 graduou-se na universidade da África do Sul. Estudou Teologia em 1960. Os anos 1962-66 foram devotados a um estudo de teologia mais avançado, na Inglaterra, tornando-se mestre em Teologia.
De 1967 a 1972 ensinou teologia na África sul. Foi por três anos diretor assistente de um instituto de teologia em Londres. Em 1975 foi apontado decano da catedral do St. Mary em Joanesburgo. Tutu se tornou doutor das principais universidades dos EUA, Grã-Bretanha e na Alemanha.
Desmond Tutu formulou seu objetivo como \\\"uma sociedade democrática e justa sem divisões raciais\\\", e defendeu os seguintes pontos: - Direitos civis iguais para todos; - Um sistema comum de educação; - O fim da deportação forçada da África sul aos \\\"homelands so-called\\\". Desmond Tutu foi arcebispo sul-africano, ativista dos direitos civis.
Em 1984, recebeu o Prêmio Nobel da Paz em reconhecimento à sua luta pacífica contra o apartheid, pelo trabalho que realizou na cruzada pacífica contra as medidas de segregação racial do seu país. Foi nomeado arcebispo da Cidade do Cabo e líder da Igreja Anglicana da África do Sul em 1986, cargo do qual se afastou dez anos depois.
Foi o primeiro sacerdote sul-africano negro, nomeado secretário-geral do Conselho das Igrejas Sul-africano, reiniciou suas atividades pastorais depois do estabelecimento de uma república multirracial (1994). Em abril de 1996, abriu a Comissão de Verdade e Reconciliação, criada para investigar os crimes de segregação racial cometidos no país.
Em visita à África do Sul, o Papa João Paulo II pediu desculpas ao Bispo Tutu pela escravidão dos negros imposta pelos cristãos, e o compositor brasileiro Gilberto Gil musicou este momento, compondo a canção \\\"Oração pela África do Sul\\\" e cantou como reggae: \\\"Até o Papa já pediu perdão - salve a batina do Bispo Tutu\\\".
Religioso e pacifista sul-africano. Defensor dos direitos humanos, destacou-se por sua notável influência política e religiosa como adversário não-violento do regime racista do país. Seu pai era um professor, e ele mesmo foi educado na High School Bantu de Joanesburgo.
Após sair da escola iniciou sua atividade como professor na faculdade Bantu de Pretoria e em 1954 graduou-se na universidade da África do Sul. Estudou Teologia em 1960. Os anos 1962-66 foram devotados a um estudo de teologia mais avançado, na Inglaterra, tornando-se mestre em Teologia.
De 1967 a 1972 ensinou teologia na África sul. Foi por três anos diretor assistente de um instituto de teologia em Londres. Em 1975 foi apontado decano da catedral do St. Mary em Joanesburgo. Tutu se tornou doutor das principais universidades dos EUA, Grã-Bretanha e na Alemanha.
Desmond Tutu formulou seu objetivo como \\\"uma sociedade democrática e justa sem divisões raciais\\\", e defendeu os seguintes pontos: - Direitos civis iguais para todos; - Um sistema comum de educação; - O fim da deportação forçada da África sul aos \\\"homelands so-called\\\". Desmond Tutu foi arcebispo sul-africano, ativista dos direitos civis.
Em 1984, recebeu o Prêmio Nobel da Paz em reconhecimento à sua luta pacífica contra o apartheid, pelo trabalho que realizou na cruzada pacífica contra as medidas de segregação racial do seu país. Foi nomeado arcebispo da Cidade do Cabo e líder da Igreja Anglicana da África do Sul em 1986, cargo do qual se afastou dez anos depois.
Foi o primeiro sacerdote sul-africano negro, nomeado secretário-geral do Conselho das Igrejas Sul-africano, reiniciou suas atividades pastorais depois do estabelecimento de uma república multirracial (1994). Em abril de 1996, abriu a Comissão de Verdade e Reconciliação, criada para investigar os crimes de segregação racial cometidos no país.
Em visita à África do Sul, o Papa João Paulo II pediu desculpas ao Bispo Tutu pela escravidão dos negros imposta pelos cristãos, e o compositor brasileiro Gilberto Gil musicou este momento, compondo a canção \\\"Oração pela África do Sul\\\" e cantou como reggae: \\\"Até o Papa já pediu perdão - salve a batina do Bispo Tutu\\\".

MIKHAIL SERGEYEVICH GORBACHEV
\"A HISTÓRIA QUIS QUE EU
AJUDASSE O MUNDO A SE LIVRAR DA AMEAÇA NUCLEAR\"
Como chefe do governo soviético a partir de 1985, Gorbatchev liderou radicais transformações políticas e sociais que resultaram na dissolução da União Soviética, no fim do regime comunista e na adoção da economia de mercado no leste europeu. Mikhaïl Sergeieyevich Gorbatchev nasceu em 2 de março de 1931, em Privolie, sudoeste da Rússia. Filho de camponeses, aderiu à Juventude Comunista em 1946.
Em 1952, ingressou no curso de direito da Universidade Estadual de Moscou e no Partido Comunista. Formou-se em 1955 e ocupou vários cargos em organizações partidárias de sua terra natal, e depois em Moscou. Em 1971, passou a integrar o Comitê Central do partido e, oito anos mais tarde, tornou-se membro do Politburo, máxima instância política do partido. Sua influência cresceu muito entre 1982 e 1985, durante os governos de Iuri Andropov e Konstantin Tchernenko.
Após a morte deste, em 10 de março de 1985, Gorbatchev foi eleito secretário-geral do partido e assumiu o governo soviético. O novo líder oxigenou a máquina partidária e procurou ativar a estagnada economia da União Soviética, para o que recorreu à modernização tecnológica, aumentou a produtividade, procurou melhorar a eficiência da burocracia estatal e ampliou a livre discussão dos problemas nacionais.
Em 1987, aprofundou a política de reformas chamada glasnost (abertura), que aqueceu a vida cultural, ampliou a liberdade de imprensa e informação e varreu os últimos vestígios do stalinismo. A Perestroika (reestruturação) implantou alguns mecanismos de mercado, como responsabilizar as indústrias por sua própria produção e situação financeira, pela extinção de subsídios e diretrizes de Moscou.
Ainda em 1987, Gorbatchev assinou com os Estados Unidos um tratado que previa a destruição dos mísseis de médio alcance, e em 1988 ordenou a retirada das tropas soviéticas que ocupavam o Afeganistão desde 1979. Uma reforma constitucional criou um novo Parlamento bicameral, o Congresso dos Deputados do Povo, integrado em parte por membros eleitos pelo voto direto.
Em 1989, eleito presidente do Soviete Supremo (órgão legislativo superior) e presidente da União Soviética, reconheceu o fim dos regimes comunistas dos países do leste europeu e retirou gradualmente as tropas soviéticas lá estacionadas.
Em 1990, concordou com a reunificação da Alemanha e, por suas realizações na área das relações internacionais, recebeu o Prêmio Nobel da paz. Gorbatchev enfrentou o descontentamento de muitas repúblicas soviéticas, como o Azerbaijão, a Geórgia e a Lituânia, e usou a força militar para mantê-las sob controle soviético, à espera de que mecanismos constitucionais facilitassem eventuais desmembramentos.
Apesar de conduzir com êxito as reformas políticas, não conseguiu evitar o colapso da economia soviética. A mistura de liberalismo econômico e modo de produção socialista provocou uma desorganização econômica, cuja pior conseqüência foi a escassez de produtos essenciais. Acumulava os cargos de presidente executivo, presidente do Conselho Presidencial e do Conselho de Defesa, secretário-geral do Partido Comunista e comandante supremo das forças armadas.
No final de 1990, buscou aliados entre os conservadores. Em agosto de 1991, um fracassado golpe de estado da linha dura do partido manteve Gorbatchev e sua família em prisão domiciliar por três dias, até que a resistência dos reformistas, liderados pelo presidente da Rússia, Boris Yeltsin, o reconduziu ao governo. Gorbatchev abandonou, então, o partido; dissolveu o Comitê Central e subtraiu a polícia política e as forças armadas ao controle partidário.
Com a consolidação da liderança de Yeltsin, Gorbatchev foi obrigado a deixar o governo, ainda em 1991. Desde então, dedicou-se a fazer conferências pelo mundo e a presidir um instituto de estudos políticos em Moscou.
Como chefe do governo soviético a partir de 1985, Gorbatchev liderou radicais transformações políticas e sociais que resultaram na dissolução da União Soviética, no fim do regime comunista e na adoção da economia de mercado no leste europeu. Mikhaïl Sergeieyevich Gorbatchev nasceu em 2 de março de 1931, em Privolie, sudoeste da Rússia. Filho de camponeses, aderiu à Juventude Comunista em 1946.
Em 1952, ingressou no curso de direito da Universidade Estadual de Moscou e no Partido Comunista. Formou-se em 1955 e ocupou vários cargos em organizações partidárias de sua terra natal, e depois em Moscou. Em 1971, passou a integrar o Comitê Central do partido e, oito anos mais tarde, tornou-se membro do Politburo, máxima instância política do partido. Sua influência cresceu muito entre 1982 e 1985, durante os governos de Iuri Andropov e Konstantin Tchernenko.
Após a morte deste, em 10 de março de 1985, Gorbatchev foi eleito secretário-geral do partido e assumiu o governo soviético. O novo líder oxigenou a máquina partidária e procurou ativar a estagnada economia da União Soviética, para o que recorreu à modernização tecnológica, aumentou a produtividade, procurou melhorar a eficiência da burocracia estatal e ampliou a livre discussão dos problemas nacionais.
Em 1987, aprofundou a política de reformas chamada glasnost (abertura), que aqueceu a vida cultural, ampliou a liberdade de imprensa e informação e varreu os últimos vestígios do stalinismo. A Perestroika (reestruturação) implantou alguns mecanismos de mercado, como responsabilizar as indústrias por sua própria produção e situação financeira, pela extinção de subsídios e diretrizes de Moscou.
Ainda em 1987, Gorbatchev assinou com os Estados Unidos um tratado que previa a destruição dos mísseis de médio alcance, e em 1988 ordenou a retirada das tropas soviéticas que ocupavam o Afeganistão desde 1979. Uma reforma constitucional criou um novo Parlamento bicameral, o Congresso dos Deputados do Povo, integrado em parte por membros eleitos pelo voto direto.
Em 1989, eleito presidente do Soviete Supremo (órgão legislativo superior) e presidente da União Soviética, reconheceu o fim dos regimes comunistas dos países do leste europeu e retirou gradualmente as tropas soviéticas lá estacionadas.
Em 1990, concordou com a reunificação da Alemanha e, por suas realizações na área das relações internacionais, recebeu o Prêmio Nobel da paz. Gorbatchev enfrentou o descontentamento de muitas repúblicas soviéticas, como o Azerbaijão, a Geórgia e a Lituânia, e usou a força militar para mantê-las sob controle soviético, à espera de que mecanismos constitucionais facilitassem eventuais desmembramentos.
Apesar de conduzir com êxito as reformas políticas, não conseguiu evitar o colapso da economia soviética. A mistura de liberalismo econômico e modo de produção socialista provocou uma desorganização econômica, cuja pior conseqüência foi a escassez de produtos essenciais. Acumulava os cargos de presidente executivo, presidente do Conselho Presidencial e do Conselho de Defesa, secretário-geral do Partido Comunista e comandante supremo das forças armadas.
No final de 1990, buscou aliados entre os conservadores. Em agosto de 1991, um fracassado golpe de estado da linha dura do partido manteve Gorbatchev e sua família em prisão domiciliar por três dias, até que a resistência dos reformistas, liderados pelo presidente da Rússia, Boris Yeltsin, o reconduziu ao governo. Gorbatchev abandonou, então, o partido; dissolveu o Comitê Central e subtraiu a polícia política e as forças armadas ao controle partidário.
Com a consolidação da liderança de Yeltsin, Gorbatchev foi obrigado a deixar o governo, ainda em 1991. Desde então, dedicou-se a fazer conferências pelo mundo e a presidir um instituto de estudos políticos em Moscou.

SATHYA SAI BABA
\"AS MÃOS QUE AUXILIAM FAZENDO
PAZ SÃO MAIS SANTAS QUE OS LÁBIOS QUE REZAM\"
Sathya Sai Baba nasceu em 23 de novembro de 1926, numa pequena vila chamada Puttaparthi, no sul da Índia, estado de Andhra Pradesh. Ele reside lá ainda hoje, recebendo milhares de visitantes do mundo inteiro em sua comunidade espiritual (ashram), chamada Prasanthi Nilayam, que significa \"Morada da Paz Suprema\".
Sathya Sai Baba nasceu em 23 de novembro de 1926, numa pequena vila chamada Puttaparthi, no sul da Índia, estado de Andhra Pradesh. Ele reside lá ainda hoje, recebendo milhares de visitantes do mundo inteiro em sua comunidade espiritual (ashram), chamada Prasanthi Nilayam, que significa \"Morada da Paz Suprema\".

STEVE BIKO
\"O GESTO DE VIOLÊNCIA DE UM
ADULTO NÃO MERECE O SORRISO DE UMA CRIANÇA\"
Steve Bantu Biko nasceu em 18 de dezembro de 1946 na cidade de King William�s Town, próximo da Cidade do Cabo, na África do Sul. Em 1966 ingressou no curso de Medicina da Universidade de Natal onde começou a atividade política. Em 1967 participou ativamente do movimento estudantil, destacando-se nas conferências devido a sua inteligência e poder de argumentação. Fundou e foi o primeiro presidente da OESA � Organização dos Estudantes da África do Sul (South African Students\' Organisation).
Foi um dos grandes idealizadores e articuladores do Movimento de Consciência Negra, que objetivava o resgate da auto-estima e dos valores ancestrais do seu povo, preparando-os para o combate ao sistema de opressão e submissão a que estavam subjugados. Em 1972, tornou-se presidente honorário da Convenção dos Negros (Black People\'s Convention).
Foi um dos principais líderes sul-africanos, juntamente com Nelson Mandela. Deixou um legado de luta calcado no Movimento de Consciência Negra e no desenvolvimento dos Programas de Assistência à Comunidade, voltado para atender às necessidades básicas de sua gente.
Em 6 de setembro de 1977 foi preso em bloqueio rodoviário organizado pela polícia. Levado sob custódia, foi acorrentado às grades de uma janela da penitenciária durante um dia inteiro, torturado durante quase 24 horas, sofreu grave traumatismo craniano. Em 11 de setembro, foi embarcado em veículo policial para transporte para outra prisão. Biko morreu durante o trajeto e a polícia alegou que a morte se devera a \"prolongada greve de fome empreendida pelo prisioneiro\".
Em 7 de outubro de 2003, autoridades do Ministério Público Sul-africano anunciaram que os cinco policiais envolvidos no assassinato de Biko não seriam processados, devido a falta de provas. Alegaram também que a acusação de assassinato não se sustentaria por não haver testemunhas dos atos supostamente cometidos contra Biko. Levou-se em consideração a possibilidade de acusar os envolvidos por Lesão Corporal seguida de morte, mas como os fatos ocorreram em 1977, tal crime teria prescrito (não seria mais passível de processo criminal) segundo as leis do país.
[Fonte: wikipedia (adaptado); Escol@24horas]
Steve Bantu Biko nasceu em 18 de dezembro de 1946 na cidade de King William�s Town, próximo da Cidade do Cabo, na África do Sul. Em 1966 ingressou no curso de Medicina da Universidade de Natal onde começou a atividade política. Em 1967 participou ativamente do movimento estudantil, destacando-se nas conferências devido a sua inteligência e poder de argumentação. Fundou e foi o primeiro presidente da OESA � Organização dos Estudantes da África do Sul (South African Students\' Organisation).
Foi um dos grandes idealizadores e articuladores do Movimento de Consciência Negra, que objetivava o resgate da auto-estima e dos valores ancestrais do seu povo, preparando-os para o combate ao sistema de opressão e submissão a que estavam subjugados. Em 1972, tornou-se presidente honorário da Convenção dos Negros (Black People\'s Convention).
Foi um dos principais líderes sul-africanos, juntamente com Nelson Mandela. Deixou um legado de luta calcado no Movimento de Consciência Negra e no desenvolvimento dos Programas de Assistência à Comunidade, voltado para atender às necessidades básicas de sua gente.
Em 6 de setembro de 1977 foi preso em bloqueio rodoviário organizado pela polícia. Levado sob custódia, foi acorrentado às grades de uma janela da penitenciária durante um dia inteiro, torturado durante quase 24 horas, sofreu grave traumatismo craniano. Em 11 de setembro, foi embarcado em veículo policial para transporte para outra prisão. Biko morreu durante o trajeto e a polícia alegou que a morte se devera a \"prolongada greve de fome empreendida pelo prisioneiro\".
Em 7 de outubro de 2003, autoridades do Ministério Público Sul-africano anunciaram que os cinco policiais envolvidos no assassinato de Biko não seriam processados, devido a falta de provas. Alegaram também que a acusação de assassinato não se sustentaria por não haver testemunhas dos atos supostamente cometidos contra Biko. Levou-se em consideração a possibilidade de acusar os envolvidos por Lesão Corporal seguida de morte, mas como os fatos ocorreram em 1977, tal crime teria prescrito (não seria mais passível de processo criminal) segundo as leis do país.
[Fonte: wikipedia (adaptado); Escol@24horas]

