OSNY
MATTANÓ JÚNIOR
CONTO
DOS DOIS MENINOS POBRES
06/11/2016
CONTO
DOS DOIS MENINOS POBRES.
CAP.
1
Os dois meninos pobres eram, um índio e
o outro, um filho de traficantes... eles viviam no mesmo país e não se
conheciam mas conheciam as mesmas leis, os mesmos acertos e os mesmos erros, os
mesmos sorrisos e as mesmas lágrimas.
O pequeno índio experimentava em sua
vida calma e morna, sem muitas obrigações e nem a violência da cidade ou da
zona rural, uma experiência que todas as crianças sonhavam, participar de
campanhas de grandes ídolos do mundo da música e do cinema sem que tivesse que
se esforçar, mas apenas se pintar e trajar para a ¨guerra¨.
O menino filho de traficantes já em sua
vida experimentava as consequências do erro de seus pais, como tudo o que foi
perdendo, como a paz e a liberdade, as experiências saudáveis e educativas, em
função disto e do tráfico, nunca fora escolhido para participar de campanhas de
grandes ídolos do mundo artístico, mas apenas pelo tráfico para traficar e
aguentar as consequências penosas.
Os dois meninos pobres se assustavam com
a escuridão, com os cemitérios, com os monstros e fantasmas, mas eram
diferentes justamente porque viviam em contextos diferentes.
CAP.
2
Os políticos tinham o dever e a
obrigação de oferecer os mesmos direitos e privilégios para os dois meninos
pobres, mas não era isso o que acontecia.
O pequeno indígena também ficava
alienado em sua comunidade como forma de controla-lo e a sua comunidade, de não
deixa-los participarem da vida social e política do seu país, pois a corrupção
alienava o trabalho dos políticos levando-os a livrarem a população dos
indígenas.
E o menino traficante não era diferente,
também ficava alienado em sua comunidade como meio de exercer controle sobre
ele e sua comunidade, como forma de excluí-los da vida social e política da sua
nação mantendo-os na criminalidade e na violência, como forma de manter a
corrupção e a alienação política e assim excluírem os mais pobres e marginalizados.
CAP.
3
Os educadores e professores, por outro
lado, quando têm que educar crianças indígenas encontram condições ambientais e
escolares, das escolas e dos estudantes e seus pais, muitas vezes, muito
humildes e simples onde têm que se esforçar muito mais para driblar a escassez de
recursos, pois a corrupção impede que se leve educação e escolas de qualidade a
todos, preferem uma pátria de alienados do que de conscientizados.
E no tocante ao filho do traficante os
educadores e os professores, também encontram dificuldades pois para levar
educação até eles tem que subir o morro ou passar pela favela, por áreas de
grande perigo onde até ocorrem tiroteios e assassinatos, execuções, pois assim
é mais fácil controlar essa parcela da população mantendo-a alienada e
ignorante ao saber e ao conhecimento, a educação e ao trabalho, mantendo-os no
tráfico e no ilegal e na violência cruel e desumana, não devemos deixar nossas
escolas morrerem, devemos proteger nossas crianças e suas famílias e não deixa-las
morrerem.
CAP.
4
Os cientistas concordavam que o pequeno
índio era mais calmo do que o menino filho de traficantes porque ele vivia num
meio ambiente diferente, num outro contexto, e assim se adaptava melhor ao meio
ambiente, sem sofrimento e sem violência, porém ambos sofriam da alienação
imposta pela corrupção no seu país, corrupção que não vinha apenas de suas
autoridades mas de toda a sociedade que sempre aceitava facilidades ao invés de
exercer o direito, dever, obrigação e privilégio em suas ações, conquistas e
favores, os cientistas concordavam que essa gente cometia crimes todos os dias
e que não eram punidos devido a corrupção e a violência, os cientistas
concordavam que eram perseguidos porque sabiam a saída dos problemas em seu
país.
CAP.
