domingo, 6 de novembro de 2016

CONTO DOS DOIS MENINOS POBRES (2016) OSNY MATTANÓ JÚNIOR.

OSNY MATTANÓ JÚNIOR









CONTO DOS DOIS MENINOS POBRES








06/11/2016





CONTO DOS DOIS MENINOS POBRES.

CAP. 1
         Os dois meninos pobres eram, um índio e o outro, um filho de traficantes... eles viviam no mesmo país e não se conheciam mas conheciam as mesmas leis, os mesmos acertos e os mesmos erros, os mesmos sorrisos e as mesmas lágrimas.
         O pequeno índio experimentava em sua vida calma e morna, sem muitas obrigações e nem a violência da cidade ou da zona rural, uma experiência que todas as crianças sonhavam, participar de campanhas de grandes ídolos do mundo da música e do cinema sem que tivesse que se esforçar, mas apenas se pintar e trajar para a ¨guerra¨.
         O menino filho de traficantes já em sua vida experimentava as consequências do erro de seus pais, como tudo o que foi perdendo, como a paz e a liberdade, as experiências saudáveis e educativas, em função disto e do tráfico, nunca fora escolhido para participar de campanhas de grandes ídolos do mundo artístico, mas apenas pelo tráfico para traficar e aguentar as consequências penosas.
         Os dois meninos pobres se assustavam com a escuridão, com os cemitérios, com os monstros e fantasmas, mas eram diferentes justamente porque viviam em contextos diferentes.
CAP. 2
         Os políticos tinham o dever e a obrigação de oferecer os mesmos direitos e privilégios para os dois meninos pobres, mas não era isso o que acontecia.
         O pequeno indígena também ficava alienado em sua comunidade como forma de controla-lo e a sua comunidade, de não deixa-los participarem da vida social e política do seu país, pois a corrupção alienava o trabalho dos políticos levando-os a livrarem a população dos indígenas.
         E o menino traficante não era diferente, também ficava alienado em sua comunidade como meio de exercer controle sobre ele e sua comunidade, como forma de excluí-los da vida social e política da sua nação mantendo-os na criminalidade e na violência, como forma de manter a corrupção e a alienação política e assim excluírem os mais pobres e marginalizados.
CAP. 3
         Os educadores e professores, por outro lado, quando têm que educar crianças indígenas encontram condições ambientais e escolares, das escolas e dos estudantes e seus pais, muitas vezes, muito humildes e simples onde têm que se esforçar muito mais para driblar a escassez de recursos, pois a corrupção impede que se leve educação e escolas de qualidade a todos, preferem uma pátria de alienados do que de conscientizados.
         E no tocante ao filho do traficante os educadores e os professores, também encontram dificuldades pois para levar educação até eles tem que subir o morro ou passar pela favela, por áreas de grande perigo onde até ocorrem tiroteios e assassinatos, execuções, pois assim é mais fácil controlar essa parcela da população mantendo-a alienada e ignorante ao saber e ao conhecimento, a educação e ao trabalho, mantendo-os no tráfico e no ilegal e na violência cruel e desumana, não devemos deixar nossas escolas morrerem, devemos proteger nossas crianças e suas famílias e não deixa-las morrerem.
CAP. 4
         Os cientistas concordavam que o pequeno índio era mais calmo do que o menino filho de traficantes porque ele vivia num meio ambiente diferente, num outro contexto, e assim se adaptava melhor ao meio ambiente, sem sofrimento e sem violência, porém ambos sofriam da alienação imposta pela corrupção no seu país, corrupção que não vinha apenas de suas autoridades mas de toda a sociedade que sempre aceitava facilidades ao invés de exercer o direito, dever, obrigação e privilégio em suas ações, conquistas e favores, os cientistas concordavam que essa gente cometia crimes todos os dias e que não eram punidos devido a corrupção e a violência, os cientistas concordavam que eram perseguidos porque sabiam a saída dos problemas em seu país.
CAP. 5
         Já os Psicólogos observaram que o pequeno índio era muito inteligente naturalisticamente e muito adaptado ao meio ambiente e o menino filho de traficantes pouco inteligente naturalisticamente e mal adaptado ao seu meio ambiente pois tinha muitos problemas e sofrimentos com a violência, fenômenos que não ocorriam no ambiente do índio, mas notaram que para lidar com tecnologias o pequeno indígena era inferior ao outro que aprendia rapidamente e era hábil, emocionalmente eram semelhantes e socialmente variavam conforme o contexto, sabiam que investiam pouco na educação psicológica de ambos os meninos pois eram discriminados pela sociedade e eram objeto de bullying na escola, certamente as autoridades mantinham estas regras para controla-los e domina-los cada vez mais.