JOHN LENNON
\"DÊ UMA CHANCE A PAZ\"
John Winston Lennon nasceu no dia 09 de Outubro de 1940 na cidade de Liverpool, Inglaterra. Filho de Julia e Alfred Lennon, teve o pai ausente em toda sua vida e acabou sendo criado por uma tia, Mimi, irmã de Julia.
Lennon estudou na Quarry Bank Grammar School, escola que, com seus companheiros viu o nascimento do \'Quarrimen\' (que mais tarde daria origem aos Beatles). John adorava escrever, e alguns de seus poemas da época seriam um prefácio das letras que o tornariam tão famoso.
Aprendeu a tocar guitarra com sua própria mãe, Julia, que o visitava esporadicamente, até que morreu atropelada, quando John era adolescente. Isso o fez se aproximar de Paul McCartney, que havia perdido sua mãe na mesma época, e ao Rock and Roll, em discos de Elvis e Chuck Berry .
Em 1957 ingressou na Liverpool Art College, onde conheceu Cynthia Powel, que se tornaria sua primeira esposa, casando-se em 23 de Agosto de 1962.
Naquela época os Beatles começavam a subir a escadaria da fama, e turnês, gravações, filmes e outros compromissos fizeram de John um marido ausente e foi o motivo pelo qual, seu filho Julian (nascido em 8 de Abril de 1963), pouco tivesse contato com ele..
John sempre foi o líder intelectual dos Beatles, e durante a 1ª fase, ele é o grande responsável pela maioria das canções da banda, fato que iria reverter em prol de Paul McCartney de 1966 em diante.
Escreveu dois livros com poemas enquanto estava com o grupo: \'In His Ows Write\' (em março de 64) e \'A Spaniard in The Works\' (em 1965).
Em 1966 fez a famosa declaração de que \'Os Beatles eram mais famosos que Jesus Cristo\', frase mal interpretada quando foi colocada fora do seu contexto original, recebeu sua medalha do império britânico (devolvida em 69 em repúdio ao envolvimento da Inglaterra na guerra de Biafra).
No mesmo ano, numa exposição de artes na \'Indica Gallery\', em Londres, conhece Yoko Ono, e começa a se envolver com drogas como LSD. No final deste mesmo ano vai para a Espanha filmar \'How I Won The War\', de Richard Lester (diretor dos dois primeiros filmes dos Beatles).
Em 1968 o casamento de John e Cynthia termina e ele começa a viver com Yoko Ono, com a qual casaria em Gibraltar em 20 de Março de 1969. Troca aí seu nome de John Winston Lennon para John Ono Lennon.
Com Yoko Ono, ele toma conhecimento de novas formas de manifestações artísticas e lançam discos nada convencionais, como \'Two Virgins\' (que se tornaria famoso pela capa dos dois nus), \'Life With The Lions\' e \'Wedding Album\'. Nesse mesmo ano, os dois são pegos com haxixe numa batida policial e participam do especial dos Rolling Stones \'Rock\'n\'Roll Circus\'.
Também com Yoko, fez uma série de filmes Avant Garde, como \'Fly\',\'Self Portrait\', \'Smile\' e \'Erection\'. As campanhas pela paz, como as famosas entrevistas na cama em um hotel em Toronto, ou simplesmente dentro de um saco, fizeram do casal símbolos da paz, ou para muitos apenas sinonimos da \'loucura\'.
Formou a banda \'The Plastic Ono Band\' (banda conceitual, sem nenhum membro fixo) para um concerto pela paz em Toronto, e sua música \'Give Peace a Chance\' tornou-se hino do movimento Hippie.
Com o rompimento dos Beatles, em 1970, John viu-se só com Yoko, e ambos gravaram vários discos juntos. A teoria do \'grito primal\' do dr. Artur Janov, deu origem ao seu 1º disco solo, \'John Lennon / Plastic Ono Band\', de 1970, e \'Imagine\', seu segundo álbum tornou-se um fenômeno de vendas e a música sua obra prima.
No final de 1971 o casal voa para Nova York, onde estabelecem residência, fato pelo qual durante quase 5 anos fez com que John não pudesse sair dos Estados Unidos, pela falta do visto de permanência (devido a sua posse de drogas na Inglaterra). Só iria conseguir a \'Green Card\' em 1976.
Campanhas anti-Vietnã e engajamentos políticos fizeram dele uma pessoa \'perigosa\' para o Governo de Richard Nixon, e muitas vezes foi seguido pela FBI e teve seu telefone grampeado. Nessa época, ele e Yoko lançam o disco conjunto \'Sometime in New York City\'.
Em 1973 John e Yoko fazem uma breve separação e John passa a viver em Los Angeles com sua secretária May Pang. Nessa fase grava dois discos: \'Mind Games\' e \'Walls and Bridges\', que são mais comerciais e tem pouco da linha ferina típica de John. Nessa época começa a gravar o disco \'Rock\'n\'Roll\', que só seria terminado 2 anos mais tarde, contendo vários clássicos do Rock.
O \'Long Weekend\' de John termina em 1975, quando após uma participação no Madison Square Garden em um show de Elton John, encontra Yoko Ono nos camarins e ambos reatam o \'affair\'.
Compram vários apartamentos no edifício Dakota, em NY, onde John se torna pai pela 2ª vez. Sean Ono Lennon nasce no mesmo dia do aniversário de John, em 09 de Outubro de 1975. John começa então um jejum musical de 5 anos,fazendo pão e vendo seu filho crescer. Yoko toma conta dos negócios.
O movimento \'New Wave\' de 1980 deu fôlego a John e Yoko para retornarem aos estúdios, quando gravam o disco \'Double Fantasy\'. O Disco se torna um megassucesso.
O que houve depois disso todos sabem, e infelizmente a carreira de John termina aí: 08 de Dezembro de 1980. Depois disso o filme \'Imagine\' é rodado, vários discos foram lançados, e até uma \'breve\' reunião dos Beatles acontece com \'Free as a Bird\'.
Foram poucos os discos solo que John deixou, mas seu legado é enorme, e com certeza, John é o que se pode ser proclamado um dos músicos do século.
[Fonte: http://www.getback.com.br (adaptado)]
John Winston Lennon nasceu no dia 09 de Outubro de 1940 na cidade de Liverpool, Inglaterra. Filho de Julia e Alfred Lennon, teve o pai ausente em toda sua vida e acabou sendo criado por uma tia, Mimi, irmã de Julia.
Lennon estudou na Quarry Bank Grammar School, escola que, com seus companheiros viu o nascimento do \'Quarrimen\' (que mais tarde daria origem aos Beatles). John adorava escrever, e alguns de seus poemas da época seriam um prefácio das letras que o tornariam tão famoso.
Aprendeu a tocar guitarra com sua própria mãe, Julia, que o visitava esporadicamente, até que morreu atropelada, quando John era adolescente. Isso o fez se aproximar de Paul McCartney, que havia perdido sua mãe na mesma época, e ao Rock and Roll, em discos de Elvis e Chuck Berry .
Em 1957 ingressou na Liverpool Art College, onde conheceu Cynthia Powel, que se tornaria sua primeira esposa, casando-se em 23 de Agosto de 1962.
Naquela época os Beatles começavam a subir a escadaria da fama, e turnês, gravações, filmes e outros compromissos fizeram de John um marido ausente e foi o motivo pelo qual, seu filho Julian (nascido em 8 de Abril de 1963), pouco tivesse contato com ele..
John sempre foi o líder intelectual dos Beatles, e durante a 1ª fase, ele é o grande responsável pela maioria das canções da banda, fato que iria reverter em prol de Paul McCartney de 1966 em diante.
Escreveu dois livros com poemas enquanto estava com o grupo: \'In His Ows Write\' (em março de 64) e \'A Spaniard in The Works\' (em 1965).
Em 1966 fez a famosa declaração de que \'Os Beatles eram mais famosos que Jesus Cristo\', frase mal interpretada quando foi colocada fora do seu contexto original, recebeu sua medalha do império britânico (devolvida em 69 em repúdio ao envolvimento da Inglaterra na guerra de Biafra).
No mesmo ano, numa exposição de artes na \'Indica Gallery\', em Londres, conhece Yoko Ono, e começa a se envolver com drogas como LSD. No final deste mesmo ano vai para a Espanha filmar \'How I Won The War\', de Richard Lester (diretor dos dois primeiros filmes dos Beatles).
Em 1968 o casamento de John e Cynthia termina e ele começa a viver com Yoko Ono, com a qual casaria em Gibraltar em 20 de Março de 1969. Troca aí seu nome de John Winston Lennon para John Ono Lennon.
Com Yoko Ono, ele toma conhecimento de novas formas de manifestações artísticas e lançam discos nada convencionais, como \'Two Virgins\' (que se tornaria famoso pela capa dos dois nus), \'Life With The Lions\' e \'Wedding Album\'. Nesse mesmo ano, os dois são pegos com haxixe numa batida policial e participam do especial dos Rolling Stones \'Rock\'n\'Roll Circus\'.
Também com Yoko, fez uma série de filmes Avant Garde, como \'Fly\',\'Self Portrait\', \'Smile\' e \'Erection\'. As campanhas pela paz, como as famosas entrevistas na cama em um hotel em Toronto, ou simplesmente dentro de um saco, fizeram do casal símbolos da paz, ou para muitos apenas sinonimos da \'loucura\'.
Formou a banda \'The Plastic Ono Band\' (banda conceitual, sem nenhum membro fixo) para um concerto pela paz em Toronto, e sua música \'Give Peace a Chance\' tornou-se hino do movimento Hippie.
Com o rompimento dos Beatles, em 1970, John viu-se só com Yoko, e ambos gravaram vários discos juntos. A teoria do \'grito primal\' do dr. Artur Janov, deu origem ao seu 1º disco solo, \'John Lennon / Plastic Ono Band\', de 1970, e \'Imagine\', seu segundo álbum tornou-se um fenômeno de vendas e a música sua obra prima.
No final de 1971 o casal voa para Nova York, onde estabelecem residência, fato pelo qual durante quase 5 anos fez com que John não pudesse sair dos Estados Unidos, pela falta do visto de permanência (devido a sua posse de drogas na Inglaterra). Só iria conseguir a \'Green Card\' em 1976.
Campanhas anti-Vietnã e engajamentos políticos fizeram dele uma pessoa \'perigosa\' para o Governo de Richard Nixon, e muitas vezes foi seguido pela FBI e teve seu telefone grampeado. Nessa época, ele e Yoko lançam o disco conjunto \'Sometime in New York City\'.
Em 1973 John e Yoko fazem uma breve separação e John passa a viver em Los Angeles com sua secretária May Pang. Nessa fase grava dois discos: \'Mind Games\' e \'Walls and Bridges\', que são mais comerciais e tem pouco da linha ferina típica de John. Nessa época começa a gravar o disco \'Rock\'n\'Roll\', que só seria terminado 2 anos mais tarde, contendo vários clássicos do Rock.
O \'Long Weekend\' de John termina em 1975, quando após uma participação no Madison Square Garden em um show de Elton John, encontra Yoko Ono nos camarins e ambos reatam o \'affair\'.
Compram vários apartamentos no edifício Dakota, em NY, onde John se torna pai pela 2ª vez. Sean Ono Lennon nasce no mesmo dia do aniversário de John, em 09 de Outubro de 1975. John começa então um jejum musical de 5 anos,fazendo pão e vendo seu filho crescer. Yoko toma conta dos negócios.
O movimento \'New Wave\' de 1980 deu fôlego a John e Yoko para retornarem aos estúdios, quando gravam o disco \'Double Fantasy\'. O Disco se torna um megassucesso.
O que houve depois disso todos sabem, e infelizmente a carreira de John termina aí: 08 de Dezembro de 1980. Depois disso o filme \'Imagine\' é rodado, vários discos foram lançados, e até uma \'breve\' reunião dos Beatles acontece com \'Free as a Bird\'.
Foram poucos os discos solo que John deixou, mas seu legado é enorme, e com certeza, John é o que se pode ser proclamado um dos músicos do século.
[Fonte: http://www.getback.com.br (adaptado)]

JESUS CRISTO
\"A MINHA PAZ VOS DEIXO, A MINHA
PAZ VOS DOU. VOS DOU A PAZ QUE O MUNDO NÃO PODE DAR\"
Carta enviada da Galiléia pelo senador romano Públio Lêntulus ao imperador Tibério César: Sabendo que desejais conhecer quanto vou narrar, existindo nos nossos tempos um homem, o qual vive atualmente de grandes virtudes, chamado Jesus, que pelo povo é inculcado profeta da verdade, e os seus discípulos dizem que é filho de Deus, criador do Céu e da Terra e de todas as coisas que nela se acham e que nela tenham estado; em verdade, ó César, cada dia se ouve coisas maravilhosas desse Jesus: \"ressuscita os mortos, cura os enfermos\", em uma só palavra: ...
...é um homem de justa estatura e é muito belo no aspecto. Há tanta majestade no rosto, que aqueles que o vêem são forçados a amá-lo ou temê-lo. Tem os cabelos da cor de amêndoa bem madura, são distendidos até as orelhas, e das orelhas até as espáduas, são da cor da terra, porém mais reluzentes. Tem no meio da sua fronte uma linha separando os cabelos, na forma em uso dos nazarenos; o seu rosto é cheio, o aspecto é muito sereno, nenhuma ruga ou mancha se vê em sua face de uma cor moderada; o nariz e a boca são irrepreensíveis. A barba é espessa, mas semelhante aos cabelos, não muito longa, mas separada pelo meio; seu olhar é muito especioso e grave; tem os olhos graciosos e claros; o que surpreende é que resplandecem no seu rosto como os raios do sol, porém ninguém pode olhar fixo no seu semblante, porque, quando resplende, apavora, e quando ameniza, faz chorar; faz-se amar e é alegre com gravidade.
Diz-se que nunca ninguém o viu rir, mas, antes, chorar. Tem os braços e as mãos muito belos; na palestra contenta muito, mas o faz raramente e, quando dele alguém se aproxima verifica que é muito modesto na presença e na pessoa. É o mais belo homem que se possa imaginar, muito semelhante a sua mãe, a qual é de rara beleza, não se tendo jamais visto, por estas partes, uma donzela tão bela... De letras, faz-se admirar de toda a cidade de Jerusalém; ele sabe todas as ciências e nunca estudou nada.
Ele caminha descalço e sem coisa alguma na cabeça. Muitos se riem, vendo-o assim, porém em sua presença, falando com ele, tremem e admiram. Dizem que um tal homem nunca fora ouvido por estas partes. Em verdade, segundo me dizem os hebreus, não se ouviram jamais tais conselhos, de grande doutrina, como ensina este Jesus; muitos judeus o têm como Divino e muitos me querelam, afirmando que é contra a lei de tua majestade.
Diz-se que este Jesus nunca fez mal a quem quer que seja, mas, ao contrário, aqueles que o conhecem e com ele têm praticado afirmam ter dele recebido grandes benefícios e saúde, porém à tua obediência estou prontíssimo -aquilo que tua majestade ordenar será cumprido. Vale, da majestade tua, fidelíssimo e obrigadíssimo. Públio Lêntulus SHALOM é a palavra hebraica que exprime a Paz.
É também um dos nomes de Deus, na concepção judaica, e ninguém melhor do que Jesus, o judeu, para qualificar e exemplificar a PAZ com as suas atitudes. Esta palavra é usada e exemplificada por ELE várias vezes nos Evangelhos. Ele soube sempre cultivá-la em toda e qualquer situação. Suas ações e atitudes foram sempre voltadas para a Paz. No tempo de Jesus todos os Judeus desejavam ardentemente vingança premente contra a opressão romana que impunha a humilhação e a escravidão do povo judeu, enquanto Jesus suscitava deles um gesto de ação contrária e consoladora: \\\"Avante, os humilhados de espíritos porque deles é o reino dos Céus\\\". Mt. 5:1.
Demonstrando aos que o ouviam, que existia um reino espiritual, onde o romano não tinha domínio. Enquanto os romanos impunham a brutalidade e a força do chicote, Ele afirmava: \\\"Avante, os humildes porque eles herdarão a terra\\\". Mt. 5:5. Os opressores matavam e escravizavam, enquanto Jesus afirmava: \\\"Avante os que promovem a vida, porque receberão a vida\\\". Mt. 5:7. Sua maior expressão de ensinamento frente às agressões recebidas e vividas pelos judeus foi afirmar em uma época tão turbulenta e revoltante: \\\"Avante os que fazem a Paz, porque serão chamados filhos de Deus\\\". Mt. 5:9.
Esta frase demonstra em vez de reação, uma ação oposta e completamente diferente daquela que desejava o povo. No entanto, através dela pode-se destruir todo e qualquer tipo de violência. Recomendou ainda aos seus discípulos que quando entrassem numa casa que fosse digna, saudassem e fizessem descer sobre ela a Paz. Mt 10:13. A tua fé te salvou. Vai em Paz. Disse Jesus para a pecadora em Lucas 7:50. \\\"A minha Paz vos deixo a minha Paz vos dou\\\", falou aos discípulos confortando-os nas suas despedidas. João 14:27. \\\"Eu vos disse tais coisas para terdes Paz em mim\\\", concluindo suas despedidas em João 16:33. Na sua primeira aparição aos discípulos, pondo-se no meio deles, os saudou duas vezes com a frase: \\\"A Paz esteja convosco\\\". João 20:19 e 20.
Na sua segunda aparição em presença de Tomé, Ele os saúda com a mesma frase em João 20:26. Aconselhou-nos a perdoar não sete vezes, mas setenta vezes sete. Jesus foi e será sempre o símbolo maior da Paz pelo seu comportamento, conduta e exemplo. Nunca estivemos tão carentes da prática dos seus ensinamentos, como agora. Unamo-nos nesta corrente de Paz para podermos juntos reconstruir um mundo melhor. Severino Celestino da Silva, em 15 de outubro de 2003.
Carta enviada da Galiléia pelo senador romano Públio Lêntulus ao imperador Tibério César: Sabendo que desejais conhecer quanto vou narrar, existindo nos nossos tempos um homem, o qual vive atualmente de grandes virtudes, chamado Jesus, que pelo povo é inculcado profeta da verdade, e os seus discípulos dizem que é filho de Deus, criador do Céu e da Terra e de todas as coisas que nela se acham e que nela tenham estado; em verdade, ó César, cada dia se ouve coisas maravilhosas desse Jesus: \"ressuscita os mortos, cura os enfermos\", em uma só palavra: ...
...é um homem de justa estatura e é muito belo no aspecto. Há tanta majestade no rosto, que aqueles que o vêem são forçados a amá-lo ou temê-lo. Tem os cabelos da cor de amêndoa bem madura, são distendidos até as orelhas, e das orelhas até as espáduas, são da cor da terra, porém mais reluzentes. Tem no meio da sua fronte uma linha separando os cabelos, na forma em uso dos nazarenos; o seu rosto é cheio, o aspecto é muito sereno, nenhuma ruga ou mancha se vê em sua face de uma cor moderada; o nariz e a boca são irrepreensíveis. A barba é espessa, mas semelhante aos cabelos, não muito longa, mas separada pelo meio; seu olhar é muito especioso e grave; tem os olhos graciosos e claros; o que surpreende é que resplandecem no seu rosto como os raios do sol, porém ninguém pode olhar fixo no seu semblante, porque, quando resplende, apavora, e quando ameniza, faz chorar; faz-se amar e é alegre com gravidade.
Diz-se que nunca ninguém o viu rir, mas, antes, chorar. Tem os braços e as mãos muito belos; na palestra contenta muito, mas o faz raramente e, quando dele alguém se aproxima verifica que é muito modesto na presença e na pessoa. É o mais belo homem que se possa imaginar, muito semelhante a sua mãe, a qual é de rara beleza, não se tendo jamais visto, por estas partes, uma donzela tão bela... De letras, faz-se admirar de toda a cidade de Jerusalém; ele sabe todas as ciências e nunca estudou nada.
Ele caminha descalço e sem coisa alguma na cabeça. Muitos se riem, vendo-o assim, porém em sua presença, falando com ele, tremem e admiram. Dizem que um tal homem nunca fora ouvido por estas partes. Em verdade, segundo me dizem os hebreus, não se ouviram jamais tais conselhos, de grande doutrina, como ensina este Jesus; muitos judeus o têm como Divino e muitos me querelam, afirmando que é contra a lei de tua majestade.
Diz-se que este Jesus nunca fez mal a quem quer que seja, mas, ao contrário, aqueles que o conhecem e com ele têm praticado afirmam ter dele recebido grandes benefícios e saúde, porém à tua obediência estou prontíssimo -aquilo que tua majestade ordenar será cumprido. Vale, da majestade tua, fidelíssimo e obrigadíssimo. Públio Lêntulus SHALOM é a palavra hebraica que exprime a Paz.
É também um dos nomes de Deus, na concepção judaica, e ninguém melhor do que Jesus, o judeu, para qualificar e exemplificar a PAZ com as suas atitudes. Esta palavra é usada e exemplificada por ELE várias vezes nos Evangelhos. Ele soube sempre cultivá-la em toda e qualquer situação. Suas ações e atitudes foram sempre voltadas para a Paz. No tempo de Jesus todos os Judeus desejavam ardentemente vingança premente contra a opressão romana que impunha a humilhação e a escravidão do povo judeu, enquanto Jesus suscitava deles um gesto de ação contrária e consoladora: \\\"Avante, os humilhados de espíritos porque deles é o reino dos Céus\\\". Mt. 5:1.
Demonstrando aos que o ouviam, que existia um reino espiritual, onde o romano não tinha domínio. Enquanto os romanos impunham a brutalidade e a força do chicote, Ele afirmava: \\\"Avante, os humildes porque eles herdarão a terra\\\". Mt. 5:5. Os opressores matavam e escravizavam, enquanto Jesus afirmava: \\\"Avante os que promovem a vida, porque receberão a vida\\\". Mt. 5:7. Sua maior expressão de ensinamento frente às agressões recebidas e vividas pelos judeus foi afirmar em uma época tão turbulenta e revoltante: \\\"Avante os que fazem a Paz, porque serão chamados filhos de Deus\\\". Mt. 5:9.
Esta frase demonstra em vez de reação, uma ação oposta e completamente diferente daquela que desejava o povo. No entanto, através dela pode-se destruir todo e qualquer tipo de violência. Recomendou ainda aos seus discípulos que quando entrassem numa casa que fosse digna, saudassem e fizessem descer sobre ela a Paz. Mt 10:13. A tua fé te salvou. Vai em Paz. Disse Jesus para a pecadora em Lucas 7:50. \\\"A minha Paz vos deixo a minha Paz vos dou\\\", falou aos discípulos confortando-os nas suas despedidas. João 14:27. \\\"Eu vos disse tais coisas para terdes Paz em mim\\\", concluindo suas despedidas em João 16:33. Na sua primeira aparição aos discípulos, pondo-se no meio deles, os saudou duas vezes com a frase: \\\"A Paz esteja convosco\\\". João 20:19 e 20.
Na sua segunda aparição em presença de Tomé, Ele os saúda com a mesma frase em João 20:26. Aconselhou-nos a perdoar não sete vezes, mas setenta vezes sete. Jesus foi e será sempre o símbolo maior da Paz pelo seu comportamento, conduta e exemplo. Nunca estivemos tão carentes da prática dos seus ensinamentos, como agora. Unamo-nos nesta corrente de Paz para podermos juntos reconstruir um mundo melhor. Severino Celestino da Silva, em 15 de outubro de 2003.