5
Já os Psicólogos observaram que o
pequeno índio era muito inteligente naturalisticamente e muito adaptado ao meio
ambiente e o menino filho de traficantes pouco inteligente naturalisticamente e
mal adaptado ao seu meio ambiente pois tinha muitos problemas e sofrimentos com
a violência, fenômenos que não ocorriam no ambiente do índio, mas notaram que
para lidar com tecnologias o pequeno indígena era inferior ao outro que
aprendia rapidamente e era hábil, emocionalmente eram semelhantes e socialmente
variavam conforme o contexto, sabiam que investiam pouco na educação
psicológica de ambos os meninos pois eram discriminados pela sociedade e eram
objeto de bullying na escola, certamente as autoridades mantinham estas regras
para controla-los e domina-los cada vez mais.
CAP.
6
No encontro com os Médicos as
avaliações foram um pouco diferentes entre os dois meninos. O índio revelou
potencial para doenças prevenidas nos meninos das cidades com a vacinação, os
indígenas eram, neste grupo, excluídos pois viviam isolados e portanto não
tinham contato com a população das civilizações, mas percebeu-se que o menino
filho de traficantes era mais fraco e mais doente que os outros meninos de sua
idade em função das drogas e das condições ambientais em que vivia, os dois
meninos deveriam continuar com acompanhamento médico durante seu
desenvolvimento e crescimento para se prevenirem e diagnosticarem o que for
possível e acessível, ficou claro que há diferenças entre os dois meninos e
entre seus estilos de vida, nos contextos, verdade, em função das decisões das
autoridades que insistem em separar as diferentes realidades de nosso país,
segregando-o e as suas pessoas, criando guetos e brigas ou guerras que nunca
deveriam ter começado se não fossem as diferentes realidades impostas por
autoridades que se subtraem do corpo social, se autoexcluindo com leis e
projetos de leis que os protejam em seus crimes e erros como quando cometem
erros e faltas no trabalho castigando doentes e pessoas que sofrem atentados
contra o corpo, a sexualidade e a saúde como que cobaias humanas de suas
vontades de vê-los todos nus e sofrendo tortura aprisionados até que os prendam
em outro lugar pior que causa violência maior e até suas mortes como fazem
comigo e com minha família há uns 30 anos. As autoridades corruptas criam estas
realidades para roubar os cofres públicos e dominarem as pessoas com seus erros criando crimes onde só há nada
e, as vezes, pecado! Os Médicos estavam lidando com um novo tipo de doenças
onde não havia coisa alguma mas para essas autoridades havia muita coisa, muito
crime onde no máximo só havia nada e/ou pecado e silêncio! Os Médicos estavam
com suas profissões ameaçadas e desumanizadas por essas autoridades violadoras
de intimidades e de privacidades, de saúde e de vida, de silêncio e de paz e
ordem, e sossego!
CAP.
7
Os antropólogos também viram-se
ameaçados pois conheciam as diferenças entre os dois meninos, o índio era mais
natural e menos tecnológico e o dos traficantes era mais artificial e mais
tecnológico, porém a questão do silêncio e do ter ou não direito a não fazer
coisa alguma incomodava aos antropólogos pois estaria o ser humano evoluindo a
um estágio onde não conseguiria mais parar e nem descansar ou deixar de
trabalhar, nem mesmo quando está dormindo e sonhando? Os antropólogos só
perceberam isto porque as autoridades sondavam esse novo tipo de atitude
política como fim de legitima-la fazendo experiências em cobaias humanas onde o
menino índio sentia medo pois também era tratado com hostilidade e o menino dos
traficantes sentia medo e ódio pois era
tratado com medo e hostilidade pelas autoridades, isto certamente para
as autoridades dominaram as pessoas e se
ausentarem de suas responsabilidades, escapando à corrupção e a imoralidade como
faziam com a vida da família cobaia humana que nenhuma autoridade resolvia definitivamente seus problemas sem
mais prejudica-los e ameaça-los a vida, a liberdade, o patrimônio, a família e
a saúde. Os dois meninos também sabiam disto mas eram indiferentes pois as
autoridades também eram indiferentes concluíram os antropólogos!
CAP.
8
Os sociólogos voltaram-se para as
relações de poder e entenderam que o menino índio para adquirir poder teria que
passar pelos rituais de sua tribo e para o menino filho de traficantes adquirir
poder ele também teria que passar por rituais, mas como seriam estes rituais.