CAP. 6
         No encontro com os Médicos as avaliações foram um pouco diferentes entre os dois meninos. O índio revelou potencial para doenças prevenidas nos meninos das cidades com a vacinação, os indígenas eram, neste grupo, excluídos pois viviam isolados e portanto não tinham contato com a população das civilizações, mas percebeu-se que o menino filho de traficantes era mais fraco e mais doente que os outros meninos de sua idade em função das drogas e das condições ambientais em que vivia, os dois meninos deveriam continuar com acompanhamento médico durante seu desenvolvimento e crescimento para se prevenirem e diagnosticarem o que for possível e acessível, ficou claro que há diferenças entre os dois meninos e entre seus estilos de vida, nos contextos, verdade, em função das decisões das autoridades que insistem em separar as diferentes realidades de nosso país, segregando-o e as suas pessoas, criando guetos e brigas ou guerras que nunca deveriam ter começado se não fossem as diferentes realidades impostas por autoridades que se subtraem do corpo social, se autoexcluindo com leis e projetos de leis que os protejam em seus crimes e erros como quando cometem erros e faltas no trabalho castigando doentes e pessoas que sofrem atentados contra o corpo, a sexualidade e a saúde como que cobaias humanas de suas vontades de vê-los todos nus e sofrendo tortura aprisionados até que os prendam em outro lugar pior que causa violência maior e até suas mortes como fazem comigo e com minha família há uns 30 anos. As autoridades corruptas criam estas realidades para roubar os cofres públicos e dominarem as pessoas  com seus erros criando crimes onde só há nada e, as vezes, pecado! Os Médicos estavam lidando com um novo tipo de doenças onde não havia coisa alguma mas para essas autoridades havia muita coisa, muito crime onde no máximo só havia nada e/ou pecado e silêncio! Os Médicos estavam com suas profissões ameaçadas e desumanizadas por essas autoridades violadoras de intimidades e de privacidades, de saúde e de vida, de silêncio e de paz e ordem, e sossego!

CAP. 7
         Os antropólogos também viram-se ameaçados pois conheciam as diferenças entre os dois meninos, o índio era mais natural e menos tecnológico e o dos traficantes era mais artificial e mais tecnológico, porém a questão do silêncio e do ter ou não direito a não fazer coisa alguma incomodava aos antropólogos pois estaria o ser humano evoluindo a um estágio onde não conseguiria mais parar e nem descansar ou deixar de trabalhar, nem mesmo quando está dormindo e sonhando? Os antropólogos só perceberam isto porque as autoridades sondavam esse novo tipo de atitude política como fim de legitima-la fazendo experiências em cobaias humanas onde o menino índio sentia medo pois também era tratado com hostilidade e o menino dos traficantes sentia medo e ódio pois era  tratado com medo e hostilidade pelas autoridades, isto certamente para as autoridades  dominaram as pessoas e se ausentarem de suas responsabilidades, escapando à corrupção e a imoralidade como faziam com a vida da família cobaia humana que nenhuma autoridade  resolvia definitivamente seus problemas sem mais prejudica-los e ameaça-los a vida, a liberdade, o patrimônio, a família e a saúde. Os dois meninos também sabiam disto mas eram indiferentes pois as autoridades também eram indiferentes concluíram os antropólogos!