CHICO MENDES
\"QUERO FICAR VIVO PARA SALVAR A
AMAZÔNIA\"
Francisco Alves Mendes Filho, conhecido como Chico Mendes, líder dos seringueiros e ecologista nato, procedente de uma humilde família de nordestinos, nasceu a 15 de Dezembro de 1944, no seringal denominado Porto Rico, localizado no município de Xapuri, Estado do Acre. Essa região, que no passado pertencia a bolivianos e peruanos, tornou-se palco de grandes lutas históricas entre brasileiros e bolivianos, mas com a derrota dos estrangeiros passou a pertencer ao Brasil.
Chico Mendes, homem de aspecto sereno, cor morena e bigode robusto, teve uma infância pobre, como milhares de brasileiros excluídos, nativos da região Norte. Morou sempre em casa de madeira com piso de barro. Ainda criança, tornou-se seringueiro. Aprendeu a ler e escrever aos 24 anos de idade. Com o passar dos anos, o seu ideal de infância de amar e preservar o meio ambiente foi amadurecendo, através da experiência e da sabedoria nata de homem da floresta que era.
Sentia-se na obrigação de abraçar a causa e lutar em prol da preservação da Amazônia, principalmente quando se deparava com o descaso dos grandes empresários e fazendeiros. Esses eram acobertados por forças governamentais e, guiados pela opulência e pela ambição, enviavam seus empregados armados com motosserras, machados, facões e tratores para derrubar as árvores, provocar queimadas, sem sequer tomar conhecimento da dimensão da destruição que estavam provocando, não somente na fauna e na flora da região amazônica, mas em todo o ecossistema mundial. Foi a partir daí que Chico Mendes decidiu levantar a bandeira em prol da preservação das matas.
Tornou-se líder sindical em 1975, e um formador de consciência junto à população de excluídos e semi-escravizados dos seringais da região. Nesse mesmo ano, com a fundação do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Brasiléia, ele foi escolhido para ser o secretário do órgão.
Em 1976, participou ativamente junto aos seringueiros na luta contra o desmatamento. Isso se deu através dos empates, um movimento pacífico que consiste em reunir grande número de seringueiros, trabalhadores rurais, índios e pescadores desarmados, com suas mulheres e filhos, dando-se as mãos no meio da selva ou na beira dos rios, a fim de impedir as derrubadas das árvores pelos peões dos fazendeiros e seringalistas que surgiam armados.
Através desses movimentos, os seringueiros e pescadores ribeirinhos tentavam neutralizar e conscientizar os predadores sobre as conseqüências da destruição e devastação ambientais e das atitudes brutais dos grandes empresários.
Muitas vezes eles conseguiram atrasar os projetos dos fazendeiros, dando tempo aos líderes sindicais para que estruturassem coalizações políticas a favor da preservação das matas, das terras e das reservas extrativistas. Em 1977, o ecologista participou da fundação do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Xapuri, sendo também eleito vereador pelo partido do Movimento Democrático Brasileiro (MDB). No ano de 1979, na Câmara Municipal de Xapuri, realizou-se um grande fórum de debates entre as lideranças sindicais, populares e religiosas, liderado por Chico Mendes. Esse evento constituiu-se motivo suficiente para que ele fosse acusado de subversão e passasse a sofrer torturas e ameaças de morte.
Em 1980, juntamente com Luís Inácio Lula da Silva, Chico Mendes fundou o Partido dos Trabalhadores (PT). Realizou comícios e levantes populares, com o objetivo de conscientizar os trabalhadores sobre a defesa de seus direitos. No 1º
Encontro Nacional dos Seringueiros, em 1985, Chico Mendes apresentou a proposta \"União dos Povos da Floresta\", um documento reivindicatório, visando a união das forças dos índios, trabalhadores rurais e seringueiros em defesa e preservação da Floresta Amazônica e das reservas extrativistas em terras indígenas. As reivindicações e denúncias sobre a devastação da mata e o massacre dos índios constantes naquele documento tiveram uma grande repercussão nacional e internacional. Dois anos após o evento, ou seja, em 1987, chegaram ao Brasil representantes da Organização das Nações Unidas - ONU - e de várias partes do mundo, para constatar a veracidade das denúncias contidas no referido documento. Meses depois, Chico Mendes ganhou o prêmio de destaque GLOBAL 500.
A luta pela preservação ecológica foi uma constante na vida do homem da floresta que, pacificamente, conseguiu mobilizar e conscientizar a sociedade rural, bem como Organizações Não-Governamentais - ONGs - nacionais e internacionais. Por outro lado, sua perseverança em proteger o meio ambiente e as espécies nativas da região despertou o ódio dos grupos de fazendeiros e de empresas que insistiam na exploração e na devastação da floresta. Durante todo o ano de 1988, Chico Mendes sofreu ameaças de morte e perseguições por parte de pessoas ligadas a partidos políticos e a organizações clandestinas destinadas à exploração desregrada da região.
No dia 22 de dezembro de 1988, após inúmeros conflitos, intrigas, levantes e movimentos sindicais, o sindicalista e ecologista Chico Mendes teve a sua vida ceifada por mãos criminosas. Passou a ser a 97ª vítima na lista dos trabalhadores rurais, assassinada durante o ano de 1988, por lutar pelos seus direitos, como também pela preservação ambiental da Região Amazônica.
\"Logo o Chico! Que foi um dos mais apaixonados defensores da vida, um homem tão puro e tão limpo como a água da chuva da mata que foi sua companheira inseparável...\" Luiz Inácio Lula da Silva.
Francisco Alves Mendes Filho, conhecido como Chico Mendes, líder dos seringueiros e ecologista nato, procedente de uma humilde família de nordestinos, nasceu a 15 de Dezembro de 1944, no seringal denominado Porto Rico, localizado no município de Xapuri, Estado do Acre. Essa região, que no passado pertencia a bolivianos e peruanos, tornou-se palco de grandes lutas históricas entre brasileiros e bolivianos, mas com a derrota dos estrangeiros passou a pertencer ao Brasil.
Chico Mendes, homem de aspecto sereno, cor morena e bigode robusto, teve uma infância pobre, como milhares de brasileiros excluídos, nativos da região Norte. Morou sempre em casa de madeira com piso de barro. Ainda criança, tornou-se seringueiro. Aprendeu a ler e escrever aos 24 anos de idade. Com o passar dos anos, o seu ideal de infância de amar e preservar o meio ambiente foi amadurecendo, através da experiência e da sabedoria nata de homem da floresta que era.
Sentia-se na obrigação de abraçar a causa e lutar em prol da preservação da Amazônia, principalmente quando se deparava com o descaso dos grandes empresários e fazendeiros. Esses eram acobertados por forças governamentais e, guiados pela opulência e pela ambição, enviavam seus empregados armados com motosserras, machados, facões e tratores para derrubar as árvores, provocar queimadas, sem sequer tomar conhecimento da dimensão da destruição que estavam provocando, não somente na fauna e na flora da região amazônica, mas em todo o ecossistema mundial. Foi a partir daí que Chico Mendes decidiu levantar a bandeira em prol da preservação das matas.
Tornou-se líder sindical em 1975, e um formador de consciência junto à população de excluídos e semi-escravizados dos seringais da região. Nesse mesmo ano, com a fundação do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Brasiléia, ele foi escolhido para ser o secretário do órgão.
Em 1976, participou ativamente junto aos seringueiros na luta contra o desmatamento. Isso se deu através dos empates, um movimento pacífico que consiste em reunir grande número de seringueiros, trabalhadores rurais, índios e pescadores desarmados, com suas mulheres e filhos, dando-se as mãos no meio da selva ou na beira dos rios, a fim de impedir as derrubadas das árvores pelos peões dos fazendeiros e seringalistas que surgiam armados.
Através desses movimentos, os seringueiros e pescadores ribeirinhos tentavam neutralizar e conscientizar os predadores sobre as conseqüências da destruição e devastação ambientais e das atitudes brutais dos grandes empresários.
Muitas vezes eles conseguiram atrasar os projetos dos fazendeiros, dando tempo aos líderes sindicais para que estruturassem coalizações políticas a favor da preservação das matas, das terras e das reservas extrativistas. Em 1977, o ecologista participou da fundação do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Xapuri, sendo também eleito vereador pelo partido do Movimento Democrático Brasileiro (MDB). No ano de 1979, na Câmara Municipal de Xapuri, realizou-se um grande fórum de debates entre as lideranças sindicais, populares e religiosas, liderado por Chico Mendes. Esse evento constituiu-se motivo suficiente para que ele fosse acusado de subversão e passasse a sofrer torturas e ameaças de morte.
Em 1980, juntamente com Luís Inácio Lula da Silva, Chico Mendes fundou o Partido dos Trabalhadores (PT). Realizou comícios e levantes populares, com o objetivo de conscientizar os trabalhadores sobre a defesa de seus direitos. No 1º
Encontro Nacional dos Seringueiros, em 1985, Chico Mendes apresentou a proposta \"União dos Povos da Floresta\", um documento reivindicatório, visando a união das forças dos índios, trabalhadores rurais e seringueiros em defesa e preservação da Floresta Amazônica e das reservas extrativistas em terras indígenas. As reivindicações e denúncias sobre a devastação da mata e o massacre dos índios constantes naquele documento tiveram uma grande repercussão nacional e internacional. Dois anos após o evento, ou seja, em 1987, chegaram ao Brasil representantes da Organização das Nações Unidas - ONU - e de várias partes do mundo, para constatar a veracidade das denúncias contidas no referido documento. Meses depois, Chico Mendes ganhou o prêmio de destaque GLOBAL 500.
A luta pela preservação ecológica foi uma constante na vida do homem da floresta que, pacificamente, conseguiu mobilizar e conscientizar a sociedade rural, bem como Organizações Não-Governamentais - ONGs - nacionais e internacionais. Por outro lado, sua perseverança em proteger o meio ambiente e as espécies nativas da região despertou o ódio dos grupos de fazendeiros e de empresas que insistiam na exploração e na devastação da floresta. Durante todo o ano de 1988, Chico Mendes sofreu ameaças de morte e perseguições por parte de pessoas ligadas a partidos políticos e a organizações clandestinas destinadas à exploração desregrada da região.
No dia 22 de dezembro de 1988, após inúmeros conflitos, intrigas, levantes e movimentos sindicais, o sindicalista e ecologista Chico Mendes teve a sua vida ceifada por mãos criminosas. Passou a ser a 97ª vítima na lista dos trabalhadores rurais, assassinada durante o ano de 1988, por lutar pelos seus direitos, como também pela preservação ambiental da Região Amazônica.
\"Logo o Chico! Que foi um dos mais apaixonados defensores da vida, um homem tão puro e tão limpo como a água da chuva da mata que foi sua companheira inseparável...\" Luiz Inácio Lula da Silva.

MADRE TERESA DE CALCUTÁ
\"NÃO USEMOS BOMBAS NEM ARMAS
PARA CONQUISTAR O MUNDO. USEMOS O AMOR E A COMPAIXÃO. A PAZ COMEÇA COM UM
SORRISO\"
Agnes Gonxha Bojaxhiu nasce em Skoplje (Albânia), irmã mais nova de Ágata e de Lázaro, filha de Nicolau e de Rosa. Nasceu em 25 de agosto de 1910. A sua família pertencia à minoria albanesa que vivia no sul da antiga Iugoslávia.
Pouco se sabe da sua infância, adolescência e juventude porque Madre Teresa tinha horror de falar de si. Nunca morou na Albânia; foi educada numa escola estatal da atual Croácia, durante os tristes anos da Primeira Guerra Mundial.
Freqüentou a escola estatal nãocatólica e ingressou na Congregação Mariana onde foi aperfeiçoando a formação cristã ao mesmo tempo que tomava conhecimento da vida da Igreja e abria o coração às necessidades do mundo. Particular impressão lhe faziam as cartas que os missionários jesuítas da Índia escreviam e que eram comentadas em grupo. A miséria material e espiritual de tanta gente tocava o seu coração. Aos dezoito anos surge-lhe o pensamento da consagração total a Deus na vida religiosa. Obteve o consentimento dos pais e entrou no dia 29 de Setembro de 1928 para a Casa Mãe das Irmãs de Nossa Senhora de Loreto, em Rathfarnham, perto de Dublin (Irlanda).
O seu sonho era a Índia, o trabalho missionário junto dos pobres. Sabedoras desta aspiração da jovem iugoslava, as superioras decidiram que ela fizesse o noviciado já no campo do apostolado. Por isso, ao fim de poucos meses de estadia na Irlanda, Agnes partiu para Índia. O ideal que brilhara pela primeira vez na sua vida aos doze anos começava a concretizar-se. Foi enviada para Darjeeling, local onde as Irmãs de Loreto possuíam um colégio. Ali fez o noviciado. No dia 24 de Maio de 1931, faz a profissão religiosa, emitiu os votos temporários de pobreza, castidade e obediência tomando o nome de Teresa. De Darjeeling passou a Irmã Teresa para Calcutá. Tendo freqüentado uma carreira docente, passou a ensinar Geografia no Colégio de Santa Maria, da Congregação de Nossa Senhora do Loreto, em Calcutá. Mais tarde foi nomeada Diretora.
Irmã Teresa gostava de ensinar. As alunas estimavam-na porque era uma excelente professora, sempre dedicada e atenta a todos os problemas. O dia 10 de setembro de 1946 ficou marcado na história das Missionárias da Caridade e, obviamente, no livro da vida da Madre Teresa como o \"dia da inspiração\". Numa viagem de trem ao noviciado do Himalaia, recebe uma claríssima iluminação interior: dedicar a sua vida aos mais pobres dos pobres. Relatou-o assim: Em 1946, ia de Calcutá a Darjeeling, de trem, para fazer o meu retiro. Nunca é fácil dormir nos trens, mas tentar fazê-lo num trem da Índia é impossível: tudo range, há um penetrante odor de sujidade pelo amontoamento de homens e animais, todo um detrito de humanidade, cestos, galinhas cacarejando... Naquele trem, aos meus trinta e seis anos, percebi no meu interior uma chamada para que renunciasse a tudo e seguisse Cristo nos subúrbios, a fim de servi-lo entre os mais pobres dos pobres. Compreendi que Deus desejava isso de mim... A longa e dolorosa meditação que fizera terminou com uma pergunta muito concreta: que poderei fazer por estes que sofrem? Aqui a angústia da sua alma cresceu. Amava a Congregação, gostava de ensinar... Quase nada poderia fazer dentro dos regulamentos a que amorosamente se sujeitara e que cumprira com toda a fidelidade. Mas, Deus não pediria mais? Não seria talvez necessário ir ter com as superioras e com as autoridades eclesiásticas e expor-lhes frontalmente o problema, pedir-lhes até autorização para fazer a experiência de se colocar totalmente ao serviço dos mais pobres? Foi assim, com todas estas interrogações que a Irmã Teresa viveu o seu retiro daquele ano. Na oração e na meditação daqueles dias, mais se confirmou que a aspiração que lhe brotava do fundo da alma não era um capricho, mas manifestação da vontade de Deus.
Tendo regressado a Calcutá, foi ter com o arcebispo Mons. Fernando Périer a quem expôs o seu plano. Ele ouviu atentamente e, no fim, calmo, frio, disse um não absoluto que não deixou hipóteses para qualquer dúvida. A Irmã Teresa aceitou humildemente a recusa. Mais tarde comentou assim: Não podia ter sido outra a sua resposta. Um bispo não pode autorizar a primeira religiosa que se lhe apresenta com projetos raros sob pretexto de que essa parece ser a vontade de Deus. Voltou às lides diárias que cumpria cada vez com maior dedicação e entusiasmo. O carinho das alunas demonstrado de tantas maneiras e a amizade das companheiras não lhe fizeram esquecer a imagem horrorosa dos doentes e dos famintos que morriam pelas ruas de Calcutá.
Um ano depois, foi ter novamente com o arcebispo. Levava nos lábios o mesmo pedido e no coração a mesma disposição para aceitar, com humildade e alegria, a resposta qualquer que ela fosse. Mons. Périer escutou, mais uma vez, as razões da Irmã Teresa. A sua simplicidade, fervor e persistência convenceram-no de que estava perante uma manifestação da vontade de Deus. Por isso, desta vez, mais afável, aconselhou: Peça, primeiro, autorização à Madre Superiora. A Irmã Teresa escreveu prontamente uma carta expondo o seu plano. A Superiora viu nessas linhas a expressão da vontade de Deus. O que aquela religiosa pedia era algo muito sério e exigente. Por isso, respondeu-lhe nestes termos: \"Se essa é a vontade de Deus, autorizo-te de todo o coração. De qualquer maneira, lembra-te sempre da amizade que todas nós te consagramos. Se algum dia, por qualquer razão, quiseres voltar para o meio de nós, fica sabendo que te receberemos com amor de irmãs\".
Em 08 de Agosto de 1948 ela deixou o colégio de Santa Maria. Custou imenso: a ela, às companheiras, às alunas. Depois dirigiu-se para Patna, para fazer um breve curso de enfermagem que julgava de imensa utilidade para a sua atividade futura. Em 21 de dezembro de 1948, obtém a nacionalidade indiana. Data que reunia um grupo de cinco crianças, num bairro pobre, a quem começou a dar escola. Pouco a pouco, o grupo foi aumentando. Dez dias depois eram cerca de cinqüenta. Tendo abandonado o hábito da Congregação de Loreto, a Irmã Teresa comprou um sari branco, um vestido de uma modesta mulher indiana e colocou no ombro uma pequena cruz.
Com o alfabeto a irmã dava lições de higiene (muitas vezes iniciava a aula lavando a cara aos alunos) e de moral. Depois ia de abrigo em abrigo levando, mais que donativos, palavras amigas e as mãos sempre prestáveis para qualquer trabalho. Não foi preciso muito tempo para que todos a conhecessem. Quando ela passava, crianças famintas e sujas, deficientes, enfermos de todas a espécie gritavam por ela com os olhos inundados de esperança: Madre Teresa! Madre Teresa! Mas o início foi duro. Sentiu a angústia terrível da solidão. Era preciso um teto para acolher os abandonados, e caminhou para achá-lo. \"Caminhei e caminhei ininterruptamente, até que já não pude mais. Então compreendi até que ponto de esgotamento têm que chegar os verdadeiros pobres, sempre em busca de um pouco de alimento, de remédio, de tudo. \"Algumas colaboradoras começaram a surgir, precisamente entre as suas antigas alunas. Vinham sabendo que se tratava de algo difícil. A primeira foi Shubashini Das. Era uma linda jovem, dotada de bastante inteligência. Em 1949, começa a escrever as constituições das Missionárias da Caridade, nome que dá à sua Congregação. ...O primeiro trabalho com os doentes e moribundos recolhidos na rua era lavar-lhes o rosto e o corpo. A maior parte não conhecia sequer o sabão e a espuma metia-lhes medo. Se as Irmãs não vissem nestes infelizes o rosto de Cristo, o trabalho tornar-se-lhes-ia impossível. Nós queremos que eles saibam que há pessoas que os amam verdadeiramente. Aqui eles encontram a sua dignidade de homens e morrem num silêncio impressionante... Deus ama o silêncio.
Em agosto de 1952, abre o lar infantil Sishi Bavan (Casa da Esperança) e inaugura o seu famoso \"Lar para Moribundos\", em Kalighat, ao qual dedica as suas melhores energias físicas e espirituais. A partir dessa data, a sua Congregação começa a expandir-se de maneira irresistível pela Índia e por todo o mundo. Na Índia, principia por Ranchi e continua depois por Nova Delhi e Bombaim; Em 1973, abre uma casa em Gaza, na Palestina, para atender os refugiados, e celebra a primeira Assembléia Internacional dos colaboradores das Missionárias da caridade, instituição cujo estatuto tinha sido aprovado em 1969, e que reúne centenas de milhares de pessoas de todo o mundo.
Em 15 de junho de 1976, precisamente em Nova York, que era, no entender dela, o lugar mais necessitado de oração, funda o ramo contemplativo das Missionárias da Caridade. E em dezembro de 1976, inaugura centros de assistência no México e Guatemala. Recebe o Prêmio Nobel da Paz. Ainda em 1979, João Paulo II recebe-a em audiência privada e ela converte-se, sem nunca ter estudado diplomacia, na melhor \"embaixadora\" do Papa em todas as nações, fóruns e assembléias do universo. Muitas universidades lhe conferiram o título \"Honoris Causa\". E ainda em 1980, recebe a Ordem \"Distinguished Public Service Award\" nos EUA.
Em 1983, estando em Roma, sofre o primeiro grave ataque do coração. Tinha 73 anos. Foi muito bem atendida e o médico disse-lhe: \"A senhora tem coração para mais trinta anos\". Tomou isso ao pé da letra e nem febre alta a fazia descansar. Em agosto de 1989, realiza um dos seus sonhos: abrir uma casa de assistência em Albânia, sua cidade natal, que é um dos países mais pobres, injustos e atrasados do planeta.
No dia 05 de setembro de 1997, depois de sofrer uma última parada cardíaca, vem a falecer. Uma fila de quilômetros formou-se durante dias a fio, diante da igreja de São Tomé, em Calcutá, onde o seu corpo estava sendo velado. Madre Tereza de Calcutá é uma das personalidades que melhor representou a luta pela Paz no século XX. Em seus discursos, ela estava sempre ressaltando a Paz e a cooperação entre os seres humanos.
Agnes Gonxha Bojaxhiu nasce em Skoplje (Albânia), irmã mais nova de Ágata e de Lázaro, filha de Nicolau e de Rosa. Nasceu em 25 de agosto de 1910. A sua família pertencia à minoria albanesa que vivia no sul da antiga Iugoslávia.
Pouco se sabe da sua infância, adolescência e juventude porque Madre Teresa tinha horror de falar de si. Nunca morou na Albânia; foi educada numa escola estatal da atual Croácia, durante os tristes anos da Primeira Guerra Mundial.
Freqüentou a escola estatal nãocatólica e ingressou na Congregação Mariana onde foi aperfeiçoando a formação cristã ao mesmo tempo que tomava conhecimento da vida da Igreja e abria o coração às necessidades do mundo. Particular impressão lhe faziam as cartas que os missionários jesuítas da Índia escreviam e que eram comentadas em grupo. A miséria material e espiritual de tanta gente tocava o seu coração. Aos dezoito anos surge-lhe o pensamento da consagração total a Deus na vida religiosa. Obteve o consentimento dos pais e entrou no dia 29 de Setembro de 1928 para a Casa Mãe das Irmãs de Nossa Senhora de Loreto, em Rathfarnham, perto de Dublin (Irlanda).
O seu sonho era a Índia, o trabalho missionário junto dos pobres. Sabedoras desta aspiração da jovem iugoslava, as superioras decidiram que ela fizesse o noviciado já no campo do apostolado. Por isso, ao fim de poucos meses de estadia na Irlanda, Agnes partiu para Índia. O ideal que brilhara pela primeira vez na sua vida aos doze anos começava a concretizar-se. Foi enviada para Darjeeling, local onde as Irmãs de Loreto possuíam um colégio. Ali fez o noviciado. No dia 24 de Maio de 1931, faz a profissão religiosa, emitiu os votos temporários de pobreza, castidade e obediência tomando o nome de Teresa. De Darjeeling passou a Irmã Teresa para Calcutá. Tendo freqüentado uma carreira docente, passou a ensinar Geografia no Colégio de Santa Maria, da Congregação de Nossa Senhora do Loreto, em Calcutá. Mais tarde foi nomeada Diretora.
Irmã Teresa gostava de ensinar. As alunas estimavam-na porque era uma excelente professora, sempre dedicada e atenta a todos os problemas. O dia 10 de setembro de 1946 ficou marcado na história das Missionárias da Caridade e, obviamente, no livro da vida da Madre Teresa como o \"dia da inspiração\". Numa viagem de trem ao noviciado do Himalaia, recebe uma claríssima iluminação interior: dedicar a sua vida aos mais pobres dos pobres. Relatou-o assim: Em 1946, ia de Calcutá a Darjeeling, de trem, para fazer o meu retiro. Nunca é fácil dormir nos trens, mas tentar fazê-lo num trem da Índia é impossível: tudo range, há um penetrante odor de sujidade pelo amontoamento de homens e animais, todo um detrito de humanidade, cestos, galinhas cacarejando... Naquele trem, aos meus trinta e seis anos, percebi no meu interior uma chamada para que renunciasse a tudo e seguisse Cristo nos subúrbios, a fim de servi-lo entre os mais pobres dos pobres. Compreendi que Deus desejava isso de mim... A longa e dolorosa meditação que fizera terminou com uma pergunta muito concreta: que poderei fazer por estes que sofrem? Aqui a angústia da sua alma cresceu. Amava a Congregação, gostava de ensinar... Quase nada poderia fazer dentro dos regulamentos a que amorosamente se sujeitara e que cumprira com toda a fidelidade. Mas, Deus não pediria mais? Não seria talvez necessário ir ter com as superioras e com as autoridades eclesiásticas e expor-lhes frontalmente o problema, pedir-lhes até autorização para fazer a experiência de se colocar totalmente ao serviço dos mais pobres? Foi assim, com todas estas interrogações que a Irmã Teresa viveu o seu retiro daquele ano. Na oração e na meditação daqueles dias, mais se confirmou que a aspiração que lhe brotava do fundo da alma não era um capricho, mas manifestação da vontade de Deus.
Tendo regressado a Calcutá, foi ter com o arcebispo Mons. Fernando Périer a quem expôs o seu plano. Ele ouviu atentamente e, no fim, calmo, frio, disse um não absoluto que não deixou hipóteses para qualquer dúvida. A Irmã Teresa aceitou humildemente a recusa. Mais tarde comentou assim: Não podia ter sido outra a sua resposta. Um bispo não pode autorizar a primeira religiosa que se lhe apresenta com projetos raros sob pretexto de que essa parece ser a vontade de Deus. Voltou às lides diárias que cumpria cada vez com maior dedicação e entusiasmo. O carinho das alunas demonstrado de tantas maneiras e a amizade das companheiras não lhe fizeram esquecer a imagem horrorosa dos doentes e dos famintos que morriam pelas ruas de Calcutá.
Um ano depois, foi ter novamente com o arcebispo. Levava nos lábios o mesmo pedido e no coração a mesma disposição para aceitar, com humildade e alegria, a resposta qualquer que ela fosse. Mons. Périer escutou, mais uma vez, as razões da Irmã Teresa. A sua simplicidade, fervor e persistência convenceram-no de que estava perante uma manifestação da vontade de Deus. Por isso, desta vez, mais afável, aconselhou: Peça, primeiro, autorização à Madre Superiora. A Irmã Teresa escreveu prontamente uma carta expondo o seu plano. A Superiora viu nessas linhas a expressão da vontade de Deus. O que aquela religiosa pedia era algo muito sério e exigente. Por isso, respondeu-lhe nestes termos: \"Se essa é a vontade de Deus, autorizo-te de todo o coração. De qualquer maneira, lembra-te sempre da amizade que todas nós te consagramos. Se algum dia, por qualquer razão, quiseres voltar para o meio de nós, fica sabendo que te receberemos com amor de irmãs\".
Em 08 de Agosto de 1948 ela deixou o colégio de Santa Maria. Custou imenso: a ela, às companheiras, às alunas. Depois dirigiu-se para Patna, para fazer um breve curso de enfermagem que julgava de imensa utilidade para a sua atividade futura. Em 21 de dezembro de 1948, obtém a nacionalidade indiana. Data que reunia um grupo de cinco crianças, num bairro pobre, a quem começou a dar escola. Pouco a pouco, o grupo foi aumentando. Dez dias depois eram cerca de cinqüenta. Tendo abandonado o hábito da Congregação de Loreto, a Irmã Teresa comprou um sari branco, um vestido de uma modesta mulher indiana e colocou no ombro uma pequena cruz.
Com o alfabeto a irmã dava lições de higiene (muitas vezes iniciava a aula lavando a cara aos alunos) e de moral. Depois ia de abrigo em abrigo levando, mais que donativos, palavras amigas e as mãos sempre prestáveis para qualquer trabalho. Não foi preciso muito tempo para que todos a conhecessem. Quando ela passava, crianças famintas e sujas, deficientes, enfermos de todas a espécie gritavam por ela com os olhos inundados de esperança: Madre Teresa! Madre Teresa! Mas o início foi duro. Sentiu a angústia terrível da solidão. Era preciso um teto para acolher os abandonados, e caminhou para achá-lo. \"Caminhei e caminhei ininterruptamente, até que já não pude mais. Então compreendi até que ponto de esgotamento têm que chegar os verdadeiros pobres, sempre em busca de um pouco de alimento, de remédio, de tudo. \"Algumas colaboradoras começaram a surgir, precisamente entre as suas antigas alunas. Vinham sabendo que se tratava de algo difícil. A primeira foi Shubashini Das. Era uma linda jovem, dotada de bastante inteligência. Em 1949, começa a escrever as constituições das Missionárias da Caridade, nome que dá à sua Congregação. ...O primeiro trabalho com os doentes e moribundos recolhidos na rua era lavar-lhes o rosto e o corpo. A maior parte não conhecia sequer o sabão e a espuma metia-lhes medo. Se as Irmãs não vissem nestes infelizes o rosto de Cristo, o trabalho tornar-se-lhes-ia impossível. Nós queremos que eles saibam que há pessoas que os amam verdadeiramente. Aqui eles encontram a sua dignidade de homens e morrem num silêncio impressionante... Deus ama o silêncio.
Em agosto de 1952, abre o lar infantil Sishi Bavan (Casa da Esperança) e inaugura o seu famoso \"Lar para Moribundos\", em Kalighat, ao qual dedica as suas melhores energias físicas e espirituais. A partir dessa data, a sua Congregação começa a expandir-se de maneira irresistível pela Índia e por todo o mundo. Na Índia, principia por Ranchi e continua depois por Nova Delhi e Bombaim; Em 1973, abre uma casa em Gaza, na Palestina, para atender os refugiados, e celebra a primeira Assembléia Internacional dos colaboradores das Missionárias da caridade, instituição cujo estatuto tinha sido aprovado em 1969, e que reúne centenas de milhares de pessoas de todo o mundo.
Em 15 de junho de 1976, precisamente em Nova York, que era, no entender dela, o lugar mais necessitado de oração, funda o ramo contemplativo das Missionárias da Caridade. E em dezembro de 1976, inaugura centros de assistência no México e Guatemala. Recebe o Prêmio Nobel da Paz. Ainda em 1979, João Paulo II recebe-a em audiência privada e ela converte-se, sem nunca ter estudado diplomacia, na melhor \"embaixadora\" do Papa em todas as nações, fóruns e assembléias do universo. Muitas universidades lhe conferiram o título \"Honoris Causa\". E ainda em 1980, recebe a Ordem \"Distinguished Public Service Award\" nos EUA.
Em 1983, estando em Roma, sofre o primeiro grave ataque do coração. Tinha 73 anos. Foi muito bem atendida e o médico disse-lhe: \"A senhora tem coração para mais trinta anos\". Tomou isso ao pé da letra e nem febre alta a fazia descansar. Em agosto de 1989, realiza um dos seus sonhos: abrir uma casa de assistência em Albânia, sua cidade natal, que é um dos países mais pobres, injustos e atrasados do planeta.
No dia 05 de setembro de 1997, depois de sofrer uma última parada cardíaca, vem a falecer. Uma fila de quilômetros formou-se durante dias a fio, diante da igreja de São Tomé, em Calcutá, onde o seu corpo estava sendo velado. Madre Tereza de Calcutá é uma das personalidades que melhor representou a luta pela Paz no século XX. Em seus discursos, ela estava sempre ressaltando a Paz e a cooperação entre os seres humanos.