Os indígenas eram de caça e luta, dança, e os dos traficantes de lealdade aos
demais traficantes empunhando uma arma e até assassinando provando que era capaz
de ser um traficante. Os sociólogos perceberam que as relações de poder eram
diferentes, as indígenas eram para perpetuar sua cultura e sobrevivência, já as
dos traficantes eram para provar capacidade para serem traficantes e se
adequarem as suas leis internas que muito priorizavam o extermínio e o
assassinato como forma de se manterem dominantes e no poder através do medo e
do pânico, do terror. As autoridades sabiam disto e não se importavam pois não
desenvolviam trabalhos para recuperar essas vítimas do meio social, até mesmo
porque as prisões e cadeias serviam apenas para matar e torturar essa parcela
da população assustadora e assustada, onde não se via empenho de quase nenhuma
autoridade para mudar essa triste realidade de campos de concentração, tantos
nas prisões e cadeias quanto nos morros e favelas ou onde vivem esses
traficantes com suas leis e ordens ou imposições que botam medo em todos e a coisa se reproduz
tolerantemente, pois é como se o poder necessitasse por medo nas comunidades da
periferia, muitas vezes, as mais pobres e marginalizadas, descriminalizadas e
com menos investimentos urbanos ou sociais. O poder se sustenta impondo medo, seja na tribo, seja no
tráfico, seja na política, disseram os sociólogos!
CAP.
9
Então
os Historiadores revelaram que no curso da história os indígenas sempre tiveram
poucas mudanças políticas, econômicas, religiosas, sociais até o contato com o
¨homem branco¨ e os traficantes já tiveram mudanças em sua história, tiveram
picos, altos e baixos, crises e guerras que levaram muitos a morte e para as
prisões; os Historiadores perceberam que os indígenas eram muito pouco
autodestrutivos e que os traficantes eram muito autodestrutivos, mesmo sabendo
que os dois grupos tinham ritos de guerra e de luta. As autoridades deveriam perceber
que os povos indígenas tem muito a ensinar para o ¨homem branco¨ em relação,
por exemplo, aos ritos de guerra e de luta, ou seja, prá que servem, sua
finalidade, que não seja para a autodestruição! O menino indígena era
historicamente um menino de paz e o menino dos traficantes um menino de
guerras! Triste realidade e difícil discrepância! Os Historiadores pregavam que
o ensino da História ajudava na aprendizagem da paz social!
CAP.
10
Os filósofos não abriram mão de
comentar sobre o menino índio e o menino filho de traficantes. Sobre o primeiro
disseram que ele constrói seu saber através do mundo e o segundo constrói seu
saber através da subjetividade ou da experiência interna, pois o menino índio
está em constante contato com a natureza e dela tudo retira para sobreviver e
se adaptar, e o menino dos traficantes está em constante tensão consigo mesmo
ou com os outros traficantes retirando da sua experiência interior sua
sabedoria, sua natureza é interior. Mas as autoridades talvez não tenham notado
o grande valor destas diferentes experiências que se tornam capazes de enriquecer
a vida e a formação de todos através da natureza e da interioridade, ou seja,
da inteligência naturalística e da inteligência interpessoal e intrapessoal.
Deveriam elas aproveitarem estas diferentes manifestações para ensinar
diferentes manifestações comportamentais em nossas crianças, desenvolvendo suas
inteligências e não a incapacidade de lidar com nossas crianças por não
conseguirmos entende-las o suficiente, seja na Escola, seja na família ou na
sociedade, foi isto o que concluíram os filósofos acerca dos dois meninos pobres.
CAP.
11
Perceberam, então, os geógrafos, que a
posição geográfica do menino índio e do menino filho de traficantes era
determinante na condição social de cada um deles. O menino índio vivia geograficamente
num meio ambiente isolado e sem contato com a civilização e assim, com as
cidades, inclusive com a zona rural, ele vivia numa reserva indígena que lhe
reservava seus padrões de comportamento e estilo de vida, de relacionamentos e
de rituais característicos da sua tribo indígena. O menino dos traficantes
vivia geograficamente num meio ambiente cercado por um ¨exército¨ de traficantes
e assim se isolava do resto da cidade e da comunidade, garantindo-lhe padrões
de comportamento, estilo de vida, de relacionamentos e rituais característicos
de onde vivia. Notaram que ambos eram vítimas da sociedade que geograficamente
os expulsava do seu centro de relacionamentos, gerando ódio e discriminação, e
até poder entre eles que se revoltavam entre si mesmos contra o centro da
sociedade tentando se inserir nela novamente, mas os geógrafos diziam que esse
mal só vai passar quando as cidades englobarem ou engolirem o que haviam
expulsado fazendo a ¨digestão¨ e se alimentando desses grupos. O caminho para
as autoridades é o crescimento e o desenvolvimento das cidades disseram os
geógrafos.