CAP. 8
         Os sociólogos voltaram-se para as relações de poder e entenderam que o menino índio para adquirir poder teria que passar pelos rituais de sua tribo e para o menino filho de traficantes adquirir poder ele também teria que passar por rituais, mas como seriam estes rituais. Os indígenas eram de caça e luta, dança, e os dos traficantes de lealdade aos demais traficantes empunhando uma arma e até assassinando provando que era capaz de ser um traficante. Os sociólogos perceberam que as relações de poder eram diferentes, as indígenas eram para perpetuar sua cultura e sobrevivência, já as dos traficantes eram para provar capacidade para serem traficantes e se adequarem as suas leis internas que muito priorizavam o extermínio e o assassinato como forma de se manterem dominantes e no poder através do medo e do pânico, do terror. As autoridades sabiam disto e não se importavam pois não desenvolviam trabalhos para recuperar essas vítimas do meio social, até mesmo porque as prisões e cadeias serviam apenas para matar e torturar essa parcela da população assustadora e assustada, onde não se via empenho de quase nenhuma autoridade para mudar essa triste realidade de campos de concentração, tantos nas prisões e cadeias quanto nos morros e favelas ou onde vivem esses traficantes com suas leis e ordens ou imposições que botam  medo em todos e a coisa se reproduz tolerantemente, pois é como se o poder necessitasse por medo nas comunidades da periferia, muitas vezes, as mais pobres e marginalizadas, descriminalizadas e com menos investimentos urbanos ou sociais. O poder se  sustenta impondo medo, seja na tribo, seja no tráfico, seja na política, disseram os sociólogos!

CAP. 9
Então os Historiadores revelaram que no curso da história os indígenas sempre tiveram poucas mudanças políticas, econômicas, religiosas, sociais até o contato com o ¨homem branco¨ e os traficantes já tiveram mudanças em sua história, tiveram picos, altos e baixos, crises e guerras que levaram muitos a morte e para as prisões; os Historiadores perceberam que os indígenas eram muito pouco autodestrutivos e que os traficantes eram muito autodestrutivos, mesmo sabendo que os dois grupos tinham ritos de guerra e de luta. As autoridades deveriam perceber que os povos indígenas tem muito a ensinar para o ¨homem branco¨ em relação, por exemplo, aos ritos de guerra e de luta, ou seja, prá que servem, sua finalidade, que não seja para a autodestruição! O menino indígena era historicamente um menino de paz e o menino dos traficantes um menino de guerras! Triste realidade e difícil discrepância! Os Historiadores pregavam que o ensino da História ajudava na aprendizagem da paz social!

CAP. 10
         Os filósofos não abriram mão de comentar sobre o menino índio e o menino filho de traficantes. Sobre o primeiro disseram que ele constrói seu saber através do mundo e o segundo constrói seu saber através da subjetividade ou da experiência interna, pois o menino índio está em constante contato com a natureza e dela tudo retira para sobreviver e se adaptar, e o menino dos traficantes está em constante tensão consigo mesmo ou com os outros traficantes retirando da sua experiência interior sua sabedoria, sua natureza é interior. Mas as autoridades talvez não tenham notado o grande valor destas diferentes experiências que se tornam capazes de enriquecer a vida e a formação de todos através da natureza e da interioridade, ou seja, da inteligência naturalística e da inteligência interpessoal e intrapessoal. Deveriam elas aproveitarem estas diferentes manifestações para ensinar diferentes manifestações comportamentais em nossas crianças, desenvolvendo suas inteligências e não a incapacidade de lidar com nossas crianças por não conseguirmos entende-las o suficiente, seja na Escola, seja na família ou na sociedade, foi isto o que concluíram os filósofos acerca dos dois meninos pobres.

CAP. 11
         Perceberam, então, os geógrafos, que a posição geográfica do menino índio e do menino filho de traficantes era determinante na condição social de cada um deles. O menino índio vivia geograficamente num meio ambiente isolado e sem contato com a civilização e assim, com as cidades, inclusive com a zona rural, ele vivia numa reserva indígena que lhe reservava seus padrões de comportamento e estilo de vida, de relacionamentos e de rituais característicos da sua tribo indígena. O menino dos traficantes vivia geograficamente num meio ambiente cercado por um ¨exército¨ de traficantes e assim se isolava do resto da cidade e da comunidade, garantindo-lhe padrões de comportamento, estilo de vida, de relacionamentos e rituais característicos de onde vivia. Notaram que ambos eram vítimas da sociedade que geograficamente os expulsava do seu centro de relacionamentos, gerando ódio e discriminação, e até poder entre eles que se revoltavam entre si mesmos contra o centro da sociedade tentando se inserir nela novamente, mas os geógrafos diziam que esse mal só vai passar quando as cidades englobarem ou engolirem o que haviam expulsado fazendo a ¨digestão¨ e se alimentando desses grupos. O caminho para as autoridades é o crescimento e o desenvolvimento das cidades disseram os geógrafos.