MAHATMA GANDHI
\"NÃO EXISTE UM CAMINHO PARA A
PAZ. A PAZ É O CAMINHO!\"
Mohandas Karamchand Gandhi nasceu no dia 2 de outubro de 1869, na cidade indiana de Porbandar. Membro da privilegiada casta dos comerciantes, a casta Bania, seu pai era um político local, e a mãe era uma Vaishnavite religiosa. À idade de 13 anos, Mohandas casou-se com uma moça da mesma idade que ele. Cursou a faculdade de Direito em Londres, desafiando os regulamentos de sua casta que proibiam a viagem para a Inglaterra. Quando Gandhi voltou à Índia em 1891, a mãe dele houvera falecido, e ele teve dificuldades, no início, em exercer na Índia sua profissão legal como advogado, devido a sua timidez.
Em 1896, Mohandas já era um advogado conhecido e rico, ganhando cerca de 5 mil libras por ano. Como advogado, Gandhi fez o melhor para descobrir os fatos. Depois de resolver um caso difícil, ele passou a ser \"visto\" e comentado. Suas palavras retratam bem isso: \"eu tive um aprendizado que me levou a descobrir o lado melhor da natureza humana e a entrar nos corações dos homens. Eu percebi que a verdadeira função de um advogado era unir rivais\". Ele também teimou em receber a verdade dos clientes dele, e se descobrisse que eles tivessem mentido, ele derrubaria o caso. Acreditava que o dever do advogado era ajudar o tribunal a descobrir a verdade, não tentar provar o culpado ou inocente.
Aproveitou a oportunidade de ir para África do Sul, representando uma firma hindu, em Natal, durante um processo judicial naquela cidade, e lá permaneceu até 1915. A África do Sul, imóvel notório para discriminação racial, deu para Gandhi os insultos que despertaram sua consciência social. Fundou em Natal o Congresso Hindu em 1894, e seus esforços eram uma vigorosa advertência para a imprensa. Gandhi qualificou um episódio em especial como o momento decisivo de sua vida: ao viajar num trem de primeira classe, um passageiro branco mostrou-se indignado por viajar na companhia de um homem de pele escura. Ele foi retirado à força da cabine por um policial, mesmo depois de ter mostrado seu bilhete e se identificar como advogado. \"Descobri que, como homem e como indiano, eu não tinha direitos\", declarou Gandhi. \"Ou melhor, descobri que não tinha nenhum direito como homem por ser indiano\".
O pensamento do Mahatma teve grande influência do escritor norte-americano Henry David Thoreau (1818-1862), e ele manteve correspondências com o pensador russo Leon Tolstoi (1828-1910), ambos reconhecidamente pacifistas. Porém, sua maior inspiração foi a tradição hindu das milenares escrituras Vedas e Upanishads, os livros sagrados do bramanismo e jainismo. Acabou permanecendo vinte anos na África do Sul, defendendo a minoria hindu e liderando a luta de seu povo pelos seus direitos. O primeiro uso de desobediência civil em massa ocorreu em setembro de 1906.
O Governo de Transvaal quis registrar a população hindu inteira. Na verdade, as leis restritivas à sua gente não pararam de crescer, até que, em 1907, o advogado hindu expôs pela primeira vez sua idéia de Satyagraha, a resistência à opressão traduzido como a força da verdade ou do amor, definida como \"a defesa da verdade infligindo sofrimento, não ao oponente, mas a si próprio\". Para atingir o objetivo é preciso muito treino e autocontrole, mas \"é uma força que, tornando-se universal, revolucionaria ideais sociais e anularia despotismos e o militarismo\". A idéia é curar o oponente do erro por meio da paciência e compreensão. A Satyagraha não foi baseada em teorias políticas ou sociais, mas nos princípios da sagrada escritura indiana Bhagavad Gita.
Gandhi também seguiu o conceito do Aparigraha, que é o desprendimento do bens materias para se tornar rico espiritualmente - um princípio que ele adotou ao retornar à Índia, abrindo mão de suas posses e vivendo de forma cada vez mais simples.Foi atraído à vida agrícola simples e começou duas comunidades rurais em Satyagrahis-Phoenix Farm e Tolstoy Farm. Escreveu e editou o diário \"Opinião indiana\", para elucidar os princípios e a prática de Satyagraha. Por último, e mais importante, o Mahatma abraçou de corpo e alma o conceito da Ahimsa, o ideal jainista de \"não-violência\" e respeito por todas as formas de vida.
Dizia: \"O pecado e não o pecador. Desde que nós vivemos espiritualmente, ferir ou atacar outra pessoa são atacar a si mesmo. Embora nós possamos atacar um sistema injusto, nós sempre temos que amar as pessoas envolvidas\". Sugeriu aos indianos e muçulmanos as possibilidades infinitas do \"amor universal\". Foi assim que Gandhi viveu e ensinou a seus companheiros de luta durante as campanhas de resistência na África do Sul, preparando-os para agüentar todo tipo de agressão física ou moral sem reagir.
A recepção calorosa que recebeu da Índia em sua chegada, no ano de 1915, deixou claro que seus esforços na África do Sul tinham causado forte impressão no povo. Gandhi passou a exercer o papel de conscientizador da sociedade hindu e muçulmana na luta pacífica pela independência indiana, baseada no uso da não-violência. Ele rejeitou a força bruta e sua opressão e declara que a força da alma ou amor e que se mantém a unidade das pessoas em paz e harmonia.
Já em 1917 ele deu início a uma campanha para que trabalhadores indianos não fossem enviados à África do Sul, e apoiou camponeses, agricultores e operários que trabalhavam em tecelagens, diante da exploração injusta dos proprietários e do poder do império britânico. O confronto com o governo inglês teve início na forma de greves gerais, os hartals, que contavam com o apoio público, mas resultaram em conflitos violentos, pelos quais Gandhi se desculpou e penitenciou com um jejum de 72 horas. O acontecimento que detonou a campanha decisiva contra os ingleses foi o massacre de Amristar, em abril de 1919. Considerada uma cidade sagrada para os membros da fé sikh, lá estava sendo realizado um comício, que foi suprimido pelos britânicos, com a maior violência possível: o exército cercou o local e atirou contra a multidão, matando 379 pessoas e ferindo mais de 1200.
A forma escolhida para demonstrar que os ingleses não eram mais bem-vindos no país foi boicotar seus produtos vendidos aos indianos, especialmente os tecidos. Viajando de trem, Gandhi percorreu todo o país difundindo essa idéia, o que teve resultados positivos - as pessoas deixaram de usar vestes importadas, queimando-as, e passaram a usar trajes indianos mais simples.
Durante finais dos anos 20, Gandhi escreve uma auto-bibliografia retratando suas experiências vividas. Ele é bastante sincero, chegando ao ponto de se humilhar pelos erros cometidos, mostrando o esforço de os superar. Em 1922, o grande líder foi preso e condenado a seis anos por rebelião contra o governo, permanecendo em confinamento até 1924, quando foi solto de modo provisório para fazer uma operação de apendicite aguda. Durante a vida, Gandhi passou um total de mais de seis anos como prisioneiro.
Por fim, em 1929, já com 60 anos de idade, Gandhi voltou à luta pela libertação, pregando mais uma vez a desobediência civil. Um dos maiores símbolos desse período foi a Marcha do Sal - uma caminhada de mais de 300 quilômetros até o mar, empreendido por Gandhi, seguido por milhares de pessoas, para pegar o sal que os ingleses insistiam em taxar. Gandhi foi preso antes de que pudesse chegar no Dharasana Sal, mas o amigo dele Sr. Sarojini Naidu conduziu 2.500 voluntários e os advertiu de não resistir às interferências da polícia.
O resultado, que o governo não esperava, foi uma explosão de desobediência, com a população extraindo sal do mar sem pagar qualquer imposto. Mais de 100 mil pessoas foram presas, mas isso não impediu que os protestos continuassem. As salinas de Dharasana eram guardadas por policiais que abateram os manifestantes com bastões de madeira. O episódio foi descrito por uma testemunha ocular, o jornalista Miller de Webb, e transmitido ao mundo inteiro.
Os manifestantes apresentavam-se em fileiras, sem reagir à violência da polícia, eram abatidos, seus corpos retirados pelas mulheres e, em seguida, nova fileira se apresentava. O resultado do movimento foi a produção livre de sal na Índia. Por conseguinte em 1930, Mahatma Gandhi informou ao vice-rei que a desobediência civil em massa iniciaria no dia 11 de março. \"Minha ambição é nada menos que converter as pessoas britânicas à não-violência, e assim lhe faz ver o mal que fizeram para a Índia. Eu não busco danificar as pessoas\". Gandhi foi chamado à uma reunião com o Vice-rei Irwin em 1931, e eles firmaram um acordo em março. A desobediência civil foi cancelada, foram libertados os prisioneiros; a fabricação de sal foi permitida na costa e os líderes do Congresso assistiriam à próxima Conferência de Mesa Redonda em Londres.
Gandhi viajou para Londres onde ele conheceu Charlie Chaplin, George Bernard Shaw, e Maria Montessori, entre outros. Em transmissão de rádio para os Estados Unidos, ele falou que a força não-violenta é um modo mais consistente, humano e digno.
Discutindo relações com os britânicos, ele disse que ele não quis somente a independência, mas também a interdependência voluntária baseada no amor. Mesmo com a Segunda Guerra Mundial se aproximando, Gandhi havia confirmado seus princípios pacifistas. Ele mostrou como a Abissínia (Etiópia) poderia ter usado a não-violência contra Mussolini, e ele recomendou isto para os tchecos e para os chineses. \"Se é valente, como é, para morrer a um homem que luta contra preconceitos, é ainda bravo para recusar briga e ainda recusar se render ao usurpador\" (Gandhi).
Porém, Gandhi continuou exercendo uma revolução não violenta para a Índia, e em 1942 ele e outros líderes foram presos. Ele decidiu jejuar novamente, sendo que apenas ele sobreviveu. Quando a guerra terminou, ele afirmou da necessidade de \"uma paz real baseada na liberdade e igualdade de todas as raças e nações\". A incapacidade dos homens de se entenderem devido a questões religiosas deu início a uma onda de violência sem precedentes na Índia, gerando milhares de mortos. Os hindus o atacaram porque pensaram que ele era a favor dos muçulmanos, e os muçulmanos exigindo dele a criação do Paquistão. Gandhi foi para Calcutá para acalmar a discussão e a violência entre hindus e muçulmanos. Gandhi empreendeu então o que chamou de \"a missão mais difícil de sua vida\", percorrendo as regiões onde os problemas eram maiores. Aos 77 anos, ele iniciou um jejum sob o juramento de que só voltaria a se alimentar quando muçulmanos e hindus parassem as hostilidades. Índia se acalmou.
Mais tarde, o Mahatma faria o mesmo em Calcutá, declarando que jejuaria até a morte caso a violência não cessasse, o que aconteceu em quatro dias. A independência do país finalmente aconteceu, no dia 15 de agosto de 1947, mas não como Gandhi pretendia. \"Não há motivo para tanta festa\", ele disse quando todos comemoravam. A Índia separou-se e mais de 12 milhões de pessoas tiveram que deixar seus lares: muçulmanos se mudaram para o Paquistão, hindus permaneceram na Índia. E, durante o processo, ocorreram mais encontros ferozes, violência e mortes.
Em 1948, já com 78 anos, Mohandas realizou seu 18º e último jejum, com o objetivo de reunir os \"corações de todas as comunidades\". Esse interesse de Gandhi por todos os seres vivos sem se importar com a crença religiosa, política ou casta social não agradava a todos os hindus, especialmente os grupos mais radicais. E foi um desses extremistas que acabou por assassiná-lo em 30 de janeiro de 1948, provocando uma comoção mundial poucas vezes vistas na história humana.
O americano Martin Luther King, outro grande defensor das liberdades e adepto da não-violência, disse, antes de ser assassinado também por radicais: \"Gandhi foi infalível. Se a humanidade tem de progredir, o Mahatma é imprescindível. Ele viveu, pensou e agiu inspirado pela visão de uma humanidade que evoluía para um mundo de paz e harmonia. Se o ignorarmos, o risco será só nosso\".
Foi exatamente isto que Jesus, o mestre da não-violência, quis dizer ao se referir com essas expressões no seu evangelho: \"dar a outra face\", \"não resistir ao mal\", \"quando alguém lhe roubar a capa, dê-lhe também a túnica\". Albert Einstein declarou que Gandhi mostrou como alguém poderia vencer a submissão, \"não somente pelo jogo esperto e artifício de fraude política, mas pelo exemplo de um modo moralmente exaltado de vida\". Einstein considerou que Gandhi foi o estadista mais iluminado do tempo deles, e ele predisse: \"O problema de trazer paz para o mundo em uma base supranacional só será resolvido empregando o método de Gandhi em uma grande escala\".
A Enciclopédia Britânica resume o significado de Gandhi com a declaração, \"Ele é o catalisador, se não o iniciador de três das revoluções principais do século 20: as revoluções contra colonialismo, racismo, e a violência\". \"Sem sombra de dúvida, qualquer homem ou mulher pode realizar o que realizei, desde que faça o mesmo esforço e cultive a mesma esperança e fé\". Gandhi.
Mohandas Karamchand Gandhi nasceu no dia 2 de outubro de 1869, na cidade indiana de Porbandar. Membro da privilegiada casta dos comerciantes, a casta Bania, seu pai era um político local, e a mãe era uma Vaishnavite religiosa. À idade de 13 anos, Mohandas casou-se com uma moça da mesma idade que ele. Cursou a faculdade de Direito em Londres, desafiando os regulamentos de sua casta que proibiam a viagem para a Inglaterra. Quando Gandhi voltou à Índia em 1891, a mãe dele houvera falecido, e ele teve dificuldades, no início, em exercer na Índia sua profissão legal como advogado, devido a sua timidez.
Em 1896, Mohandas já era um advogado conhecido e rico, ganhando cerca de 5 mil libras por ano. Como advogado, Gandhi fez o melhor para descobrir os fatos. Depois de resolver um caso difícil, ele passou a ser \"visto\" e comentado. Suas palavras retratam bem isso: \"eu tive um aprendizado que me levou a descobrir o lado melhor da natureza humana e a entrar nos corações dos homens. Eu percebi que a verdadeira função de um advogado era unir rivais\". Ele também teimou em receber a verdade dos clientes dele, e se descobrisse que eles tivessem mentido, ele derrubaria o caso. Acreditava que o dever do advogado era ajudar o tribunal a descobrir a verdade, não tentar provar o culpado ou inocente.
Aproveitou a oportunidade de ir para África do Sul, representando uma firma hindu, em Natal, durante um processo judicial naquela cidade, e lá permaneceu até 1915. A África do Sul, imóvel notório para discriminação racial, deu para Gandhi os insultos que despertaram sua consciência social. Fundou em Natal o Congresso Hindu em 1894, e seus esforços eram uma vigorosa advertência para a imprensa. Gandhi qualificou um episódio em especial como o momento decisivo de sua vida: ao viajar num trem de primeira classe, um passageiro branco mostrou-se indignado por viajar na companhia de um homem de pele escura. Ele foi retirado à força da cabine por um policial, mesmo depois de ter mostrado seu bilhete e se identificar como advogado. \"Descobri que, como homem e como indiano, eu não tinha direitos\", declarou Gandhi. \"Ou melhor, descobri que não tinha nenhum direito como homem por ser indiano\".
O pensamento do Mahatma teve grande influência do escritor norte-americano Henry David Thoreau (1818-1862), e ele manteve correspondências com o pensador russo Leon Tolstoi (1828-1910), ambos reconhecidamente pacifistas. Porém, sua maior inspiração foi a tradição hindu das milenares escrituras Vedas e Upanishads, os livros sagrados do bramanismo e jainismo. Acabou permanecendo vinte anos na África do Sul, defendendo a minoria hindu e liderando a luta de seu povo pelos seus direitos. O primeiro uso de desobediência civil em massa ocorreu em setembro de 1906.
O Governo de Transvaal quis registrar a população hindu inteira. Na verdade, as leis restritivas à sua gente não pararam de crescer, até que, em 1907, o advogado hindu expôs pela primeira vez sua idéia de Satyagraha, a resistência à opressão traduzido como a força da verdade ou do amor, definida como \"a defesa da verdade infligindo sofrimento, não ao oponente, mas a si próprio\". Para atingir o objetivo é preciso muito treino e autocontrole, mas \"é uma força que, tornando-se universal, revolucionaria ideais sociais e anularia despotismos e o militarismo\". A idéia é curar o oponente do erro por meio da paciência e compreensão. A Satyagraha não foi baseada em teorias políticas ou sociais, mas nos princípios da sagrada escritura indiana Bhagavad Gita.
Gandhi também seguiu o conceito do Aparigraha, que é o desprendimento do bens materias para se tornar rico espiritualmente - um princípio que ele adotou ao retornar à Índia, abrindo mão de suas posses e vivendo de forma cada vez mais simples.Foi atraído à vida agrícola simples e começou duas comunidades rurais em Satyagrahis-Phoenix Farm e Tolstoy Farm. Escreveu e editou o diário \"Opinião indiana\", para elucidar os princípios e a prática de Satyagraha. Por último, e mais importante, o Mahatma abraçou de corpo e alma o conceito da Ahimsa, o ideal jainista de \"não-violência\" e respeito por todas as formas de vida.
Dizia: \"O pecado e não o pecador. Desde que nós vivemos espiritualmente, ferir ou atacar outra pessoa são atacar a si mesmo. Embora nós possamos atacar um sistema injusto, nós sempre temos que amar as pessoas envolvidas\". Sugeriu aos indianos e muçulmanos as possibilidades infinitas do \"amor universal\". Foi assim que Gandhi viveu e ensinou a seus companheiros de luta durante as campanhas de resistência na África do Sul, preparando-os para agüentar todo tipo de agressão física ou moral sem reagir.
A recepção calorosa que recebeu da Índia em sua chegada, no ano de 1915, deixou claro que seus esforços na África do Sul tinham causado forte impressão no povo. Gandhi passou a exercer o papel de conscientizador da sociedade hindu e muçulmana na luta pacífica pela independência indiana, baseada no uso da não-violência. Ele rejeitou a força bruta e sua opressão e declara que a força da alma ou amor e que se mantém a unidade das pessoas em paz e harmonia.
Já em 1917 ele deu início a uma campanha para que trabalhadores indianos não fossem enviados à África do Sul, e apoiou camponeses, agricultores e operários que trabalhavam em tecelagens, diante da exploração injusta dos proprietários e do poder do império britânico. O confronto com o governo inglês teve início na forma de greves gerais, os hartals, que contavam com o apoio público, mas resultaram em conflitos violentos, pelos quais Gandhi se desculpou e penitenciou com um jejum de 72 horas. O acontecimento que detonou a campanha decisiva contra os ingleses foi o massacre de Amristar, em abril de 1919. Considerada uma cidade sagrada para os membros da fé sikh, lá estava sendo realizado um comício, que foi suprimido pelos britânicos, com a maior violência possível: o exército cercou o local e atirou contra a multidão, matando 379 pessoas e ferindo mais de 1200.
A forma escolhida para demonstrar que os ingleses não eram mais bem-vindos no país foi boicotar seus produtos vendidos aos indianos, especialmente os tecidos. Viajando de trem, Gandhi percorreu todo o país difundindo essa idéia, o que teve resultados positivos - as pessoas deixaram de usar vestes importadas, queimando-as, e passaram a usar trajes indianos mais simples.
Durante finais dos anos 20, Gandhi escreve uma auto-bibliografia retratando suas experiências vividas. Ele é bastante sincero, chegando ao ponto de se humilhar pelos erros cometidos, mostrando o esforço de os superar. Em 1922, o grande líder foi preso e condenado a seis anos por rebelião contra o governo, permanecendo em confinamento até 1924, quando foi solto de modo provisório para fazer uma operação de apendicite aguda. Durante a vida, Gandhi passou um total de mais de seis anos como prisioneiro.
Por fim, em 1929, já com 60 anos de idade, Gandhi voltou à luta pela libertação, pregando mais uma vez a desobediência civil. Um dos maiores símbolos desse período foi a Marcha do Sal - uma caminhada de mais de 300 quilômetros até o mar, empreendido por Gandhi, seguido por milhares de pessoas, para pegar o sal que os ingleses insistiam em taxar. Gandhi foi preso antes de que pudesse chegar no Dharasana Sal, mas o amigo dele Sr. Sarojini Naidu conduziu 2.500 voluntários e os advertiu de não resistir às interferências da polícia.
O resultado, que o governo não esperava, foi uma explosão de desobediência, com a população extraindo sal do mar sem pagar qualquer imposto. Mais de 100 mil pessoas foram presas, mas isso não impediu que os protestos continuassem. As salinas de Dharasana eram guardadas por policiais que abateram os manifestantes com bastões de madeira. O episódio foi descrito por uma testemunha ocular, o jornalista Miller de Webb, e transmitido ao mundo inteiro.
Os manifestantes apresentavam-se em fileiras, sem reagir à violência da polícia, eram abatidos, seus corpos retirados pelas mulheres e, em seguida, nova fileira se apresentava. O resultado do movimento foi a produção livre de sal na Índia. Por conseguinte em 1930, Mahatma Gandhi informou ao vice-rei que a desobediência civil em massa iniciaria no dia 11 de março. \"Minha ambição é nada menos que converter as pessoas britânicas à não-violência, e assim lhe faz ver o mal que fizeram para a Índia. Eu não busco danificar as pessoas\". Gandhi foi chamado à uma reunião com o Vice-rei Irwin em 1931, e eles firmaram um acordo em março. A desobediência civil foi cancelada, foram libertados os prisioneiros; a fabricação de sal foi permitida na costa e os líderes do Congresso assistiriam à próxima Conferência de Mesa Redonda em Londres.
Gandhi viajou para Londres onde ele conheceu Charlie Chaplin, George Bernard Shaw, e Maria Montessori, entre outros. Em transmissão de rádio para os Estados Unidos, ele falou que a força não-violenta é um modo mais consistente, humano e digno.
Discutindo relações com os britânicos, ele disse que ele não quis somente a independência, mas também a interdependência voluntária baseada no amor. Mesmo com a Segunda Guerra Mundial se aproximando, Gandhi havia confirmado seus princípios pacifistas. Ele mostrou como a Abissínia (Etiópia) poderia ter usado a não-violência contra Mussolini, e ele recomendou isto para os tchecos e para os chineses. \"Se é valente, como é, para morrer a um homem que luta contra preconceitos, é ainda bravo para recusar briga e ainda recusar se render ao usurpador\" (Gandhi).
Porém, Gandhi continuou exercendo uma revolução não violenta para a Índia, e em 1942 ele e outros líderes foram presos. Ele decidiu jejuar novamente, sendo que apenas ele sobreviveu. Quando a guerra terminou, ele afirmou da necessidade de \"uma paz real baseada na liberdade e igualdade de todas as raças e nações\". A incapacidade dos homens de se entenderem devido a questões religiosas deu início a uma onda de violência sem precedentes na Índia, gerando milhares de mortos. Os hindus o atacaram porque pensaram que ele era a favor dos muçulmanos, e os muçulmanos exigindo dele a criação do Paquistão. Gandhi foi para Calcutá para acalmar a discussão e a violência entre hindus e muçulmanos. Gandhi empreendeu então o que chamou de \"a missão mais difícil de sua vida\", percorrendo as regiões onde os problemas eram maiores. Aos 77 anos, ele iniciou um jejum sob o juramento de que só voltaria a se alimentar quando muçulmanos e hindus parassem as hostilidades. Índia se acalmou.
Mais tarde, o Mahatma faria o mesmo em Calcutá, declarando que jejuaria até a morte caso a violência não cessasse, o que aconteceu em quatro dias. A independência do país finalmente aconteceu, no dia 15 de agosto de 1947, mas não como Gandhi pretendia. \"Não há motivo para tanta festa\", ele disse quando todos comemoravam. A Índia separou-se e mais de 12 milhões de pessoas tiveram que deixar seus lares: muçulmanos se mudaram para o Paquistão, hindus permaneceram na Índia. E, durante o processo, ocorreram mais encontros ferozes, violência e mortes.
Em 1948, já com 78 anos, Mohandas realizou seu 18º e último jejum, com o objetivo de reunir os \"corações de todas as comunidades\". Esse interesse de Gandhi por todos os seres vivos sem se importar com a crença religiosa, política ou casta social não agradava a todos os hindus, especialmente os grupos mais radicais. E foi um desses extremistas que acabou por assassiná-lo em 30 de janeiro de 1948, provocando uma comoção mundial poucas vezes vistas na história humana.
O americano Martin Luther King, outro grande defensor das liberdades e adepto da não-violência, disse, antes de ser assassinado também por radicais: \"Gandhi foi infalível. Se a humanidade tem de progredir, o Mahatma é imprescindível. Ele viveu, pensou e agiu inspirado pela visão de uma humanidade que evoluía para um mundo de paz e harmonia. Se o ignorarmos, o risco será só nosso\".
Foi exatamente isto que Jesus, o mestre da não-violência, quis dizer ao se referir com essas expressões no seu evangelho: \"dar a outra face\", \"não resistir ao mal\", \"quando alguém lhe roubar a capa, dê-lhe também a túnica\". Albert Einstein declarou que Gandhi mostrou como alguém poderia vencer a submissão, \"não somente pelo jogo esperto e artifício de fraude política, mas pelo exemplo de um modo moralmente exaltado de vida\". Einstein considerou que Gandhi foi o estadista mais iluminado do tempo deles, e ele predisse: \"O problema de trazer paz para o mundo em uma base supranacional só será resolvido empregando o método de Gandhi em uma grande escala\".
A Enciclopédia Britânica resume o significado de Gandhi com a declaração, \"Ele é o catalisador, se não o iniciador de três das revoluções principais do século 20: as revoluções contra colonialismo, racismo, e a violência\". \"Sem sombra de dúvida, qualquer homem ou mulher pode realizar o que realizei, desde que faça o mesmo esforço e cultive a mesma esperança e fé\". Gandhi.