CAP.
12
Os
matemáticos insistiam em afirmar que o menino indígena tinha déficit de
aprendizagem na matemática em função do seu meio ambiente e da estimulação que
ele o proporcionava nele, sem símbolos matemáticos, e que o menino filho de
traficantes era normal pois vivia num ambiente matematicamente saudável, com
símbolos matemáticos e estimulação da inteligência matemática, certamente aqui
estava a diferença entre os dois na estimulação e desenvolvimento da
aprendizagem proximal e real da matemática para os meninos indígena e filho de
traficantes. Vemos aqui que a estimulação ambiental é fundamental, seja com
símbolos ou com meios para aprendizagem proximal ou real, da matemática, para o
desenvolvimento da inteligência matemática. As autoridades deveriam voltar seus
interesses para esse ponto de ação, para a construção de um mundo matemático
simbólico e transcendental, medianeiro, que faça a mediação entre o mundo real,
o mundo matemático e o indivíduo e sua inteligência matemática disseram os
matemáticos.
CAP.
13
Os advogados analisaram o menino índio
e o menino filho de traficantes como portadores de direitos, deveres,
obrigações e privilégios diferentes. O menino índio tinha por direito viver
numa reserva indígena, como dever mantê-la, obrigação, preserva-la, e
privilégio, poder sair dela para ir para outra região. O menino filho de
traficantes tinha como direito, viver com uma família, dever, respeitar sua
família, obrigação, estudar, e privilégio ter liberdade para brincar e não ter
que trabalhar. Os advogados concluíram que o menino indígena era respeitado em
seu contexto, mas o filho de traficantes não era respeitado em seu contexto,
pois tinha que traficar. Os advogados perceberam que a diferença entre o menino
indígena e o dos traficantes deveria ser o contexto, o local onde viviam e suas
condições ambientais, de sobrevivência e de segurança, saúde, trabalho, exploração,
educação, espiritualidade, violência e justiça. Os advogados concluíram que as
autoridades deveriam oferecer melhores condições de trabalho e mais
equivalência nos serviços públicos, seja nas zonas ricas ou pobres das cidades,
pois assim diminuiriam as discrepâncias sociais e melhorariam as cidades e o
país.
CAP.
14
Os engenheiros participaram declarando
que o menino índio vivia num ambiente engenhosamente pobre, sem grandes
construções e sem grandes recursos da engenharia, e que o menino dos
traficantes vivia num meio ambiente rico engenhosamente, com grandes
construções e com grandes recursos da engenharia. Estas diferenças causavam na
vida psíquica, comportamental e social dos dois meninos diferenças como pensamentos e imaginações mais ou menos
elaboradas, sentimentos e estados afetivos ou de consciência diferenciados onde
o menino indígena sentia-se mais naturalístico e o menino dos traficantes
sentia-se mais urbano e tecnológico. Os engenheiros concluíram que a urbanização
contribui e em muito para a imaginação e os pensamentos, estados de consciência,
razão, reflexão, comparação, inteligência, intuição, sensação, etc.,
afetividade e seu desenvolvimento marcando a história de vida de cada criança
por toda a vida. As autoridades deveriam perceber que a urbanização auxilia na construção
das inteligências e o meio ambiente natural desenvolve a inteligência
naturalística.
CAP.
15
Os arquitetos disseram que os meninos
percebiam o mundo conforme se inseriam nele. Assim se o menino índio vivia numa
casa de sapé a arquitetura dessa casa desenvolveria uma inteligência inferior a
do menino filho dos traficantes que vivia numa casa de alvenaria, capaz de
estimular e arrebanhar mais objetos por estar inserido num meio social mais
rico culturalmente e tecnologicamente. Concluíram então que os dois meninos
eram diferentes devido a arquitetura de suas casas que modelava suas
inteligências e comportamentos. As autoridades perceberam que deveriam mesclar os
dois ambientes a fim de educar mais e bem melhor as crianças do nosso país.
CAP.
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