CAP. 12
         Os matemáticos insistiam em afirmar que o menino indígena tinha déficit de aprendizagem na matemática em função do seu meio ambiente e da estimulação que ele o proporcionava nele, sem símbolos matemáticos, e que o menino filho de traficantes era normal pois vivia num ambiente matematicamente saudável, com símbolos matemáticos e estimulação da inteligência matemática, certamente aqui estava a diferença entre os dois na estimulação e desenvolvimento da aprendizagem proximal e real da matemática para os meninos indígena e filho de traficantes. Vemos aqui que a estimulação ambiental é fundamental, seja com símbolos ou com meios para aprendizagem proximal ou real, da matemática, para o desenvolvimento da inteligência matemática. As autoridades deveriam voltar seus interesses para esse ponto de ação, para a construção de um mundo matemático simbólico e transcendental, medianeiro, que faça a mediação entre o mundo real, o mundo matemático e o indivíduo e sua inteligência matemática disseram os matemáticos.
CAP. 13
         Os advogados analisaram o menino índio e o menino filho de traficantes como portadores de direitos, deveres, obrigações e privilégios diferentes. O menino índio tinha por direito viver numa reserva indígena, como dever mantê-la, obrigação, preserva-la, e privilégio, poder sair dela para ir para outra região. O menino filho de traficantes tinha como direito, viver com uma família, dever, respeitar sua família, obrigação, estudar, e privilégio ter liberdade para brincar e não ter que trabalhar. Os advogados concluíram que o menino indígena era respeitado em seu contexto, mas o filho de traficantes não era respeitado em seu contexto, pois tinha que traficar. Os advogados perceberam que a diferença entre o menino indígena e o dos traficantes deveria ser o contexto, o local onde viviam e suas condições ambientais, de sobrevivência e de segurança, saúde, trabalho, exploração, educação, espiritualidade, violência e justiça. Os advogados concluíram que as autoridades deveriam oferecer melhores condições de trabalho e mais equivalência nos serviços públicos, seja nas zonas ricas ou pobres das cidades, pois assim diminuiriam as discrepâncias sociais e melhorariam as cidades e o país.
CAP. 14
         Os engenheiros participaram declarando que o menino índio vivia num ambiente engenhosamente pobre, sem grandes construções e sem grandes recursos da engenharia, e que o menino dos traficantes vivia num meio ambiente rico engenhosamente, com grandes construções e com grandes recursos da engenharia. Estas diferenças causavam na vida psíquica, comportamental e social dos dois meninos diferenças  como pensamentos e imaginações mais ou menos elaboradas, sentimentos e estados afetivos ou de consciência diferenciados onde o menino indígena sentia-se mais naturalístico e o menino dos traficantes sentia-se mais urbano e tecnológico. Os engenheiros concluíram que a urbanização contribui e em muito para a imaginação e os pensamentos, estados de consciência, razão, reflexão, comparação, inteligência, intuição, sensação, etc., afetividade e seu desenvolvimento marcando a história de vida de cada criança por toda a vida. As autoridades deveriam perceber que a urbanização auxilia na construção das inteligências e o meio ambiente natural desenvolve a inteligência naturalística.
CAP. 15
         Os arquitetos disseram que os meninos percebiam o mundo conforme se inseriam nele. Assim se o menino índio vivia numa casa de sapé a arquitetura dessa casa desenvolveria uma inteligência inferior a do menino filho dos traficantes que vivia numa casa de alvenaria, capaz de estimular e arrebanhar mais objetos por estar inserido num meio social mais rico culturalmente e tecnologicamente. Concluíram então que os dois meninos eram diferentes devido a arquitetura de suas casas que modelava suas inteligências e comportamentos. As autoridades perceberam que deveriam mesclar os dois ambientes a fim de educar mais e bem melhor as crianças do nosso país.

CAP. 16

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