DOM HÉLDER CÂMARA
\"OS VERDADEIROS FAUTORES DE
VIOLÊNCIA SÃO ÀQUELES QUE FEREM A JUSTIÇA E IMPEDEM A PAZ\"
Nascido a 7 de fevereiro de 1909, em Fortaleza, Ceará, estado situado no Nordeste do Brasil, Dom Hélder Câmara é o décimo primeiro filho de uma família simples e numerosa, composta de treze filhos, dos quais somente oito conseguiram sobreviver. Os demais faleceram vítimas de uma epidemia de gripe que assolou a região no ano de 1905. O pai, João Câmara Filho, era guarda-livros de uma firma comercial, enquanto a mãe, Adelaide Pessoa Câmara, era professora primária.
A escolha do nome Hélder coube ao pai, que apreciava muito esse nome, denominação de um pequeno porto situado na Holanda.

 De um pai não muito ligado às práticas religiosas, Dom Hélder Câmara ainda guardou as seguintes palavras: \"Meu filho, você sabe o que é ser padre? Padre e egoísmo nunca podem andar juntos. O padre tem que se gastar, se deixar devorar\".
Em 1923, ingressou no Seminário Diocesano de Fortaleza (Prainha), onde fez os cursos preparatórios e depois filosofia e teologia. Sua preparação sacerdotal se deu de forma tranqüila e serena, muito embora ele já viesse se destacando pela agudeza de espírito em defender seus pontos de vista, em embates presididos pelo padre Tobias Dequidt, então reitor, que muito o admirava pela segurança das suas argumentações. O tom irresistivelmente envolvente de sua pregação não demorou a surgir. Desde que foi ordenado padre, em 1931, foram 7.547 meditações escritas de madrugada, sobre os mais variados assuntos: a fé em Deus, em Cristo e em Maria, as asas quebradas de um passarinho, a crença no amor dos homens, a esperança social e a paz. Aos 26 anos, foi nomeado diretor da Instrução Pública do Ceará. 


Por não aceitar as interferências do governo em seu trabalho, o padre magricela e baixinho (media 1,60m) pediu demissão e foi para o Rio de Janeiro. No Rio, como arcebispo-auxiliar, organizou o Congresso Eucarístico de 1955. Foi o principal articulador da Conferência Nacional dos Bispos no Brasil (CNBB), criada em 1952. Sempre desenvolveu gigantescos programas sociais. Batia na porta dos ricos e reclamava se eles não oferecessem ajuda. Era chamado por alguns de \"Bispo Vermelho\", imagem fortalecida com as idéias progressistas que defendeu no Congresso Vaticano II.
Em 1970, reuniu mais de 20 mil pessoas em Paris para denunciar torturas no Brasil. Ele foi transferido para a Arquidiocese de Olinda e Recife devido às pressões políticas, mas nem as ameaças a seus colaboradores e o assassinato de um padre fizeram-no calar. Deu início a um dos maiores programas sociais já vistos no Nordeste, a \"Operação Esperança\", que ajudava os flagelados das enchentes e incentivava o surgimento de lideranças populares para transcender o mero assistencialismo.
Foi indicado quatro vezes ao prêmio Nobel da Paz (entre 1970 e 1973), porém não o recebeu devido ao boicote do regime militar brasileiro durante o governo do Presidente Médici. Apesar de não ser laureado com o Nobel da Paz, Dom Hélder recebeu os 27 prêmios mais importantes pela Paz, distribuído em diversos países do mundo depois do Nobel. \"Dom Hélder: Irmão dos pobres e meu irmão\". João Paulo II, em visita ao Recife, em 1980.
Nascido a 7 de fevereiro de 1909, em Fortaleza, Ceará, estado situado no Nordeste do Brasil, Dom Hélder Câmara é o décimo primeiro filho de uma família simples e numerosa, composta de treze filhos, dos quais somente oito conseguiram sobreviver. Os demais faleceram vítimas de uma epidemia de gripe que assolou a região no ano de 1905. O pai, João Câmara Filho, era guarda-livros de uma firma comercial, enquanto a mãe, Adelaide Pessoa Câmara, era professora primária.
A escolha do nome Hélder coube ao pai, que apreciava muito esse nome, denominação de um pequeno porto situado na Holanda.

 De um pai não muito ligado às práticas religiosas, Dom Hélder Câmara ainda guardou as seguintes palavras: \"Meu filho, você sabe o que é ser padre? Padre e egoísmo nunca podem andar juntos. O padre tem que se gastar, se deixar devorar\".
Em 1923, ingressou no Seminário Diocesano de Fortaleza (Prainha), onde fez os cursos preparatórios e depois filosofia e teologia. Sua preparação sacerdotal se deu de forma tranqüila e serena, muito embora ele já viesse se destacando pela agudeza de espírito em defender seus pontos de vista, em embates presididos pelo padre Tobias Dequidt, então reitor, que muito o admirava pela segurança das suas argumentações. O tom irresistivelmente envolvente de sua pregação não demorou a surgir. Desde que foi ordenado padre, em 1931, foram 7.547 meditações escritas de madrugada, sobre os mais variados assuntos: a fé em Deus, em Cristo e em Maria, as asas quebradas de um passarinho, a crença no amor dos homens, a esperança social e a paz. Aos 26 anos, foi nomeado diretor da Instrução Pública do Ceará. 


Por não aceitar as interferências do governo em seu trabalho, o padre magricela e baixinho (media 1,60m) pediu demissão e foi para o Rio de Janeiro. No Rio, como arcebispo-auxiliar, organizou o Congresso Eucarístico de 1955. Foi o principal articulador da Conferência Nacional dos Bispos no Brasil (CNBB), criada em 1952. Sempre desenvolveu gigantescos programas sociais. Batia na porta dos ricos e reclamava se eles não oferecessem ajuda. Era chamado por alguns de \"Bispo Vermelho\", imagem fortalecida com as idéias progressistas que defendeu no Congresso Vaticano II.
Em 1970, reuniu mais de 20 mil pessoas em Paris para denunciar torturas no Brasil. Ele foi transferido para a Arquidiocese de Olinda e Recife devido às pressões políticas, mas nem as ameaças a seus colaboradores e o assassinato de um padre fizeram-no calar. Deu início a um dos maiores programas sociais já vistos no Nordeste, a \"Operação Esperança\", que ajudava os flagelados das enchentes e incentivava o surgimento de lideranças populares para transcender o mero assistencialismo.
Foi indicado quatro vezes ao prêmio Nobel da Paz (entre 1970 e 1973), porém não o recebeu devido ao boicote do regime militar brasileiro durante o governo do Presidente Médici. Apesar de não ser laureado com o Nobel da Paz, Dom Hélder recebeu os 27 prêmios mais importantes pela Paz, distribuído em diversos países do mundo depois do Nobel. \"Dom Hélder: Irmão dos pobres e meu irmão\". João Paulo II, em visita ao Recife, em 1980.

HENRY DAVID THOREAU
\"JUSTIÇA E LIBERDADE SÃO OS
ALICERCES DA PAZ\"
Henry David Thoureau (1817-1862) nasceu em Concord, no estado de Massachussets, e lá viveu a maior parte de sua vida. Apesar dos parcos recursos de que dispunha a família, obteve invejável educação humanista, particularmente no período em que estudou em Harvard (1833-1837), universidade que começou a freqüentar quando tinha dezesseis anos. Familiarizou-se com os clássicos gregos e latinos, que lia fluentemente no original, e com línguas modernas como o alemão, o francês, o espanhol e o italiano.
Foi freqüentemente visto por admiradores, amigos e inimigos como um rebelde marcado por hábitos excêntricos: em Harvard, insistia em usar manta verde, apesar do regulamento exigir dos alunos o uso de manta negra, e dizia ironicamente do que era, já na época, um avançado sistema de ensino universitário, que lá se ensinavam todos os \"ramos do conhecimento\", mas nenhuma de suas raízes. Nos textos de Thoureau, contudo, esse individualismo rebelde não deve ser entendido em termos de uma postura excêntrica e meramente negadora do social e do político. Trata-se antes do individualismo entendido no contexto do movimento literário conhecido como o \"Transcendentalismo Romântico\" norte-americano, caracterizado não apenas pela ênfase romântica no sentimento individual mais do que na razão, mas principalmente por uma postura política progressiva preocupada com reformas sociais e políticas a serem levadas a cabo a partir do indivíduo e não a partir do grupo social.
É esse indivíduo que tem como objetivo tanto a reforma de si mesmo como do social e do político que se torna constantemente presente nas páginas dos dois escritos mais célebres de Thoureau, Walden (1854) e \"A Desobediência Civil\" (1849). São ambos textos que se querem autobiográficos e que se apresentam ao leitor como experiências pessoais das quais o autor retira lições de sabedoria sobre como encontrar o melhor estilo de vida como indivíduo e como ser social.
A experiência individual descrita em Walden deriva da decisão de Thoureau de viver isoladamente, durante dois anos e dois meses (1845-1847), em uma cabana construída por ele mesmo às margens do Lago Walden, nas proximidades de Concord. O que seria visto, para muitos de seus contemporâneos, como nada mais do que a excentricidade de um eremita fugindo do social significaria, para Thoureau, a oportunidade para uma reflexão radical sobre o sentido de viver bem a vida humana em um momento histórico marcado pelos confortos e desconfortos de uma sociedade capitalista em fase de rápida urbanização e industrialização. A pergunta formulada constantemente em Walden diz respeito às necessidades básicas capazes de proporcionar ao homem moderno uma vida bem vivida.
Qual o sentido, por exemplo, de se identificar a vida bem vivida com o acúmulo excessivo de vestuário, moradia ou alimentos? São bem gastos o trabalho e a energia dedicados a tal acúmulo? Não poderia a vida ser melhor vivida com aquele mínimo de recursos materiais que tornasse possível o atendimento de necessidades do espírito contemplativo, como a leitura, a reflexão, a observação da natureza e o lazer? Nos dezoito ensaios que compõem Walden, o que Thoureau tenta demonstrar é que esse estilo de vida alternativo baseado, não no máximo, mas no mínimo necessário de produção e consumo, pode ser não apenas possível, mas melhor do que o estilo de vida atrelado às exigências do progresso industrial e urbano. Há, sem dúvida, um esforço necessário para a manutenção da vida: coletar alimentos naturais nos bosques, pescar, plantar e cultivar feijões, cortar lenha para o aquecimento da cabana no inverno.
Quando reduzido a um mínimo, o que tal esforço garante é uma forma equilibrada de viver bem, com tempo disponível para a vida contemplativa, para ler e escrever (inclusive as anotações diárias que seriam mais tarde transformadas no texto de Walden), para o lazer prazeroso e descompromissado, para observar a flora e a fauna locais, os sons e odores naturais dos bosques, a música do vento nos fios telegráficos, a passagem de uma estação para outra. É em meio a essa experiência de vida bem equilibrada nos arredores da lagoa de Walden que Thoureau vivencia ainda o episódio de vida pessoal motivador do que é o seu texto mais celebrado: \"A Desobediência Civil\".
Em uma tarde de 23 ou 24 de Julho de 1846, Thoureau recebe a visita do coletor de impostos e acaba sendo aprisionado quando se recusa a pagar o tributo devido. Sai da cadeia, no dia seguinte, quando um benfeitor ou benfeitora (provavelmente sua tia Maria) paga a dívida exigida por lei. Explicitar as razões que o levaram a não pagar impostos é o problema central tratado no ensaio. Para Thoureau, pagar os impostos seria um ato imoral porque significaria contribuir com um governo que patrocinava empreitadas injustas e desumanas como o projeto escravocrata e a guerra imperialista contra o México.
O ato de desobediência civil assim pensado tornava-se não apenas justificável, mas moralmente necessário e indispensável para o cidadão consciente de valores éticos desrespeitados, no caso, tanto pelo Estado como pela maioria da população em dia com seus tributos. Note-se que a definição de cidadania assim entendida legitima o indivíduo visto pelo Estado como um fora-da-lei e define como violadores de uma lei maior tanto o governo nacional quanto a maioria que o elegeu que lhe deu apoio. Essa lei maior é, para o adepto do Transcendentalismo, aquela lucidamente percebida e respeitada pela consciência particular do indivíduo que, para Thoureau, é mais importante e merece mais respeito do que a lei oficial produzida pelo consenso \"democrático\" da maioria e imposta ao povo pelo aparato de poder estatal.
Nesse contexto, como Thoureau argumenta em seu ensaio, uma minoria correta formada por uma só pessoa já é uma maioria moral, e se o Estado e o consenso majoritário decidem julgar como fora-da-lei e colocar na cadeia essa minoria moral e correta, então é justamente a cadeia que se torna o lugar adequado para os homens honestos. Como mostra o slogan característico da política liberal Jeffersoniana, citado já no primeiro parágrafo do texto (\"O melhor governo é o que governa menos\"), Thoureau privilegia a lei moral individual como fonte primeira do bem social e relega a segundo plano a função normalmente atribuída ao poder estatal de manter a ordem.
Para Thoureau, o governo é, ou deveria ser, nada mais do que um meio para um fim: o seu objetivo deveria ser pura e simplesmente cuidar da liberdade e do bem estar do povo. Quando o Estado se afasta de tal objetivo, escravizando a população negra ou fazendo guerra contra o México, por exemplo, deve ser efetiva e radicalmente questionado pelo cidadão consciente e moralmente responsável.
O lider nacionalista indiano, Mahatma Gandhi, tendo lido o texto de Thoureau em uma cadeia em Pretória, reconheceu a sua importância para o desenvolvimento de suas próprias idéias e da prática revolucionária conhecida como \"resistência passiva\". Mas percebeu também a necessidade de aprimorar o conceito de \"desobediência civil\" e optou por caracterizar o seu programa filosófico e político de resistência em termos da idéia de \"satyagraha\". O termo significa, em hindu, \"a dedicação à verdade\" ou \"a força da verdade\".
As idéias de Henry Thoureau também vieram influenciar profundamente as decisões do Presidente norte-americano Abraham Lincoln. Thoureau não obteve de seus contemporâneos o reconhecimento devido. Seus livros e escritos tiveram parca repercussão: conseguiu publicar, em vida, apenas dois livros (Walden, em 1854; Uma Semana nos rios Concord e Merrimack, em 1849).
A posteridade faria melhor julgamento do rebelde norte-americano: seus textos são hoje mais lidos e conhecidos do que os de seu mestre, Ralph Waldo Emerson, considerado o fundador do Movimento Transcendentalista. E a \"A Desobediência Civil\", longe de ter sua importância reconhecida apenas por Gandhi, continua não apenas a ser lido e traduzido, mas também lembrado freqüentemente cada vez que se repetem formas de lutas contra o poder estabelecido.
Henry David Thoureau (1817-1862) nasceu em Concord, no estado de Massachussets, e lá viveu a maior parte de sua vida. Apesar dos parcos recursos de que dispunha a família, obteve invejável educação humanista, particularmente no período em que estudou em Harvard (1833-1837), universidade que começou a freqüentar quando tinha dezesseis anos. Familiarizou-se com os clássicos gregos e latinos, que lia fluentemente no original, e com línguas modernas como o alemão, o francês, o espanhol e o italiano.
Foi freqüentemente visto por admiradores, amigos e inimigos como um rebelde marcado por hábitos excêntricos: em Harvard, insistia em usar manta verde, apesar do regulamento exigir dos alunos o uso de manta negra, e dizia ironicamente do que era, já na época, um avançado sistema de ensino universitário, que lá se ensinavam todos os \"ramos do conhecimento\", mas nenhuma de suas raízes. Nos textos de Thoureau, contudo, esse individualismo rebelde não deve ser entendido em termos de uma postura excêntrica e meramente negadora do social e do político. Trata-se antes do individualismo entendido no contexto do movimento literário conhecido como o \"Transcendentalismo Romântico\" norte-americano, caracterizado não apenas pela ênfase romântica no sentimento individual mais do que na razão, mas principalmente por uma postura política progressiva preocupada com reformas sociais e políticas a serem levadas a cabo a partir do indivíduo e não a partir do grupo social.
É esse indivíduo que tem como objetivo tanto a reforma de si mesmo como do social e do político que se torna constantemente presente nas páginas dos dois escritos mais célebres de Thoureau, Walden (1854) e \"A Desobediência Civil\" (1849). São ambos textos que se querem autobiográficos e que se apresentam ao leitor como experiências pessoais das quais o autor retira lições de sabedoria sobre como encontrar o melhor estilo de vida como indivíduo e como ser social.
A experiência individual descrita em Walden deriva da decisão de Thoureau de viver isoladamente, durante dois anos e dois meses (1845-1847), em uma cabana construída por ele mesmo às margens do Lago Walden, nas proximidades de Concord. O que seria visto, para muitos de seus contemporâneos, como nada mais do que a excentricidade de um eremita fugindo do social significaria, para Thoureau, a oportunidade para uma reflexão radical sobre o sentido de viver bem a vida humana em um momento histórico marcado pelos confortos e desconfortos de uma sociedade capitalista em fase de rápida urbanização e industrialização. A pergunta formulada constantemente em Walden diz respeito às necessidades básicas capazes de proporcionar ao homem moderno uma vida bem vivida.
Qual o sentido, por exemplo, de se identificar a vida bem vivida com o acúmulo excessivo de vestuário, moradia ou alimentos? São bem gastos o trabalho e a energia dedicados a tal acúmulo? Não poderia a vida ser melhor vivida com aquele mínimo de recursos materiais que tornasse possível o atendimento de necessidades do espírito contemplativo, como a leitura, a reflexão, a observação da natureza e o lazer? Nos dezoito ensaios que compõem Walden, o que Thoureau tenta demonstrar é que esse estilo de vida alternativo baseado, não no máximo, mas no mínimo necessário de produção e consumo, pode ser não apenas possível, mas melhor do que o estilo de vida atrelado às exigências do progresso industrial e urbano. Há, sem dúvida, um esforço necessário para a manutenção da vida: coletar alimentos naturais nos bosques, pescar, plantar e cultivar feijões, cortar lenha para o aquecimento da cabana no inverno.
Quando reduzido a um mínimo, o que tal esforço garante é uma forma equilibrada de viver bem, com tempo disponível para a vida contemplativa, para ler e escrever (inclusive as anotações diárias que seriam mais tarde transformadas no texto de Walden), para o lazer prazeroso e descompromissado, para observar a flora e a fauna locais, os sons e odores naturais dos bosques, a música do vento nos fios telegráficos, a passagem de uma estação para outra. É em meio a essa experiência de vida bem equilibrada nos arredores da lagoa de Walden que Thoureau vivencia ainda o episódio de vida pessoal motivador do que é o seu texto mais celebrado: \"A Desobediência Civil\".
Em uma tarde de 23 ou 24 de Julho de 1846, Thoureau recebe a visita do coletor de impostos e acaba sendo aprisionado quando se recusa a pagar o tributo devido. Sai da cadeia, no dia seguinte, quando um benfeitor ou benfeitora (provavelmente sua tia Maria) paga a dívida exigida por lei. Explicitar as razões que o levaram a não pagar impostos é o problema central tratado no ensaio. Para Thoureau, pagar os impostos seria um ato imoral porque significaria contribuir com um governo que patrocinava empreitadas injustas e desumanas como o projeto escravocrata e a guerra imperialista contra o México.
O ato de desobediência civil assim pensado tornava-se não apenas justificável, mas moralmente necessário e indispensável para o cidadão consciente de valores éticos desrespeitados, no caso, tanto pelo Estado como pela maioria da população em dia com seus tributos. Note-se que a definição de cidadania assim entendida legitima o indivíduo visto pelo Estado como um fora-da-lei e define como violadores de uma lei maior tanto o governo nacional quanto a maioria que o elegeu que lhe deu apoio. Essa lei maior é, para o adepto do Transcendentalismo, aquela lucidamente percebida e respeitada pela consciência particular do indivíduo que, para Thoureau, é mais importante e merece mais respeito do que a lei oficial produzida pelo consenso \"democrático\" da maioria e imposta ao povo pelo aparato de poder estatal.
Nesse contexto, como Thoureau argumenta em seu ensaio, uma minoria correta formada por uma só pessoa já é uma maioria moral, e se o Estado e o consenso majoritário decidem julgar como fora-da-lei e colocar na cadeia essa minoria moral e correta, então é justamente a cadeia que se torna o lugar adequado para os homens honestos. Como mostra o slogan característico da política liberal Jeffersoniana, citado já no primeiro parágrafo do texto (\"O melhor governo é o que governa menos\"), Thoureau privilegia a lei moral individual como fonte primeira do bem social e relega a segundo plano a função normalmente atribuída ao poder estatal de manter a ordem.
Para Thoureau, o governo é, ou deveria ser, nada mais do que um meio para um fim: o seu objetivo deveria ser pura e simplesmente cuidar da liberdade e do bem estar do povo. Quando o Estado se afasta de tal objetivo, escravizando a população negra ou fazendo guerra contra o México, por exemplo, deve ser efetiva e radicalmente questionado pelo cidadão consciente e moralmente responsável.
O lider nacionalista indiano, Mahatma Gandhi, tendo lido o texto de Thoureau em uma cadeia em Pretória, reconheceu a sua importância para o desenvolvimento de suas próprias idéias e da prática revolucionária conhecida como \"resistência passiva\". Mas percebeu também a necessidade de aprimorar o conceito de \"desobediência civil\" e optou por caracterizar o seu programa filosófico e político de resistência em termos da idéia de \"satyagraha\". O termo significa, em hindu, \"a dedicação à verdade\" ou \"a força da verdade\".
As idéias de Henry Thoureau também vieram influenciar profundamente as decisões do Presidente norte-americano Abraham Lincoln. Thoureau não obteve de seus contemporâneos o reconhecimento devido. Seus livros e escritos tiveram parca repercussão: conseguiu publicar, em vida, apenas dois livros (Walden, em 1854; Uma Semana nos rios Concord e Merrimack, em 1849).
A posteridade faria melhor julgamento do rebelde norte-americano: seus textos são hoje mais lidos e conhecidos do que os de seu mestre, Ralph Waldo Emerson, considerado o fundador do Movimento Transcendentalista. E a \"A Desobediência Civil\", longe de ter sua importância reconhecida apenas por Gandhi, continua não apenas a ser lido e traduzido, mas também lembrado freqüentemente cada vez que se repetem formas de lutas contra o poder estabelecido.

FRANCISCO DE ASSIS
\"Ó SENHOR! FAZEI DE MIM UM
INSTRUMENTO DA VOSSA PAZ\"
Foi batizado com o nome de Giovanni di Pietro di Bernardone tendo como data provável de nascimento, 26 de Setembro de 1182, na cidade de Assis, na Itália. Filho do Sr. Bernardone, um rico comerciante de tecidos em Assis, homem rústico e a Sra. Maria Pical, mãe muito delicada e generosa. Foi um jovem particularmente alegre, simpático, humano, sincero, sensível, dotado de um caráter nobre e de um certo galanteio. Era trovador e cantor (não profissional).
Trabalhava auxiliando o pai na loja de tecidos. Apreciava e desejava a posição de cavaleiro. Viveu numa época de fortalecimento da classe burguesa (à qual pertencia) frente à aristocracia, da economia monetária em detrimento dos feudos - o que ocasionou alguns conflitos entre Francisco e Bernardone.
Generoso com os pobres não se despedia deles com as mãos vazias. Em seus banquetes ordenava que se preparassem pratos a mais para os menos afortunados de Assis. Em resumo, era um jovem, alegre, fino, risonho e benquisto por todos, rodeado pela afortunada juventude para sonhar com o futuro, gastar dinheiro e cantar serenatas às damas. Quando estouraram as cruzadas se predispôs a participar, motivado pela glória das vitórias. Em 1201 os nobres desterrados em Perusa declararam guerra a Assis; Francisco, da mesma forma que seus companheiros, alistou-se no exército e pôs-se em marcha contra Perusa na planície de Espoleto.
No inverno de 1201, Francisco caiu prisioneiro na batalha de São José, sendo levado para Perusa, ficando numa prisão por longos meses na obscuridade que somente seu ânimo alegre, a disposição de seu temperamento e o gosto pelo canto, o salvaram do desespero. \"Como quereis que eu fique triste, sabendo que grandes coisas me esperam? Costumava dizer, em tom de brincadeira, ao seu amigo. No fim do ano foi libertado, e voltando novamente se entregou a seus saudosos divertimentos da juventude e atividades na casa de comércio de seu pai. Francisco era pródigo. Ele desejava doar, oferecer o que possuía de melhor. O fazia ofertando poemas, compartilhando alegria, doando afeto - fosse aos seus companheiros de festas, fosse a um mendigo.
Mas, convenceu-se de que a prodigalidade do trovador, do amigo, do homem de ricas esmolas não era o bastante. A máxima prodigalidade seria alcançada no despojamento de tudo, a paz íntima seria conquistada na rota da simplicidade. Daí, o lema que adotou: castidade, pobreza, obediência. O fluxo pródigo do amor, do bem querer, encontraria na simplicidade o veículo mais eficaz de manifestação e esta, na paz, o esteio.
Adoeceu de uma doença longa e misteriosa que enfraqueceu seu corpo, mas o tornou forte em pensamento, sobretudo, seu espírito. O jovem alegre e exuberante começou a escolher o silêncio e a solidão, distanciando-se do centro da cidade. Francisco dedicou-se ao serviço de doentes e pobres. Um dia do outono de 1205, enquanto rezava na igrejinha de São Damião, ouviu a imagem de Cristo lhe dizer: \"Francisco, restaure minha casa decadente\".
O chamado ainda pouco claro para Francisco foi tomado no sentido literal, vendeu as mercadorias da loja do pai para restaurar a igrejinha. Como resultado, o pai de Francisco, indignado com o ocorrido, deserdou-o. Com a renúncia definitiva aos bens materiais paternos, Francisco deu início à sua vida \"unindo-se à Irmã Pobreza\". Francisco percorreu as localidades vizinhas pregando o evangelho. Muitos começaram a compreender o sentido da sua vida, manifestando o desejo de seguí-lo. O primeiro foi o sábio e rico de Assis: Bernardo de Quintavale. Depois veio Egidio, muito piedoso.
Morico, dedicado aos leprosos, Bósboro, futuro missionário do oriente, Sobatino, Bernardo de Viridiante, João de Constância Angelo. Quando a primeira fraternidade formou-se em torno do casebre de Rivotorto, Francisco elaborou um regulamento de vida que não se completou e junto aos onze companheiros foi a Roma para por à apreciação do Papa. Inocêncio III, que se limitou a conceder uma aprovação oral, encarregando Francisco de pregar a todos a Penitência. Em 1212, a \"Fraternidade\", muito crescida, reforma a igreja de Porciúncola, perto de Assis e aí se estabelece.
O exemplo de Francisco é também seguido por Clara, e outra moças de Assis, que entusiasmadas pela vida e espiritualização dele, formaram posteriormente a Ordem Menor das Clarissas. Estimulado pelo desejo de testemunhar a Fé ao mundo inteiro, Francisco, tentara muitas vezes ir aos países não cristãos: parado por uma tempestade em 1211 perto da Dalmácia e por uma doença na Espanha em 1214, chegou ao Egito em 1219; obteve do sultão autorização de pregar, abrindo estradas para as grandes missões.
Retornando a Assis, em 1220, sofrido no físico e abatido no ânimo por notar incompreensões entre os frades durante sua ausência, Francisco renunciou ao cargo de Ministro Geral da Comunidade em favor do fiel companheiro Pietro Cattani. Em 29 novembro de 1223, Onório III aprova o regulamento da Ordem dos Frades Menores. Enquanto pregava no Monte Alverne, nos Apeninos, em 1224, apareceram-lhe no corpo as cinco chagas de Cristo, no fenômeno denominado \"estigmatização\". Os estigmas não só lhe apareceram no corpo, como foram sua grande fonte de fraqueza física.
Francisco de Assis viveu 44 anos, do inverno de 1181/82 até o crepúsculo do sábado 3 de outubro de 1226. O amor de Francisco tem um sentido profundamente universalista. Ele irmanou-se com todo o universo: foi irmão do sol, da água, das estrelas, dos animais e dos homens. O \"Cântico das Criaturas\", em que proclama seu amor a tudo que existe, é uma das mais lindas páginas da poesia cristã. Exemplo nítido de fraternidade, bondade e humildade, a grandeza de sua missão sempre ultrapassará todos os limites das palavras e referências escritas.
x
Foi batizado com o nome de Giovanni di Pietro di Bernardone tendo como data provável de nascimento, 26 de Setembro de 1182, na cidade de Assis, na Itália. Filho do Sr. Bernardone, um rico comerciante de tecidos em Assis, homem rústico e a Sra. Maria Pical, mãe muito delicada e generosa. Foi um jovem particularmente alegre, simpático, humano, sincero, sensível, dotado de um caráter nobre e de um certo galanteio. Era trovador e cantor (não profissional).
Trabalhava auxiliando o pai na loja de tecidos. Apreciava e desejava a posição de cavaleiro. Viveu numa época de fortalecimento da classe burguesa (à qual pertencia) frente à aristocracia, da economia monetária em detrimento dos feudos - o que ocasionou alguns conflitos entre Francisco e Bernardone.
Generoso com os pobres não se despedia deles com as mãos vazias. Em seus banquetes ordenava que se preparassem pratos a mais para os menos afortunados de Assis. Em resumo, era um jovem, alegre, fino, risonho e benquisto por todos, rodeado pela afortunada juventude para sonhar com o futuro, gastar dinheiro e cantar serenatas às damas. Quando estouraram as cruzadas se predispôs a participar, motivado pela glória das vitórias. Em 1201 os nobres desterrados em Perusa declararam guerra a Assis; Francisco, da mesma forma que seus companheiros, alistou-se no exército e pôs-se em marcha contra Perusa na planície de Espoleto.
No inverno de 1201, Francisco caiu prisioneiro na batalha de São José, sendo levado para Perusa, ficando numa prisão por longos meses na obscuridade que somente seu ânimo alegre, a disposição de seu temperamento e o gosto pelo canto, o salvaram do desespero. \"Como quereis que eu fique triste, sabendo que grandes coisas me esperam? Costumava dizer, em tom de brincadeira, ao seu amigo. No fim do ano foi libertado, e voltando novamente se entregou a seus saudosos divertimentos da juventude e atividades na casa de comércio de seu pai. Francisco era pródigo. Ele desejava doar, oferecer o que possuía de melhor. O fazia ofertando poemas, compartilhando alegria, doando afeto - fosse aos seus companheiros de festas, fosse a um mendigo.
Mas, convenceu-se de que a prodigalidade do trovador, do amigo, do homem de ricas esmolas não era o bastante. A máxima prodigalidade seria alcançada no despojamento de tudo, a paz íntima seria conquistada na rota da simplicidade. Daí, o lema que adotou: castidade, pobreza, obediência. O fluxo pródigo do amor, do bem querer, encontraria na simplicidade o veículo mais eficaz de manifestação e esta, na paz, o esteio.
Adoeceu de uma doença longa e misteriosa que enfraqueceu seu corpo, mas o tornou forte em pensamento, sobretudo, seu espírito. O jovem alegre e exuberante começou a escolher o silêncio e a solidão, distanciando-se do centro da cidade. Francisco dedicou-se ao serviço de doentes e pobres. Um dia do outono de 1205, enquanto rezava na igrejinha de São Damião, ouviu a imagem de Cristo lhe dizer: \"Francisco, restaure minha casa decadente\".
O chamado ainda pouco claro para Francisco foi tomado no sentido literal, vendeu as mercadorias da loja do pai para restaurar a igrejinha. Como resultado, o pai de Francisco, indignado com o ocorrido, deserdou-o. Com a renúncia definitiva aos bens materiais paternos, Francisco deu início à sua vida \"unindo-se à Irmã Pobreza\". Francisco percorreu as localidades vizinhas pregando o evangelho. Muitos começaram a compreender o sentido da sua vida, manifestando o desejo de seguí-lo. O primeiro foi o sábio e rico de Assis: Bernardo de Quintavale. Depois veio Egidio, muito piedoso.
Morico, dedicado aos leprosos, Bósboro, futuro missionário do oriente, Sobatino, Bernardo de Viridiante, João de Constância Angelo. Quando a primeira fraternidade formou-se em torno do casebre de Rivotorto, Francisco elaborou um regulamento de vida que não se completou e junto aos onze companheiros foi a Roma para por à apreciação do Papa. Inocêncio III, que se limitou a conceder uma aprovação oral, encarregando Francisco de pregar a todos a Penitência. Em 1212, a \"Fraternidade\", muito crescida, reforma a igreja de Porciúncola, perto de Assis e aí se estabelece.
O exemplo de Francisco é também seguido por Clara, e outra moças de Assis, que entusiasmadas pela vida e espiritualização dele, formaram posteriormente a Ordem Menor das Clarissas. Estimulado pelo desejo de testemunhar a Fé ao mundo inteiro, Francisco, tentara muitas vezes ir aos países não cristãos: parado por uma tempestade em 1211 perto da Dalmácia e por uma doença na Espanha em 1214, chegou ao Egito em 1219; obteve do sultão autorização de pregar, abrindo estradas para as grandes missões.
Retornando a Assis, em 1220, sofrido no físico e abatido no ânimo por notar incompreensões entre os frades durante sua ausência, Francisco renunciou ao cargo de Ministro Geral da Comunidade em favor do fiel companheiro Pietro Cattani. Em 29 novembro de 1223, Onório III aprova o regulamento da Ordem dos Frades Menores. Enquanto pregava no Monte Alverne, nos Apeninos, em 1224, apareceram-lhe no corpo as cinco chagas de Cristo, no fenômeno denominado \"estigmatização\". Os estigmas não só lhe apareceram no corpo, como foram sua grande fonte de fraqueza física.
Francisco de Assis viveu 44 anos, do inverno de 1181/82 até o crepúsculo do sábado 3 de outubro de 1226. O amor de Francisco tem um sentido profundamente universalista. Ele irmanou-se com todo o universo: foi irmão do sol, da água, das estrelas, dos animais e dos homens. O \"Cântico das Criaturas\", em que proclama seu amor a tudo que existe, é uma das mais lindas páginas da poesia cristã. Exemplo nítido de fraternidade, bondade e humildade, a grandeza de sua missão sempre ultrapassará todos os limites das palavras e referências escritas.
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CHICO XAVIER
\"A MENTE SIMPLES E LIVRE PRECISA
DE PAZ\" Foi no dia 2 de abril de 1910, em Pedro Leopoldo uma cidade
típica do interior de Minas Gerais que nasceu Francisco Cândido Xavier ou
simplesmente Chico Xavier. Seu pai, João Cândido Xavier era operário da fábrica
de tecidos e também trabalhava vendendo bilhetes de loteria para poder
sustentar a família que era imensa. Maria João de Deus era mãe de Chico, uma
mulher de muita fé, ensinando desde cedo aos oito filhos a cultivar a confiança
em Deus. Ela trabalhava muito lavando roupas para outras famílias, até que um
dia adoeceu gravemente e veio a falecer. João Cândido estava sem emprego e teve
que distribuir os filhos com os amigos e parentes, pois não tinha condições de
cuidar deles. Chico estava com 5 anos quando foi morar com Dona Rita (madrinha).
Desde o primeiro instante ele sentia o desprezo de sua madrinha. Dona Rita dava
surras em Chico com vara de marmelo, marcando seu corpo ainda pequeno com
tantos vergões e feridas. Aos 6 anos, Chico reencontra sua mãe desencarnada, no
quintal, debaixo das bananeiras; após contar o seu sofrimento, a sua mãe pede
que ele continue acreditando e tendo fé em Deus. Seu pai casa-se pela segunda
vez com Dona Cidália Batista, ela pede ao marido que vá buscar todos os seus
filhos para que possa cuidar de cada um. Dona Cidália ao ver o estado de Chico
cuida de suas feridas e promete que ninguém mais baterá nele e que, de agora em
diante, ele passaria a ser seu filho.
Chico começa a estudar aos 7 anos, mesmo com muitas dificuldades financeiras para se manter nos estudos, ele e sua querida mamãe plantavam e vendiam legumes e verduras. Ele contava para Cidália e para seu pai as suas visões dos irmãos do arco-íris.
Aos 10 anos ele se entregava a sua primeira profissão na Companhia de Fiação e Tecelagem Cachoeira Grande, fazendo assim com que seu pai parasse de implicar com as suas visões que, por muitas vezes, queria interná-lo num hospital psiquiátrico. Mesmo com o trabalho noturno Chico era um bom aluno e foi na escola que surgiram as primeiras manifestações da psicografia, quando recebeu uma menção honrosa por uma redação, dita segundo ele por um espírito.
Com a doença de sua irmã mais nova (Maria Xavier), que estava com a mente em desequilíbrio e os médicos não conseguiam curá-la ! Foi quando um casal espírita, José Hermínio Perácio e Carmem Perácio, realizou algumas sessões espíritas e ela ficou completamente curada. Dona Maria João de Deus (mãe de Chico) comunicou-se escrevendo através de Dona Carmem, dando conselhos à família.
Chico acompanhou todos os procedimentos e interessou-se pelo Espiritismo. Perácio explicou-lhe o que havia ocorrido com Maria e lhe apresentou dois livros de Allan Kardec: O Livro dos Espíritos e O Evangelho Segundo o Espiritismo. No dia 8 de julho de 1927, em uma reunião espírita, Dona Carmem Perácio ouviu um Espírito desencarnado dizendo-lhe para que aquele rapaz de apenas 17 anos tomasse o lápis e escrevesse. Chico obedeceu e um Amigo Espiritual lhe ditou 17 folhas de papel, as quais ele escreveu.
Em outra reunião, Dona Carmem viu um quadro mostrado pelos Espíritos. Do teto do Centro Luiz Gonzaga, estava \"chovendo livros\" sobre a cabeça de Chico. Somente mais tarde eles compreenderam que aquela imagem era para avisar da missão que Chico realizaria: a de escrever livros dos chamados \"mortos\". Chico Xavier iniciou então um intercâmbio com espíritos de todas as partes, para se aperfeiçoar na Doutrina dos Espíritos e desenvolver sua mediunidade. Em 1932, publicou o primeiro livro psicografado, Parnaso de Além-Túmulo, uma coletânea de 56 poesias ditadas por 14 nomes famosos no Brasil, com trabalhos que ele, como médium, nessa ocasião, recebeu de poetas já falecidos como Castro Alves, Olavo Bilac, Augusto dos Anjos e Artur Azevedo. Já contava, nessa ocasião, com a indispensável ajuda de Emmanuel, um Espírito, que um dia aparecendo para Chico disse que já o acompanhava há muito tempo, e indagou-lhe se estava resolvido a trabalhar na mediunidade com Jesus, recebendo mensagens dos espíritos desencarnados. Chico passou a chamar Emmanuel de \"instrutor espiritual que me orienta as faculdades mediúnicas\".
Ao longo de toda sua vida foram psicografados mais de 400 livros, obras de autores nacionais e estrangeiros (por ele traduzidos) que abrangiam todos os setores da cultura humana: poesia, romances, filosofia, ciências e principalmente espiritualidade e paz. Chico afirma com resignação e humildade: \"Não sou o autor dos livros. Os autores são os espíritos amigos\". Os direitos autorais dos livros - sempre de grande tiragem e publicidade em inglês, espanhol, francês, japonês, esperanto e outros idiomas - são cedidos às editoras espíritas e organizações assistenciais.
Sempre trabalhando para a sua sobrevivência, como operário, balconista e escriturário do Ministério da Agricultura. Chico dedicou todas suas horas livres aos outros. Passava a tarde e a noite inteiras a receber pessoas, a dar a cada uma delas uma palavra de consolo, depois que se aposentou. Sob a orientação de seus benfeitores espirituais, Chico Xavier transferiu-se em 1959 para Uberaba, no triângulo mineiro, por motivo de saúde (ele era portador de angina, problemas respiratórios graves e deficiência visual), passando a atender na Comunhão Espírita Cristã.
Aos sábados, Chico peregrinava pelos bairros pobres da cidade, para levar conforto e carinho aos lares mais carentes. Uma de suas psicografias aconteceu em 1979: o juiz aceitou o testemunho da vítima assassinada, que se pronunciou através de Chico Xavier, inocentando o réu e afirmando que tudo não passou de um acidente.
Foi a primeira vez na história do país que um documento espírita resolveu um caso jurídico. O médium, no entanto, sempre se declarou apenas um instrumento dos espíritos. Com fundamento na grande obra assistencial, pela sua extraordinária capacidade de amar, e pela vasta contribuição literária em favor da Paz e da espiritualização dos seres humanos, desenvolvida pelo médium, é que, em 1981, o deputado Freitas Nobre e o diretor de televisão Augusto Cezar Vanucci, encaminharam vasta documentação ao Instituto Nobel, na Suécia, para justificar uma indicação de Chico Xavier ao Prêmio Nobel da Paz. Nesta época, as entidades ajudadas por suas campanhas beneficentes e rendas autorais chegavam a duas mil. Sua indicação ao comitê para o prêmio Nobel da Paz foi acompanhada de 30 milhões de assinaturas do povo brasileiro.
São inúmeros hospitais psiquiátricos e casas de saúde orientadas pelas obras de André Luiz. As vítimas do \"fogo selvagem\" foram beneficiadas com a construção e manutenção do Hospital de Pênfigo, com a casa transitória da Federação Espírita do Estado de São Paulo, destinadas a velhos desamparados, a recuperação de adultos e ao auxílio de crianças carentes. Chico Xavier também atuou na recuperação de criminosos. Foram organizados grupos de voluntários para orientar os detentos condenados a penas longas, com o objetivo de preparar o seu retorno ao seio familiar.
A própria vida de Chico Xavier foi o maior testemunho de fraternidade que se conhece, eis que acolheu em seu imenso e puro coração religiosos e ateus, lenitivando-lhes, sem indagar-lhes a procedência, as aflições de que sejam portadores, enxugando-lhes as lágrimas, reanimando-lhes os corações, soerguendo-lhes as almas abatidas pelo desalento. \"Que homem é este que: doente, deu saúde a um incontável número de pessoas; pobre de bens materiais, consolou numerosos ricos; rico de bens espirituais, jamais esqueceu os pobres; sem poder humano, orientou e consolou poderosos; sem dinheiro, enriqueceu o século em que nasceu.
Que homem é este que, apesar dos sofrimentos que experimentou em toda a vida, ainda consegue: sorrir além do cansaço; servir apesar das doenças; sofrer sem reclamar; fazer o bem aos que lhe fazem o mal; orar pelos que o perseguem e caluniam; ajudar desinteressadamente; conversar com os animais; amar todos os seres. Seu nome é Chico, Chico Xavier, a paz que todo mundo quer. Francisco Cândido Xavier escolheu sabiamente o dia da sua morte.
Um dia em que o País transbordava de alegria, pois os brasileiros comemoravam a conquista do Penta no futebol. Era 30 de Julho de 2002 e o médium deitou-se às 19h20. Dez minutos depois o coração de um dos mais importantes homens do nosso tempo parou, serenamente, de bater.
Chico começa a estudar aos 7 anos, mesmo com muitas dificuldades financeiras para se manter nos estudos, ele e sua querida mamãe plantavam e vendiam legumes e verduras. Ele contava para Cidália e para seu pai as suas visões dos irmãos do arco-íris.
Aos 10 anos ele se entregava a sua primeira profissão na Companhia de Fiação e Tecelagem Cachoeira Grande, fazendo assim com que seu pai parasse de implicar com as suas visões que, por muitas vezes, queria interná-lo num hospital psiquiátrico. Mesmo com o trabalho noturno Chico era um bom aluno e foi na escola que surgiram as primeiras manifestações da psicografia, quando recebeu uma menção honrosa por uma redação, dita segundo ele por um espírito.
Com a doença de sua irmã mais nova (Maria Xavier), que estava com a mente em desequilíbrio e os médicos não conseguiam curá-la ! Foi quando um casal espírita, José Hermínio Perácio e Carmem Perácio, realizou algumas sessões espíritas e ela ficou completamente curada. Dona Maria João de Deus (mãe de Chico) comunicou-se escrevendo através de Dona Carmem, dando conselhos à família.
Chico acompanhou todos os procedimentos e interessou-se pelo Espiritismo. Perácio explicou-lhe o que havia ocorrido com Maria e lhe apresentou dois livros de Allan Kardec: O Livro dos Espíritos e O Evangelho Segundo o Espiritismo. No dia 8 de julho de 1927, em uma reunião espírita, Dona Carmem Perácio ouviu um Espírito desencarnado dizendo-lhe para que aquele rapaz de apenas 17 anos tomasse o lápis e escrevesse. Chico obedeceu e um Amigo Espiritual lhe ditou 17 folhas de papel, as quais ele escreveu.
Em outra reunião, Dona Carmem viu um quadro mostrado pelos Espíritos. Do teto do Centro Luiz Gonzaga, estava \"chovendo livros\" sobre a cabeça de Chico. Somente mais tarde eles compreenderam que aquela imagem era para avisar da missão que Chico realizaria: a de escrever livros dos chamados \"mortos\". Chico Xavier iniciou então um intercâmbio com espíritos de todas as partes, para se aperfeiçoar na Doutrina dos Espíritos e desenvolver sua mediunidade. Em 1932, publicou o primeiro livro psicografado, Parnaso de Além-Túmulo, uma coletânea de 56 poesias ditadas por 14 nomes famosos no Brasil, com trabalhos que ele, como médium, nessa ocasião, recebeu de poetas já falecidos como Castro Alves, Olavo Bilac, Augusto dos Anjos e Artur Azevedo. Já contava, nessa ocasião, com a indispensável ajuda de Emmanuel, um Espírito, que um dia aparecendo para Chico disse que já o acompanhava há muito tempo, e indagou-lhe se estava resolvido a trabalhar na mediunidade com Jesus, recebendo mensagens dos espíritos desencarnados. Chico passou a chamar Emmanuel de \"instrutor espiritual que me orienta as faculdades mediúnicas\".
Ao longo de toda sua vida foram psicografados mais de 400 livros, obras de autores nacionais e estrangeiros (por ele traduzidos) que abrangiam todos os setores da cultura humana: poesia, romances, filosofia, ciências e principalmente espiritualidade e paz. Chico afirma com resignação e humildade: \"Não sou o autor dos livros. Os autores são os espíritos amigos\". Os direitos autorais dos livros - sempre de grande tiragem e publicidade em inglês, espanhol, francês, japonês, esperanto e outros idiomas - são cedidos às editoras espíritas e organizações assistenciais.
Sempre trabalhando para a sua sobrevivência, como operário, balconista e escriturário do Ministério da Agricultura. Chico dedicou todas suas horas livres aos outros. Passava a tarde e a noite inteiras a receber pessoas, a dar a cada uma delas uma palavra de consolo, depois que se aposentou. Sob a orientação de seus benfeitores espirituais, Chico Xavier transferiu-se em 1959 para Uberaba, no triângulo mineiro, por motivo de saúde (ele era portador de angina, problemas respiratórios graves e deficiência visual), passando a atender na Comunhão Espírita Cristã.
Aos sábados, Chico peregrinava pelos bairros pobres da cidade, para levar conforto e carinho aos lares mais carentes. Uma de suas psicografias aconteceu em 1979: o juiz aceitou o testemunho da vítima assassinada, que se pronunciou através de Chico Xavier, inocentando o réu e afirmando que tudo não passou de um acidente.
Foi a primeira vez na história do país que um documento espírita resolveu um caso jurídico. O médium, no entanto, sempre se declarou apenas um instrumento dos espíritos. Com fundamento na grande obra assistencial, pela sua extraordinária capacidade de amar, e pela vasta contribuição literária em favor da Paz e da espiritualização dos seres humanos, desenvolvida pelo médium, é que, em 1981, o deputado Freitas Nobre e o diretor de televisão Augusto Cezar Vanucci, encaminharam vasta documentação ao Instituto Nobel, na Suécia, para justificar uma indicação de Chico Xavier ao Prêmio Nobel da Paz. Nesta época, as entidades ajudadas por suas campanhas beneficentes e rendas autorais chegavam a duas mil. Sua indicação ao comitê para o prêmio Nobel da Paz foi acompanhada de 30 milhões de assinaturas do povo brasileiro.
São inúmeros hospitais psiquiátricos e casas de saúde orientadas pelas obras de André Luiz. As vítimas do \"fogo selvagem\" foram beneficiadas com a construção e manutenção do Hospital de Pênfigo, com a casa transitória da Federação Espírita do Estado de São Paulo, destinadas a velhos desamparados, a recuperação de adultos e ao auxílio de crianças carentes. Chico Xavier também atuou na recuperação de criminosos. Foram organizados grupos de voluntários para orientar os detentos condenados a penas longas, com o objetivo de preparar o seu retorno ao seio familiar.
A própria vida de Chico Xavier foi o maior testemunho de fraternidade que se conhece, eis que acolheu em seu imenso e puro coração religiosos e ateus, lenitivando-lhes, sem indagar-lhes a procedência, as aflições de que sejam portadores, enxugando-lhes as lágrimas, reanimando-lhes os corações, soerguendo-lhes as almas abatidas pelo desalento. \"Que homem é este que: doente, deu saúde a um incontável número de pessoas; pobre de bens materiais, consolou numerosos ricos; rico de bens espirituais, jamais esqueceu os pobres; sem poder humano, orientou e consolou poderosos; sem dinheiro, enriqueceu o século em que nasceu.
Que homem é este que, apesar dos sofrimentos que experimentou em toda a vida, ainda consegue: sorrir além do cansaço; servir apesar das doenças; sofrer sem reclamar; fazer o bem aos que lhe fazem o mal; orar pelos que o perseguem e caluniam; ajudar desinteressadamente; conversar com os animais; amar todos os seres. Seu nome é Chico, Chico Xavier, a paz que todo mundo quer. Francisco Cândido Xavier escolheu sabiamente o dia da sua morte.
Um dia em que o País transbordava de alegria, pois os brasileiros comemoravam a conquista do Penta no futebol. Era 30 de Julho de 2002 e o médium deitou-se às 19h20. Dez minutos depois o coração de um dos mais importantes homens do nosso tempo parou, serenamente, de bater.
Vemos que a paz suscita caminhos e
interpretações dentre seus maiores exemplos ou homens e mulheres que viram na
paz o motivo de suas vidas e esforços, todos precisamos de paz para viver,
dormir e sonhar, e despertar no novo dia para se esforçar novamente pelo bem de
todos e do Universo.
Falamos
agora do Zeitgeist e assim vamos mais longe no comportamento, seguindo a
seguinte fórmula:
EMBRIOLOGIA
+ NASCIMENTO + DESENVOLVIMENTO = ZEITGEIST (clima cultural e intelectual da
época).
Certamente estamos indo mais adiante
no comportamento, pois o Zeitgeist não obedece exclusivamente às leis do condicionamento,
da equivalência de estímulos ou dos quadros relacionais, ou seja, vai mais
além e ultrapassa-as seguindo adiante
para o clima cultural e intelectual que se tornam função da história de vida ou
da embriologia, do nascimento e do desenvolvimento de cada um de nós.
Os
ritos do trabalho, da economia e da globalização da economia, da tecnologia,
do consumo, da
informação e da liberdade, inclusive diante dos nossos caminhos e das nossas
trincheiras e das descobertas ligadas ao
Zeitgeist que é o clima cultural e intelectual de uma época, que fazem parte dos processos da adaptação e
da Trajetória da Vida, dos Monstros e dos Heróis, segundo o Cognitivismo de
Mattanó que apresenta-se primeiro no período Sensório-Motor (0 a 2 anos) onde a a criança se
integra com ambiente pela imitação das regras e assim, mesmo que compreenda
algumas palavras no final deste período só será capaz da fala imitativa, deste
modo seu comportamento e sua adaptação as conseqüências apresentar-se-ão pela
imitação, seu contentamento poderá ser seu primeiro episódio manifesto de
transcendência, através dos seus Heróis ela adquirirá a fala imitativa. No
período Pré-Operatório (2 a
7 anos) acontece o aparecimento da linguagem e assim modificações nas aspectos
intelectual, afetivo e social da criança, o pensamento se acelera, surgem
sentimentos inter-individuais como o respeito pelos que julga seus superiores,
um misto de amor e temor, a moral da obediência, deste jeito o sofrimento e o
contentamento, o trabalho e a economia e a globalização já fazem significado e
sentido, estará a aprender o seus conceitos que
se modificam através da obediência, a obediência, o respeito e o amor
trazem parte da transcendência que ficarão marcados em sua memória, ou seja, em
sua adaptação, através de seus ritos com a linguagem e intelectualidade, afetividade
e vida social ela experimentará sentimentos inter-individuais e
compreenderá a obediência, a obediência
é fundamental para a prática dos ritos e dos Heróis. No período de Operações
Concretas (dos 7 aos 11 anos) onde a criança começa a usar a lógica e o
raciocínio de modo elementar, o sofrimento e o contentamento se dão de modo lógico e elementar, a transcendência depende agora do raciocínio
lógico e elementar, haverá aqui não somente significado, sentido mas
também conceito de trabalho, economia e
globalização para a criança, seus Heróis adquirem elementos e lógica,
raciocínio, seus ritos também, o domínio completo se dá no último estágio, o de
Operações Formais (após os 12 anos), aqui o sofrimento e o contentamento, o
trabalho, a economia e a globalização tornam-se hipotéticos-dedutivos, a
transcendência aplica-se hipotética-dedutivamente, seus Heróis tornam-se
hipóteses e deduções, abstrações, e seus rituais também. Pode-se dizer que após
os 12 anos surge o pensamento hipotético-dedutivo, que lhe proporciona ser
capaz de deduzir as conclusões de puras hipóteses e não apenas da observação
real compreendendo seus problemas e os dos outros como a indecência sexual,
moral, mental, física, social e/ou pública, coisas objetivas e subjetivas,
porém após os 60 anos de idade o indivíduo poderá começar a apresentar demência
e outras doenças que diminuirão sua capacidade hipotética-dedutiva surgindo
novos e velhos problemas ligados à decadência física, mental, moral, sexual,
social e pública, a transcendência decai cognitivamente, seus Heróis são
afetados pela decadência e pela generosidade, seus rituais também. Assim a
indecência liga-se ao fato de o sujeito descobrir em si à capacidade
hipotética-dedutiva e fazer mal uso dela, por exemplo como bullying ou incentivo
de violência como o bullying na escola, na igreja, no trabalho, na política, na
família, nas amizades, etc.. Deste modo finalizo que pode haver uma nova fase
Cognitiva da 3ª Idade onde decaem suas forças físicas e intelectuais, sendo
contudo mais vítima do que agressor por causa da demência e decadência
existencial, aqui o sofrimento e o
contentamento, o trabalho, a economia e a globalização podem reencontrar a
demência. Devemos entender ainda que haja diferenças entre bullying e demência
ou alienação mental, no bullying a pessoa é consciente e na demência e
alienação mental a pessoa é incapaz de lidar com seu mundo adequadamente e por
isso deve ser protegida pelo Estado, pela sociedade e pela família. A demência
e alienação mental podem ocorrer em qualquer fase cognitiva, desde bebê até a
morte, devo salientar isto. Assim o rito onde há sofrimento e o contentamento é
imitativo no primeiro período, depois surgem sentimento inter-individuais e de
respeito e de obediência, depois no terceiro período a criança usa a lógica e o
raciocínio para elaborar o sofrimento e o contentamento e adaptação,
depois é capaz de efetuar conclusões de
puras hipóteses que lhe permitam elaborar o luto e finalmente na 3ª Idade na demência
e da decadência e/ou na alienação a pessoa perde ou começa a perder contato com
a realidade objetiva, ou seja, com o mundo real, sua cognição se volta para a
demência, decadência, alienação e confusão mental e morte. Contudo não estamos
a salvo dos Monstros, enfim... Nestas últimas Fases Cognitivas ficarão as
informações marcadas na memória e assim será a sua adaptação de 3 formas:
fisiológica, morfológica e comportamental.
Os Monstros pelo Cognitivismo emergem
durante o desenvolvimento infantil em processos cognitivos apresentados em
estágios:
1º) Inteligência sensório-motora (0 aos 18
meses): pela natureza da sua intelectualidade ser sensorial e motora e a sua
linguagem ser imitativa no final deste estágio, a criança processará seus
Monstros sensorialmente e motoramente pela inteligência que é anterior a
linguagem e independe dela mostrando-se ser imitativa a linguagem e talvez a
inteligência até o final deste estágio, assim ela depende da imitação, da
atenção, da discriminação e das ordens emitidas pelos seus cuidadores a ela, recurso
para lidar com seus Monstros como o egocentrismo e por se desenvolver através
do processo desconhecer-se conhecer-se gradualmente pela inteligência
sensório-motora imitativa. Seus Monstros são a fome, a sede, a higiene, os
cuidados maternos, os sons do ambiente externo e os que emite vocalmente
chorando, balbuciando, gritando, imitando, o calor, o frio, a dor, a sua
afetividade, o seu mundo psíquico e relacional intra-objetalmente e
extra-objetalmente, estes são seus principais Monstros deste estágio. Neste
estágio não existem Monstros ligados ao trabalho, a economia e a globalização,
nem diante dos nossos caminhos e das nossas trincheiras e em relação ao
zeitgeist, pois a criança depende totalmente dos pais.
2º) Inteligência intuitiva ou
pré-operacional (dos 2 aos 6 anos): aparece neste estágio a capacidade
simbólica (imagens ou palavras) que representam o não-presente, surgindo então
imagens ou palavras que se causarem desiquilíbrio cognitivo serão Monstros.
Outros Monstros estarão associados ao egocentrismo, a centralização, ao
animismo, ao realismo nominal, aos problemas com a classificação, a inclusão de
classe e a seriação apresentando dificuldades e incapacidades que a levarão ao
encontro de outros Monstros como a incapacidade de se colocar noutro ponto de
vista, de relacionar diferentes aspectos de uma situação, de atribuir vida aos
objetos, de pensar que o nome faz parte do objeto, dos problemas de agrupamento
com base no tamanho, forma ou cor, da dificuldade de entender que uma coisa
pode pertencer a outra coisa, e das dificuldades de ordenação e seriação. Cada
problema destes pode ser um Monstro se a criança não se desenvolver
adequadamente até o próximo estágio. A memória vai sendo assimilada e acomodada
pela Adaptação Pré-operacional. Começam a surgir os primeiros Monstros ligados
ao trabalho, a economia e a globalização de modo significado e sentido e não como conceitos, inclusive
diante dos nossos caminhos e das nossas trincheiras e em relação ao zeitgeist.
3º) Operações concretas (dos 7 aos 11
anos): os Monstros tornam-se menores pois a criança consegue usar a lógica e o
raciocínio de modo elementar, mas só a objetos concretos. Compreende
quantidades, inclusão de classe e termos de relação como maior, menor, direita,
esquerda, mais alto, mais largo, etc.. Os Monstros começam a serem dominados
até o último estágio. A memória vai sendo assimilada e acomodada pela Adaptação
Concreta. Os Monstros são menores pois passam a serem conceituados, eles
ligados ao trabalho, a economia e a globalização, inclusive diante dos nossos
caminhos e das nossas trincheiras e em relação ao zeitgeist.
4º) Operações formais (após os 12 anos):
com o pensamento hipotético-dedutivo será capaz de deduzir as conclusões de
puras hipóteses e não apenas e através da observação real compreendendo os seus
Monstros e os dos outros seres humanos e coisas do mundo objetivo e subjetivo
até o fim da vida. A memória já é parte da Adaptação Formal. Seus Monstros
serão suas hipóteses e suas deduções como significados e sentidos até que
encontrem os conceitos e deixem de serem Monstros, inclusive diante dos nossos
caminhos e das nossas trincheiras e em relação ao zeitgeist.
5º) Operações finais (após os 60 anos):
que apresentará em casos processos de demência ou outras doenças que tornarão
difícil a vida hipotética-dedutiva onde surgirão velhos e novos Monstros como a
decadência física, mental e social. A memória enfrenta os processos das
Operações Finais com decadência e demência afetando a Adaptação Final,
inclusive diante dos nossos caminhos e das nossas trincheiras e em relação ao
zeitgeist.
A Educação devemos lembrar tudo resolve,
seja nossos Monstros, seja nossas guerras, sejas nossos problemas cognitivos –
a Educação tudo resolve! A Educação prepara para o Trabalho, para a Economia e
para a Globalização, inclusive diante dos nossos caminhos e das nossas
trincheiras e para as descobertas
ligadas ao Zeitgeist que é o clima cultural e intelectual de uma época,. A
Educação cria e mantêm e pode modificar nossos rituais de iniciação e de
passagem e assim nossa Trajetória da Vida, dos Monstros e dos Heróis.
A Trajetória dos Heróis é assim seguida:
1.
A concepção e o herói
2.
O chamado pode ser recusado
3.
As forças se unem para o bem-aventurado
4.
A travessia: se consumir
5.
Ser engolido e consumido
6.
O caminho obtuso
7.
O encontro com a deusa
8.
A mulher como tentação
9.
A relação com o pai
10.
A apoteose
11.
A última graça
12.
A difícil volta
13.
A magia nas decisões
14.
O resgate sobrenatural
15.
Os limites da volta
16.
Agora são dois mundos
17.
E a liberdade para se viver e ensinar a
viver
A
Liberdade para Se Viver e Ensinar a Viver é o objetivo final da evolução
cognitiva, ela só vem através da Educação.
A Educação, inclusive diante dos nossos caminhos e
das nossas trincheiras e nas descobertas
ligadas ao Zeitgeist que é o clima cultural e intelectual de uma época, é fruto da adaptação que evoca a
transcendência fase-a-fase cognitiva da vida, para lidarmos com as misérias com
a caridade e o trabalho e suas conseqüências como a exploração e o abuso, a
violência, os crimes e as guerras, os horrores, os holocaustos, as barbáries,
os medos, os temores, as doenças biológicas, ecológicas, físicas, químicas,
psíquicas, sociais, filosóficas e/ou espirituais para evocarmos a religiosidade
e assim Deus e o sentimento de renascimento que nos faz renovar nossas
esperanças e modos de vida e termos fé e um olhar para o futuro ou no amanhã,
um desejo de cuidar de nossos filhos e assim até o fim!
Então
podemos dizer que pela Educação chegamos ao conhecimento, ao saber, a Adaptação
Cognitiva e assim dos Processos Cognitivos da Adaptação e seus Desenvolvimentos
como a fase em que há Liberdade para Se Viver e Ensinar a Viver e deste modo a
uma Nova Teoria Sobre o Apocalipse, ao um poder haver o Apocalipse Universal
com o fim do Universo , da vida e dos Saberes e das Ciências através do Teoria
do Descontrutivismo Físico Mattanoniano, mas através do Construtivismo Físico
Mattanoniano continuará havendo o Universo e a vida, as Ciências e ao Saberes
pois não haverá os outros ¨big-bangs¨ ou ação de Deus ou do Homem através da
Oração e de Deus e da Fé ou mesmo através da Ciência e da Física pondo fim ao
nosso Universo, e até o Demônio poderia arruinar o Universo e a Vida e aos
Saberes e a Ciência e também a si mesmo se afundando e deixando de exercer
valor e influência e até mesmo deixando de existir através desses princípios
teóricos e Bíblicos que por sinal fazem parte do nosso tempo e da minha vida.
Através da Adaptação tudo pode ser transformado e/ou mudado, começado,
terminado ou re-começado como exemplo, o Universo, o Apocalipse Universal! O
Amor de Deus salva-nos restando o
Paraíso e o nosso sentimento de renascimento e de salvação diante das
dificuldades e problemas agora até mesmo Universais! O Apocalipse trata também
do fim da vida pessoal, social e pública
como já sabíamos através da Igreja Católica.
O
Homem trabalha para conceituar seus significados e seus sentidos e encontrar a
solução para suas hipóteses e deduções, não há provação que dure por tanto
tempo, não conseguimos abandonar a nossa Cruz, e assim gerar seus bens,
desenvolvido cognitivamente, o que lhe garante a capacidade de formular e
descobrir conceitos para suas hipóteses e deduções como esperança de um dia
melhor para não desanimar e ter forças para trabalhar. Nosso trabalho obedece a
rituais advindos da Trajetória da Vida, dos Monstros e dos Heróis, sobre esta
última sabemos que começa com A Concepção e o Herói (Inteligência
sensório-motora) – O Herói é concebido e vive, e vai prosseguindo para A
Travessia: Se Consumir (Inteligência pré-operacional) e (Operações Concretas) –
O Herói se descobre e vai se descobrindo, até chegar a Liberdade para Se Viver
e Ensinar a Viver (Operações Formais) e (Operações Finais) – O Herói aprende a
especular, a tirar conclusões de puras hipóteses e no fim de sua vida torna-se
generoso e depois decai com suas forças físicas e psíquicas, com sua demência e
sua Crise Final, porém pode haver diferenças entre os tipos de pessoas e de
personalidades, resistindo assim o Herói a ação do tempo, inclusive diante dos
nossos caminhos e das nossas trincheiras e diante das descobertas ligadas ao Zeitgeist que é o
clima cultural e intelectual de uma época.
Se
descobrir é descobrir-se em meio a rituais de iniciação e de passagem
durante a Trajetória da
Vida, dos Monstros e dos Heróis chegando ou não a liberdade para se viver e
ensinar a viver, inclusive diante dos nossos caminhos e das nossas trincheiras
e diante das descobertas ligadas ao Zeitgeist que é o clima cultural e
intelectual de uma época.
Contudo
temos Osny Mattanó Júnior e sua Teoria Espiritualizada que se interessa pelo
normal e pelo anormal, pelo pecado e pelo patológico, que prega que não há
descontinuidade na vida mental, que existem 3 leis para o inconsciente: o
niilismo, o condensamento e o deslocamento, e que assim a resposta existe,
mesmo que seja niilista e que suas causalidades são provocadas por intenção ou
por desejo da pessoa. A maior parte do funcionamento mental da pessoa se passa
fora da consciência. A atividade mental inconsciente desempenha um papel
fundamental na produção das causalidades, inclusive diante dos nossos caminhos
e das nossas trincheiras.
Sobre a energia vital, ela, passa
agora a ser a comunhão e não a libido, a comunhão tem um papel maior do que a
libido na Trajetória da Vida, dos Monstros, dos Heróis e dos Escravos, na
história de vida e nos contextos, porém a libido também permanece como catexia.
A quantidade de catexia que se liga
ou se dirige a representação mental da pessoa ou coisa depende do desejo, do
investimento.
Catexizamos lembranças, pensamentos
e fantasias do objeto – após termos pensado pela primeira vez segundo os
impulsos do id teremos lembranças, pensamentos e fantasias como as conhecemos.
O refluxo permite e independência, e
a regressão é o retorno a uma instância de gratificação mais remota.
O funcionamento psíquico ocorre de
duas maneiras: os processos primários e os processos secundários. Nos processos
primários há a descarga da catexia e nos processos secundários há a capacidade
de retardar a descarga da energia psíquica. A passagem do primário para o
secundário é gradual e assim vai se formando o ego do sujeito para a vida toda.
Falamos aqui de um novo modelo de
energia psíquica construído a partir da comunhão que se torna mais forte do que
a libido na vida e na representação das pessoas, pois existe um sentimento
universal de comunhão partilhado, permanente, diariamente em encontros e
estados de consciência e de solidão, como em cerimônias, hábitos, tradições,
discursos, ritos, mitos, programas de mass mídia, igrejas, fenômenos,
celebridades e autoridades que constantemente fazem alusão à comunhão, a
partilha, a acolhida, a paz, a misericórdia, ao perdão, ao amor e a Deus.
Percebemos que até certa altura da
vida gostamos de falar e de praticar sexo, mas com o tempo as coisas vão
mudando e mudamos, percebemos que gostamos de falar a praticar a comunhão desde
o nascimento e com o tempo muito dificilmente a situação muda, ou seja,
dificilmente deixamos de praticar a comunhão até a morte! Isto acontece, a comunhão,
em todos os ambientes, mas o sexo não flui em todos os ambientes e situações
como em igreja e relações com o crime, ou em locais públicos, a não ser que te
violentam e te forcem cruelmente ou te estuprem! Existe crime no sexo, mas não
existe crime na verdadeira comunhão!
A
EMBRIOLOGIA + O NASCIMENTO + O DESENVOLVIMENTO (DE JESUS CRISTO) = ZEITGEIST
(clima cultural e intelectual da época de Jesus Cristo que permanece para
sempre progressivamente).
Se
descobrir é descobrir-se efetuando e reciclando-se em rituais de iniciação e de
passagem e poder trabalhar, ter economia, bens e mercadorias, viver o
consumismo de forma saudável e hoje, viver e poder usufruir da globalização e
dos seus direitos, deveres, obrigações e privilégios, inclusive aos da
cidadania e da Justiça, que devem estar pautados na Vida e na Paz e na promoção
da Justiça Social para que possamos alcançar a Liberdade para Se Viver e
Ensinar a Viver, inclusive diante do Zeitgeist, como forma de desfrutarmos e
vivermos aprendendo com os nossos processos cognitivos!
É
através da Liberdade para Se Viver e Ensinar a Viver que o Zeitgeist, que é o
clima cultural e intelectual da época, torna-se libertador e o indivíduo pode
viver e ensinar a liberdade, seja através do inconsciente, das contingências,
dos arquétipos, da escola, das relações sociais, da aprendizagem, da
auto-atualização, da auto-realização, da gestalt, da superioridade, da
institucionalização, do trabalho, etc. É o Zeitgeist o responsável tanto pelo
clima de paz como pelo clima de violência e de guerra, o ser humano apenas faz
a gestão desses fenômenos. Covardia ou humanidade depende do Zeitgeist que
paulatinamente modelará a mente e o comportamento de cada indivíduo, tornando-o
mero reprodutor de seu meio ambiente. Os caminhos ou as trincheiras serão
consequência do Zeitgeist, ou seja, do clima cultural e intelectual da época,
porém também da espiritualidade quando nos referirmos aos caminhos traçados por
Deus e por Nossa Senhora, assim sendo falamos do Zeitgeist Espiritual.
Osny
Mattanó Júnior
Londrina,
15 de dezembro de 2016.
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